História Sentimentos Excitantes - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Seohyun, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Girls' Generation, Romance, Snsd, Taeny, Taeyeon, Tiffany, Yuri
Exibições 255
Palavras 6.783
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu disse que esse capítulo ia ser postado mais rápido que os outros, mas acabei reescrevendo ele por completo, 100% hasuhaushuahsu

Capítulo 7 - Capítulo 7


[Taeyeon]

            Aquelas palavras ecoavam em meus ouvidos a todo momento. Ninguém nunca me avisou que doeria tanto assim ouvir da pessoa que você gosta que ela não sente o mesmo. Eu havia faltado as aulas restantes e voltado para casa logo depois daquilo. Fui direto para o meu quarto, joguei-me violentamente na cama e, quando menos esperei, as lágrimas já estavam escorrendo pelo meu rosto. Fiquei assim por longas horas, sem conseguir parar e encolhida feito um bebê. A sensação que eu tinha era de que um dementador havia sugado toda a felicidade da minha vida e agora só restava o vazio. Olhei pela janela, ainda agarrada aos meus joelhos, e vi que começava a anoitecer. Minha mãe logo chegaria e eu seria obrigada a descer para o jantar. Eu não queria falar com ninguém, não queria que me vissem tão quebrada como agora. Agarrei-me com mais força ao relembrar e novas lágrimas logo começaram a cair. Não imaginava que ainda podiam ter tantas sobrando. Eu deveria faltar amanhã, porque, no momento, seria impossível encara-la. Nem mesmo Jessica, que era a culpada disso. Ela sabia que eu estava ali, porque tinha me acompanhado até o banheiro, e fez aquilo de propósito. Jessica parecia ter voltado apenas para acabar com tudo, da forma como sempre conseguia fazer. Que tipo de pessoa era capaz de causar dor em sua melhor amiga? Por que sempre parecia ter o prazer em me ver infeliz? Mas eu tinha mais raiva de mim mesma do que dela, por permitir desde o começo que se achasse no direito de decidir quem entrava na minha vida. Nós precisávamos conversar mais do que nunca ou estaria sempre sujeita às suas vontades. Apesar de seus defeitos, ela sempre esteve ao meu lado em todos os momentos. Desde a minha primeira vez na escola até o falecimento de meu pai. Jessica sempre me apoiou no que quer que fosse, tirando a parte de me relacionar com novas pessoas, e chegou ao ponto de fugir de casa por mim. Ela precisava mudar ou eu teria que dizer coisas difíceis à ela. Coisas que a magoariam e a mim mesma, e que poderiam dar um fim em nossa amizade de longa data.

            Olhei pela janela outra vez e o céu já estava escuro como breu. Pela primeira vez em tanto tempo, desejei poder ver as estrelas enquanto ouvia os conselhos de meu pai. Ele sempre me amaria e me aceitaria, independentemente de quais fossem minhas escolhas. Me ouviria falar sobre Tiffany, Jessica e minhas aflições e diria palavras sábias que só ele conseguia proferir. Palavras que curariam e acalmariam meu coração tão perturbado e frustrado. Eu podia ouvir sua voz me dizendo que tudo ficaria bem e que eu não precisava me preocupar, porque a vida tem dessas coisas e que amanhã seria um novo dia e nenhum dia é igual ao outro, então eu acreditaria e confiaria nele com a minha alma. Mas ele não estava aqui há muito tempo. Meu coração permaneceria ferido e necessitado de seus cuidados. Por causa de apenas uma pessoa, acabei por pensar em mais duas e me sentir mais depressiva ainda. Esfreguei meus olhos novamente marejados, sentindo-os pesados e ardentes, e os fechei, mudando para uma posição mais confortável na cama. Eram três pessoas especiais para mim. Uma a qual já havia perdido e as outras duas, prestes a isso. Ou melhor, Tiffany ainda se encaixava nessa última? O que eu faria com Jessica? Mesmo que eu estivesse chateada pelo que fez, perdê-la seria algo insuportável e fora de cogitação. Ela era como uma irmã para mim. Eu estaria perdendo outro membro da minha família. O simples pensamento já me causava quase a mesma dor de perda que senti quando meu pai se foi. Eu teria que resolver isso da melhor forma possível e, por enquanto, pensaria em como fazer. À essa altura, já não conseguia abrir meus olhos de tão exausta, mental e fisicamente, então apenas me entreguei ao sono e à breve fuga da angústia que ele me proporcionava.

***

            Minha cabeça doía por causa do choro profuso que durou várias horas, mas eu já me sentia consideravelmente melhor em relação ao dia anterior. Estava mais calma. Olhei para o despertador sobre a cabeceira e ele marcava exatamente 07:01 AM. Levantei-me e fui ao banheiro para procurar algum remédio que aliviasse minha dor de cabeça. Vi meu reflexo no espelho e parei. Meus olhos estavam inchados e vermelhos, o que era de se esperar. Abri a torneira, juntei o máximo de água que podia em minhas mãos e joguei em meu rosto por algumas vezes. Encarei-me por algum tempo, olhando para minha expressão cansada e abatida. Algum dia me imaginei sofrendo por amor? Tentei sorrir para me animar, mas tudo o que consegui foi movimentar minha boca em um ângulo estranho, que não parecia nem um pouco com um sorriso. Fui para debaixo do chuveiro e ali fiquei, apreciando a água morna escorrer por meu corpo e relaxar os músculos doloridos pelo tempo que permaneci deitada naquela posição fetal e pelas horas em que dormi. Por um lado, minha vontade era de permanecer deitada pelo resto da minha vida e não voltar àquela universidade, mas minha mente estava em uma total contradição. O normal a se fazer, quando se é rejeitada, é se afastar daquela pessoa, certo? Então por que algo lá no fundo me dizia que não? Eu era algum tipo de masoquista? Talvez apenas idiota. Sim, Taeyeon, você é apenas uma grande idiota. Achou que seria tão fácil assim gostar de uma garota? Que a beijaria e logo depois ela correria para os seus braços? Ah, sim, definitivamente, foi isso o que eu pensei. Eu deveria ir e encara-la como a quase adulta que sou. E foi com esse pensamento que saí de casa.

