História Serendipidade - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Kooktae, Kookv, Taekook, Vkook, Xkookv
Exibições 295
Palavras 5.170
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sei lá, senti vontade de escrever.
Serendipidade, a palavra apareceu no meu facebook e casou com o momento que eu escrevia a fanfic.

Aproveitem a leitura ^^

Capa pela linda da Scar<3 obrigada~

Capítulo 1 - Nós nos encontramos sem querer (único)


And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be

And I don’t want go home right now

 

Taehyung sentia entre os seus dedos o gelado do lençol, indicando o espaço vazio ao seu lado na cama excessivamente grande para apenas uma pessoa. Abriu os olhos e notou a chuva batendo contra a janela da pequena cabana em que se encontravam. Ousou passar a mão no travesseiro ao seu lado, apenas para constatar que o dono deste parecia estar acordado faz tempo.

“Acordei você?” O moreno apareceu na frente da cama, trajando apenas a calça moletom do dia anterior e segurando duas xícaras com o que Taehyung deduziu ser chocolate quente devido ao aroma agradável. A cabana era pequena o suficiente para sequer ter uma divisória entre a cozinha, sala e quarto.

“Acho que meu corpo sentiu sua falta…” murmurou um tanto manhoso.

Jeongguk sorriu, apoiando um joelho no colchão macio e afundando-o ainda mais quando se sentou no espaço vazio. Então, entregou a xícara com chocolate quente para o Kim, vendo o namorado sorrir amavelmente na sua direção e agradecer a gentileza.

“Isso significa que você quer ficar grudado em mim pelo dia todo?” perguntou, depositando a sua xícara já vazia na mesinha de cabeceira.

“Significa…” Taehyung mordiscou o lábio e deixou a xícara na mesinha ao seu lado, aproximando-se mais de Jeongguk, deixando que o lençol deslizasse por sua pele e desse a visão de seu corpo nu. “Que eu sempre só quero você.”

E o mais novo nunca entenderia como uma única pessoa conseguia abalar seu mundo daquela forma. Os mais simples sorrisos que Taehyung lhe direcionava eram o suficiente para acabar com o seu fôlego, deixá-lo com as pernas bambas e desejar que seu namorado tivesse menos efeito sob o seu corpo.

No entanto, tornava-se impossível sequer pensar em algo coerente, quando o Kim puxava sua cintura e subia em seu colo, distribuindo selares por toda a extensão de seu pescoço até chegar ao lóbulo de sua orelha. Ali, ele sussurrava palavras bonitas, enquanto seus dígitos deslizavam pelas madeixas desgrenhadas de quem acabou de acordar do mais novo. Deixava Jeongguk em um torpor de outro planeta, algo semelhante a uma paralisia alucinante, que ele fazia questão de mergulhar.

O Jeon perdia-se facilmente na intensidade daquele olhar; as orbes que lhe diziam o quanto o desejava, o queria por inteiro, o amava em todas as suas formas.

Não demorava muito para ter o corpo do loiro deitado contra os lençóis, pequenas lágrimas escorrendo pelo seu rosto e um sorriso radiante estampado em suas feições. Ele era um poço de sensibilidade e provocação; um verdadeiro sufoco para o Jeon, que insistia em se embriagar da beleza, cheiro e essência do Kim.

O mais velho deixava que cada um dos seus belos dígitos apertassem Jeongguk em todos os pontos existentes, aproveitando-se para marcá-lo apenas com a pressão exercida. Os beijos intensificavam tudo, em uma mescla de inocência e prazer. Era impossível não se sentir afetado pelo carinho, amor, desejo que eles transmitiam em meio aos gemidos baixos e arrastados; entre as pontas dos dedos do pé formigando e se contorcendo no lençol da cama. Tudo era maravilhoso demais.

Uma semana que eles estavam ali, isolados do mundo.

Uma semana que eles transbordavam um sentimento que nunca imaginaram que pudessem sentir.

Uma semana que Taehyung e Jeongguk eram um do outro em meio a bagunça que transformaram aquele pequeno lugar.

