História Settle Down - Capítulo 46


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 1.007
Palavras 3.497
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, bebês.

Quase dois meses sem atualizar, sentiram saudades? Eu senti, hm.

Então... Demorei tanto para atualizar porque só queria atualizar quando tivesse os capítulos finais prontos, e bom, eu não estava bem pra terminar eles, por isso só apareci por agora.

Não tem muito o que dizer sobre esse capítulo, acho que só vão entender o rumo que essa fanfic tomou no final dela. De qualquer forma, comentem ou façam perguntas caso haja qualquer dúvida, prometo responder o mais rápido possível (prometo de dedinho dessa vez, vou responder TODO mundo, mesmo).

Qualquer erro conserto depois,

Boa leitura!

Capítulo 46 - Just Let It Be


"Camila?"

A voz da Dra. Morrison chamou minha atenção, retirando-me da correnteza de pensamentos que havia me metido enquanto esperava com minha irmã na pequena sala do lado de fora.

"Entre, por favor," Ela sorriu de forma simpática para mim, indicando que eu deveria segui-la para dentro de sua sala.

Olhei uma última vez para minha irmã, embora essa fosse a última sessão da semana ainda não estava habituada a ficar conversando por duas horas com uma estranha, principalmente porque estava cansada de ignora-la enquanto ela fazia perguntas sobre Nina e meus pesadelos. Tudo bem, esse era o trabalho dela, e se as pessoas acreditassem quando eu dizia não precisar estar ali para falar sobre isso, simplesmente não estaria. Mas não deixava de ser desconfortável. Era cedo demais para esperar que as coisas ficassem milagrosamente bem, mas os pesadelos ainda não me deixavam dormir direito, e o pior nisso é que estava começando a acordar com hematomas e arranhões. Durante a semana cheguei a rasgar a calça de meu pijama e ainda não conseguia entender como havia conseguido tal feito, assim como meu pai e minha irmã não entendiam e ficavam mais preocupados a cada dia.

"Então, como está se sentindo hoje?" Ela perguntou em seu tom casual depois de se sentar em sua poltrona em couro vermelho, observando-me por de trás de seus óculos de armação e lentes grossas. "Conte-me."

A aparência confiante e ao mesmo tempo tranquila dela não me deixava mais confortável em estar ali, assim como a cor azulada de seus olhos – uma vaga lembrança da pessoa que havia me deixando daquele jeito e que estava presente em meus pesadelos. E eu sabia que deveria contar isso para ela, dizer que mulheres mais velhas com essa aparência confiante, superior e controlada me deixava a beira de uma crise de pânico. Ao menos assim ela saberia o quanto aquilo havia mexido com a minha cabeça. Afinal, era para isso que estávamos frente-a-frente. O problema é que concluir mentalmente o quão fodida eu estava era fácil, dizer em voz alta para outra pessoa era um pouco mais complicado, ainda lutava para não admitir o quão traumatizada estava. De uma forma ou de outra, eu estava fodida e bastava me olhar para saber disso, mesmo que não dissesse nada, sabia que podiam pegar certas coisas no ar.

"Não tem muito o quê dizer," Dei de ombros como se realmente não tivesse nada para contar, olhando para minhas mãos em meu colo. Meus dedos tremiam e eu os apertei torcendo para que o gesto fizesse o tremor cessar.

"Conte-me sobre essa noite," Dra. Morrison insistiu, uma de suas sobrancelhas ergueu-se. "Teve pesadelo?"

Minha garganta secou, foi como se meus ouvidos fossem tampados e o som do meu coração batendo pulsasse por eles. Seria esse o momento em que eu cedia e contava alguma coisa para ela? Não, já contava o bastante para minha irmã e tinha certeza que ela abria a boca para repassar tudo a mulher a minha frente, então eu não precisava fazer nada.

"Como sempre," Apenas confirmei me limitando nas palavras, balançando a cabeça sutilmente enquanto me mantinha ignorando seu olhar.

"O mesmo cenário?" Como eu já sabia, Sofia já devia ter passado todas as informações sobre meus pesadelos desde a última vez em que nos vimos, mais uma vez me limitei a confirmar silenciosamente com um aceno. "Com a sequestradora?"

A sequestradora. Nina.

Meu silêncio deve ter sido o suficiente para ela entender que nossa conversa chegaria até aquele ponto, ela já sabia que meus pesadelos se resumiam ao dia do sequestro, ao lugar onde fui mantida e às coisas que aconteceram lá até que a polícia me resgatasse. Admirava suas tentativas em tentar me fazer falar algo além daquilo, mas não aconteceria. A última pessoa com quem gostaria de conversar sobre meus pesadelos, traumas e pensamentos, seria uma estranha. Não me importava se aquela estranha era formada e estava sendo paga exclusivamente para isso.

