História Sempre Tem um Lado Bom - Capítulo 46


Escrita por: ~

Postado
Categorias Resident Evil
Personagens Albert Wesker, Barry Burton, Chris Redfield, Jill Valentine, Rebecca Chambers
Tags Chris Redfield, Jill Valentine, Raccon City, Resident Evil, Stars, Valenfield
Exibições 27
Palavras 5.279
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boooa taaarrdee, povooo!!!
Nesse capítulo está a estadia da Jill no hospital e ainda pela visão do Chris, espero que gostem!
Boa leitura...

Capítulo 46 - Bela Adormecida


Eu não podia acreditar no que meus olhos me diziam... Ver ela de olhos abertos e sorrindo para mim fez meu mundo voltar a ser colorido, voltar a ter luz e sentido para mim.

            -Jill...

Encosto minha testa na dela que me olhava atenta e sorria levemente para mim que mantinha um sorriso maior que minha boca e as lágrimas não deixaram de fluir por isso, pelo contrário.

            -Ei, minha pequena... Não faz mais isso comigo.

Ela sorriu parecendo cansada e beijei suas mãos que insistiam em me fazer carinho e eu sorri mais implorando para que aquilo não fosse um sonho. Mas quando seus olhos murcharam para se fechar de novo, eu me apavorei.

            -Não, não, não... Fica acordada, por favor.

Ela abriu os olhos de novo, mas não parecia conseguir mantê-los assim, então eu beijei seu rosto e ela os abriu novamente parecendo cansada.

            -Não durma, Jill... Por favor, não durma.

Eu corri até a porta a abrindo e procurando alguém até que vi uma enfermeira e acenei agoniado para ela.

            -Enfermeira! Um médico! Preciso de um médico aqui!

Ela saiu correndo e eu volto rapidamente até a cama vendo seus olhos levemente abertos e encostei nossas testas novamente me fixando no azul profundo de seus olhos que novamente vieram acompanhando um sorriso lindo no cantinho da boca dela.

            -Senti tanto sua falta... Não me assusta mais assim.

Mesmo parecendo tentar rir, ela tossiu parecendo sem força e fechou os olhos, mas a sacudi levemente.

            -Não durma, por favor...

Ela abriu os olhos novamente e a porta se abriu com o médico surgindo e sorrindo ao vê-la de olhos abertos.

            -Srta. Valentine, seja bem-vinda de volta!

Ele se aproximou da cama e mesmo com ela dando um sorriso, seus olhos se fecharam novamente e mesmo eu a sacudindo de leve, ela não voltou a abri-los e meu coração se desesperou.

            -Jill! Jill, por favor... Jill... Acorde, por favor!

            -Calma, Chris...

O médico se aproximou mais e abriu um dos olhos dela a examinando, olhou os aparelhos e eu fiquei ali agoniado esperando más notícias, mas ele voltou a me olhar sorrindo.

            -Ela saiu do coma, só desmaiou... Vai acordar logo.

            -É mesmo?

            -Sim, os medicamentos são fortes e é melhor que ela descanse mesmo.

Eu sorri sem poder acreditar que agora realmente ela estava apenas dormindo e dei um leve beijo em sua mão e um aperto de mão no médico que sorria satisfeito.

            -Obrigado, doutor... Tem alguma ideia de quando ela pode acordar de novo?

          -Agora, talvez fique mais algumas horas dormindo e quanto mais melhor... Quando acordar faremos exames para saber se tudo está bem e se tudo estiver, poderá receber alta em poucos dias para se recuperar em casa.

            -Ótimo.

            -Vocês moram juntos?

            -Ah... Não, mas isso não será problema, vou cuidar dela.

            -Perfeito, agora é só esperar ela abrir os olhos de novo.

Ele sorriu de novo e saiu, então dei um beijo na testa dela e saí rapidamente de lá encontrando os outros ainda tensos na sala de espera que me olharam agoniados, mas eu não conseguia tirar o sorriso do rosto.

            -Ela acordou!

Todos suspiraram aliviados com a notícia e esboçaram sorrisos que parecia que não apareciam já há um tempo também.

            -Barry, você está com a chave da casa dela? Quero ir lá buscar umas coisas para ela e ir tomar um banho antes que acorde de novo...

