História Sete Demônios - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Palavras 3.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Alô, vocês!

Chegou agosto e eu tô com medo porque esse mês demora 84 anos para acabar. Anyways, como estão? As férias de vocês também acabaram?

Eu tô bem feliz por ver o pessoal comentando e tudo mais. Obrigada por me acompanharem e serem tão queridos. Vocês são uns lindos!

Queria aproveitar para avisar que se quiserem entrar no grupo de 7D no Whats é só me pedirem o link nos comentários.
Todo mundo é bem-vindo e vai ser legal interagir com vocês.

Vamos logo para o capítulo porque eu tô ansiosa para chegar nas partes mais relevantes da fic.

Vejo vocês nas notas finais ♡

Capítulo 4 - Livro Um: Capítulo IV


Fanfic / Fanfiction Sete Demônios - Capítulo 4 - Livro Um: Capítulo IV

“Tão bela, tão esperta

Que desperdício de um jovem coração”

SATELLITE HEART, ANYA MARINA.

.

Ella despertou pela manhã. Com a cabeça pesada, ela abriu os olhos. O quarto estava parcialmente iluminado pelos fortes raios de sol que atravessavam as janelas. As cortinas estavam abertas. Ella sentou-se na cama num salto, assustada. Olhou ao redor. Estava sozinha. Deixou um suspiro de alivio escapar rapidamente. Minutos mais tarde, terminava de arrumar os cabelos em frente à um espelho emoldurado em madeira escura.

Seu reflexo era o mesmo.

A imagem de uma bela e jovem garota. Mas a felicidade já não era mais parte daquela imagem. Ella perguntou a si mesma se algum dia fora verdadeiramente feliz depois que a mãe falecera. A resposta era óbvia.

Sua vida havia se tornado algo pelo qual ela não esperava. Desejava imensamente estar em sua casa, com sua família.

Minha família. Ela pensou tristemente.

Não sabia dizer se aquela era mesmo uma família de verdade. O pai havia perdido tudo o que lhe restara de dignidade. O irmão claramente a detestava, de modo que Ella não conseguia entender o motivo para tanto ódio.

E Katherina...

Ella sentia-se completamente indiferente em relação a ela.

Aquilo não era uma família. Pelo menos não uma família feliz. Ella concluiu que jamais seria realmente feliz. Não depois do que o pai lhe fizera. E isto não dizia respeito apenas à aposta estúpida que Ella julgara como uma venda.

Era assim que ela se sentia.

Vendida pelo próprio pai a um estranho. Ainda que estivesse inteiramente decidida a recuperar o patrimônio pelo qual a mãe havia lutado tanto para conquistar, Ella sabia que não seria mais a mesma. Sentia como se a cada dia – depois da aposta de seu pai – tirassem dela algo que constituía sua essência. Primeiro lhe arrancaram o orgulho. Depois a liberdade.

Se o inferno realmente existisse, Ella estava completamente segura de que ele se assemelhava ao que ela estava vivendo nos últimos dias.

Precisava encontrar uma solução. E precisava fazê-lo o mais rápido possível.

Colocou sua mente para funcionar de modo apressado, vasculhando em suas memórias por algo ou alguém que a pudesse ajudar.

Pensou por longos minutos até que um nome lhe veio à mente. Um nome pelo qual ela agradeceu a Deus por ter lembrado.

Michael Graber.

Graber era um dos advogados e amigos próximos de seu pai. Ao menos era assim que Ella o julgava. Apesar de próximo de Maurice, Michael sempre demonstrara-se honesto e certamente abominaria a atitude do amigo. Afinal, ele nem ao menos estivera na infeliz cerimônia.

O pai do mesmo havia sido também um grande amigo de Maurice Donovan. Tornara-se advogado de Maurice depois que seu pai veio a falecer. Ella entraria em contato com ele assim que tivesse a oportunidade.