Cheguei na universidade poucos minutos antes da segunda aula começar, depois de ter pulado a primeira para ficar dirigindo sem rumo pela cidade, organizando meus pensamentos e sentimentos. Fiquei parada na entrada por algum tempo, me preparando mentalmente. Inspirei profundamente e empurrei a porta. As vi conversando, debruçadas sobre uma revista, mas nem sinal de Tiffany. Expirei, me sentindo um pouco mais relaxada, mas, ao mesmo tempo, preocupada por ela não estar ali.

– Por que os óculos escuros? – Perguntou Yuri assim que me sentei ao seu lado.

– Ah... Eu... Dor de cabeça – apontei para minha cabeça – A luz não estava me fazendo bem.

– Kim Taeyeon – falou séria – Não ouse mentir para mim, eu sei o que aconteceu.

– Yuri-ah, deixe-a em paz – Yoona pediu com um olhar suplicante.

– Tiffany não veio hoje – informou e fui pega de surpresa – Ela chegou pouco tempo depois de você sair, ontem. Estava aflita.

– Foi ela quem contou o que aconteceu? – Perguntei.

– Não, Jessica. Tiffany apenas pegou suas coisas e foi atrás de você... Pelo visto, ela não conseguiu alcança-la – Yoona respondeu – Não voltou para a sala depois disso e não nos mandou nenhuma mensagem.

– Ela fez mesmo isso? – Perguntei incrédula e todas afirmaram. Uma ponta de esperança me acertou e me repreendi mentalmente por isso. Tiffany devia estar somente preocupada comigo, afinal, nós éramos amigas antes de tudo. Mesmo que não sentisse o mesmo, sabia que não iria querer me machucar.

– O que pretende fazer? – Indagou.

– Como assim o que? – Ergui uma sobrancelha e ela revirou os olhos.

– Não acredita mesmo no que ela falou, não é? – Yuri perguntou descrente.

– Pereceu bem convincente para mim – respondi e elas bufaram em frustração.

– Tae, posso não ser uma especialista no assunto, mas sei que ela sente algo por você – Yoona falou – Tiffany pode ter dito que não sente, mas está mentindo para si mesma. Lembre-se de que ela correspondeu o beijo. Então acredite em mim. Por favor, não pode desistir agora. Jessica não ajudou em nada forçando-a a dizer o que sentia. Pense no lado dela também. Você não ficou um minuto sequer com medo do que sua mãe e seu irmão achariam disso? Do que nós acharíamos disso? Se eu estivesse no lugar de Tiffany, sei que teria feito o mesmo. Se eu estivesse confusa e com medo de todas as pessoas ao meu redor, negaria até o fim.

– Taeyeon – Seohyun apressou-se e foi para o lado de Yoona – Eu posso dizer com certeza de que você sentiu esse medo. Lembra? Você não falou nada para mim até que eu mesma perguntasse. Tiffany só precisa de um encorajamento, de pessoas que digam à ela que está tudo bem em se sentir assim, da mesma forma que fizemos com você – Elas estavam sérias quanto a isso. Eu deveria tentar outra vez? Algo dentro de mim me dizia que sim, que o que estavam falando era a mais pura verdade. Eu a senti por um breve momento naquele dia, quando a beijei e ela não fez nenhuma menção de se afastar.

– Certo, o que eu deveria fazer então?

– O que nós deveríamos fazer – corrigiu Seo e sorriu de canto – Não está sozinha nessa.

– Seremos seus cupidos – falou Yuri com os dedos juntos formando um coração.

– Vamos começar com uma mensagem – falou Seo, pegando seu celular e digitando algo. Segundos depois, meu celular vibrou e o peguei. Ela havia enviado uma mensagem no grupo, para Tiffany, perguntando onde estava.

– Acha mesmo que ela vai resp... – mas antes que eu pudesse terminar a frase, o celular vibrou outra vez e desbloqueei a tela na mesma hora para ver sua resposta.

– Ok, passo 1 concluído! Agora vamos sair daqui – falou e começou a me puxar para fora da sala, com Yoona e Yuri nos seguindo lado a lado. Eu estava começando a temer seus planos.

[Tiffany]

As ruas estavam bastantes movimentadas enquanto papai e eu caminhávamos a procura de mais uma loja de roupa. Ele tinha, finalmente, tirado uma manhã de folga e se propôs a passar um tempo comigo, mesmo que isso significasse faltar aula. Estávamos aqui para nos divertirmos, porém, mesmo que devesse estar feliz com isso, aquela dor continuava a me acertar cada vez mais forte. Eu deveria estar satisfeita com isso, certo? Era o que eu planejava desde o início, eu sabia que seria assim, mas tudo mudou quando a vi parada naquele banheiro, olhando para o nada, com um vazio em seus olhos. De repente, o muro que eu havia erguido com o medo e a dúvida tinham desmoronado. Eu merecia isso. Merecia muito sentir o que estava sentindo agora, porque era o que eu tinha causado nela, eu era um lixo de pessoa.

