História Sem direção (Destiel e Sabriel) - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Crowley, Dean Winchester, Gabriel, Gadreel, Jo Harvelle, John Winchester, Miguel, Sam Winchester
Tags Conflitos, Destiel, Drama, Homoafetividade, Romance Gay, Sabriel, Supernatural
Visualizações 224
Palavras 2.880
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Demorei muito?

Foi uma semana cansativa pra mim '-'

Capítulo 24 - Amigos, amigos...amores a parte


 

Adam aguardava impaciente na porta de casa, checando a cada cinco segundos o horário em seu celular.

Há umas semanas ele havia combinado de sair com Miguel. Não, não era um encontro, ou qualquer coisa semelhante, eles iam somente sair, mas ainda assim ele se encontrava agitado sentado na varanda de casa, contando no relógio os dois minutos e meio que Miguel tinha atrasado. Podia soar paranóico, mas cada milésimo passado o deixava mais ansioso e preocupado em receber um bolo do primeiro e único amigo que conseguiu fazer naquela cidade.

Olhar para o relógio se tornou um vicio repetido durante os próximos oito minutos e meio seguintes em que aguardou a chegada de Miguel. E sua neurose só teve fim quando escutou a sonora buzinha na frente da casa, se levantando num pulo para encontrar com o amigo sorridente, com os vidros baixos sinalizando que entrasse.

- Acabei pegando um engarrafamento do meu apartamento até aqui. - Começou Miguel virando para Adam. - Não te fiz esperar muito, ou fiz? - Questionou o garoto que entrava no carro com uma ansiedade pouco disfarçada.

- Não, eu nem notei o atraso. - Afirmou com um riso nervoso enquanto fechava o cinto.

Adam não costumava mentir, mas soaria esquisito se falasse sobre sua paranóia com relógios e possíveis quebras de encon...Não era um encontro! Reafirmou em pensamento, repreendendo-se por insistir em usar a maldita palavra. Eles só estavam saindo para comer um lanche e Adam estava começando a agir como um maníaco. Ele só precisava relaxar e curtir o passeio pouco comum se levasse em conta sua rotina cotidiana.

Adam não saía com tanta frequência para um adolescente da idade, foram poucas saídas com amigos e não mais do que três encontros, o que era uma tarefa rara desde a morte de sua mãe. Adam se fechou sem que pudesse dar conta, e depois de um tempo se tornou um hábito aceitável para o garoto que não dava muita falta da sua limitada vida social nos últimos anos.

Se Miguel não aparecesse em sua vida ele provávelmente passaria mais um fim de semana sozinho, ou quase isso, já que de uns dias para cá Sam vinha o incluindo mais nas interações "familiares", que também melhoraram consideravelmente. Mas seu novo amigo parecia vir para virar sua rotina do avesso. A começar pelas emoções que Adam vinha sentindo a respeito de Miguel, a euforia e animação em falar com ele não eram nem de perto parecidas com as que sentia perto de seus exs amigos. Não era como se intencionasse gostar mais do que deveria de Miguel, Adam sabia da enorme chance de se decepcionar, mas isso não o impediu de criar expectativas românticas em cima do amigo, ou fantasias impossíveis como ele mesmo gostava de classificar, considerando que Miguel não passaria do estágio amizade, mesmo que Adam desejasse com muito afinco o contrário.

Mas de um modo geral ele estava bem com isso, ter a companhia de um amigo era melhor do que não tê-lo de nenhuma forma. 

- As coisas melhoraram com o seu irmão? - Miguel perguntava sem tirar os olhos da direção.

- Ele anda vindo com umas conversas estranhas sobre adolescencia e sentimentos, acho que ele quer se aproximar. - Adam falou, virando o rosto a tempo de encontrar um sorriso divertido no rosto de Miguel.

- Sam quer ser seu amigo. - Começou sem desfazer o bonito sorriso. - Da um crédito pra ele, seu irmão é um cara legal. - Afirmou convicto.

E Adam não pode discordar, nem mesmo queria. Ele vinha observando o empenho de Sam em envolve-lo como membro da família, além de tentar ganhar sua confiança como irmão e amigo. O garoto valorizava esse esforço para faze-lo se sentir realmente em casa, e podia dizer que estava funcionando, mas ainda faltava muito para que pudesse atar um vínculo sólido com a família Winchester.

