História Segredos - Norminah G!p - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Norminah
Visualizações 57
Palavras 5.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Segredos - Norminah G!p - Capítulo 6 - Capítulo 6

Rompendo Barreiras

VISÃO DE NORMANI

No início de junho, viajamos para Culver City para o MTV Movie Awards .

Chegamos cedo e começamos a nos organizar no hotel.

Shay Mitchell, a empresária de Dinah, havia ligado diversas vezes. Ela estava ansiosa por causa dessa premiação. Dinah era seu maior investimento e pelo visto os frutos davam rapidamente.

Alfredo vivia radiante com a possibilidade de se encontrar com outros profissionais da área.

Network era o seu principal lema.

Eu estava um pouco nervosa.

Nunca tinha estado num evento desse porte.

Todas as atenções estavam voltadas para as pessoas que participariam, por isso precisava mostrar serviço.

Dinah permanecia completamente tranquila.

Pudera, o papel dela era apenas sorrir, acenar para um milhão de fãs histéricas e mais um bando de repórteres e fotógrafos ansiosos por um pedacinho seu.

Marquei hora no salão para fazer as unhas e arrumar o cabelo. Nada de muito espetacular, fiz apenas uma escova e alguns cachos na ponta. Minha roupa seria o principal destaque. Havia escolhido uma vestido longo vermelho que valorizava meus seios, sem mostrar muito.

A peça insinuava o corpo quando eu andava e deixava aparecer as sandálias de salto fino.

Guardei o celular na bolsa e fui ao quarto de Dinah verificar como ela estava se saindo.

Minha chefe estava linda, em um vestido escuro com o corte perfeito para o seu corpo.

Ajudei-a colocar o colar, sentindo o seu adorável perfume.

Ela permanecia calma.

— Você está maravilhosa. Com certeza vão confundi-la com alguma atriz.

— Duvido muito. Estarei usando um crachá de apoio — ela deu risada e saiu do quarto me segurando pela cintura.

Encontramos Alfredo no corredor. Ele nos olhou de maneira desconfiada, depois alfinetou.

— Se não a conhecesse tão bem, Mani , poderia jurar que vocês formam um casal.

Sorri sem graça e me afastei de Dinah. Ela apenas olhou para Alfredo sem manifestar qualquer sentimento.

Fomos os três no mesmo carro.

Eu estava começando a relaxar com a nossa conversa descontraída, porém todo o nervosismo voltou quando comecei a ouvir os gritos a quase um quarteirão de distância. Dinah segurou minha mão transmitindo tranquilidade.

— Lembre-se, você será minha guia. Eu não posso passar muito tempo com repórteres nem com fãs. Temos que manter o estabelecido e conto com você para me guiar. Atenderei todas as vezes que me chamar para continuar andando. Lá dentro as coisas serão mais calmas. Vai ter alguém para nos dizer o que deveremos fazer e Alfredo está mais familiarizado com tudo, então vai poder ajudá-la. Fique calma. Vai dar tudo certo.

Sua tentativa de me acalmar me confortou.

Lógico que não tinha me acalmado, mas me senti mais confiante.

Saímos do carro e a gritaria ensurdecedora se intensificou.

Dinah era bastante simpática com todos.

Começamos a marcar o tempo e a orientá-la.

Ela deu entrevistas rápidas sobre seu novo filme e sua emoção por ter sido indicada ao prêmio.

Quando entramos, tudo ficou mais tranquilo.

Algumas pessoas, responsáveis pela organização, apareceram para nos ajudar e orientar sobre os procedimentos.

Dinah encontrou alguns conhecidos e iniciou uma conversa animada. Enquanto eu era informada a respeito das marcações dela, Alfredo a  acompanhava. Voltei para perto deles encaminhando-a para seu lugar.

Antes de me despedir, Dinah me abraçou forte.

— Espero que dê tudo certo — demonstrou insegurança, pela primeira vez.

— Vai dar — sorri confiante.

