História Sempre Foi Você - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila Cabello, Camren, Camren G!p, Camreng!p, Fifth Harmony, Lauren G!p, Lauren Jauregui, Laureng!p
Visualizações 1.360
Palavras 3.214
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sorry pela demora
Apareci com mais um capitulo
A história é meio confusa mesmo.
Boa Leitura

Capítulo 15 - I'll miss you


3 de setembro de 2001

Ela imaginou que ainda era cedo pela luz que atravessava as cortinas finas que cobriam as janelas. Fechou os olhos, sua mente procurando voltar ao sono enquanto os dedos insistentes de Josh começaram a acariciar os seios dela, fazendo seu corpo acordar, mesmo que seu cérebro ainda estivesse adormecido.

– Hmm – Camila recusava-se a abrir os olhos completamente. Os lábios dele envolveram um mamilo, a língua umedecendo-o e os dentes raspando de leve enquanto ela se enrijecia em resposta ao toque.

– Acordei você?

– Ainda estou dormindo – ela sorriu, sabendo que tinha se entregado com a respost

– Finja que é só um sonho, então, um sonho muito agradável – a boca dele estava se movendo para baixo e instantes depois ela apertava os lençóis, com seu corpo respondendo ao toque.

Por mais agradável que fosse, definitivamente não era um sonho. 

Eles tinham passado o verão juntos, viajando pela Inglaterra e assistindo a diferentes shows e festivais de música. No final de agosto, tinham voltado a Londres, onde Josh conseguira um emprego no The Guardian como jornalista trainee. 

– Tenho que levantar, querida. Preciso estar no escritório às oito – Josh beijou seu pescoço. – Estou acompanhando um cara que está visitando umas fazendas, e tentando escrever um artigo sobre febre aftosa.

– Está usando botas Wellington? Posso te chamar de cowboy? – Camila sorriu, pensando em Josh chafurdando-se em lama e entrevistando fazendeiros sobre suas experiências com a febre aftosa. A doença tinha assolado fazendas por todo o país, culminando em um abatimento em massa de animais. Até Camila tinha chorado quando vira as imagens de pilhas enormes de carcaças sendo queimadas. Tinha sido difícil esquecê-las por um bom tempo.

– Não, e não. Mas pode fazer safadezas comigo quando eu chegar em casa à noite. Quais seus planos para hoje?

– É o primeiro dia de aula de Taylor. Prometi que a levaria até lá com Lauren. Assim que disse o nome dela, os lábios de Josh contorceram-se numa careta. Quando Camila os tinha apresentado no sábado anterior, eles pareceram se alimentar com uma antipatia instantânea um pelo outro. A situação tinha sido bem constrangedora.

– O que vai fazer no resto do dia?

Camila leu entre as linhas. Ele estava perguntando se ela passaria o resto do dia com Lauren. Ela engoliu com força, sabendo o quanto queria passar um tempo com a amiga. Desde que chegara na Inglaterra, ele estava de ótimo humor. Sempre sorrindo e fazendo piadas, e constantemente provocando Camila, esperando incitar uma das suas respostas sarcásticas.

– Não tenho certeza. Enviaram a lista de leituras do ano que vem, então acho que vou pegar uns livros. E prometi pra minha mãe que passaria lá pra tomar um chá.

– Que horas você vai estar em casa? – seu tom foi ríspido, e a testa dele ficou ainda mais franzida. Camila amava o fato de ele estar com ciúmes, e amava ainda mais que ele se referisse ao flat apertado como a casa dela. Sentindo-se amorosa, lançou o lençol para longe e correu até ele, jogando os braços ao seu redor enquanto sentia o corpo nu contra o dele, as gotas da pele dele umedecendo sua pele.

– Quando você me quiser.

Ele agarrou-a e apertou-a contra si. Ela pôde sentir o movimento revelador da toalha enquanto ele reagia ao seu toque.

– Quero você sempre, é esse o problema. Mas um de nós precisa trabalhar para pagar as contas, então estarei em casa às oito.

– Está certo, querido. Vou passar suas camisas, deixar seu jantar no forno, e pôr as crianças na cama. Gostaria do seu cachimbo e pantufas também?

– Foda-se o cachimbo e as pantufas.

– Prefiro que você me foda.