O Kim arrastava qualquer um para aquele mundo divergente que ele próprio criava. Fazia o mais novo ceder a todo pedido que pipocasse em sua mente; exatamente como fora quando decidiu que queria viajar a todo custo, para um local isolado e que eles pudessem apenas se amar das mais variadas formas.

Não era o sexo propriamente dito que o deixava em êxtase; era a entrega ao sentimento que fazia Jeongguk ver tudo mais nítido, tudo mais colorido e bonito. Ele conseguia imaginar uma diversidade de cores presentes em Taehyung que nenhuma outra pessoa foi capaz de lhe proporcionar.

“Você sempre me arrasta pra cama de uma forma ou de outra” balbuciou, fechando os olhos diante do cansaço.

De início Taehyung não ousou responder nada, apenas virando-se de lado, cobrindo-se com o lençol e observando Jeongguk de olhos fechados. O peito do mais novo subia e descia lentamente, mas não parecia ter adormecido ainda; raros eram os momentos que eles pegavam logo no sono, sempre dispostos a conversar ou emendar alguma coisa logo em seguida, a ponto de se esgotarem por completo apenas no final do dia.

Estaria ele feliz?

“Você se arrepende?” O loiro perguntou de repente.

“Do quê?” virou-se, olhando para Taehyung ao seu lado, sustentando uma expressão em branco. “De largá-lo para ficar com você?”

“Sim…” murmurou, umedecendo os lábios.

Temia a resposta para a pergunta que ousara fazer apenas agora.

Sempre que o via daquela forma, recordava-se do fato de que meses atrás, Jeongguk terminara um namoro de cinco anos por sua causa. Vez ou outra a dúvida pairava em sua mente; se o mais novo estava satisfeito com a escolha feita e se ele realmente não sentia saudades do namorado anterior.

Sabia que cinco anos não era pouco tempo e que o moreno sustentou um sentimento com o ex-namorado; amor talvez, ele não saberia dizer. Não queria saber.

Conheceram-se por acaso, na livraria em que Taehyung é dono. Conversavam constantemente sobre os mais variados livros que gostavam e gostos em comum; trocavam sorrisos que não passavam de algo cortês. Às vezes o Kim ousava olhá-lo de soslaio, e notava que o Jeon mordia o lábio inferior com força, tentando concentrar-se no livro em que lia.

Não demorou muito para uma paixão crescer dentro de si e ele suspirar pelos cantos de frustração. Tinha consciência do namorado do Jeon, chegou a vê-lo inclusive; um belíssimo rapaz de madeixas louras e sorriso angelical. Demonstravam felicidade, algo que acendia uma pontada de inveja dentro do Kim toda vez que observava os sorrisos cúmplices e os carinhos trocados.

Não estava apto a ter aquele tipo de romance, embora gostasse do sentimento que o entorpecia toda vez que via a pessoa inalcançável ali, sentado na mesinha redonda, tomando capuccino e folheando um livro qualquer.

Em uma segunda-feira pacata, surpreendeu-se quando o moreno adentrou a livraria no final do dia. A plaquinha que indicava fechado sendo completamente ignorada, e os passos apressados do mais novo vindo em sua direção. Não dirigiu-lhe uma palavra sequer.

Tampouco dera tempo de pronunciar o seu espanto.

Em uma rapidez alarmante, o Jeon prensou o loiro entre as prateleiras lotadas de livros, beijando-o com volúpia. Via-se incapacitado de processar direito o que acontecia diante das carícias que suas línguas trocavam; seu cérebro entendeu apenas o que fazia, quando ambas as roupas estavam espalhadas pelo chão e Jeongguk o pegava pelas coxas, seu corpo impulsionava-se para cima, fazendo-o se apoiar nas prateleiras.

A sensação do mais novo o beijando em meio ao sexo tirou-lhe dos eixos naquele dia. Imaginara aquele momento inúmeras vezes, nenhuma delas fazendo jus ao que sentia. Nada ao seu redor importava naquele momento, apenas o calor que emanava de ambos os corpos e do quanto ele se sentia bem consigo mesmo.