Eu e Alfredo fomos para os bastidores, junto com todos os outros que não faziam parte do show.

Assistíamos a tudo pelas telas montadas para orientar as pessoas que não poderiam ficar ao lado dos seus astros.

Estávamos atentos e vibrávamos todas as vezes que alguém fazia menção a Dinah ou ao seu trabalho.

A ansiedade crescia a cada momento. Durante um intervalo, fui até ela levar água. Minha chefe achou graça, eu expliquei que iria entrar em breve e seria bom estar com a garganta livre, sem obstáculos.

Senti que havia gostado da minha confiança de que ganharia o prêmio.

Quando voltei, dei as mãos ao Alfredo e ficamos juntos aguardando a premiação tão esperada.

Como previsto, Dinah ganhou o prêmio.

Ela apenas sorriu, se apressando em ir ao palco apertando as mãos de alguns amigos que surgiam no caminho.

Eu e Alfredo éramos só felicidade.

Ouvimos Dinah brincar com a premiação, depois sair em direção aos bastidores.

Fomos esperar por ela.

Bastou me ver para vir direto em minha direção me abraçar.

Ficamos assim até percebermos que um monte de gente nos observava.

Dinah então me largou para abraçar Alfredo da mesma forma.

Ela estava visivelmente emocionada, apesar de lutar contra isso.

Após o evento, fomos todos jantar em um restaurante tranquilo, um pouco distante do hotel, mas que era do agrado da Dinah, afinal ela merecia ter todos os seus desejos atendidos naquela noite.

Ficamos no restaurante até tarde e quando voltamos ao hotel estávamos exaustas.

Fomos para casa no dia seguinte.

Por causa do prêmio de Dinah, recebemos muitos pedidos de entrevistas.

Então tivemos uma semana bastante cheia, com viagens rápidas, além algumas tardes inteiras dentro de estúdios.

A repercussão foi bastante positiva para a carreira dela e para todos nós que formávamos a sua equipe.

Mais alguns dias se passaram, e Dinah finalmente assinou o contrato. O que nos rendeu uma reunião extensa somada a correria visando ajustar sua agenda para que ela pudesse começar a se preparar para o papel.

Sem contar que começariam pelo mundo afora as premières de lançamento do seu último filme. Havia uma expectativa enorme por esse lançamento, a previsão de bilheteria era astronômica, o que entusiasmava a todos.

A parte ruim era que teríamos um mês e meio de viagens onde não ficaríamos dois dias no mesmo lugar. Estávamos com a agenda abarrotada de compromissos em todos os países que visitaríamos.

Depois eu e Dinah teríamos de nos mudar para o Texas para as gravações do novo filme.

Ficaríamos por lá durante quatro meses.

Por esse motivo, Ally nos deu alguns dias de folga para que todos nós resolvêssemos o que precisássemos de nossas vidas particulares depois iríamos nos dedicar apenas à carreira da Dinah.

Teoricamente, meus dias de folga não seriam iguais aos dos meus colegas de trabalho. Eu e minha chefe precisaríamos ainda passar uma semana juntas em casa, pois ela teria que terminar o seu treino, visando atingir a forma física necessária para o seu mais novo papel.

O problema era que morávamos na mesma casa, então ficou para mim a incumbência de mantê-la no ritmo.

Além, é claro, de garantir a todos que ela não estaria abusando da sua vida social, nem se metendo em escândalos ou algo do tipo.

Para isso, deveria mantê-la cada vez mais próxima de mim, o que não era nenhum grande sacrifício.

Passamos então a correr juntas todas as manhãs e à tarde fazíamos exercícios com um personal contratado pelo estúdio.

Entre uma coisa e outra ficávamos conversando sobre nossas vidas, ou fazendo alguma atividade que pudesse ser feita por ambas.

Dinah, quando queria, era extremamente agradável, eu aproveitava esses momentos bons. Após a semana ela iria para Santa Ana visitar a mãe, Milika, e os irmãos, Seth e Kamila.

Eu ainda não sabia o que iria fazer, com certeza seria alguma coisa com Lauren.

