História Série Crônicas de Amor de Sherlock Holmes e Molly Hooper - Capítulo 2


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Categorias Sherlock
Personagens Molly Hooper, Sherlock Holmes
Tags Dia Dos Namorados, Molly, Romance, Sherlock, Sherlolly
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Palavras 6.354
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sinopse: Universidade de Londres. Molly Hooper ingressa para mais uma etapa em sua duvidosa carreira. Tudo muda quando ela o conhece. O jovem arrogante e misterioso que todos odeiam, menos ela. Ele é interessante demais para ignorar.

Nota da autora: Sempre suspeitei na série que Sherlock e Molly se conheciam há muito tempo, desde a universidade. Digo isso porque ambos parecem confortáveis um com o outro e já trabalham juntos de certa maneira. Acho que essa história se encaixa em como Molly se apaixonou pelo futuro detetive de Londres.

Capítulo 2 - Universitária Apaixonada por Sherlock Holmes


Fanfic / Fanfiction Série Crônicas de Amor de Sherlock Holmes e Molly Hooper - Capítulo 2 - Universitária Apaixonada por Sherlock Holmes

[SÉRIE CRÔNICAS DE AMOR DE SHERLOCK HOLMES E MOLLY HOOPER]

1- O Dia dos Namorados de Sherlock Holmes;
              2- Universitária apaixonada por Sherlock Holmes;

 

Minha cabeça dói. Sinto como se eu estivesse flutuando. Já sei. Estou no céu.

Acordei de supetão e desajeitadamente, fui de encontro à bela cabeça com cabelos cacheados que estava encostada deliberadamente na minha. O avião estava prestes a pousar e Sherlock acabou acordando com minha agressão involuntária. Provavelmente dormimos todo o vôo e agora acordamos ambos com uma bela dor de cabeça. Com os olhos ainda cansados, forcei-os para abrir e olhei para a pequena janela do avião, verificando que estávamos mesmo em Paris. Aquela cidade maravilhosa e romântica. Sherlock tinha prometido que teríamos essa viagem como presente do Dia dos Namorados após uma controvérsia absurda cometida pelo meu inacreditável ex-noivo. Fizemos ás pazes e mesmo indo contra a natureza anti-social do meu atual namorado, ele concordou em sair um pouco da Baker Street e visualizar o mundo afora junto comigo.

Eu estava ansiosa, confesso. Não é todo dia que consigo tirar Sherlock do seu cafofo absurdo. Ele não estava com uma cara muito feliz. Era visível o sacríficio que estava fazendo por mim, porém, eu não iria desanimar. Precisava fazer isso por nós. Precisava ficar mais perto dele. Precisávamos dessa proximidade. Saímos de mãos dadas do avião, algo muito raro. Obviamente eu tomei a iniciativa, pois, Sherlock jamais faria isso primeiro, mas para minha surpresa ele não tirou sua mão da minha. Pegamos a bagagem e fomos direto para o táxi que iria pro hotel exato que escolhemos. Foi um parto miserável escolher o hotel ideal. Sherlock colocava defeitos em todos: banheiro muito pequeno, camas muito grandes, janelas demais, enfim. Mas finalmente encontramos o correto e confortável para os dois. No táxi, segurei sua mão de novo e ele não tirou novamente, parece que o clima de Paris estava fazendo efeito até no mais arrogante detetive de Londres. Foi então que aconteceu.

Quando o carro bateu, só consegui ouvir um ruído muito alto e um impacto muito grande indo direto para meu corpo. Tudo ficou escuro e eu não sabia mais aonde eu estava. Tive a impressão que ouvi Sherlock gritar o meu nome. Mas por que ele estava gritando? Não me recordo, só sei que quando abri os olhos eu estava na minha cama, mas não exatamente na minha cama de Londres. E sim na minha antiga cama. Quando acordei, só me recordava que precisava me trocar e ir para meu primeiro dia de universidade. Eu não lembrava que era namorada de Sherlock Holmes. Eu só lembrava que tinha 18 anos e precisava estudar. Eu voltei no tempo, afinal? Não sei.

 

ALGUNS ANOS ANTES....

 

Fatídico dia. Indecisão. Cama gostosa. Quero dormir. Não quero estudar.

Eu não queria acordar e isso era um fato irreversível. 18 anos de idade e  com o futuro não escolhido propriamente por mim. Eu realmente não fazia ideia do que queria ser ou qual carreira seguir. Era muito nova afinal, será que obrigatoriamente tinha que deliberar minha mente sobre tudo o que eu deveria fazer nos próximos 5 anos com apenas 18 anos? Chatice. Eu queria viajar, respirar ar puro e quem sabe, fazer algumas loucuras ainda. Não queria responsabilidades agora.