Não se assemelhava a um sexo casual como ele pensou que seria; parecia muito mais emotivo do que jamais imaginaria. O modo como eles se expressavam através do próprio corpo e dos beijos era uma mescla de paixão e desejo que exalava pelos poros a todo instante. No fundo de seu cérebro, no entanto, temia que fosse apenas aquilo; temia que fosse passageiro. Não trocaram uma mísera palavra durante o ato, apenas gemidos contidos e olhares que transbordavam tudo o que desejavam; estava óbvio que não seria apenas aquela vez ou só aquilo.

De imediato pensou no rapaz de madeixas louras com sorriso elegante, e seu coração se quebrou. Não queria ser o amante, ser o outro, ser aquele que Jeongguk procurava por sexo enquanto morava, vivia e amava outra pessoa.

Surpreendeu-se pela segunda vez naquele dia.

Após a aventura alucinante, deixando as pernas do Kim completamente bambas, Jeongguk lhe confessou ter terminado o namoro por sentir-se enlouquecido toda vez que via Taehyung. Admitiu, ainda, aparecer mais vezes do que o normal apenas para olhá-lo e, como não se sentia mais bem consigo mesmo tendo todos aqueles pensamentos puros e impuros, resolveu dar um fim na própria relação. Não sabia que o Kim o aceitaria, claro, mas resolveu arriscar diante dos sorrisos e olhares que recebia.

Totalmente sem querer.

Ninguém poderia prever aquele tipo de paixão.

Tampouco que, para o Kim, aquilo logo se transformaria em um amor que o deixava com o coração acelerado demais, a boca seca e todos os sintomas clichês que ele lia em seus livros.

Hoje, estavam juntos há cerca de sete meses e suas inseguranças ainda faziam morada nos seus pensamentos.

“Vou responder a essa pergunta apenas no final do dia.” O moreno inclinou-se e deixou um selar demorado na testa de Taehyung.

“Como assim?” indagou, curioso e ao mesmo tempo aflito.

“Quero fazer coisas bobas de casal e aí, no final do dia, você me diz o que acha.”

“Como vou saber se você está arrependido ou não de ter largado tudo para ficar comigo?” questionou, as sobrancelhas se unindo e franzindo seu belo rosto.

Jeongguk tocou no meio de sua testa, desmanchando aquela expressão que nada condizia com a beleza do Kim. Ousou acariciar o rosto do loiro, questionando-se como Taehyung ainda podia ser inseguro quanto ao que ele queria.

Sabia que não era apenas referente ao que sentia que o mais velho possuía medo e sim a sua vida anterior. Jeongguk tinha tudo — uma belíssima casa, fortuna, amigos, bom emprego, na qual foram para o ralo no instante em que confessou estar apaixonado por outro — ao lado de seu ex-namorado e, de certo modo, fora feliz daquele jeito. Porém, quando conheceu Taehyung ele percebeu que não possuía o principal em sua vida; não possuía o mais sincero amor.

Nada daquilo importava se não possuísse aquele sentimento avassalador que apenas Taehyung lhe apresentou.

O loiro o atordoava de tal forma que seus pensamentos embaralhavam-se a ponto de querer apenas olhar o teto e refletir sua vida. Passou semanas com seu ex-namorado lhe questionando o que havia de errado; sentia-se inapto a pôr em palavras o que estava dentro de seu peito. Amava o ex-namorado de um modo completamente diferente do sentimento inebriante que o Kim lhe proporcionava.

Perguntava-se internamente como pôde achar que amava o ex-namorado depois de conhecer Kim Taehyung, o dono de todas as suas emoções embaralhadas.

Havia se doado em sete meses, muito mais do que se doara em cinco anos. Gostaria de pedir desculpas ao seu ex quando o visse outra vez; nunca quis magoá-lo e tampouco dizer adeus as boas memórias que cultivaram. Apenas não era ele a pessoa certa.

Era algo nele, no loiro a sua frente, tão carinhoso, gentil, amoroso, sedento pelas coisas mais diversas, que fazia o Jeon se entregar de corpo e alma a tudo o que sentia. Deixava tudo o dominar de um modo deveras intrigante.

Precisava apenas fazer Taehyung perceber que ele já sabia do quanto Jeongguk o amava e afastar aquele lado inseguro de uma vez.