Uma noite ela apareceu em meu quarto, pronto para sair.

Senti o coração apertar quando a vi vestida daquela forma.

Ela estava linda demais.

Devia ser um encontro com alguma mulher, para que mais se arrumaria daquele jeito?

— Vai sair?

— Vamos — Dinah olhava para mim tentando adivinhar qual seria a minha resposta.

A incerteza estava presente em sua expressão.

— Vamos?

— Sim. Se você quiser, é claro — ri de sua insegurança.

Normalmente era ela quem ditava as regras.

— E para onde vamos?

— Vou levá-la para conhecer um lugar aonde sempre vou para pensar ou me distrair um pouco. Não vamos demorar, quero apenas que você saiba para onde vou quando saio à noite sem avisar. Lembre-se que está um pouco frio e parece que vai chover.

— Estarei pronta em dez minutos.

Dinah saiu do quarto para que eu pudesse trocar de roupa.

Apesar de minha chefe estar muito bem vestida, optei por uma calça jeans justa e uma camisa de manga comprida com um decote “V” não muito profundo. Também calcei os inseparáveis saltos. Desci o mais rápido que pude.

Estava muito curiosa para saber o que ela fazia quando desaparecia à noite e estava bastante empolgada por ela querer compartilhar seus segredos comigo.

Dinah já estava na garagem me aguardando, dentro do carro ouvindo música.

Entrei e ela rapidamente manobrou para que pudéssemos sair.

Não ficamos muito tempo dirigindo. Em vinte minutos, Dinah entrou numa rua com váriosbprédios altos de luxo.

Achei estranho.

Esperava algo como ficar de frente ao mar ou qualquer coisa do tipo.

Nunca pensei que ela preferia se trancar em um apartamento para poder pensar.

Por que não fazia isso trancada em seu próprio quarto?

Paramos em frente a um edifício e fomos recepcionados pelo manobrista, que já conhecia Dinah com familiaridade.

Seguimos para o elevador, mas ela não disse uma palavra sobre o que estava planejando.

Paramos na cobertura.

Antes mesmo de entrar, eu já sabia que o que havia lá, me deixaria boquiaberta.

Era simplesmente magnífico.

Um apartamento enorme, do mais puro luxo.

Logo na entrada já era possível ter uma visão ampla da sua extensão. Ao fundo uma escada clássica dava acesso ao andar superior, e uma varanda circundava todas as partes visíveis.

Dinah pegou minha mão e me convidou a entrar. Dei alguns passos tímidos e aguardei que ela se juntasse a mim para continuarmos.

O apartamento era tão bem decorado quanto a sua casa, em toda a sua magnitude.

Estava tão maravilhada com tanta beleza que só depois de um tempo me dei conta da necessidade real de uma pessoa solteira manter um local daqueles.

Senti meu estômago embrulhar.

— Então, é aqui que você vem quando precisa ficar sozinha? — Enfatizei o sozinha para que ela soubesse do que eu estava falando.

— Sim. Mas só à noite. A vista é linda! Venha ver.

Não sei o que ela estava pretendendo, mas sua expressão não era de culpa ou constrangimento.

Eu não poderia me apegar a isso.

Dinah era uma atriz, uma ótima atriz, poderia estar interpretando um papel agora.

Fomos até a varanda e, mesmo com o frio que estava fazendo, não pude evitar a vontade de permanecer lá.

A vista era mesmo incrível.

Podíamos ver a cidade toda iluminada. Cada pontinho de luz parecia estar exatamente onde deveria estar. E, ao fundo, a imensidão do mar de Santa Mônica se exibia.

Ouvi o risinho de Dinah atrás de mim.

— Eu nunca consegui ficar indiferente a esta vista. É como se eu estivesse fora do mundo, da realidade. Olhando de cima sem as influências da vida cotidiana, fica mais fácil pensar e tomar todas as decisões que preciso.

— Você costuma vir sempre aqui?

— Sempre que possível ou necessário.

