História Senhor Destino - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 3.578
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 2 - Fase dois


2013

_Preparada para conhecer a casa nova! – Eu estava vedada, Guilherme não me revelara como era nosso apartamento e disse que seria uma surpresa.

_Que lindo! – Disse assim que ele tirou a venda dos meus olhos. Era um bom apartamento, com sofá e televisão grande, os balcões da cozinha com mármore e um quarto grande com uma cama de casal.

_Bem-vinda a nossa casa! – Disse e me deu beijo, me ergueu e sentou no sofá fazendo com que minhas pernas ficassem enlaçadas em sua cintura.

_Nossa casa! Disse dando beijos em seu rosto.

_Vamos para o quarto? – Perguntou com um sorriso de canto. Assenti sorrindo maliciosa

***Quebra de tempo***

Um tempo depois de eu morar com Guilherme, Felipe foi morar em Londres, estava fazendo faculdade de engenharia civil, uma coisa que ele gostava e sempre falava que talvez quisesse fazer no futuro. May e Lucas finalmente deram certo, eles compraram mesmo o apartamento no centro de Nova York e passaram a morar juntos, May trabalha comigo na floricultura perto de casa e, assim como eu, fazia faculdade a noite só que ela fazia de psiquiatria.

E nesse embalo o tempo foi passando, eu iniciei uma faculdade para trabalhar com algo que eu amava: fotografia, a faculdade durava apenas dois anos. Guilherme estudava para ser contador, e eu pirava só de ver os trabalhos que ele fazia em casa, era cálculo em cima de cálculo e me fazia se sentir mal, mas ele adorava.

Tudo ocorria bem, meus dezessete anos foi cheio de surpresas e reviravoltas, mas os dezoito prometia melhorar. Estávamos em junho, havia alguns meses que eu e Guilherme morávamos juntos. Organizei todas as coisas na floricultura onde trabalhava com May, por sorte trabalhávamos juntas, peguei minha YBR 125cc e fui para casa, Guilherme ficaria surpreso por eu chegar uma hora mais cedo, poderíamos namorar um pouco mais antes de eu ir para curso.

Cheguei sem fazer barulho, felizmente a casa estava organizada e eu não precisaria gritar com ele, ele era bem desorganizadinho. Cheguei de fininho e não encontrei ninguém na sala, ele com certeza estaria dormindo. Fui em direção ao quarto, a porta estava recém-fechada abri ela bem devagar para não fazer barulho e fiquei sem reação com o que vi.

Guilherme estava dormindo calmamente agarrado a uma mulher, nus, com somente um edredom os tampando. Queria gritar, queria mandar aquela mulher para fora dali mas me contive, só consegui chorar naquela hora. Tudo havia desmoronado, eu confiava em Guilherme, porque ele havia feito aquilo comigo? Eu não me conformava. Peguei minha câmera na gaveta do guarda-roupa e tirei foto deles para depois sair e encostar a porta do quarto. Não tinha mais nada para ver ali, eu tinha sido cornada e o cara que eu achava que me amava agora dormia com outra nos braços.

Sai do apartamento levando a câmera, peguei a YBR, passei numa loja e imprimi a foto depois fui para a casa de May que era bem perto de onde eu estava. Não pensei em mais nenhum lugar para ir. Pensei em ligar para Felipe, mas aí eu me lembrei que a gente não era mais tão próximos, ele não era mas o antigo Feh, eu tinha exilado o antigo Feh.

_O que aconteceu com você? – Perguntou-me May assustada quando me viu aos prantos na porta de seu apartamento.

_Guilherme... ele... Ah May – Ela só me trouxe para dentro do apartamento e me abraçou.

_Vai ficar tudo bem! – Disse abraçada a mim e fazendo um cafune no meu cabelo. – Sente-se e me conte o que aconteceu.

Eu e ela nos sentamos na sala e eu lhe contei tudo, também mostrei a ela a fotografia. Depois disso ela só me abraçou e disse que sentia muito, conversamos muito e ela conseguiu me acalmar e disse o que eu deveria fazer já que eu estava de cabeça quente e como eu confiava cegamente nela segui seu conselho.

Fui ao meu apartamento e Guilherme não estava mais lá, fiz minhas malas colocando tudo nelas, nenhum móvel era meu o que facilitava muito minha vida. Deixei a YBR na casa de May, depois eu iria busca-la, agora eu pegaria um taxi e iria para a casa de meus pais.

