História Sécurité - Capítulo 29


Escrita por: ~ e ~b_paixao

Postado
Categorias David Luiz
Personagens David Luiz
Tags David Luiz, Esporte, Psg, Romance
Exibições 325
Palavras 4.128
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Comédia, Esporte, Famí­lia, Luta, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!
Tem capítulo saindo do forno direto para vocês <3
Hoje não temos muita coisa para falar, só queremos agradecer por cada comentário e favorito que a nossa fanfic esta recebendo. Isso nos deixa muito, muito, muito felizes.
Continuem assim!
um apertão no popozão gordo de cada uma de vocês.

Capítulo 29 - O certo era manter sua palavra


Fanfic / Fanfiction Sécurité - Capítulo 29 - O certo era manter sua palavra

" Você gosta de mim é por isso que eu vim. Eu não quero cantar pra ninguém a canção que eu fiz pra você. "
 
Nada pra mim - Ana carolina.

Alícia Fercondini. 

Sede Sécurité. 
Localização não autorizada.  

22 de Dezembro de 2015. 

Entrei na sala de reuniões, e logo ouvi várias vozes de conversas aleatórias entre os seguranças. Uns falando sobre alguns jogos e outros sobre a folga nas datas comemorativas. Vi Christopher sentado na mesma cadeira de sempre, acompanhado por Olivia que está escorada em pé na borda da mesa. Olivia ri de algo e Christopher faz uma feição de tédio.  

— Deixa eu adivinhar. Ela te chamou de Capitão América pela milionésima vez. - Digo, assim que me sento na cadeira ao lado.

— Errou. - Olivia estende o dedo no ar.  — Estava falando do senhor egocêntrico.  

— Zlatan? - Sugiro. 

— Exato. - Ela confirma.  — Em um dia estressante, ele resolveu sair, e adivinha? Ele bebeu! E eu tive que me esforçar para não perder a paciência. Não queira nunca conhecer o Zlatan com efeito alcoólico na veia. Ele fica mil vezes mais teimoso.

— E por que não obrigou ele a voltar para casa? - Questionei como se fosse óbvio.  

— Eu não posso simplesmente obrigá-lo a fazer as coisas. - Olivia encolhe os ombros e gesticula com as mãos. —  Eu não sou babá dele e sim protetora. O meu trabalho eu faço, que é zelar pela segurança dele, ou seja, se ele quiser beber todas, subir na mesa e fazer um strip tease, eu vou deixar, desde que ele não se machuque ou corra risco de vida. 
E mesmo se eu lhe passasse alguma ordem ele diria " Zlatan não recebe ordens, Zlatan dá ordens." - Ela tenta imitar a voz dele e faz aspas com os dedos. 
  
— Ele não aparenta ser uma pessoa ruim, talvez você que não tenha paciência com ele, Olivia. - Chris murmura e bate os seus dedos na mesa. 

— Você fala isso porque pegou o melhor protegido de todos. O Thiago além de ser uma gracinha é super gente boa. - Olivia retruca e eu encaro-a com um ar sugestivo. 

— Que foi? Você sabe que ele é uma gracinha. - Ela se dirige a mim, eu levanto minhas mãos em sinal de rendição.  

— Ah! - Ela solta, como se tivesse lembrado de algo.  — Vocês vão vir na festa hoje? 

A festa que Olivia se referia era como se fosse uma festa antecipada de Natal, todos os anos acontecia. Geralmente, todos os seguranças marcam presença. 

— Você sabe que vir a essa festa é como se fosse uma obrigação. - Digo e Olivia dá de ombros. 

Ouvimos um tumulto na porta de entrada e logo Senhor Carvell entra, acompanhado de Nasser. 
Olivia se senta na cadeira, e eu me ajeito na minha. 

— A reunião de hoje não será longa. Chamei todos vocês aqui para avisar que já estão liberados para as datas comemorativas. - Carvell nos avisa e sorri amigável. 

— Quero agradecer o ótimo trabalho que os senhores... - Nasser aponta para os homens e depois para mim e Olivia. — ...e as senhoritas estão fazendo.  

A reunião se estendeu por alguns minutos e depois fomos liberados

Assim que deixei a sala, fui até o meu quarto na sede. Sorri quando entrei, estava tudo exatamente igual.  Tirei a jaqueta que eu vestia e a joguei sobre a cama. Decidi que hoje eu tiraria o dia para treinar. Eu precisava de um dia longe de David. Peguei uma roupa mais apropriada e me encaminhei para o banheiro. 

