História Senhor Destino - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 6.086
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 1 - Fase um


2012

Eu era uma garota normal, estrutura óssea e tamanho razoável, cabelos negros e olhos azul-escuros que realmente chamavam atenção e, o que muitos diziam, um lindo sorriso estampado no rosto, que falavam que ia de orelha a orelha. Eu era uma pessoa comum com uma vida comum, pensamentos comuns e objetivos comuns, resumindo, nada diferente ou empolgante acontecia, meu nome não seria muito conhecido e com o tempo as pessoas iriam se esquecer dele e de mim, porém eu tinha pessoas que me amavam e que em momento nenhum me abandonariam e eu sou muito grata até hoje por isso.

Quando eu era um bebê minha mãe morreu em um acidente de avião, desde então moro com meus tios, Mirian e Horlando. Mirian era irmã de minha mãe, os cabelos negros e macios emolduravam seu rosto gentil e seus olhos verdes sempre brilhavam inteligentes, acolhedores e simpáticos já Horlando era um advogado muito bem-sucedido seus cabelos loiros e olhos também verdes lhe davam um ar de galã, mas ele era bem sério, só estraga aquele rostinho bonito, porém sua pose de durão só existia durante o trabalho mesmo, porque em casa ele era um ótimo pai de família super animado e brincalhão, às vezes ele parecia um colegial, ficava mais irresponsável que eu, sinceramente era meio ruim, me fazia parecer uma velha.

Antes de casar-se com Mirian, Horlando tinha uma mulher e com ela teve um filho, Felipe. Mas infelizmente o casamento não deu certo e eles se separaram, pouco tempo depois Felipe veio morar com ele por escolha própria, mas ele sempre ia visitar a mãe. O que acho interessante é que Mirian o trata como filho e não parece se importar com o detalhe dele ser a prova viva que Horlando já esteve com outra mulher. “Ele não está mais com ela, eu que sai ganhando, tenho você e ele como meus filhos." Falava.

Morávamos em um bairro nobre de Nova York, numa casa bege de dois andares com imensos jardins na frente e atrás da casa com diversas flores, mas tinha em mais abundancia as tulipas vermelhas que eram as que eu mais amava e o mais legal: a piscina.

Eu e Felipe nos dávamos muito bem, sempre brincávamos quando pequenos, e ele só era um ano mais velho que eu, e sim, eu era a caçulinha da família.

Felipe era uma versão mais nova de Horlando com os cabelos loiros até os ombros e incrivelmente macios e cheirosos e os olhos de seu pai. Assim como o pai tinha um sorriso magnifico e era gigante, eu batia em seu ombro e me sentia uma nanica com meus um metro e meio. A família toda era sorridente e feliz, nos divertíamos e riamos muito, éramos o que chamavam de; uma “família perfeita”.

Durante toda a minha vida eu sempre quis conhecer minha mãe, sempre tive saudade dela, porém só tinha retratos e algumas histórias que Mirian contava. Melissa era o seu nome, era modelo, tinha cabelos negros que emolduravam seu rosto, seus olhos eram verdes e pele branca como a neve e seu rosto tinha traços delicados, era uma mulher muito linda! Ela estava voltando de um desfile que fizera no Brasil quando o avião caiu no mar me impossibilitando de conhece-la.

Também nunca conheci meu pai, Mirian dizia que seu nome era Paulo e que mexia com drogas e roubava, o que me fazia pensar no que levou minha mãe a se apaixonar por ele, mas Mírian disse também que sou muito parecida com ele, principalmente os olhos azul-escuros que são idênticos. Meu pai nunca me procurou, então eu não iria procurar por ele, porque sabia que iria me decepcionar, então deixei esse papel de pai para o Horlando, que ocupou muito bem o cargo sendo um pai presente e atencioso.

Ao longo do tempo fiz muitos amigos no colégio e por sorte estudava na mesma sala que Felipe, o azarado entrara um ano atrasado. Tínhamos nosso grupinho, sentávamos juntos no almoço, fazíamos trabalhos juntos e tudo mais.

Nosso grupinho era resumido a cinco pessoas, May era a amiga com quem eu mais conversava e minha única amiga mulher, éramos muito apegadas, ela era ruiva e tinha os olhos azul-claros o que por sinal a tornava parecidíssima com America, protagonista da série A Seleção que eu amava muito. No grupo ela era a que entendia de moda, sempre com calças rasgadas nos joelhos e muito dentro da moda, inclusive, quando eu ia fazer compras tinha que leva-la para me ajudar se não ficaria parecendo uma senhora dos anos oitenta, mas May também não era o que se chamava de patricinha.