– Não se preocupe, farei isso.

 

Quando Camila entrou na casa dos Jauregui, pôde ouvir Taylor dando gritinhos lá em cima no quarto. 

– Camila, você veio! Taylor vai ficar tão feliz! – Clara entrou no salão vinda da cozinha, as mãos na orelha enquanto punha um pequeno brinco de pérola. – Como você pode ouvir, não faltam gritos por aqui hoje. 

– Ela está animada? – Camila perguntou. – Muito, especialmente porque Lauren e Chris vão acompanhá-la. E sua amiga preferida, é claro – Clara deu uma piscadinha para Camila. 

– Christopher está aqui? – Camila não tinha conhecido Christopher, o filho de Clara, embora tivesse ouvido histórias sobre sua altura gigante, sua personalidade relaxada, e sua habilidade de jogar Taylor para cima.

– Sim, ele chegou ontem. Infelizmente não teve chance de se barbear ainda, então parece um selvagem dos Andes.

– Camila! – Taylor disse quando a viu, descendo as escadas de mármore e correndo ao seu encontro.

– Oi, Taylor! – Camila abraçou-a ao pé das escadas e apertou-a com força, fazendo a garota dar outro gritinho feliz. – Deixe-me ver você – empurrando Taylor para trás, Camila analisou a saia xadrez, a blusa branca e a gravata perfeitamente amarrada no pescoço.

– Está linda. Vai arrasar com essa roupa.

Taylor riu.

– Todo mundo vai usar o mesmo uniforme. Não acho que vou impressionar muito.

– Então essa é a famosa Camila?

Ela ouviu uma voz alta atrás de si. Não tinha percebido ninguém descendo as escadas, e se virou. 

Christopher era ainda maior do que ela tinha imaginado. Não era tanto sua altura – embora ele fosse bem mais alto que ela –, mas o tamanho mesmo. Era robusto, e o cabelo e a barba o faziam parecer ter mais que vinte e quatro anos. 

– Oi – ela deu um sorriso de boca fechada, sentindo-se tímida sob o escrutínio dele. 

– Ei, você é tão bonita quanto Lauren disse – Christopher abraçou-a, sua barba áspera raspando o rosto dela. Ele lhe deu um beijo rápido no canto da boca. – Mais bonita, na verdade.

– Vou contar pra sua namorada – Taylor cantarolou. O rosto de Camila ficou corado com as palavras e a ameaça de Taylor de falar com a namorada dele. Ela não sabia para onde olhar.

Erguendo os olhos para a escada, ela viu Lauren nos degraus encarando suas pernas nuas.

– Oi. Lauren sorriu, então agarrou Taylor e girou-a no ar. Taylor começou a gritar outra vez, o som ecoando pelas paredes.

– Me solta! 

– E se eu te passar pro Chris?

– Não, não! Camila, me salva!

Camila correu e tentou tirar Taylor dos braços dela.

– Põe ela no chão, seu monstro!

Os quatro pegaram o metrô para a escola de Taylor. Eram um grupo diversificado, Chris parecendo algum tipo de vagabundo, Taylor toda arrumada em seu uniforme novo, Lauren engomadinha e deliciosa de jeans e camiseta. Olhando para si, Camila percebeu que seus shorts e colete apertado não ajudavam o grupo a parecer menos estranho. Ela notou alguns passageiros encarando-os enquanto eles riam alto. 

– Quando você vai pra São Francisco? – Camila perguntou a Lauren. O trem parou no túnel de repente. As luzes piscando e a escuridão intermitente fizeram Taylor inspirar de susto. 

– Na próxima terça. O voo de Londres é essa sexta, o que me dá três dias para arrumar as malas. 

– Está animada? – o trem estremeceu antes de começar a se mover e ganhar velocidade. A força do movimento fez Camila perder o equilíbrio e cair direto contra Lauren. Imediatamente, ela pôs os braços ao seu redor, e ela se viu abraçada nela. 

– Você está bem? Caiu com força. 

Ela respirou fundo, tentando controlar o coração acelerado.

– Estou bem – ela assentiu, para enfatizar.

O trem parou na plataforma. Como sempre, foi um esforço sair, e os quatro tiveram que abrir caminho por uma multidão de passageiros que tentava entrar no vagão ao mesmo tempo. Não havia educação na hora do rush. Era cada um por si. 

