História Senhor Destino - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 4.192
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo I


Julho de 2014

Eu era uma garota normal, estrutura óssea e tamanho razoável, cabelos negros e olhos azuis-escuros que realmente chamavam atenção e, o que muitos diziam, um lindo sorriso estampado no rosto, que falavam que ia de orelha a orelha. Eu era uma pessoa comum com uma vida comum, pensamentos comuns e objetivos comuns, resumindo, nada diferente ou empolgante acontecia, meu nome não seria muito conhecido e com o tempo as pessoas iriam se esquecer dele e de mim, porém eu tinha pessoas que me amavam e que em momento nenhum me abandonaram e eu sou muito grata até hoje por isso.

Quando eu era um bebê minha mãe morreu em um acidente de avião, desde então moro com meus tios, Mirian e Horlando. Mirian era irmã de minha mãe, os cabelos castanhos e macios emolduravam seu rosto gentil e seus olhos verdes sempre brilhavam inteligentes, acolhedores e simpáticos já Horlando era um advogado muito bem-sucedido seus cabelos loiros e olhos também verdes lhe davam um ar de galã, mas ele era bem sério, só estraga aquele rostinho bonito, porém sua pose de durão só existia durante o trabalho mesmo, porque em casa ele era um ótimo pai de família super animado e brincalhão, às vezes ele parecia um colegial, ficava mais irresponsável que eu, sinceramente era meio ruim, me fazia parecer uma velha.

Antes de casar-se com Mirian, Horlando tinha uma mulher e com ela teve um filho, Felipe. Mas infelizmente o casamento não deu certo e eles se separaram, pouco tempo depois Felipe veio morar com ele por escolha própria, mas ele sempre ia visitar a mãe. O que acho interessante é que Mirian o trata como filho e não parece se importar com o detalhe dele ser a prova viva que Horlando já esteve com outra mulher. “Ele não está mais com ela, eu que sai ganhando, tenho você e ele como meus filhos." Falava.

Morávamos em um apartamento de frente para o mar em Florianópolis, era grande e nos proporcionava uma vista belissíma do nascer e pôr-do-sol. Uma das coisas mais lindas do condomínio eram as tulipas vermelhas no jardim da frente, e outra coisa boa: havia piscina no térreo e a vista era para o mar, eu amava aquele lugar.

Eu e Felipe nos dávamos muito bem, sempre brincávamos quando pequenos, e ele só era um ano mais velho que eu, e sim, eu era a caçulinha da família.

Felipe era uma versão mais nova de Horlando com os cabelos loiros até os ombros e incrivelmente macios e cheirosos e os olhos de seu pai. Assim como o pai tinha um sorriso magnifico e era gigante, eu batia em seu ombro e me sentia uma nanica com meus um metro e meio. A família toda era sorridente e feliz, nos divertíamos e riamos muito, éramos o que chamavam de; uma “família perfeita”.

Durante toda a minha vida eu sempre quis conhecer minha mãe, sempre tive saudade dela, porém só tinha retratos e algumas histórias que Mirian contava. Melissa era o seu nome, era modelo, tinha cabelos negros, seus olhos eram verdes e pele branca como a neve e seu rosto tinha traços delicados, era uma mulher muito linda! Ela estava voltando de um desfile que fizera em Londres quando o avião caiu no mar me impossibilitando de conhece-la.

Também nunca conheci meu pai, Mirian dizia que seu nome era Paulo e que mexia com drogas e roubava, o que me fazia pensar no que levou minha mãe a se apaixonar por ele, mas Mirian disse também que sou muito parecida com ele, principalmente os olhos azuis-escuros que são idênticos. Meu pai nunca me procurou, então eu não iria procurar por ele, porque sabia que iria me decepcionar, então deixei esse papel de pai para Horlando, que ocupou muito bem o cargo sendo um pai presente e atencioso.

Ao longo do tempo fiz muitos amigos no colégio e por sorte estudava na mesma sala que Felipe, o azarado entrara um ano atrasado. Tínhamos nosso grupinho, sentávamos juntos no almoço, fazíamos trabalhos juntos e tudo mais.