[...]

Adentrei na sala de treinamento, que por sinal estava vazia. Joguei minha toalha e a garrafa de água em um canto qualquer.  Olhei em volta e pensei por onde eu iria começar. Havia um saco de boxe preto pendurado no meio da sala totalmente branca, um tapete longo e escuro de luta sobre o chão, fora outros meios de treinamento. 


Peguei as luvas e coloquei em minhas mãos. Parei diante do saco e fiquei em posição de guarda, com os punhos levantados em frente ao meu queixo. 

Respirei fundo e desferi o primeiro soco no saco, e ele voou para longe de mim. Dei o segundo quando vi ele se aproximar novamente. 

— Você não treina quando está em missão. - Ouvi a voz de Ryan ecoar pelo lugar. Relaxei meus braços nas laterais do corpo e voltei minha atenção para ele.  — A não ser que esteja irritada com algo.  

— Treinávamos todos os dias antes de você ir para aquela missão, lembra? - Disse e me virei para o saco.  — Depois que você foi embora... - Dei um soco e ri em desdém.  — Eu evitava treinar, porque me lembrava você.  - O último soco fez com que o saco voasse para longe de mim. 

— Já entendi. Você está irritada. - Ele ri e se aproxima de mim. Parando em minha frente, Ryan segura o saco e espera por minha ação. 

— Eu não estou irritada. - Falei, enquanto eu desferia os meus golpes. 

— Mas não é comigo que está irritada. - Dei um soco mais forte assim que ouvi suas palavras.  — É algo relacionado a missão com os jogadores, não é? 

— Não. - Respondi, olhando-o por cima das luvas que estão postas em frente ao meu rosto.  — Eu só senti uma vontade de treinar, apenas isso. - Minha mão direita desferiu o último soco e eu respirei fundo. 

— Fiquei sabendo que você  se aperfeiçoou na luta corporal. - Falei, e arqueei uma sobrancelha. 
Puxei um dos fechos da luva com a boca, retirando-a da minha mão e em seguida fiz a mesma coisa na outra. Joguei o par em um canto qualquer da sala e me direcionei até o tapete.  

— Está me desafiando ou eu estou interpretando errado? - Ryan se pronunciou e cruzou os braços sobre o peito. 

— Me mostre o que você sabe. - O chamei fazendo um gesto com os dedos e  ele assentiu com a cabeça.

Ficamos um na frente do outro e ele parecia pensar no que iria fazer primeiro. Fechei minha mão em punho e acertei um soco de leve em seu rosto. Ryan me olhou assustado, mas logo um sorriso se formou em seus lábios. 

— Prometo não machucar você. -  Disse, e sorri abertamente, me posicionando para esperar ele revidar. 

Ele tentou me acertar um soco com sua mão direita, mas eu a empurrei com minha mão, e com o outro braço inclinei meu cotovelo na direção do seu rosto, mas ele se esquivou. Tentei um soco na lateral do seu rosto, porém, ele se abaixou e eu soquei o ar. 

— Acho que você realmente aprendeu a lutar. - Falei ofegante, e voltei para minha posição. 

— Você ainda não viu nada. 

Ao fim de suas palavras, eu ergui minha perna dominante para acertar um chute na lateral do seu corpo, Ryan empurrou minha perna com o antebraço e depois tentou acertar um golpe em minha costela, eu segurei seu braço e flexionei meu joelho para cima, a fim de encostá-lo em sua barriga. 

Ele me olhou atordoado, e eu aproveitei a nossa proximidade para segurar seu pescoço com minhas mãos sem usar força. Ryan tentou girar seu corpo no ar para se soltar de mim, eu sabia que ele faria isso. 

Voltamos para nossas posições e eu me abaixei rapidamente, segurando sua perna, fazendo com que ele se desequilibrasse e caísse por cima de mim. 

Acho que ganhei um ponto. 

Ryan se levantou rapidamente e tentou me acertar no rosto, saí de sua mira, e fiquei de costas para ele, elevando meu cotovelo para tocar o seu rosto, e mais uma vez não obtive sucesso. Ryan segurou meu braço e nossos rostos ficaram próximos demais. Aproveitei seu momento de relaxamento, e fiz um movimento rápido. Levei minha perna para trás da sua e a puxei para frente. 

Ryan caiu no chão. 

Acho que ganhei mais um ponto. 

