História Seu Mundo, Meu Mundo - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camren, Fitfth Harmony, Romance
Exibições 3
Palavras 3.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Romance e Novela, Saga, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoal!
Essa é minha primeira fic, então sejam legais ok?! hahaha
Ela é só um teste e por isso nem capa tem.
Pensei nessa história e resolvi desenvolver pra ver no que vai daria.
Então, espero que gostem desse capítulo experimental :)

Capítulo 1 - A mudança


Fanfic / Fanfiction Seu Mundo, Meu Mundo - Capítulo 1 - A mudança

 

Pov Lauren

     Olho pela brecha entre a cortina e a janela observando o clima chuvoso lá fora, ajeito o casaco no corpo, solto um suspiro e caminho em direção a porta. Mais um dia que se inicia nesse mês complicado de frio e neve, odeio esse tempo! Meus dedos perdem a sensibilidade, minha boca fica roxa, a ponta do meu nariz vermelho e minha cara mais pálida do que já é…. Como ter forças para sair nesse tempo? Sei lá, apesar de amar meu curso, eu daria tudo para estar embaixo do edredom agora vendo os Jetsons e tomando uma xícara de café.

     Abro a porta, recebo o vento gelado no rosto e começo a mover uma perna e depois a outra, direta, esquerda, direita, esquerda e um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, …, trezentos e oitenta e três, trezentos e oitenta e quatro. São 384 passos, cerca de 307 metros até o ponto de ônibus que vai me levar a faculdade às 7 da manhã.

 

Pov Narrador

     Lauren entra no ônibus e como de costume puxa seu livro “Responsabilidade Civil e Nanotecnologias” da mochila e começa a devorá-lo. Coloca seu fone de ouvido só para despistar caso alguém queira incomodar sua leitura e mergulha nesse mundo mágico da matéria e todo seu estudo de manipulação.

     Lauren Michele Jauregui Morgado é só mais uma jovem que está trilhando seu caminho profissional na faculdade depois de ter desempenhado um ensino médio mais curto, brilhante e cheios de conquistas acadêmicas. Com direito a muitas medalhas e prêmios até mesmo financeiros, Lauren ganhou uma bolsa integral na faculdade perto de sua casa para cursar nanotecnologia. Apesar de não ser a melhor do país e nem nada disso, ela nunca se preocupou com o renome da academia, pois acredita que o sucesso vem da disposição e entrega do profissional e pensava que quanto mais perto de sua família e amigos, melhor.

     O transporte diário dela para no ponto de ônibus e Lauren já avista sua melhor amiga na porta da universidade. Ela acelera os passos e consegue ver melhor o sorriso enorme de Ally direcionado a ela com os braços estendidos. Apesar de não ser muito de abraços Ally não é qualquer uma na vida de Lauren. As duas estudam juntas desde o jardim de infância, cresceram juntas compartilhando as histórias das primeiras paixões, brigas, festas de aniversário e qualquer pensamento. Lauren confiava cegamente naquela baixinha e devia muito a ela.

 

Pov Lauren

     Ally cursava psicologia e não tinha pessoa melhor no mundo para esse curso. Era assustador, mas com um olhar ela era capaz de desvendar toda sua história, em uma simples conversa de cinco minutos ela monta em sua cabeça uma avaliação de como é sua vida, como foi sua infância e onde você vai chegar. Esse é o problema dos psicólogos, suas mentes nunca param de trabalhar e analisar as reações das pessoas traçando um diagnóstico. Apesar de Ally viver dizendo que não faz mais isso eu duvido muito, ela só deve guardar para si toda essa loucura.

 

Pov Narrador

     Lauren puxa os braços de sua amiga em direção a entrada principal da faculdade a caminho da cafeteria, cada vez mais perto do seu tão sonhado café extra forte.

- Você já foi falar com o seu coordenador? – Ally pergunta para sua amiga, enquanto se concentra na tabela de preços na parede decidindo o que tomar entre tantas opções de café.

Lauren a encara com o semblante confuso não entendendo o motivo da pergunta.

