História Será que é AMOR? - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P
Personagens Youngjae
Tags Amigos, Amor, Bap, K-pop, Paixão, Romance, Youngjae
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Palavras 3.381
Terminada Sim
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - Capítulo 12


Ter consertado sozinha o aspirador fez brotar em Hyemi um orgulho tal que, de súbito, ela se viu cantando enquanto limpava a sala. E o que era mais engraçado: cantando uma música que adorava, quando criança.

Arrastou os estofados, pensativa. Talvez devesse mesmo dar uma olhada na velha casa. Mesmo que a visita não desse em nada, pelo menos serviria para aplacar a estranha nostalgia que vinha lhe atormentando ultimamente.

Mas, se ficasse ainda com mais vontade de reavê-la?, perguntou-se, confusa; ainda mais aflita para se libertar do confinamento em que vivia ali?

E por que não?, rebateu uma voz dentro dela. A empresa vinha de vento em popa e dinheiro não era problema.

Mas teria condições de cuidar da casa? Disso já não tinha tanta certeza. Sempre havia tarefas como: aparar o gramado, juntar folhas secas das árvores, tirar neve do caminho, no inverno... Coisas com que nunca precisaria se preocupar morando num apartamento. Se comprasse a casa de volta, teria de contratar alguém de confiança para esse tipo de serviço. E uma empregada doméstica, o que não era fácil de se conseguir.

Por outro lado, mudar para lá eliminaria a longa "viagem" que era obrigada a fazer todos os dias para o local de trabalho. Poderia ganhar pelo menos uma hora, o que lhe daria tempo suficiente para algumas tarefas domésticas.

Não faria nada demais em dar uma olhada, disse a si mesma, sem muita convicção, buscando a lista telefônica. 

Eunho... Não era esse o nome do corretor, segundo a mãe dela? Não devia ser difícil encontrá-lo.

Anotou o número do telefone e guardou-o na bolsa. Iria pensar no assunto e talvez, no dia seguinte, pudesse fazer uma visitinha ao sr. Eunho. Mesmo porque, poderia até analisar outras opções. Nada a impedia de adquirir uma casa menor, mais condizente com seu ritmo de vida.

Olhou ao redor, satisfeita. O apartamento não ficava limpo daquele jeito havia meses!

Preparava-se para voltar ao batente quando o telefone tocou.

Provavelmente era Taemin cancelando o convite, depois de Jihye ter lhe derrubado o teto na cabeça, concluiu.

— Oi... — A voz gostosa de Youngjae chegou até ela.

— Já está em casa?

— Não, ainda estou na fábrica. Acontece que só agora me ocorreu que pode ficar a ver navios amanhã à noite... Pensei em ligar para John e combinar um jantar a quatro, que tal?

A satisfação em ouvi-lo desapareceu como mágica. Sair com Youngjae e Meghan no reveillon, refletiu Hyemi desgostosa, e ainda com John como companhia? Essa era muito boa!

— Não, obrigada — agradeceu, docemente. — Já arrumei um programa.

Youngjae não insistiu. Com certeza estava aliviado, meditou ela. Com a consciência tranquila, podia aproveitar bem melhor a noite com Meghan!

— Não se preocupe comigo — reforçou. — Sei me virar.

— Eu sei que sim — ele concordou, indiferente. — Vou trabalhar só por mais meia hora. O convite para os sanduíches ainda está de pé ou já comeu?

Hyemi demorou a responder, só então se dando conta de que não havia jantado.

Entretanto, preferia morrer de fome a dar a Youngjae a impressão de que não vivia sem ele!

— Já jantei — mentiu, com naturalidade forçada. — Fica para outra vez. Era só isso, oppa?... Estou super ocupada.

Se tinha esperanças de que ele ficasse intrigado ou curioso para saber o que a vinha absorvendo, enganou-se redondamente. Youngjae nem sequer hesitou:

— Vejo você amanhã, então. — E um clique encerrou a conversa.

