História Sem querer, eu te deixei. - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Câncer, Doença, Drama, Família, Filho, Mãe, Morte, Romance
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Palavras 1.444
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo 2


Na cozinha Miranda segurava a babá eletrônica mostrando para Rose que sorria enquanto voltava a mexer na massa de biscoitos.
- Eu te disse que você precisava de um desse, querida. 
Miranda sentia vontade de pular para cima e para baixo pelo presente inesperado que ganhara naquela manhã. 
- Pronto, agora coloque isso no seu bolso e vamos trabalhar que daqui a pouco os hóspedes estão acordando.
Rose mandou carregando a travessa de bolo para fora da cozinha, em direção à sala de jantar. Miranda a seguiu carregando o bule de chá e de leite. Milo continuava silencioso, pelo menos era o que a sua mais nova babá eletrônica lhe dizia. A moça trouxe xícaras e pratos, Rose colocou as frutas picadas em uma louça antiga da família Blanche sobre a mesa. Miranda trouxe o suco de morango, os pães e só faltava então os biscoitos que ainda estavam no forno. Miranda caminhou até o hall de entrada para abrir a porta principal, uma pesada porta de madeira de duas partes e de vitrais brancos e embaçados que não deixava ver o outro lado. A luz do Sol, ainda calma e preguiçosa, entrou pela porta assim que Miranda a abriu, o ar ainda estava com aquela gelada brisa matinal. A moça soltou os cabelos dando alguns passos para frente, para sair da casa e respirar o ar puro que aquelas matas ao redor lhe oferecia. Ela bagunçou o cabelo e o prendeu novamente em um coque no topo da cabeça e o prendeu com o palito de cabelo que havia sido de sua tia. Um carro se aproximou trazendo uma poeira pela pequena estrada de terra que ligava a rodovia principal até a pousada Blanche's. Ela cerrou os olhos para enxergar melhor à distância e reconheceu o carro de M. Blanche. Ele estacionou sua grande picape que volte e meia usava para carregar móveis para a pousada, ou ferramente para as reformas que decidia de repente fazer em algum canto da casa. O homem, de seus cinquenta grisalhos anos que mantinha a forma, forte mas não muito gordo e nem magro demais, descera do carro batendo as botas no chão de terra, e caminhara em direção à Miranda na varanda.
- Bonjour M. Blanche.
Ela comentou tranquila enquanto o chefe se aproximava.
- Bonjour Miss. Rosnay, como vai sua manhã?
O homem passou por ela, enquanto Miranda corria para acompanhá-lo.
- Vai muito bem. Dame Blanche não quis vir dessa vez?
Miranda perguntou procurando saber sobre a esposa do chefe, que não vinha visitar a casa fazia uma semana, e ela nunca ficava tanto tempo sem aparecer.
- Não não, ela não tem passado muito bem. 
Alain não falara mais nada e Miranda percebeu que havia algo de errado. M.Blanche nunca se calava nas manhãs. Toda manhã ele chegava falante e falante, e recepcionava todos os seus hóspedes com sorrisos, apertos de mãos e perguntas sobre como haviam passado a noite. Mas dessa vez ele apenas se calara. Miranda continuou o acompanhando, os primeiros hóspedes desciam as escadas. O casal que Miranda não conseguia se lembrar o nome, eles haviam chegado na manhã passada e ela não conseguia lembrar deles.
- Bonjour.
A moça de cabelos cacheados sorriu para eles. M.Blanchet rapidamente parou, pareceu acordar de seus pensamentos e notar que aquelas pessoas chegavam à sala de jantar.
- Oh, bonjour. - Ele exclamou colocando rapidamente um sorriso no rosto. - Como passaram a noite, meus queridos Julianne e Gerard?
Miranda sorriu. M.Blanchet nunca se esquecia dos nomes de seus hóspedes, ela nunca vira isso acontecer, nem sequer uma única vez.  Ela ouviu alguns ruídos advindo de seu bolso. Miranda lembrou-se da babá eletrônico. Saiu discretamente de perto do casal e do chefe e subiu as escadas em passos rápidos enquanto tirava a babá eletrônica do bolso e levava até a orelha para ouvir melhor o chorinho fino de Milo. Chegou ao quarto sem estar ofegante, mesmo sendo no quinto andar, Miranda já estava acostumada a subir e descer diversas vezes durante o dia. Encontrou Milo em pé no cercadinho. Ele esfregou o olho e observou a mãe que se aproximava.
- Oi meu petit. Você acordou? 