A loira suspirou profundamente depois de longos minutos em silêncio, isso atraiu minha atenção e eu levei meu olhar até ela mais uma vez a tempo de vê-la retirar os óculos para limpá-lo com um lenço. Seus dedos longos esfregaram o tecido delicado nas lentes habilidosamente por alguns instantes, antes de leva-lo de volta ao rosto ela checou se havia deixado as lentes realmente limpas, e então, o tecido perfeitamente dobrado de volta no bolso de seu casaco. Nós ficamos em silêncio por mais alguns minutos, normalmente esse silêncio se estendia até o final da sessão e nenhuma de nós fazia questão de mudar isso, no entanto, esse não era um dia como os outros.

Dra. Morrison olhou para mim como se esperasse algo mais, reconheci um brilho de expectativa e me senti encolher contra a poltrona em que estava sentada, novamente intimidada.

"Camila..." Ela começou, sendo extremamente cautelosa. O silêncio depois que meu nome foi dito me fez concluir que ela estava escolhendo as palavras certas. "Nós já tivemos uma sessão essa semana, e outra na semana passada, sei que é a primeira vez em que passa por uma situação como essa – onde precisa conversar com uma completa estranha sobre a sua vida –, mas não sou uma inimiga para você," Eu concordei quando pensei que ela tinha finalizado, mas foi o mesmo aceno silencioso e limitado de antes. "E você não vai conversar comigo, não é?"

Não achei que aquela era uma das perguntas em que realmente precisava responder, sendo assim, apenas suspirei, movendo-me desconfortavelmente sobre a poltrona.

"Tudo bem," Dra. Morrison relaxou em sua poltrona espaçosa. "Se não quer falar, não fale."

Arqueei minhas sobrancelhas enquanto a observava, não deu para esconder o quanto ouvir aquilo me deixava surpresa e ao mesmo tempo, aliviada. "Mesmo?"

"Mesmo," Ela respondeu, simplesmente. De alguma forma, senti que aquilo não era tudo e a confirmação veio instantes depois, quando ela continuou: "Estou acostumada."

Do que ela estava falando, afinal? Acostumada com o quê? Será que ela achava que aquilo era pessoal? Quer dizer, ela era intimidadora para mim, mas não era como se tivesse medo de falar com ela achando que ela me mataria por isso. A questão é que ela era uma estranha para mim, e não se compartilha com estranhos coisas da sua vida, principalmente aquelas mais íntimas como medos, traumas ou segredos. Sabe aquela coisa sobre precisar ter o mínimo de intimidade possível para falar sobre determinados assuntos? Bem, eu sempre fui o tipo de pessoa que precisa disso, e acredito que a grande maioria das pessoas precisa, também. Isso não deveria ser nenhuma surpresa ou problema para uma especialista experiente em lidar com diferentes personalidades.

"Isso não é pessoal, sabe..." Comecei em um tom baixo, percebendo que estava baixo demais para que ela conseguisse entender quando suas sobrancelhas arquearam indicando não havia entendido. "Não é pessoal," Repeti.

"É claro que não," A loira ajeitou os óculos em seu rosto, um sorriso torto brincando em seus lábios. "A maioria dos adolescentes com quem preciso lidar agem da mesma forma, por isso eu disse que estou acostumada."

"Então, é normal pra você que te paguem sem que seu trabalho seja bem feito?" Perguntei um tanto confusa, só então notando que a minha pergunta havia soado um tanto quanto acusatória.

Dra. Morrison riu, foi uma risada espontânea e quase me fez rir também. "Não é como se eu pudesse obrigar alguém a falar," Ela apenas deu de ombros. "Eu sempre informo aos pais se o tratamento está fazendo algum efeito, é claro, sem revelar detalhes. Respeito o sigilo de cada caso, o que me é contado fica entre mim e a pessoa. Mas quando não há conversa informo aos pais e eles apenas encerram o tratamento comigo. De uma forma ou de outra, sempre dá certo. Então, se você não conversar comigo, seu pai certamente te levará em outra estranha, ou estranho."

"Não acho que ele vá fazer isso," Neguei lentamente, mentalmente me questionando se meu pai seria capaz de tal coisa.

"Você foi sequestrada, torturada física e psicologicamente, precisa falar sobre isso com um profissional. Se não for comigo, terá de ser com outra pessoa."