Já Lucas era o safado da turma, sempre com suas cantadas ruins e as calças caindo. Ele era muito divertido e pegava geral, até que depois de um tempo sossegou e ficou tentando fazer com que suas cantadas ruins funcionassem com a May. Ele tinha os cabelos castanhos meio espetados e um sorriso que fazia qualquer uma cair a seus pés, menos eu e May que já o conhecia.

Guilherme era normal e encantador, sempre com seus fones escutando um rock agitado, seus cabelos eram pretos e tinha os olhos cor de purpura meio azul, era uma cor muito rara que encantava a todos. Ele era muito educado e reservado, conversava de menos e escutava suas músicas agitadas demais, porém quando ele estava conosco sempre se soltava, acho que com a gente ele podia ser alguém mais sossegado do que com outras pessoas. E outra coisa, ele me entendia, me aconselhava e tudo mais.

Por último, porém não menos importante, meu querido primo/irmão Felipe! Ele era o engraçadão do grupo, sempre feliz e com um sorriso escancarado no rosto, sempre indo de orelha a orelha. Parecia que ele estava sempre feliz, que seu mundo sempre era colorido e divertido, as sete maravilhas. Meu irmão nunca parecia triste. Se juntasse ele e Lucas você podia se preparar para horas e horas de conversa e muitas gargalhadas. Ele também era minha “biblioteca particular”, no quarto dele havia um monte de livros de autores muito bons como Jonh Green, Nicholas Sparks entre outros e eu só comecei a ler por causa dele. Felipe também tocava violão e por incrível que pareça ele arrasava, tocou muitas vezes em aberturas de shows, mas ele tocava mais para mim. Eram os meus shows particulares.

O que me incomodava era que sempre sabendo quem é quem na nossa rodinha de amigos nunca pude saber quem sou eu dentro dela, cada um tinha alguma coisa que o deixava diferente, mas eu? Eu sou um pouco de tudo, um pouco engraçada, um pouco quieta, um pouco safada, um pouco tagarela, de tudo eu sou um pouco então acho que para eles eu sou a normal. Talvez eu seja a fotografa da rodinha, eu sempre gostei de fotos, sempre soube as posições e ângulos, eu tinha feito um álbum cheio de fotos com meus amigos e família, eu manjava muito de fotografia. Gostava de guardar os momentos e de preservar os sorrisos, na foto eles existiriam para sempre.

Quando faltava pouco para o meu aniversário de dezessete anos, meus amigos já estavam mais animados que eu, queriam fazer algo surpreendente para mim. Nunca me importei com presentes no meu aniversário, só de saber que tantas pessoas se importavam e se lembravam dessa data especial já estava ótimo para mim. Acho que não sou materialista.

Na sexta estávamos sentados na área de almoço do colégio, longe da mesa em que estavam os meninos do time de futebol americano, às vezes nossos meninos trocavam olhares ameaçadores com eles e até se alfinetavam, pois Guilherme, Felipe e Lucas haviam arrumado briga com eles ano passado por causa que um dos meninos haviam tentado agarrar May e os nossos garotos mandaram bem, botaram os otários para correr.

_ Bela, o que quer de presente? – Perguntou Guilherme enquanto eu estava distraída olhando para o nada. Voltei meus olhos para ele e nem pensei muito na resposta, falava à mesma coisa todo ano.

_ Algo que seja representativo, não precisa ser caro nem grande, só precisa ter um significado importante! – Disse eu saindo do meu transe e olhando nos olhos dele.

_ Bela filosofando! – Disse Lucas tirando onda com a minha cara.

_ Não enche se não conto para May que você quer dar uns pega nela e que está caidinho por ela, só falta babar. – Respondi rindo da cara de desesperado que ele fez, felizmente para ele e infelizmente para mim, May havia saído para comprar algo então só estávamos nós quatro na mesa.

_ Enfia essa panqueca na boca e vê se fecha ela! – Respondeu fingindo estar bravo.

Lucas sempre foi apaixonado pela May e ela também, mas os dois nunca saíram ou souberam disso o que me irritava, porém logo eu iria juntar eles. Pagar de cupido podia ter suas vantagens.

_ Vamos numa balada no centro da cidade para comemorar o aniversário de Bela? É uma balada bem popular e muito divertida, acho que vocês irão gostar! – Disse Guilherme.

_ Acho uma boa ideia. – Respondi.

_ Também acho! – Disse Felipe. – Bela vai comigo na CBR. –  " Hein? Cadê a minha opção de escolha?" - pensei, mas resolvi deixar para lá. Eu queria ir com ele mesmo.

_ May, vem comigo na CTX? – CTX era a preciosidade dele.

_ Claro! – Respondeu ela chegando com uma lata de refrigerante. Seus cabelos ruivos estavam presos e tinham alguns fios soltos, notei Lucas a encarando e ela também o notou, pois logo piscou para ele divertida.