Chris estava logo atrás de Taylor, protegendo-a com o corpo enquanto eles se moviam para a frente e pisavam na plataforma. Lauren estava na frente de Camila, e ficava olhando para trás para se certificar de que ela estava bem. Depois de alguns segundos, ela pôs a mão para trás e tomou a dela, puxando-a consigo numa tentativa de mantê-las juntas. 

Até as mãos de Lauren eram perfeitas. Sua palma era quente e macia, e os dedos longos e elegantes envolviam os dela perfeitamente. As unhas estavam cortadas curtas, com uma meia- lua branca nas pontas. As unhas dela eram quebradas e mordidas. Ela desistira havia muito tempo de tentar esmaltá-las.

Quando chegaram no topo das escadas rolantes, enfiaram os bilhetes na máquina, passaram pelas barreiras de metal e emergiram no mundo lá fora. Taylor estivera em silêncio desde que eles tinham saído da plataforma, e Camila começou a se preocupar. Ela estava pulsando de nervosismo: seu rosto empalidecera e seus lábios estavam apertados numa linha fina. 

– Você está bem? – Camila inclinou-se para sussurrar na orelha de Taylor, tentando não deixar Lauren ou Chistopher ouvir. – Não tem problema se ficar ansiosa, sabe. Todo mundo já passou por isso, e prometo que o Chis e a Lauren estavam tão preocupados quanto você quando começaram o ensino médio.

– Chris não – Taylor sussurrou de volta. – Ele bateu num professor no segundo dia de aula. No fim da semana, já estava suspenso. 

Camila mordeu a boca para não rir. O Chris que ela conhecera hoje era como um gigante gentil. Ela não conseguia imaginá-lo batendo em alguém, muito menos em um professor.

– Por que ele fez isso?

– O professor estava gritando com uma menina que ele gostava. Ele me disse que perdeu a cabeça. 

– Espero que tenha valido a pena.

– Chris parece achar que sim. Era a namorada dele. 

Camila nunca tinha conhecido Lucy, mas Taylor lhe mostrara algumas fotos, e Camila tinha se sentido desinteressante e desleixada em comparação com a loira alta e bonita. 

– Chegamos, maninha

Taylor parou de repente, olhando para o prédio grande de tijolos e estuque branco, cercado por muros por todos os lados e por uma cerca viva. Seus joelhos tremiam, e Camila pegou a mão dela.

Quando se agachou, o rosto de Camila ficou na mesma altura que o de Taylor. Ainda segurando a mão da menina, ela acariciou o rosto dela com a outra.

– Taylor, vai ficar tudo bem. Você consegue. Quando chegar em casa hoje à noite, aposto que vai estar sorrindo.

A expressão de Taylor desmanchou-se, e lágrimas encheram seus olhos.

– Acho que não consigo – a voz dela estava fininha. Camila desejou com todas as forças poder entrar na escola no lugar dela.

– Você é mais forte do que imagina. Lembra como Harry estava assustado no primeiro dia em Hogwarts? 

– E então ele conheceu Malfoy e Snape – Taylor respondeu.

– Mas ele conheceu Roni e Hermione também. E Neville Longbottom, não se esqueça dele. – Como alguém poderia esquecer um nome desses?

Camila observou Taylor atravessar lentamente o portão principal, sem se virar para trás uma única vez. Quando se voltou, Lauren estava com a testa franzida. Até Christopher parecia um pouco perturbado.

– Querem tomar um café? – Camila sugeriu, tentando encontrar um jeito de animar a todos. 

– Combinei de encontrar uns amigos hoje, mas vão vocês – Chris inclinou-se e apertou o ombro de Camila de leve. – Foi um prazer conhecê-la, Camila. O modo como você cuida de Taylor é ótimo.

– Ela é uma criança fácil de amar.

– Alguém deveria dizer isso pra ela – Chris concordou, então deu um tapa nas costas de Lauren antes de se virar e caminhar de volta para a estação de metrô. 

Camila virou-se para Lauren.

– Café? – ela perguntou de novo, com uma voz gentil.

Lauren olhou para ela.

– Boa ideia – Camila podia ver que o bom humor de Lauren estava voltando, e seus lábios curvaram-se num sorriso torto.