Por último coloquei a foto em cima da cama. Fui para sala levando as malas deixando-as num lugar que ele não possa ver e sentei-me no sofá, iria esperar por ele.

_Olá meu amor! Como foi no trabalho hoje? – Ele chegou e me deu um beijo na testa. Estranhamente não senti desgosto.

_Bem! – Virou-se e foi para o quarto, o segui ficando um pouco atrás.

Quando ele abriu a porta do quarto se deparou com as fotos, ficou um tempo a observando e olhou para trás com uma expressão de tristeza.

_Sinto muito, eu não queria...

_Não precisa pedir desculpas Guilherme, eu já estou indo! E não diga que não queria... parecia que estava tudo bem de mais na foto.– Disse olhando em seus olhos e lutando para não vacilar. Ele só abaixou a cabeça e não disse nada. – Você a ama? – Ele afirmou com um movimento de cabeça – A quanto tempo vocês...

_Três meses. – Ele disse levantando a cabeça e olhando nos meus olhos. – Eu sinto muito, eu iria te contar mas não estava encontrando coragem para isso.

_Você é um bom ator, eu nem tinha desconfiado. Boa sorte com ela! – Disse fechando o olho para evitar as lágrimas.

_Boa sorte com ele! – Disse me dando um sorriso de canto.

_Ele já tem namorada, ele já me esqueceu. Não existe mais ele, não para mim. Quando eu fui escolher quem eu mais amava escolhi você porque pensava que você me amava da mesma forma. Guilherme... você já me amou? – Perguntei olhando fixo em seus olhos.

_Sim, Bela. Eu já te amei! – Disse firmemente, olhei para ele e sorri, ele já tinha me amado pelo menos, mas naquela hora outra pessoa já tinha seu amor.

_Adeus Guilherme! – Disse com o sorriso fraco e com algumas lágrimas rolando pelo meu rosto. Pensei que ele falaria algo mas não, ele só me abraçou e disse ao meu ouvido:

_Eu sei que ele voltará para você, vocês se merecem, estarei na torcida para que dê certo, boa sorte! – As palavras dele me emocionaram mas eu sabia que Felipe não me amava mais.

_Obrigada! – Sussurrei para depois ir para sala pegar a mala e sair. Entrei no elevador e quando a porta estava se fechando ele surgiu e acenou, acenei de volta e a porta se fechou completamente.

Peguei um taxi e fui para casa de meus pais, talvez eles me aceitassem lá novamente se eu pagasse metade das despesas e eu tinha bastante dinheiro guardado.

O motorista do taxi me deixou bem em frente à casa deles, interfonei e Mirian atendeu.

_Bela? – Perguntou-me quando abriu a porta e me viu com duas malas bem grandes.

_Sim mãe, sou eu. – Eu disse cabisbaixa. Ela olhou para mim reparando minha tristeza e só estendeu o braço para que eu a abraçasse, o fiz e comecei a chorar, ela já desconfiava e compreendia.

Entrei na casa e contei a ela o que havia acontecido e ela disse que eu poderia ficar o tempo que quisesse e que não precisaria pagar nada, então eu subi e arrumei minhas coisas, eu ficaria ali até terminar minha faculdade.

Depois daquilo eu nunca mais vi Guilherme, continuava trabalhando na floricultura com May o que me alegrava um pouco, ela era tão sorridente e divertida e eu amava passar o tempo com ela, Horlando, assim como Mirian, não me cobrou nada por estar morando com eles novamente, pelo contrário, ele até disse que a casa estava muito silenciosa sem suas “crianças” que já estavam muito grandinhas. Felipe continuava morando em Londres e fazendo faculdade e também continuava firme e forte em seu namoro, tudo estava dando certo na vida dele e eu torcia para isso. Não era porque Guilherme não me amava mais que Felipe iria voltar para mim, eu tive a oportunidade de escolher e escolhi errado então o problema era meu, mas mesmo assim eu ainda amava Felipe. Eu estava mal pelo que Guilherme tinha feito comigo mas estava superando, aliás, algum dia alguém iria aparecer para me amar de verdade então a única coisa que eu devia fazer era esperar e sorrir, ver o lado positivo e ser feliz.

***

Estávamos no começo de dezembro, fazia quase seis meses que eu estava morando novamente com meus pais, tudo estava bem. Estava sentada com uma garrafa de whisky na mesa de um bar qualquer perto de casa, o bar estaria vazio se não fosse por mim e um cara que estava dentro do bar, quando meu celular tocou de repente.

_Alô?