-E por que eu deveria procurar o professor Vicente? O projeto está correndo muito bem até agora. Na verdade, entramos em uma fase de pesquisa de nanopartículas…

- Ok já entendi Lauren! Eu te amo e sei o quanto você é apaixonada por essas coisas que muita gente não sabe nem que existe. Mas, POR FAVOR! Sem discurso nerd às sete da manhã. Meu cérebro não é capaz de compreender esses assuntos nem nos horários normais. – Completa Ally depois de cortar o início da explicação da menina de olhos verdes, depositando um beijo em sua bochecha.

     A morena que tinha fechado a cara depois da interrupção solta um suspiro ao sentir o carinho da amiga e decide deixar para lá. Ela paga seu café e ajuda a mais nova a carregar sua cestinha de pães de queijo até a mesa, recebendo um sorriso em agradecimento.

- Lauren, você esqueceu?! O coordenador do seu curso me procurou e pediu que te avisasse que ele quer conversar com você. Parecia ser importante, você já tinha ido embora e ele veio todo afobado pedindo que eu entregasse o recado e não esquecesse de te avisar. – Relembra o aviso, enchendo, em seguida, a boca de pão de queijo aguardando a resposta da amiga.

- Aaaah sim. Desculpe, Ally. São tantos assuntos para resolver do projeto final que eu acabo esquecendo de algumas coisas. Vou falar com ele assim que terminar esse café aqui, depois vou direto para o laboratório de pesquisa revisar algumas coisas dessa nova etapa do estudo. - Lauren termina seu café afobada, já levantando da mesa, botando sua mochila nas costas e dando um tchau para a loira apressado que deixa escapar uma pequena risada do desespero da outra.

 

Pov Lauren

Entro no elevador e aperto o andar da coordenação do campo de exatas.

     Tentei chegar a uma conclusão do que ele poderia querer comigo nessa altura do campeonato. Tudo estava se resolvendo aos poucos, enfim podíamos ver o projeto ganhando forma e vida. Eu nunca pensei que chegaria tão longe nessa pesquisa, de início via mais como um artigo científico, mas quando pedia conselhos dos professores eles abriam meus olhos e me mostravam que a prática do meu estudo deveria ser estudada e levada a sério, pois a possibilidade de todo esse trabalho gerar êxito fora do papel era real.

      Eu ainda não acreditava nisso… chegar tão longe. Estava perto de desenvolver um novo material mais resistente e resiliente que seria de grande ajuda no campo biomédico. Meu sonho de poder ajudar pessoas estava se encaminhando e eu não poderia estar mais feliz com isso.

     A porta do elevador se abre e me direciono direto a sala do coordenador Vicente, bato na porta três vezes e espero sua voz autorizar minha entrada.

- Pode entrar. – Ouço o professor e abro a porta com um sorriso amigável. Eu possuía uma grande admiração por ele, soube que ele foi o olheiro da feira de ciências que moveu os pauzinhos para a minha entrada nessa faculdade e desde o começo ele tem acompanhado de perto minha vida acadêmica. Tudo isso porque ele me vê como sua pupila, ele sempre diz que eu tenho muito a oferecer ao mundo…. Eu já acho que ele exagera, não faço nada demais ou diferente da maioria dos alunos, sou tão comum como qualquer outro, mas vai colocar isso na cabeça do Vicente, impossível! A fé que ele leva em mim é tão grande que às vezes me assusta…. Não estou dizendo que ele me pressiona, longe disso! Ele me apoia em tudo. Sempre me presenteou com livros nesses dois anos e meio de faculdade, me indicou para vários amigos professores em iniciação científica e me inscreveu em muitos concursos de jovens cientistas. Se hoje tenho um currículo diferenciado, esse homem é o culpado.

- Oi Vicente, Ally disse que você queria falar comigo… - Vou direto ao assunto assim que aperto sua mão e sento na cadeira de frente para ele com um sorriso.

- Sim, sim é verdade. Mas primeiro, como vai, minha querida? Soube que seu projeto está entrando no campo prático… - Diz o homem cum um sorriso enorme no rosto. Suas bochechas rechonchudas e vermelhas e seu bigode branquinho de anos só complementam sua imagem familiar de avô. E eu o considerava assim.

