História Será que é AMOR? - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias B.A.P
Personagens Youngjae
Tags Amigos, Amor, Bap, K-pop, Paixão, Romance, Youngjae
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Palavras 3.203
Terminada Sim
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Capítulo 14


Quanto mais o tempo passava, mais Hyemi se convencia de que não tinha como disputar Youngjae com Meghan. E não era só ela. Nenhuma mulher teria chances contra aquele rosto de boneca, aquele corpo escultura!, aquela graça de movimentos. Com uma top model do lado, a troco de que ele prestaria atenção em alguém que já estava cansado de ver?...

Remexeu-se na cama, inquieta, trocando de posição pela centésima vez. Não podia nem mesmo tentar persuadi-lo a se afastar da modelo. A amizade deles já estava estremecida. Se continuasse atacando Meghan, Youngjae acabaria se distanciando ainda mais.

E não temia tal atitude apenas no campo pessoal. A companhia também podia sair perdendo. Desde o princípio, a sociedade entre eles havia sido exemplar, graças ao profundo respeito que sempre tinham partilhado, além da habilidade de trabalharem em conjunto. Mesmo nas divergências costumavam ter consciência dos limites que podiam alcançar.

Dessa vez, contudo, não vinha apostando muito no bom senso de Youngjae. Muito menos em seu bom humor no que dizia respeito a Meghan. E se aquela tensão se mantivesse, a Bonjil, sem dúvida, seria prejudicada.

E era missão dela evitar isso. Ela é quem deflagrou a crise, portanto tinha mais era que tratar de superá-la. Precisava voltar as boas com Youngjae, não importava a que custo. Tinha de se acostumar à ideia de que sempre o amaria, e que estava condenada a continuar sendo apenas uma amiga. 

Precisava aceitar Meghan como escolha dele, de bom grado; caso contrário o perderia de uma vez.

"Fácil dizer", refletiu, amarga. O problema era como fazer aquilo. Para começar, tentaria não expressar nada de negativo contra a modelo. Ela se esforçaria, isso sim, em encontrar algo de bom com que elogiá-la sempre que tivesse chance.

E mais importante do que tudo, decidiu Hyemi. Dali para frente, seu relacionamento com Youngjae seria estritamente comercial. Era a única maneira de salvaguardar seu orgulho. 

Quando conseguisse aplacar a dor do ciúme, talvez pudessem tornar a ser amigos. Embora nunca mais como tinham sido antes.

A consciência de que tudo se transformou entre eles doeu em Hyemi. Tentou se consolar, dizendo a si mesma que aquele tipo de coisa acontecia mais cedo ou mais tarde com qualquer pessoa. Quando alguém assumia algum compromisso mais significativo, um marido, uma esposa, era natural que as amizades fossem relegadas a segundo plano.

Mas com eles?... Não era justo, concluiu, com um nó na garganta. Podia esperar aquilo de qualquer colega de faculdade, qualquer amigo de infância. Mas não de Yoingjae.

Fechou os olhos com forca, reprimindo as lágrimas. Num acesso de raiva, esmurrou o interruptor do abajur, precisando da penumbra.

Custou a dormir. E quando conseguiu sonhou que era dama de honra no casamento de Youngjae. Que percorria a nave da igreja vestida de amarelo-mostarda, o que transformava-lhe o rosto numa máscara pálida e sem vida. 

O vestido era longo demais e ela tropeçava, caía, derrubando as flores e tendo de juntá-las em meio a gargalhadas. Meghan vinha logo atrás dela, radiante em cetim branco, pedrarias e flores de laranjeira. Dizia a todos com um sorriso: "Ela não é uma graça? Um pouco desajeitada, mas o que mais se poderia esperar"?

Hyemi regava um prato de cereais com leite, na manhã seguinte, quando Youngjae bateu à porta da cozinha. Tinha de ser ele. Ninguém mais vinha vê-la àquela hora da manhã.

Guardou a caixa de leite no refrigerador, só então percebendo que tremia. "Não seja ridícula", ordenou a si própria. "Está se saindo pior do que uma adolescente!"

Endireitou os ombros, lembrando as resoluções que tomara na noite anterior. Agora vinha a parte mais difícil.

Youngjae a cumprimentou, alegremente. Tinha os olhos brilhantes, como se de bem com a vida.