Nosso grupinho era resumido a cinco pessoas, May era a amiga com quem eu mais conversava e minha única amiga mulher, éramos muito apegadas, ela era ruiva e tinha os olhos azuis-claros o que por sinal a tornava parecidíssima com America, protagonista da série A Seleção que eu amava muito. No grupo ela era a que entendia de moda, sempre com calças rasgadas nos joelhos e muito dentro da moda, inclusive, quando eu ia fazer compras tinha que leva-la para me ajudar se não ficaria parecendo uma senhora dos anos oitenta, mas May também não era o que se chamava de patricinha.

Já Lucas era o safado da turma, sempre com suas cantadas ruins e as calças caindo. Ele era muito divertido e pegava geral, até que depois de um tempo sossegou e ficou tentando fazer com que suas cantadas ruins funcionassem com a May. Ele tinha os cabelos castanhos rebeldes, um dia estava de um jeito, outro de outro, eu amava aquele cabelo, olhos cor-de-mel e um sorriso que fazia qualquer uma cair a seus pés, menos eu e May que já o conhecia.

Guilherme era normal e encantador, sempre com seus fones escutando um rock agitado, seus cabelos eram pretos e tinha os olhos cor de purpura meio azul tipo Daniel Grigori da série Fallen, era uma cor muito rara que encantava a todos. Ele era muito educado e reservado, conversava de menos e escutava suas músicas agitadas demais, porém quando ele estava conosco sempre se soltava, acho que com a gente ele podia ser alguém mais sossegado do que com outras pessoas. E outra coisa, ele me entendia, me aconselhava e tudo mais.

Por último, porém não menos importante, meu querido primo/irmão Felipe! Ele era o engraçadão do grupo, sempre feliz e com um sorriso escancarado no rosto, sempre indo de orelha a orelha. Parecia que ele estava sempre feliz, que seu mundo sempre era colorido e divertido, as sete maravilhas. Meu irmão nunca parecia triste. Se juntasse ele e Lucas você podia se preparar para horas e horas de conversa e muitas gargalhadas. Ele também era minha “biblioteca particular”, no quarto dele havia um monte de livros de autores muito bons como Jonh Green, Nicholas Sparks entre outros e eu só comecei a ler por causa dele. Felipe também tocava violão e por incrível que pareça ele arrasava, tocou muitas vezes em aberturas de shows, mas ele tocava mais para mim, dizia que tinha muita vergonha.

O que me incomodava era que sempre sabendo quem é quem na nossa rodinha de amigos nunca pude saber quem sou eu dentro dela, cada um tinha alguma coisa que o deixava diferente, mas eu? Eu era um pouco de tudo, um pouco engraçada, um pouco quieta, um pouco safada, um pouco tagarela, de tudo eu era um pouco então acho que para eles eu era a normal. Talvez eu seja a fotografa da rodinha, eu sempre gostei de fotos, sempre soube as posições e ângulos, eu tinha feito um álbum cheio de fotos com meus amigos e família, eu manjava muito de fotografia. Gostava de guardar os momentos e de preservar os sorrisos, na foto eles existiriam para sempre.

Era 11 de julho, sexta, faltava um dia para o meu aniversário de dezessete anos, meus amigos já estavam mais animados que eu, queriam fazer algo surpreendente para mim. Nunca me importei com presentes no meu aniversário, só de saber que tantas pessoas se importavam e se lembravam dessa data especial já estava ótimo para mim. 

Estávamos sentados na área de almoço do colégio, longe da mesa em que estavam os meninos do time de futebol, às vezes nossos meninos trocavam olhares ameaçadores com eles e até se alfinetavam, pois Guilherme, Felipe e Lucas haviam arrumado briga com eles ano passado por causa que um dos meninos haviam tentado agarrar May e os nossos garotos mandaram bem, botaram os otários para correr.

_ Bela, o que quer de presente? – Perguntou Guilherme enquanto eu estava distraída olhando para o nada. Voltei meus olhos para ele e nem pensei muito na resposta, falava à mesma coisa todo ano.

_ Algo que seja representativo, não precisa ser caro nem grande, só precisa ter um significado importante! – Disse eu saindo do meu transe e olhando nos olhos dele.

_ Bela filosofando! – Disse Lucas tirando onda com a minha cara.

_ Não enche se não conto para May que você quer dar uns pega nela e que está caidinho por ela, só falta babar. – Respondi rindo da cara de desesperado que ele fez, felizmente para ele e infelizmente para mim, May havia saído para comprar algo então só estávamos nós quatro na mesa.