— Necessário? —fui irônica.

Era claro que aquele apartamento servia para as suas necessidades.

Um nó se formou em minha garganta, me impedindo de continuar a questioná-la.

Se essa era a verdade, eu não queria escutar. Nem conseguia acreditar que ela tinha me levado lá.

— Não é da maneira como está pensando. Você tem a pior impressão de mim, Mani. — encostou-se à sacada do apartamento e ficou observando a vista.

— Vai dizer que eu sou a primeira mulher que traz aqui?

— Não. Nem tenho porque dizer isso.

Foi como uma facada no coração.

Eu não entendia mais nada do que estava acontecendo comigo.

Como me permitia ter tanta esperança em relação a uma pessoa com quem eu não queria ficar?

Como deixava que ela entrasse em minha vida e bagunçasse tudo o que eu havia planejado há tanto tempo?

E, mesmo assim, eu ainda estava ali, parada, em seu apartamento, permitindo que meu coração sangrasse com as suas revelações.

— Foi o que eu pensei.

— Além de você. A minha mãe esteve aqui. Acho que algumas amigas dela e empregadas...  Mas que fosse importante para mim, só vocês duas. Tive essa sorte em minha vida. Estar em um lugar tão lindo, ao lado de duas lindas e grandes mulheres. É muito mais do que eu mereço.

Meu sorriso foi de alívio.

Minha relação com Dinah era como uma montanha-russa, cheia de altos e baixos.

As emoções eram uma mistura de medo, desespero, êxtase e prazer, tudo misturado e ao mesmo tempo. Não sei como meu coração ainda suportava.

Era mais do que qualquer pessoa poderia aguentar.

Ao perceber que meus sentimentos tinham se acalmado, Dinah me abraçou e beijou minha testa.

— Você sempre fica muito aborrecida quando fujo para cá. Então resolvi trazê-la, para que pudesse se certificar que não era nada de mais.

— Eu não ficava aborrecida — ficava furiosa, porém nunca admitiria isso. — Apenas preocupada.

— Você sempre estava tão chateada que nem falava direito comigo no dia seguinte. Eu tinha de inventar um monte de coisas para amenizar a situação.

Como ela conseguira perceber isso?

E eu pensando que disfarçava muito bem. Se não estivesse escuro, Dinah conseguiria ver em meu rosto a vergonha que estava sentindo por ela poder me “ler” tão bem.

— Por que você vem para cá? Sua casa é tão grande e geralmente somos só nós duas. Não há espaço suficiente? — Mudei de assunto rapidamente.

— Às vezes penso que você tem cinco anos e ainda não saiu da fase do “por que”. Você parece uma menina com toda essa curiosidade.

Fingi indignação e me soltei dos seus braços.

Ela riu da minha birra, mas aceitou que eu me distanciasse. Fiquei em silêncio, aguardando se ela responderia ou não às minhas perguntas.

— Perdi completamente as rédeas da minha vida, Mani. Este é um dos problemas de ser famosa. São tantas regras, tantos compromissos, e, no meu caso, tantos trabalhos que é impossível fazer tudo sozinha. Então a minha vida acabou ficando dividida nas mãos de várias pessoas. Algumas vezes não consigo me encontrar. Não consigo saber quem eu sou realmente. É por isso que algumas decisões, faço questão de tomar. Para acreditar que, pelo menos em algumas situações, ainda posso ter controle da minha vida. É nesses momentos que venho para cá. Aqui consigo resgatar quem eu sou, ou era... Cresci neste lugar. Esta é a casa do meu pai. Morei aqui até os 10 anos quando meus pais se separaram, depois passei a vir sempre que possível, ou necessário. Eu amo este lugar.

Não esperava por essa confissão. Como fui idiota por pensar as coisas que pensei quando chegamos.

Essa era a verdadeira casa dela.

Era o seu refúgio.

Ela estava fazendo questão de me apresentar ao seu mundo.

Era realmente possível que Dinah nunca tivesse levado nenhuma mulher ali antes.