“Você saberá” murmurou em resposta.

 

- B -

 

A chuva caía com força moderada, mas Taehyung não se importava. Escolheu esse lugar justamente por querer privacidade e motivos para sequer sair da cama. Não tinha pretensão alguma de dividir Jeongguk com o resto do mundo enquanto estivessem ali. Seu egoísmo era palpável, já que o moreno trabalhava demais e estava sempre cercado de pessoas famosas.

Sentou-se no sofá da sala enquanto fitava a lareira apagada, esperando que o Jeon aparecesse com o que quer que procurava em sua mala bagunçada. A visão do mais novo com calça moletom e uma camiseta surrada era belíssima; desejava vê-lo daquele modo todos os dias, mas não sabia se era cedo demais para externar seus pensamentos quanto a morarem juntos. Parecia tão certo.

Jeongguk soava tão confortável na sua presença que lhe dava gosto. Talvez ele devesse confessar seu desejo oculto enquanto estavam ali, em um momento tão bom.

Notou o instante em que o moreno levantou-se e caminhou na sua direção. Em suas mãos uma câmera polaroid branca, um tanto gasta, e três pacotinhos de filme. Sabia muito bem que a profissão e passatempo do mais novo era fotografar, só não imaginava o que ele pretendia fazer com aquilo se eles estavam no meio do nada, sem uma mísera paisagem bela para tal.

“O que fará com isso, amor?” ousou questionar.

“Tirar as fotos mais ridículas que eu puder com você ao meu lado” sorriu, sentando-se no colo do Kim e ligando a polaroid. “Alguma objeção?”

Taehyung sorriu fofamente, como uma dócil criança. Gostava da ideia de fazerem coisas bobas e que teria significado apenas para eles. Portanto, ele balançou a cabeça e passou os braços pela cintura do mais novo, ajeitando-o em seu colo.

“Nós nunca tiramos fotos muito normais mesmo, mas acho que isso é um pouco da nossa essência de casal não convencional.”

“Eu gosto disso” riu baixo.

Jeongguk posicionou a câmera, afastando-a dos dois. Focalizou ambos no pequeno espelho que possuía, dando a visão correta de que eles caberiam na foto. Viu o Kim fazer uma careta adorável e seguiu o mais velho, batendo a foto logo em seguida.

As demais foram do mesmo jeito, em poses variadas e momentos divertidos. Logo o pequeno filme que comportava dez fotos, acabou-se. Jeongguk tinha mais, claro, no entanto achou que deveria guardar para depois.

Pegou as polaroids que descansavam no sofá e passou a olhar uma a uma, enquanto as últimas ainda começavam a aparecer por completo.

“Isso ficará ótimo no mural do corredor de casa.” O Jeon falou orgulhoso.

Taehyung mordeu o interior de sua boca e sorriu. “Ficaria ainda melhor se fosse o nosso corredor.”

Jeongguk desviou o olhar das fotografias direto para o Kim. O mais velho parecia receoso com o que havia dito, não ousando levantar o olhar para encontrar o seu. Ergueu o queixo do loiro e deixou um beijo demorado em seus lábios, deliciando-se do gosto fresco de menta e da maciez de sua boca.

“Por que eu sinto que hoje você está mais sincero que o normal, hm?”

O Kim escondeu o rosto no peito do moreno, deixando um suspiro baixo escapar por entre os seus lábios. Tinha tantas coisas para lhe dizer, mas não fora capaz de pronunciar uma palavra sequer desde que chegaram naquela cabana. Sentia-se um estúpido, pois o intuito era mostrar ao Jeon o quanto o amava, dos mais variados tipos, mas achava que não estava surtindo o efeito correto até agora.

“Qual o próximo plano?” murmurou abafado, resolvendo ignorar a pergunta do namorado por enquanto; ao menos até ter certeza do que lhe responder.

Jeongguk deu um largo sorriso e largou a câmera em cima do sofá, bem como todas as fotos. Levantou-se rapidamente do colo magro, puxando o Kim pelo pulso e o guiando para fora da pequena cabana.