Hyemi deixou-se sentar no sofá, aturdida. Talvez comprar sua antiga casa de volta fosse uma idéia melhor do que havia imaginado a princípio. Morar ao lado de Youngjaepareceu perfeito no começo. Mas agora aquela convivência exagerada já não lhe parecia tão saudável.

Principalmente depois que Meghan entrou na jogada.

Não. Meghan não tinha nada que ver com aquilo, corrigiu-se com firmeza. A verdade era que era uma mulher adulta e precisava declarar independência. 

Youngjae podia ser uma companhia formidável. Porém, enquanto estivesse na porta ao lado, ela jamais agiria por conta própria.

"Posso viver muito bem sem ele", repetiu para si mesma. "Sou maior, vacinada, e não preciso dele para nada!"

Tomada a determinação, ergueu-se do sofá, de um salto. Tornou a ligar o aspirador e estancou ao assistir, em choque, a poeira, que acabara de recolher, salpicar todo o carpete da sala...

Véspera de Ano Novo e Seul inteira comemorava. A festa de Jihye era um sucesso: o salão fervilhava ao som de uma verdadeira orquestra de cometas e apitos, embora ainda restasse quase uma hora para meia-noite. Comida não faltava e os copos não paravam vazios.

Quando Taemin quis encher a taça de champanhe de Hyemi pela terceira vez, ela o impediu:

— Já estou na segunda!

— E daí? — Ele virou a garrafa, derramando parte da bebida borbulhante no vestido dela.

Hyemi comprimiu os lábios, aborrecida. Taemin já havia bebido demais. Tinha o rosto corado, os olhos brilhantes, e nem restara sombra de seu ar de timidez. Sem dúvida era bem mais suportável quando sóbrio.

Olhou ao redor com um suspiro. 

Conhecia a maior parte dos convidados e devia estar se divertindo. Entretanto, sentia-se distante de tudo e de todos. Pior que isso, pensou. Não queria participar da festa.

Baixou a cabeça, mirando a borda da taça. No fundo sabia o porquê de tanta insatisfação. Ao chegar com Taemin algumas horas antes, lhes foi impossível deixar de notar o tumulto no hotel, do outro lado da rua, causado por uma modelo famosa e seu acompanhante, cercados de fãs e da imprensa.

Youngjae nem sequer a havia visto. Ela duvidava, inclusive, que ele tivesse reparado na multidão a seu redor, tão absorvido estava em fitar a fundo os olhos verdes de Meghan, levando-lhe a mão delicada aos lábios.

Francamente, meditou Hyemi, Youngjae não notaria nem mesmo um torpedo explodindo ali do lado, quanto mais a presença dela.

Qual era o problema com ele, afinal?, perguntou-se, revoltada. Seria possível que não enxergasse mais nada além de Meghan?

Estalou a língua. O problema era dele. Youngjae não era nenhuma criança inocente!

Precisava mais era pensar um pouco em si mesma. Aquele tinha sido um ano cheio, memorável. Mas e quanto ao próximo? O que traria de novo?... O sucesso ou o fracasso do novo perfume.

Engoliu em seco, tomada de ansiedade. Sentia-se como se tivesse criado um monstro que ameaçava a companhia. Um monstro chamado Meghan.

Tentou apagar aquela idéia da cabeça. Não fazia sentido. E quanto ao relacionamento dela com Youngjae... 

Bem, aquilo não era de sua conta. Mesmo que os dois decidissem se casar, o que, diante das circunstâncias, não parecia impossível, tal fato não lhe faria diferença.

A questão era que, bem no íntimo, sentia-se incomodada. Talvez por não acreditar na autenticidade dos sentimentos da modelo para com Youngjae.

Se Meghan o ferisse, era provável que ele viesse a culpá-la de alguma forma.

Como se ela pudesse mesmo ser a responsável!, refletiu Hyemi desgostosa.