Viramos em mais uma esquina e papai avistou uma nova loja. Ele estava realmente se esforçando por mim, mesmo que odiasse fazer compras. Em momento algum se queixou por estar fazendo isso, apenas se mantinha ao meu lado, com um sorriso de ponta a ponta e perguntando se eu queria mais alguma coisa. Eu estava me esforçando também, para me manter animada, mas, vez ou outra, meus pensamentos sempre voltavam à ela, me deixando momentaneamente melancólica. Entramos no local e papai logo me incentivou a escolher o que quisesse. Me dirigi para mais fundo na loja, enquanto a vendedora me acompanhava e tentava, sem sucesso, me convencer sobre comprar alguns vestidos estampados e de cores neutras que estavam em destaque na vitrine. Eu estava sem ânimo e cansada para continuar, então apenas peguei um vestido dos quais ela havia mencionado e me encaminhei ao caixa para sair logo dali. Papai estava sentando em uma das poltronas livres e ergueu as sobrancelhas quando me viu de volta tão rápido.

– Você vai levar apenas isso? – Perguntou.

– Sim. Podemos ir para outro lugar? Acho que já são roupas o suficiente por enquanto – sugeri e ele assentiu. Saímos da loja e começamos a caminhar sem rumo pelas ruas.

– Stephanie – ouvi a voz de meu pai ao meu lado – Você esteve um pouco quieta desde que saímos de casa. Esse lugar traz lembranças, não é? É por isso que está assim?

– É um pouco nostálgico, mas não é ruim – respondi, mas sua feição preocupada não relaxou.

– Sei que gostaria que fosse sua mãe aqui, como costumava ser...

– Pai, de verdade, estou agradecida por você ter tirado um tempo para ficar comigo. Eu amo a mamãe, mas não sinto tanto a sua perda como antes. É claro que ainda sinto sua falta, mas estar aqui não me incomoda como você está pensando – sorri para tentar acalma-lo e ele pareceu relaxar um pouco.

– Se não é isso, então o que é? – Insistiu.

– Podemos tomar sorvete? – Mudei drasticamente de assunto e, para o meu alivio, ele concordou e pediu para que eu me sentasse em um banco do parque do outro lado da rua, enquanto comprava para nós dois. De que forma eu poderia falar sobre o que tanto me afligia? Ele continuaria insistindo, tinha certeza disso, porque estava preocupado. Talvez, ao menos dessa vez, eu pudesse ser um pouco mais corajosa. Por mais que eu estivesse com medo da sua reação, eu sabia que ele não seria o tipo de pai que me condenaria ao inferno e me colocaria para fora de casa. Ao menos eu tinha esperança nisso. Porém, eu precisava rondar o terreno para ter certeza. Ele era a única pessoa com quem eu poderia conversar sobre isso.  O vi retornando com um sorriso animado e duas casquinhas de sorvete de baunilha nas mãos. Afastei-me no assento para deixa-lo se sentar e ele me entregou uma. Ficamos calados enquanto saboreávamos o gelado, mas, como eu havia previsto, não demorou muito para que quebrasse o silêncio.

– Então... – pigarreou e olhou de esguelha para mim – O que a está deixando preocupada ou seja lá o que for? – Era a hora da verdade. Tomei fôlego e o encarei nos olhos.

– Pai, você se decepcionaria comigo? – Perguntei quase em um sussurro e ele levou um tempo para entender.

– Por que está perguntando isso? Não está envolvida com drogas ou algo do tipo, está?

– Não – ri da suposição, mas logo recuperei meu semblante sério – Se eu escolhesse um caminho diferente do que você e mamãe planejaram para mim, ficaria decepcionado? – Insisti. Ele me olhou intrigado e ponderou por alguns segundos antes de responder.

– Você está falando sobre aquilo? O que conversamos no outro dia? – Assenti com a cabeça – Eu acredito que todos temos o direito de levar nossas vidas da forma como achamos melhor. Eu, como pai, criei toda uma... Como posso dizer? Toda uma expectativa? Acho que é isso. Criei toda uma expectativa de como seria sua vida, desde que estava no ventre de sua mãe, mas não é algo que deva levar em total consideração. São coisas que os pais fazem. É por isso que está tão para baixo?

– Se eu fosse... diferente, ainda me amaria? – Persisti. Eu precisava ir mais afundo para saber.

– Diferente como?

– Fora do normal...

– Eu sei o que significa o termo “diferente”, querida – riu. Eu era a única tensa com esse assunto aqui?

– Diferente em ter gostos diferentes... – fiz uma careta de desgosto com a minha explicação e ele riu outra vez.

– Seja mais específica, por favor – pediu e bufei em frustração.

– Como... – pigarreei e tomei fôlego outra vez. Eu deveria falar de uma vez? Meu coração estava batendo com força contra o meu peito. Não conseguiria falar assim – Como... Fora do convencional.

– Por Deus, Stephanie. Você parece com sua mãe quando fazia algo errado e ficava com medo de me contar. Se não quer falar, tudo bem. Mas, respondendo sua pergunta, sim, eu a amaria da mesma forma, mesmo que fosse um E.T – falou com um sorriso sincero e bagunçou meus cabelos como se eu fosse uma criança – Seja lá o que for, não se preocupe tanto.