_Sinto lhe informar Bela, mas isso já esta obvio! - Felipe disse sorrindo sacana para Lucas.

_ Calem a boca! – Respondeu carrancudo.

Lucas sempre foi apaixonado pela May e ela também, mas os dois nunca saíram ou souberam disso o que me irritava, porém logo eu iria juntar eles. Pagar de cupido podia ter suas vantagens.

_ Vamos numa balada no centro da cidade para comemorar o aniversário de Bela? É uma balada bem popular e muito divertida, acho que vocês irão gostar! – Disse Guilherme.

_ Acho uma boa ideia. – Respondi.

_ Também acho! – Disse Felipe. – Bela vai comigo na CBR. –  " Hein? Cadê a minha opção de escolha?"  pensei, mas resolvi deixar para lá. Eu queria ir com ele mesmo.

_ May, vem comigo na CTX? – CTX era a preciosidade de Guilherme, uma moto para quem não sabe.

_ Claro! – Respondeu ela chegando com uma lata de refrigerante. Seus cabelos ruivos estavam presos e tinham alguns fios soltos, notei Lucas a encarando e ela também o notou, pois logo piscou para ele divertida.

_Ninguém vai comigo? Nossa, fiquei chateado com isso. - Disse Lucas fingindo estar triste.

O resto do dia foi normal, ficamos horas e horas escutando os professores falando sobre matemática, biologia etc. Nos concentramos bastante, apesar de zoeiros éramos estudiosos.

O dia seguinte foi um sábado, meu aniversário, fui acordada com um “Feliz aniversário” sendo gritado alto pela minha família. Abri os olhos e me deparei com todos no meu quarto com presentes na mão.

_ Bom dia! – Falei meio sonolenta.

_ Feliz aniversário querida! – Disse minha mãe me entregando um embrulho, eu sempre chamava Mirian de mãe.

_ Obrigada mãe! – Respondi e abri o presente, era um vestido azul que ia até um pouco acima do joelho.

_ Esse é meu e de seu pai! – Disse ela e eu estendi os braços para pegar o próximo embrulho.

_ Obrigada também pai! – Agradeci e ele veio na minha direção, me deu um abraço e me desejou feliz aniversário.

_ Minha vez! – Exclamou Felipe. – Espero que você goste! – Disse me entregando o presente. Dessa vez estava dentro de uma caixinha pequena e vermelha, sorri ao ver que era um lindo colar com um pingente sendo em forma de uma câmera.

_ Obrigada Feh, você acertou nesse presente! - Falei e sorri mais ainda.

_ Eu sabia que você iria gostar! - respondeu.

– Obrigada a todos vocês! – Disse com um pouco de lágrima nos olhos, senti minha vista embaçando. Não por ter ganhado os presentes, mas por sentir falta de um. Eu sempre imaginava como seria se a minha mãe estivesse comigo no meu aniversário.

_ Não chore minha princesa! – Mirian disse se sentando na cama e me abraçando. – Ela te daria muitas coisas e muitos beijos em você se estivesse aqui. – Apertei-a mais quando ela disse aquilo, ela realmente me entendia. Eu sentia tanta saudade de minha mãe e não podia fazer nada além de olhar retratos.

_ Eu sei! - Respondi, aos poucos parei de lagrimejar e Mirian me soltou, seus olhos me avaliaram por um tempo e quando se deu por vencida falou;

_ Bom, se arrume e vá para a varanda para tomarmos café! – Ela se retirou junto de Horlando, Felipe ficou. Nos finais de semana ou em datas comemorativas fazíamos as refeiçoes na varanda, era aconchegante.

Ele sentou-se na cama me abraçou e começou a fazer carinho nos meus cabelos me confortando.

_ Entendo seu sofrimento, porém agora você tem a nós e estaremos sempre ao seu lado! – Disse dando um beijo no topo de minha cabeça. - Minha baixinha, está ficando velha rápido hein? - Caçoou.

_ Engraçadinho! – Respondi limpando as lágrimas e levantando da cama com um sorriso pois sabia que minha mãe não queria me ver chorar. – Agora sai que eu vou me trocar! Vaza! – Disse brincando.

_ Educada como uma porta! Hã... Porta não se ofenda com isso. – Tirou com a minha cara.