Tomou outro gole de champanhe num gesto nervoso. Não tinha certeza de que era apenas esse o motivo de seu mal-estar. E se Meghan não o rejeitasse? E se estivesse decidida a trocar a agitação da vida de modelo por um casamento sólido?...

Mais alguns minutos e o Ano Novo poderia entrar, cheio de mudanças para ela e Youngjae.

Respirou fundo, angustiada. Aquilo era bobagem. Não havia nada de mágico nas passagens de ano. Era só uma maneira de contar o tempo, nada mais. O dia seguinte seria como outro qualquer.

Taemin se aproximou por trás dela, depositando-lhe um beijo na nuca e Hyemi esquivou-se, aborrecida.

— O que foi? — Ele riu.

— Você me assustou.

— Ah, Hyemi, sabe como sou louco por você!... — Aproximou a boca da dela, embriagando-a com o odor de álcool.

— Não sei de nada.

— Pois sou. E é quase meia-noite. Quando o relógio der as doze badaladas, quero um beijo.

Hyemi encarou-o por um segundo, confusa.

"Onde está seu espírito esportivo?", indagou a si mesma. "Que mal há em beijá-lo, quando todos estarão fazendo o mesmo?"

A contagem regressiva começou de súbito, com o coro aumentando gradativamente, entusiasmado.

— Dez!... Nove!... Oito!...

No último reveillon, pensou, ela e Youngjae haviam passado a noite bebendo champanhe e jogando cartas no apartamento dele. Quando deu meia-noite, Youngjae beijou-a no rosto, baixou as cartas e anunciou, triunfante: "Bati!..."

Estava indo de mal a pior. Como podia ser tão sentimental com uma bobagem daquelas? Se um dia resolvesse contar tal episódio para os netos, eles provavelmente ririam dela.

Já os netos de Youngjae se mostrariam curiosos para saber como havia sido o reveillon que ele passara ao lado da famosa modelo Meghan... Ou melhor, talvez com a avó deles!

"Ora, pare com isso!", Hyemi pensou, exasperada. O que Taemin tinha posto naquele champanhe, afinal? Há anos não se sentia tão deprimida!

— Cinco!... Quatro!...

Os braços de Taemin fecharam-se ao redor dela e ele a beijou, possessivamente.

— Três!... Dois!... Um!... Feliz Ano Novo! — As vozes juntaram-se em uníssono, mesclando-se ao som dos apitos e fogos.

Para Hyemi, os poucos segundos do beijo foram uma eternidade, até que alguém puxou Taemin pelo braço:

— Venha dançar com a gente, Taemin!

Ele se afastou, relutante, e ela suspirou de alívio, tomando o cuidado de evitá-lo dali por diante.

Mais champanhe foi servido para acompanhar os pratos, ao som incessante e ensurdecedor da música. 

Hyemi agitou os cabelos, tentando se livrar do confete que já forrava o chão. Sem dúvida, a festa prosseguiria até altas horas da madrugada, mas não estava disposta a ficar. Ainda mais com as pessoas bebendo tanto.

"A noite dos amadores", Youngjae costumava chamar o reveillon, referindo-se àqueles que a usavam para afogar as mágoas na bebida. Por isso costumavam ficar em casa, fazer um jantar especial e apenas jogar ou conversar.

Olhou ao redor com um suspiro, sentindo a cabeça latejar. Avistou Taemin a um canto, com nova taça de champanhe nas mãos, e foi até ele, decidida.

— Estou exausta, Taemin. Vou para casa. Obrigada por ter me convidado.

— Vou levá-la.

Hyemi piscou, indecisa. Talvez não devesse objetar. Não gostava muito da ideia de ter de pegar um táxi sozinha àquela hora da noite.

Uma vez na rua, todavia, começou a se arrepender. A primeira rajada de vento frio praticamente desequilibrou Taemin, tal era o estado em que ele se encontrava.

Quanto não devia ter bebido?, perguntou-se, preocupada.

