História Por Entre Os Pilares Do Medo - Capítulo 12


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - • Dois lados da moeda •


• capítulo 12 - Dois lados da Moeda •


Fazia alguns minutos que havíamos chego no cais de Santa Catalina. O ar aqui parecia mais fresco, embora não fosse o suficiente para me acalmar por completo. Meu braço ardia pelos beliscões dados por mim mesma - tentativas de aliviar a tensão e o nervosismo. Era difícil de diferenciar meus sentimentos em meio à aquele turbilhão de emoções sentidas. Nervosismo, ansiedade, medo talvez. Por mais que me fosse explicada a situação, não me entrava na cabeça. Eram coisas fantasiosas por demais, de quebrar a cabeça ao tentar entende- las. Será que estava exagerando? Não, acho que não. Seria impossível agir de outra forma, quando você sabe com quem, ou melhor, com o que vai viver. Não poderia chegar lá, abraçando todos com um grande sorriso no rosto, dizendo que amaria ficar por lá, porque seria mentira. Dizer que estava bem era mentira. Dizer que queria ir para lá, era mentira. Céus, tudo que eu um dia vivi, não passou de mentiras.

Era demais para minha cabeça. Tentar entender aquilo me deixava agonizando de dor de cabeça. 

Ao me afastar do barco velho e enferrujado, pude ver melhor o local onde estávamos. Era semelhante a um parque, com grandes e majestosas árvores coloridas pelo avermelhado do outono, com folhas secas e quebradiças formando um tapete pelo chão de grama. Havia bancos de madeira espalhados pelos cantos, com algumas poucas pessoas sentadas e outras passeando com seus cães. As ruas, ao longe, eram arborizadas, com belas árvores adornando as calçadas e mais ao longe, começava a agitação do centro. Essa ilha oferecia tranquilidade e conforto, tudo que Santa Clarita não oferecia. Mas, nem mesmo a calma dessa ilha acalmava meu interior agitado. Me perguntava se essas pessoas sabiam com o que viviam... 

Ouve- se um cumprimento ao longe. Um homem que aparentava já estar na casa dos quarenta, passou por Harold, homem da qual meus irmãos falaram muito, o cumprimentando com um aperto de mão. As risadas logo se fizeram presentes. Pareciam ser ótimos amigos. 

Amigos... Mesmo não querendo, me peguei lembrando dos meus amigos. Amigos estes que já não fariam mais parte da minha vida, como faziam antes. Lembrei da personalidade de cada um e ri mentalmente ao lembrar delas. Bill era o mais estourado entre nós duas. Por muitas vezes, foi ameaçado de ser demitido por Jonathan, mas como sempre, fazia poucos caso da situação. Christina era a mais extrovertida entre nós. Vivia de um jeito bastante liberal e como quem não queria nada. Torço para que não pegue alguma DST enquanto estiver fora, afinal nem ela mesma sabe com quem dorme. Ambos eles viviam em pé de guerra um com o outro, trocando farpas e soltando os podres um do outro onde quer que vá. Se um dava a corda, o outro puxava e assim começava a guerra. 

Ri de um jeito nasal, sem mostrar os dentes ou curvar os lábios. Sinceramente, não estava nem um pouco feliz e rir da minha situação atual era algo impossível.

- Castielle! - Ouvi chamar- me e direcionei meu olhar para os dois homens que vinham em minha direção. - Quero lhe apresentar Remy. Ele é o dono da loja que, em breve, estará trabalhando.

Remy era alto e moreno, o corpo pouco corpulento e era possível ver alguns fios brancos pelo emaranhado castanho de seu cabelo. Ele sorria para mim de modo amigável, estendendo a mão em minha direção, está que fiz questão de pegar.

- É um prazer, enfim, conhecer a graciosa filha de Sandra. - Soltei sua mão após falar isto, a trazendo para perto do corpo. - Sinto muito pela sua perda. Foi realmente trágico o que aconteceu à ela.

- Como conheceu minha mãe? - Foi a única coisa de saiu de minha boca quando, enfim, me vi livre do transe. 

Eles se entreolharam de modo cúmplice. Harold balançou ligeiramente a cabeça, de modo que não chamasse muito atenção, mas que foi bem visto por mim. Remy logo o acompanhou, sorrindo para mim e mudando rapidamente de assunto.

- Bom, não vamos querer nos atrasar. Charlotte está louca para conhecer você, assim como todos os outros. - Disse Harold, pegando minhas malas e saindo acompanhado de Remy, indo até o carro - Uma Range Rover Evoque 2013 na cor branca - e colocando minhas malas na parte traseira.

Aquilo ligou, instantaneamente, todos os meus alarmes. Cada instinto do meu corpo dizia para não confiar naquele homem. Talvez fosse paranóia ou apenas coisa da minha cabeça, mas ele carregava um ar... Pesado. Estranho, eu diria. Embora seu sorriso fosse simpático, a aura dele parecia... Estranha.

- Remy esconde algo que nem mesmo Harold, com todo aquele poder, consegue descobrir. - Uma voz grave e rouca soou ao meu lado. Pelo susto momentâneo, acabei por me afastar, sentindo meu coração bater rápido mas logo se recuperar. 

Cameron cruzava os braços, mantendo sua pose ética e aqueles olhos tempestuosos frios. Ele nem ousava olhar para mim. 

- Como sabe? - Perguntei encarando ele, que rolou os olhos, os prendendo em mim.