As com quem ela esporadicamente se relacionava, não passavam de uma noite.

Eram apenas aventuras e não confiança.

Ela confiava em mim.

Meus olhos ficaram marejados com essa confirmação e meu coração acelerou. O que pretendia dizendo isso?

— Vai chover. Está bem frio — abracei meu próprio corpo, buscando um pouco mais de calor.

— Quer entrar?

— Não. Vamos ficar mais um pouco. Você tem razão, a vista é linda.

— Não tanto quanto você — senti seus braços me envolverem. Era muito confortável ficar desta forma. Tornava-se fácil esquecer que o mundo ainda existia — É bom quando ficamos assim. Sem conflitos. Sem medos.

— Quem não está com medo? — Brinquei com ela.

— Eu — virou-me para ela e beijou meus lábios, de surpresa.

— Dinah — tentei repreendê-la, contudo minha voz saiu apenas como um sussurro, mais como satisfação do que indignação.

Baixei a cabeça e fiquei encostada em seu peito. Senti seu coração acelerar.

— Foi só um beijo, Mani. Não consegui resistir. Eu adoro seus lábios.

— Mas eu já falei o que penso disso.

— Falou mesmo, porém sei que não é o que realmente quer. Você deveria ter menos medo e se arriscar um pouco. Qualquer dia isso vai explodir. Não conseguiremos controlar tudo sempre. Você não pode, ninguém pode.

Eu tentaria.

Não podia me entregar aos riscos. Precisava ter controle sobre a minha vida, acima de tudo sobre o meu corpo.

Não seria vencida por esse desejo desenfreado e sem cabimento.

Dinah estava com a razão, às vezes me comportava como uma adolescente.

Após uma semana seguindo nossa rotina, resolvemos tirar realmente um dia de folga.

Inclusive uma da outra.

Era o nosso último dia juntas antes dela viajar para a casa da mãe.

Eu havia combinado de viajar com Lauren para a casa dos pais dela, nada muito longe, iríamos para Miami. Então Dinah disse que sairia com os amigos, os de sempre:

Raffaello, Kendel e Alfredo.

Aproveitei para convidar as meninas para passarem o dia na piscio comigo, já que elas ainda não conheciam a casa em que eu agora morava.

É lógico que não contei meus planos para Dinah.

Com certeza ela daria um jeitinho de participar da minha festinha, então disse a ela que iríamos passar o dia na rua fazendo compras e cuidando da beleza.

Esse sim era um programa que o assustava.

Estávamos todas na beira da piscina, conversando e pegando sol, bebendo algumas cervejas, nada que pudesse alterar nosso ânimo.

As meninas ficaram surpresas quando eu disse que era a primeira vez que utilizava aquela área da casa. Pelo menos daquela forma.

— Não queria ficar desfilando de biquíni numa casa repleta de homens — justifiquei.

— Acho que está certa, Mani. Foi bastante prudente de sua parte — Vero me defendeu das meninas que riam e me chamavam de freira.

— Vocês não conhecem esses rapazes. Preciso ser dura com eles sempre — tentava fazer com que elas entendessem a minha posição. — Além disso, é mais provável um dia eu tirar a roupa e dançar nua do que passar, em algum momento da minha vida, de biquíni na frente de Dinah.

Sabia todos os riscos de ficar tão exposta ao lado dela e sinceramente, não sei qual das duas representava mais perigo para a minha sanidade mental.

Eu, com toda a minha vontade de voltar para os seus braços, ou ela, com todo o desejo reprimido por mim.

Ri sem humor da minha brincadeira e consegui desviar a atenção do assunto.

— Então... — começou Jilly. — Você ainda não decidiu se vai ou não ficar com a gata.

— Não vou ficar. Decidi no primeiro momento. Acho que você esqueceu que a gata em questão é a minha chefe.

— Mas ela está interessado em você desde aquele dia lá na boate. Quando vocês se viram pela primeira vez — Zendaya alimentava a curiosidade da Jilly.

