História Sentimentos não são á prova de balas - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amizade, Amor, Bangtan, Bts, Coréia, Jimin, Jungkook, Romance, Suga, Treta
Visualizações 24
Palavras 1.483
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - Bebê chorona


- O que sua mãe te contou exatamente? 

- Resumindo? Brigas de família, namorado cafajeste, crise financeira.

- Direta... - ele bateu os dedos na mesa - Eu gostava da sua mãe. Gostava mesmo, mas as coisas saíram do controle. Quando ela engravidou, eu me apavorei...o meu pai era um daqueles homens do século passado. Me obrigaria a casar com ela... 

- Tava falando que gostava dela até agora, criatura...

- Sim, mas eu tinha 18 anos... E não tinha a cabeça que você tem. Graças a Deus isso você não puxou de mim.

- Graças a Deus mesmo!

- Eu me metia com coisas erradas, deixava meus pais preocupados, não estava nem aí para a escola. Eu não seria um bom marido, e com certeza não seria um bom pai.

- Ficamos no Brasil até que eu fizesse 4 anos de idade! Você nunca pensou em ao menos comprar a porra de uma caixa de leite para a sua filha, ou um pacote de fraldas sequer? - eu estava quase jogando tudo para os ares e consegui chamar a atenção de todos com aqueles gritos.

- Como eu disse... Não seria um bom pai..

- E não se preocupe em tentar ser um agora! Nem você e nem aquela Júlia não sei das quantas fazem falta. Aliás, onde ela se encaixa nessa  desgraça?

- Queria saber como te encontrei, certo?- ele apoiou um dos cotovelos na mesa e coçou a cabeça - Uma vez, eu estava andando pela praia, sem rumo nenhum, sabe? E eu me lembro de ter visto sua mãe. Ela estava sentada na areia sorrindo e brincando com uma criança.

- Isso não responde a minha pergunta.

- Era uma menina. Eu soube quando vi de longe por causa do pequeno biquíni cor de rosa que você estava usando. Eu soube naquele momento que eu tinha uma filha, e eu nunca esqueçi.

- Novamente, isso não responde a minha pergunta.

- Tenho uma coisa para te mostrar.

Ele tirou uma coisa do bolso e me entregou. Uma foto. Haviam duas menininhas de aproximadamente 7 e 4 anos, e uma mulher na casa dos 20 e poucos, quase 30. Uma das meninas segurava uma zebra azul de pelúcia, e estava sorrindo, mostrando a janelinha do dente recém arrancado. A outra fazia careta mostrando língua e segurando um sorriso maroto. A mulher estava abraçando-as, abaixada, aparentemente perdendo o equilíbrio no meio da foto.

- São minhas meninas, e minha esposa... - um silêncio pairou no ar por alguns instantes enquanto eu olhava a foto - um dia eu e minha mulher discutimos feio.Eu fui para um bar lá perto de casa e enchi a cara. Que fique claro que não costumo fazer isso... Eram quase duas da manhã quando ela foi me buscar bêbado, tão bêbado que não conseguia me colocar de pé. Acho que no meio da bronca que ela estava me dando, eu contei a ela... Contei tudo.

- Sobre mim? 

- Sim... Sobre você, sobre sua mãe, e ela ficou uma fera de início, ameaçou pedir divórcio. Mas... Por incrível que pareça, ela me perdoou. Me perdoou, e me lembrou de uma coisa que dissemos a nós mesmos quando nos conhecemos, e quando as meninas nasceram; "Amar até mesmo quando odiar, cuidar até quando se decepcionar, e ficar até o fim".

- É engraçado te ouvir falar isso - respondi sarcástica e meio triste.

- É aí é que tá... - ele pegou minha mão - você é minha filha, faz parte da minha família, e eu posso não ter sido o seu pai antes, mas eu quero ser agora. Não por obrigação, mas porquê eu quero recompensar tudo o que eu fiz por você, tudo o que me arrependo...

Eu já sentia meus olhos encherem de água, e dizia a mim mesma, como um mantra "não chore, não seja fraca".

- Minha esposa de fato me encorajou a fazer tudo isso, então eu fui atrás da sua tia para ter notícias da sua mãe.

- E por que ela te ajudaria? Minha omma disse que ela te odiava.

- Não é assim que as coisas funcionam. Não é por que ela faria isso, mas o que ela ganharia. Houve uma época em que o marido dela perdeu o emprego, e ela também. Graças a Deus agora eu tenho uma boa condição financeira, e em troca da minha ajuda, ela teria que me ajudar também. Além do mais, ela também queria reencontrar sua mãe, fazer as pazes..