_Ninguém vai comigo? Nossa, fiquei chateado com isso. - Disse Lucas fingindo estar triste.

O resto do dia foi normal, ficamos horas e horas escutando os professores falando sobre matemática, biologia etc. Nos concentramos bastante, apesar de zoeiros somos estudiosos.

O dia seguinte foi um sábado, meu aniversário, fui acordada com um “Feliz aniversário” sendo gritado alto pela minha família. Abri os olhos e me deparei com todos no meu quarto com presentes na mão.

_ Bom dia! – Falei meio sonolenta.

_ Feliz aniversário querida! – Disse minha mãe me entregando um embrulho, eu sempre chamava Mirian de mãe.

_ Obrigada mãe! – Respondi e abri o presente, era um vestido azul que ia até um pouco acima do joelho.

_ Esse é meu e de seu pai! – Disse ela e eu estendi os braços para pegar o próximo embrulho.

_ Obrigada também pai! – Agradeci e ele veio na minha direção, me deu um abraço e me desejou feliz aniversário.

_ Minha vez! – Exclamou Felipe. – Espero que você goste! – Disse me entregando o presente. Dessa vez estava dentro de uma caixinha pequena e vermelha, sorri ao ver que era um lindo colar com um pingente sendo em forma de uma câmera.

_ Obrigada Feh, você acertou nesse presente! - Falei e sorri mais ainda.

_ Eu sabia que você iria gostar! - respondeu.

– Obrigada a todos vocês! – Disse com um pouco de lágrima nos olhos, senti minha vista de embaçando. Não por ter ganhado os presentes, mas por sentir falta de um. Eu sempre imaginava como seria se a minha mãe estivesse comigo no meu aniversário.

_ Não chore minha princesa! – Mirian disse se sentando na cama e me abraçando. – Ela te daria muitas coisas e muitos beijos em você se estivesse aqui. – Apertei-a mais quando ela disse aquilo, ela realmente me entendia. Eu sentia tanta saudade de minha mãe e não podia fazer nada além de olhar retratos, fotos...

_ Eu sei! - Respondi, aos poucos parei de lagrimejar e Mirian me soltou, seus olhos me avaliaram por um tempo e quando se deu por vencida falou;

_ Bom, se arrume e desça para tomarmos café! – Disse ela se retirando com os outros, menos Felipe.

Ele sentou-se na cama me abraçou e começou a fazer carinho nos meus cabelos me confortando.

_ Entendo seu sofrimento, porém agora você tem a nós e estaremos sempre ao seu lado! – Disse dando um beijo no topo de minha cabeça.

_ Eu sei, obrigada! – Respondi limpando as lágrimas e levantando da cama com um sorriso pois sabia que Melissa não queria me ver chorar. – Agora sai que eu vou me trocar! Vaza! – Disse brincando.

_ Educada como uma porta! Hã... Porta não se ofenda com isso. – Tirou com a minha cara.

- Engraçadinho! – Falei e ele se retirou.

Me arrumei e desci, tomamos café e ajudamos a limpar a mesa porque Virgo, nossa empregada estava de férias. Arrumamos tudo e depois eu e Felipe subimos ao meu quarto para assistir uns filmes e séries.

Passamos o dia inteiro assistindo filmes e séries no meu quarto, Mirian e Horlando foram ao shopping dar uma saída, coisa de casal. Todo sábado era assim, passávamos o dia inteiro colocando as séries em dia e assistindo os melhores filmes que haviam sido lançados a poucos dias no cinema. E os dois vazavam para "namorar."

Eu e Felipe sempre tivemos uma relação boa, ele me protegia de tudo e de todos e era muito ciumento, sempre me ajudava no que podia, assistia séries comigo, indicava livros, me ensinava a jogar videogame, me ensinava a nadar, essas coisas. Eu não viveria sem ele, eu o amava demais, precisava dele, assim como ele precisava de mim.

O resto do dia passou muito rápido, quando me dei conta já estava me arrumando para ir na balada. Resolvi vestir o vestido azul que Mirian havia me dado de manhã, e o colar com pingente azul que Felipe me dera.

_ Vamos Bela? – Perguntou Felipe abrindo a porta do quarto já pronto, ele estava com uma calça jeans preta, um coturno e uma camiseta social azul bem escuro.

_ Nossa, tá chique hein, me ajude aqui! – Disse virando de costas para ele erguer o zíper do vestido.

_ Esse vestido ficou lindo em você!

_ Obrigada! – Corei

_ Vamos então?

_ Vamos! - Coloquei os sapatos e acompanhei Felipe até a garagem.