– Então é assim? Você vai dar a resposta sem saber do que se trata? – Perguntei confusa e ele suspirou.

– Você está usando drogas? – Perguntou sério.

– Não...

– Está pensando em abandonar os estudos?

– Não... O que...

– Está vendendo... Hum... Seu corpo? – Pigarreou e arregalei os olhos com a pergunta.

– Não! Definitivamente, não! – Me apressei em responder.

– Então não é algo com o que eu precise me preocupar – deu de ombros e apoiou os braços no banco – Este sorvete despertou minha fome. Vamos procurar um bom lugar para comer? – Perguntou de repente, levantando-se do assento e começando a andar, sem me esperar, e me levantei rapidamente para acompanha-lo.

            Caminhamos por mais algum tempo procurando algum bom lugar para comer. Como ainda era cedo, não podíamos almoçar, então optamos por comida não saudável, apenas por hoje. Depois da nossa pequena conversa, meu humor havia melhorado consideravelmente e ele parecia estar mais relaxado por isso. Ele não se dera conta do que eu estava tentando falar, mas era um alivio saber que gostar de uma garota não estava na sua lista de decepções. Meu coração se sentia bem mais leve após ouvir isso. Estávamos na fila para fazer nossos pedidos quando senti meu celular vibrar no bolso do meu short. O peguei e fiquei surpresa ao ver que Seohyun estava me perguntando onde eu estava. Respondi rapidamente e esperei por retorno, mas não veio, então guardei o aparelho outra vez. Por que estava curiosa sobre isso? Será que Taeyeon foi à aula e contou o que houve? Elas deveriam estar me odiando pelo que fiz. Aish, eu tinha que consertar isso. Ela ainda iria querer conversar comigo? Ouvi meu pai me chamando e sai do meu devaneio por alguns instantes, para, finalmente, fazer o pedido.

Após mais algum tempo de espera, finalmente recebemos o lanche e fomos nos sentar na mesa próxima à janela. Papai agora falava ao telefone com alguém do trabalho. Ele tinha tirado apenas a manhã de folga, então não levaria muito tempo até ter que voltar para a empresa e eu, para casa, para passar o resto do dia sozinha e enfurnada em meu quarto. Enquanto ele estava ocupado, passei a olhar as pessoas que caminhavam pela rua, sem dar muita atenção. Foi quando vi 4 silhuetas bastantes familiares ao longe e me engasguei com o refrigerante quando constatei que eram realmente elas. O que estavam fazendo aqui? Elas estavam vindo na direção da lanchonete. Foi por isso que Seohyun perguntou onde eu estava?

– Você está bem? – Papai perguntou com uma expressão confusa enquanto tapava o microfone do celular.

– T-tudo. É que eu vi... algumas pessoas – tomei mais um gole para parar a tosse. Eu ainda não estava pronta para encara-la. Olhei novamente pela janela e elas já não estavam do outro lado da rua. Percorri os olhos por todo lugar e, então, ouvi o sino da porta soar. Yuri adentrou o local e acenou assim que me viu. Logo depois, Yoona entrou, seguida por Seohyun e Taeyeon, que parecia extremamente sem graça. Elas se aproximaram da mesa um pouco acanhadas por ver que eu não estava sozinha.

– Hey, Tiffany – Yuri foi a primeira a falar. Papai, que tinha retornado para a chamada após o meu pequeno incidente com a bebida, assustou-se ao vê-las e olhava de mim para elas, esperando que eu falasse alguma coisa.

– Pai, essas são minhas ami... colegas de curso – falei. Eu ainda poderia considera-las amigas? – Yuri, Yoona, Seohyun e Taeyeon – apontei para cada uma delas enquanto dizia seus nomes.

– Muito prazer em conhece-las, meninas – cumprimentou e elas fizeram o mesmo.

– Não imaginávamos que você estava com seu pai – Seohyun falou envergonhada.

– Aconteceu alguma coisa? – Indaguei.

– Nós apenas queríamos vê-la. Você faltou à aula e ficamos preocupadas – respondeu e arregalei os olhos. Ela estava falando sério? Mesmo depois do que fiz?

– Você pretendem ficar em pé para sempre? Parece ser desconfortável – Papai brincou e se afastou no assento para dar mais espaço. Fiz o mesmo que ele e Seo e Yoona sentaram-se ao meu lado, enquanto Yuri e Taeyeon ficaram ao lado dele – Esperem um pouco. Já estou terminando a ligação.

– Então, Tiffany... – Yuri começou – Nós viemos chama-la para ir ao fliperama.

– E a aula? – Perguntei confusa. Ela tinham faltado a aula para ir jogar?

– Você faltou, por que não podemos também? – Respondeu fazendo biquinho.

– Você quer ir ao fliperama com suas amigas, Stephanie? – Papai perguntou. Eu não tinha percebido quando ele havia desligado a ligação. Olhei para Taeyeon, que permanecia calada, procurando por algum indício de que não queria. Mas ela estava ali, não é? Ela não me odiava? O que houve com a reação de ontem? Não percebi que a encarava esse tempo todo até que ele falou outra vez, chamando minha atenção – Querida?

– Ah, eu... Você vai embora? – Indaguei assim que notei o motivo por trás da pergunta.

– Era o Jimin ao telefone. Vou precisar voltar mais cedo. Aconteceram alguns problemas que só eu posso resolver – falou com desapontamento.