- Engraçadinho de novo! – Falei e ele se retirou.

Me arrumei e desci, tomamos café e ajudamos a limpar a mesa. Arrumamos tudo e depois eu e Felipe subimos ao meu quarto para assistir uns filmes e séries.

Passamos o dia inteiro assistindo filmes e séries no meu quarto, Mirian e Horlando foram ao shopping dar uma saída, coisa de casal. Todo sábado era assim, eu e Felipe ficava em casa assistindo TV e eles vazavam para namorar, espertinhos não?

Eu e Felipe sempre tivemos uma relação boa, ele me protegia de tudo e de todos e era muito ciumento, sempre me ajudava no que podia, assistia séries comigo, indicava livros, me ensinava a jogar videogame, me ensinava a nadar, essas coisas. Eu não viveria sem ele, eu o amava demais, precisava dele, assim como ele precisava de mim.

O resto do dia passou muito rápido, quando me dei conta já estava me arrumando para ir na balada. Resolvi vestir o vestido azul que Mirian havia me dado de manhã, e o que Felipe me dera.

_ Vamos Bela? – Perguntou Felipe abrindo a porta do quarto já pronto, ele estava com uma calça jeans preta, um coturno e uma camiseta social azul bem escuro, combinando com meu vestido.

_ Nossa, tá chique hein, me ajude aqui! – Disse virando de costas para ele erguer o zíper do vestido.

_ Esse vestido ficou lindo em você!

_ Obrigada! – Corei

_ Vamos então?

_ Vamos! - Coloquei os sapatos e acompanhei Felipe até a porta.

Quando passei pela sala Miriam me viu, estava sentada no sofá lendo uma revista, ela se levantou e veio até eu. Me abraçou e seus olhos se enxeram d'água.

_Você cresceu tão rápido Bela, já é uma mulher! - Disse sorrindo. Lembrei de muitas coisas que Miriam havia me ensinado. Quando virei mocinha ela me ensinou o que eu devia fazer, ela me dava os remédios para cólica, também tivemos a famosa "conversa". Ela ocupou o papel de mãe muito bem, eu a amava intensamente. O mesmo servia para Horlando. - Só não te dou um spray de pimenta porque Felipe está cuidando de você. Bom, não vou mais atrasar vocês, vão com Deus e se cuidem! - Pausa - Ah, Felipe, não fique com ciúmes, mamãe te ama também! - Brincou.

_Eu sei mamãe, eu sou o favorito! - Gabou-se Felipe.

_Isibido! - Exclamei e então descemos para a garagem. 

Subimos na CBR e logo eu senti a brisa fria da noite gelar minhas pernas e braços expostos. Abracei Felipe e em alguns minutos já estávamos em frente à boate. Lá encontramos todo mundo, muito bem vestidos e todos haviam trazido algum presente, eu pedi para abrir só mais tarde e todos assentiram, entramos na boate para começar nossa “noite inesquecível”

Eram dez horas da noite quando chegamos e a boate já estava quase lotada. O DJ era muito bom, tocou músicas de todos os estilos e quando começou a tocar uma música lenta para os “casaizinhos” Guilherme me chamou para dançar.

Encostei minha cabeça em seu peito, fechei os olhos e me deixei levar pela música. Quando a música acabou Guilherme me deu um beijo na bochecha e me abraçou, correspondi ao gesto, significava que ele tinha carinho por mim.

Em seguida uma música agitada começou a tocar e todos vieram dançar, menos Felipe.

_ O que foi Feh? – Perguntei a Felipe me sentando ao seu lado, ele parecia estar bravo.

_ Nada, Bela! – Respondeu seco.

_ Uau, o que aconteceu com você? É meu aniversário e eu não admito ninguém ficar de TPM, só eu! - Brinquei.

_ Bela, vai dançar vai! – Esnobou-me.

_ Eita isso tudo é mal humor? Vem dançar comigo? – Ele respirou fundo fazendo de conta que não queria. E encarou o vazio a sua frente, sorri e bati o pé no chão feito uma criança.– Não aceito não como resposta! - Ele parecia aquelas crianças birrentas.

_ Aff, ok!