Subimos na CBR e logo eu senti a brisa fria da noite gelar minhas pernas e braços expostos. Abracei Felipe e em alguns minutos já estávamos em frente à boate. Lá encontramos todo mundo, muito bem vestidos e todos haviam trazido algum presente, eu pedi para abrir só mais tarde e todos assentiram, entramos na boate para começar nossa “noite inesquecível”

Eram dez horas da noite quando chegamos e a boate já estava quase lotada. O DJ era muito bom, tocou músicas de todos os estilos e quando começou a tocar uma música lenta para os “casaizinhos” Guilherme me chamou para dançar.

Encostei minha cabeça em seu peito, fechei os olhos e me deixei levar pela música. Quando a música acabou Guilherme me deu um beijo na bochecha e me abraçou, correspondi ao gesto, significava que ele tinha carinho por mim.

Em seguida uma música agitada começou a tocar e todos vieram dançar, menos Felipe.

_ O que foi Feh? – Perguntei a Felipe me sentando ao seu lado, ele parecia estar bravo.

_ Nada, Bela! – Respondeu seco.

_ Uau, o que aconteceu com você? É meu aniversário e eu não admito ninguém ficar de TPM, só eu! - Brinquei.

_ Bela, vai dançar vai! – Esnobou-me.

_ Eita isso tudo é mal humor? Vem dançar comigo? – Ele respirou fundo fazendo de conta que não queria. E encaro o vazio a sua frente, sorri e bati o pé no chão feito uma criança.– Não aceito não como resposta!

_ Aff, ok!

Dançamos muito juntos, só ele e eu, depois nos juntamos aos outros e fizemos uma rodinha no meio da pista e ficamos lá de boa, o mal humor de Felipe foi passando e ele passou a exibir o sorriso que eu tanto admirava.

Foi uma noite perfeita, demos risadas juntos, brincamos juntos e bebemos juntos. Lá pelas quatro horas da manhã a boate começou a esvaziar e então eu comecei a abrir os presentes.

May havia me dado uma bolsa bege muito chique. Lucas me deu uma câmera profissional, eu era apaixonada por fotografia, mas nunca havia comprado uma câmera profissional, só as mais simples, agora sim as fotos do álbum iam ficar mais bonitas. Já Guilherme me deu um lindo anel com pedrinhas de cristal bem delicado, ficou perfeito no meu dedo. Amei os presentes que todos me deram e fui dando abraços neles.

Ficamos mais um pouco na boate e logo fomos embora, May estava cansada e praticamente obrigou Lucas a carregá-la de cavalinho, mas ele bem que gostou, no fim foi uma bela noite e eu estava morrendo de sono, cheguei em casa e capotei na cama só fui acordar no outro dia quase uma hora da tarde, felizmente não bebi muito então não tive ressaca da bebida.

O domingo também foi outro dia bom, chamei o pessoal para vir em casa para ficarmos na piscina, vieram todos. Foi divertido, Lucas não tirou os olhos da May e ela só curtiu o momento. Aproveitei e combinei com Guilherme de fazermos o trabalho de geografia naquela noite pois era para segunda-feira. Foi escurecendo e todos foram embora, subi no quarto e me arrumei para ir fazer o trabalho na casa de Guilherme. Por que ele não pode ficar na minha.

_ Feh, posso pegar sua moto para ir fazer o trabalho lá na casa do Guilherme? – Perguntei a Felipe abrindo a porta do quarto e vendo ele com os olhos fixado na tela da tv. - Nem me chama para jogar uma partida seu chato, já sabe que vai perder né? Covarde – Irritei ele.

_ Haha, até parece que eu iria perder para você! – Brincou – Pode pegar a moto, a chave está no balcão da cozinha, quer que eu vá com você?

_ Não precisa, daqui mais ou menos uma hora estou de volta! – Dei-lhe um beijo na bochecha e sai.

Eram nove horas da noite quando peguei a chave da moto e fui para a garagem, liguei a moto e fui em direção a casa de Guilherme, eu não iria demorar muito então umas dez horas voltaria para casa. Guilherme morava um pouco longe, uns nove quilômetros de distância. A casa dele era uma casa comum, ele morava com os pais e o avô, cheguei e interfonei.

_ Olá Bela, entre! – Disse apontando as mãos para dentro da casa. – Meus pais foram fazer uma viagem esse final de semana e meu avô está na casa da tia Helena, fique à vontade!

_ Ok!

_ Venha, vamos fazer o trabalho aqui no meu quarto!

O quarto dele estava uma bagunça, cheio de pôsteres de séries e filmes e lógico um skate no canto, era pintado de azul bem escuro, seria lindo e aconchegante se estivesse bem arrumado, mas não me importei.

_ Vamos começar pelo mapa, eu desenho você escreve! – Disse ele.

_ Está bem, vamos começar logo!