- E como nos acharam?

- O marido da sua tia é policial, e tem muitos contatos. Ele mexeu uns pauzinhos. 

- E então?

- E então que eu achei sua mãe, confrontei ela em um aeroporto quando ela estava indo fazer uma viagem. Quase a fiz perder o vôo. Mas ela não quis me ajudar, pelo contrário, mal quis olhar minha cara. Mariana é bem rancorosa...

- Vocês fez muito mal para ela.

- Eu sei... Mas eu não desisti, aprendi um pouco de coreano, o que não foi tão difícil, ficava de olho em vocês quando vinha para cá de vez em quando... Te vi algumas vezes.. 

- E por que nunca se aproximou?

- Se um cara chegasse dizendo que era seu pai o que você faria? Duvido que simplesmente o abraçasse e levaria tudo aquilo em uma boa. Já não está levando.

- E você pode me culpar?

- Não, eu não posso... Fui um cretino e eu sei disso...

- Pois se eu fosse você se concentraria nas suas duas filhas... - joguei a foto na mesa - parecem ser garotas adoráveis, e não merecem ter um pai cafajeste feito você. Disso eu tenho certeza.

- Elas são perfeitas! - ele sorriu - Bianca e Laura... São esses os nomes.

Ok, nomes brasileiros são estranhos.

- Sabe o que elas disseram-me quando contei que tinham uma irmã?

- Você contou?!

- Sim... Laura ficou um pouco confusa, tadinha... Só tem 5 anos, mas a Bianca... Aquela é esperta, madura... E embora tenha dado uma pequena bronca em mim por ter um "bebê", como diz ela, com outra mulher, ficou animada em ter mais uma irmã... Queria muito te conhecer...

Eu fiquei muda. Não sabia o que dizer.

- Quando eu estava vindo, disse a ela que iria te encontrar. E eu tava assustado... Muito assustado. Ela riu de mim, disse que você ficaria feliz, porque todo filho ama seu pai. Inocência de criança...

- Tá falando tudo isso para mecher comigo? Aposto que essas meninas nem sabem que eu existo!

- Bom... - ele tirou algo do bolso e colocou em cima da mesa. Era um colar com um pingente de morango - Era dela. Um dos primeiros que ganhou, um dos favoritos da pequena...

- E por que você trouxe?

- Porquê ela queria que eu te entregasse... E me fez prometer que te levaria para casa comigo - ele riu, e eu não conseguia nem imaginar fazer isso.

- Não quero nada que venha de você.

- Mas não vem de mim... Vem da sua irmã... 

Peguei o pingente na mão e o apertei com força. Será que ele era um bom pai para aquelas garotinhas? Quando elas choraram de noite, ele se levantou alguma vez para segura-las? E quando alguma delas caiu tentando andar de bicicleta, ele colocou um curativo?

- Se quiser um tempo, eu não vou lhe negar. Te fiz esperar 18 anos, eu posso esperar quanto tempo for.

- Que tal mais 18 anos? - falei enxugando as lágrimas que começaram a cair - Sabe como essa conversa virou minha vida de cabeça para baixo? 

- Eu imagino, e a última coisa que eu quero é te machucar, ou atrapalhar, como eu sei que fiz naquele outro dia... - ele fechou minha mão junto com o colar e a foto - Mas quero que fique com isso, independente do que escolher. 

- Eu preciso de tempo..

E de terapia.

- E como eu já disse, não vou te negar... Mas lembre-se: Amar até mesmo quando odiar, cuidar até quando se decepcionar, e ficar até o fim. Você é parte da minha família, e família não se abandona. Espero que possa me perdoar um dia...

Me levantei, sentindo que não conseguiria segurar mais as lágrimas, e andei o mais rápido possível até a saída. Do lado de fora pude vê-lo sorrir, bufar e passar a mão nos cabelos, como se não soubesse se aquilo era bom ou ruim.

Andei o caminho todo segurando aquele colar e aquela foto idiota. Em cada bueiro que passava queria jogar aqueles itens, mas logo em seguida me vinha a cabeça uma imagem onde eu ligo desesperadamente para os bombeiros implorando para tirarem-nos dali, o que provavelmente eu faria.

Quase quebrei a porta do dormitório quando a bati. Eu só me joguei no chão, como se as minhas pernas, no momento em que eu pisei naquele chão e que ninguém mais pudesse me ver, perdessem as forças.

Eu nunca havia chorado tanto na vida, disso eu tinha certeza.

Droga, Milla, eu falei para você não chorar. Mas é só o que sabe fazer. É uma bebê chorona fraca...



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