— Ela está interessada em qualquer par de saias que passe na sua frente — ridicularizei a situação.

— E os amigos dela? Kendel é muito gatinho! — Jilly comentou já cheia de planos.

— Não perca seu tempo — alertei a minha amiga.

— Não vou perder meu tempo é aqui com vocês — ela riu de meu comentário. — Onde é mesmo a cozinha? Precisamos abastecer o balde com mais gelo e bebidas.

— Logo após a sala de jantar — indiquei.

Ficamos conversando um monte de bobagens enquanto pegávamos o máximo de sol que podíamos.

Percebi que Jilly estava demorando a voltar, então fui verificar o que tinha acontecido.

Nem me preocupei em colocar uma roupa. Além dos seguranças, que estavam na parte da frente da casa para nos dar privacidade, só nós estávamos por lá.

Para minha surpresa Dinah também mentira a respeito dos seus planos. Ela havia convidado os amigos para uma farra na piscina, e, por algum motivo, não me queria por perto.

Saiu apenas para buscá-los enquanto dava um tempo para que eu sumisse. Jilly tinha dado de cara com ela no meio da sala, quando voltava da cozinha com as bebidas e algumas coisas para comermos.

Quando eu estava entrando na varanda, encontrei-as vindo em minha direção.

O rosto de Dinah era impagável.

— Achei que você iria fazer compras o dia todo. Dia da beleza, não era?

— E eu achei que vocês iriam assistir esportes e beber cerveja o dia todo na casa do Kendel — sorri de volta para ela que passava as mãos no cabelo desarrumado, ficando ainda mais linda!

Dinah parou por um momento conferindo o que eu vestia.

Não tive como evitar a sensação de estar nua a sua frente, devido ao olhar que me deu.

Só então me lembrei que estava de biquíni, diga-se de passagem, um biquíni muito pequeno.

Se eu não estivesse bronzeada, teria revelado o quanto estava sem graça neste momento. Seu sorriso tomou todo o rosto.

Minha chefe se aproximou e me deu um beijo na bochecha.

— Desculpe pela mentira — cruzou os braços e ficou me olhando, esperando o que eu diria.

— Ah! Acho que lhe devo desculpas também — ela fez que sim. — Imagino que agora devo convidá-la para nos acompanhar? — Dinah comprimiu os olhos, como se estivesse me analisando.

— Não preciso de um convite formal para isso. Além do mais, Jilly já nos convidou. Espero que não se incomode.

— Deus me livre de ficar contra você Dinah.

— Isso soa ótimo para mim!

Fiquei com tanta vergonha do biquíni, que vesti um short jeans curtíssimo e uma regata branca que estava na minha espreguiçadeira, me senti mais à vontade para circular entre as pessoas que agora formavam o grupo à beira da piscina.

As meninas não se cansavam de me provocar por ter me vestido.

— Dá um tempo gente. Os rapazes são meus colegas de trabalho, e Dinah, apesar de não se comportar como tal, é a minha chefe.

— Mani, se você falar mais uma vez que eu sou a sua chefe e que por causa disso não pode uma série de coisas, eu vou demiti-la — brincou. — Relaxe! Como sua chefe, vou adorar vê-la mais relaxada! — Falou olhando meu corpo com um prazer que não fez a menor questão de esconder.

— O que me lembra de uma coisa —  Lauren disse, animada. — Mani, o que foi mesmo o que você disse sobre certa pessoa vê-la de biquíni? Ai, meu Deus! Como esse mundo dá voltas.

— Ah não! Parem com isso! — comecei a entrar em pânico.

— O quê? Foi você quem disse. Deve cumprir com sua palavra, ou esta não vale mais nada? — Vero já estava gargalhando com a situação. — A vida fica ainda mais divertida assim.

— Qual é, meninas, vocês não levaram isso a sério, não é? Lauren! — procurei desesperadamente uma forma de escapar.

— Sinto muito, Mani, não posso fazer nada por você agora — o sorriso dela era imenso. — Realmente, será bem divertido.