Antes que pudesse convencê-lo a ficar, entretanto, estavam dentro de um taxi.

A temperatura no interior do carro era agradável e, no meio do percurso, Taemin já havia se livrado do paletó e da gravata. Transpirava tanto que teria tirado a camisa se ela não houvesse impedido.

Tão logo o táxi parou, ele cambaleou porta afora.

— Acho melhor o senhor levá-lo para casa... — Hyemi pediu ao motorista.

— Não! — protestou Taemin. — Preciso de uma xícara de café.

— Não sou louco de transportá-lo sozinho, madame — completou o homem. — Já tive problemas demais com bêbados!

— Mas...

— Sinto muito, moça.

Taemin abriu um sorriso patético e pagou a corrida antes de oferecer o braço a ela. Hyemi suspirou, resignada.

— Só uma xícara de café, está bem?

O zelador o observou, lançando depois um olhar interrogativo a Hyemi.

— O sr. Lee vai subir um pouco, mas desce já — estipulou ela.

Ele assentiu, reticente.

Hyemi sentiu-se mais tranquila. Se Taemin demorasse a descer, o zelador interfonaria, com certeza. Era um "código de segurança" que haviam estabelecido há muito tempo.

Taemin tentou beijá-la novamente, no elevador, e ela tornou a esquivar-se ao contato com firmeza, começando a se arrepender de ter consentido que ele subisse.

Pelo visto, uma xícara de café não seria suficiente para devolver-lhe a sobriedade. E se não conseguisse livrar-se dele?, pensou. O zelador também não era nenhum leão-de-chácara...

Uma vez na porta do apartamento, voltou-se para Taemin, resoluta:

— Obrigada. Foi uma noite muito gostosa.

— E o meu café?

— É tão tarde e...

— Prometeu que iria me dar café! — contestou ele, feito uma criança teimosa, elevando a voz que ecoou no corredor vazio.

Ela levou o dedo aos lábios, aflita. Mais um pouco e a vizinhança toda estaria acordada.

— Se eu lhe der um pouco de café, vai embora depois?

Ele fez que sim com a cabeça. Devia ter saltado do táxi sozinha, recriminou-se Hyemi. O estado de Taemin era simplesmente deplorável! Era óbvio que não estava habituado a beber daquela maneira.

Destrancou a porta e conduziu-o para dentro da sala.

— Fique sentado aqui — ordenou. — Vou fazer o café.

"E essa agora?" Mordeu o lábio rumando para a cozinha. Pôs água para ferver e apanhou um pano úmido para esfregar a mancha de champanhe no vestido, com um suspiro de desânimo.

Dez minutos depois, ao entrar na sala com o café, encontrou Taemin ressonando no sofá. Pousava a bandeja na mesa de canto quando o interfone soou, rompendo o silêncio.

— Tudo bem por aí, srta. Kwan?... — indagou o zelador.

— Tudo. O sr. Lee vai descer daqui a pouco.

— Certo. Desculpe se a incomodei, mas... achei que o rapaz pudesse estar lhe incomodando.

— Obrigada. Está tudo sob controle.

— Boa noite, então.

Hyemi pousou o fone no gancho e curvou-se sobre o sofá.

— Taemin?...

Ele murmurou algo ininteligível e ela o sacudiu levemente, tornando a chamá-lo.

Taemin entreabriu os olhos e um sorriso perigoso brincou-lhe nos lábios. No instante seguinte a havia puxado para cima dele.

— Taemin!... Seu café... — argumentou ela, incoerentemente, tentando se libertar.

— Esqueça o café... — A voz dele saiu abafada. — Quero você, Hyemi!

Uma onda de pânico principiou a invadi-la, renovando-lhe as forças. Lutou para se desvencilhar dele, mas foi em vão.

— Droga, Taemin, me solte! — gritou, a voz saindo estrangulada pelo esforço.

Em resposta ele a apertou mais contra si, mesclando o hálito de álcool com o dela.