Diferente de Miguel, que ganhou sua confiança desde o princípio. O moreno charmoso transmitia uma segurança que Adam não encontrava em qualquer pessoa, e talvez fosse esse seu maior atrativo. Adam não queria se sentir atraído, no entanto essa admiração desejosa não era um algo do qual ele pudesse evitar, mas no fim Adam sabia que não passaria de uma paixonite momentânea, talvez culpa da preocupação carinhosa que ele mostrava ter consigo, ou quem sabe fosse só a beleza evidente de Miguel que o fazia pensar nele mais do que devia. Contudo Adam tinha uma forte convicção de que essas sensações sumiriam tão rápido quanto surgiram. Miguel não era sua primeira paixão e provávelmente não seria a última.

E foi pensando em seu amor platônico que Adam chegou ao shopping sem perceber, quando o garoto deu por sí, já caminhava entre as lojas com o braço de Miguel apoiado em seu ombro. 

Parecia natural estar com ele naquele meio abraço, compartilhando de um contato amigável, que talvez, só talvez, desejasse que fosse um algo mais. Uma pena que fossem apenas amigos, não que as circunstâncias não pudessem mudar, o fato é que não iriam mudar mesmo. Adam podia até mesmo enumerar os fatores que o levava a acreditar que seu relacionamento jamais saíria da "zona da amizade".

A diferença de idade, por exemplo. Logo depois vinham as comparações que Miguel fazia, sempre o jogando na posição de irmão caçula, e para completar Miguel nunca mencionou ter vivenciado uma relação amorosa que não fosse heterossexual. Juntando esses fatores Adam preferia não misturar suas confusas emoções românticas com a amizade que construiu com ele, parecia mais confortável se manter na friendzone.

- ...O que você acha Dan? - Miguel o olhava em expectativa, mas Adam nem sequer ouviu a pergunta.

- Acho...o que? - E sua distração provocou um novo sorriso em Miguel.

- Quer jogar? - Indagou direcionando o rosto de Adam para o pequeno fliperama do lugar.

E Miguel não precisou perguntar duas vezes. Adam se empolgou rápido com a sugestão, puxando-o animado para comprar fichas, contagiando Miguel com seu entusiasmo.

Miguel não se arrependia por ter feito o convite, nem mesmo de ter recusado um encontro para passar o sábado com o garoto. Arrancar sorrisos sinceros de Adam fazia valer sua tarde. Haveria outros momentos para se divertir com Joanna, outras tardes, mas nessa ele queria estar com Adam. Parecia um bom jeito de passar o tempo.

Sim, era um ótimo jeito de passar o tempo, o deixava...satisfeito!?

Satisfeito não era bem a palavra para classificar como se sentia por dividir seu tempo com Adam, porém por falta de uma definição mais clara Miguel a usava. Satisfação...de certo modo Adam passava bem essa sensação, concluía vendo de longe o garoto jogar, enquanto ele recarregava as fichas.

- Dinheiro ou cartão? - Indagou a atendente, obrigando-o a retomar sua atenção ao caixa.

- Cartão. - Respondeu entregando-o na mão da atendente um tanto quanto atenciosa.

A mulher por trás do balcão chegou a trocar algumas palavras consigo, no entanto Miguel se via meio alheio, procurando Adam com os olhos mais vezes do que o necessário. Podia-se dizer que estava...preocupado, claro que era preocupação. Ele só queria se certificar de que estava tudo certo.

E Miguel não se virou por mais de dois segundos para perde-lo de vista. Ele passou a procura-lo sem entender onde diabos Adam se meteu, até encontra-lo do lado de fora trocando palavras com um garoto asiático.

- Adam. - Chamou pelo garoto num tom mais rude do que esperava.

Acontece que ele ficou preocupado e...Certo, não tinha por que se exaltar. O garoto só estava conversando, e agora Adam estava o olhando de um jeito estranho e calado. Miguel precisou contar até três mentalmente antes de se aproximar com mais calma, segurando Dan pela cintura de forma protetora e sorrindo da melhor maneira que podia.

- Uh...Mi esse é o Kevin, ele está na minha turma de espanhol.

O clima pareceu pesar de repente, e logo o garoto chamado Kevin se despediu de Adam. Ok, ele pode ter soado um pouco exagerado com o garoto, mas como ele iria adivinhar que Dan estava com...Kevin.

Mas apesar do constrângimento momentâneo, não demorou muito para voltarem a interagir com a mesma naturalidade de antes. Não era intenção de Miguel sufocá-lo, ele só estava cumprindo com o que prometeu a Sam quando disse que cuidaria de Adam. E bem mais do que uma promessa Miguel sentia-se impulsionado a isso, quase uma necessidade de estar ali por Adam.