Terminou de pentear os cabelos e encerrou os pensamentos em sua mente. Colocou-se de pé ajeitando sua saia e retirou-se do quarto, deparando-se com um rosto já conhecido. Seu coração disparou. Ela fora pega de surpresa. Estava terrivelmente distraída quando saíra do quarto.

— Desculpe-me, senhora. – Marina abaixou a cabeça em um gesto que Ella desaprovou. – Não tencionava assustá-la.

— Não se desculpe, por favor.

— Vim avisar que seu café-da-manhã está pronto.

— Não sinto fome. – Ella respondeu em tom desanimado.

— O marido da senhora requer sua presença no...

— Isso não me importa. – interrompeu. – Não recebo ordens de ninguém.

— Perdão, mas ofendê-la não era a minha intenção, senhora.

— Pare. – Ella pediu suavemente. – Pare de se desculpar a todo o momento.

— Mas...

— Está agindo como se estivesse sob pressão. – deduziu Ella. Viu a expressão no rosto da jovem se alterar. – É isto? Está sob pressão?

— Preciso manter este emprego. – ela respondeu.

— Mas algo mais parece lhe perturbar.

Por um instante Marina fez menção de dizer alguma coisa, mas hesitou. Esforçou um sorriso que deixou evidente seu nervosismo.

— Estou bem, Sra. Braxton. Obrigada.

— Pois não é essa a impressão que me causa. – Ella a fitou com curiosidade. – Bem, saiba que estarei aqui caso decida se abrir com alguém.

— Agradeço imensamente. – ela ainda forçava um sorriso infeliz. – Sua presença é necessária no café-da-manhã.

— Por quê?

— Entrarei em problemas se a senhora se negar a descer. – Marina respondeu, angustiada.

Ella suspirou.

— Certo. Pode me acompanhar até lá.

Marina assentiu e avançou até as escadas. Ella a seguiu preparando-se para o que encontraria em seguida. A jovem governanta a guiou pela mesma trajetória que ela havia percorrido quando entrara na casa pela primeira vez.

O caminho parou em uma imensa sala de jantar decorada com móveis em um magnífico estilo colonial. Ella permaneceu parada na entrada da sala de estar. Sentiu uma presença se aproximar, mas não ousou virar-se para ver de quem se tratava.

James Braxton entrou na sala com uma expressão impaciente em seu rosto. Caminhou para a mesa onde se sentou em uma das cadeiras. Marina indicou uma das cadeiras para Ella e ela sentou-se na mesma, hesitante.

Ella viu-se sentada à uma grande e farta mesa de madeira. Viu também mais pessoas entrarem na sala com bandejas de prata e talheres. Provavelmente tratava-se do restante dos empregados da casa. Todos calados e indiferentes. Como máquinas. Eles depositavam os objetos sobre a mesa e se retiravam. Repetindo a mesma ordem em seguida. E mais uma vez.

Ella realmente não sentia fome. E a presença de James Braxton a deixava inquieta. Sentia seu estômago se embrulhar. Ela levantou os olhos com discrição e observou-o bebericar café em uma pequena xícara. O silêncio era insuportavelmente aperreador. Ella tornou a desviar os olhos e não tocou em nada. Definitivamente ela não tinha apetite.

— Você já viu o que dizem nas colunas sociais dos jornais desta manhã? – James abriu um sorriso que deixava transparecer seu cinismo propositalmente. Ella ergueu o rosto e ele pegou um jornal, estendendo-o para ela. Ela tomou posse do jornal, passando os olhos por ele. Em destaque, a notícia de seu casamento estampava não só aquela, mas todas as colunas sociais de todos os jornais. – Deve estar orgulhosa.

— Por quê? – ela indagou.

— Estão elogiando seu vestido. – ele indicou outra página no jornal que ela segurava. – Suponho que tenha sido você a pessoa a escolhê-lo.

Ella balançou a cabeça e disse:

— Isso me é indiferente. O vestido, as matérias, esse contrato... Tudo. – a garota deu de ombros, pegando um dos pãezinhos sobre a mesa.