– Mas você disse que passaria a manhã inteira comigo – retruquei. Era a primeira vez desde que cheguei que tínhamos um momento pai e filha de verdade. Ele não podia estar falando sério. Papai olhou com um sorriso envergonhado para as garotas e voltei a me dar conta de que não estávamos mais sozinhos. Eu estava agindo como uma criança carente na frente delas – Tudo bem. Sem problema – falei desanimada.

– Vou deixa-la com vocês então, meninas. Até mais tarde – despediu-se e me beijou no topo da cabeça enquanto Yuri e Taeyeon saíam do banco para dar passagem.

– Nos desculpe por isso, Tiffany. Se soubéssemos que estava com seu pai, não teríamos vindo – Seo falou envergonhada.

– Não tem problema. Ele teria ido, de qualquer forma – dei de ombros e dei um sorriso fraco.

– Então... Você quer ir jogar? – Ouvi Taeyeon se dirigir a mim pela primeira vez desde que chegou e levantei os olhos para vê-la. A expressão que vi no dia anterior já não existia mais. Ela me olhava nos olhos e exibia um sorriso de canto, como se nada tivesse acontecido. Sendo assim, estava tudo bem em aceitar, certo?

– Bom... Já que estão me convidando, por que não? – Sorri de volta e Seohyun bateu as mãos animada.

O lugar estava praticamente vazio quando chegamos, pelo fato de ainda ser manhã e de parecer que somos quase as únicas a matar aula para jogar. As garotas estavam extremamente animadas com todos os jogos disponíveis apenas para nós. Não precisaríamos esperar a vez de ninguém e isso era ótimo. Yuri logo avistou um jogo de carros e saiu correndo, literalmente, para ele, arrastando Yoona e Seohyun com ela e deixando Taeyeon e eu sozinhas.

– O que quer jogar? – Perguntei.

– Luta? Será que tem Street Fighter aqui? Se não gostar desse tipo de jogo, podemos procurar outro.

– Eu gosto – sorri e ela fez o mesmo. Seguimos para o lado oposto de onde as garotas estavam e nos sentamos em frente à uma das máquinas com jogos de luta dali. Taeyeon tinha um olhar determinado quando começamos o primeiro round. Ela havia escolhido Ryu e eu, Chun-Li. Eu me movimentava rapidamente pelo cenário, desviando de seus golpes e a atingindo sempre que conseguia pega-la com a defesa baixa.

– Acho que estes botões não estão funcionando direito – reclamou quando desferi um golpe especial, fazendo seu Life reduzir para menos da metade. Ri da sua frustração e ela pareceu ficar mais concentrada. Não demorou muito para que finalizássemos o primeiro round com a minha vitória.

I win! - Gritei e joguei os braços para o alto em comemoração. Taeyeon olhava fixamente para a tela, boquiaberta.

– Uau, preciso admitir que você é boa nisso, mas ainda não acabou! Segundo round! - Falou alto e, novamente, determinada a me vencer. Decidi dar um pouco de vantagem no começo e ela logo recuperou a confiança. Porém, seu sorriso se desfez e deu lugar a uma expressão de descrença quando disparei mais golpes especiais, sem dá-la a chance de se defender. Logo a tela indicava que eu havia ganhado novamente – Aish, definitivamente, estes botões estão com defeito.

– Pare de tentar botar a culpa na máquina, apenas admita que sou melhor – sorri triunfante e fiz um V com os dedos em meu queixo. Taeyeon olhou em volta e depois parou em mim, sorrindo como uma criança sapeca. Ela estava tão fofa agindo assim.

– Já sei de um que você não vai ganhar – levantou-se e me puxou pela mão. Nós estávamos agindo tão normalmente e isso não era nem um pouco estranho. Era como se o que aconteceu ontem não passasse de um sonho, um daqueles bem ruins. Revirei os olhos assim que percebi do que ela estava falando.

– Isso é injusto! – Falei, mas ela foi logo pegando as duas armas e colocando uma delas em minhas mãos.

– Aquilo também foi! – Retrucou com um biquinho – Você não me disse que gostava de jogos de luta.

– Mas eu disse, sim!

– Ok. Isso é verdade... Então vamos ficar empatadas, pelos menos – virou-se para o jogo e o iniciou. Eu era realmente ruim quando se tratava de tiros. Nunca consegui melhorar minha mira, por mais que eu tivesse jogado vários jogos desse tipo. Enquanto eu havia conseguido matar ao menos 2 zumbis e já tinha morrido, Taeyeon estava na segunda fase, com quase todo seu Life preenchido e com o contador de abates muito superior ao meu. Ela parecia uma criança pelo modo como agia, gritando para os personagens na tela como se eles pudessem ouvir e comemorando alto quando os matava. Era um lado seu que eu não havia visto até agora.

Ficamos mais alguns minutos presas naquele jogo, enquanto Taeyeon subia de fase sem muita dificuldade e eu a observava, sem dar muita atenção ao que estava acontecendo naquela tela. Estarmos aqui, juntas, ainda era algo surreal na minha cabeça. Eu estava tão preocupada desde o dia anterior, tão machucada por tê-la magoado, no entanto, ela ainda ria e sorria para mim, como se eu nunca tivesse feito nada disso à ela. Se ainda restavam partes intactas daquele muro de medo e dúvida, eu faria questão de destrui-los por causa dela. Porque, apesar de tanto ter negado, eu queria estar com ela, não somente como amiga.

– Eu gosto de você – sussurrei enquanto estava perdida nesses pensamentos.