            -Ué, mas... Você não disse que ela tinha acordado?

            -Sim, mas agora está dormindo, só dormindo! Saiu do coma e parecia bem, ela está bem, Barry!

Ele me abraçou e retribuí, então me estendeu a chave da casa dela que antes estava no carro que foi vendido.

            -Rebecca, você fica com ela até eu voltar?

            -Sim, eu fico...

            -Legal, até logo!

Ela sorriu feliz e eu saí de lá para meu carro e meu apartamento. Eu sei que estou um trapo e não quero que me veja assim quando acordar de novo e também quero levar umas coisas dela para que se sinta melhor.

Fui direto ao banho quando cheguei, não demorando muito porque não posso chegar depois dela acordar, não! Preciso estar lá quando abrir os olhos novamente!

Depois de pronto, escovo os dentes, pego algumas coisas essenciais e visto uma roupa confortável, mas de melhor aparência e saio em direção a casa dela.

Lá, eu pego algumas roupas mesmo sabendo que por enquanto não poderá usar, mas quando sair poderá ter opções. Pego escova de dentes e as coisas que acho que ela vai precisar e pego um livro semiaberto ao lado da cama.

Saio de lá trancando tudo e vou para o hospital com o rosto dolorido de tanto sorrir, afinal, acho que envelheci uns meses nessas horas dela em coma... Agora minha pequena está de volta e isso é tudo o que importa!

Ao chegar lá, vou parra seu quarto e encontro Rebecca e Barry sentados no sofá conversando baixo e coloco as coisas do lado. Pego a cadeira e sento novamente perto dela feliz em ver que se mexeu enquanto dormia, deixando o rosto mais inclinado ao lado.

            -Ela disse alguma coisa quando acordou?

            -Não, estava muito fraca... Mas ela acordou, Barry!

            -É isso aí, garoto... Nossa Jill logo sairá saltitando de novo.

Eu sorri e eles me acompanharam, então eles levantaram se aproximando da cama e Barry apontou a porta.

            -Agora que você voltou a vida também, deveria comer alguma coisa.

            -Depois, Barry, depois... Quero ficar aqui para quando ela acordar de novo.

            -Vai acabar internado também!

            -Só se for de alegria, porque nada mais importa... Depois eu como, Barry, vão vocês.

Ele discordou com um sorriso e ambos saíram ainda apontando para cama.

            -Nos chame se ela acordar!

            -Tudo bem.

Eles saíram e fiquei ali a observando esperando que abrisse os olhos novamente, mas ela parecia decidida a dormir mais. Então levanto e arrumo os vasos de flores nas bancadas. Coloco as roupas dela na cômoda ao lado e coloco o livro também junto com o Júnior que peguei na minha casa.

Sento novamente na cadeira e a observo ainda sorrindo, muito aliviado em saber que acordaria a qualquer momento, e eu poderia ver seus olhos brilhantes de novo e aquele sorriso meigo que ela tem.

Olho para seus lábios e o sabor doce deles me queima a garganta de saudade, então levanto e me aproximo dela colocando minha boca de leve na dela sentindo que o seu calor estava voltando.

Mantenho minha boca ali por alguns segundos até que sinto a resposta dela e eu sorrio me afastando um pouco e vendo seus olhos abrirem novamente e rio quando abre a boca de sono.

            -Tudo isso é preguiça?

Ela sorri abrindo mais os olhos agora e não parecendo tão fraca quanto antes. Olhava ao redor parecendo estranhar que estava ali e esperei que me perguntasse, mas apenas me olhou parecendo angustiada.

            -Se acalme... Não se lembra do que aconteceu?

            -Nã...

A voz baixa dela falhou e a mão dela foi para sua garganta enquanto parecia nervosa, então levantei para ficar mais próximo de seu rosto.

            -Não se esforce, Jill... Você vai ficar bem agora.

Ela tinha uma respiração ofegante e vi que a máquina que mostrava seus batimentos contava que seu coração estava acelerado e comecei a me assustar, não sei se pode ficar assim.

            -Ei, se acalme... Você sofreu um acidente, mas está bem agora. Se acalme.