Uma gargalhada soou alta e estridente.

O som soava distante. Vinha da sala de estar, logo depois do barulho da porta principal sendo aberta soar.

Alena Braxton apareceu na entrada da sala de jantar com as roupas amarrotadas e uma bolsa pendurada em uma das mãos. Sua maquiagem estava borrada e seu cabelo desgrenhado. Parecia ter voltado de uma guerra, na qual havia sido derrotada. Ela ria insanamente e olhava ao redor.

James virou-se para a garota e um conflito de emoções o dominou. Ella viu a expressão dele mudar. Esperava por gritos e insultos. Porém, ele se manteve firme e calmo. Uma reação sarcástica diante de tal situação.

— Divertiu-se ontem à noite? – indagou ele, voltando a tomar seu café fumegante.

Alena rolou os olhos e respirou fundo, procurando apresentar a melhor de suas desculpas.

— Era o aniversário da minha melhor amiga.

— Claro. – James concordou com desdém. – Um evento muito importante, por sinal. É uma pena ninguém ter morrido de overdose durante o acontecimento.

Ela decidiu não responder. Virou-se de costas, fazendo menção de se retirar.

— Espere.

Alena virou-se para ele mais uma vez.

— Preciso subir.

— Eu tenho apenas uma pergunta para lhe fazer. – James esperou a irmã assentir com a cabeça para que ele prosseguisse. – O que fez você me desobedecer mesmo depois de eu tê-la proibido de sair ontem?

— Você não é meu pai. – ela respondeu rispidamente. – Não pode me prender para sempre.

— Já viu o estado em que está?

Ela não respondeu.

— Está fedendo à bebida.

— Isso não é da sua conta. – murmurou ela.

— Conversaremos mais tarde. Suba. – ordenou ele. A garota estreitou os olhos e virou-se, se retirando dali com ar de superioridade.

Ella descobriu, então, que a única coisa que tinha em comum com o marido era o fato de que ambos tinham um parente problemático na família. Ela, no caso, tinha todos. Todos em sua família eram malditos mesquinhos que viviam em função de fazê-la de idiota.

A cena que ela acabara de presenciar fizera com que ela se lembrasse das inúmeras vezes em que o pai discutira com Declan pela manhã, depois de ele ter chegado de uma noite nas ruas.

— Eu lamento pelo que você acaba de ver. – James tornou a lhe dirigir a palavra.

Ella não respondeu. Ele levantou-se bruscamente, havia tensão em seu rosto. Sem dizer mais nada, retirou-se da sala de jantar deixando um ambiente carregado para trás. Ella concluiu que aquela era sua chance.

Quando Marina surgiu para retirar os pratos e talheres da mesa, Ella lhe perguntou:

— Sabe onde posso encontrar um telefone?

— Ora, mas é claro! – exclamou a garota. – Há um em seu quarto.

— Obrigada. – Ella levantou-se de prontidão e seguiu para as escadas, caminhando até seu quarto.

Ao entrar, tratou de trancar a porta por dentro e sentou-se na beira da cama. Abriu a gaveta de seu criado-mudo e conseguiu encontrar o que mais precisava naquele momento: uma lista telefônica.

Abriu-a, folheando-a com pressa, até que finalmente achou o que procurava. Ainda olhando para o que encontrara na lista, Ella tomou posse do auscultador do telefone sobre o criado-mudo e digitou alguns números. Ficou à espera. Encerrou a ligação minutos depois de ter entrado em contato com Michael Graber. Ele prometera vir à sua casa duas horas mais tarde. Era o plano perfeito.

James Braxton deixava a casa uma hora depois do café-da-manhã, partindo para o trabalho. Ella ficou aliviada quando concluiu que ele não estaria lá quando ela recebesse a visita.