Ele desenhou o mapa e eu escrevi a redação, em uma hora terminamos.

_ Terminamos! – Exclamei.

_ É, aleluia. – Pausa – Bela, posso te dar mais um presente?

_ Claro!

Eu estava escorada na mesa e ele sentado na cama, ele levantou e veio em minha direção, colocou uma das mãos na minha nuca e a outra na minha cintura e me beijou, fiquei surpresa com o gesto, mas logo retribui, era meu primeiro beijo. Ele me deitou na cama carinhosamente e começou a tirar minha roupa, na hora eu não estava raciocinando direto, o beijo dele era uma droga para mim e a única coisa que eu fiz foi tirar a roupa dele também. Seus toques pareciam feitiços.

Aquela noite mudou a minha vida, eu não estava preparada para perder minha virgindade, agi por impulso. Estávamos deitados na cama nus, eu estava com a cabeça em seu abdômen quando me levantei, tudo tinha vindo à tona, minha irresponsabilidade, não tínhamos usado preservativo, e se eu ficasse grávida?!

_ Aonde você vai? – Perguntou-me.

_ Para casa. – Disse a ele me vestindo.

_ Não posso deixar você sair a essa hora, sinto muito se você não gostou disso, mas eu amei.

_ Guilherme, eu também gostei, mas acho que foi um erro! Eu não estava preparada para isso, sinto muito! – Respondi e isso pareceu lhe decepcionar.

_ A culpa foi minha, eu não devia ter te beijado, desculpe!

_ Não precisa pedir desculpa. – Sentei na cama já com minha calça jeans e minha blusa. – O que tá feito, tá feito.

_ Ok, mas eu não posso deixar você ir embora a essa hora, fique aqui até amanhecer.

_ Não posso Guilherme, preciso ir para casa. – Disse a ele me levantando para pegar a chave da moto e fui em direção a saída.

_ Por favor Bela! – Disse ele quando coloquei o capacete e subi na moto.

_ Sinto muito!

_ Me ligue logo que chegar então.

_ Ok! – Liguei a moto e sai.

Dirigindo em direção a minha casa comecei a pensar nas consequências desse meu ato impulsivo, eu poderia estar grávida e eu nunca mais teria a mesma relação com Guilherme, como contaria isso a Felipe? Eu não posso esconder nada dele nem ele de mim, fizemos uma promessa quando tínhamos doze anos e eu nunca a havia quebrado.

Meus olhos começaram a lagrimejar e eu não conseguia ver direito a pista, os sinais e as placas começaram a ser só borrões diante de meus olhos, sem perceber passei no sinal vermelho e um carro estava vindo de encontro a mim, a última coisa que me lembro foi de uma luz forte e um barulho muito alto, depois disso minha visão escureceu.

NARRADOR ON

Guilherme estava preocupado, fazia uma hora que Bela havia saído de sua casa, ela tinha prometido que iria ligar assim que chegasse em casa. De repente seu celular toca e ele desesperado atende.

_ Alô, Bela?

_ Você é parente de Isabela Woodwork?

_ Não, sou amigo, quem é?

_ Eu sou a enfermeira Anne do Lenox Hill Hospital, Isabela Woodwork sofreu um grave acidente de moto e está sendo encaminhada ao Lenox, ligarei para a família em breve, se você é um amigo muito próximo sugiro que venha!

_Sim, irei imediatamente! – Desligou o celular com lágrimas nos olhos, sabia que não deveria ter deixado ela sair naquele horário e naquela condição. Vestiu-se depressa, pegou sua CTX700N e foi em direção ao hospital. Remoendo o passado, só tinha feito merda, deveria ter impedido a menina. Mas não o fez, e olha como ela estava agora. 

***

Felipe estava aguardando Isabela chegar da casa de Guilherme, já era quase meia noite, seus pais já tinham ido para o quarto e nada de Isabela aparecer. Seu celular toca e mostra uma linda foto de Isabela que ele havia tirado quando fizeram um acampamento de verão no ano passado, ela estava linda naquela foto, com seu sorriso encantador e os olhos incrivelmente azuis. Já estava preparado para dar uma bronca nela mas a voz não era de Bela, era de outra pessoa.

_ Alô, você é parente de Isabela Woodwork?

_Sim, o que aconteceu com ela? – Perguntou aflito.

- Ela sofreu um grave acidente de moto e está sendo encaminhada ao Lenox Hill Hospital, você pode avisar o resto da família?

_ Claro, estamos indo ai! – Desligou desesperado, Felipe sentia seu coração batendo e se revirando dentro de si, a preocupação que sentia o levava ao pânico, ele subiu as escadas e bateu na porta do quarto de seus pais. Horlando abriu a porta com cara de sono.