Hyemi tentou erguer a cabeça, nauseada, amaldiçoando a si própria por ter dispensado o zelador.

Em meio à luta, um ruído de chave pareceu chegar até ela. Ou estaria sonhando?, perguntou-se, agoniada.

— O que está acontecendo aqui?! — uma voz grave irrompeu sala adentro.

— Youngjae?! — Hyemi torceu o corpo, olhando-o, surpresa. O que ele estava fazendo ali? Que fim levou Meghan?

À medida que ele cruzava a sala, ela teve a certeza de que jamais testemunhara uma expressão tão ameaçadora no rosto dele.

— Será que pode me explicar o que significa isso, Taemin? — ouviu-o indagar, apenas.

O rapaz sentou-se de um salto, afastando Hyemi rapidamente.

— Ela me convidou para subir.

"Covarde!!!", Hyemi entreabriu os lábios, pasma. Taemin correu os dedos pelos cabelos em desalinho, os olhos fixos em Youngjae.

— Não percebi que estava... invadindo seu território.

— Pois está. Agora, boa noite!

— Mas estava com Jihye outro dia e com aquela modelo hoje à noite!...

Youngjae segurou-o pelo braço, arrancando-o do sofá.

— Eu disse boa noite, Taemin!

— Sim, senhor — murmurou ele, apanhando o paletó. — Vejo você depois, Hye...

— Só por cima do meu cadáver! — rosnou Youngjae.

Os olhos do rapaz se arregalaram.

— Quero dizer, qualquer dia desses... quem sabe? — Engoliu em seco, saindo de costas pela porta, antes de voar para o elevador.

No instante em que se viu a sós com Hyemi, Youngjae explodiu numa gargalhada.

Ela comprimiu os lábios.

— Que negócio é esse de "só por cima do meu cadáver"?! — exigiu, aborrecida.

— Tsc, tsc. Tem péssimo gosto para homens — ele continuou rindo.

Ela levou as mãos à cintura, furiosa.

— Deu a entender que nós...

— Moramos juntos? Isso mesmo! Aquele imbecil não merece nenhuma explicação mais detalhada.

— Posso saber a troco de que veio até aqui?!

— Fácil. — Youngjae enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans e só então Hyemi notou que ele já não usava o smoking do reveillon. — O zelador não se convenceu de que Taemin a deixaria em paz e me interfonou, só isso.

— Ora, mas essa é muito boa! — ela exclamou, possessa. — Não sabia que era da conta dele ou da sua o que faço ou deixo de fazer com minhas visitas!

Youngjae ergueu uma sobrancelha.

— Pensei tê-la ouvido dizer: "Droga, Taemin, me solte!" — imitou-a, cínico. — Ou é uma nova prática sexual que desconheço?... Talvez eu seja mais antiquado do que pensei.

Hyemi piscou, confusa. O que estava acontecendo com ela, afinal? Devia agradecer a Youngjae  por tê-la tirado daquela enrascada e não agredi-lo assim.

No entanto, estava tão embaraçada com a situação que mal podia encará-lo.

— Não precisava da sua ajuda — murmurou.

— Ah, então estava gostando?... — Ele tirou as mãos dos bolsos. — Neste caso, desculpe se fui desmancha prazeres. — Fitou-a de modo estranho. — Suponho que agora, o mínimo que posso fazer é tentar substituir seu amigo Taemin... se minhas habilidades permitirem, claro.

Hyemi deu um passo para trás, alarmada.

— Youngjae, você está bêbado?...

— Não. Mas posso fingir que estou, se foi isso o que a atraiu em Taemin.

— Youngjae... — Ela buscou o ar, ofegante. — Não seja estúpido.

— E quanto a você, Hyemi, tem certeza de que está mesmo sóbria?... Parece que caiu num barril de vinho.

— Taemin derramou champanhe em mim, na festa! — Ela estancou, paralisada, quando sentiu os braços dele envolvendo-a pela cintura. Tentou empurrá-lo sem sucesso. Era como estar presa numa armadilha de aço.