Eu me matriculei no curso de química simplesmente porque eu tinha decorado toda a tabela períodica com a música que meu pai me ensinou quando eu era pequena. Exatamente. Parece extremamente idiota mas o motivo era esse. Apenas uma musiquinha infantil. Mas o que eu poderia fazer? Não gostava de absolutamente nada. Não gostava de humanas ou exatas. Não sabia se por acaso eu tinha nascido com alguma habilidade. Odiava estudar ou mesmo ler. Não gostava muito de conversar. Ok, eu sabia ser sociável quando eu me esforçava mas na maior parte do tempo, eu ficava sozinha e todas as profissões do mundo requer uma certa socialização. Eu terminaria em uma mercearia ou vendendo sapatos no final da vida e tinha absoluta certeza disso.

- Molly, minha estrelinha. Acorde, vai se atrasar!

- Já vou, pai.

Meu pai era um homem de meia-idade bem sucedido na área de química, mas também era professor de biologia em uma universidade. Volta e meia ele tentava me ensinar alguma coisa da área e eu ouvia sem interesse, apenas por pena mesmo (ele ficava muito empolgado nas lições diárias). Minha mãe morreu quando eu era muito nova e eu não tinha irmãos, por isso éramos somente eu e ele no mundo. Meu pai me irritava ás vezes de tanto “pollyana” que ele era, porque o cara simplesmente ria de tudo e sempre era uma pessoa otimista em qualquer situação, por mais negativa que fosse. Ele se preocupava um pouco comigo ás vezes devido ao fato de eu ser um pouco anti-social. Dizia que eu deveria ter mais amigos e blá blá blá. Esse era meu pai. Mas apesar de toda alegria e otimismo externo, de vez em quando eu conseguia ver ele triste, principalmente quando ele achava que eu não estava olhando pra ele. Eu sabia que ele também sentia falta da mamãe. Meu pai morreu cinco anos depois do meu primeiro dia na universidade.

Já com a pasta na mão, eu fui correndo para a porta tentando despistar os olhares do meu querido velho, quando ele foi mais rápido e correu para me examinar minuciosamente.

- Não é possível! Onde está o batom? A maquiagem completa? Olha esse cabelo ressecado...

- Pai se você não tivesse sido casado com a mamãe, eu acharia que você é gay sabe...

- Bobagem, qualquer ser mais bruto que seja notaria para esse espantalho que você é minha filha.

- Obrigada pela parte que me toca, pai, mas eu nunca me importei com essas coisas e você sabe! Não ligo para namorados agora e nem tenho a orelha furada!

- Quer que eu fure? Posso tentar esquentar uma agulha e...

- Meu velho pirou! Sai daqui pai, deixa eu ir por favor.

- Tá mas e aquela saia jeans bonitinha que você ganhou da sua tia? Sério filha, você já é uma mulher, pare de andar feito um garoto pelo amor de Deus.

- Ou é isso, ou não tem universidade.

Vencido pelo cansaço, meu pai me deixou sair de casa. Quando virei para trás vi ele balançando a cabeça como se tivesse se sentindo culpado pelas minhas atitudes. Ele vive dizendo que isso é falta que a mamãe me faz. Mas eu discordo. Eu sempre fui assim e sempre serei. Nunca liguei muito para aparência ou roupas bonitas, ou até mesmo maquiagem, meus objetivos eram muito controversos da maioria.

Chegando na faculdade eu não estava empolgada. Estava cansada. Os dias se passaram e minha rotina se estabeleceu. Fazia todos os trabalhos e lições e por incrível que pareça, não estava achando difícil como eu imaginava. Era como se isso fosse naturalmente fácil pra mim. Talvez fosse coisa de sangue, de família mesmo. Eu sabia todos os elementos e fazia misturas e experiências. Não era tão ruim mas também, não era tão extraordinário. Eu falava com poucas pessoas e na maior parte do tempo, ficava lendo uma revista de fofoca, com o fone no ouvido. Mas os dias eram comuns, muito comuns. Nada de novo ou extraordinário acontecia naquele lugar. Até o dia em que Sherlock Holmes entrou para aquela universidade. E a vida de ninguém foi mais a mesma.

..........

Sherlock foi o alvo e assunto por muitos anos na faculdade. Ele era odiado por quase todos os alunos (na verdade, acho que só eu não odiava ele). Quando ele entrou pela primeira vez na sala de aula, vi muitas garotas suspirando por ele. Era bem verdade que ele sempre chamou atenção pela sua aparência física. Até eu que nunca reparei muito nos garotos não pude deixar de notar no belo corpo magro, na pele branca alva que ele tinha, nos cabelos cacheados e no porte seguro que ele transmitia. Mas o que realmente me deixou hipnotizada quando ele andou pela primeira vez dentro da nossa classe eram seus olhos. Volta e meia eu ficava que nem idiota e com a boca aberta olhando para aquele oceano depois de uma tempestade. Os olhos de Sherlock mudavam de cor conforme o dia e minha mente, de vez em quando, pensava em qual cor os olhos dele estariam hoje ou amanhã. Mas essa minha obsessão pela cor diária dos olhos dele só aconteceu quando eu já estava perdidamente apaixonada, simplesmente 3 meses depois dele pisar pela primeira vez naquela instituição.