Ela mordeu o lábio, confusa. Era a primeira vez que se sentia ameaçada por vê-lo assim. Porque, estava certa, a alegria dele tinha que ver com Meghan.

"Não pense nisso", tornou a se policiar. Se a modelo houvesse passado a noite com ele, melhor que nem ficasse sabendo.

— Que bons ventos o trazem? — A pergunta saiu suave. Buscou não soar artificial, porém não pôde ocultar de todo o despeito na voz.

Youngjae a fitou de lado.

— O que anda acontecendo com você, ultimamente? Não está dormindo direito?

— Claro que estou. Youngjae, se não falar logo o que quer, meus sucrilhos vão virar um mingau! — desconversou.

— Acho que vou tomar um café.

Hyemi respirou fundo, considerando colocá-lo porta afora. Tal gesto, contudo, dificilmente vinha ao encontro de sua decisão de salvaguardar o relacionamento deles em benefício da empresa.

Observou-o movimentar-se pela cozinha à vontade, e uma onda de desejo fluiu dentro dela. Youngjae era perfeito: de rosto, de corpo, de pele...

— Hum, está uma delícia — ouviu-o elogiar, arrancando-a do transe. — Estava "seco" por um cafezinho. Há três dias não tomo um.

— Por que não?

— Porque Meghan tem uma cisma contra cafeína. Diz que faz mal para o estômago, para o sistema nervoso... até para o coração. — Riu. — Está tentando me fazer largar o hábito. Só que tomar água logo de manhã não faz muito meu gênero! — Fez uma careta.

Então Meghan andava mesmo por ali. Hyemi cerrou o maxilar, com uma pontada no coração. Quis ter certeza, porém abafou o impulso de fazer perguntas. Seria masoquismo demais.

"Seu estúpido!", teve vontade de dizer. "Se ela já quer interferir nos seus hábitos agora, o que não vai fazer depois de casada?

Em vez disso, desviou o olhar do dele, buscando as palavras.

— Tenho certeza de que Meghan só quer o seu bem... Ainda não me disse o que veio fazer aqui — lembrou-o, controlada.

— Estou a caminho dos estúdios.

— E então?

Youngjae demorou a responder. Observou-a, como se estranhasse seu comportamento, porém não fez comentário.

— Terminamos as fotos hoje, com certeza — garantiu, apenas.

— Mais cedo do que esperava, imagino...

— Verdade. Aquela garota é uma profissional e tanto em frente às câmeras. — Cruzou os braços fortes, balançando a cabeça em sinal de admiração. — Espere até ver as fotos.

— É mesmo? — Hyemi deu-lhe as costas, fingindo-se ocupada com o prato de cereais.

— Estive pensando. Acho que vou levá-la até a fábrica hoje à tarde, depois que terminarmos. Assim Meghan pode ver como é feito o perfume dela.

Hyemi quase cuspiu os sucrilhos, que já estava achando difícil engolir.

"O perfume dela?" Entreabriu os lábios, perplexa, reunindo forças para não expulsá-lo dali a tapas. Contou até dez, abrindo um sorriso forçado.

— Boa idéia.

— Só que há um detalhe. — Ele estalou a língua. — Às vezes a firma fica tão bagunçada depois do expediente... Pode dar um jeito no escritório para mim?

— Youngjae, é um ambiente de trabalho, não uma igreja!

— Eu sei, mas que custa verificar se a fábrica está em ordem?... Só para não fazermos feio.

— Meghan também tem mania de limpeza? — Ela não teve como segurar a língua. Mas arrependeu-se em seguida. — Está bem, Youngjae, desculpe. Vou ver o que posso fazer.

— Você é um anjo. — Ele pousou a xícara na pia.

Ao lado, o saco do supermercado com o restante dos mantimentos ainda aguardava a boa vontade dela... Com o folhetim. Hyemi cerrou os dentes ao ver Youngjae apanhá-lo.

— Não sabia que lia esse tipo de jornalzinho.

— Toda semana — mentiu.

Ele ergueu as sobrancelhas.

— Terrível esta foto, hein?

— Que foto? — Ela se fez de desentendida.

— Minha e de Meghan, na primeira página.

— Verdade?... Deixe-me ver.

Youngjae mirou a expressão dela, desconfiado.

— Tem certeza de que não o comprou de lembrança?

— Para quê?