Dançamos muito juntos, só ele e eu, depois nos juntamos aos outros e fizemos uma rodinha no meio da pista e ficamos lá de boa, o mal humor de Felipe foi passando e ele passou a exibir o sorriso que eu tanto admirava.

Foi uma noite perfeita, demos risadas juntos, brincamos juntos e bebemos juntos. Lá pelas quatro horas da manhã a boate começou a esvaziar e então eu comecei a abrir os presentes.

May havia me dado uma bolsa bege muito chique. Lucas me deu uma câmera profissional, eu era apaixonada por fotografia, mas nunca havia comprado uma câmera profissional, só as mais simples.

_ Agora sim as fotos do álbum vão ficar bonitas! - Comentei.

Guilherme me deu um lindo anel com pedrinhas de cristal bem delicado, ficou perfeito no meu dedo. Amei os presentes que todos me deram e fui dando abraços neles. Depois dos abraços tirei umas trocentas fotos que ficaram lindas.

Ficamos mais um pouco na boate e logo fomos embora, May estava cansada e praticamente obrigou Lucas a carregá-la de cavalinho, mas ele bem que gostou, no fim foi uma bela noite e eu estava morrendo de sono, cheguei em casa e capotei na cama só fui acordar no outro dia quase uma hora da tarde, felizmente não bebi muito então não tive ressaca.

O domingo também foi outro dia bom, chamei o pessoal para vir em casa para ficarmos na piscina do prédio, vieram todos. Foi divertido, Lucas não tirou os olhos da May e ela só curtiu o momento. Aproveitei e combinei com Guilherme de fazermos o trabalho de geografia naquela noite pois era para segunda-feira. Foi escurecendo e todos foram embora, arrumamos tudo e subimos para o apartamento, me arrumei para ir fazer o trabalho na casa de Guilherme. Por que ele não pode ficar na minha.

_ Feh, posso pegar sua moto para ir fazer o trabalho lá na casa do Guilherme? – Perguntei a Felipe abrindo a porta do quarto e vendo ele com os olhos fixado na tela da tv. - Nem me chama para jogar uma partida seu chato, já sabe que vai perder né? Covarde – Irritei ele.

_ Haha, até parece que eu iria perder para você! – Brincou – Pode pegar a moto, a chave está no balcão da cozinha, quer que eu vá com você?

_ Não precisa, daqui mais ou menos uma hora estou de volta! – Dei-lhe um beijo na bochecha.

_Cuidado com os policiais, corta caminho e ande na velocidade mínima! - Recomendou.

_Ok, pai!

_Eu só quero seu bem Bela!

_Eu sei, e eu te amo! - Dei outro beijo em sua bochecha.

_Também! - E sai.

Eram nove horas da noite quando peguei a chave da moto e fui para a garagem, liguei a moto e fui em direção a casa de Guilherme, eu não iria demorar muito então umas dez horas voltaria para casa. Guilherme morava um pouco longe, uns nove quilômetros de distância. A casa dele era uma casa comum, ele morava com os pais e o avô, cheguei e interfonei.

_ Olá Bela, entre! – Disse apontando as mãos para dentro da casa. – Meus pais foram fazer uma viagem esse final de semana e meu avô está na casa da tia Helena, fique à vontade!

_ Ok!

_ Venha, vamos fazer o trabalho aqui no meu quarto!

O quarto dele estava uma bagunça, cheio de pôsteres de séries e filmes e lógico um skate no canto, era pintado de azul bem escuro, seria lindo e aconchegante se estivesse bem arrumado, mas não me importei.

_ Vamos começar pelo mapa, eu desenho você escreve! – Disse ele.

_ Está bem, vamos começar logo!

Ele desenhou o mapa e eu escrevi a redação, em uma hora terminamos.

_ Terminamos! – Exclamei.

_ É, aleluia. – Pausa – Bela, posso te dar mais um presente?

_ Claro!

Eu estava escorada na mesa e ele sentado na cama, ele levantou e veio em minha direção, colocou uma das mãos na minha nuca e a outra na minha cintura e me beijou, fiquei surpresa com o gesto, mas logo retribui, era meu primeiro beijo. Ele me deitou na cama, o beijo dele era uma droga para mim e a única coisa que eu fiz foi ser conduzida. 

Aquela noite mudou a minha vida, eu não estava preparada para aquilo, agi por impulso. Estávamos deitados na cama, eu estava com a cabeça em seu abdômen quando me levantei, tudo tinha vindo à tona, minha irresponsabilidade, e se eu ficasse grávida?!

