História Sense of Life 4 - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Original, Violencia, Yaoi
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Palavras 3.028
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa madrugada, amores!
Muito obrigada a todos que leem.
Boa leitura!

Capítulo 10 - A Way Back


Dormir à noite se tornou um enorme desafio. Não e nem Tate conseguíamos dormir, apesar de ficarmos abraçados na cama, fingindo um para o outro que havíamos dormido, mas ambos de nós sabíamos que estávamos acordados. A ansiedade estava grande demais e não foi possível dormir, prolongando assim a noite e nos fazendo a passar com toda a nossa ansiedade e tédio que poderia ter em uma noite em que só possível dormir quando a exaustão nos tomou. Ainda sim, mesmo com todo o cansaço, acordamos assim que deu seis da manhã.

Eu não conseguia parar no que podia encontrar e no que iria encontrar. Tanto a minha mente como o meu corpo estavam totalmente a mil por dentro e por fora. Não conseguia deixar de pensar no que poderia encontrar e no que queria encontrar. Fiquei pensando sobre todo o tempo em que tomei banho e depois, enquanto Tate também se banhava, pedi um serviço de quarto.

Não sentia a mínima fome, mas Tate insistiu comigo que deveríamos comer antes de sair.

Pedi qualquer coisa que fosse comestível e forte para passarmos o resto do dia e suportar a longa viagem que iríamos fazer durante todo o dia. Quando Tate saiu do banho, o café da manhã chegou e nós começamos a comer.

Durante o café da manhã, nós conversamos e formamos uma espécie de plano, para decidir para onde iríamos ir primeiro. Era nosso plano visitar cinco casas e todas elas ficavam bem longe do hotel, mas por sorte eram próximas unas das outras e facilitava o nosso trajeto de um dia inteiro.

Quando terminamos o café, também havíamos decidido que iríamos por ordem de distância. Então, terminamos de nos arrumar. Eu peguei um mapa que tinha comprado no aeroporto e todos os nomes e endereços dos casais. Também preparei para levar comigo o meu crachá de impressa, só para o caso de ser mesmo necessário.

Nós saímos do hotel e seguimos direto para os pontos que deveríamos ir com o carro alugado. A primeira casa era a mais perto e nem precisamos descer do carro para ver que a mesma estava totalmente vazia. Não havia nenhum sinal de alguém morasse nela e havia placa de aluga-se na porta da mesma.

Ainda assim, preocupados com a possibilidade que isso poderia levantar, nós perguntamos sobre a casa na cidade e conseguimos achar o proprietário. Perguntei a ele sobre o casal que morava ali. Eram dois homens e o mesmo nos disse que eles tinham acabado de se mudar, pois a irmã mais jovem de um deles, morreu no parto e eles mudaram para outra cidade, para tentar ficar com a guarda da criança. Ele nos contou isso e ainda nos ofereceu a casa, nós negamos, arranjando uma simples desculpa e seguimos para a próxima.

As outras ficavam bem mais longe, então a viagem foi mais longa.

Na segunda casa, vimos que os moradores estavam ali e perguntamos para os vizinhos. Eles nos disseram que o marido e a esposa tinham conseguido finalmente engravidar, mas que não queria criar expectativas porque a mulher era doente. Seguimos para outra cidade, e fizemos uma parada. Já era quase meio-dia e toda essa busca já estava começando a ser frustrante, mesmo que só estivesse no começo.

Paramos num restaurante para descansarmos um pouco. Deveríamos comer, mas nenhum de nós estava com fome, então só escolhemos por beber um suco e esticar um pouco as pernas. Eu e ele evitamos conversar sobre qualquer coisa. Não queríamos falar sobre o que era mais do que óbvio e que machucava muito. Quando fomos embora, prosseguimos com a viagem pelo resto da tarde.

Nós fomos em cada casa que marcamos para ir.

A terceira casa, estava quase vazia, mas ainda tinha uma pessoa lá e era uma só. Isso porque o casal que havia lá, não existia mais como um casal. Eles estavam se divorciando e se mudando para outro lugar. A quarta casa era mais distante e ficava bem nos limites daquela cidade. Mas encontramos, e descobrimos que o marido da mesma havia acabado, a poucos dias, de morrer de Aids e por isso, eles desistiram da adoção. Ou seja, nenhum sinal do que queríamos e precisávamos encontrar.

