História Sete Finais - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens Jennie, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Rosé, Suga, V
Tags Black Pink, Bts, Romance
Visualizações 212
Palavras 5.284
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Perdoem o pequeno atraso. Boa leitura!

Capítulo 10 - 10


Fanfic / Fanfiction Sete Finais - Capítulo 10 - 10

Seoul, Capital da Coréia do Sul

A tensão desesperadora não demorou à tomar conta de cada músculo de Soyoon. A garota foi para casa sem nem ao menos prestar atenção no trajeto que o ônibus fez.

Após chegar em casa, mal ouviu os cumprimentos de seus familiares e subiu rapidamente para seu quarto. Precisava de um tempo para pensar, não estava em condições de ter que ouvir as perguntas de seu pai, sua mãe, sua irmã e sua vó. Eles com certeza — como sempre — perguntariam como foi o dia na escola e Soyoon queria fugir disso.

Se jogou na cama após finalmente entrar no quarto. Apoiou as mãos perto do ventre e manteve o olhar no teto branco. Respirou fundo sentindo um reprise passar em sua cabeça, fazendo-a viver novamente tudo o que tinha passado mais cedo na escola.

Sua cabeça estava realmente doendo e se tocou que deveria se apressar em tomar um comprimido depois. Mas antes disso, tinha que resolver algo ainda mais importante.

Pegou o celular e foi diretamente enviar uma mensagem para Wee San.

→ Precisamos resolver a história da tal entrevista... Acho que isso vai dar muito errado.

Antes de poder enviar o recado via SMS, recuou. Não sabia se estava certa em completar a ação. Ainda estava chateada com a garota, mas precisava resolver a situação onde ambas estavam metidas. Era o único jeito. Ser orgulhosa não adiantaria nada no momento. Pensando nisso, logo enviou a mensagem e jogou o celular na cama, se levantando em seguida.

Precisava de um banho.

Após terminar de se banhar e se vestir, se jogou na cama. Havia rejeitado o jantar quando sua mãe lhe chamou para comer, sentia como se fosse vomitar tudo o que comesse e preferia não arriscar, só queria descansar bem o suficiente para o dia seguinte.

Pegou o celular o desbloqueando e viu que Wee San finalmente havia respondido.

← Sinto muito por ter te colocado nessa loucura, acho que está na hora de acabarmos com isso e deixarmos essa entrevista de lado. Afinal... nós estamos mais perto do Taehyung do que imaginávamos! (Obs: Aish, baixe o Whatsapp, não se deve enviar SMS para as pessoas.)

Soyoon franziu o cenho na mesma hora.

→ Mais perto do que imaginávamos? Do que está falando? Aquele garoto não presta! Não estou próxima dele, você está maluca!

→ E não vou baixar Whatsapp.

→ Ei, Wee San! Você está aí?

→ Wee San!

Bufou alto quando se convenceu de que Wee San não responderia mais tão cedo, então negou com a cabeça vendo no alto da tela notificações de seu facebook, conferiu percebendo que não era nada que importasse no momento.

Mas antes mesmo que percebesse, se viu na caixa de pesquisa do aplicativo onde já escrevia o nome Park Jimin.

Estava acostumada à fazer isso. Sempre pesquisava coisas relacionadas ao garoto, mas nunca havia sido capaz de enviar algum pedido de amizade para o mesmo. Viu que ele estava online há pouco tempo e postara uma foto onde estava acompanhado de seus amigos da Elite. Soyoon fez menção de xingamento ao olhar o rosto de Taehyung sorridente na fotografia enquanto se mantinha ao lado do número 7°, Jeon Jungkook. 

Jimin também havia postado algo que dizia: “Nos deem forças com sua torcida. Faremos nosso melhor no próximo jogo!

Haviam muitas curtidas, não era surpresa que o menino era popular até mesmo em qualquer rede social. Na publicação abaixo, era possível ver que Jimin havia postado uma foto de Lin enquanto a mesma posava com sua roupa de capitã das lideres de torcida.

Seu sorriso me faz querer ultrapassar todos os limites, querida.”