Ocasionalmente, esse golpe me lembrou David. 

— Isso era só o começo. Acho bom você se levantar.  - Me abaixei ao seu lado, e bati em sua barriga, mas ele segurou minha mão e me puxou para perto. Me desequilibrei e caí sobre o seu corpo. 

Nossos rostos estavam perto e eu não estava me sentindo confortável. 

— Lembre-se de não deixar o seu opositor seduzir você, caso contrário, ele vai te derrotar.  - Falei baixo e notei que ele analisava cada detalhe do meu rosto. 

— Se o meu opositor for uma mulher de cabelos ruivos, acho que vale a pena apanhar.  - Ele girou seu corpo sobre o meu, e em fração de segundos trocamos de posição. 

Seus olhos recaíram em minha boca e eu engoli em seco. 

— Gente? - A voz de Olivia nos interrompe.  Olhamos para ela, que está escorada na porta e nos observa de uma forma maliciosa.  

Ryan se levantou e estendeu a mão para mim, me ajudando a levantar. 

 — O que ainda faz aqui? Pensei que já tinha voltado para a casa do seu protegido. - Murmurei, e ela negou com a cabeça.

— Na verdade eu estava na central, fui me informar onde o Senhor Zlatan estava. E descobri que ele está em um passeio com os filhos, e eu optei por não atrapalhar. - Ela explica. 

— Mas optou por atrapalhar outra coisa. - Ryan diz em uma forma descontraída e ela ri. 

— Me desculpe. - Olivia faz uma careta e Ryan se aproxima dela, abraçando-a de lado. 

Poderia ser loucura da minha cabeça, mas eles formariam um belo casal. 

Peguei a garrafa de água do chão junto da toalha, e observei os dois. 

— E eu preciso ir. - Avisei. 

— Só ganhou de mim, porque me seduziu.  - Ryan brinca com o que disse minutos atrás.  

— Eu sempre ganho de você. - Me aproximo dele e lhe dou um abraço.  

Apesar de tudo, éramos amigos e eu não queria permanecer com aquele clima estranho entre nós.

• 

Rue de chézy, Neuilly sur seine, ilê de france.

Estaciono a moto em frente a casa de David e desço da mesma. Olhei para a ampla janela da fachada e vi quando alguém saiu de lá.  Eu sabia que era David me espionando. Entrei e quando fui pisar no primeiro degrau da escada que levava aos quartos, ouvi a sua voz atrás de mim. 

— Você saiu o dia todo, fiquei preocupado.  Agora, vendo suas roupas, eu deduzo que estava em alguma academia ou na Sécurité. 

Me condenei mentalmente por não ter trocado de roupa na sede.
Continuei de costas para ele e o fitei por cima do meu ombro.  

— Não somos crianças, Alícia. Sei que está tentando me evitar por causa do beijo de ontem. 

Me virei totalmente para ele e o encarei.  

— Não estou tentando evitar ninguém,  Senhor David. - Pisquei rapidamente algumas vez, tentando evitar aquele constrangimento.  —  Deixe eu apenas exercer o meu trabalho, caso contrário, eu terei que sair da missão. 

David passou as mãos pelo rosto e parecia frustrado. Foi a primeira vez que o vi assim. 

Avancei alguns passos em sua direção, e parei em sua frente.  

— Eu não estou aqui para atrapalhar a sua vida, e eu sei que o senhor não quer atrapalhar a minha. - Coloquei minha mão em seu ombro, mas retirei assim que seus olhos se fixaram nos meus. 

Ele colocou sua mão em meu ombro e foi deslizando pelo meu braço até chegar em minha mão,  e eu acompanhei tudo com o meu olhar atento. David levou minha mão até os seus lábios e depositou um beijo na curva dos meus dedos. 

Por algum motivo eu não senti vontade de impedir sua ação. 

— Me desculpa por isso, mas... - Ele interrompeu sua fala e soltou minha mão lentamente.  — Você deve estar cansada, antes de liberar você para subir, eu queria te avisar que eu embarco amanhã para o Brasil.  - Um sorriso forçado se formou em seu rosto, pela rápida mudança de assunto. 

— Eu sei, Senhor David. Também embarcarei amanhã. 

— Acho que é só isso que eu tenho para dizer. - O protegido coçou a testa e parecia desconfortável. 

Ele escondeu uma de suas mãos no bolso e com a outra fez sinal para a sala. 