***
 

Eram 20:00h de um sábado e Dean não tinha sequer coragem para deixar o sofá. Em outros tempos o loiro não hesitaria em passar o fim de semana fora, quem sabe até acompanhado. No entanto desde que Castiel foi embora seu senso de divertimento se reduziu a zero.

Dean não tinha vontade de fazer nada que não fosse relacionado a ficar de porre no sofá, tentado a ligar para Castiel e implorar que ele voltasse, no entanto Dean nunca o fazia, sempre com dedo próximo ao contato gravado, mas desistindo de ligar no último momento. Talvez seu número estivesse bloqueado para Cas, e se fosse esse o caso Dean preferia não descobrir.

Foram apenas três semanas, mas pareciam ser três anos sem notícias do moreno de olhos azuis. Dean não sabia mais o que fazer com a saudade que sentia, nem com o arrependimento a cada lembrança amarga das vezes em que machucou Castiel, que tinha razões de sobra para despreza-lo.

Quanta prepotencia de sua parte pensar que Cas iria perdoa-lo...

O loiro já não o culpava por ter partido, qualquer outro em seu lugar teria feito o mesmo. Dean somente pensava que ele poderia ao menos considerar uma nova chance, mas pela falta de notícias o Winchester deduziu que isso também não ía acontecer. Cas não o queria, havia desistido de Dean como todos, exceto por uma pessoa que ainda insistia no loiro...

Lisa!

A morena parecia um karma que o Winchester era obrigado a aguentar, um castigo por ter traído Castiel. Lisa não o dava paz, enchendo seu telefone de mensagens e sua cabeça de bobagens, lembrando-o a todo momento que estaria ali por ele...Antes não estivesse! Pensava Dean, que já não sabia como colocar na cabecinha problemática de Lisa que não haveria mais nada entre os dois.

Honestamente, Dean não tinha mais saco para dispensá-la, passando a somente ignorar todas as tentativas persistentes de Lisa, assim como passou a ignorar a campainha que berrava em seus ouvidos. Só podia ser ela, quem mais viria azucrinar sua paciência numa noite de sábado?

Mas Dean nunca esteve tão enganado...

A voz que passou a chamar seu nome não possuía o timbre irritante de Lisa, nem mesmo era feminina. 

- Dean, abre aí cara.

Benny! O Winchester não sabia dizer o que o trouxe até sua casa, mas sabia que não podia ignorar sua presença como costumava fazer com Lisa, não vendo outro remédio se não atende-lo. 

Cambaleante, Dean abriu a porta para o amigo, que não conseguia disfarçar a careta de desgosto ao ver o tanto que Dean se afundou. Castiel com certeza era seu ponto de equilíbrio, sem ele por perto o loiro parecia cair sem que houvesse um limite.

- Entra. - Dean dizia dando as costas para o amigo, voltando a se jogar no sofá manchado.

Benny acompanhou o Winchester, confirmando os boatos que corriam na empresa. Dean estava péssimo com a separação. Todos notaram o comportamento arisco e temperamental que o loiro passou a adotar. Mais arredio que o normal, além de voltar aos velhos hábitos de fumar e beber bem mais que de costume.

- Não acha que bebeu demais por hoje? - Advertiu Benny, vendo o Winchester agarrar uma garrafa de Wisky.

- Qual é Benny? - Dean entornou a bebida numa golada grande. - Isso aqui é o que me sobrou. - E o sorriso sarcástico de Dean não escondia a tristeza que Benny via através do seu olhar.

Era difícil para ele tentar ajuda-lo quando sabia que não poderia dar a Dean o que ele desejava. Benny não tentaria de nenhuma forma induzir Castiel a voltar para o loiro, essa possibilidade era tão inviável quanto tentar convencer Dean a esquecer Castiel. Não cabia a Benny interferir nas decisões de cada, nem poderia ele controlar sentimentos que não lhe pertenciam, mas nada o impedia de auxiliar seu amigo perdido.

Dean era como um irmão para ele, e de nenhuma forma o agradava vê-lo tão caído. Por mais que não pretendesse desistir de Cas, Benny não deixaria que a paixão que sentia ultrapassasse a lealdade e companheirismo que tinha para com Dean. Não era uma competição desleal para ver quem ganharia Castiel, ao menos ele não via as coisas por esse ângulo.

- Ei...chega Dean. - Benny tirou a garrafa do amigo.