Beijei suas mãos e ela ficou me olhando ainda nervosa, mas beijei sua testa e me mantive próximo dela que reparei que devagar se acalmou.

            -Se acalma, tudo bem? Você está bem agora...

Ela concordou com a cabeça e ao me afastar vejo que olhava ao redor ainda parecendo não conseguir falar, mas quando coloca a mão no rosto para puxar o fio preso em seu nariz eu a paro e ela parece mais angustiada.

            -Sossegue... Espere o médico voltar.

Seus olhos pareciam tristes, então ela olhou para o lado e viu as rosas e o Júnior, então pareceu se acalmar e sorriu. Eu o peguei e entreguei a ela que ficou o olhando mais calma e decidi falar tudo o que precisava.

            -Você sofreu um acidente e ficou em coma durante algumas horas...

Ela me olhou assustada mesmo comigo falando “algumas horas” para parecer apenas umas três, acho que não precisa de tanta informação para ficar mais nervosa.

            -E acordou, minha pequena... Você não se lembra de nada?

Ela encarou o Júnior por alguns minutos parecendo se esforçar para lembrar, então quando me olha parece manter os olhos vermelhos prestes a chorar e desvia de mim parecendo se lembrar da cena anterior ao acidente, então eu rio.

            -Era minha irmã...

Eu ri mais quando voltou a me olhar e acariciei seus cabelos que acompanhavam um rosto ainda desconfiado, então beijei sua mão novamente sentindo o gosto amargo em falar aquele nome.

           -Forest sabia que era minha irmã e ligou para te deixar enciumada... Você foi lá, me viu com ela e pensou errado, saiu que nem louca, não viu o sinal vermelho e um caminhão bateu em você.

Ela encarou o Júnior de novo e revirou os olhos parecendo que assim como eu, pensava que quase morreu por uma bobagem sem sentido nenhum.

            -Me perdoe, eu devia ter contado... Mas eu queria fazer surpresa levando ela na sua casa no dia seguinte.

Voltando a me olhar, agora parecendo bem acordada, ela levanta a mão para acariciar meu rosto e aproveito cada segundo do seu carinho.

            -Vou chamar o médico, tudo bem? Fica acordada?

Ela concordou com a cabeça e levanto dando um beijo em sua testa e saindo rapidamente, mas já no corredor o vejo ao fundo e faço um sinal.

Volto ao lado dela que olhava as flores do Joseph e do Brad e sorria parecendo tranquila agora, então o médico vem e se aproxima sorrindo para ela junto com uma enfermeira que o acompanhava na reação.

            -Nos assustou, Srta. Valentine... Seu namorado não saiu de perto até te ver acordada e bem.

Ela me olhou curiosa e sorriu por entender como eu tinha me apresentado e desvio sem jeito, mas eu precisava ser alguma coisa dela para poder ficar perto... E de qualquer maneira, era como eu me sentia.

Mas agora... Com tudo isso tendo acontecido por minha causa, já não sei mais se eu seria a melhor opção para ela... Mas penso nisso depois.

Olho para o médico que vai até ela a examinando e me aproximo com ela esticando a mão para mim e me apresso a pegá-la. Sento ao seu lado novamente e vejo o cuidado do médico com ela e a enfermeira verifica a papelada dela.

            -Sua voz vai voltar aos poucos, tente não se esforçar muito hoje... Fale quando se sentir melhor.

Ela concordou com a cabeça e ele continuou, mas do nada ela abaixou o olhar e ouvi que seu coração acelerou e o médico a olhou confuso também. Os batimentos aumentaram, ela começou a respirar forte e seus olhos umedeceram e eu levantei.

            -Jill, o que foi?

Ela começou a chorar e quando me aproximei ela agarrou meus braços me olhando assustada aos soluços e o médico se aproximou.

            -Está sentindo alguma coisa, Srta. Valentine?

            -O que foi, Jill?

Perdida em lágrimas e extremamente agoniada, ela coloca uma mão na perna e chora mais desesperada. O médico vai até seus pés parecendo ter entendido e os descobrindo ele pega uma caneta do bolso e passa por sua perna.

            -Está sentindo?

Ela nega com a cabeça e chora mais alto, mais agoniada e desesperada e mesmo assustado, tento acalmá-la.