Isso soou como pressão na minha cabeça, senti como se ela estivesse me contando isso apenas para que eu me abrisse com ela para não ter que fazer isso com outra pessoa. Voltei a me sentir ansiosa, foi impossível controlar meu corpo ao senti-lo tencionar. Se eu não falasse com ela, teria de procurar outro especialista, fazer novas sessões, até alguém me ajudar com isso? Qual é, não era nenhuma criança pra cair nessa conversa. Cruzei os braços abaixo dos seios e encarei ela com uma expressão nada amigável, esperando que com isso ela compreendesse que seu teatro para me manipular não haviam dado certo.

Nina tinha me manipulado, e a Lauren também. Aliás, aquela vadia dos olhos azuis conseguiu manipular todos a sua volta, portanto, não deixaria que outra vadia dos olhos azuis me manipulasse daquela forma.

"De qualquer forma, seu pai só vai pagar até o fim do mês," A mulher se levantou, atravessou a sala até a cafeteira e se serviu um pouco de café. "Depois disso você se livra de mim, então se a sua escolha é vir aqui duas vezes por semana pra ficar olhando pra mim durante uma hora em completo silêncio; vá em frente."

"Não é como se pudesse me obrigar a falar," Imitei o tom que ela havia usado anteriormente ao dizer a mesma frase, meus braços ainda cruzado e o olhar sério fixo nela.

"Estou tentando te encorajar, Camila."

"Não vai conseguir desta forma," Fui logo respondendo.

Dra. Morrison me analisou pelo o que pensei serem horas, seu olhar atento parecia estar vendo muito mais do que eu estava mostrando. "Ao menos eu tentei, uh?"

"Não, não tentou," Eu me levantei da poltrona onde estava, ficar olhando pra ela sentada fazia parecer que ela era o adulto e eu a criança a levar uma bronca. Queria igualar as coisas se iríamos ter esse tipo de conversa. "Você tentou me manipular com essa conversa, e eu já fui manipulada antes, então, não vai rolar. Se quer saber, espero não precisar ver a sua cara de novo depois do fim desse mês."

Falei tudo tão rápido e de forma tão furiosa, que quando terminei percebi que meu rosto queimava como se meu sangue tivesse se agitado rápido demais para que o corpo conseguisse acompanhar, minha garganta também queimava. Talvez eu tivesse exagerado um pouco no tom de voz, comecei a pensar se a altura tinha ultrapassado os limites da civilidade e percebi que não conseguia me lembrar. Foi como se pensar em ser manipulada, ter uma vaga lembrança do que tinha passado e enfrentar a mulher a minha frente tivesse carregado meu corpo com uma onda de raiva momentânea.

"Sente-se melhor agora?"

Reconheci a voz dela, mas não consegui entender o que tinha dito. "O quê?"

"Sente-se melhor agora?" Ela repetiu em seu tom calmo, depois levou a xícara de café até os lábios.

"Eu deveria?" Perguntei, completamente confusa.

Do que caralhos essa mulher estava falando?

"Sim, deveria, pois acabou de me contar que foi manipulada e como se sente sobre estar aqui,” Uni as sobrancelhas, não tinha dito como me sentia estando com ela nessas sessões. "Ou, quase isso."

"Fez isso de propósito?"

"Basicamente," Ela deu de ombros, continuava do outro da sala tomando seu café de forma tranquila como se nada mais importasse.

"Não pode agir dessa forma..." Comecei em um tom baixo, pensativa. "Ou pode?"

"Não posso," Dra. Morrison comprimiu seus lábios em uma linha fina, depois abandonou a xícara de café no lugar onde estava e voltou a se aproximar. "Não é um método recomendável, por assim dizer, mas estamos conversando por mais tempo do que da última vez. Isso é um progresso."

"Não estamos conversando a tanto tempo assim, você só tentou me fazer falar de uma forma nada legal." Nada legal mesmo, tinha certeza que aquilo poderia render a ela um processo se eu tivesse prova de que tinha mesmo acontecido.

Percebi que ela estava pronta para me responder, mas o som insistente em seu relógio de pulso indicava que nosso horário estava oficialmente encerrado. Conversamos o bastante para que os minutos passassem mais rápido? Não achei que essa conversa estranha estivesse ajudando em alguma coisa – mesmo que essa coisa fosse fazer o tempo passar mais rápido. Logo, seu olhar voltou para mim e ela sorriu como se tivesse ganhado algo muito importante, eu apenas uni minhas sobrancelhas sem conseguir entender aquela expressão animada.

"Não precisa mais olhar para a minha cara pelo resto dessa semana, Camila."