Graber veio até ela exatamente duas horas depois da ligação. Ela desceu as escadas e o encontrou na sala de estar de sua nova casa. Estava à espera dela com uma maleta de couro preta nas mãos.

Michael Graber tinha trinta anos. Possuía cabelos negros penteados cuidadosamente para trás e olhos castanhos. Tinha um aspecto inteligente e confiável. Ella realmente esperava que ele fosse.

A jovem pediu-lhe para que se sentasse em um dos sofás e, em seguida, sentou-se em frente a ele.

— Obrigada por ter vindo, Sr. Graber. – disse ela educadamente.

— Não negaria um pedido feito pela filha de Maurice Donovan. – ele abriu um sorriso amistoso. Ella assentiu brevemente. Odiava ser chamada assim. – Mas em que posso ser útil?

— Eu tenho algumas dúvidas.

— Espero poder esclarecê-las.

— É para isto que o chamei. – Ella respondeu. – Sr. Graber, eu não sei se meu pai o manteve a par de minha situação...

— Sim. – Michael Graber afirmou. – Sei de tudo.

— Mesmo? – ela franziu o cenho, encarando-o.

— Creio que sim. E julgo também saber quais são as suas dúvidas. – assegurou ele. – Quer saber quais são os seus direitos sobre os bens que seu pai entregou ao seu marido. E o que aconteceria caso se divorciasse dele.

Ella o encarou, estupefata. Era como se ele tivesse lido seus pensamentos. Aquilo a deixara surpresa.

— Bem, eu...

— Você obviamente tem direitos sobre os bens de seu marido, Ella. Mas um divórcio tão antecipado não seria uma boa ideia.

— Eu entendo, mas... – Ella ficou pensativa. – Não haveria alguma forma de reverter isto?

— Certamente, mas eu não lhe aconselharia a pensar nisso agora.

— Não quero ficar presa a este casamento para sempre.

— O que tem em mente?

— Eu andei pensando. – explicou ela. – Talvez haja uma solução. O senhor, estando por dentro da situação, poderá ajudar e muito.

— O que quer dizer?

— O senhor sabe da aposta. Sabe que o que meu pai fez é ilegal, mas a chantagem que ele sofreu também é. Talvez um processo possa nos ajudar a recuperar os bens de minha família.

— Os bens ainda são seus. – ele disse brandamente. – Diante da lei, parte deles ou até mesmo todos eles também pertencem a você.

— Mas não nas circunstâncias em que deveriam. – completou. – Aquele sujeito... Ele arrancou tudo de minha família.

— Me perdoe, Ella. Mas seu pai fez a aposta por livre e espontânea vontade.

— Meu pai é um louco! – ela praticamente gritou. – Está sem condições de resolver os próprios problemas sozinho.

— E o que vai fazer a este respeito? Colocar Braxton na prisão? Armar um escândalo? – a sinceridade dele estava se tornando impertinente. – Você não quer James Braxton como seu inimigo. Acredite.

— Tarde demais. – Ella respondeu seriamente. – Tenho uma porção de inimigos, Sr. Graber. Sei lidar com eles. E creia em mim, – fitou-o nos olhos castanhos. – Também não gostaria de ter-me como uma.

O advogado suspirou, desviando o olhar.

— Se pensa em prejudicá-lo, saiba que está brincando com fogo. – Michael Graber parecia intimidado por algo. Ou alguém. Diferente de Ella. – E, além disto, eu jamais mandaria seu marido para a prisão.

— Por que não? – indagou.

— Porque ele também é meu cliente. – ele respondeu. Ella arregalou os olhos, surpresa. Ela claramente não esperava por aquela terrível ironia do destino. – Se todo mal fosse esse... – Michael Graber emitiu um riso amargo. – Eu certamente não o enfrentaria. Não depois das coisas que vi e ouvi a respeito dele.

Ella franziu o cenho.

— Parece que o conhece muito bem.