            -Jill, se acalme, você vai ficar bem!

Seu choro aumenta ao ver o doutor continuar a passar a caneta e provavelmente não sentindo nada, ela se desespera se mexendo parecendo querer levantar e a seguro.

            -Não, não, não... Fique parada.

            -Seda ela!

            -Não! Não, espere!

A enfermeira pega a seringa e mesmo com a Jill agitada, chorando e querendo levantar, eu me aproximo e encosto a testa na dela que aperta meus braços com suas mãos.

            -Se acalme, minha pequena... Por favor, não quero que durma de novo, se acalme.

Ela choramingou para mim parando de se mexer tanto e eu passo meus dedos embaixo de seus olhos limpando as lágrimas.

Não... Ela não pode ficar assim, não pode ficar sem mexer as pernas, por favor. Ela vai sofrer demais.

            -Você vai ficar bem, se acalme...

Ela parou de se mexer tanto e mesmo com o choro baixo, ficou ali mais calma e olhei para a enfermeira que parecia pronta para sedá-la se voltasse a se agitar demais. Olhei o médico que apertou no botão da caneta para a ponta aparecer e continuou ali, então virei para Jill que mantinha seus olhos espremidos.

            -Vai ficar tudo bem.

Abrindo os olhos, ela continuou a chorar até que se assusta dando um salto na cama e olha para baixo e eu a acompanho.

            -Sentiu isso?

Ela concorda para o médico que sorri e segue no outro pé parecendo apertar a caneta e ela dá outro salto, agora deixando o choro de lado e me fazendo sorrir junto com os demais. Ele guarda a caneta e vem para mais perto dela.

           -Foi só pelo trauma... Ficou um tempo em coma e o cérebro pode demorar um pouquinho para voltar a controlar bem o corpo, mas se acalme, você está bem.

Eu sorri e ela me acompanhou agora, então limpei suas lágrimas de seu rosto agora muito aliviado e beijei sua bochecha.

          -Amanhã de manhã faremos os exames necessários para ver se não há nada de errado e se tudo correr bem, depois de alguns dias poderá ir para casa... Talvez só precisará da companhia de muletas por um tempinho, mas se recuperará rapidamente, afinal, teve muita sorte nesse acidente.

            -Posso ficar aqui, doutor?

            -Pode, fique a vontade... Mas deixe ela dormir, precisa descansar porque dormindo se recupera ainda mais rápido.

            -Tudo bem.

            -Qualquer coisa me chame.

            -Obrigado.

Ele saiu com a enfermeira e voltei a ela que me olhava mais calma agora e eu sorri vendo que agora parecia bem acordada.

            -Quer dormir?

Ela nega com a cabeça e beijo sua mão que acaricia novamente meu rosto. Eu fico ali a admirando de olhos abertos e ela sorri de novo para mim enquanto retribuo e continuo a observá-la atentamente.

            -Não faz mais isso comigo... Fiquei maluco.

Sorrindo de novo, acaricio seu rosto onde não há machucados e beijo seu nariz a fazendo rir, então sento na cadeira e ficamos nos olhando e respiro fundo.

            -Quero te contar uma coisa...

Meu sorriso sumiu ao lembrar daquilo, mas quero contar para ela.

            -Eu rompi definitivamente com o Forest.

Ela pareceu surpresa e confusa por um instante, então do nada pareceu triste provavelmente se lembrando do porquê eu faria isso.

            -Foi imperdoável o jeito que ele quase te matou... Quando me contou o que ele fez, eu disse que não queria mais ver ele.

Achando que ela ia ficar feliz, ela discordou e acariciou minha bochecha me deixando sem entender, então continuei.

            -Ficaria orgulhosa de mim, não bati nele...

Ela riu e concordou me dando um sorriso alegre agora e beijei novamente sua mão que ainda me dava carinho.

            -Quer comer alguma coisa?

Quando discordou, olhei ao redor e peguei seu livro onde ela parou então observei que parecia um romance.

            -Quer que eu leia para você?

O sorriso que ela abriu foi glorioso e quando concordou animada eu agradeci de toda a minha alma por eu ter novamente ela comigo.