- Estou bem professor, obrigada pela preocupação. E o senhor, como vai? Soube que passou um tempo com sua neta.... As suas férias pelo jeito foram incríveis! – Ele balançou a cabeça concordando dizendo que passar um tempo com sua filha e sua neta revigora suas forças para mais um semestre de aula. Percebendo que ele estava ansioso decidi responder sua pergunta. – O projeto está caminhando muito bem professor depois desses anos iniciais de pesquisa resolvi seguir o conselho dos professores e passar para as possíveis aplicações na nanorrobótica.

- Oh minha filha, isso é ótimo! Enfim você botou fé na sua própria pesquisa. Eu sabia que você ia tomar a decisão certa. – Me responde muito animado o senhor, levantando de sua cadeira e sentando na que estava ao meu lado, em uma forma de carinho ele coloca a mão no meu ombro direito. – Era sobre isso que eu queria falar com você querida. Sabe que a considero como uma neta e confio no seu potencial, então pensando nisso eu tomei uma atitude.

     Vicente faz uma pausa dramática e me encara nos olhos. Consigo ver através do seu olhar uma mistura de culpa, alegria e orgulho. Não estava entendendo onde ele queria chegar nessa história, então, fiz uma expressão confusa e disse:

- Pode falar professor. – A frase não saiu como eu queria… de repente eu comecei a ficar nervosa sem motivo aparente, eu só queria que ele falasse de uma vez para que aquela sensação estranha passasse.

- Eu enviei seu trabalho para meu amigo coordenador de física da KEXLER, ele se interessou muito pela sua pesquisa e te ofereceu uma bolsa lá na universidade. – Vicente soltou tudo sem medir o impacto de suas palavras, sem levar em consideração o desastre que meus pensamentos se tornariam batendo de frente com essas informações.

       Como ele fez isso sem me falar nada?! Ele não tinha o DIREITO! São minhas pesquisas, meus estudos. Eu não quero isso! Será que ele não parou para pensar que se eu estivesse interessada em estudar em uma faculdade do outro lado do país eu mesma não teria enviado minha inscrição?! Uma coisa é me ajudar academicamente com livros e conselhos, outra coisa é pegar meu projeto de anos e entregar para pessoas estranhas lerem sem que eu soubesse.

     Paro um pouco, respiro fundo e decido encarar pela primeira vez depois dessa notícia meu professor… seu semblante estava abatido, carregado de culpa e desespero por se defender. Mas apesar disso, ele não falou, esperou que eu absorvesse suas palavras e estivesse mais calma para que assim eu pudesse lhe dar atenção. Ele me conhecia muito bem, sabia que em momentos de estresse eu precisava de um momento a sós com a batalha de meus pensamentos e, assim ele fez. Depois de uns 15, 20 minutos de silêncio descomunal na sala e de um barulho ensurdecedor na minha mente, Vicente me encara e pede a palavra. Eu simplesmente assenti num gesto automático.

     - Lauren... primeiro de tudo eu quero que saiba que eu não fiz isso porque quero te ver longe de mim ou porque quero mandar na sua vida profissional. Muito pelo contrário, eu quero mostrar que existe um milhão de possibilidades disponíveis a você. Seu cérebro, sua paixão pela física e sua sede de aprendizado abrem caminhos que você se quer pensa em explorá-los. Eu te conheço desde seus 14 anos… lembro como se fosse hoje da menininha sentada na primeira fileira de minha palestra sobre computação quântica, na mesma hora eu percebi que você era especial. Aquele auditório estava cheio, 160 pessoas já com doutorados que estavam ali só para falar mal depois durante um café com os amigos sobre a pesquisa, discutindo por horas sobre possíveis erros. 36 alunos de faculdade que estavam pensando que um dia seria eles a estarem naquele palco com aquela fama acadêmica. Três pessoas olhando para o nada, provavelmente entraram no auditório errado e estavam pensando se aproveitavam o momento para dormir ou desistiam do dia de aula e iam para casa. E você… uma menina sentada na primeira fileira usando uns óculos de grau enorme, com uma touca na cabeça, segurando quatro livros maiores do que ela mesma no colo.

     E assim que eu começo a palestra, eu vejo a menina puxar uma folha em branco, um lápis e começar a passá-lo pelo papel. Eu não sei se você estava anotando alguma coisa sobre o tema do estudo, se estava desenhando, ou se estava fazendo um trabalho da escola que nada tinha a ver com assunto. O que me interessou naquele momento é que você olhava para mim como se saísse de minha boca toda a verdade que você sempre procurou. Seus olhos brilhavam enquanto você tinha um sorriso singelo no rosto e sua mão não parava de correr pelo papel. A palestra acabou e de canto eu olhei você saindo do auditório com os quatro livros debaixo dos braços e segurando apertado no peito dezenas de folhas, como se fosse seu maior segredo.