E não demorou muito para esvaziar as tantas outras bebidas, mesmo com os resmungos de Dean pedindo que parasse. "Mais tarde vai me agradecer por isso", pensava ele, enquanto se livrava de todo o veneno alcóolico que encontrou pelo caminho, organizando até mesmo a bagunça de garrafas espalhadas pelo chão da sala.

- Droga Benny, aquele Wisky era caro. - Voltou a reclamar um tanto desnorteado.

- Melhor você se deitar irmão. - Benny se aproximou apoiando uma mão em seu ombro. - Vou estar aqui se precisar.

- Eu tenho uma babá agora, ótimo. - Resmungou Dean um pouco desfocado, ainda entorpecido pelo efeito da bebida.

Mas ainda não era o bastante, não tinha como ser o suficiente quando todas as suas angustias atravessavam sua cabeça dolorida. Entretanto, Benny fez questão de acabar com a última garrafa de Wisky, além de suas preciosas cervejas. Agora ele teria que comprar mais...

- Vem cá amigo, eu te ajudo. - E Benny tentou puxa-lo pelo braço.

Tentou, mas o loiro fez questão de dispensar esse apoio. Dean se levantou indignado com o amigo, por que ninguém entendia que ele não precisava de cuidados? O loiro precisava beber algo mais forte, isso sim, de preferência longe das vistas de Benny...E nem mesmo seus sentidos alterados o impediu de pegar a chave do Impala, caminhando arrastado até a porta.

- Vamos lá Dean, colabora por favor. - Benny precisou segura-lo, nunca que ele deixaria seu amigo dirigir nesse estado.

- Mais que porra Benny, me deixa em paz. Eu preciso disso cara. - E havia uma pontada de súplica nos olhos verdes do Winchester.

- Você não é assim Dean, não precisa de nada disso.

Pouco a pouco Benny afrouxou seu aperto, liberando o Winchester com um olhar compassível. Dean precisava de uma enorme dose de compreensão e paciência, e como amigo era o que Benny tentava oferecer. E ele tirava as chaves de Dean com cautela quando foi surpreendido por um abraço.

Foi breve, não houve diálogo, mas ele sabia que essa era a forma de Dean agradecer por ele estar ali. O loiro podia dizer não precisar de ajuda, mas não era o que realmente queria. Tanta insistência em ficar só, o excesso de álcool e o comportamento rude não eram mais do que seu jeito de esconder suas emoções conturbadas. Uma forma de guardar para sí tudo aquilo que sentia em relação a sua vida quebrada.

Os amigos se afastaram um pouco deslocados. Demonstrações de afeto desse tipo não eram tão comuns para Dean, no entanto o loiro se sentiu impulsionado a faze-lo.

Alguém se importava. 

Era o que Dean conseguia enxergar na figura do amigo parado a sua frente. E por mais que quisesse brigar por Benny ser sempre tão invasivo Dean reconhecia ser para o seu próprio bem.

- Valeu cara. 

Benny assentiu com um olhar amistoso, terminando por ajudar Dean a se deitar.

Ele não partiu de imediato, observando o Winchester dormir em silêncio enquanto seus pensamentos voavam longe. Benny estava consciênte dos efeitos negativos que sua semi-relação com Castiel podiam causar na amizade que mantinha com Dean. Ele não pretendia que sua situação se encaminhassem para este lado, não estava nos planos se apaixonar, no entanto aconteceu, e Benny esperava que Dean entendesse se por acaso Cas cedesse a proposta de ficar ao seu lado.

No entanto seu caso ainda era muito incerto. Castiel tinha razões de sobra para querer esperar antes de se jogar em uma nova relação, mas Benny se sentia positivo diante do andamento dos fatos. Afinal, por que Cas manteria contato consigo se não considerasse a possibilidade? Havia uma chance, Benny sentia. Seu único medo habitava em Dean.

Era preocupante ver onde o Winchester chegou por causa de Cas, ou pela falta dele, melhor dizendo. No entanto não lhe parecia justo abdicar da chance que estava certo de ter com o moreno por conta de Dean. As mensagens que constantemente trocava com Cas deveriam significar algo, assim como o encontro no saguão de embarque antes de Cas partir, surpreendendo o moreno com um beijo de despedida e o pedido de manter contato, bem aceito por Castiel.

Benny queria arriscar, disposto a passar por cima das complicações de Cas e até mesmo de Dean. Seu amigo teve sua chance e desperdiçou. Dean Winchester destruíu sozinho a relação que mantinha com Castiel, não foi Benny, e se Cas lhe desse uma oportunidade, infelizmente, Dean teria que aceitar.

É como diz o ditado, amigos, amigos...amores a parte.



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