Puxo o livro para perto e começo a ler em voz alta da página que ela tinha parado e noto que ela fica me observando. Às vezes eu ria e ela me acompanhava, eu beijava sua mão e a mantinha perto do meu rosto enquanto ela usava os dedos para me acariciar e eu me desmanchava em sorrisos.

Até que olho para ela depois de um capítulo e seus olhos estão fechados. Deixo sua mão sobre a cama e ela não se mexe, parecendo ter pego no sono e dou um beijo leve em sua testa, fechando o livro e o deixando de lado.

            -Boa noite, minha pequena... Estarei aqui quando abrir os olhos de novo.

Ela dorme tranquilamente e fico em pé um momento já com dor nas pernas, então a porta se abre e assim que o Barry e a Rebecca surgem, faço um sinal para ficarem quietos. Mas Barry me dá um tapa na nuca e me afasto dele.

            -Falei para nos chamar se ela acordasse!

            -Ah, não liga, Barry... – Rebecca sorriu – O Chris quer a Jill só para ele agora.

Eu ri dela que suspirou ao olhar sorridente para Jill e me olhou com um sorriso menor.

            -Eu preciso ir, tem trabalho amanhã...

            -Putz...

Coloco a mão na cabeça me lembrando desse detalhe... Não posso deixar a Jill sozinha e não posso deixá-la sem mim.

            -Fique aí, tentarei... Bom, tentarei falar com o Wesker.

            -Qualquer coisa me avise.

            -Tudo bem, eu aviso... Quem sabe ele te dá uns dias de folga!

            -Seria muito milagre em menos de um dia, já que veio aqui ontem e assustou o público geral.

            -Ah, ele deve ter um coração batendo debaixo daquele jeito amargo dele! – Rebecca sorri.

            -Não acredite muito nisso... – Eu ri.

            -Vamos torcer!

Barry me deu um tapa leve no ombro e foi para porta com a Rebecca, ambos sorrindo agora.

            -Eu também já vou, precisa de alguma coisa para amanhã?

            -Não, só da Jill acordada.

Os dois riram e se despediram de mim, saindo conversando pelo corredor. Volto até a cadeira e a puxo mais próxima da cama, deitando a cabeça sobre meus braços enquanto segurava sua mão.

Posso tentar tirar um cochilo agora... Ela está bem, minha Jill acordou e já está espoleta de novo e preciso estar bem disposto amanhã para ajudá-la em tudo que for necessário.

Fecho os olhos e a escuridão vem chegando enquanto meu sorriso se perpetua nos lábios ao saber que veria seu sorriso amanhã.

 

...

 

Quando sinto a claridade no quarto levanto a cabeça sentindo uma tremenda dor nas costas e me espreguiço me esticando na cadeira. Levanto e vou ao banheiro do lado, escovo meus dentes e volto ao quarto.

Vou até ela e meus instintos são mais fortes lhe depositando mais um beijo nos lábios sentindo seu calor tendo voltado completamente e a doçura deles estando mais forte que nunca.

Ao me afastar ela abre os olhos e sorri tentado se espreguiçar também e eu rio do jeitinho dela que me acompanha. Eu olho na lateral da cama e vejo os botões de regulagem dela e mexo neles para levantá-la um pouco.

            -Posso subir a cama?

Ela concorda e aperto no botão até ficar um pouco sentada. Ela suspira e olha ao redor parecendo muito melhor agora, sem resquícios de fraqueza e mexe nas rosas ao lado, levantando o braço sem problemas.

            -As rosas são minhas, as outras são do Joseph e Brad.

Sorrindo agora, ela me olha animada e suspira de novo olhando ao redor e sorri apontando para televisão.

Eu vou até lá e a ligo deixando no desenho animado e sorrio ao ver a felicidade dela em assistir aquilo, então volto ao seu lado.

Com nós dois assistindo, uma enfermeira chega com um sorriso deixando o café da manhã dela em uma bandeja suspensa em suas pernas. Jill parece se animar quando começou a comer, mas fez uma careta ao me dar para experimentar o pão... Não tinha muito gosto, mas minha barriga roncou de fome.

            -Não reclame... Mais tarde te trago outra coisa, tudo bem?