Essa era a legenda. 

Antes que Soyoon reparasse, sua expressão se tornou em algo decaído e tristonho.

Yoon analisou bem o rosto e a pose bem feita de Lin, relaxou os lábios, arrumou o cabelo e começou à sorrir como Lin fazia na foto. Colocou uma mão na cintura enquanto a outra ainda segurava o celular, olhou para frente ainda sorrindo e cerrou os olhos com cuidado.

Desistindo, relaxou os ombros e se jogou na cama novamente. Se sentia um patinho feio comparado à beleza da namorada de Jimin, mesmo que soubesse que não era uma garota feia.

O que era ridículo mesmo era pensar que podia tentar ser como Lin para agradar alguém que nem mesmo a notava.

Era para já estar acostumada. Mas ainda assim era difícil ter que aceitar com bons olhos a situação. Era ridículo, Jimin nunca havia ao menos notado sua existência e ainda assim ela sofria com a situação.

— Amor platônico inútil! — murmurou com raiva e bloqueou o celular o jogando ao seu lado e virando-se para dormir.

~◈~

Namjoon bagunçou o cabelo novamente em frente ao espelho. Seus fios castanhos estavam maiores que o normal, mas de certa forma ele gostava. Respirou fundo duas vezes, travou a visão em suas próprias íris escuras agora vendo seu reflexo através da imagem que seus próprios olhos lhe transmitiam.

Analisou sua expressão. O cenho estava franzido, parecia tentar encontrar algo em sua própria aparência. Encontrar algo em si mesmo. Namjoon questionou sobre o que estaria procurando. Questionou sobre o que buscava se transformar. Questionou o porquê de ser quem ele era e se haviam motivos para isso.

Engraçado. Essa era a única resposta que o gênio Kim Namjoon se esforçou para conseguir. E ainda assim, nunca obtivera sucesso, e também temia que essa sensação de estar temendo o futuro o atormentasse durante muito tempo ainda.

Se afastou do espelho e se sentou na escrivaninha branca do quarto. Observou os livros em cima do móvel, não tinha muito o que fazer, mas ainda achava que tinha que resolver certas coisas. O som de três batidas na porta o fez fitar a entrada de seu quarto vendo a governanta da casa colocar metade do corpo para dentro.

— Com licença, Namjoon. Sua mãe mandou lhe chamar para o jantar.

O garoto nada fez, apenas assentiu vendo a mais velha sair do quarto. Fez sua pequena contagem mental para recuperação de paciência e se levantou para sair do quarto.

Entrou rapidamente na sala de jantar e se sentou sem cumprimentar qualquer alma presente no local. Ergueu a cabeça com cuidado, em seguida logo desfez sua expressão de tédio a transformando em uma série de caretas.

— Appa? — Dak-Ho sorriu para seu filho o fazendo revirar os olhos e analisar sua mãe.

— O que foi, Namjoon? Seu pai chegou de viagem, apenas isso. — a mãe de Namjoon respondeu ao olhar severo do garoto. A mulher lia alguns papéis enquanto a comida era servida, e mesmo que não tivesse o olhado de volta, sabia que que seu filho havia a fitado questionador.

— Então quer dizer que já enjoou de fazer companhia pro seu filhinho amado? — Namjoon perguntou irônico sem se preocupar com a reação de seu appa.

Antes de Dak-Ho se casar com Kim Saeron — mãe de Namjoon —, teve uma namorada na juventude, mas quando soube que teria que se casar com a herdeira do Sr. Kim, se viu na obrigação de terminar com sua namorada para poder se casar em paz e ceder aos desejos de sua família. Depois que Dak-Ho finalmente conseguiu cortar todos os laços que tinha com sua ex-namorada, se focou totalmente em seu noivado, mas um mês antes do casamento acontecer, a ex-namorada de Dak-Ho o procurou dizendo que estava grávida.