Os dois estavam descalços, vestindo apenas a roupa confortável do dia a dia, mas isso sequer foi um empecilho para o Jeon, que logo arrastava Taehyung pela chuva. O loiro não tinha pretensão de protestar, queria ver até onde o namorado iria com as coisas bobas de casal que mencionou.

Não demorou muito e eles estavam na frente do lago ao lado da cabana. Com certeza estava gelado por conta da água da chuva, mas de algum modo o Jeon não parecia se incomodar com isso. Arrastou o Kim até a beirada, entrelaçando seus dedos no dele e forçando a entrada de ambos na água doce.

De início foi como um choque; a água entrando em contato com a pele e encharcando as roupas, deixando-as pesada. Depois, começaram a se acostumar, sentindo as grossas gotas de chuva em seus rostos e cabelos; tornava-se agradável com o passar dos segundos ali.

Jeongguk puxou Taehyung pela cintura, aproximando os corpos e roçando seu nariz no pescoço alheio. O mais velho dava toda a abertura possível, sentindo pequenos selares mornos em sua tez mesclando-se com as gotas frias da chuva.

“Eu podia ficar aqui para sempre” murmurou, afastando-se do loiro aos poucos, jogando o corpo para trás e deixando-o boiar na água tranquila.

“Não acha entediante demais?”

“Eu tenho você e uma vista belíssima. Isso aqui é perfeito…” sorriu, fechando os olhos lentamente e notando que as gotas da chuva pareciam cessar aos poucos.

Talvez o moreno tivesse razão e ali fosse um lugar perfeito para se morar. Taehyung sorriu para o nada, pensando nas pequenas palavras; encostou suas mãos nas costas de Jeongguk e passou a guiá-lo pelo lago, impedindo-o de afundar.

“Eu gosto de momentos como esses…” balbuciou, fazendo o moreno abrir os olhos e fitá-lo com um grande sorriso em seus lábios.

“Gosta por ser comigo ou…?” deixou as palavras pela metade, acariciando a nuca do loiro com delicadeza.

“Gosto porque são propícios e por serem com você” respondeu baixinho. Então, o loiro agarrou-se a nuca alheia, deixando um beijo estalado em sua bochecha. Afastou-se com a mesma rapidez, nadando novamente para a beirada. “Se você demorar muito tomarei banho sozinho.”

“Isso não é justo!” Jeongguk falou alto. Saiu atrás do mais velho, que corria até a entrada da cabana enquanto batia os dentes de frio, notando o moreno logo atrás de si.

Não demorou muito para ter sua cintura enlaçada pelas mãos alheias, levando-o para dentro em um abraço por trás. As roupas grudadas e pesadas dificultavam o caminho, ao passo que o chão ficava encharcado da água da chuva misturada com a água do lago. Não se importavam, no entanto, desde que pudessem tomar um belo banho demorado e quentinho.

O Jeon logo já enchia a banheira com água quente, que em pouco tempo tornou-se morna devido ao tempo mais frio. Livraram-se rapidamente das roupas geladas, querendo evitar uma possível gripe pela pequena inconsequência do mais novo.

Os pés do Kim tocaram a calmaria da água morna, aninhando-se no corpo do namorado e deixando que os braços alheios envolvessem sua cintura; a pele acobreada de sua coxa direita era acariciada gentilmente, enquanto suas mãos brincavam com os dedos do mais novo.

“Posso te perguntar uma coisa?”

“Claro. O que é?” O moreno subiu seus dedos pela cintura do mais velho, passando por seu braço e parando em seus ombros. Ali, ele passou a exercer uma pressão leve, massageando a região e tentando livrar qualquer tensão que pudesse existir.

“Como você soube que gostava de mim?”

Jeongguk findou a massagem no mesmo instante, mordendo o interior de sua bochecha e pensando nas palavras corretas para responder aquilo. Sentia o corpo do namorado se tensionando contra o seu, notando mais uma vez a sua mínima insegurança; deveria ser inexistente diante das infinitas juras de amor que o mais novo já fez.

Mas o subconsciente não é o melhor amigo nessas horas.

“Você se lembra de quando nos conhecemos?” respondeu com outra pergunta, ensaboando as costas do mais velho delicadamente.