— Evidentemente. – ele respondeu. – Há alguns anos, para ser mais específico. – olhou para baixo e depois tornou a fitá-la nos olhos. – Sei que está confusa e apavorada com toda essa situação, mas acredite no que digo. James Braxton é a última pessoa que você gostaria de ter como seu inimigo.

— Por que diz isso com tanta certeza? O que ele fez?

— O que ele faz. – o advogado a corrigiu. Imediatamente ele pareceu se censurar por suas palavras. – Desculpe. Não tenho intenção alguma de assustá-la.

Ella ainda olhava para ele com curiosidade. Ela não estava assustada, estava revoltada com tudo aquilo. E também não entendera o significado daquela última frase.

Ficou calada por minutos. Estava claro que o sujeito conhecia James Braxton o suficiente para afirmar que ele era alguém perigoso. Talvez tivesse presenciado algo que o fez crer no que acabara de afirmar. Então, uma dúvida surgiu na mente de Ella. Ela sentiu-se subitamente interessada em descobrir quem – ou o que – era o homem com quem havia sido forçada a se casar. Por uma boa causa, talvez, mas ainda assim ela se achava no direito de ter aquela resposta. Talvez assim pudesse arrancar dele algo que colocasse o filho da mãe na prisão.

Como se realmente pudesse ler sua mente, Michael Graber pôs-se a falar:

— Há oito anos, Angus Braxton e sua esposa, Gemma, estavam voltando para casa em um belíssimo Rolls-Royce negro. Era uma tarde nublada. Dezessete horas. Pararam o automóvel em uma esquina, esperando que outros carros cruzassem a rua em frente, assim eles poderiam prosseguir. Quando o carro arrancou novamente para atravessar a rua, algo aconteceu. – Michael Graber narrava a história enquanto Ella o ouvia com atenção. – Então, boom. O carro explodiu. Uma violenta explosão que sacudiu toda a pequena cidade. Foi um caos.

Ella estremeceu ao ouvir aquilo. Pôde imaginar a cena em sua cabeça.

— Por que está me contando isso? – ela perguntou.

— Porque eles eram os pais de James. O Conde e a Condessa de Abingdon, uma pequena cidade no Condado de Oxfordshire, na Inglaterra. – Graber acrescentou como resposta. – James tinha sua idade quando perdeu os pais naquela explosão. A irmã dele ainda era pequena. – fixou os olhos nos dela, como num gesto de severidade. – Ele herdou tudo de seus pais, tomou posse de suas empresas, ações, criou a irmã sozinho... Um fardo enorme, mas ele cumpriu com todas as obrigações que lhe foram impostas.

Ella esperou que ele continuasse, mas a curiosidade a dominava aos poucos, deixando-a quase que sufocada.

— Quem fez aquilo?

— Não se sabe. A polícia abandonou o caso cinco anos após a explosão. Ninguém mais fala sobre isso. – esclareceu o homem. — Então, diga-me, você realmente espera que alguém que passou por tudo isso tenha uma mente harmoniosa e tranquila? – perguntou ele com ironia. – Este é o meu conselho: não entre em território desconhecido. Não se envolva com o que não sabe.

Eu não me envolvi. Ella pensou. Colocaram-me nisso tudo sem meu consentimento.

— Quero acabar com tudo isto o mais breve possível. – a voz dela saiu firme. Estava determinada a realmente colocar um fim naquela situação.

— Eu sinto muito que a tenham colocado nisso. – Michael Graber se lamentou. – Mas, infelizmente, tudo o que posso fazer é lhe aconselhar a não tomar nenhuma decisão por enquanto.

Ella desviou o olhar e suspirou, sentindo-se derrotada. Ficar presa àquela situação era o pior dos pesadelos. A angústia tornara-se agora parte dela. Esperava conseguir ajuda quando telefonou ao advogado, e, no entanto... Não conseguia encontrar nenhuma outra saída. Era como ficar trancada em um quarto sem portas ou janelas. Tudo o que podia fazer era esperar. Esperar pelos acontecimentos seguintes, fossem eles bons ou ruins.