Foi uma enorme confusão na época, o pai de Dak-Ho quase o matou pela irresponsabilidade do mesmo. Mas, ainda assim, não cancelaram o casamento. Seria um grande escândalo fazer tal coisa faltando apenas um mês para a cerimônia, então, o pai de Saeron e os pais de Dak-Ho foram atrás da ex-namorada de Dak-Ho para oferecer-lhe dinheiro para que sumisse ou abortasse a criança. Mas a mulher não aceitou.

Diante da pressão imposta, Dak-Ho procurou sua ex-namorada por conta própria e lhe disse que ela poderia ter o filho e que seria um pai presente, mas que nunca poderia ser reconhecido como o pai da criança, a imprensa também não poderia nem sonhar na hipótese de que Dak-Ho, noivo da filha do poderoso Kim Kwan-Han, tinha um filho fora do casamento.

Após o casamento, Dak-Ho adotou o sobrenome “Kim”, já que a família de sua esposa era mais poderosa e ele deveria ter um nome de peso para se dar bem nos negócios. Só dois anos depois de se casarem, Dak-Ho e Saeron anunciaram que o herdeiro Kim Namjoon estava à caminho.

A mãe de Namjoon colocava uma máscara quando era em relação à história, já Namjoon não suportava tal coisa e sentia ranço só de saber que seu pai sempre estava longe por conta das visitas que fazia à seu filho mais velho. Namjoon sempre soube que a afeição era totalmente diferente. Namjoon era fruto de um relacionamento à base de dinheiro e o outro era fruto de amor.

— Vamos comer. — Saeron encerrou o assunto antes que o mesmo se estendesse. — Que roupas são essas, Namjoon?

— Eu tenho que me vestir feito um manequim até dentro de casa, omma? — Namjoon retrucou em um nível normal de voz. Olhou suas próprias roupas se vendo de calça moletom e camiseta.

— Não me aborreça. Como foram as aulas de Administração Financeira hoje?

— Você continua tendo aulas sobre Administração Financeira, Namjoon? — Dak-Ho interrompeu olhando curioso para seu filho.

— É claro que ele continua. Quanto mais conhecimento, menos preocupações no futuro. — Saeron rebateu.

— Sei disso. Mas você não acha que ele deveria dar uma pausa disso?

— Não acho. E você não tem que achar nada, Dak-Ho.

— Namjoon tem aulas sobre isso desde que tem treze ou quatorze anos de idade, Saeron. É sobre isso que estou falando! — Dok-Ho ajeitou a gravata que parecia apertá-lo enquanto sentia seu sangue esquentar levemente ao discutir arduamente com sua esposa.

— Quando você tentar dar mais atenção para Namjoon do que perder tempo com seu filho bastardo, talvez você possa dar também alguma opinião aqui, Dok-Ho.

Namjoon apenas continuou comendo enquanto ouvia as palavras de seus pais, uma mais afiada que a outra. Passou-se o tempo que se importava com discussões, foi com onze anos que percebeu que seus pais nunca estiveram juntos por carinho, eles não sentiam coisas um pelo outro. Era fato.

Estava acostumado à ouvir as discussões sempre em relação à seu futuro, afinal, eles sempre discutiam sobre seu futuro sem perguntar o que ele achava sobre. Estava acostumado à ver seu pai assentir sempre no final, mas é claro, quem mandava na casa era sua mãe, a filha do poderoso Kim. Estava acostumado à ouvir sua mãe jogar na cara de seu pai diversas vezes que ela era quem tinha dinheiro e que eles só se casaram pois a família de Dak-Ho iria à falência em breve.

Era sempre assim, a casa era um campo de guerra. Namjoon sabia o quanto sua mãe era ruim, maioral, mandona, fria, egoísta, preconceituosa e detalhista. Sabia o quanto seu pai era ambicioso, falho, mentiroso, traidor, trapaceador e também egoísta. Mas também estava ciente que era sempre sua mãe quem ganhava cada discussão, sabia que sua mãe mandava reslmente em tudo. Ela adorava controlar tudo, inclusive a vida de todos ao seu redor.

Logo viu que a mesa ficou em silêncio, e que a última palavra havia sido dada por Saeron. Namjoon ainda se perguntava se seu pai só não era teimoso o suficiente para ganhar uma discussão, ou se ele só era mesmo um quase submisso.