— Se precisar de alguma coisa, estarei aqui. - Dando um passo para trás, e se virando em seguida para a frente, ele sumiu pela porta da sala. 

E eu me vi parada aonde estava. 
Respirei fundo algumas vezes e subi as escadas.  

[...]

Algumas horas depois. 


Me arrumei e desci as escadas procurando por David, e o achei onde ele disse que estaria. Ele estava jogado sobre o sofá, e falava ao telefone. Me mantive quieta e esperei ele finalizar a ligação. 

— Sim, miúda, eu estou bem. Eu também te amo... - David se levantou e me viu parada na porta.  — Preciso desligar, beijos. - Com a ligação encerrada, ele parecia envergonhado com algo.  

— Senhor David, irei me ausentar por umas horas. 

— Posso saber pelo menos aonde vai? Não quero ficar preocupado e... 

— Vou até a sede. Hoje vai ter uma festa antecipada de natal, já que alguns seguranças viajam, e não podem marcar presença no dia certo, então costumamos comemorar todos juntos antes.

Ele abriu a boca para me responder mas desistiu. 

— Não chegarei tarde. Até logo. 

David assentiu com a cabeça, e eu saí pela porta. 

• 

Sede Sécurité.
Localização não autorizada. 

A sala de reuniões havia virado um bar improvisado e todos - exatamente todos - os seguranças estavam aqui. Alguns em um grupo bebendo e conversando, outros beliscando as comidas que estão postas na longa mesa. Senti alguém cutucar o meu ombro, e só assim percebi que estava parada na porta. Olhei para trás e pedi desculpa, dando passagem para que o segurança entrasse. Olivia me viu e veio em minha direção com uma taça de vinho. 

— Para a bela apreciadora de vinhos que está diante dos meus olhos nesse momento. - Ela faz uma reverência e eu pego a taça de sua mão.  

— Merci, mademoiselle. - Agradeci em francês, e ela me puxou pela mão, me levando até um grupo de seguranças.  

Christopher e Ryan sorriram para mim no instante em que me viram.

— Que bom que veio. - Chris diz e estende sua taça no ar para que eu brinde com ele, e assim faço.  

Ryan deixou seu olhar se focar em mim durante alguns minutos. 

Depois de algumas conversas animadas e poucas taças de vinho, eu puxei uma das cadeiras confortáveis que deixaram na sala e me sentei nela, olhando através do vidro a paisagem da noite parisiense.  

Alguém se aproximou de mim e eu olhei para cima, vendo Olivia com um pequeno sorriso em seus lábios.  Ela puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado. 

— Ryan está preocupado com você. - Ela fala olhando para ele, que está um pouco distante de nós, conversando com alguns seguranças.   — Você está tão quieta, quer me dizer o que aconteceu?  

Suspirando, eu virei o resto do vinho que estava na taça em minha boca. Engoli e olhei de soslaio para ela. 

— Aconteceu de novo. - Soltei. 

Olivia fez uma expressão confusa e eu respirei fundo antes de esclarecer.

— Eu e David nos beijamos de novo. 

— Vocês o quê?! - Olivia olha para o chão e sua boca permanece aberta em espanto.  — Eu deveria ter virado vidente em vez de segurança, eu sabia que isso ia acontecer de novo. 

— Eu estou pensando seriamente em pedir afastamento da missão.  

— Está querendo pedir afastamento por qual motivo? Por causa da insistência do Senhor David ou porque você está mexida com isso? Seja honesta consigo mesma, Alícia. 

— Eu não estou... - Pauso minha fala assim que ouço um toque de celular. Olivia me alerta de que era o dela e me pede um minuto. 

Volto minha atenção para a paisagem, enquanto espero ela finalizar a chamada. 

— Diga, Senhor Zlatan. - Olivia fala ao telefone e eu me levanto para ir pegar mais uma taça de vinho.  — Está aqui comigo sim. - Ela segura o meu braço e olha para mim com um semblante confuso.  

Olivia se levanta e desliza o celular pelo ouvido, estendendo-o em minha direção.  Tapando o transmissor de som com a mão, ela me avisa de que Zlatan quer falar comigo.  

Pego o telefone e coloco no ouvido.  

— O que deseja, Senhor Zlatan? 

— Sua voz é bem mais atraente ao telefone, devo admitir. - Ele ri sonoramente para que eu escute.  
— Se deu ao trabalho de ligar apenas para ouvir minha voz ao telefone? Acho que está virando o meu fã número um, Senhor Zlatan. 