Me permiti apenas encara-la por alguns instantes, ainda sem entender porque ela tinha aquele sorriso nos lábios. As engrenagens do meu cérebro trabalhavam arduamente para tentar entender o motivo que poderia estar por de trás daquilo, quer dizer, por que ela tinha me provocado aquela reação, afinal? Só para que eu explodisse em sua cara? Desejei conseguir voltar ao tempo, não sabia se tinha gritado e não queria sair com essa dúvida, tendo de encontrar minha irmã na sala de espera para ter realmente certeza disso. Tudo bem, o descontrole foi involuntário, e mesmo que ela tivesse sido uma filha da puta tentando me pressionar a falar daquela forma, não merecia gritos.

Caminhei a passos largos até a porta, mas não consegui sair dali a tempo o suficiente antes de ouvi-la dizer: "Nos vemos semana que vem."

Meia hora depois de sair do consultório, Sofia rodava o estacionamento do shopping na tentativa de encontrar uma vaga. Ela não tinha me feito pergunta alguma sobre gritos ou algo assim, me fazendo acreditar que apesar da estranheza daquela conversa, ninguém do lado de fora teve conhecimento dela. Isso me deixou um tanto aliviada, mas estar ali no shopping fazia com que eu me sentisse a criatura mais mal humorada da face da terra. Ir ao shopping com suas amigas pode vir a ser legal, já ir ao shopping com sua irmã louca por sapatos e que anda de um lado para o outro loucamente querendo comprar todos os pares que vê pela frente estava longe disso.

O pior de tudo não era o fato da minha irmã agir como uma louca obcecada por sapatos, e sim me fazer carregar as sacolas. Qual era a parte de machucada eu deveria lembrar a ela? Também havia a parte em que meu pai via a fatura do cartão dela e fazia as paredes de casa tremerem de tantos gritos furiosos. Bem, mas essa parte não me interessava, ela que se virasse com isso depois.

Cansada de segui-la pelas lojas, fui até uma das praças de alimentação e me sentei, deixando as sacolas sobre uma das cadeiras da mesa que tinha escolhido. Só percebi que estava exausta de seguir Sofia quando meu músculos relaxaram de forma quase dolorosa, rendendo-me um suspiro de alívio. Lembrando-me de ainda estar com os pontos, busquei pela calça que usava qualquer mancha que indicasse esforço demais, mas como não encontrei nada e não senti o local dolorido, suspirei mais uma vez. Também não iria morrer a essa altura do campeonato só por andar um pouco mais, já estava na hora de me livrar dessas paranoias.

"Camila?"

Ergui meu olhar para dar de cara com uma Normani sorridente. Surpresa, notei que ela era bem mais bonita do que eu conseguia me lembrar.

"Você é a Camila mesmo, não é?" Ela perguntou depois, confusa.

Sorri de volta para ela. "Sim, sou sim. E você é a Normani mesmo, né?"

Ela riu quando devolvi a pergunta, concordando rapidamente. "Fazendo compras, uh?"

"Isso é da minha irmã," Fiz uma careta ao pairar o olhar sobre as sacolas, depois voltei a encara-las, só então me lembrando de ser educada. "Você quer sentar?"

Com uma economia e uma elegância surpreendente de movimentos, Normani se sentou na cadeira vaga a minha frente. Senti como se estivesse sentada diante de uma deusa, não havia nada nela que estivesse fora do lugar ou que fosse menos do que perfeito. Quase senti uma pontada de raiva dela por ser tão linda. Ela era o tipo de garota cujo rosto estava sempre estampado em capas de revistas, por breves instantes, fiquei tentada a lhe perguntar se a carreira de modelo já tinha passado pela cabeça, mas guardei meus pensamentos para mim quando pensei tê-la notado um tanto sem jeito.

"Está tudo bem?" Perguntei, me inclinando na cadeira para apoiar os braços sobre a mesa.

"Está sim," Não sei por qual motivo, mas não acreditei muito nela. É claro que ela notou isso, então continuou: "Você e Dinah são melhores amigas, certo?"

Ah, agora o modo como ela estava agindo fazia sentido na minha cabeça, no entanto, por que ela estava me perguntando isso? Achei que ela e Dinah estivessem se acertando.

"Sim?" Praguejei por aquilo soar como uma pergunta, quando deveria ter sido uma confirmação.

Parte de mim estava ressentida por Dinah não ter me deixado informada sobre ela e Normani, será que ela estava tendo esse tipo de conversa com Lauren? Me senti um tanto enciumada, como se tivesse perdendo a amiga que conquistei em tão pouco tempo. Por outro lado, a lembrança de que elas eram amigas antes da minha aparição amenizou esse sentimento incômodo.