Depois de uma semana de seu ingresso, todos já o odiavam. As garotas que suspiravam por ele sentiam apenas desprezo:

- O que adianta ser tão bonito e ser um patife idiota?!

Era o que eu sempre ouvia. Mas era de certa maneira, compreensível toda essa situação. Vou contar exatamente o que Sherlock fez em seu primeiro dia de aula na universidade que fez com que ele se tornasse alvo de tanto desprezo pelos estudantes:

Estávamos no laboratório e Sherlock ainda não tinha manifestado suas deduções demoníacas que em breve, seriam publicamente demonstradas. Ele estava extremamente concentrado com uma amostra e anotando calmamente suas conclusões em um papel. Eu achava enigmático o fato dele parecer não fazer questão de falar com outras pessoas. Eu me identificava um pouco com ele nisso e até cogitei a possibilidade de puxar assunto, mas eu simplesmente não conseguia ir até ele e falar qualquer coisa. Não sei explicar em detalhes, mas algo no olhar gélido que ele tinha me intimava muito e eu me sentia como se eu fosse um ratinho das nossas experiências laboratoriais. O que era espantoso porque eu sempre fui muito segura de mim, mas havia algo nele que mexia comigo a ponto de desligar qualquer segurança que ainda havia no meu corpo.

- Ei Sherlock, posso me sentar com você? Não estou conseguindo analisar essas amostras corretamente e vi que você já está na penúltima amostra. – Todos olharam pra ela e sua coragem inocente. Gemma era uma garota que aparentemente não ligava muito para as aulas, vivia faltando e todos a conheciam como a rainha dos bares e festas. Era óbvio suas intenções ao se aproximar de Sherlock. Ela queria a atenção do mais recente aluno da classe. Ele era bonito demais para ignorar.

-Não.

A resposta foi tão clara e fria que todos que estavam ao redor pararam para olhar para a dupla de humanos que estavam um do lado do outro agora. Gemma olhou para ele com olhos esbugalhados não acreditando no que tinha acabado de ouvir. Ela ficou sem graça e com ar de indignação, voltou para sua mesa. Sherlock não esboçou reação nenhuma e continuou suas análises, ele simplesmente nem chegou a olhar para ela nesse pequeno diálogo. Um lado meu estava impressionada com a coragem dele e o outro lado estava com um certo medo daquela frieza. Mas esse era apenas o início do desprezo que todos iriam começar a sentir por ele.

No seu segundo dia, aconteceu algo bem pior. Todos estavam no refeitório conversando alegremente. Eu estava sentada comendo meu lanche habitual e Sherlock estava lendo um livro em uma poltrona distante de todos. Por um momento, notei que ele levantou a cabeça e começou a olhar para cada aluno da nossa sala como se eles fossem as experiências que observamos no laboratório. Achei tão intrigante que fiquei paralisada olhando para seu belo rosto analítico. Então, vi que pela primeira vez seus olhos chegaram aos meus e eu sem graça, abaixei a cabeça fechando a boca que aparentemente parecia que estava aberta.

Ao chegarmos na sala, a aula do dia era mais teórica, o que não despertava muita alegria nos estudantes. O professor comentava sobre como os seres humanos poderiam ser tão previsíveis, segundo a ciência. Todos estavam impacientes com essa matéria e pareciam zombar o professor. Ouvi cochichos e risadinhas e muitos “ninguém consegue prever um ser humano assim”. Até eu que não sou muito fã de seres humanos, estava ficando com pena daquele pobre homem que notou o desprezo dos seus alunos e estava começando a gaguejar e ficar sem graça com a situação. Era constrangedor tudo aquilo. Olhei para Sherlock e ele parecia enojado. As risadas começaram a aumentar por um tempo e então eu ouvi aquela voz grossa e potente ressoar, o que fez que todos olhassem para a direção em que ela iniciou.

- Certamente o professor e a ciência está correta, apesar do aparente desprezo dos seres humanos asnos aqui presentes. Digo asno como elogio. Não é dificil prever atitudes e muito menos notar como cada ser humano pode agir. É só deduzir os sinais. Querem que eu exemplifique? Ora, será um prazer! – Foi aí que com uma voz carregada de ironia e arrogância, Sherlock começou a assinar sua setença:

- Gemma por exemplo, olhem para sua aparência. Claramente gasta todo o dinheiro do pai com assuntos insignificantes para tentar melhorar o exterior, afinal, ela não possui caráter ou até mesmo inteligência e não trabalha, o que demonstra que usa um cartão de crédito internacional provinda das empresas do pai. É necessário gastar dinheiro para tentar ter algum mérito como ser humano já que não possui nenhuma outra qualidade. Claramente ela transou com Tony ontem. Olhem para suas roupas. Estão amassadas em um mesmo lado e ambos estão com o mesmo perfume nos cabelos. Provavelmente Tony usou o shampoo da sua querida amante. Luigi e Charlotte tiveram uma noite agitada ontem, percebe-se pelos fios de cabelos que ambos possuem em suas roupas. Natural deduzir que foi uma noite longa de prazeres e bebidas como podem sentir pelo cheiro da vodca que está impregnada nas roupas de ambos, como eu sei que foram os dois? A mesma marca de vodca. Muito simples. Jonatah teve uma noite agitada também, mas obviamente, por não ter tanta beleza fisíca e morando em uma cidade em que aparentemente isso parece ser mais importante do que qualquer coisa, ele não teria ninguém ontem e pelo estado das suas mãos, observa-se que ele estava muito feliz consigo mesmo, se é que me entendem.