Ela concorda e me dá mais um pedaço de pão e como para dar um apoio a ela, mas minha barriga continua a reclamar e a Jill ri quando ela ronca alto.

            -Acho que vou comprar um café... Tudo bem se eu sair um minuto?

Ela concorda e levanto a beijando no rosto e saio rapidamente para o refeitório. Compro um café e um salgado e os engulo depressa até o caminho de volta para ela não ficar com vontade... Antes preciso saber se ela pode comer essas coisas, não quero arriscar em nada.

Entro no quarto e ela assiste a televisão animada e sorri mais ao me ver. Sento ao seu lado novamente e vejo que ainda toma o leite que a enfermeira trouxe.

Continuamos ali uma boa parte da manhã até o médico surgir, fazer mais alguns exames nela e a levar de cadeira de rodas a outra sala para terminar tudo o que precisava. Eu tive que esperar ali e quando voltaram com a minha pequena, eu a ajudei a voltar para cama e mesmo com tudo aquilo acontecendo, ela parecia animada e sempre me fazia sorrir enquanto admirava seu jeito elétrico.

Quando estava na cama, ela coloca a mão na garganta e tosse tentando arrumar a voz e espero para ver se sai alguma coisa.

            -Eu... – Ela parou.

            -Vai com calma.

Ela sorriu e revirou os olhos impaciente, então espero mais um pouco a voz fraca e baixa dela sair.

            -Eu quero saber... – Ela para – Da sua irmã.

Eu ri dela e desviei um minuto antes de encontrar seus olhos fixos em mim.

            -Ela estava aqui até ontem de manhã, queria te ver e explicar tudo... Mas teve que voltar porque está na época de provas finais e eu não queria que se prejudicasse.

            -Me desculpe...

            -Vamos esquecer disso por enquanto...

Eu desviei não querendo me apegar em meus pensamentos ainda fixos de culpa e ao olhá-la, via sua expressão confusa.

            -Por... Por enquanto?

            -Não vamos falar disso.

            -Tudo bem... Que... Que dia é hoje?

            -Segunda-feira.

            -E por que não foi trabalhar?

            -Porque quero ficar aqui.

            -Chris, estou bem... Wesk... Wesker vai comer seu fígado.

            -Vamos ver, Barry vai falar com ele.

            -Ele ainda vai comer seu fígado...

A voz dela era fraca e baixa, mas eu ficava feliz em ver que estava se recuperando.

De meio dia, o almoço dela chegou e eu fui novamente ao refeitório engolir rapidamente alguma coisa e ela ficou assistindo televisão até o médico voltar e examinar as pernas dela que já pareciam melhores. Ela conseguia mexer, mas não tinha força para andar.

À tarde passamos assistindo mais televisão e conversando e a medida em que fazíamos isso, eu notava que sua voz melhorava, mas ela tomava muita água e resmungava quando precisava ir ao banheiro e eu chamava a enfermeira porque ela não queria a minha ajuda para isso. Eu ria.

Depois dos desenhos acabarem, desliguei a televisão e ela pediu para eu voltar a ler o livro para ela porque mesmo melhor, sua vista ainda a deixava tonta em olhar as letras miúdas.

Eu quase acabei um capítulo quando bateram na porta e pessoas alegres chegaram com flores e presentes a fazendo dar um sorriso enorme.

Nossos amigos dos S.T.A.R.S. fora Forest e Wesker entraram e pareceram aliviados em vê-la bem.

            -Olha só, nossa Jill acordou! – Brad praticamente berrou no quarto.

            -Mais baixo, Brad!

Joseph o repreende e Brad o ignora se aproximando da cama com uma caixa de chocolates fazendo a Jill estender os braços, mas a pego antes dela que me olha feio.

            -Antes vamos ver com o médico se pode comer chocolate.

Ela me encarou tão feio que os outros riram e mostrei a língua para ela a fazendo rir agora, então os demais se aproximaram entregando flores e mais doces que eu pegava e deixava tudo ao lado levando encaradas feias dela.

            -Nossa, como é bom te ver bem, Jill... Nos deu um baita susto.

            -Não vão se livrar de mim tão fácil!

Todos sorriram e ela olhou entre eles e me olhou de canto agora sorrindo.

            -Cadê o Forest?