“Lembro, por quê?” encostou a cabeça no ombro do mais novo, olhando-o dali com olhinhos curiosos e os dentinhos maltratando a pele do seu lábio inferior.

“Qual foi a primeira coisa que você fez aquele dia quando me viu?”

Taehyung crispou os lábios e tornou a pensar, repassando em sua mente a primeira vez que viu o Jeon atravessando a porta da livraria. Recordava-se nitidamente do instante em que o sininho da porta tilintou e ele viu o moreno adentrar o local; seus olhos ficaram fixos na imagem angelical que ele exalava, as feições infantis e um gorro preto escondendo sua franja rebelde. Quando o olhar de ambos cruzou, o Kim teve uma única reação.

“Eu sorri… Foi tão automático, eu simplesmente senti que precisava sorrir quando você me olhou.”

O Jeon assentiu. “E foi exatamente isso que você fez durante o restante dos meses que eu passei a frequentá-la.”

“E o que isso significa?”

“Você me conquistou com algo tão simples, Tae. Seu sorriso passou a ser a alegria dos meus dias; eu ia até lá apenas para olhá-lo e ver todo o brilho que emanava de você, toda aquela energia contagiante e a doçura com os seus clientes. Eu gostava de te observar cuidando dos livros como se fossem uma parte sua, ou do modo como arrumava cada mínimo detalhe antes de fechar.” O mais novo fez uma pausa, umedecendo os lábios e passando a mão no cabelo molhado, jogando-o para trás. “Quando eu percebi, era só nisso que eu conseguia me focar. Meu trabalho havia perdido a graça, o sexo com o meu ex-namorado não tinha um pingo de prazer, os beijos eram sem emoção, e eu passava noites em claro virando na cama pensando o quanto eu só queria te ter. Ali ficou óbvio o quanto eu estava completamente apaixonado por você, e o dia seguinte a essa percepção, você já sabe bem o que aconteceu.”

Taehyung mordeu o interior de sua bochecha, os olhos vidrados no moreno com sorriso fofo e fios molhados pingando água. Não fazia ideia do que responder diante das palavras proferidas, principalmente por sentir-se surpreendido com aquilo. Jeongguk costumava lhe fazer juras de amor tão malucas quanto as suas próprias, mas jamais havia se utilizado de tanto amor e sinceridade daquela forma.

“Você é o único que consegue me deixar sem saber o que responder.”

“Vindo da pessoa que sempre soube o que falar, não importava o assunto, eu acho que devo me sentir lisonjeado” sorriu.

O Kim concordou, levantando-se da banheira e agarrando a toalha pendurada no gancho. Seus movimentos eram acompanhados pelo olhar atento do Jeon, que permanecia na banheira; as pernas esticadas e o corpo mais relaxado. Não era um olhar de luxúria, pelo contrário, era um olhar que transbordava felicidade.

Felicidade por Taehyung ser só seu.

“E ainda sabe como me deixar constrangido quando me olha dessa forma…” murmurou. Enrolou-se na toalha azul, sentindo a maciez da peça por seu corpo e andando rapidamente para fora do banheiro. O frio estava intenso e precisava se apressar em trajar roupas quentes e confortáveis outra vez, ou do contrário acabaria mesmo pegando um resfriado.

Tinha pretensão de continuar o resto dos seus dias de folga na cama, sendo cuidado, amado, mimado, como ele e Jeongguk faziam todos os dias, no entanto, isso não se aplicava ao fator estar doente. Queria cometer mais uma loucura ou outra com o moreno ao seu lado antes de retornarem a sua rotina.

Escolheu em sua mala uma calça moletom cinza e um casaco preto simples, com furos apenas para os seus polegares — eram os seus favoritos. Vestiu logo e correu para perto da lareira, preparando-a para ser acesa e eles ficarem bem aquecidos. Aproveitou-se para pegar, também, um pacote de marshmallows e alguns espetos, no intuito de se deliciarem de algumas porcarias.

Notou o exato instante que Jeongguk saiu do banho com a toalha enrolada em seu corpo, procurando por sua roupa como o Kim havia feito instantes atrás. Não demorou muito para a toalha azul encontrar morada no chão e o Jeon vir até a sua direção com um sorriso gentil no rosto.