Sherlock começou a citar todos, um por um. Ele não parava, tinha todas as deduções que você jamais poderia imaginar. Nenhum ser humano conseguia fazer aquilo, era extraordinário. Percebi o constrangimento, a raiva e o ódio impregnado naqueles olhares. Sherlock seria odiado para sempre. Quando notei, ele estava chegando perto de mim. Eu já esperava o que vinha pela frente, eu sabia que ele ia me desmascarar. Mas algo em seu olhar mudou quando me viu e ele simplesmente não falou nada, pulou para a próxima pessoa. Por que ele fez isso? Me ignorou em suas deduções? O que ele viu em meu olhar para mudar de ideia? Eu não sei. Quando ele terminou, sentou de forma triunfante na cadeira. Os alunos e o professor estavam de olhos tão esbugalhados que eu senti vontade de rir. O sinal tocou nesse momento e Sherlock saiu da sala de aula. Ninguém saiu. Ninguém acreditava no que tinha acabado de acontecer.

A repercussão do que Sherlock fez foi absurda. Muitos alunos e pais mandaram cartas para a direção da institução exigindo a expulsão dele. Sei que o seu irmão mais velho, Mycroft, foi chamado várias vezes e por mais estranho que pareça, ele conseguiu fazer com que todos os pais mudassem de ideia. Eu realmente não sei como ele conseguiu isso. Vi ele discutindo com Sherlock algumas vezes e parecia que a relação dos dois não era muito amigável. “Problemas de família”, pensei. Apesar de todos terem desistido da expulsão, sempre que Sherlock chegava em um certo lugar, as pessoas se afastavam como se ele tivesse lepra. Ele também parou de deduzir os alunos, pelo menos em público.

Mas algo mudou em mim depois de tudo isso. Com o passar dos dias, as notas de Sherlock eram motivo de inveja para todo mundo. Ele era perfeitamente mais inteligente que todos nós em todos os aspectos possíveis. Eu comecei a pensar muito nele durante o dia. Eu olhava disfarçadamente para cada detalhe que ele tinha, tanto na aparência como no seu próprio jeito. Sherlock comia muito pouco e adorava andar com roupas escuras. Ele tinha uma certa elegância que ninguém mais tinha. Ás vezes eu me pegava olhando pra ele de forma hipnotizada. O que estava acontecendo comigo? Todos odiavam aquele homem, eu deveria fazer o mesmo. Ele parecia arrogante, cruel e muito cheio de si. Mas algo nele me puxava, me enfeitiçava. Eu não conseguia deixar de admira-lo. Ele era único.

- Impresão minha, ou alguém aqui está usando batom para ir para a universidade?

- Para com isso pai, não é nada do que você está pensando!

- Ok ok, rs.

Meu pai não era idiota. Certamente notaria que eu comecei a me maquiar mais. Era algo natural e eu sentia raiva daquilo, pois, sabia que eu fazia isso porque algum garoto tinha chamado minha atenção. Eu não podia negar que depois de 3 meses, eu pensava em Sherlock o tempo todo. Eu não sabia o que fazer. Eu tinha que falar alguma coisa com ele, eu deveria me aproximar e conhece-lo melhor, mas e se ele me tratasse como tratou Gemma? Eu não poderia deixar de ter medo sobre tudo isso. Ele parecia não se importar com nenhum ser humano. O que estava acontecendo comigo? Eu estava com medo de um garoto. Isso não está certo. Eu deveria fazer algo sobre isso. Eu me aproximaria e conversaria com ele. Eu deveria tomar coragem.

No dia seguinte, eu estava decidida em fazer amizade com ele. O avistei de longe indo para um outro corredor da faculdade que raramente eu ia. Cheguei a segui-lo mas tentando fazer com que ele não percebesse isso. Notei que ele estava indo para a ala médica do curso de medicina. O que ele ia fazer lá afinal? Ala médica? Por um momento, meu coração disparou de medo. Será que ele estava mudando de curso afinal? Isso não poderia acontecer. Eu já estava viciada nele e tinha que tomar essa droga todos os dias. Mesmo sendo com uma certa distância.

Cheguei na ala médica e vi algo que me deixou enojada. Sherlock parecia examinar um corpo de uma pessoa morta. Me escondi um pouco mais para observa-lo de longe, sem que ele notasse. Por um momento, passou pela minha cabeça que ele fosse necrófilo e que eu iria presenciar algo muito desagradável ali. Mas parecia que ele não estava tentando transar com o cadáver e sim apenas analisa-lo. Notei que ele pegou o bisturi para abrir uma parte do cadáver mas parou. Parecia que ele não consguia chegar a tanto. Ele largou o bisturi e de raiva suspirou. Foi então que algo dentro de mim brilhou instantemente. Com a voz embargada e nervosa, eu me aproximei e disse.