— Namjoon, você irá para Los Angeles comigo esse fim de semana. Tenho uma reunião com alguns sócios e quero que você me acompanhe, já que o homem da família — olhou mortalmente para Dok-Ho. — não honra o título. Portanto, já esteja ciente.

Namjoon negou com a cabeça sem parar de mastigar e fitou os olhos puxados de sua progenitora.

— Tenho um jogo de basquete esse fim de semana. — foi tudo o que Namjoon respondeu, fazendo sua mãe parar de comer para analisá-lo.

— O quê...?

— Eu realmente preciso assistir um jogo seu, Namjoon! — Dak-Ho exclamou com um sorriso no rosto. Namjoon bufou.

— Se você não desse mais atenção pro seu filhinho bastardo, talvez já tivesse visto mais de um jogo meu. — Dak-Ho se calou e engoliu saliva ao ouvir o que seu filho havia dito.

— É uma pena que você não vá ver nunca um jogo do Namjoon, Dok-Ho. — a voz sarcástica de Saeron soou. — Namjoon está prester à terminar os estudos e com isso, essa besteira de basquete será esquecida pra sempre, entendeu? Eu não te quero mais perdendo tempo com esses jogos idiotas, Kim Namjoon.

— É o que eu gosto de fazer, omma!

— Vai ter que aprender à deixar de gostar. Você tem outro foco na vida, tem que estudar o máximo possível para estar qualificado para tomar a frente dos negócios da família Kim. — o garoto parou de comer passando à brincar com a comida de cabeça baixa enquanto ouvia sua mãe falar friamente.

— Eu tenho um foco ou você é que tem, omma? Nós nem sabemos se será mesmo eu que irei ficar à frente nos negócios do vovô. Eu não sou o único herdeiro, Jin e Taehyung podem querer assumir os negócios também.

— Isso é impossível. — a mulher rebateu imediatamente. — A esposa inútil do meu irmão quer que meu sobrinho Jin se torne um chefe de cozinha. E quanto ao seu primo Taehyung... — deu risada. — não me faça rir. Aquele garoto nunca terá capacidade para assumir alguma coisa na vida.

— E então o peso da família fica todo nas minhas costas... — Namjoon murmurou.

Saeron se levantou com cuidado e se abaixou ao lado de seu filho.

— Eu só procuro o nosso total reconhecimento na família, Namjoon. Você é o neto mais qualificado para dominar os negócios assim como eu fui a filha mais qualificada de seu avô, e eu vou passar tudo para você. Um dia você vai me agradecer por isso. — Namjoon suspirou e encarou o rosto ainda jovem de sua mãe. Saeron passou os dedos pelo cabelo do menino e franziu o cenho. — Está na hora de cortar o cabelo, Namjoon!

— Certo, omma.

— Vou mandar alguma empregada arrumar suas malas para o fim de semana. Vamos embarcar cedo.

Foi quando Namjoon voltou à realidade, percebendo que era isso... Ele tinha que desejar se tornar o que sua mãe havia decidido.

~◈~

Tem que ser impossível! Todos os dias agora eu terei que lidar com isso?!” Soyoon pensava enquanto pisava com força no chão do corredor da escola indo em direção à detenção, acompanhada da inspetora Sora, lembrando-se dr que era tudo culpa do maldito demônio número 5°.

Estava com dor no estômago desde que tomara café da manhã. Parecia que algo estava estragado ou era pesado demais. Só sabia que seu estômago doía muito.

Inspetora Sora abriu a porta da sala de detenção e a primeira coisa que Soyoon encontrou ao encarar as carteiras foi Taehyung sentado. Entrou de uma vez com as mãos na barriga, passando direto por ele e sentando-se no fundo da sala, o mais distante possível do garoto.

— Voltarei daqui à algum tempo, enquanto isso, vocês ficarão trancados. E não esqueçam qual é o castigo. — inspetora Sora apontou para a lousa onde estava escrito “Não devemos estragar o que é feito para estudar; não devemos brigar onde é feito para estudar.” — O diretor diminuiu a pena de vocês para cento e setenta e cinco vezes.