“Acho que essa é a última parte das coisas bobas de casal que eu quero fazer” disse, sentando-se no tapete felpudo entre o sofá e a lareira. Puxou algumas almofadas para o chão espalhando-as e ajeitando-se confortavelmente entre elas.

Taehyung sentou-se em cima dos próprios calcanhares, fitando Jeongguk deitado com os braços atrás da cabeça e os olhos agora fechados. Sua beleza, seu jeito, seus sorrisos, o modo como ele era reservado com todo mundo a sua volta, menos consigo, era algo que deixava o Kim desnorteado.

O moreno realmente o amava, certo? Não era uma ilusão sua; não era apenas desejo pelos seus beijos e pelo seu corpo. Jeon Jeongguk realmente gostava de sua companhia, dos momentos de silêncio confortável onde nenhum dos ousava dizer nada, apenas apreciar o momento.

Depois de tantas dores passadas, desilusões amorosas e suspiros na calada da noite após ler os mais variados livros, pensando no quanto desejava — embora não fosse atrás disso — aquele tipo de romance para si, ele podia finalmente dizer que…

“Eu encontrei algo bom sem ao menos procurar” sussurrou.

Jeongguk abriu os olhos rapidamente diante da confissão sussurrada. Sabia que se não fosse o silêncio entre eles, jamais teria escutado o modo como a voz rouca saiu levemente acanhada diante das palavras. Taehyung sabia muito bem como dizer quando amava e o quanto amava, mas era completamente diferente agora.

Era uma resposta para tudo que Jeongguk havia dito instantes atrás.

Apoiou-se nos cotovelos, dando impulso com o corpo a ponto de ficar sentado na frente do Kim. Sua destra foi de encontro a nuca alheia, deixando um carinho suave ao passo que ele se inclinava na direção de sua mão, buscando mais contato. Seu olhar estava fixo no moreno e o loiro não sabia dizer se a quentura que sentia era uma leve vergonha ou do fogo que emanava da lareira.

“Agora você entende que eu não tenho motivos para sentir falta da minha vida antiga ou dele? Eu encontrei você sem querer, Tae, e eu não tenho pretensão alguma de abrir mão desse sentimento tão bom que só você me faz sentir.”

O loiro apenas inclinou-se e tomou os lábios alheios em um beijo gentil e que ele esperava passar boa parte de seus sentimentos. O modo como eles conseguiam se sentir através dos toques e carinhos deveria ter sido suficiente para Taehyung entender que Jeongguk sempre fora sincero consigo. No entanto, por mais que parte de si vivesse com aquela insegurança, agora, diante da realização de que o moreno queria estar ali, ele percebeu que era necessário passar por aquilo. O Jeon precisava saber como ele era de todas as formas e jeitos e isso significava, também, saber o quão inseguro ele fora ser diante de algo que o moreno o mostrava cotidianamente.

Afastou-se minimamente, permanecendo de olhos fechados e com os lábios roçando na pele do mais novo. Sentia-se satisfeito pela descoberta tão óbvia, mas que agora havia aliviado um peso gigantesco de seu coração.

“Quando eu planejei essa viagem eu só queria que nós nos amássemos das mais variadas formas, mas… Mas ao chegar aqui, eu percebi que não conseguia colocar em palavras o que eu queria e comecei a me sentir frustrado” confessou. Seus olhos se abriram, encarando o moreno a sua frente prestando atenção atentamente no que ele dizia. “Só que agora eu percebo que o amar das mais variadas formas significa te mostrar cada faceta minha, seja ela boa ou ruim, pois é o único modo que temos de garantia de que nos queremos pelo que somos e não pelo que temos… E eu não quero que mais ninguém no mundo me veja dessa forma, Jeongguk, porque eu sei que eles não entenderiam o que eu sou, ao menos não como você entende.”

Um sorriso adorável formou-se nas feições do moreno, alargando-se como se tivesse ganhado o melhor presente do mundo diante daquelas palavras. Era bobo, pois em sete meses eles falaram inúmeras coisas melosas e fofas um para o outro, mas o tanto que o sentimento transbordava naquele momento deixava tudo estupidamente mais romântico.