Ela lembrou a si mesma de que era só um café. Elas sentariam uma na frente da outra e conversariam sobre amenidades enquanto experimentariam café morno – bastante medíocre – de uma xícara lascada e velha. Não significava nada; seriam apenas duas amigas passando tempo juntas. Ela não ficaria olhando para Lauren e e se perguntando se ela ainda gostava dela. Não ficaria imaginando que ela colocaria a boca perto da dela outra vez, como fizera naquela noite de neve em Nova York.

Ela não faria muitas coisas.

Contar a Josh sobre o café era uma delas.

 

Elas estavam descansando perto da estátua de Peter Pan, no Kensington Gardens, envolvidas pelo ar quente do verão. Lauren estava deitada, a cabeça apoiada na jaqueta enrolada. Camila estava encostada nela, o rosto apoiado em seu peito. Uma garrafa vazia de vinho caro estava jogada perto delas. As duas sentiam-se um pouco bêbadas. 

– Taylor vai chegar em casa daqui a pouco – Lauren murmurou, a mão enrolada no cabelo de Camila, brincando com os fios soltos. 

– Hmm – os olhos de Camila continuaram fechados. Ela podia sentir um ponto úmido na sua camiseta, onde a boca dela estava. 

– Você está babando em mim? – Lauren ergueu a cabeça para olhar melhor.

– Eu não babo – de súbito, ela estava desperta, virando a cabeça para olhá-la nos olhos, discretamente limpando a boca com as costas das mãos. Lauren riu do gesto revelador. 

– Vamos, admita que eu faço você salivar.

– Sua modéstia está me assustando – Camila mordeu os lábios para evitar um sorriso antes de mostrar a língua e lamber a camiseta dela. – Mas se vai me acusar de algo que não fiz, então vou fazer de qualquer jeito. 

Notando a expressão que surgiu no rosto dela, Camila pulou, agarrou a bolsa e saiu correndo pela grama. Passou pela estátua no meio do jardim e se dirigiu às árvores que os cercavam. Agarrando o casaco, Lauren correu atrás dela, alcançando-a com passos longos e rápidos antes que ela atingisse o primeiro carvalho.

– Você não tem nenhuma chance – Lauren riu. Envolvendo a cintura de Camila, ela a puxou contra si. Podia sentir a barriga macia dela subindo e descendo junto com a respiração pesada. 

Camila tentou se contorcer contra ela, arranhando seus braços, procurando escapar. Lauren se manteve firme, contendo o corpo dela nos seus braços e impedindo todas as tentativas de fuga. A respiração dela por fim se acalmou. Ela podia sentir o próprio coração se tranquilizar depois dos movimentos inesperados.

Elas voltaram para pegar o lixo, jogaram tudo numa lixeira próxima, e começaram a longa caminhada pelo parque. Eram quase três da tarde, e embora Chris fosse buscar Taylor na escola, Lauren prometera estar esperando assim que eles chegassem.

– Então, como vão as coisas com Josh? – ela perguntou. Elas tinham chegado à lagoa, e seguiram o caminho que a circundava até se tornar o rio Serpentine. 

Vendo um sorriso surgir no rosto de Camila, Lauren sentiu o estômago se contrair com a felicidade dela. Tentou entender por que a afeição óbvia que ela tinha pelo namorado incitava uma reação tão forte nelA. ElAs tinham concordado em ser amigas. Por que ela estava com ciúmes?

– Ele está bem. Nós estamos bem. Vai ser estranho não tê-lo comigo na universidade esse ano. 

A dor no estômago diminuiu.

– Por que ele não vai estar lá? 

– Ele se formou em julho. Foi contratado como jornalista trainee aqui no The Guardian, e se mudou para um flat em Earl’s Court.

– Vocês vão ficar juntos? 

– Sim, claro. São só uns cento e poucos quilômetros de distância. Podemos nos ver nos finais de semana e feriados.

Os carvalhos projetavam sombras sobre a calçada larga e pavimentada ao longo do Serpentine. Elas tiveram que desviar para evitar um garoto de patins correndo no meio do concreto, determinado a adquirir tanta velocidade quanto possível. Na beira da água, patos marrons e cisnes elegantemente pálidos esperavam as legiões de crianças londrinas, que vinham alimentá-los, todos os dias. 