Sem dizer mais nada, Sora saiu da sala a trancando.

— Não está com vontade de fazer pra mim, pano de chão? — Taehyung comentou divertido enquanto segurava o caderno virado para trás, olhando para a garota.

Soyoon simplesmente o ignorou enquanto abria o próprio caderno e sem esperar começou à escrever séria tentando ignorar a dor chata que sentia.

— Estou falando com você, bolsista! — Soyoon continuou calada e concentrada no que fazia, a voz do menino a sua frente causava alergia em seus ouvidos. — Ei!

Então Soyoou sentiu uma ardência na testa após Taehyung jogar a caneta em sua direção. Imediatamente Soyoon levou os dedos até a testa, franziu a boca com força. Ainda assim não reagiu, voltando à escrever. Tinha que sair da sala o mais rápido possível.

— Você tá me ignorando? — Yoon engoliu seco enquanto ainda escrevia. A voz do garoto estava perigosamente perto, fazendo-a ter certeza de que ele estava parado ao seu lado. — Me responde!

Na mesma hora, Taehyung puxou o braço de Soyoon fazendo-a se levantar da cadeira de uma vez. Soyoon olhou com raiva para a face do menino e puxou o braço de volta.

— Eu só tô nesse castigo por culpa sua, então me deixa em paz pelo menos agora, tá legal? Até aonde eu sei, você tem muito o que fazer também. — apontou para a lousa e se sentou novamente. Taehyung suspirou e se abaixou pegando a caneta que estava jogada no chão.

Se afastou e ficou de costas para Yoon. A mesma apenas revirou os olhos e voltou à ficar concentrada.

Quarenta minutos depois passou à ser estranho a calmaria que havia se formado no local. Yoon estava inquieta tanto pela dor quanto pelo tanto que havia escrito.

Soyoon também estava preocupada, era estranho pensar no que estava acontecendo, então se virou timidamente para trás à procura de Taehyung, se perguntava de ele havia morrido, mas então o avistou ainda de pé perto da parede.

— Meu Deus... — Yoon sussurrou ficando de boca aberta. A parede estava toda preenchida pela frase “Não devemos estragar o que é feito para estudar; não devemos brigar onde é feito para estudar.”

Taehyung deu risada ao ver a reação de sua companheira de castigo.

— Ah, sobre isso... não se preocupa, eles disseram o que era pra escrever, mas não disseram onde. — avisou despreocupado voltando à marcar a parede branca.

Yoon deu um pulo ao ouvir a porta ser aberta e agarrou o caderno correndo para a porta e o entregando rapidamente para a inspetora Sora.

— O QUE É ISSO?! — Taehyung bufou ouvindo o grito da mulher, Soyoon saiu da sala com as mãos na barriga se afastando do local depois de entregar o caderno, e se viu livre de mais confusões. 

Ainda dentro da sala, Taehyung se aproximou da Inspetora e entregou a caneta para a mesma, deu um sorriso e se esticou cansado.

— Castigo cumprido, está escrito cento e setenta e cinco vezes! — saiu da sala em passos largos e olhou ao redor à procura de Soyoon, mas não a viu imediatemente, só ouviu Sora gritar seu nome, então andou rapidamente indo para longe, então avistou a cabeleira castanha de Yoon, se aproximou lentamente da garota percebendo que a mesma estava acompanhada de outra menina um pouco mais baixa que ela.

Soyoon conversava com Uya após sem querer esbarrar na menina no corredor em direção à sua sala. Uya havia ficado bem brava, mas parou de reclamar após ouvir Soyoon perguntar sobre Wee San. Estava surpresa.

— Então Wee San não te contou? — Uya questionou cruzando os braços.

— Não, o quê?

— Ela tinha uma consulta médica hoje, por isso não pôde vir. Acho que ela foi dormir mais cedo que o normal ontem, ou talvez só não queria responder suas mensagens mesmo. — a mais baixa comentou com maldade dando de ombros, mas logo arregalou os olhos ao ver atrás das costas de Soyoon Taehyung se aproximar.