“E eu estou disposto a sempre conhecer cada parte de você, do mesmo modo que eu quero que me conheça por inteiro…” falou baixinho, entrelaçando seus dedos dos do mais velho.

Taehyung sorriu, os olhos levemente marejados e os lábios deixando selares leves por todo o rosto do mais novo. A respiração quente indo de encontro à tez alheia, arrepiando-o quando chegou perto do pescoço e deixou ali um beijo mais demorado. O mais velho, em um ímpeto, soltou as mãos do moreno e o abraçou apertado, fazendo com que ambos caíssem em meio às almofadas.

Suas mãos embrenharam-se nos fios do moreno, deixando um carinho suave, enquanto sentia as mãos do Jeon passeando por suas costas. Ousou respirar fundo, embriagando-se do cheiro de banho recém tomado do mais novo e permitindo-o esconder o rosto na curvatura de seu pescoço.

“Eu não quero ir para casa” falou de repente.

“Por quê?”

“Porque…” Taehyung afastou-se, olhando o mais novo debaixo de si com olhos curiosos e ao mesmo tempo reconfortantes, que diziam estar tudo bem sempre lhe contar todos os seus medos, segredos, felicidades, desejos. “Porque aquele apartamento, embora pequeno, é frio e tedioso sem você.”

“Então daremos um jeito de casa ser sinônimo de aconchegante e divertido” respondeu. Sentiu o mais velho sentando-se em seu colo, as mãos espalmadas em seu peito e a cabeça pendendo para o lado com um olhar de dúvida e curiosidade.

“O que quer dizer com isso?”

“Que não importa onde a gente esteja, desde que estejamos juntos, para mim é o que importa de verdade. Noutras palavras, no seu apartamento, no meu, no andar vago em cima da livraria, aqui nessa cabana, ou do outro lado do mundo, eu quero que casa seja sinônimo de eu e você morando juntos.”

O sorriso peculiar e, consequentemente, o favorito do Jeon, mostrou-se presente nas feições do Kim no mesmo instante. Ambos queriam aquilo e não sabiam exatamente como falar; o medo de ser rápido demais ou não saber se o outro queria sempre fazia-se presente nessas horas.

O grande questionamento do Kim foi respondido com gestos, palavras, e uma certeza absoluta. Diante do dia perfeito que haviam passado e das palavras ditas, não havia melhor modo de encerrar aquele dia.

Ou talvez houvesse.

Fosse como fosse, Taehyung nunca mais chamaria o que eles faziam de sexo, mas sim da entrega correta de dois corpos que se amavam. E foi exatamente daquela forma, em meio às almofadas espalhadas pelo tapete felpudo, sentindo o aconchegante calor que emanava da lareira acesa e esquecendo-se completamente dos marshmallows que iriam preparar, que eles se entregaram mais uma vez.

Serendipidade, quando algo bom acontece em sua vida sem ao menos procurar. Ou seja, descoberta por acaso.

Há quem diga que acasos não existem, mas Taehyung e Jeongguk discordariam facilmente disso. O encontro dos dois foi dessa forma, e o crescimento daquele amor, também; nenhum deles diria o contrário, não quando possuíam a certeza de que realmente se amavam. No entanto, ambos sabiam que o que eles cultivassem dali para frente, seria única e exclusivamente porque eles se permitiam sentir tudo o que estavam sentindo e, isso, com certeza não era obra do destino.

E eles só precisavam viver aquele momento que lhes foi proporcionado da melhor forma possível.

 

And all I can taste is this moment

And all I can breathe is your life

 

And I don’t want the world to see me

‘Cause I don’t think they’d understand

And everything is made to be broken

I just want you to know who I am

Iris — Goo Goo Dolls


Notas Finais


Relevem os erros, terminei agora e queria postar hoje, pois duvido que amanhã tenha tempo.

Se você chegou até aqui, agradeço muito <3
Deixe um comentário antes de sair se for possível, eles fazem essa autora muito feliz.

Qualquer coisa estou no twitter @xkookv ~


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