     Eu olhei para ele com os olhos cheios d’água. Não sabia que ele tinha reparado em mim nesse dia, pensava que ele tinha me conhecido um ano depois no dia da feira de ciências. É incrível como ele me descreveu tão bem, nesse dia eu saí da palestra com a certeza do que faria da vida. Pode ser estranho para as outras crianças da minha idade pensar em ser nanotecnóloga, a maioria que ser cantora, atriz, médica e tal. Mas quando se fala em paixão o que menos interessa é ao que você direciona esse sentimento, o importante é senti-lo e vivê-lo. Se você deseja mais do que tudo vender arte na praia… vá! E sinta sua alma realizada. Se você quer trabalhar com engenharia nuclear… vá também! E se sinta como dono do mundo. Só não permita que escolham seus caminhos por você. Eu determinei minha trajetória e não me arrependo disso.

     - E agora eu vejo essa menina crescendo. – Continuou Vicente. – E sei que você está satisfeita com o que está conquistando aqui perto dos seus amigos e da sua família. Mas também sei que tem medo de ir além quando sua família e amigos não fazem parte do plano. Você não está chateada de verdade por eu ter mandado seu trabalho sem que você soubesse, você na verdade, está apavorada com a possibilidade de enfrentar um mundo novo sozinha. – Vicente segura minhas mãos. – Lauren, não estou te obrigando a aceitar nada porque nem poder para isso eu tenho. Eu só quero que leve em consideração o peso que o grupo de física KEXLER tem no mundo, eles estão te oferecendo bolsa integral, com investimento total em sua pesquisa, fora ajuda financeira para alojamento e tudo o que você precisar. Você teria todo equipamento que não temos aqui junto com o auxílio de profissionais especializados em novas pesquisas. – Olhei para ele e assenti levemente.

Levantei a cabeça e encarei seus olhos.

- Tudo bem professor, vou pensar sobre isso e desculpe minha reação inicial. Eu só fiquei assustada com tudo isso, foram muitas informações para um dia só. Obrigada por ter feito isso por mim, apesar de tudo, sei que foi na melhor das intenções. Prometo pensar sobre isso, tudo bem? – Ele assentiu com um leve sorriso no rosto e soltou um suspiro que parecia estar segurando há um bom tempo.

- Pense com carinho Lauren, não deixe que o medo do novo lhe impeça de ir além. – Assenti com os olhos baixos. Ele depositou um beijo singelo em minha cabeça e liberou minha saída.

Agradeci pelas palavras e parti meio que sem rumo a minha sala, assim que cheguei atrasada na aula, puxei o celular do bolso e digitei para minha amiga Ally:

“PRECISAMOS CONVERSAR! ”

                                                                 ----------------------------------------------------------------------------

 

      Saí do meu prédio de exatas a caminho do prédio de psicologia e serviços sociais. Depois que mandei a mensagem para Ally ela me respondeu imediatamente dizendo que poderia me encontrar no lugar de sempre… assim que bati o olhar em minha amiga me arrependi de ter mandado a mensagem… seu rosto estava contorcido em uma careta e demonstrava um leve desespero. Minha melhor amiga nunca foi muito boa em mascarar seus sentimentos, seus olhos sempre a traem expressando do que seu coração está cheio.  E naquele momento estava escrito PREOCUPAÇÃO com letras garrafais em sua testa.

- Calma Ally, não fique nervosa. Não aconteceu nada demais, a culpa foi minha que te mandei a mensagem no momento de desespero. – Direcionei meu olhar arrependido e um sorriso sem graça a ela.

- Lauren, não se faz isso! Imagina como eu me senti quando recebi sua mensagem… você nunca faz isso, detesta mandar mensagem ou qualquer coisa assim… aí de repente chega um recado seu dizendo que precisamos conversar! – Depois do sermão que tive que ouvir de boca calada, Ally suspirou e pediu que lhe contasse o que aconteceu.