— Você sabe que consulta é essa? — Yoon perguntou cuidadosa tomando um susto em seguida ao ver Taehyung parar ao seu lado enquanto ouvia a conversa.

—Você anda rápido pro tamanho das suas pernas, pano de chão.

— Você não tem nada melhor para fazer? — Soyoon exclamou e levou as mãos até o estômago sentindo-o doer cada vez mais.

— Então essa é sua amiga que fará a entrevista com o Jimin? — Tae perguntou analisando Uya de cima à baixo.

— Entrevista?

— Não é da sua conta! — Soyoon rebateu sentindo mais uma pontada e mantendo a mão sobre o estômago. — Ugh!

— Eu não sei de entrevista alguma... — Uya respondeu sem tirar os olhos do menino, ainda parecia encantada por receber a atenção do número 5°, parecia realmente feliz e talvez espalhasse para a escola toda depois, mesmo que ninguém acreditasse.

— Hum... pelo visto não é ela... tá cada vez mais difícil de acreditar que essa sua amiga exista mesmo, bolsista. — Taehyung deu risada.

— Você é mesmo bolsista, então? — Uya questionou.

— O assunto aqui é a Soyoon! Ela faltou e eu preciso conversar com ela sobre essa maldita entrevista!

— Sua amiga faltou? — quando Yoon estava prestes à continuar exaltada, uma quarta voz foi ouvida no meio do corredor fazendo os outros três olharem de que direção vinha. Número 6°, Hoseok, andava lentamente até onde estavam os outros e parou após chegar perto o suficiente. — Isso não é bom.

— O que você tá fazendo aqui, Hoseok? Você não tava na reunião do time? Reunião a qual vocês me deixaram de fora. — Taehyung questionou com um tom sentido.

— Você ficou de fora porque estava de castigo, seu idiota! — Hoseok rebateu dando um tapa na cabeça de seu amigo. — E você... — apontou para Soyoon. — Jimin pediu pra que eu encontrasse você e dissesse que ele vai dar a entrevista agora.

— O quê?! — Yoon exclamou. — Mas ele só daria sexta!

— Bom, e daí? Mudança de planos, pano de chão. Ele quer dar hoje. — Hoseok respondeu sem dar importância para o espanto da menina. — Eu ouvi que sua amiga não veio hoje, acho bom você dar um jeito nisso, o Jimin não vai ficar muito feliz caso descubra que só está perdendo tempo.

Então Soyoon analisou os rostos de todos presentes. Sua barriga parecia estar doendo ainda mais depois do que ouviu. Número 6° e número 5° pareciam se divertir com a situação e Uya ficava cada vez mais confusa.

Yun sabia que mataria Wee San qualquer dia, mas naquele momento, estava tudo em suas mãos.

Eu preciso acabar logo com isso para não me meter em mais confusões. Preciso.” foi a única solução que lhe veio na cabeça.

— Eu vou.. eu vou no lugar da minha amiga e acabar de vez com essa entrevista.

~◈~

Foi quando a porta finalmente foi aberta que o estômago de Soyoon pareceu ir até a garganta e voltar no mesmo momento. Taehyung e Hoseok entraram de uma vez na frente e Soyoon parecia ter travado as pernas onde estava. Repensou mais umas quatro vezes antes de avançar pelo menos dois passos em direção à entrada do maldito ginásio, mas por fim entrou.

Assim que se viu dentro do local ao qual não lhe trazia boas lembranças, viu mais uma vez os sete juntos. Os garotos jogavam divertidamente na quadra de basquete e só pararam quando viram a morena se aproximar com cuidado.

— Você? Eu pensei que sua amiga fosse responsável pela entrevista. — foi boa a sensação de ouvir a voz de Jimin, mas nada tirava de si o receio que estava sentindo.

— E era. — rispidamente direta, Yun respondeu se aproximando ainda mais de onde os garotos estavam e ignorando a dor que sentia.

— Era?

— Cada vez mais eu penso que você é a única responsável por essa entrevista. — Seokjin comentou alto enquanto jogava a bola na cesta.