– Hum? – Perguntou absorta no jogo – Olha, Tiffany, pontuação máxima! Ufa, terminei aqui – virou-se e sorriu de ponta a ponta para mim, fazendo meu coração ser preenchido com aquele sentimento tão bom, que, por um tempo, fora desconhecido e, depois, renegado – Fany-ah? – Chamou quando não dei resposta. Eu só conseguia olhar para ela feito uma boba – Nós podemos jogar outro, um que nenhuma de nós saiba. Não fique chateada.

– Não estou – respondi e sorri de canto para não deixa-la apreensiva e peguei sua mão, levando-a em direção a outro jogo – Vamos procurar por outro.

– Você tinha falado alguma coisa naquela hora? – Ela realmente não tinha ouvido? Mas não importava, eu falaria quantas vezes fosse preciso. Parei de andar e Taeyeon fez o mesmo, com uma expressão curiosa. 

– Eu disse que gos...

– Aí estão vocês! – Ouvi Yuri gritar – Aigoo, nos abandonaram.

– Ya! Vocês que saíram correndo e nos deixaram para trás – Taeyeon replicou e Yuri deu a língua para ela, fazendo uma careta engraçada, mas logo a agarrou pelo braço e tentou puxa-la na direção em que veio – Aish, o que está fazendo?

– Você vai jogar comigo agora – respondeu mandona.

– Mas Tiffany e eu já estávamos indo – Tae retrucou, tentando se soltar do aperto.

– Ela vai jogar um pouco conosco agora, Taeyeon. Certo, Tiffany? – Seohyun disse e veio para o meu lado, entrelaçando um braço no meu – Vamos? – Piscou para mim e a acompanhei, junto à Yoona, vendo Taeyeon em protesto sendo levada para longe. Paramos em uma mesa de Hockey Air e fiquei aguardando enquanto ela passava o cartão com crédito para ativa-la.

– Quem vai jogar primeiro? – Seohyun perguntou e Yoona olhou para mim e acenou com a cabeça em direção à mesa – Você começa – informou e lançou o disco para o meu lado.

Assim como tiro, hockey se tratava de pontaria, então, consequentemente, eu era ruim nele. Porém, Seo parecia não ser muito boa também, então travamos uma pequena batalha frustrante de erros e mais erros seguidos, com alguns lances de pura sorte. Terminamos com o placar contabilizando 2 para mim e 3 para ela. Yoona, entretanto, era surpreendentemente hábil com o disco. A cada 4 jogadas, conseguia acertar 2 e as restantes passavam muito próximas do pequeno gol. Estávamos na quarta rodada, eu contra Seohyun outra vez, quando ela inesperadamente tocou no assunto que eu já praticamente havia esquecido.

– Jessica nos contou o que aconteceu ontem – lançou o disco para a borda e ele ricocheteou por toda a mesa, quase pontuando. Estava falando calmamente, sem um tom acusatório ou repreendedor. Ela levantou os olhos para mim e sorriu gentilmente quando não respondi – Sei que não nos conhecemos há anos, mas nós nos tornamos amigas, certo? Eu não sabia como começar o assunto, mas, acho que desta forma está bom – fez uma pausa, aparentando estar receosa. Movi a cabeça, indicando para que continuasse, e ela suspirou – Quando é um assunto que considero importante, acabo sendo um pouco direta demais. Então, espero que isso não seja demais... – pigarreou e apoiou-se nada mesa – Taeyeon, no início, também estava com medo, sabe? Foi após o pequeno acidente que fiquei sabendo que ela gostava de você. Mas ela me contou apenas quando perguntei. Se eu não tivesse feito isso, teria guardado para si por um longo tempo. Aquele dia em que marcamos de irmos para o parque de diversões, nós não fomos de propósito. Acho que isso é meio óbvio, já que 3 de nós, repentinamente, não puderam ir – riu baixo.

– Oh. Eu não desconfiei disso – respondi e ela riu outra vez. Yoona se aproximou da mesa e encostou-se nela com os quadris. Quando falou, seu tom de voz estava mais baixo que o normal.

– Onde nós queremos chegar é... Nós sabemos a complicação disso. Nós estamos em um país extremamente conservador e isso torna tudo mais difícil. Mas, veja bem, com certeza devem existir pessoas como nós 3, que não acham que gostar de alguém seja errado, mesmo que sejam duas garotas. O que você falou ontem, para Jessica, era verdade? – Ambas me encaravam apreensivas. Não havia mais motivo para mentir. Eu tinha me decidido a aceitar esses sentimentos e estava feliz por saber que haviam pessoas que não o achavam errado.

– Não, eu... – sorri de canto, envergonhada – Gosto dela – admiti e elas abriram um grande sorriso de satisfação – Me sinto mais confiante após ter conversado com meu pai – confessei.

– Você falou sobre isso com ele? – Seohyun perguntou surpresa.

– Sim, algum tempo antes de vocês chegarem. Mas não falei exatamente isso, eu apenas tive uma conversa superficial. Mesmo assim, a resposta dele me deixou mais confiante em relação a como me sinto.

– Isso é muito bom – Yoona falou pensativa e suspirou aliviada – Foi mais fácil do que pensávamos, Seo – riu e Seohyun fez o mesmo. Elas pareciam genuinamente felizes por minha confissão – Oh! Elas estão voltando – informou e virei-me para ver Taeyeon chegar toda sorridente com Yuri emburrada ao seu lado.

– Acho que está muito claro quem ganhou – falei e Yuri fez uma careta para mim, fazendo todas rirem.