"Vocês conversam muito, né?" Concordei brevemente, não conseguindo entender onde ela queria chegar. "Eu não devia estar te perguntando isso, mas... Ela tem falado sobre mim?"

Sorri para ela, sentindo vontade de rir. Era engraçado, porque a morena estava fazendo comigo o que tentei fazer com Dinah ao perguntar sobre Lauren alguns dias atrás. Também era irônico, porque quando Dinah me disse sobre não querer ficar entre a gente eu não quis entender de imediato, mas agora compreendia. Havia o código de amizade, mesmo que Dinah tivesse me dito alguma coisa sobre Normani, ou sobre como ela se sentia em relação a bagunça que era o quase-relacionamento delas, não caberia a mim revelar a ninguém nossas conversas. Nem mesmo a Normani. Também seria ruim ficar entre elas, como se levasse e trouxesse os assuntos de uma para outra.

Na verdade, ser a leva-e-traz seria horrível.

"Sabe que não posso falar sobre isso, não sabe?" Tentei ser gentil ao lhe dizer isso.

Ela abaixou a cabeça e sorriu, concordando rapidamente. "Sei, mas perguntar não ofende, não é?"

"É, você tentou," Nós rimos juntas, e quando fizemos isso percebi que ela tinha relaxado.

"Não diz pra ela que te perguntei isso, tá?" Normani pareceu mais uma vez sem jeito em me pedir isso, vi uma pontinha de medo em seu olhar.

"Não vou dizer." E não diria mesmo, como concluí minutos atrás, não cabia a mim ficar entre elas.

Desejei internamente que elas se acertassem logo, não entendia direito porque elas não estavam juntas ainda, mas estava escrito na testa de Normani com letras grandes e brilhantes que ela gostava de Dinah. E, ao julgar pelo modo como Dinah havia agido perto de Normani na primeira vez que as vi juntas, sabia que esse sentimento era recíproco.

Por que pessoas que se gostam não podem simplesmente ficar juntas? Qual é a complicação nisso, afinal? O sentimento deveria ser o bastante.

Suspirei e neguei para espantar esse pensamento quando pensei em Lauren. "Vocês são um casal shippável," Disse para ela, sorrindo quando seu olhar brilhou ao ouvir aquilo.

"Você acha?" Concordei rapidamente com um aceno, vendo-a sorrir. "Também acho."

Nós rimos juntas.

Depois disso, Normani me perguntou como eu estava e me senti bem confortável ao conversar com ela. Nós trocamos números para não perdermos contato mesmo quando ela tivesse atarefada com trabalhos da faculdade. No final, foi muito bom ter a companhia dela ali para conversar aleatoriamente sobre algumas coisas enquanto esperava minha irmã fazer suas compras.

Como uma boa geminiana, Normani tinha assunto sobre qualquer coisa, bastava dizer a primeira frase e pronto, ela ativava seu modo tagarela. O mais interessante é que ela era extremamente inteligente e bem informada, tinha opinião formada para tudo que falávamos e sabia como entrar e sair de qualquer assunto. Foi muito fácil entender os motivos de ela optar por jornalismo, apostava minha mesada como ela seria uma jornalista brilhante e conseguiria alcançar seus objetivos facilmente. Com toda aquela disposição, informação, beleza e talento visível, como acreditar no contrário, não é?

Ao voltar para casa naquela tarde, me senti um pouco mais leve.

Não estava mais com raiva da terapeuta, ou ressentida com Dinah, nem mesmo Sofia falando aleatoriamente sobre seus sapatos me incomodou.

Tudo ficaria bem, no final. Sempre ficava. Nina estava longe, ela não podia mais me fazer mal, ou fazer mal a qualquer outra pessoa. Cedo ou tarde os pesadelos iriam embora, minha vida voltaria ao eixo naturalmente e embora na prática não fosse tão fácil quanto na teoria, seria fácil enterrar as lembranças ruis daquele dia em um baú no fundo da minha mente. Bastava permitir que tudo acontecesse naturalmente, sem pressa, sem querer fazer acontecer; apenas permitir.


Notas Finais


Alguém conhece uma loira dos olhos azuis que tenha sobrenome Morrison? Pois é, eu tenho um tesão nela, um abismo e uns negócios e tinha que por ela na história, nem que fosse no finalzinho. Enfim, o último capítulo será postado no dia 31 deste mês, quando a fanfic vai completar um ano. Está tudo certo até agora? Dúvidas?


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