Eles se entreolharam e a encarei sem entender sua pergunta.

            -Ele quase me mata e não aparece nem para ver que eu acordei?

Ela ri e os outros sorriem, mas eu desvio sabendo que ela estava fazendo de propósito por causa do que contei a ela.

            -Ele não veio, mas ficou feliz em saber que acordou e está se recuperando. – Richard disse.

            -Então diga para ele para criar vergonha na cara e vir me ver porque quero falar com ele.

Ela sorria como se realmente estivesse sendo sincera, mas não quis discutir com ela, então olhei para o Barry.

            -E o Wesker?

            -Ah, sim... Bom, ele te ofereceu três opções.

            -Nossa, é uma evolução.

            -Ele disse que ou você volta a trabalhar sem reclamar, ou pede demissão...

            -E a terceira?

            -Você fica com a Jill, mas terá o dobro de trabalho para fazer e entregar todos os dias.

            -Legal, quero essa...

            -Imaginei, eu já trouxe tudo, está no carro.

Os demais riram e vi a expressão de desaprovação no rosto da Jill e desviei discordando do que eu já sabia que ia falar.

            -Nem tente me fazer mudar de ideia.

            -Eu estou bem!

            -E vai ficar melhor...

            -Ficaria se fosse trabalhar direito.

            -Não discuta comigo, já está decidido.

           -Para que ter mais trabalho? Ao invés de ficar comigo, vai ficar ao lado trabalhando! Se for para delegacia pelo menos a noite estará livre!

            -Posso estar trabalhando, mas ficarei aqui...

            -Assim não me fará melhorar, só me deixará mais agoniada.

            -Vai superar.

            -Vocês parecem um casal de velhos! – Kenneth disse.

Os demais riram as nossas custas e acompanhamos, então Brad bateu as palmas chamando nossa atenção.

            -O Luck’s vendeu o bar!

            -O quê?

            -Nos assustamos também, mas continuará aberto, vendeu para o irmão dele.

            -Menos mal... – Eu ri.

            -Agora é J’s bar.

            -Mais prático... – Jill ri.

           -Com certeza... Mas o que importa é que não fecharão nosso ponto de encontro e vê se melhora logo Jill! E puxa, soube que contrataram umas garçonetes novas...

Ele piscou para nós e ajeitou a jaqueta fazendo os demais rirem e pegarem no pé dele, mas os papos continuaram.

Fiquei feliz em ver que a Jill estava animada com eles que comemoravam a cada dez minutos dando aplausos a ela que se desmanchava em sorrisos. Eu a admirava o tempo todo.

Barry me trouxe as papeladas e disse que Wesker não me daria o mês todo de “folga” e mesmo mandando os relatórios, seria descontado das minhas férias. Eu não me importei, pelo contrário, vindo dele fiquei até grato.

Quando foram embora a Jill já estava abrindo a boca de sono e abaixei a cama dela que olhava contente para o teto.

            -Está feliz?

            -Estou... Mas quero sair logo daqui.

            -Então sairá.

Ela sorriu parecendo exausta, afinal, não descansou a tarde como o médico havia sugerido e essa agitação toda de agora já a fazia ficar com os olhos murchos em plenas oito horas da noite.

            -Amanhã vai me acordar com um beijo de novo?

            -Está parecendo a Bela Adormecida.

            -E você meu príncipe encantado... Posso me acostumar com isso.

            -Faço o que quiser para melhorar.

            -Podia me dar um de boa noite...

Ela sorri e meu coração se aperta ao me lembrar da quase morte dela e minha consciência ainda se declarando culpada pesa em mim, mas desvio.

Me aproximo e coloco meus lábios nos dela, sem mover, apenas um beijo simples e um pouco mais demorado a deixando acariciar meus cabelos daquele jeitinho que só ela faz.

Quando me afasto ela sorri e fecha os olhos parecendo contente e beijo sua testa antes de ir para o sofá.

            -Durma bem, minha pequena.

            -Durma bem, meu príncipe encantado...

            -Bela Adormecida.

Nós rimos e ela respirou fundo tentando dormir e fui para o sofá abrir a trabalheira que eu teria para noite, mas meus pensamentos voaram.