Ela devolveu o folhetim, após examiná-lo com indiferença. Ele tornou a olhar a foto, os olhos quase cintilando. Estava orgulhoso, teorizou Hyemi, ressentida. 

Yoingjae, que sempre foi do tipo introvertido e que nem de longe faria questão de ver a própria fotografia espalhada pelos quatro cantos do país naquele gênero de publicação!

— Estranho — comentou, incapaz de se conter. — Não está zangado?

Ele sorriu, dando de ombros.

— Por que deveria?

— Não sei. Pensando bem, isso pode melhorar seu cartaz com as mulheres, não é mesmo?... — volveu, ácida. — Agora, se não se importa, estou atrasada para o trabalho.

— Quer dizer que está me mandando embora?!

Ela jogou fora o resto dos cereais, apanhando o casaco.

— Sabe que não é isso.

— Tem certeza de que não pode ficar só mais um pouco?

O tom de Youngjae a fez erguer o olhar, em choque. Por um instante, imaginou que ele a queria por perto. De uma maneira especial.

— Há uns detalhes sobre a campanha que eu gostaria de discutir com você...

— Se eu não for logo para lá, não vou ter tempo de arrumar a fábrica, Youngjae — Hyemi o interrompeu com firmeza, as esperanças reduzidas a cinzas. Se ele tornasse a mencionar Meghan, não responderia mais por seus atos.

Youngjae desmanchou-lhe os cabelos num gesto carinhoso, abrindo um sorriso que a aqueceu por inteiro.

— Tem razão. Apesar de que devia dar um tempo para si mesma de vez em quando. Esse excesso de responsabilidade nem sempre e saudável, sabia? — Beijou-a
no rosto. — Às vezes fico pensando que minha mãe tem razão.

— No quê? — Ela prendeu o ar, sentindo a pele arder onde os lábios dele a haviam tocado.

— Um dia vai dar uma esposa e tanto para alguém. Pena que não me dá nenhuma chance. Bem!... — Suspirou. — Vejo você na fábrica, então.

Hyemi permaneceu imóvel no meio da cozinha, as mãos crispadas ao lado do corpo, ouvindo enquanto ele se afastava, assobiando alegremente. 

Apoiou-se na pia, passando mal. Sentia a cabeça rodar, o estômago arder, pernas e braços sem nenhuma força.

— Maldito! — choramingou, agoniada. — Por que tem de fazer isso comigo, por quê?!

Queria poder voltar para a cama e dormir o resto do dia para esquecer. Mas sabia que a solidão do quarto só alimentaria mais sua angustia. O melhor era ir para a fábrica e manter-se ocupada...

Riu, então, quase histérica.

— Manter-se ocupada... Preparando o terreno para Meghan!

O tráfego já se encontrava congestionado pela manhã, o que só ajudou a piorar o humor de Hyemi. Mal ela desceu do carro, deparou-se com um alvo para descarregar sua frustração. 

Na tarde anterior havia instruído a equipe de manutenção para livrar a entrada da Bonjil da neve que a obstruía. Porém o gelo ainda cobria parte do asfalto, tornando o acesso aos escritórios difícil e escorregadio.

Venceu os metros que a separavam da porta, fervendo de raiva. Só restava Meghan levar um tombo ali e quebrar uma perna. Aí se veria às voltas com um belo processo por danos profissionais, além da culpa que Youngjae fatalmente atribuiu a ela, já que lhe havia pedido para deixar a fábrica em ordem...

Entrou no escritório feito um relâmpago.

— Está cheio de gelo lá fora — esbravejou, entre os dentes.

A secretária recuou na cadeira, instintivamente.

— Eu sei. A manutenção trabalhou horas nisso, ontem, depois que os chamou. Mas o encarregado me pediu para lembrá-la de que estamos em Seul e...

— Conheço bem minha geografia, muito obrigada!

A moça engoliu em seco.

— Só estou lhe passando a mensagem do chefe da manutenção, srta. Kwan. Ele falou que, a menos que faça sol, todo o sal não vai dar conta daquele gelo.

— Então diga a ele que vá até em casa buscar o secador de cabelos da esposa e suma com aquela neve da minha frente!

A secretária piscou, surpresa.

— Sim, senhorita.

A explosão, contudo, só fez aumentar o mal estar de Hyemi. Porque sabia que, assim que estivesse atrás da mesa, a Bonjil inteira já estaria sabendo de seu péssimo estado de humor. Seria daqueles dias em que ninguém se atreveria a procurá-la, com medo de ser esfolado vivo.