Ele ficou lá, me encarando friamente, como se eu não passasse de uma pedaço inútil de lixo. Um inseto da qual ele estava louco para pisar encima. Era bem óbvio que Cameron tinha algo contra mim e isso, com certeza, me assustava. Quando encarada por ele, podia sentir seu olhar pesar sobre mim; quando passava perto, mesmo que não olhasse para ele, podia o ver franzir as sobrancelhas para mim. Ele parecia estar pronto para me matar, mas tinha um obstáculo, e este sempre acabava atrapalham ele. E isso, claramente, o deixava zangado e aumentava sua ira contra mim.

- Ah vejo que está fazendo amizade com a humana. - Outra voz soou ao meu lado. Diferente dessa vez. Olhei para o lado direito, vendo o de cabelos compridos sorrindo para mim. 

Se não me engano, seu nome era Emery. Seus cabelos eram negros e longos, diria que tinha uma certa semelhança com Cameron. Até mesmo as estaturas físicas pareciam se assemelhar uma a outra. Irmãos, talvez?

Cameron não precisou falar nem mesmo uma frase sequer. Seu olhar conseguiu assustar o homem que estava ao meu lado, que saiu bufando e revirando os olhos. 

- Venha logo, Jones. - Ele tomou à frente, dando as costas para mim e seguindo até a picape - uma RAM Heavy Duty 2013 na cor bronze.

Viver aqui não seria fácil. Eu tinha mais que certeza disso. Harold abriu a porta para mim, que entrei em seguida, colocando o cinto e o vendo entrar pelo lado do motorista.

- Castielle, sei que está confusa com tudo isso, mas acredite, é sempre bom ver o outro lado da moeda. Garanto à você que somos diferentes deles. - Harold dizia, já movimentando o carro pela rua. Sua voz era bem calma e paciente. Me lembrava Georgie, meu pai.

Georgie sempre foi paciente comigo. Brincava comigo com minhas bonecas e me amava do meu jeitinho. Ele sim era meu pai, não Miguel. 

- Eu sei, meus irmãos falaram bastante de você e sua esposa. - Disse eu, encarando as ruas arborizadas, vendo milhares de pessoas passeando pelas calçadas - algumas correndo com suas roupas de exercícios e outras apenas desfrutando da calmaria. 

- Charlotte está louca para lhe conhecer. Ela e minha filha já prepararam tudo para você. Inclusive, fizeram a renovação de seu novo guarda roupa. - Ele riu e por consequência, acabei por soltar uma pequena a risada. - Olha só, ela ri também!

Ele disse brincando, desviando seu olhar para mim, mas rapidamente o voltando para a rua, não muito movimentada. Harold certamente parecia ser um ótimo pai. Sua aura era bem confortável e preenchia o carro todo com seu calor. O tipo de aura que apenas um pai e uma mãe poderia ter, que de alguma forma, conseguia me acalmar.

Sorri para ele, ganhando sua atenção ao parar em um sinal vermelhos.

- Você tem a cara de Sandra. Ela já morou aqui com seu pai biológico. Ajudei ela quando ela engravidou e foi abandonada. Demos abrigo e auxiliamos ela durante o parto. - Disse, me encarando sério dessa vez.

- Mas foi Georgie quem a ajudou... Ela mesma disse. - Disse eu, já confusa novamente.

- Georgie a conheceu anos mais tarde. Entenda, sua mãe omitiu alguns fato para que você não corresse tanto risco. Já era previsto que você nasceria com tal poder em seu sangue, e ela pensou que, talvez a escondendo e a camuflando com a aura dos Hewson's, você poderia ficar segura. - Cada palavra que ele dizia, era uma pontada em minha cabeça. Eu não queria acreditar que tudo que passei fosse realmente mentira.

- Sua mãe amava você. Queria a esconder deles. Georgie apenas serviu de escudo para ela. 

- Podemos mudar de assunto, por favor? - Pedi, implorando mentalmente para que ele mudasse o curso que aquela conversa estava tomando. Eu ainda não estava pronta para encarar tal verdade.

- Claro. Me desculpe. - Ele disse, suspirando após a fala e voltando​ sua atenção a estrada. - Não vai demorar muito para chegarmos. Nossa casa é bem mais afastada das outras para que não haja desconfiança ou desavenças com o restante do povo.

- Vocês vivem... Normalmente, perto deles? Quero dizer, sem aquela vontade toda de comer? - Perguntei meio hesitante.

- Ora, é claro que sim. Com o tempo, aprendemos a controlar essa vontade e fome por carne humana. Vivemos a partir da carne animal, embora não seja o melhor para nos fortalecer. - Disse ele, sorrindo. 

Conversamos durante todo o trajeto. Ele me explicou como vivíam lá e o que faziam para se alimentar. Eu já me sentia um pouco calma. Eles pareciam ser o oposto do que Cameron havia me mostrado ser. Até mesmo a forma como ele cumprimentava as pessoas na rua, me acalmava.

Será que os julguei mal? Talvez sim. Deveria ter visto os dois lados da moeda, no entanto, não passava outra coisa sobre eles na minha cabeça. Mas minha mente não mudava. Mesmo com toda essa gentileza, eu não queria ir. Poderia pedir para voltar para casa, mas eu já sabia a resposta que iria ganhar.

Pensar que sua vida poderia simplesmente mudar da noite para o dia era maluquice. Mas foi isso que acontece comigo, não foi? Em um dia, era apenas uma garçonete pobre; no outro, era uma caça, valendo como recompensa não só minha cabeça.

Realmente, levaria algum tempo para me acostumar - se é que eu iria. 


[...]



Notas Finais


Espero que tenham gostado desse capítulo. Caso queira comentar algo, fique a vontade.

Até o próximo.
Beijos para quem quiser e bye.


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