- Er....eu posso fazer isso, acho, er....

Seu olhar foi assustador! Ele se virou aparentemente, tomando um grande susto, mas quando me viu, senti como se tivesse atrapalhando ele de algo muito importante. Ele recuperou-se e olhou pra mim de forma fria e gélida e totalmente fixa. Naquele instante, me arrependi de ter falado algo ou mesmo de tê-lo seguido. Agora ele sabia que era alvo da minha cabeça e dos meus olhares, afinal o que “essa garota louca está fazendo aqui, senão me seguindo?”. Eu me virei para sair rapidamente do local, quando eu ouvi a sua voz, aquela mesma voz que me arrepiava toda vez que eu escutava:

- Se pode fazer isso, então me surpreenda. Porque eu tenho limites nesse aspecto. Preciso do pâncreas.

A única coisa que eu conseguia pensar era “aonde eu tinha amarrado meu burro?”. O que eu estava prestes a fazer era loucura. Eu ia abrir um cadáver da faculdade e isso não era permitido, principalmente para alunos que não eram do curso de medicina. Mas eu não podia voltar atrás. Um lado meu queria sair correndo e o outro, queria impressiona-lo. Eu poderia fazer isso. Poderia fazer algo que Sherlock Holmes não conseguiria fazer. Me aproximei, peguei o bisturi desajeitadamente e fechei os olhos suspirando. Quando cheguei perto do cadáver, automaticamente, estava mais perto de Sherlock, como nunca estive antes. Notei que ele nem se quer olhava pra mim. Ele estava atento em minhas mãos, como se tivesse pensando apenas no órgão humano que queria analisar.

Então comecei o processo macabro e foi mais fácil do que eu imaginava. Tão fácil quanto cortar um bolo de chocolate. Era apenas uma carne que não estava mais viva. Não senti asco ou nojo. Tirei o pâncreas de forma muito fácil e coloquei em uma bandeja que estava do lado da cama do cadáver. Sherlock pegou o órgão e comeceu a analisar atentamente. Ele simplesmente me ignorou pelos próximos 10 minutos de sua análise. Retirei as luvas e fiquei esperando um agradecimento ou algum olhar de espanto e orgulho vindo dele. Certamente não tive nada disso. Suspirei fundo sem graça, eu não tinha coragem de falar mais nada. Resolvi sair do local quando eu ouvi sua voz:

- Preciso de outro órgão.

Ficamos lá durante duas horas. Retirei quase todos os órgãos do cadáver sabendo que talvez, essa seria a última vez que eu pisaria naquele lugar. Seria expulsa com toda certeza, mas eu estava feliz. Não sei porque eu me sentia nas nuvens naqueles minutos em que eu estive em seu lado sem falar muito e simplesmente obedecendo suas ordens. Eu estava ficando louca, certamente. Jamais permiti que algum homem mandasse em minhas atitudes. Mas por algum motivo que eu não sabia, eu fazia tudo o que Sherlock queria. Não conversamos, só trabalhamos. Após o término de suas análises, Sherlock ainda não olhava diretamente pra mim. Ele saiu do local e chegou com outra maca e um novo corpo.

- Certamente, não gostaríamos de ser expulsos por violar um cadáver da faculdade.

Colocamos o corpo substituto no lugar do outro e uma van veio buscar o corpo deflorado. Gostaria de saber como Sherlock conseguiu essa van, mas não tive ousadia de perguntar. Quando tudo acabou, Sherlock saiu da ala médica e foi andando na minha frente. Eu esperava um obrigado ou alguma palavra de agradecimento. Não tive simplesmente nada disso. Ele simplesmente saiu sem falar nenhuma palavra. Desisti de seguir indo atrás dos seus passos e fui em outra direção. Eu estava petrificada e enojada com a sua falta de educação desse garoto. Mas porque eu estava surpreendida? Ele era Sherlock Holmes, o jovem cruel e arrogante da faculdade. Eu continuava apaixonada por ele e isso era um fato, mas eu tinha meus limites e segui com os dias tentando não olhar para seu rosto novamente.

Como eu tinha dito antes, Sherlock tinha parado de fazer suas deduções diabólicas em público, porém, aconteceu algo semanas depois do nosso encontro na ala médica, algo que fez com que eu enxergasse Sherlock de forma diferente e por incrível que pareça, tenha feito meu sentimento por ele aumentar 30 mil vezes.

Os alunos simplesmente separaram aquela tarde do refeitório para falar mal de Sherlock Holmes, porém, eu ouvi barbaridades horríveis que nem consegui acreditar. Eu sei que ele tinha sido um miserável com todos eles, mas era óbvio que a inveja por suas notas e inteligência prejudicou ainda mais a sua imagem despertando o ódio terrível de todos ao redor:

- Patife, miserável, ele deveria morrer!