— O que você quer dizer com “era”? Por acaso o Jin tem razão? — Jimin questionou.

— Não. Seu amigo não tem razão.

— Então o que tá acontecendo? Por que você tá aqui e não sua amiga? — Jungkook perguntou sem paciência.

— Minha amiga não veio hoje.

— Quantas desculpas. — Jimin disse. — Então você vai fazer a entrevista no lugar dela?

Yoon negou com a cabeça sentindo a dor ficar mais intensa, passou uma mão na testa sentindo o suor frio querer escorrer.

— Eu vim até aqui só pra dizer que a entrevista não vai mais acontecer.

O ginásio então ficou em silêncio por longos segundos. Mas ainda podia-se ouvir a respiração pesada de Park. Ele não estava feliz.

— Você tá de...

— Essa entrevista era na verdade uma farsa. — Yoon cortou Jimin no momento em que o garoto começara à falar. — Pra acabar logo com isso eu preciso te contar tudo de uma vez pra ficar livre.

— Do que você tá falando?

Ouve mais um momento de silêncio e o que tornava tudo mais tenso era que todos presentes analisavam cada palavra da menina. Jin tinha arrogância no olhar, Namjoon frieza, Jungkook parecia não estar ligando, Taehyung e Hoseok pareciam querer dar risada, Yoongi não tinha expressão alguma e Jimin continha curiosidade e raiva no rosto.

— Eu, Yun Soyoon, sou uma bolsista. — começou falando baixo de forma cuidadosa. — Sempre fiz questão de me manter quieta e invisível desde que entrei na escola, sendo assim, nunca fui de ter muitas amizades. Minha única amiga sempre foi apaixonada por Kim Taehyung, e esse ano ela voltou com um plano idiota para fazer com que ela se aproximasse dele, de cara eu não quis aceitar, mas depois de ver o quanto ela é apaixonada por ele, percebi que me sentiria mal caso não tentasse ao menos ajudá-la. O plano dela é essa entrevista. Mas, levando em conta todos os problemas que isso me trouxe, tomei a decisão de acabar com isso.

Mais uma vez o silêncio tomou conta do ar. A expressão dura de Park assustava Yun, fazendo-a recuar um passo. Tudo estava muito tenso, todos pareciam interrogativos, até poder ser ouvida uma risada grossa fora de hora.

Taehyung se aproximou de Soyoon enquanto gargalhava e parou ao seu lado apoiando a mão em seu ombro.

— Sabendo que sua amiga não existe e que na verdade esse planinho ridículo é seu, então podemos saber que você é apaixonada por mim, bolsista. — Taehyung deus alguns tapinhas no ombro da menina. — Eu devo admitir que até suspeitei disso algumas vezes. Mas passar por isso só pra ficar perto de mim é muita burrice...

Soyoon arregalou os olhos incrédula.

— O quê...? Isso é impossível! — exclamou se afastando da mão do menino.

— Huh? — Tae perguntou confuso.

— Eu não posso ser apaixonada por você quando... — olhou para Jimin sentindo suas bochechas esquentarem na mesma hora. — quando sou apaixonada por Park Jimin há cinco anos.

Na mesma hora, Jimin desamarrou o franzido da testa e relaxou o rosto tentando ouvir direito. Aproximou-se mais de Soyoon e ficou cara a cara com a garota.

— Uma das razões para eu ter aceitado fazer parte disso foi... foi por ter acreditado que eu ficaria mais próxima de você, Jimin... então... então eu aceitei. Mas agora que percebo como fui idiota, fico envergonhada. No fim, eu acabei só mentindo pra você. Me desculpe! — se curvou em direção ao menino sentindo seu coração acelerar demasiadamente.

O fato é que era impossível para Yoon sentir como era finalmente confessar que ama alguém, a dor em sua barriga parecia maior que essa sensação e sentia que só havia se confessado pela pressão do momento. Depois, tinha certeza que tentaria se esconder até de si mesma por conta da vergonha.