— Parem com isso!

Corri para a praia, e elas se lançaram atrás de mim. Entrei no mar gritando por ajuda, mas minhas amigas entraram também. Ríamos muito. Ficamos completamente molhadas. Minha blusa estava colada ao corpo. Os rapazes tinham descido até a areia e riam, tentando entender o que estava acontecendo.

As meninas me levaram até eles como uma prisioneira.

— O que ela fez agora? — Alfredo ria com as meninas.

— Disse que tiraria a roupa caso algum dia ficasse de biquíni na frente do Dinah— Anna falou alto para todos ouvirem. Ela deu risada, surpresa, e soltou um gritinho de vitória.

— Não se animem, elas não vão me fazer tirar a roupa — avisei a todos.

— É claro que vamos — Vero piscou para Kendel, que também ria da situação.

— Você disse que dançaria nua. Essas foram as suas palavras. Estamos aguardando — Lauren completou atrás de mim, cruzando os braços.

— Eu sabia que vocês iriam aprontar alguma comigo.

— Tudo bem, Mani, só dançar está de bom tamanho — acrescentou, suavizando a brincadeira.

— Tá bom! Podem me soltar, vocês venceram. Vou dançar — fiz parecer que era corajosa, mas pisquei para Alfredo, que sabia que isso nunca iria acontecer.

Todo mundo gritou festejando. Comecei a me arrepender por ter concordado com a dança.

Fiz uma anotação mental para acabar com a vida das minhas amigas depois delas acabarem com a minha.

Lauren foi até o som e colocou uma música agitada.

Ela sabia que eu adorava essa música.

Comecei a dançar ali mesmo na areia, estimulando todos a dançarem comigo.

Eu tinha feito algumas aulas de dança do ventre, por isso comecei a mexer o corpo no ritmo da música.

A mistura dos movimentos da dança com alguns passos que tinha aprendido em boates formava um conjunto bem sensual.

Minhas amigas adoravam me ver dançando.

Levantei um pouco a camisa, dando a entender que iria tirá-la, e movimentei a cintura mexendo de um lado para o outro, enquanto balançava o cabelo.

Vi os rapazes e Dinah suspirarem e trocarem olhares e sorrisinhos entre eles.

As meninas batiam palmas me incitando a continuar.

Dinah me observava atentamente. Tirei a camisa jogando-a para ela, ficando apenas com a parte de cima do biquíni à mostra.

— Não vai me livrar desta? — Dinah sorriu cinicamente e fez um gesto com as mãos rodando o dedo.

— Continue dançando.

Sorriu divinamente para mim, o que fez com que eu perdesse um pouco o ritmo da música.

Baixei os olhos tentando me concentrar.

Dancei mais um pouco e brinquei com o short, rebolando com as meninas.

Depois fui até a escada que dava acesso à área da piscina, subi dois degraus me virando para a praia onde todos estavam.

Abri o primeiro botão do short, de maneira bem insinuante depois abri o outro fazendo todos acreditarem que o tiraria. Subi mais um degrau e então dei tchau para todos correndo para dentro da casa rindo escandalosamente. 

Todos vieram atrás de mim, mas me deixaram em paz pelo pequeno espetáculo.

Eu estava sem graça!

Meu Deus, tudo o que fazia quando bebia era um absurdo para alguém com uma personalidade tão reservada.

Também precisava ter mais cuidado com o que dizia às minhas amigas.

O som continuou ligado, logo todos estavam fazendo alguma coisa, me esquecendo completamente. Disfarcei, subi para tomar um banho e tirar a roupa salgada, que estavam realmente me incomodando.

Mas fui surpreendida por uma imagem.

Dinah estava no final da escada. Encostada no corrimão.

Sua expressão era única: desejo.

Esperava por mim.

Parecia saber que eu passaria por ali. Hesitei indecisa se deveria ou não subir.

Olhei para a área da piscina, vi que ninguém estava reparando em nós duas.