- Com certeza! Ele deveria se enforcar e fazer um favor a sociedade.

- Nunca vi ser mais asqueroso e nojento! Por que ele não se mata?

- Definitivamente deveria ser expulso da sociedade, preso também.

- Ridículo, podre, homem odiável, deveria ser atropelado ou morto por uma bala perdida.

Eu não acreditava no que estava ouvindo, eu cheguei perto deles para abrir a boca e fazer com que parassem de falar, quando todos ficaram em silêncio, pois, notaram que Sherlock estava ouvindo eles sentado em uma poltrona que não era visível pra todos. Sherlock estava com aquela cara impassível de sentimentos, mas com um certo ódio que pude notar, surgir em seus olhos.

- O que foi Sherlock? Acha que todos falamos pelas suas costas? Pois saiba que eu vou falar na sua cara: se mata e faça um favor à sociedade.

- Se mata, idiota! Morra!

Os alunos começaram a jogar comida em Sherlock. Eu estava paralisada. Não consegui fazer nada. Sherlock tentou se defender usando as mãos e então saiu correndo do refeitório. Os alunos começaram a rir animadamente, pois, pela primeira vez viram Sherlock correndo deles como nunca tinha feito antes.

- Corre mesmo, garota! Corre e aproveita para se jogar do prédio da faculdade!

Eu estava tão indignada que sai rapidamente na direção que ele tinha corrido. Eu precisava alcança-lo. Será que ele estava abalado ou mesmo, chorando? Eu precisava abraça-lo. Eu precisava que ele entendesse que alguém se importava com ele. Eu consegui chegar perto dele, que agora já não estava mais correndo. Vi suas roupas todas sujas com a comida do refeitório. Puxei o seu casaco para que ele olhasse pra mim. Ele parecia envergonhado, mas não estava chorando. Estava com aquele olhar distante de sempre. Ele olhou pra mim com a indiferença que sempre teve. Eu ia começar a falar, a dizer que ele deveria saber que eu me importava com ele, que se ele precisasse de ajuda, eu estava ali e ele podia contar comigo sempre. Que ele não deveria se importar com o que os outros falam. Mas aqueles olhos intimidadores percorreram em mim naquele instante e eu não consegui falar. Não consegui emitir nenhum som da minha boca. Quando ele notou que eu não falaria nada, se virou para ir embora, então eu peguei meu lenço que estava em minha bolsa, coloquei em sua mão e sai correndo sem olhar pra trás.

SEMANAS DEPOIS...

Depois de algumas semanas, após a aula teórica do dia, meu professor se aproximou de mim dizendo que o reitor da faculdade queria conversar comigo. Eu não entendia o porque do reitor conversar com alguém insignificante. Tentei pensar se cometi algum deslize sério mas nada vinha à minha mente. Quando de repente, lembrei da minha aventura medicinal que tive dias trás com Sherlock Holmes. Pronto! Fui pega com certeza! Eu e Sherlock seríamos expulsos definitivamente da universidade. Eu era uma idiota por ter examinado cadáveres sem a permissão da faculdade. Meu pai ficaria extremamente decepcionado comigo e isso seria apenas o começo da minha ruína. Nem vendedora de sapatos eu conseguiria ser.

Chegando na reitoria, eu já estava tremendo de medo e aflição, o reitor pediu que eu me sentasse e eu já estava preparada para a bomba:

- Senhorita Hooper, quero que saiba que recebemos uma ótima recomendação sua para atuar na ala medicinal da faculdade. Por causa dessa recomendação, você receberá uma bolsa para estudar patologia do curso de medicina. Poderá continuar com química se quiser, mas atuará em dois cursos, o segundo, totalmente pago pela faculdade.

Eu não estava acreditando no que ouvia. Eu consegui uma bolsa, mas no que mesmo? Patologia? Isso quer dizer, examinar cadáveres para o resto da vida? Ele estava louco, quem iria me indicar para isso? Tentei vasculhar minha mente e a única conclusão que cheguei era que somente uma pessoa poderia ser responsável por isso, a única pessoa que me viu tirar órgãos de um ser humano morto. Eu estava pronta para dizer que era um engano, quando o reitor rapidamente me falou sobre minha indicação.

- Nosso honorário sócio do governo, Mycroft Holmes disse que você tinha habilidades inumanas para dissecar um cadáver. Não poderíamos negar um pedido dele, nunca negamos nada na verdade. – O reitor ria de nervoso nesse momento, será que ele era vítima de ameaças e chantagens do irmão mais velho do meu querido amor platônico? Não sei, só sei que naquele instante eu pensei que na verdade Sherlock tinha feito tudo isso porque possivelmente ele mudaria de curso e me queria perto dele. Será que era esse o motivo? Ou eu estava ficando absurdamente louca pensando na possibilidade dele gostar de mim? Como uma idiota apaixonada e inocente, pensando em que talvez eu o veria mais vezes, disse de supetão:

- Aceito a proposta.