Lauren puxou Camila para perto, colocando o braço nos ombros dela em um gesto amigável. Ela passou o braço ao redor da cintura dela.

– Vou sentir sua falta quando você for para a Califórnia. Você vem pro Natal? – a voz dela estava suave. 

– Não sei quando volto pra Londres. Nem pra Nova York, na verdade. Se Nathan e eu quisermos fazer esse negócio decolar, acho que estaremos trabalhando demais para sair de São Francisco por qualquer período de tempo. – Me explica de novo o que vocês estão planejando. 

– Já ouviu falar do Friends Reunited? – ela decidiu começar com o básico, ajudando-a a entender o conceito.

– Sim, minha mãe entrou em contato com alguns amigos de escola nesse site. 

– Então, Nathan e eu queremos usar o mesmo conceito, mas torná-lo mais amplo e mais moderno. A ideia é não só encontrar velhos amigos, mas se manter em contato com os atuais, conversar, deixar que saibam o que você anda fazendo. Talvez até jogar com eles, esse tipo de coisa. 

– Por que você faria isso se pode simplesmente pegar o telefone e ligar pra eles?

– Porque desse jeito você pode se manter em contato com centenas de amigos de uma vez. Com um clique, pode contar pra todo mundo que você conhece o que anda acontecendo na sua vida. Por exemplo, você quer dizer a eles que se formou, então tem que ligar e mandar um e-mail, uma carta, ou confiar no boca a boca. Com o nosso site, poderia escrever uma linha falando que se formou, e todos os seus amigos a leriam de uma vez. Você gastaria menos de um minuto contando as novidades e poderia passar o resto do dia lendo Jane Austen, ou qualquer coisa que você queira fazer. 

– Hmm. Não consigo ver por que eu iria querer fazer isso.

– Você já pensou alguma vez que iria querer um celular?

– Um o quê?

– Você sabe o que é um celular, não sabe? – Lauren perguntou, incrédula, tirando o Nokia 8250 do bolso e mostrando-o para ela. 

– Ah! Um telefone móvel? – Camila pegou o aparelho dela, olhando para o visor cromático. – Uau, esse é bonito.

Lauren balançou a cabeça.

– Como estava dizendo, embora você possa não ter pensado que precisaria de um telefone móvel – ela enfatizou as últimas palavras –, agora todo mundo ou tem um, ou quer um, e eles estão mudando o modo como nos comunicamos. Vai acontecer a mesma coisa com sites como o nosso. Estamos satisfazendo uma necessidade que nem sabíamos que tínhamos. É assim que surgem as inovações. 

– Bem, digo pra você se sentir a necessidade de contar a centenas de conhecidos que comprei pão. Até lá, não vou fazer nenhum julgamento – Camila sorriu, como se estivesse gostando de provocá-la, e Lauren percebeu que estava gostando também. 

– Esperarei uma desculpa extremamente pública e virtual. Talvez você possa rastejar um pouco também.

– Consigo babar, ajuda em algo? 

– É, eu notei. 

Elas tinham chegado no Hyde Park. Camila enfiou as mãos nos bolsos dos shorts. 

– É melhor você voltar. Taylor não vai ficar feliz se não estiver lá quando ela chegar em casa. Foi ótimo ver você de novo. 

– Você também. Vou sentir sua falta.

– Não parece que vai ter tempo de sentir minha falta. 

– Arranjarei tempo.

– Então não deixe de me mandar um e-mail. Ou me convidar pro seu site. Ainda estou disposta a rastejar pelo seu perdão.

Lauren riu, passando as mãos pelo cabelo e olhando para o rosto sorridente dela.

– Mal posso esperar. 

– Sério, boa sorte com isso. E não desapareça – Camila tirou as mãos dos bolsos e jogou os braços ao redor dela, puxando-a para perto para um abraço rápido antes de soltá-la e afastar-se.

Lauren inclinou-se e roçou os lábios contra a pele macia do rosto dela, respirando fundo por um momento. Camila virou-se e desceu as escadas da estação de metrô. No topo das escadas, Lauren observou-a descer até que não pudesse mais vê-la. Tocando os lábios de leve, entao virou e dirigiu-se para Chelsea.


Notas Finais


Até depois


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