Se eu tivesse contado a verdade para ela, nada disso teria acontecido... Forest é o culpado, mas não posso me enganar dizendo que não tive minha parcela de culpa também.

Que droga... Jill, me perdoe.

Apesar do meu peito se remoer com meu coração dolorido ao pensar nisso, minha consciência novamente traz à tona a pergunta “será que realmente sou o melhor para ela?”.

Espremo os olhos com minha culpa me punindo por ela não poder estar feliz em pé, longe daqui e minha resposta chega de maneira amarga e cruel... “É evidente que não”.

Desvio meu pensamento daquilo e me foco no trabalho tentando tirar aquilo da cabeça, afinal, agora ela precisa de mim e vou ajuda-la até estar completamente recuperada e bem em casa, como antes, ao normal.

Depois... Depois disso... Depois eu vejo o que eu faço. Mas não quero estressá-la agora, precisa de mim. E por enquanto não tocarei no assunto.

 

...

 

Os dias se passaram... E ela progredia rapidamente, já conseguindo andar com as muletas e quando o médico permitiu que comece os chocolates, foi só alegria. Ela devorava tudo que via pela frente e sempre me pedia para buscar alguma coisa no refeitório para ela e como o médico já havia liberado, eu obedecia.

Nossos amigos vinham todas as noites sempre trazendo mais alguma coisa para ela que se animava mais, embora reclamasse o tempo todo que não aguentava mais aquele hospital.

Eu fazia os relatórios quando ela pegava no sono e embora eu estivesse dormindo mal e comendo pior ainda, eu conseguia disfarçar, mas sentia uma falta tremenda da minha cama grande e confortável... E ainda mais de passar uma noite inteira jogado nela.

Mas não, eu ficava lá com a Jill, o dia todo. Apenas saia para tomar um banho e já voltava, ela precisava de mim.

Seus sorrisos eram minha fonte de energia e por mais que se recuperasse bem, minha mágoa comigo mesmo me trazia à tona pensamentos amargos sobre nosso futuro juntos... “Juntos”, essa era a questão.

Eu não me prendia nisso, porque estava focado em ajudá-la, mas de qualquer forma tentava não ficar muito grudado com ela. Assistíamos, brincávamos, ríamos e ficávamos juntos o tempo todo, mas de mãos dadas. A presença um do outro já bastava por enquanto, então eu só a beijava quando via que ela queria e mesmo com a minha boca muitas vezes seca para fazer isso, eu desviava.

Não sei o que será daqui para frente... Apenas sei que vou devolver a vida normal dela.

O médico parecia cada vez mais contente com o progresso dela que já conseguia caminhar bem com as muletas e tinha aprendido a me acertar com elas quando eu fazia alguma piada.

Mas quando o doutor veio em uma manhã dizendo que ela receberia alta, o sorriso dela foi estonteante me deixando feliz também.

Depois de assinar toda a papelada, ela colocou um dos vestidos que eu trouxe para ela e fica pronta com um sorriso no rosto para eu levá-la para casa. Assim que ele voltou com tudo pronto, a Jill saltou da cama e fomos para meu carro comigo o tempo todo olhando para estar pronto se ela escorregasse ou se perdesse nas muletas, mas ela dominava bem aquilo.

            -Nem acredito que vou para minha casa!

            -É isso aí, vamos lá...

            -Ah, que saudade das minhas coisas e meu carrinho, coitadinho dele.

Quando contei para ela da perda total do carro ela se entristeceu, mas deu a resposta mais espontânea possível “antes ele do que eu”.

Ao estacionar na frente da casa dela, sua animação era imensa e quando peguei suas coisas no porta-malas já a vi indo para varanda e só ri em ver sua ansiedade em estar de volta em casa.

 

* * * Jill * * *

 

Eu me ajeito em frente a porta da minha casa e coloco a chave na fechadura, ouvindo aquele lindo som de entrada da minha porta.

Quando entro sinto o cheirinho da minha casa e sinto o resto das minhas energias voltar para mim e meu sorriso é inevitável.

Estou de volta!


Notas Finais


Jill está de volta \o/ \o/ \o/
Agora sim, o bicho vai pegar muahaha!!!
Espero que tenham gostado *--*
Até a próxima!
Bjooon :-)


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