Certamente eu fui uma imbecil completa e constatei isso semanas depois. Depois de alguns dias, recebemos a notícia que Sherlock tinha saído da universidade e começaria a estudar por conta própria. Todos riram com a saída dele e muita gente comemorou, aliviados. Ouvi gritos de felicidade e até fizeram uma festa por causa da saída dele. Eu estava com muita raiva de Sherlock. Ele simplesmente me introduziu em um curso maluco que nunca pensei em fazer e foi embora sem agradecer ou até mesmo falar comigo. A última vez que vi Sherlock na juventude foi quando eu entreguei meu lenço pra ele. Que nunca mais foi devolvido. Meu amor platônico foi embora para longe de mim e ainda me meteu em uma enrascada das grandes.

- Hum filha, não é algo tão ruim assim. Uma bolsa em patologia é super cara e você vive dizendo que não gosta de seres humanos, será uma boa oportunidade para trabalhar sem ouvir ninguém falar hahahahah. Só espero que não abandone o curso de química.

Meu pai riu da minha cara. Eu estava com muita raiva disso tudo, pensei em desistir do curso, mas era de graça e resolvi aproveitar a oportunidade. Sherlock fez com que minha vida se tornasse um inferno. Duas faculdades para alguém que nem gostava de estudar ou ler era demais para minha cabeça. Ainda mais sem ter a presença dele perto de mim. Me senti sozinha na maior parte do tempo mas o curso era fácil e dissecar cadáveres era mais fácil ainda. Descobri uma forma de unir a química e meu curso de patologia em um só. Adquiri conhecimento extraordinários e sou PHD, comecei a gostar de estudar e escrevi alguns artigos, dei palestras em várias cidades do mundo e depois de uns anos, trabalhei no Bart’s, o maior hospital de Londres.

Para quem queria vender sapatos, até que eu evolui bastante e isso era tudo culpa do maior futuro detetive da Inglaterra, que naquela época, eu ainda nem sabia que ele seria detetive um dia. Acho que nem ele mesmo sabia disso. Anos depois, eu o encontrei novamente e dessa vez, para ficar pra sempre em sua vida. Tive a impressão de que ele não me reconheceu, que nem sabia que eu era aquela garota que lhe deu o lenço ou que estava naquele hospital por causa dele. Mas isso é outra história, quem sabe um dia eu conte.

 

ANOS DEPOIS, EM ALGUM HOSPITAL EM PARIS.

Minha cabeça dói. Sinto como se eu estivesse flutuando. Já sei. Estou no céu.

Eu estou morta. Devo estar, tudo parece tão branco e não sinto meu corpo. Meus olhos se abrem lentamente e eu o vejo. O rosto do homem pelo qual eu daria minha própria vida. Seus olhos pareciam marejados e preocupados, mas notei em sua expressão que ele não deixaria isso transparecer.

- Pelo visto Molly, viajar não é uma boa ideia. Você não consegue não me preocupar nem quando estamos fora de Londres.

- Onde eu estou Sherlock?

- Em algum hospital de Paris. O táxi em que estávamos bateu em uma van. Você ficou desacordada. O motorista está bem. Mas fiquei preocupado que você tivesse batido essa sua cabeça oca e ficado pior do que já é.

- Muito obrigada pelo elogio do dia, Sherlock.

- Nunca mais faça isso comigo, Molly.

- Eu não tenho culpa oras, ou tenho?

- Não tem. Me diga, estava sonhando? Você vivia balbuciando frases de que “eu não me lembrava de devolver o seu lenço”.

- Ah sim, bom, não sei se é o momento de falar isso, mas quero fazer uma revelação: nos conhecemos na universidade. Sei que você não se lembra da primeira vez que nos vimos, mas eu me lembro bem.

- Na universidade? A garota que vivia me secando com os olhos todos os dias e que não usava batom mas passou a usar para tentar me impressionar, pois, se apaixonou por mim? Ah eu me lembro disso sim. Era engraçado notar como você tentava lutar contra seus sentimentos, pois, na época eu era mais idiota do que agora, aparentemente. Você me seguia ás vezes e tentava falar comigo sem sucesso, eu admirava suas tentativas.

- Seu idiota! Você lembra? Por que nunca comentou dessa época?

- Por que acho que não fazia diferença a época que nos conhecemos. Afinal, estamos juntos agora, sinceramente.

- Não me surpreendo, você sempre foi indiferente comigo, mas enfim, deveria devolver meu lenço.

- Não comece por favor, já basta a preocupação que você me causou hoje. Eu não saberia lidar com você quase morrendo, até liguei para o John para ver se ele te examinaria aqui, mas ele pediu para que eu tivesse calma, afinal, você não estava morta ainda, só teve uma concusão. E sobre seu lenço, eu acho que joguei fora, me desculpe, estava com raiva do mundo naquele dia.

Fiquei magoada com aquilo. Por algum motivo, eu achava que Sherlock tinha guardando aquele lenço, mas tudo bem, fazia muitos anos que aquilo tinha acontecido. Eu deveria me focar no presente.