E com toda essa distância de uma cidade para outra, ficava cada vez maior e nós estávamos cansados e mais do que estressados. Vimos a tarde chegar, e logo estaria anoitecendo, em poucas horas e não tínhamos muito mais o que fazer. Seria melhor ir para o hotel por hoje, mas ainda faltava uma casa da nossa lista e apesar do horário e do cansaço, eu queria ir lá. Tate estava cansado de dirigir tanto e eu estava disposto a dirigir por ele na volta, mas queria ir para aquela casa e olhava para o mapa, na área que eu marquei.

-Acho que devemos procurar mais em mais uma casa. — Digo eu, olhando para o mapa que estava em minhas mãos, ao mesmo que segurava o papel com o endereço da casa do casal na outra mão. Da lista que procuramos nessas cidades, não tem nada em nada e isso me frustra e me assusta cada vez mais. Por perceber que tudo isso pode ser em vão.

-Está ficando tarde, é melhor voltarmos para o hotel e descansar um pouco. — Tate discordou de mim. Eu estava me agarrando a mais uma fagulha de esperança, nessa cidade, então não queria desistir antes de finalmente a ver por último.

-Seria melhor mesmo irmos procurar por uma casa. — Recomendo, e olho para ele.

-Está começando a entardecer e estamos nisso o dia todo, Eno. — Negou de novo. Não acho que seja tão tarde, mas sendo mais de quatro horas da tarde, a possibilidade de ter crianças brincando na rua a essa hora, é bem improvável e Tate tem razão, pode não dar em nada, mas sinto vontade de tentar assim mesmo.

-Eu sei, mas não custa ver só mais uma. — Insisti, pedindo e pronto para clamar se for necessário. Tate me olhou de soslaio e suspirou.

-Tudo bem. Onde fica a próxima?

-Dez minutos daqui, fica até no caminho do hotel aliás. — Lhe respondi fazendo um curto calcula mental.

-Mas passar lá então. — Concordamos então.

Tate continuou guiando o carro em frente a mesma estrada em que estávamos. Nem mesmo o cansaço me fazia desistir da ideia de que era melhor ir procurar em mais uma casa. Afinal, não seria grande coisa e provavelmente não iria fazer muita diferença. Depois de tudo o que passamos nesse dia, que não levou em nada, estou sentindo as esperanças se esvaindo de dentro de mim, como se fossem desaparecer de vez e pensar nisso me traz muita angustia.

Continuamos seguindo por esse caminho pelo tempo restante e chegamos um bairro bem pequeno. Passamos por uma igreja e um mercado, mas nem vimos hospital ou coisas assim. A cidade era cheia de árvores, poucas casas e bem rural. A placa indicava uma população de dois mil pessoas apenas. Realmente um lugar bem pequeno e fácil de achar a rua certa. Pedi para ele diminuir a velocidade do carro, para que pudesse procurar a rua correta.

Depois de cinco quarteirões, quase no fim da cidade, foi que avistei a casa de dois andares, pintada de marrom claro com um amplo jardim verdejante e um mini playground no quintal. Ao lado da casa, havia um outro imóvel que estava à venda e parecia estar vazia a um tempo pelo o que demonstrava.

-É essa casa aqui. — Aponto pela janela para casa que eu indicava. Tate olhou rapidamente para mesma, mas não deu muita atenção.

-Vou estacionar ali.

-Ok.

Tate manobrou o carro para o fim da rua oposta a casa e estacionou no meio fio.

-É a última casa por hoje. — Tate me avisou assim que tirou as mãos do volante. Eu sei muito bem o quanto ele está preocupado com o meu estado mental, assim como uma parte dele já desistiu quase que por completo e ainda estou lutando contra esse sentimento.

-Eu sei. — Garanto e tiro o cinto de segurança. Faço uma nota mental que não posso me exaltar e que tenho que pensar com sensatez.

Ele também tirou e nós dois saímos do carro. Ficamos lado a lado. Eu respirei fundo e comecei a caminhar em direção a casa. Tate e eu estávamos tensos, como em todas as outras, mas eu estava muito mais. Porque havia dentro de mim uma sensação diferente e profunda, como o meu subconsciente soubesse de algo que ainda não sei.

Nós nos aproximamos da casa, ficando no limite da calçada e começamos a dar a volta por ali. Como não fomos daqui, resolvi me aproximar mais da casa a venda, assim iria parecer que estamos só olhando a casa que está vendendo. Não que as pessoas tenham ideias erradas sobre nós, e nem que levantem suspeitas sem fundamento. Passamos em frente e andamos um pouco mais até chegar na outra.