— Foi bom você falar em fã número um, foi por isso que liguei.  O brasileiro está aqui em um bar conosco, e ele bebeu estranhamente demais, eu diria. Se eu fosse você, viria pra cá, ele está insuportável e eu não sou babá de homem com coração partido. 

— Eu estou indo até aí.  

— Mas eu ainda não passei a locali... 

Desligo o telefone e entrego para Olivia. 

— Rastreia onde o Senhor Zlatan está nesse momento,  eu preciso ir buscar o Senhor David. - Falo e ela prontamente digita algumas coisas em seu celular. 

— Consegui! - Olivia comemora e me olha animada.  — Em um bar próximo da Torre Eiffel. 

— Preciso que me leve até lá.  

— Vou só pegar minha moto e podemoss ir. - Olivia deu um passo, mas eu segurei seu braço. 

— Vamos na minha, você me deixa lá e depois deixa na garagem da Sécurité. - Ela assente e tentamos disfarçadamente deixar a sala sem que percebam. 

• 

Bar.

Localização não autorizada. 

Olivia estaciona a moto em frente ao bar de aparência sofisticada e eu desço da mesma. Retiro o capacete extra e entrego para ela que o coloca no braço. 

— Obrigada pela carona. 

—  Boa sorte com o protegido. - Sua voz sai um pouco abafada devido ao capacete que ela usa. 

Olivia retoma seu caminho, fazendo um estrondo pela rua. 

Me viro para a porta do bar e entro, ouvindo uma música absurdamente alta da cantora Rihanna. 

" Querido, você veio para isto. O relâmpago nos atinge toda vez que ela dança. E todos a estão observando. Mas ela está olhando para você" 


Passo por pessoas visivelmente alcoolizadas, alguns batem em meu ombro e parecem não se importar. Procuro por David, mas não o encontro em nenhum lugar. Sinto alguém me puxar pelo braço no meio da multidão e me levar para um canto solitário. Até que finalmente vejo quem é.

Zlatan solta o meu braço e se inclina para falar algo em meu ouvido.  

Minha vontade de lhe dar um golpe se faz presente e eu tento ignorar.  

— Bom saber que você realmente se preocupa com o brasileiro. É só olhar para a sua esquerda, que você verá aonde ele está.  - Suas palavras penetram meus tímpanos. 

Olho para a minha esquerda e avisto David, sentado em uma mesa com Cavani, Lucas e Kevin Trapp. Meus pés me levam até a mesa, e os três jogadores parecem notar minha aproximação, menos David, que flexiona o braço para virar mais uma dose de bebida. Sou mais rápida e seguro sua mão, impedindo que ele tomasse. 

— Ei...- Ele reclama e volta seu olhar para mim, ou pelo menos tentou.   — Alícia?! Aí não acredito!  - David revira os olhos parecendo uma criança mimada. 

— Vamos embora agora, Senhor David. - Falo e pego seu braço, mas ele puxa e eu sinto meu sangue ferver.  

— David é melhor você ir para casa. - Kevin fala para o amigo. 

Pego seu braço novamente e coloco em torno dos meus ombros, levanto-o com dificuldade, e passo meu braço em volta de sua cintura. Ele parece realmente ter extrapolado em todas as bebidas desse bar.

— Alícia quer que eu te ajude a levar ele até o carro? - Lucas se manifesta meio sem jeito e eu nego com a cabeça. 

— Não precisa, eu consigo, Senhor Lucas. - Sorri sem ânimo e puxei David para fora do bar. 

Chegamos ao estacionamento, e paramos próximo ao seu carro. Com certo esforço eu procuro pelas suas chaves em seus bolsos da calça, mas não acho. 

— Alícia? - Ouço meu nome ser pronunciado com uma mistura de espanhol e eu olho para trás. 

— As chaves. Ele acabou esquecendo na mesa. - Cavani me entrega e sorri amigável.  

— Senhor Cavani, será que pode segurar ele por alguns instantes? - Ele assente com a cabeça e segura David pelo braço.  

— Edi, você sabe... - David pronuncia palavras desconexas. 
— ... que eu não bebo desse jeito.... - Ele faz outra pausa. — Mas, eu estou tão confuso. - O protegido passa a mão no rosto de Cavani e ri. 

Era uma cena patética. 