_ Pai... A Bela, ela.... Sofreu um acidente de moto vindo para cá e está sendo encaminhada ao Lenox, temos que ir imediatamente para lá!

_ O que? Vamos, vamos agora! Mirian, acorde! – Falou virando-se para dentro do quarto, Felipe não escutou o resto da conversa, correu em direção a seu quarto vestiu a primeira roupa que viu em sua frente e foi em direção a garagem, encontrou seus pais lá já dentro do prisma, subiu no carro e foram ao hospital.

Chegando ao hospital encontraram um Guilherme aflito sentado em uma cadeira na sala de espera.

_ Como você deixa ela sair tarde da noite sozinha de moto para andar nove quilômetros? – Interrogou Felipe apontando o dedo para Guilherme, se tinha uma palavra que o descrevesse agora seria furioso.

_ Felipe se acalme! – Disse Mirian – Não vão brigar agora!

Os meninos ficaram se encarando, dava para ver a raiva no olhar de cada um, mas os olhos de Guilherme também carregavam culpa, por fim um médico chegou.

_ Vocês são parentes de Isabela Woodwork? – Perguntou o médico.

_ Sim, somos! – Respondeu Horlando. – O que aconteceu com ela?

_ Ela perdeu muito sangue, teve algumas fraturas na perna, braços e cabeça, mas suponhamos que não seja nada grave, estamos fazendo uma série de exames. Vocês vão poder visita-la a partir de amanhã se tudo der certo.

_ Mas ela não sofreu nada grave não é? – Perguntou Guilherme aflito.

_ Suponhamos que não.

O doutor saiu e um silencio reinou entre eles, todos passaram a noite no hospital. 

_ Querido, pode ir trabalhar eu te manterei informado sobre o estado de Bela. – Disse Mirian a Horlando, eram quase seis e meia da manhã.

_ Ok querida, qualquer coisa me ligue! – Ele deu um beijo em sua esposa e saiu, mas não sem antes dar uma rápida olhada no filho e em Guilherme.

Minutos depois o mesmo médico apareceu para dar-lhes notícias.

_ Felizmente não é nada grave, mas Bela encontra-se em estado de coma, estamos fazendo tratamento nela, por enquanto não obtivemos resposta. Vocês poderão visita-la agora, mas não fiquem em muitas pessoas dentro do quarto.

_ Meninos eu entrarei primeiro – Disse Mirian.

_ Tudo bem mãe, cuide dela! – Disse Felipe com os olhos lagrimejados, a notícia tinha o acertado com força. Bela estava em coma. 

***Quebra de tempo***
Haviam se passado dois dias desde que Isabela sofrera o acidente, Felipe estava no quarto sentado ao seu lado e segurando sua mão quando Guilherme entrou.

_ Felipe, preciso te contar algo! – Anunciou Guilherme, seu rosto estava angustiado, incomodado e até amedrontado.

_ Fale! – Respondeu Felipe com a voz rouca, tinha chorado muito desde que Isabela sofrera o acidente. Sua voz fez com que Guilherme repensasse se deveria falar ou não a notícia ao amigo, mas no fim ele se rendeu. Aquilo o estava incomodando a dias.

_ No dia em que Bela foi fazer o trabalho em minha casa, a gente... – Felipe olhou diretamente para Guilherme. E o outro travou, sua garganta ficou seca.

_ Vocês o que?

_ Nós... transamos! – Disse Guilherme de cabeça baixa. Felipe se levantou da cadeira e foi em direção a Guilherme e pegou pelo colarinho.

_ Você fez o que? Foi isso que eu escutei Guilherme? – Disse completamente fora de si.

_ Sim Felipe, foi isso que eu disse! – Respondeu com firmeza. Não havia gostado da reação do outro e agora também sentia raiva.

- Eu devia acabar com a sua vida seu desgraçado! – Gritou Felipe.

_ Eu não forcei ela a nada, eu NUNCA forcei ela a nada! – Gritou de volta.

Felipe se descontrolou e deu um murro no rosto de Guilherme, ele sentiu sua mão estalando ao contato com o rosto do outro, por um momento ambos permanecerem parados, surpresos, mas logo Guilherme revidou. Iriam começar a brigar ainda mais séria se não fosse por uma enfermeira que entrou no quarto.

_ Ei, o que está acontecendo aqui? Isso aqui é um hospital! – Disse Anne, a enfermeira que avia avisado a família de Bela.

- Sinto muito! – Respondeu Felipe.

Eles se encararam e Guilherme saiu do quarto bufando, o soco de Felipe ainda queimava sobre seu rosto. 

***Quebra de tempo***

Uma semana havia se passado desde o acidente, Mirian estava no quarto segurando a mão de sua filha quando ela finalmente abriu os olhos.

