História Sem querer, eu te deixei. - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Câncer, Doença, Drama, Família, Filho, Mãe, Morte, Romance
Exibições 3
Palavras 1.216
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Como todas as manhãs, Miranda tocou com os pés descalços, o chão de madeira do último quarto do último andar do pequeno hotel em que trabalhava e morava. Milo, dormia na cama ao seu lado, esparramado e descoberto conforme se mexia muito a noite. Seu chefe viria uma hora mais tarde, apenas oito horas. Ela e Rose, a cozinheira - responsável pelas delícias do café da manhã e do chá da tarde que eram servidos para os hóspedes -, que eram responsáveis por abrir as portas, colocar a mesa do café da manhã e iniciar a rotina do local. Uma casa antiga com cinco andares e mais um porão. A casa era da família Blanche faziam décadas e foi passada de geração para geração. Hoje, o último herdeiro Alain Blanche decidiu transformar a casa onde crescera, em um hotel, já que ela era localizada na beira da estrada de ligação entre várias outras cidades e a grande Paris. Alain e sua esposa, Paulete, não moravam mais lá, mas em um apartamento duplex na própria cidade das luzes, eles nunca tiveram filhos, e isso era uma das únicas coisas que Senhor Alain não gostava de falar sobre. 
Miranda olhou mais uma vez para o filho que dormia pesadamente na cama. Decidiu não acordá-lo. Pegou-o no colo com cuidado para que não acordasse e o levou para o cercadinho que senhor e senhora Blanche haviam lhe dado, ela voltaria de cinco em cinco minutos para vê-lo. Trocou o pijama e vestiu suas alpargatas confortáveis. Fechou a porta tentando não fazer ruído algum, apesar dela ranger diversas vezes. E desceu as escadas notando que a porta do quarto de Rose, que era na frente do seu, estava fechada, então provavelmente ela já teria descido, a mulher nunca se atrasava. Passando pelos andares notou que nenhum dos hóspedes parecia ter acordado, caminhou até a cozinha sentindo um cheiro de chá fresco, abriu a porta para notar a mulher de sessenta anos no forno, pronta para abrí-lo e tirar algum bolo recém feito.
— Bonjour, Dame* Petit.
Miranda comentou adentrando na cozinha e chamando atenção da senhora com quem trabalhava.
— Bonjour, querida. 
Miranda caminhou até perto do balcão da pia para sentir o cheiro do bolo e ver as massas que Rose começava a fazer.
— São biscoitos amanteigados?
Ela perguntou.
— Oui.
Respondeu a senhora sorridente. Rose Petit foi casada durante anos com Nicola Petit com quem teve um filho, como ela sempre comentava saudosa sobre o querido Pierre que sumira e matara o pai de desgosto. Ela mesma ainda dizia que só continuou viva, porque sabia que Pierre voltaria algum dia. Rose decidiu vender a casa onde morou e desde então trabalhava para M. Blanche no hotel.
— Desde que horas a senhora está acordada?
Miranda perguntou buscando pela toalha onde colocaria na mesa da sala de jantar.
— Ah, não faço ideia, perdi o sono e resolvi cozinhar. A toalha está no varal, querida.
A senhora apontou para a porta dos fundos da grande casa. Rose de cabelos grisalhos era uma das pessoas por quem Miranda agradecia à Deus todas as noites por tê-la em sua vida, assim como M. Blanche e seu filho, Milo.
— Onde está o pequeno?
Rose perguntou alto da cozinha enquanto Miranda buscava a toalha no varal do jardim dos fundos, onde o Sol parecia querer começar a despontar no horizonte.
— Está dormindo ainda. Daqui a pouco vou ver como está. 
Voltou para a cozinha encontrando Rose limpando as mãos enrugadas, e ainda com a aliança de ouro, no avental enquanto a observava.
— Eu comprei um presente pra você e para Milo, só estava esperando a noite de Natal para entregar, mas acho que é um bom momento agora.
Miranda arregalou os olhos e sentiu um sorriso surgir em seu rosto. Era o segundo Natal que passaria ao lado de Dame Petit, e ela estava inteiramente grata, mais uma vez, por ter encontrado aquela mulher. Miranda não tinha família, sua tia que foi a responsável por criar-lhe, havia morrido faziam quatro anos, quando a moça tinha vinte e seis anos. Miranda havia cuidado da mulher com o maior apreço que poderia ter. Tia Suzane foi quem a criou desde quando era apenas um bebê, assim que seus pais morreram em um triste acidente de carro e apenas a criança, ela, havia sobrevivido. Miranda daria sua vida por de sua tia, mas infelizmente, não pôde trocar de lugar com ela na luta contra o câncer. Desde que conhecera Rose, as duas criaram um laço de amizade em que uma via na outra a mãe que nunca teve, e o filho que desaparecera. 
Dame Petit correu até a dispensa e voltou com um pacotinho pardo com um laço vermelho. Entregou para Miranda que ainda não sabia como reagir além de ter o sorriso nos olhos e nos lábios.
— Não precisava, Dame Petit.
Ela comentou sorridente.
— Abra, abra. 
A idosa, de aparência mais jovem que a própria idade, abanou as mãos para que a moça abrisse o pacote. Rose esperava para ver a reação da garota ao ver que ganhara o que tanto precisava. Miranda abriu o pacote com cuidado e ansiedade, e encontrou então a embalagem de uma babá eletrônica. 
— Mas...Dame Petit, isso deve ter sido muito caro.
Rose gargalhou, sua gargalhada que contagiava a todos que estivessem em volta.
— Que nada, menina. Foi baratinho. Eu tinha minhas economias. Você precisava de um desse, agora não precisa ficar subindo todas essas escadas de cinco em cinco minutos para conferir como o garotinho está, não é mesmo?
Miranda revirou o pacote nas mãos enquanto segurava com cuidado aquele presente precioso e útil.
— Mas Dame Petit...
Ela falou baixo observando cada instrução ainda sorridente.
— Muito obrigada.
E abraçou a mulher que rapidamente correspondeu o abraço, lhe apertando em seus braços fortes. Rose tinha cheiro de cravo e canela e Miranda fechava os olhos todas as vezes que a abraçava.
— Vá colocar no quarto, vá.
Rose mandou e Miranda subiu as escadas rapidamente enquanto lia as instruções. Deveria deixar um ítem lá, e o outro poderia levar com ela, assim ouviria tudo o que seu bebê fizesse. Ela abriu a porta lentamente para encontrar Milo ainda dormindo como um anjinho. Seus cabelos cacheados e escuros não eram como os seus, lisos e loiros, e sim como os do pai. Fernando havia sido um rápido passante em sua vida, achou que o amava, e achou que era algo recíproco, mas ele apenas foi embora depois de algum tempo. Volte e meia ia e voltava para vê-la, para ver a criança, mas nunca esteve presente e ela nunca soube muita coisa sobre o homem que era bem mais velho que ela, mas tinha aparência, cabeça e vitalidade de um jovem. Fernando Fontes era seu nome, não era francês de sangue, apenas havia nascido em Paris, ela sabia que ele viajava por aí à trabalho, era cineasta e fazia documentários, um bon vivant. Mas ela se apaixonara por ele no momento em que ele entrara por aquela porta do hotel, com uma mochila rasgada que ele carregava nas mãos para que não deixasse suas coisas caírem e uma capa de chuva laranja. Ele havia sorrido assim que a viu e ela sem jeito, apenas retribuiu o sorriso. Em anos, desde de Jean, ela nunca havia se apaixonado.



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