Abri a porta do passageiro e com a ajuda de Edinson, consegui colocar David sentado corretamente no banco, passo o cinto de segurança ao redor do seu corpo e prendo-o ali. Fecho a porta e fito Cavani que me olha de um jeito engraçado. 

— Acho que eu entendo porque ele bebeu. - Ele diz e coloca a mão em meu ombro por alguns segundos.  — Se precisar de alguma coisa, é só ligar, tem meu número no celular dele. 

— Agradeço a preocupação, mas não será necessário, obrigada por ajudar a colocar ele no carro, Senhor Cavani. Até logo. - Dou a volta pelo carro e entro no banco do motorista. 

Dei a ré, saindo do espaço em que o carro estava e olhei Cavani pelo retrovisor, ele parecia entender o que estava acontecendo no momento, e eu espero que David não tenha dito nada comprometedor. 

Alternei meu olhar entre a rua e David. 

As imagens se tornavam borrões na medida em que eu pisava no acelerador, as luzes da cidade escapavam pela janela e iluminavam seu rosto. Ele estava quase sendo vencido pelo sono. 

Mas antes ele colocou sua mão em minha perna, e eu o olhei de imediato. 

— Alícia, eu não bebo desse jeito... - David se esforçava para abrir os olhos. 

— Me disse uma vez que só bebia socialmente. O certo era manter sua palavra. - Falei baixo e olhei para  a longa rua que faltava percorrer. 

— Manter minha palavra perto de você é... - Ele se mexia, parecendo visivelmente desconfortável. — ... difícil. 

Engoli em seco e tentei me concentrar no percurso. 

• 

Rue de chézy, Neuilly sur seine, ilê de france.

Abri a porta do passageiro, e dei um longo suspiro. Me inclinei sobre David para tirar o seu cinto, e o olhei por alguns segundos. Seus cachos fugiam pelas laterais da touca que ele usava, e sua pele parecia mais clara sob a luz da noite, e ele dormia serenamente. 

Lamentei por vê-lo assim. Eu sei que ele não costuma sair para beber até perder as forças. 

Coloquei seu braço em meus ombros e o ajudei a levantar, ele resmungou um pouco assim que despertou, mas revolvi ignorar. 

Entramos em sua casa, e eu ajudei ele a subir as escadas, seus olhos pareciam não ter o foco dos degraus e eu sabia que passaríamos longos minutos para subir.  

— Alícia? - Ele me chamou pela terceira vez assim que pisamos no quinto degrau. 

— Estou ouvindo, Senhor David. 

— Eu nunca mais vou... - Ele ficou calado, mas logo continuou.  — ... deixar você ir embora. 

Me mantive em silêncio.  

Eu não queria prolongar essa conversa. 

Conseguimos finalmente chegar no fim da escada e eu optei por usar o elevador.

Assim que pisamos no corredor, eu direcionei David até o meu quarto,  achei que seria demais entrar no seu, com ele nesse estado. 

Sentei-o na poltrona, e retirei os seus sapatos, depois a sua calça jeans, a sua blusa, e por fim a touca que prendia seus cabelos.

David ficou apenas usando uma cueca Calvin Klein e seu corpo era incrivelmente atraente.  

Balancei a cabeça e o apoiei em mim novamente, levando-o até a cama. Ele se deitou de bom grado, e eu achei que era o momento de deixá-lo dormir,  dei um passo para deixar o cômodo, mas senti sua mão segurar o meu braço.  

— Alícia? - David me chamou e eu olhei para ele, assustada. 

— Diga, Senhor David. 

— Fica aqui? -  Sua pergunta saiu em um sussurro. Ele parecia estar dormindo, mas seus pensamentos estavam bem agitados.  — Por favor. - A mão dele foi deslizando em minha pele e caiu sobre a cama. 

Me sentei ao seu lado, e fiquei observando ele. 

Se remexendo na cama, ele se aproximou de mim e colocou sua cabeça em minhas pernas e finalmente relaxou. Parecia que ele tinha encontrado o melhor lugar do mundo para dormir. 

Deixei minha mão pairar no ar por alguns segundos, pensando se eu poderia tocá-lo. No fim, eu recuei.  

" — Está querendo pedir afastamento por qual motivo? Por causa da insistência do Senhor David ou porque você está mexida com isso? Seja honesta consigo mesma, Alícia. " 

A voz de Olivia parecia ecoar em meus pensamentos.


Notas Finais


Beijos de M e B <3
comentem!


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