— E ainda o trouxe para casa?... Pelo visto vou ter de representar mais do que eu imaginava.

— Youngjae, não...

— Pode me chamar de Taemin, se quiser. — Ele a forçou para baixo, obrigando-a a deitar-se no chão. — Às vezes ajuda a criar o clima, a encarnar a personagem...

Ela balançou a cabeça, aturdida.

— Não tem o direito de descarregar sua frustração com Meghan em mim!

Ele a ignorou por completo. Prendeu-a contra o carpete usando o próprio corpo, braços e pernas detendo-a sólida e inexoravelmente. Hyemi ainda lutou para libertar um braço, porém Youngjae capturou-lhe ambos os pulsos com uma só mão prendendo-os acima da cabeça dela. Com a outra acariciou-lhe a pele macia do rosto, do pescoço, descendo lenta e perigosamente até pousá-la, num toque delicado e quente, sobre um dos seios que arfavam.

— O que está querendo provar? — ela conseguiu murmurar, a voz entrecortada por um estranho misto de pânico e desejo.

— Que não tem defesa nenhuma contra um homem alcoolizado — sussurrou Youngjae contra o ouvido dela.

Hyemi comprimiu os olhos com força.

— Eu não estava com medo de Taemin!... — balbuciou com voz trêmula.

As palavras tiveram o efeito de um choque para Youngjaee, que estancou, com a respiração contida. Ergueu o rosto para encará-la, a confusão estampada nos olhos castanhos.

— Está com medo de mim?

Ela engoliu com dificuldade, assentindo devagar com a cabeça. Estava assustada demais para falar.

— Ah, Hyemi!... — Ele soltou um suspiro, rolando de lado e correndo a mão pelos cabelos, num gesto desanimado. — Eu não queria que tivesse medo de mim.

O olhar de Youngjae encontrou o dela e Hyemi leu nele uma intenção. Antes mesmo que ele se aproximasse para beijá-la, fechou os olhos. Talvez, se não o enxergasse, pensou, pudesse fingir que não estava acontecendo...

Mas não era tão simples assim. Se o beijo que haviam trocado naquela noite de Natal lhe ateou fogo nas veias, aquele foi como dinamite explodindo dentro dela.

Cada fibra de seu ser tremia, querendo distância dele e ao mesmo tempo ansiando por seu toque. Precisava que Youngjae a deixasse, e no entanto ardia de desejo, com uma esperança absurda de que ele lhe mostrasse, lhe ensinasse como era fazer amor.

De repente sentiu o corpo amolecer, dar boas-vindas a todos os beijos, a cada carícia.

— Hyemi... — murmurou Youngjae num suspiro, a voz rouca.

Ela abriu os olhos em choque, cobrindo-os em seguida com as mãos na tentativa de obliterar a imagem dele e a consciência do que esteve prestes a pedir que ele fizesse.

— Vá embora!... — implorou, num sussurro.

Por muito tempo Youngjae permaneceu ali ao lado dela, os corpos ainda quentes e trêmulos de paixão. Quando ele se afastou por fim, Hyemi quase gritou para que ele voltasse, para que não a deixasse ali sozinha.

Porém engoliu as palavras e não tornou a encará-lo, embora soubesse que ele ainda ficou ali a olhá-la por alguns instantes.

Então Youngjae se foi sem nenhuma palavra e ela continuou deitada no chão, mirando o nada.

"Eu o quero", pensou.

Ele sempre tinha sido seu melhor amigo. Mas, de repente, aquilo já não era o bastante. Precisava de mais do que sua simples amizade. Por isso vinha se revoltando tanto com a interferência de Meghan. Aconteceu tão lentamente que ela nem tinha notado.

"Quando?", perguntou-se, angustiada. Quando o afeto que sentia por Youngjae, o mesmo afeto de uma irmã para com um irmão, tinha se transformado?

Quando havia se tornado amor?



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