Nos aproximamos mais desta, como se olhássemos com interesse a casa que estava vendendo. Eu me aproximei da mesma e Tate veio comigo. Mantinhos o olhar sobre a casa do lado, que estavam com as luzes acesas e claramente com alguém. Observamos tudo envolta e não tinha nada fora do normal e a casa estava muito parada, então provavelmente era só outro buraco na água.

-Melhor irmos, podemos voltar amanhã. — Tate disse, suspirando desanimado.

-Tá bom. — Olhei envolta mais uma vez e nada. Senti a frustração me dominar pela quinta vez no dia. E apesar de saber que iria ser melhor voltar amanhã mais cedo, senti a de novo o fio de desespero me enforcando de novo. No fim das contas, pode ser que eu estive errado em pensar que iríamos encontrar alguma coisa desse jeito.

Tate e eu começamos a deixar aquela área, fazendo o mesmo caminho pela calçada para voltar para o carro, mas dois congelamos quando ouvimos uma voz que nó dois conhecíamos muito bem. Meu coração disparou. Lágrimas forçavam os meus olhos e comecei a tremer. Olhei para ele que estava tão ou mais espantado do que eu. Me perguntei no segundo seguinte se não estávamos ficando loucos de vez, a ponto de ouvir a voz da Mia por aí, mas aí ouvimos de novo e era a voz da Mia.

-Eu não quero brincar! — Ela se negou de novo, com a voz choramingada e raivosa.

Nem pude me conter no momento seguinte, só me deixei levar pelo sentimento, pela ação da hora. Tate segurou minha mão, mas não me deteve e veio junto comigo. Nós demos a volta na rua, e entramos perto de um grande grupo de árvores, onde se dava para espiar a parte detrás da casa, que era de onde a voz vinha.

Quando conseguimos avistar o suficiente, senti todo o meu corpo tremer. Era como se eu não estivesse mais no meu corpo, como se o mundo não fosse mais real. Tate também apertou a minha mão, com a mesma forte emoção que eu, provocado pelo o que víamos.

No quintal de grama verde com algumas árvores mais a frente, estava uma mulher de cabelos ruivos, com sardas, roliça e branca, de olhos verdes. Ela vestia uma calça e uma blusa simples e ao seu lado estava um homem de barba longa, moreno, magro e mais alto que ela, de cabelos castanhos. Só que não era eles me faziam sentir tudo isso e sim, com que eles estavam.

O homem estava com Yandra, a minha filha, em seus braços. Ela estava bem mais grandinha e vestia um vestido florido. A pequena sandália no seu pé, deixava à mostra a peculiaridade com que ela nasceu. Ela estava bem maior e os cabelos se formavam, assim como os dentinhos e ela estava mastigando um boneco de borracha. Na frente deles, se encontrava a Mia.

Seus cabelos estavam mais longos e tinham sido tingidos de castanho escuro, quase preto. Ela vestia uma calça jeans e uma camisetinha com um desenho de bailarina. A mulher estava ajoelhada no chão, com um brinquedo na mão e Mia de braços cruzados, se recusando a fazer o que a mulher queria.

-Você não pode ficar dentro de casa o tempo todo, querida. — Ela dizia, querendo que a Mia brincasse, mas ela se recusava pelo visto.

-Aqui não é a minha casa. — Murmurou irritada com a mulher.

Ela suspirou paciente e senti nojo dela.

-Agora é, minha linda. — Ela tentou tocar a face de Mia, mas ela se desvio da mulher, rebelde. Nunca a tinha visto desse jeito.

-Não me chama assim. — Sibilou arisca.

-Pare de malcriação, menina. — O homem se zangou e brigou com ela.

-Deixa para lá, amor. — A mulher levantou e suspirou de novo, para manter a calma e paciência. — Vamos jantar.

O homem começou a voltar em direção a casa e a mulher pegou a mão de Mia e passou a leva-la para dentro. Tudo o que eu conseguia sentir era vontade de ir lá e pegar minhas filhas. As tirar das mãos daquelas pessoas loucas. Meu Deus, eles tinham ideia do que estavam fazendo? Do sofrimento e dor que estava nos causando e o mal que estava trazendo a elas, as deixando longe da família, a deixando longe de nós quando estamos aqui e as queremos mais do que nunca de volta. De volta aos nossos braços.