E não sem razão.

— Outra coisa... — Voltou-se da porta do escritório. — Diga a todos e à equipe de limpeza que quero esta fábrica brilhando até hoje à tarde. O sr. Yoo vai trazer uma... convidada especial.

— Certo. Ahn, srta. Kwan? — A moça chamou, hesitante. — Aquela entrevista com a senhorita está no jornal de hoje. Deixei-o sobre sua mesa.

— Obrigada. — Ela suspirou, longamente. — Desculpe se gritei com você.

— Não tem importância. Eu compreendo.

Hyemi a fitou por um instante, depois fechou a porta atrás de si. Abriu o jornal sobre a mesa, pensando na coincidência de ela e Youngjae serem notícia ao mesmo tempo. Embora, obviamente, as circunstâncias fossem bem diferentes...

Com raiva, obrigou-se a tirar a fotografia do folhetim da cabeça, tentando se concentrar no artigo à sua frente.

À medida que corria os olhos pelas linhas, no entanto, sentiu a fúria crescer dentro dela. A essência da entrevista não tinha mudado. A escolha de frases e palavras, contudo, dava claramente a entender que ela, Hyemi, não passava de uma "fílhinha de papai" que herdou a companhia e que agora pousava de presidente.

Comprimiu os lábios, possessa. "Aquela imbecil", xingou a repórter. Tinha tido a coragem de pintá-la como uma incompetente, incapaz de distinguir um xampu de um delineador, depois de todo o cuidado que havia tido em explanar a filosofia da Bonjil!

E como se isso não bastasse, a reportagem também distorcia o relacionamento dela com Youngjae. Sugeria que ela o considerava incapaz de qualquer ideia, o que a deixava numa posição no mínimo constrangedora. 

Além de fazê-la parecer uma fútil e irresponsável que levaria a companhia à falência se não fosse por ele também estar com as rédeas.

Amassou o jornal com ódio, arremessando-o contra o cesto de lixo. Devia acionar o advogado da firma contra o jornal e fazê-los engolir todas aquelas mentiras!

Difícil seria provar na justiça as maldades nas entrelinhas do artigo.

Não tinha jeito, suspirou, revoltada. Agora era aprender a lição.

Folheou o relatório da contabilidade sobre a mesa, que não abria desde a manhã anterior. Em seguida empurrou-o para longe. Não se sentia disposta a nada, nem mesmo a fazer a projeção de vendas para aquele ano. Youngjae que cuidasse disso.

Se não estivesse mais interessado em outros tipos de planos para o futuro, uma voz interveio dentro dela. Pois se ele vinha negligenciando os afazeres na Bonjil há mais de duas semanas por causa de Meghan, por que se importaria em assumir aquele serviço?

Não estava sendo justa, Hyemi estalou a língua. Youngjae tinha passado horas articulando aquela campanha, tão consciente quanto ela da importância do lançamento do novo perfume, que seria mesmo um bom produto, alicerçado numa excelente campanha publicitária. 

Somente o ciúme e a insegurança dela em relação a Meghan a impediam de partilhar com ele seu entusiasmo.

Estava tentando proteger a si própria, admitiu com tristeza. Não a companhia. Os números dos relatórios dançaram diante dela e Hyemi enterrou o rosto nas mãos, aos prantos. Não era justo, pensou, que fosse obrigada a suportar aquilo. Odiava estar tão vulnerável e infeliz todo o tempo.

Respirou fundo, enxugando as lágrimas. Então por que ficar ali, sentada, esperando mais aborrecimentos?

Afastou a pilha de papéis e pastas. Seu trabalho não vinha rendendo nada nos últimos dias, e tampouco acreditava que pudesse melhorar seu desempenho naquele estado. Talvez alguns dias afastada da Bonjil, afastada de Youngjae, longe daquele tempo horroroso, pudessem ajudá-la a se recuperar.

— Vou para Daegu — decidiu em voz alta, e as palavras tiveram um efeito mágico sobre ela. Podia sentir a angústia desvanecendo a simples ideia de poder escapar daquelas quatro paredes. Passaria um fim de semana prolongado na praia, dormindo até tarde, jogando golfe com o pai, conversando com a mãe.

Não, isso não. Se desse muita chance a Jimin, ela provavelmente iria querer falar sobre Youngjae. E, definitivamente, aquele seria um assunto proibido dali por diante.