_Bela, venha para cá agora por favor! – May disse chorando.

_O que foi May? Lucas está aí com você?

_Não, ele foi para um jogo e eu não fui porque não estava me sentindo bem, venha para cá logo Bela. – Implorou-me chorando.

_Ok, já estou indo. – Paguei pelo whisky, subi na YBR e fui em direção a casa de May.

Cheguei e o porteiro me deixou entrar pois já me conhecia, subi as escadas porque não estava afim de esperar o elevador, quando cheguei ao décimo terceiro andar apertei a campainha e uma May aos prantos abriu a porta.

_May, o que aconteceu? – Perguntei entrando e fechando a porta atrás de mim.

_Ah Bela... Eu não sei o que eu vou fazer. – Disse sentando no sofá. – Eu... Eu estou grávida.

_O que? Você não toma pílula ou usa camisinha? – Perguntei me sentando a seu lado e segurando suas mãos.

_Eu não tomo pílula, nós sempre usamos camisinha e só dessa vez que não usamos, não acreditava que a primeira vez que eu transasse sem camisinha já iria engravidar. E agora? – Apoiou a cabeça nas mãos e começou a chorar. – O que eu faço?

_ Bom, você vai ter esse bebe! Você e Lucas vão cuidar dele. Eu irei ajudar no que puder, acredito que todos os seus amigos e sua família irão ajudar também. Eu posso cuidar dela ou dele durante os finais de semana, posso ser até a madrinha do bebê, se você deixar. – Tentei entusiasma-la.

_Ter um bebe não é fácil, eu tenho apenas dezoito anos Bela. - resmungou.

_Eu sei, mas você não tomou cuidado e engravidou agora arque com as consequências, e além do mais, você terá total apoio de muitos e Lucas soltará fogos de artifício quando ficar sabendo disso. – Ela estava parando de chorar, eu ainda segurava sua mão.

_Obrigada Bela, realmente muito obrigada. Agora eu preciso contar para Lucas e para minha família, mas será difícil cuidar dessa criança. – Disse com um sorriso, que menina bipolar... – E acho que minha mãe cuidará dele ou dela para mim, ela se aposentou a pouco tempo lembra?

_ Sua mãe irá amar demais essa criança tenho certeza e não duvido que queria cuidar dele.

Sai da casa de May quando Lucas chegou todo sujo e suado do jogo, May havia dito para mim que contaria a ele logo pela manhã. Realmente ter um filho seria complicado porém ela não seria capaz de abortar e eu não seria capaz de encobrir tamanha atitude. Eu estava feliz por May, ela teria um filho e isso seria a prova de que eles se amavam, eu seria uma tia para o bebê e amaria cuidar dele, presa em tais pensamentos nem notei quando o tempo passou quando dei por mim já eram onze horas, tinha certeza que levaria um chamada boa de Horlando quando chegasse em casa.

_Boa noite querida, onde você estava? – Perguntou Horlando assim que cheguei em casa.

_Eu estava na casa de May, o senhor não vai acreditar na novidade! – Sentei-me no sofá de frente para ele, ele abaixou o jornal.

_O que aconteceu?

_May está grávida! – Disse entusiasmada. – Eu vou ser titia, quer algo melhor? – Ele riu.

_Que bom, dê os parabéns a May por mim, o pai é o Lucas não é? – Afirmei com a cabeça. – Ele é um bom rapaz. Bom, eu também tenho uma novidade! – Disse e eu fiquei um tanto curiosa. Sorri.

_Conta.

_ Felipe virá amanhã com a namorada e eles irão ficar até começo de janeiro aqui, tem problema para você? – Perguntou-me.

_Claro que não pai, ele é seu filho também. – Disse eu normalmente, eu esperava uma notícia mais... Emocionante, tipo “Mirian está gravida”. Não que a vinda de Felipe não seja emocionante, quer dizer vai ser estranho ver ele... quer dizer... sinto saudade e tal mais... aff é complicado.

_ Você ainda é apaixonada por ele não é? – Perguntou-me olhando fixamente nos meus olhos.

_Sim pai, eu sou. Mas não é porque eu estou sem ninguém que Felipe tem que estar disponível para mim, eu tive a oportunidade de escolher e fiz merda então agora sofrerei as consequências.

_Eu realmente queria que você e Felipe dessem certo, vocês ficam bem juntos mas o destino lhes pregou uma peça e se o amor de vocês ainda estar vivo nesses seus coraçõezinhos que só fazem burrada tenho certeza que vocês ficarão juntos no final. – Sorriu para mim dizendo isso.