Mas, devido às últimas experiências que vivera, Ella podia afirmar com plena certeza que nada de bom viria a acontecer.

Tornou a levantar o rosto para fitar Graber e disse-lhe com infinita fé:

— Não ficarei aqui para sempre.

Michael Graber abanou a cabeça.

— Se pensa em seguir com a ideia de se virar contra Braxton, então definitivamente perdeu o juízo.

— Eu perdi muitas coisas desde que ele entrou na minha vida, Sr. Graber. – respondeu. – Mas vou recuperá-las uma a uma, não importa o que eu tenha que fazer ou quem eu tenha que enfrentar.

Não havia mais nada a ser dito. Michael Graber decidiu não entrar em discussão. A garota evidentemente desconhecia as possibilidades de se meter em encrenca caso continuasse com a ideia de se vingar.

Despediram-se com um breve aperto de mãos e Ella o acompanhou até a saída da sala de estar. Antes de passar pela porta principal, Michael Graber virou-se para ela e lhe lançou um olhar firme e ponderoso.

— Não subestime James Braxton.

— James Braxton não me intimida, tampouco me causa medo. – ela afirmou. – Mas se quer um conselho honesto, não subestime uma mulher em busca de justiça. Se surpreenderia se o fizesse. – Ella exibiu um sorriso sarcástico.

Graber soltou um riso abafado.

— Então você não teme ao diabo. – dizendo isto, Michael Graber virou-se e se afastou até encontrar seu automóvel.

Ella fechou a porta e pensou no que ele havia dito. Aparentemente todos ao seu redor eram estúpidos e novamente ela teria de encontrar uma forma de resolver tudo sozinha.

Michael instalou-se no banco de seu carro e procurou por algo no bolso de suas calças. Um aparelho celular. Discou alguns números com rapidez e encostou-o contra sua orelha.

— Ella planeja se vingar. – anunciou. Ouviu-se uma gargalhada do outro lado da linha. Michael Graber pigarreou e acrescentou: – É uma garota inteligente. Pode ser que não leve muito tempo até que ela descubra a verdade.

— Ela não saberá de nada se o que estamos esperando acontecer não aconteça. Mantenha-a fora disto.

— James, ela pode...

— São ordens, Michael. – Braxton interrompeu o advogado. – E, se for prudente, as obedecerá sem qualquer objeção.

— E quanto ao plano de vingança que ela tem em mente?

— Bem, então ela está no caminho certo, mas com o propósito errado. – James afirmou. – Talvez, em breve, o objetivo dela seja o mesmo que o nosso.

— Entrarei em contato novamente. – assegurou Graber desligando o telefone e encerrando a chamada. Em seguida, abaixou a cabeça e proferiu palavras que mais soavam como uma prece. – “Os justos se alegrarão quando forem vingados, quando banharem seus pés no sangue dos ímpios”.

Colocou a chave na ignição e arrancou com seu carro, afastando-se daquela propriedade rapidamente.

Subitamente começou a temer pela jovem garota que acreditava cegamente que era capaz de resolver todos aqueles problemas sozinha.

Seguro do que ele próprio sabia, os problemas que Ella enfrentava agora não eram nada comparados ao que ela teria de enfrentar em seguida.

Futuramente.

Porém, em um futuro não muito distante.


Notas Finais


Bom, é isso, migos. Me digam aí o que acharam do Michael e da Alena. Adoro saber o que estão achando dos personagens que vão surgindo.

O que dizer da dona da fic todinha aka Ella? Bate aquele orgulho maravilhoso ♥

Eu irei adiantar alguns acontecimentos, como informei no grupo. Então qualquer dúvida é só me chamar porque eu estarei sempre disponível para vocês, okay? Okay.

Até dia 17, gente! Espero que agosto termine logo – o ano todo, na verdade –, rs ♡


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