_ Mãe? – Chamou com a voz fraca.

- Filha, você finalmente acordou? – Disse Mirian com lágrimas nos olhos.

_ Vou chamar uma enfermeira! – Disse se retirando.

Mirian chamou a enfermeira que mediu a pressão de Isabela e lhe deu alguns remédios, logo ela retirou-se do quarto.

_ Mãe, a senhora pode chamar Felipe?

_ Sim filha, creio que vocês tem muito a conversar! – Disse se retirando.

NARRADOR OFF

Eu não fazia ideia de quanto tempo eu havia ficado em coma, só queria conversar com Felipe. Pouco tempo depois que minha mãe deixou o quarto Felipe entrou.

_ Você está bem? – Ele perguntou.

_ Sim... – Pausa – Você já está sabendo?

_ Sim...

_ Sinto muito, eu não queria, agi por impulso...

_ Não se preocupe! – Cortou-me, depois de um silencio desesperador ele retomou – Bela, você o ama?

_ Não sei... – Disse com os olhos lagrimejados.

_ Bela... Eu... te amo! Não como irmão, nem como amigo, te amo como algo a mais!

Fiquei chocada, Felipe me amava! Eu estava dividida, não sabia o que Guilherme sentia por mim e muito menos o que eu sentia em relação a ele, mas Felipe.... Eu nunca esperava, eu achava ele bonito, sincero, companheiro e tudo o mais, porém nunca pensei que ele poderia se apaixonar por mim. Eu nunca pensei nessas coisas de amor, mas sempre senti uma atração por Felipe e Guilherme, mas nunca me perguntei o que aquele sentimento poderia realmente significar.

_ Felipe...

_ Sinto muito bela, eu juro que tentei não me apaixonar por você, juro que tentei! Mas eu não conseguia, eu não consigo. Eu te amo Bela! E quando soube que aquele desgraçado havia feito aquilo fiquei completamente fora de mim. Não estou pedindo para você me corresponder, só quero que saiba que eu sempre vou estar aqui, como irmão, amigo e só se você quiser, como algo a mais. – Disse com os olhos marejados, fiquei perplexa.

_ Felipe, eu não sei o que dizer. Eu nunca pensei em você ou em Guilherme como meu namorado, nunca havia pensado no que é amor entre um homem e uma mulher. – Disse séria.

_ Compreendo... Sinto muito! – Murmurou cabisbaixo.

Aos poucos meus olhos foram se fechando, o remédio estava fazendo efeito. Depois daquele dia minha vida nunca voltou realmente ao normal, Guilherme e Felipe ficavam meio que me disputando e eu odiava isso. Depois de um tempo reconheci que amava os dois, porém um seria mais amado.

***

Guilherme me ensinou a andar de skate, me ensinou que a vida não deveria ser tão... Normal, ele era uma pessoa extraordinária.

_Bela, olhe para o pôr do Sol! – Ele olhou para o céu e eu repeti o gesto.

_É lindo! – Disse encantada.

_O Sol pode desaparecer todos os dias Bela, mas o meu amor por você nunca desaparecerá. Eu te amo! – Disse para em seguida me roubar um beijo.

Aquele dia foi muito bom, estávamos sentados na beira de um rio perto de Nova York, poucas pessoas estavam lá então aproveitei para tirarmos muitas fotos para um dia olha-las e perceber que ele me amou intensamente assim como eu. 

***

Felipe me ajudou em muitas coisas, a passar em matemática, a jogar videogames, me incentivou a ler e depois eu nunca mais consegui parar, estava tentando fazer com que eu conseguisse fazer a nota DÓ em sua guitarra, mas eu não estava me saindo muito bem.

Felipe demonstrava todos os dias que me amava.

_Bom dia dorminhoca! – Anunciou abrindo a porta do quarto com uma bandeja de café da manhã e encontrando uma pessoinha estirada na cama toda preguiçosa.

_Bom dia! Me trouxe o café da manhã, que gentil! – Disse me sentando na cama – Obrigada!

_De nada minha princesa! O que quer fazer hoje? Podemos ir aos museus, andar de bicicleta ou.... Se você tiver um espírito aventureiro podemos até fazer uma tatuagem! – Disse o que quase me fez engasgar.

_ Uma tatuagem? Somos de menor, não podemos!

_ Na verdade eu posso, já sou de maior esqueceu? E para você fazer é só pedi uma autorização para nossos pais, eu já pedi e se você quiser...

_Claro! O que você vai fazer? – Perguntei entusiasmada.

_Uma guitarra pequena no pulso, e você?

_Uma nota musical no pulso representando o som da guitarra, o que acha?

_Acho uma ótima ideia! – Mostrou-me seu sorriso perfeito. – Nos completamos?