_Não sei não pai, Felipe está feliz agora com uma pessoa que ele ama então eu tenho que segui minha vida e encontrar um novo amor.

_Não perca as esperanças minha filha, Deus sabe o que faz. – Disse pegando o jornal novamente.

_Eu sei pai, eu sei. – Disse sorrindo e olhando para o nada.

Conversamos mais um pouco e eu logo fui dormir, Felipe viria amanhã já que estava de férias, estávamos ainda no começo de dezembro e tudo já estava parando.

No outro dia acordei só porque Mirian veio me chamar, estava num sono pesado e nem o despertador deu conta de me acordar. Tomei um banho e vesti uma calça jeans preta com uma blusa branca junto de um all star preto, desci e tomamos café depois fomos direto para o aeroporto buscar Felipe e sua namorada, devo admitir: eu não estava muito afim de ver Felipe e muito menos a namorada dele.

Ficamos esperando por meia hora até que o avião pousou, poucos minutos depois Felipe apareceu junto de uma menina loira parente da Barbie ou ela mesmo.

_Mãe, como a senhora está? – Disse Felipe abraçando a mãe. – Esta é Clara, minha namorada! – Mirian e Clara se abraçaram.

_Pai. – Acenou com a cabeça, deu-lhe um aperto de mão e também aqueles leves tapas nos costas típicos dos homens. – Clara este é meu pai! – Clara sorriu e apertou a mão de Horlando.

_E esta é Isabela. – Disse Felipe mal olhando na minha cara.

_Oi Clara, prazer. – Abracei-a – É bom ver você de novo Felipe. - Isso não era totalmente mentira.

_Igualmente. – Respondeu-me de costas.

_Vamos, vocês devem estar famintos, tomaram café da manhã? – Mirian foi falando com Felipe e Clara e fomos indo em direção ao carro.

Durante a percurso para a casa Felipe não me dirigiu uma palavra, Clara se sentou no meio e conversava com Mirian alegremente sobre não sei o que, eu olhava pela janela e percebi que Felipe fazia o mesmo. Nós éramos inseparáveis antes, agora pensei até que ele me trataria normal, não com o afeto de antes mas sim de um jeito pelo menos formal. Percebi que estava enganada pela frieza como ele me cumprimentou, nunca esperava isso de Felipe porém “as pessoas mudam”.

Quando cheguei em casa dei o pretexto de que iria passar o dia com May e Lucas e que depois iriamos numa festa à noite, o que provavelmente era mentira. Peguei a YBR e fui naquele bar perto de casa, pedi a mesma bebida: whisky e fiquei lá, sentada pensando na vida e no que eu iria fazer.

Você pode não acreditar mais eu passei o dia inteiro sentada na mesa daquele bar bebericando o whisky, quando me dei conta já era noite e o bar já estava fechando. Aquela hora provavelmente todos já estariam dormindo e eu poderia chegar em casa sem ter que olhar para Felipe ou Clara, eu sei que eles estão felizes juntos mas dói olhar.

Cheguei em casa, tomei um banho, vesti minha camisola branca de seda e desci para o jardim com Uma Longa Jornada de Nicholas Sparks na mão, talvez eu tentasse colar os pedaços que Guilherme tinha quebrado e que a reação fria de Felipe despedaçou.

Quando cheguei no jardim vi que Felipe estava lá, sentado no banco onde ele tocava seu violão para mim, onde nós íamos para ler, onde passávamos horas e horas conversando. Quase desabei ali mesmo, dei meia volta e fui voltando para o quarto até que ele se pronunciou.

_Eu queria conversar com você! – Disse meio embargado. Arqueei as sobrancelhas e relutei em voltar.

_Hã, é a Isabela e suponho que você não queira falar comigo.

_Eu sei que é você Bela, quem vem para o jardim ler quase meia noite? – Pareceu rir. Mas escutar ele me chamando de Bela me acalmou.

_Ok. – Sentei-me ao seu lado, ele olhava fixamente para o céu seus cabelos loiros estavam mais longos, um pouco acima do ombro, e lindos, eu sentia seu perfume e queria abraça-lo mas me contive. – Então... O que você quer? – Perguntei normalmente.

_Pedir desculpas, eu fui um idiota hoje cedo. – Disse ainda olhando para o céu.

_Tudo bem... – Houve um silêncio.