– Aigoo, Taeyeon é, na verdade, uma grande trapaceira – falou.

– E você é uma péssima perdedora. Admita sua derrota, que será mais fácil – Tae retrucou animada e aproximou-se de mim – E você? Por favor, me diga que está massacrando a Seohyun – pendeu para um lado para olhar o placar digital sobre a mesa e ergueu as sobrancelhas ao ver a pontuação – Acho que alguém precisa de uma ajudinha aqui – virou-se novamente para mim e sorriu.

– Por que as duas não jogam? – sugeriu Seo, entregando o rebatedor para ela e indo para perto das outras – Nós vamos para outro, enquanto isso. Divirtam-se – piscou para mim e se foram.

– Elas parecem estar bem animadas – comentou e se posicionou no lugar – Você também.

– Tivemos um bom jogo, apesar de sermos ruins – ri e joguei o disco para ela.

– Tem certeza de que quer me deixar começar? – Arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto, provocando, me fazendo revirar os olhos.

– Não fique tão convencida. Ainda posso ganhar – brinquei e ela fez a primeira jogada, fazendo 1 ponto logo no começo.

– Vamos apostar algo? – Perguntou.

– Como o que?

– Quem pontuar, pode perguntar sobre qualquer coisa – falou e fui pega de surpresa pela sugestão, não respondendo de imediato. Ela pareceu ter se arrependido – Se não quiser, pode ser outra coisa.

– Tudo bem. Só não vale agora, depois de você ter feito 1 ponto – sorri para incentiva-la. Eu já imaginava o que iria perguntar. Ela concordou e peguei o disco para começar a minha vez. O lancei e ela conseguiu bloquear, mandando-o de volta rapidamente, mas não acertou. Ficamos na mesma por alguns minutos, quando Taeyeon finalmente goleou.

– Ontem, você realmente foi atrás de mim? – Indagou logo em seguida.

– Sim – respondi com sinceridade, eu não iria mais mentir para mim mesma ou para ela.

– Por que?

– Você precisa fazer outro ponto para perguntar novamente – sorri em desafio e ela logo tratou de se concentrar. Não se passou muito tempo e outra vez pontuou.

– Então, por que?

– Porque, depois que a vi sair daquela forma, eu... precisava desfazer o que tinha feito.

– Por... – levantei uma sobrancelha e ela revirou os olhos, entendo o que quis dizer. Dessa vez, foi a minha vez de marcar.

– Quanto de estrago eu causei? – Taeyeon hesitou um pouco antes de responder.

– O suficiente para passar o restante da tarde e da noite no quarto – sorriu envergonhada e pegou o disco. Eu tinha sido uma completa idiota com ela.

– Eu sinto muito por aquilo – falei.

– Está tudo bem, Tiffany – apressou-se em dizer.

– Não, não está, Taeyeon – ela abriu a boca para refutar, mas a impedi. À essa altura, o jogo não importava mais. Eu queria que ela soubesse e seria sincera em cada palavra – Eu fui uma grande covarde e sinto muito por isso. Me justificar será outra coisa estúpida a se fazer, mas... Veja bem, desde criança, ouvi que algum dia me apaixonaria por um homem, casaria e teria filhos com ele, mas, então, você surgiu e, quando me beijou, tudo pareceu errado. O que eu sentia pareceu errado. Então pensei em várias formas de me afastar de você. Eu vi o ingresso que deixou na minha caixa de correio. Na verdade, eu estava em casa o tempo todo e vi quando chegou – ela arregalou um pouco os olhos, mas não aparentava estar chateada ou decepcionada – Me desculpe por tê-la feito esperar no frio.

– Já passou. Não importava mais – deu de ombros – Você disse que precisava desfazer o que tinha feito... O que isso quer dizer?

– Que sou uma mentirosa e que precisava dizer a verdade à você – reconheci e nos fitamos por longos segundos em silêncio. Taeyeon parecia estar processando lentamente minhas palavras, mas, então, seus olhos se iluminaram e seu rosto passou para um tom rosado. Eu estava me sentindo muito mais leve – Então... Se você continuar sem falar nada, não vou saber o que fazer – brinquei.

– Ah... Eu... – Fui até ela e a abracei.

– Me desculpe por ter demorado a dizer isto, Tae – sussurrei em seu ouvido e a senti estremecer em meus braços – Eu gosto de você – ela passou os braços ao redor da minha cintura e me trouxe para mais perto. Toquei seus cabelos e os alisei gentilmente com os dedos, enquanto sentia o cheio característico de baunilha neles. Eu o adorava. Taeyeon escondeu o rosto na curva do meu pescoço e senti seu hálito quente tocar minha pele, fazendo com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem com o contato. Eu estava ciente das câmeras do lugar e das poucas pessoas que se encontravam imersas em seus jogos, mas eu só queria ficar mais um pouco assim, o suficiente para guardar seu cheiro e sensação de nossas peles se tocando pelo resto do dia.

– Eu também gosto de você, Fany-ah – falou baixo, ainda em meu pescoço, e brincando com as pontas do meu cabelo – Estou feliz por não ser a única a sentir isso – riu baixo e me abraçou mais forte, apoiando sua testa em meu ombro. Permanecemos assim por mais algum tempo e nos separamos lentamente, observando uma a outra, como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez. Ajeitei sua franja com as pontas dos dedos, enquanto a via sorrir de uma forma tão calorosa para mim, e me forcei a parar de encara-la ou faria algo que não seria muito bem visto ali.  