_ Acho que sim. – Sorri. Na hora eu não percebi como foi sacanagem da minha parte ter falado que a gente se completava.

Tomamos café da manhã juntos depois me vesti e fomos para um shopping no centro de Nova York. Ele fez primeiro, a guitarra pequena no seu pulso esquerdo ficou linda, ele já me adiantou que iria doer muito, porém valia a pena. Sabia que aquilo nunca iria sair e que teria lembranças de Felipe marcadas em minha memória e no meu pulso, eu era a melodia e ele a guitarra, era uma combinação estranha e esquisita que nos tornávamos únicos.

***Quebra de tempo***

Fazia quase quatro meses que eu havia sofrido o acidente, estávamos terminando novembro, o ano logo acabaria. A tatuagem no meu pulso que eu fizera com Felipe depois do acidente já estava completamente curada. Eu estava sentada sobre a sombra de uma arvore quando Guilherme chegou.

_Bom dia! Esse final de semana você vai fazer o que? – Perguntou-me sentando ao meu lado.

_Felipe me chamou para ir ao cinema no domingo à noite e no sábado ele me levará a lugares legais para mim tirar umas fotos, e você o que irá fazer?

_Fez um tatuagem? – Ignorou minha pergunta e só agora percebendo a tatuagem no meu pulso direito.

_Sim, o que achou?

_Bonita! – Deu um sorriso fraco, acho que ele já tinha percebido o que aquela tatuagem representava.

_Divirta-se com Felipe nesse final de semana porque no outro você passará comigo ok? – Disse-me virando as costas e indo em direção as salas.

_Ok! - respondi.

O nosso grupo havia se desmanchado por conta da intriga entre Felipe e Guilherme, eles não se falavam mais, pelo menos não como antes. Eu passava os almoços May discutindo sobre moda e novidades dos alunos. Tudo que acontecia eu contava a May, confiava cegamente nela, estávamos discutindo o que faríamos no ano seguinte já que seriamos realmente independentes.

_Eu vou comprar um apartamento no centro da cidade com o dinheiro que meus pais vão me dar, vou trabalhar de dia e estudar psiquiatria a noite. – Disse May entusiasmada, os pais eram muito cuidadosos e eu suspeitava que iriam deixar a filha sair de casa.

_Eu acho que vou fazer faculdade para fotógrafa, o que acha?

_ Acho uma ótima ideia! – Exclamou sorridente.

***Quebra de tempo***

O ano já havia praticamente acabado e eu já havia decidido a minha vida. Durante esses meses passei momentos inesquecíveis com Guilherme e Felipe e também fiquei muito dividida entre os dois, mas àquela altura eu já havia escolhido quem era o mais amado. Se eu escolhesse Guilherme minha relação com Felipe nunca seria a mesma e tenho certeza que nunca mais iriamos nos falar. Mas se eu escolhesse Felipe, nunca mais iria conversar com Guilherme e nem o ter como amigo. Eu estava dividida, porém fiz a minha escolha a coisa mais difícil que eu iria fazer seria contar para o “não escolhido” que eu escolheria o outro e isso doeria muito.

_Posso falar com você Felipe? – Perguntei chegando perto de uma mesa onde ele conversava animadamente com Lucas e May.

_Claro! – Disse para depois me acompanhar até uma vasta área verde ao lado das salas.

_Aconteceu alguma coisa? – Perguntou-me preocupado.

_Sim... Felipe, eu... – Estava preocupada e com medo, mas fechei os olhos e falei tudo que devia – Eu e Guilherme vamos morar juntos depois do término das aulas. – Disse ainda de olhos fechados.

_Vocês vão morar juntos? – Perguntou-me com os olhos cheios d’agua mas lutando para não vacilar.

_Sim, sinto muito, mas é ele. – Disse sem ter coragem de olhar em seus olhos.

_Bela, olhe para mim! – Disse e eu obedeci. – Tem certeza? Porque depois vai ser você que convivera com essa escolha!

_Sim. – Disse e ele fechou os olhos para não chorar.

_Posso te pedir uma coisa? – Perguntou-me abrindo os olhos novamente.

_Pode!

_Posso te beijar uma última vez? – Depois disso me inclinei para cima dele e dei-lhe um simples e demorado selinho.

_Prometo que não vou lhe pedir mais isso. – Disse com a testa encostada na minha. Deu-me um ultimo selinho, virou-se e foi embora.

Sentei na grama gelada, o clima estava frio assim como meu coração, estava doendo e eu chorava, sabia que minha relação com Felipe nunca mais seria a mesma, olhei para a nota musical no meu pulso e chorei. Pela primeira vez meu irmão/primo não estaria mais ao meu lado, e sim bem longe de mim. 
 



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