— Além de tudo você me fez de idiota! Me fez acreditar que estava fazendo algo à favor do time quando na verdade estava perdendo tempo. Você me fez perder tempo! — ela ouvia Jimin gritar raivoso, mas parou de ouvi-lo no meio de suas palavras, sua cabeça começou à ficar em branco e seu estômago parecia ser chutado, então, sem perceber nada, abriu a boca e despejou para fora uma poça de vômito em cima do tênis de quem estava em sua frente. Park Jimin.

Levantou a cabeça na mesma hora e arregalou os olhos vendo a expressão desacreditada do garoto. Taehyung se afastou levemente e olhou para baixo vendo os pés sujos de seu amigo, todos os outros tiveram a mesma reação, todos estavam sem acreditar, até mesmo Yoongi.

— MAS QUE CARALHO É ISSO? VOCÊ FICOU LOUCA, BOLSISTA?! — Jimin gritou raivoso e empurrou os ombros de Yoon a afastando dele, tirou os sapatos, o blazer e s blusa de dentro rapidamente e os jogou no chão com raiva. — Olha só o que você fez!

— Me desculpa... me.. eu...! — ela passou as mãos pelo rosto negando com a cabeça tentando não ligar ao ver o corpo do moreno a sua frente. — Eu não posso ter feito isso por querer!

— Você... esgotou a minha paciência! — Jimin se aproximou novamente dela e fitou diretamente seus olhos. — Eu vou te castigar, assim como os Sete Elite castigam todos os outros idiotas dessa escola que faltam com respeito com qualquer um de nós. Você me fez perder tempo e ainda vomitou em mim!

— Pega leve, Jimin. Ela é só uma garota. — Yoongi falou fazendo todos os outros olharem surpresos para ele. Ele nunca intervira nos castigos por ninguém antes.

— Tem razão, Yoongi. Eu vou ser pacífico dessa vez. Vou dar o que ela merece em relação à essa situacão. — Jimin se aproximou mais de Yun. — Primeiro, você vai lavar meu tênis, minha blusa e vai trazer para mim ainda hoje. — pegou suas coisas do chão de uma vez e jogou em cima de Soyoon. — Segundo, já que você sujou o chão do ginásio... a partir de amanhã, você vai começar à ser responsável pela limpeza dele.— Eu quero tudo bem limpo todos os dias. Não gosto de sujeira.

Soyoon olhou ao redor sem acreditar, o ginásio era enorme, ela nunca conseguiria limpar ele sozinha todos os dias, não havia porquê limpar um ginásio todos os dias.

— Eu não posso fazer isso! Este ginásio é enorme, vou levar muito tempo!

— Bem, você mesma disse que é bolsista. E eu acho que se você não cumprir o que eu tô mandando, eu não vou ter outra escolha que não seja insistir pra que você seja expulsa. — Yoon ficou calada enquanto engolia seco sentindo seus olhos ficarem húmicos, mas se via forte para não chorar. — E por ter reclamado, vai ter que passar à ajudar na cantina da escola, todos os dias na hora da entrada e nos intervalos.

Soyoon sabia que não podia falar nada. Ela não tinha tanta força para rebater quanto tinha para segurar o choro. Ela não podia tentar contra nenhum deles, como havia dito, ela era uma simples bolsista e Jimin, além de ter muita voz na escola, era filho de patrocinadores do colégio.

Os patrocinadores eram pessoas que ajudavam a escola com a imagem, alguns com dinheiro, outros com forças sociais. Os patrocinadores também tinham muito poder, participavam de reuniões decisivas para o sistema escolar e tinham muitos direitos. Eram como sub-donos do local. Jimin, Hoseok, Jin e Jungkook eram filhos de patrocinadores. Ou seja, bastava um pedido de Jimin para que seu pai enviasse uma carta ao conselho pedindo que Soyoon fosse expulsa que a menina realmente seria.

Ela não tinha escolha. Ela tinha que engolir todos os tipos de injustiça até que finalmente se formasse.

— Então, boa sorte, bolsista.

Soyoon sabia que havia acabado de se enroscar cada vez mais em um ninho de predadores.



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