Segurou-o no colo enquanto ele resmungava algumas palavrinhas ainda não fáceis de entender. Milo agarrou seu pescoço e Miranda acariciou seu cabelo fino. Miranda o sentou em seu colo e Milo a encarou começando a rir. Como ele lembrava ele. E ela ainda não sabia se gostava disso ou não. 
Miranda sempre quisera ter um filho. Mas não dessa forma. Ela e Jean sempre quiseram formar uma família, assim que se casaram, eles passaram a morar junto com Tia Suzane, já que Miranda insistiu para não deixá-la só. 
- Mas mon amour, você estará casada, não faz sentido uma velha ir morar junto com você.
Tia Suzane resmungou caminhando para o outro lado da sala enquanto buscava o novo livro que leria.
- Mas titia...
Miranda tentou contradizê-la.
- Mas nada! - A idosa levantou um dedo em sua direção e colocou a outra mão na cintura, como sempre fazia quando queria lhe dar uma bronca. - Você vai se casar, vocês formarão uma família, e vai ir embora morar com seu esposo, esse é o normal, é a vida. 
Miranda bufou.
- Eu não quero ir sem a senhora.
Suzane voltou a sua poltrona habitual. Respirou fundo e estendeu a mão para tocar a mão de Miranda. A sobrinha que criara desde bebê. Suzane sentia-se extremamente feliz por saber que a tão amada sobrinha, que sempre tivera uma triste realidade desde a infância, agora conheceu um bom rapaz que parecia amá-la de verdade. Miranda merecia aquele amor. Jean Bazelet era filho do dono do restaurante novo que abrira na esquina, fazia cerca de dois anos que eles haviam aberto o pequeno comércio ali. Desde então, Miranda e Jean se apaixonaram e se viam todos os dias, até então ele pedí-la em casamento. 
- Você precisa, querida.
Suzane falou calma. Ela também não queria se separar da sobrinha que tanto amava, mas ela não poderia prender a garota para sempre ao seu lado, e sabia que era um grande peso em sua vida. Miranda precisava ir embora e precisava viver.
- Mas tia Suzi...
A campainha tocou e Suzane rapidamente levantou-se, para acabar com a conversa e ir atender a porta. Ela olhou pela janela para ver Jean no portão.
- É o Jean.
Falou para a sobrinha que a seguiu até a porta. Suzane desceu os três degraus para o jardim e caminhou até o portão para abrí-lo para o rapaz loiro de olhos castanhos.
- Olá Dame Childebert.
Ele cumprimentou com o decoro e a educação que sempre tivera para com ela e Miranda, era talvez por isso que simpatizava tanto com o rapaz.
- Olá Jean. Vamos, entre.
Ela arrastou o rapaz pelo braço enquanto ele tinha os olhos fixos em Miranda que sorria na porta. Suzane entrou em casa, ainda levando seu livro de baixo do braço de um lado para o outro, deixando o casal para trás. Ela se lembrava de sua juventude e de seu esposo e como era bom estar amando. Sorria para a janela enquanto lembrava-se de Marcus. Mas então seus pensamentos foram interrompidos pela entrada dos jovens na sala.
- Dame Childebert.
Ela ouviu a voz grossa de Jean a fazendo levantar o olhar. Miranda segurava as próprias mãos e sorria, ao mesmo tempo em que eles a observavam. Suzane franziu as sobrancelhas.
- O que há garotos?
Ela perguntou irritada já com aqueles olhares sobre ela. Odiava estar sentada e as pessoas ao seu redor em pé.
- Se a senhora não ir morar conosco, nós iremos morar aqui.
Jean afirmou. Suzane olhou para a sobrinha cerrando os olhos.
- Vocês não podem morar aqui. Essa é minha casa e de meu esposo, não de vocês!
Afirmou mostrando seu gênio ruim de sempre. Miranda sabia como sua tia era, sabia que precisava ter paciência e jeito para conversar com ela. 
- Então a senhora vem morar conosco.
Jean continuou e Miranda sentia vontade de rir ao ver o olhar fuzilador da tia em direção a eles.
- Não vou deixar minha casa!
Ela afirmou fechando o livro fazendo um barulho alto.
- Então moramos aqui.
Jean sorriu. A tia abriu a boca como se sentisse que a desafiavam. Ela apontou para eles.
- Ok. Tudo bem então. Vocês vêm pra cá. Mas nada de tomar posse das coisas. Ouviu?
Suzane levantou da poltrona, apontou mais uma vez para eles enquanto falava e depois saiu batendo os pés para o andar de cima com seu livro nas mãos. 



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