- Você também não guardou meu chapéu.

- Que? Do que está falando?

- Ora Molly, não é você que deveria se magoar por não se lembrar da primeira vez que nos vimos.

- Mas eu me lembro, foi na faculdade.

- Não foi na faculdade Molly Hooper, foi antes disso.

- O que? Como? Tá maluco?

- Nunca se perguntou porque no primeiro dia que eu deduzi todos colegas imbecis da nossa classe, você pasou ilesa?

- Sim, eu lembro, por que você me poupou?

- Porque naquele momento, eu te reconheci. Até me surpreendi como demorei para te reconhecer. Mas fiquei magoado porque aparentemente você não se lembrava de mim, ao mesmo tempo que achei engraçado quando começou a se apaixonar de novo, antes você já era louca por mim, obviamente.

- Sherlock, como assim eu já te reconhecia e era apaixonada por você? Eu não lembro.

- Viu? Não foi eu que esqueci de quando te vi pela primeira vez. Musgrave Molly, não se lembra?

- Não, Musgrave? Me explique Sherlock.

- Vou te contar tudo, mas outra hora, você precisa descansar.

- Tudo bem, meu amor. Obrigada por ficar aqui comigo. Sabia que eu sou patologista por sua culpa? – sorri com paixão, olhando para seus olhos brilhantes.

- Claro que sabia. Obriguei Mycroft a fazer uma recomendação sua. Sua habilidade em dissecar um cadáver tão friamente me surpreendeu. Um dia eu precisaria de uma mulher apaixonada por mim e eu usaria essa paixão para entrar no Bart’s e analisar os cadáveres sem permissão oficial sempre quando eu quisesse ou precisasse, tudo era meticulosamente elaborado, esse plano, ah desculpa, esqueci de dizer que era um plano e...Molly? Que cara é essa? Você está bem? Por que está tão ofegante?

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O hospital de Paris foi alvo de muitas dicussões naquele dia. Aparentemente, um casal saiu nos tapas na ala da emergência. Houve muita repercussão e as fofocas entre os pacientes foram inevitáveis, vejam alguns relatos:

- Eu vi quando a mulher enlouqueceu. Ela se atirou para cima do seu namorado. Coitado. Tive muita pena dele. Ele estava o tempo todo do seu lado segurando sua mão enquanto ela estava dormindo. Os homens são muito mau tratados pela mulheres hoje em dia, provavelmente ela era uma louca desvairada. – disse um senhor idoso de 80 anos.

- Tive dó do pobre homem. A mulher puxou seus belos cabelos cacheados. As pessoas falam tanto em agressão contra as mulheres mas e os homens maltratados por muitas loucas por aí?. – disse uma enfermeira cujo nome é Giovanna, de 59 anos.

- Eu já vi esse cara em algum lugar. Não me lembro, mas ele é conhecido na mídia. Essa mulher deve ser uma caçadora de grana e agora reclama da atenção que teve, ridículo – disse um paciente jovem de 30 anos.

- Após a briga, vi que ele ainda a segurou em um abraço reconfortante, que homem maravilhoso! Tão bonito ele. Não merece a mulher que tem. – disse um Estela, de 25 anos.

- Sinceramente não ouvi muita coisa, só ouvi o jovem gritando a frase “Por causa de mim, você seria uma vendedora de sapatos!”. Eu sou um vendedor de calçados há 30 anos e me senti ofendido ao ouvir esse tipo de coisa. Meu trabalho tem valor como qualquer um, eu estou com vontade de processa-los por preconceito profissional! – disse Marcos, de 50 anos.

- Sou feminista, tenho um blog que protege os direitos femininos e estou enojada com as fofocas que estão saindo dessa história. Primeiro que apesar de não estar muito perto, eu juro que visualizei ele segurando ela pelo braço com muita força! O homem mereceu apanhar, fato. – Disse Joana, de 35 anos.

- Discordo da Joana, só vi que o rapaz se protegeu com o braço quando a garota o ameaçou a atingi-lo com a bandeja de refeições – Chris, 34 anos.

- Talvez a mulher não tenha culpa na história! Não sei se ouvi direito, mas eu estava mais perto da ala da emergência e eram vários gritos de “Você me usou para um plano idiota” e “Me matei  de estudar em dois cursos ao mesmo tempo”,  e também ouvia ele gritando “Você é PHD por minha causa”. Papo de louco, acho que os dois estavam drogados..... – disse um jovem que não quis se identificar, de 28 anos.

E foi assim, que o hospital de Paris teve um dia extremamente agitado devido a briga de um casal muito peculiar.

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MUITOS ANOS ANTES.....

- Veja Redbeard! Quem é aquela garota? Será nova na cidade?

- Não sei, Yellowbeard! Vamos averiguar? Pode ser uma princesa precisando de nossa ajuda! Talvez ela foi sequestrada por piratas ruins!

- Vamos salva-la, Redbeard!

Essa foi a primeira vez em que a vi. A princesa sequestrada por piratas ruins, cujo nome era Molly Hooper.


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui!


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