- Vicente me inscreveu na KEXLER. – Soltei a bomba de uma vez só. Ally me encarou por um segundo com o semblante confuso, para logo em seguida, surgir a expressão de surpresa em seu rosto… seus olhos arregalaram, suas mãos foram direcionadas até a boca que por mais que tentasse falar som nenhum saía.

- Que fica na faculdade daquele cara que você idolatra? Do Kim Drilé? Ai Meu DEUS, você passou?? – Assenti para duas de suas perguntas e ela soltou um grito dando um pulo de sua cadeira. Abaixei os olhos envergonhada enquanto recebia seus parabéns.

- O nome dele é Kim Eric Drexler e eu não vou Ally. Eu não pedi nada disso, estou satisfeita com o que tenho aqui perto de minha família e de você.

-Não, você tem que ir! – Diz Ally exaltada. – Você adora esse cara, quando lê os livros dele só falta chorar. Não pode deixar uma chance dessa escapar amiga. Eu sei que você já passou por muita coisa e sente que precisa cuidar de sua família, mas Lauren, seus irmãos e sua mãe sabem se virar muito bem… fora que assim que concluir o curso você pode voltar e ajudá-los a ter a vida que eles merecem. É só um ano e meio, amiga… passa rápido. – Soltei um suspiro.

– Eu já ouvi você reclamando algumas vezes da falta de equipamentos. A gente sabe que essa faculdade aqui é boa, mas ela ainda é pequena e pouco desenvolvida.

E suspirei novamente… tudo o que Ally disse é verdade, mas enfrentar pessoas novas num lugar desconhecido é demais para mim.

- É muita coisa Ally, você sabe que eu não reajo muito bem perto de estranhos… ainda mais sozinha.

- Bem, você não vai estar sozinha, vamos manter contato sempre. – Ally me olha com pena e eu odeio esse olhar. Desde que foi diagnosticado meu pequeno problema de socialização, Ally foi a única que conseguiu romper essa barreira, ela foi persistente e não desistiu de conversar com a menina estranha que sentava todo dia sozinha na hora do lanchinho. Eu lembro que perguntei porque ela insistia tanto em falar comigo e ela disse que toda criança precisa de um amiguinho, e mesmo que você não queira ele vai aparecer. Naquele momento eu pensei que ela se referia a um amigo imaginário ou um amigo chato perseguidor. Mas Ally não é nada disso, ela é meu anjo da guarda e uma das poucas pessoas que me aceitam como sou.

     Ficamos um tempo em silêncio. Enquanto minha cabeça não parava de pensar um só segundo nos prós e contras da situação minha amiga embarcava num pacote de biscoito doce encarando o nada.

- Vem comigo. – Soltei de repente.

- Hã? – Ally me encara confusa

- Eu só vou conseguir se tiver alguém em quem eu confio perto de mim. Então vem comigo Ally. – Olhei no fundo de seus olhos, permitindo que ela tivesse acesso a minha alma frágil diante daquela situação.

- Eu não ganhei uma bolsa Lauren! E você sabe que não tenho condições de pagar essa faculdade.

 - Eu acho que isso não vai ser problema. Pelo jeito que o Vicente falou eles pareciam estar bem interessados no meu projeto. Olha, não diga nada agora. Espera que eu vou conversar com o Vicente e ver o que eles vão decidir.

- Não sei não Lauren, isso com certeza não fazia parte dos meus planos… eu também tenho um estágio aqui, esqueceu? E isso não está nem certo, por que eles me dariam essa bolsa?... Não tem sentido isso.

- Calma Ally, amanhã eu tenho que dar minha resposta e se eles não aceitarem as minhas condições eu não vou, simples assim. Caso aceitem, nós falamos melhor sobre essa ideia. Tudo bem?

- Tudo bem. – Suspira em alívio.

     Deixamos esse assunto para lá e entramos num caminho de conversas descontraídas, Ally fez de tudo para que aquele assunto fosse esquecido durante as poucas horas que tive em sua companhia. Passei horas agradáveis que tornaram mais leve e fácil a minha decisão do dia seguinte… eu jamais deixaria Ally para trás.


Notas Finais


E então, o que acharam?
Se tudo der certo... nos vemos no segundo capítulo.
Bjos :D


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