_ Aonde você passou a tarde? – Perguntou e olhou para mim antes de completar – Te conheço e sei que você não passou com May ou Lucas. – Sorriu desmascarando-me.

_Você precisa ser detetive, caramba. Eu fiquei sentada num bar que tem aqui perto bebendo. – Respondi como se fosse normal.

_O dia inteiro? – Ergueu uma sobrancelha

_Sim, o dia inteiro. – Respondi, depois disso houve um silencio constrangedor até que eu o quebrei – Você... Você... Hã... É feliz com ela?

_Acho que sim... – Disse cabisbaixo. Ficamos em um silencio bom, olhando para as estrelas. – Quais são seus planos para o futuro? – Perguntei puxado assunto.

_Não sei muito bem, só quero terminar a faculdade e o resto Deus sabe.

_Entendo...

_E os seus? – Perguntou-me curioso.

_Terminar a faculdade, comprar um apartamento e ser madrinha do bebê de May. – Sorri.

_May está gravida né? Lucas me contou hoje, está feliz e um pouco preocupado. Disse que não tem maturidade para isso ainda. – Dei risada.

_Eles tem a minha ajuda então tá tudo certo. – Me gabei.

_E você tem experiência com crianças? Não sabe nem se cuidar vai cuidar de outra pessoa? – Brincou.

_Cala a boca! Eu sei me cuidar e sei cuidar de outra pessoa. – Fingi estar chateada.

_Mentira, porque sempre fui eu quem cuidou de você! Você lembra? Eu te ajudava com os deveres da escola, eu te ensinei a nadar...

_Tentou me ensinar a tocar violão...

_E você não apendeu nada!

_Eu não tenho dom, você sim! Toca para mim? – Pedi sorrindo e ganhei outro em resposta.

_Vou lá busca-lo.

Felipe foi para o andar de cima e voltou om seu violão preto e sua paleta, sentou-se novamente ao meu lado e começou a dedilhar o instrumento. Fiquei lá escutando, relembrando momentos em que passamos juntos e percebendo que sim, eu fiz a escolha errada. Só não estava sentindo vontade de revelar isso, aliás, ele tinha namorada. Mesmo talvez, não estando feliz com ela, ele tem e eu não iria fazer nada para estragar o namoro dos dois.

Felipe tocou algumas musicas e eu cantei junto com ele, passamos um tempo assim até que ele colocou o violão de lado e me perguntou:

_O que aconteceu entre você e Guilherme? – Perguntou-me sério. O olhei e já derramei lágrimas com aquilo, ele me abraçou.

_Não fique assim, o que aconteceu?

_Ele... me traiu. – Disse baixo.

_Ele fez isso? – Perguntou com uma expressão de raiva.

_Sim...

_Sinto muito Bela, ele é um babaca. – Disse afagando meu cabelo.

_Eu já o perdoei, por incrível que pareça. Nosso amor era fachada, nunca foi real. – Desfiz-me do abraço e olhei fixamente para frente, enxuguei as lágrimas. – Mais e você e Clara? Ela parece ser uma menina legal, já conheceu os pais dela? Já estão morando juntos?

_Sim e não, os pais delas são pessoas ótimas e jamis deixariam a filha ir morar com alguém como eu. Ela é meio mimada sabe? Mais gosto muito dela. – Disse sorrindo.

_Você gosta dela ou você ama ela? – Perguntei, ele me olhou intensamente como se dissesse “não me pergunte algo que nem eu sei responder”.

_Vamos mudar de assunto...

Eu e Felipe conversamos muito naquela noite, colocamos o papo em dia como dizem, Felipe era mesmo de antes, era alegre, sorridente e incrivelmente bonito. Eram quase duas da manhã quando subimos para dormir.

Nós passamos o Natal na casa dos pais de Horlando como sempre passávamos, ele apresentou Clara a todos e todos ficaram encantados com ela. Mirian já havia amado a nora.

Ano novo fomos para a rua, vimos os fogos e ficamos lá, felizes. Encontramos May e Lucas lá também com suas famílias e amei os ver. May estava conversando comigo direto por mensagens de texto e ligação, disse que quando soubesse o sexo do bebê me avisaria imediatamente e claro, me chamou para ser madrinha e eu aceitei na hora. Teria um filho gerado pela minha melhor amiga.

Dezembro foi cheio de comemorações, risadas e festas. No começo de janeiro Felipe e Clara foram embora. Felipe estava normal comigo, conversávamos direto no nosso banco no jardim. As aulas voltariam em fevereiro e esse era meu último ano. 



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