O desespero e a raiva eram tão grandes que mal pude me conter, e comecei a caminhar para frente, pronto para xingar aquelas pessoas e agarrar minhas filhas de volta, as trazer de volta para os meus braços, para as nossas vidas. Só que antes que eu desse dois passos, Tate apertou o meu pulso e me puxou para trás.

Olhei ele, com raiva e questionador por ele me impedir.

-Tate...  — Antes que soltasse a minha raiva, ele pressionou a mão bem firme sobre minha boca, me calando e me segurando firme contra o seu corpo. Comecei a me debater, queria que ele me soltasse. O que ele pensa que está fazendo?

-Shih... Não, Eno. — Sussurrou no meu ouvido com a voz chorosa, pedindo-me o impossível, que era para ter calma. — Se fizermos algo agora, vamos parecer sequestradores de crianças e até o mal entendido ser desfeito, eles podem fugir com elas. Tenha calma.

Eu sabia que ele tinha razão, mas eu não conseguia raciocinar direito. Tudo o que vinha a minha mente é que elas estão longe de nós a meses e que esse casal as cria como se fossem filhas deles, como se não tivessem sidos sequestradas e arrancadas de nós, que somos os pais delas. Que estamos aqui por elas. Tudo o que eu queria era abraçar minhas filhas de novo, mas Tate me segurava firme, se recusando a me soltar.

Ele manteve a mão na minha boca e soltou só o meu braço. Com a mão livre, buscou no bolso o seu celular. Pós na nossa frente e com uma mão só, procurava o aplicativo de câmera. Quando achou, ligou a parte de filmagem e focou bem neles e nas meninas. Ficou ainda mais nítido pôr a mulher ter derrubado o brinquedo que carregava e se abaixado para o pegar. Ele continuou a filmar até que eles entrassem na casa. Desligou a câmera e me segurou mais firme pela cintura. Agora, eu sentia as suas lágrimas sobre o meu ombro.

-Nós vamos voltar para o carro e vamos ligar para a polícia. — Disse-me. Saber que eu sabia onde e com que elas estavam e que tinha que as deixar por hora, era pior ainda. Era a pior sensação da minha vida. Sentia como se estivesse as abananando. — Temos que ser discretos, ou eles podem sumir com elas. Por favor, Eno, por elas, tenha calma. — Ele tirou a mão da minha boca, mas não me soltou.

Minha mente sabia e aceitava que era o que tinha que ser feito, que era o mais seguro para elas, mas o meu coração de pai não aceitava que eu tinha que as deixar por esse momento, mesmo que seja só por um curto período de tempo. E por causa disso, dei trabalho para Tate. Ele teve que me arrastar de volta para o carro, enquanto eu chorava.

Só parei de chorar quando chegamos ao carro.

Tate me pós dentro e logo deu a volta no mesmo e entrou neste. Eu não conseguia parar de chorar e olhar para a casa em que elas estavam. Minha maior vontade era de sair correndo do carro e ir atrás dela. De pôr a casa abaixo para pegar as minhas filhas de volta e sabendo que eu poderia fazer isso a qualquer momento, ele deu a partida no carro e saiu de lá como um louco. Ele também estava nervoso e muito abalado como eu.

-Temos que ser fortes, Eno. — Ele dizia, mas tremia e chorava tanto quanto eu. — Não sabemos se ele mantém contato com eles ou não. Se souberem de algo, pode ser perigoso. Temos que fazer do jeito certo.

-Eu sei. — Digo soluçando.

-Temos que ser fortes. — Tate respirou fundo uma e outra vez, tentando a todo custo se acalmar. Eu ouvi suas palavras e fiz o que pude para me focar nela.

-Tá...  — Tentei recuperar o fôlego, pensando e me focando no bem delas, na segurança delas. — Eu sei, vamos ser fortes.

Tate e eu assentimos e concordamos que só tínhamos que fazer o que era melhor e mais seguros e que tínhamos que ser racionais pela segurança das nossas meninas. Elas acima de qualquer coisa e com esse pensamento, nós saímos daquela cidade e estacionamos o carro, Tate chamou a polícia e explicou tudo o que vimos e que tínhamos provas de que era mesmo elas. O policial que cuidava da investigação disse que viria imediatamente para cá e que nós deveríamos permanecer no hotel e esperar pela segurança delas e da nossa. Fizemos o que nos foi recomendado, apesar da relutância pelo desejo puro de ter nossas filhas de volta.


Notas Finais


Até o Próximo!


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