– Acho que nós já terminamos aqui, certo? – Apontei com a cabeça para o jogo e ela assentiu – Vamos procurar pelas garotas e ir para outro lugar?

– O que tem em mente? – Perguntou curiosa enquanto andávamos pelo lugar. Fiz questão de entrelaçar nossos dedos enquanto isso.

– Hum... Não sei?

– Vamos pensar nisso, mas, onde elas estão? Nós já andamos por todos os lados. Poderia ser que... foram embora e nos deixaram aqui? – Indagou descrente e pegou o celular – Vou ligar para elas. Espere um pou...

– Vamos apenas nós duas – falei, tapando a tela do celular com a mão livre – Eu quero passar um tempo com você, a sós...

– Como um encontro? – Perguntou maravilhada e assenti. Ela imediatamente guardou o aparelho e me puxou para fora do local.

– Não precisamos ter pressa, ainda está cedo – falei, rindo do seu entusiasmo. Taeyeon estava muito fofa.

– Eu sei, mas... Quero pegar alguma sessão livre de cinema – olhou para mim e sorriu sugestivamente. Entramos no carro e rumamos para lá.

            Decidimos assistir ao mesmo filme para o qual Taeyeon havia tentado me convidar: Invocação do Mal 2. Chegamos a tempo de pegar uma sessão que acabara de iniciar. Compramos uma pipoca grande para dividirmos, refrigerantes e alguns doces para saborearmos durante o filme. A sala de cinema, à essa hora, estava ocupada por, além de nós duas, apenas cerca de 10 pessoas que estavam sentadas nas fileiras do centro. Taeyeon sugeriu que ficássemos na última fila, onde não havia ninguém, e assim fizemos. O filme estava realmente no início, onde mostrava o casal Warren em uma mesa rodeada por outras pessoas e Loraine entrava em uma visão do assassinatos de uma família. Senti uma leve cutucada em meu braço e Taeyeon se inclinou em minha direção.

– Pipoca? – Ofereceu em um sussurro. Enchi uma mão e voltei a dar atenção ao filme. Depois de vários minutos, a senti novamente tocar meu braço, agora seu rosto estava muito próximo do meu. A vontade de beija-la era imensa, mas ainda estava receosa de tentar em um lugar público, mesmo que houvessem tão poucas pessoas.

– Pode me passar as jujubas? – Pediu e as entreguei. Taeyeon encostou-se no assento, parecendo estar um pouco frustrada. Eu sabia que ela estava pensando a mesma coisa. Alguns minutos depois, pediu chocolate e o passei e fingi voltar a estar concentrada no filme. O que não era totalmente mentira, mas estava muito difícil. Olhei de esguelha para Taeyeon, que se remexia constantemente na cadeira, mudando de posição.

– Não está gostando do filme? – Sussurrei, fingindo não entender sua agitação.

– Não é isso – respondeu.

– Então, o que é? Você não para de se mexer.

– É que... está escuro e todos estão prestando atenção ao filme...

– Isto é um cinema, o que mais esperava? – Ri baixo do seu comentário e isso a fez olhar séria para mim.

– É que – ela olhou ao redor, como se estivesse procurando por algo e inclinou-se na minha direção, dando-me um selinho rápido – É o momento perfeito para isso – vi pela luz da tela que ela sorria de canto e fiz o mesmo em resposta. Não havia motivo para hesitar, eu estava sendo idiota outra vez, ninguém à nossa frente estava dando a minima atenção à nós e a fileira vazia era inteiramente nossa. Taeyeon se aproximou outra vez, agora lentamente, olhando em meus olhos. Sua mão tocou meu rosto gentilmente e ela selou nossos lábios.

Depois daquele dia, na praia, a sensação dos seus lábios havia desaparecido e se tornado algo surreal, apenas uma lembrança, mas agora... Céus, como eram quentes e macios. O final diferente que tanto repassava em meus sonhos estava acontecendo.  Taeyeon abriu a boca lentamente, indicando que aprofundássemos o beijo, e passei a língua desajeitadamente pelo seu lábio inferior, sentindo o gosto adocicado do chocolate que comera há não tantos minutos atrás. Ela passou sua mão direita pela minha nuca, acariciando meus cabelos, e me puxou para mais perto na cadeira. Meu peito parecia estar em chamas com o sentimento que tanto neguei. Nos separamos brevemente para tomar fôlego e logo partimos para a segunda vez, que foi sucedida, durante o resto do tempo, por mais outras vezes. Se o filme havia passado da metade ou se já estava em seu fim, não me importava mais. Nem o som, nem as luzes do telão, nem nada ao nosso redor, apenas a garota à minha frente e o que ela causava dentro de mim. Eu não desperdiçaria mais nenhum minuto longe dela.


Notas Finais


Não sei se esse capítulo ficou bom, mas eu sempre penso isso, então postei mesmo assim q A cena do beijo foi bem curta, eu sei ><' mas vou melhorar na próxima. Além daquele beijo na praia, essa foi a segunda vez que escrevi sobre isso e ainda não sei muito bem como fazer. Prometo que na próxima vai ser melhor <3 Foi pequena também pq preciso estudar pra prova de amanhã :v então relevem <3 Aaaah sim, por conta da semana de prova, pode ser que o capítulo 8 demore um pouco mais que o normal, ok?
Criei um twitter, não sei pq, eu sempre paro de usar em algum momento, masssssss, caso queiram me seguir, sei lá, tá ai: https://twitter.com/kimtaengoo00


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