Nem tinham notado a minha fuga.

Voltei a me concentrar em minha chefe.

Com um aceno ela me convidou a subir.

Meu coração estava acelerado. Iríamos ficar um tempo longe uma da outra.

Eu já estava sentindo sua falta. Também estávamos já há alguns dias sem encostar uma na outra e, sinceramente, meu corpo não aguentava mais de saudades do dela.

Subi encarando-a.

Passei por ela sustentando o olhar, sem dizer uma palavra.

Esperou que eu passasse e veio atrás de mim, em silêncio.

Não trocamos nenhuma palavra.

Meu olhar era um convite.

Fomos até o corredor que levava aos nossos quartos.

Não me atrevi a entrar.

Apenas encostei-me à parede.

Dinah colocou um braço ao lado do meu rosto. Com a mão livre, tocou meus cabelos, acariciando o meu rosto, passando pelo pescoço.

Então foi descendo-a por entre meus seios, passando para a barriga até chegar ao limite do short.

Minha pele ficou toda arrepiada.

Ela respirou profundamente e se aproximou com uma calma, até então desconhecida para mim.

Estava tão segura do que fazia.

Eu não!

Meus lábios se separaram, esperando receber os dela, que se desviaram com um sorriso no último minuto, provocando.

Ao invés de me beijar, Dinah roçou seu nariz em meu rosto, pescoço. Senti a ponta do seu nariz percorrer a minha clavícula.

Abri os olhos e toquei o seu rosto.

— O que você quer de mim, Dinah?

Estava completamente entregue a ela.

Não conseguia mais lutar.

Seria esse o nosso limite?

Aquele que ela tinha dito alguns dias atrás, quando enfim explodiríamos? Eu tinha consciência de que não conseguiria mais lutar contra ela, contra mim mesma.

Bastava um toque seu e todas as minhas barreiras eram atiradas ao chão.

— Preciso dizer? Já não deixei claro tantas vezes?

Tocou levemente a minha cintura com os dedos me fazendo prender a respiração. O prazer que sentia, ao ser tocada daquele jeito, estava esgotando todas as minhas forças.

Virei o rosto e fechei os olhos oferecendo o pescoço.

Não teria como responder às suas perguntas, pois estava presa em seus encantos.

Ela aceitou a oferta puxando-me para si com vontade, beijando e mordiscando minha pele me deixando louca de ansiedade.

Só quando eu já estava gemendo que beijou a minha boca.

Havia uma fome naquele beijo que dificilmente seria saciada.

Agarrei seus cabelos, puxando-a para mais perto de mim.

Dinah entendeu o recado, colando seu corpo ao meu de uma forma tão intensa que não existia espaço entre nós duas.

— Você quer me enlouquecer, Mani ? — Falava por entre os nossos beijos. — Pare de lutar contra nós duas — respirou profundamente. — Pare de me negar você. Pare de negar ao seu corpo o que ele quer. Eu te quero por inteiro. Quero seu corpo. Quero essa tatuagem maravilhosa que você tem. Fiquei doida só de ver a pontinha dela quando você puxou o short.

— Não era para você ver! — Eu tentava raciocinar. Ela tinha visto minha tatuagem? Quando?

— Eu quero ver! — Era uma ordem. — Quero ver! — Dinah colocou a mão na barra do meu short, forçando um pouco para baixo, e conseguiu tocar os dedos no local onde ficava a tatuagem. Gemi que nem uma criança dengosa fazendo-o sorrir em meus lábios.

— Mani ! Mani, você está aí? — Era a voz de Lauren me procurando.

Empurrei Dinah para longe, abri a porta do meu quarto e entrei, rezando para ela não me seguisse. Ainda consegui ouvir Lauren perguntando por mim.

— Não sei. Deve estar no quarto dela. Eu vim tomar uma ducha e já vou descer — ela a despistou.

Foi impossível não de rir da nossa travessura. Corri para o banheiro, liguei o chuveiro, e sem ao menos tirar a roupa, me joguei na água.



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