Era isso. Alguns dias de sol e calor talvez pudessem derreter o gelo que ameaçava tomar conta também de seu coração.

Apertou o botão do interfone.

— Srta. Lee? Telefone para minha casa, na Flórida — pediu à secretária.

— Ahn... Há um tal sr. Eunho na linha. Não quer falar com ele, primeiro?

— Pode completar a ligação. — Hyemi apanhou o telefone. — Sr. Eunho?

Ele não perdeu tempo com preliminares.

— Decidiu se vai querer a casa?

— Não. Mal tive tempo de pensar nisso. Afinal foi ontem à tarde que fiz a visita.

— Pelo menos me pareceu interessada.

— E estou. Mas ainda não certa de querer morar nela.

— "Pelo menos não sozinha", completou em pensamento. — Posso saber por que está de repente tão ansioso para que eu me decida?

— Ansioso, eu? De maneira alguma. Só não quero que pense estar fora da jogada.

— Sei. Quer dizer que os outros compradores ainda não fizeram uma proposta oficial?...

O corretor não respondeu.

— Não demore muito a se decidir, srta. Kwan — disse, apenas. — Os proprietários precisam vendê-la. Não deve perder esta chance.

— Engraçado — comentou Hyemi, cínica. — Tenho certeza de que o ouvi dizendo que ela estava praticamente vendida, ontem...

— Escute, senhorita. Está interessada em fazer uma proposta ou não?

— Não sei — rebateu ela, irritada com a arrogância do homem.

— Se estipulasse uma quantia, poderíamos ter uma idéia se haveria chance de negociarmos.

— Preciso de pelo menos algumas horas para me decidir.

O homem quis protestar, porém ela o interrompeu, categórica.

— Essas coisas não se resolvem assim, sr. Eunho. Mesmo porque, foi tão contundente ao afirmar que a casa já estava quase vendida que não me dei ao trabalho de pensar numa cifra. Falo com o senhor hoje à tarde. — Desligou ç telefone com um baque. "Homenzinho insuportável", bufou, com exasperação.

Talvez Youngjae pudesse ir com ela até o sobrado dar mais uma olhada, refletiu. Ele entendia tudo sobre imóveis, portanto saberia dizer se o preço pedido era razoável ou se aquele corretor de meia tigela estava tentando passar a perna.

Não. Não pediria nada a Youngjae. Recusava-se a se apoiar nele outra vez. Caso comprasse mesmo a casa de volta, queria a transação terminada antes mesmo que ele imaginasse suas intenções. Precisava dar fim àquela mania de achar que só Youngjae sabia o que era ou não bom para ela.

Afinal, assim viveria dali por diante: por conta própria. E sozinha.

Fechou os olhos por um segundo, reunindo forças. Já era hora de verificar se suas ordens quanto à arrumação da fábrica estavam sendo cumpridas.

Ao vê-la, a secretária cobriu o bocal do telefone:

— Consegui a ligação com Daegu!

Hyemi voltou correndo para a sala. Havia se esquecido completamente daquilo.

— Mamãe?

— Olá, querida! Que surpresa ligar a esta hora!

Ela foi direto ao assunto:

— Gostaria de ter companhia neste final de semana?

— Você?! Que bom! Por que tão de repente?

— Estou com saudade do sol.

A desculpa pareceu fraca mesmo a ela, e Hyemi colocou-se na defensiva. Na certa Jimin ficaria intrigada. Se não havia tirado folga nem mesmo no Natal, por que o faria agora?...

Não saberia o que dizer. O mais provável era que começasse a chorar de novo.

Jimin, todavia, não teve a reação que ela esperava.

— Não imagina como estou contente, filha! A que horas chega seu vôo?

— Eu... não sei. Ainda nem comprei a passagem.

A pequena pausa do outro lado da linha fez Hyemi prender a respiração. Jimin, porém, não entrou em detalhes.

— Então avise quando souber, querida.

— Claro, mamãe. Um beijo.

Pousou o fone sobre o aparelho, com um suspiro. Devia estar contente pela mãe não ter feito mais perguntas. Devia dar graças a Deus por não ter de explicar o absurdo da situação.

Em vez disso sentia-se ainda mais arrasada. Mais solitária. Como se não só Youngjae, mas o mundo todo houvesse se esquecido dela.



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