_ Aonde você vai? – Perguntou-me.

_ Para casa. – Disse a ele me vestindo.

_ Não posso deixar você sair a essa hora, sinto muito se você não gostou disso, mas eu amei.

_ Guilherme, eu também gostei, mas acho que foi um erro! Eu não estava preparada para isso, sinto muito! – Respondi e isso pareceu lhe decepcionar.

_ A culpa foi minha, eu não devia ter te beijado, desculpe!

_ Não precisa pedir desculpa. – Sentei na cama já com minha calça jeans e minha blusa. – O que tá feito, tá feito.

_ Ok, mas eu não posso deixar você ir embora a essa hora, fique aqui até amanhecer.

_ Não posso Guilherme, preciso ir para casa. – Disse a ele me levantando para pegar a chave da moto e fui em direção a saída.

_ Por favor Bela! – Disse ele quando coloquei o capacete e subi na moto.

_ Sinto muito!

_ Me ligue logo que chegar então.

_ Ok! – Liguei a moto e sai.

Dirigindo em direção a minha casa comecei a pensar nas consequências desse meu ato impulsivo, eu poderia estar grávida e eu nunca mais teria a mesma relação com Guilherme, como contaria isso a Felipe? Eu não posso esconder nada dele nem ele de mim, fizemos uma promessa quando tínhamos doze anos e eu nunca a havia quebrado.

Meus olhos começaram a lagrimejar e eu não conseguia ver direito a pista, os sinais e as placas começaram a ser só borrões diante de meus olhos, parei a moto, me recompus e segui o caminho.

Cheguei em casa com meus olhos cheios d'água, coloquei a chave da moto em cima do balcão e fui indo em direção ao meu quarto.

_Porque demorou tanto? - Escutei a voz de Felipe vindo da sala, me virei e vi ele sentado no sofá. Sua voz soava reprovadora, ele se levantou e veio até a mim, mas quando viu que eu estava chorando sua pose de durão caiu. - Bela, porque está chorando? O que aconteceu? - Perguntou me abraçando.

_Ah, Feh eu sinto muito. - Disse com voz de choro.

_O que aconteceu? Ele te agrediu? - Me encarou. - Vamos conversar no seu quarto e quero que você me diga a verdade! - Dessa vez sua voz foi firme.

Fomos para o meu quarto, Felipe pegou meu pijama e me deu.

_Tome um banho, esperarei você aqui. - Disse sentando-se na cama.

Tomei um banho ainda chorando, eu sabia que  ia contar tudo a Felipe mas estava envergonhada, estava me sentindo suja. Não que eu tenha nojo ou qualquer sentimento ruim em relação a Guilherme, pelo contrário eu o amo como um irmão, ou talvez eu estava enganada.  Terminei o banho, me vesti e sai do banheiro (mais um motivo para mim amar o apartamento, cada quarto tinha um banheiro e eu necessito de ter meu próprio banheiro) e sentei na cama ao lado de Felipe.

_E então - Ele ergueu uma sobrancelha, eu já havia parado de chorar mais sentia meu rosto inchado. - O que aconteceu?

_Eu... Eu dormi com Guilherme! - Disse baixinho e de cabeça baixa.

_Você o quê? - Ele exclamou exaltado. - Vocês transaram? Foi isso que eu ouvi Bela? - Ele me olhou furioso, afirmei ainda de cabeça baixa. - Eu vou matar aquele desgraçado! - Gritou e foi indo em direção a porta, mas eu fiquei na frente dele.

_Não Felipe, eu quis também. O culpado não foi só ele. - Disse encarando.

_Eu não acredito no que eu estou ouvindo Isabela, você fez isso porque quis? Perdeu sua virgindade com um cara que você nem sabe se gosta ou não? - Perguntou incrédulo e eu afirmei com a cabeça. Ele me olhou de um jeito estranho, de um jeito que ele nunca havia olhado. - Eu tenho nojo de você! - Disse amargo, aquelas palavras foram como facadas no meu coração, as lágrimas rolaram e ele saiu do quarto deixando uma Isabela destroçada. 

Fui para a cama e chorei, chorei muito, até que adormeci.


Notas Finais




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