História Seu próprio demônio - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Visualizações 9
Palavras 2.266
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Mentiras


 

 

 

Quando Kushina nos acordou, já era hora do almoço.  

A refeição teve um clima tenso, como em todos os outros momentos em que a família se reunia, e eu apenas pensava que ali estava sobrando. 

Era sábado depois do almoço quando resolvi que iria embora, não importava quantas insistências ouviria, mas o engraçado foi que ninguém insistiu para que eu ficasse. 

Voltei para meu apartamento à pé, caminhando calmamente entre as ruas. Seria mentira dizer que não estava com um pouco de receio de sair por aí abertamente, mas quando os insultos começaram, eu apenas ignorei. 

Naruto havia exigido que eu deixasse meu número com ele, então eu o fiz, não que meu celular tivesse alguma utilidade e fosse essencial em minha vida. 

E, bem, segunda era o primeiro dia de aula, e não sabia se estava realmente pronta para isso. Na verdade, nunca estivera. 

Pensar que teria Naruto e Sasuke comigo ali me reconfortava um pouco, entretanto a probabilidade de ficarmos juntos lá era mínima.  

Afinal, se eles fossem vistos comigo o inferno chegaria para eles também. 

Cheguei ao meu destino depois de meia hora de caminhada. Era  bem perto, se pensarmos que Konoha era uma cidade relativamente grande. 

Entrei no chuveiro e tomei um longo banho de água quente, e todos os meus problemas vieram à mente. 

Como lidaria com Orochimaru em período letivo? Como conseguiria não me aproximar ainda mais dos Uzumaki? 

E, bem, quando saí do banho e fui até a cozinha, peguei a primeira garrafa de vodca que vi e afoguei todos as minhas preocupações nela. 

Me aproximar da família era inevitável. Eles me tratavam tão bem, era difícil não me deixar levar com a sensação boa que era tê-los por perto. 

Por outro lado, o melhor para eles seria não me ter por perto. 

Quando estava na metade da segunda garrafa, ouvi o toque do meu celular e levantei-me, seguindo cambaleante o som. 

Peguei-o em cima da cama, um número desconhecido aparecia no visor. 

-Alô - atendi, sentando no colchão. 

-Você está bebendo? - reconheci imediatamente a voz de Naruto do outro lado da linha. 

-Oi para você também. 

-Você está bebendo? - repetiu a mesma pergunta, de maneira mais firme e eu respirei fundo. 

Não podia dizer que estava totalmente sóbria. 

-Não exatamente. 

-Sakura, eu já te disse que se destruir desse jeito não te levará em lugar algum – Ele aumentou a voz – depois da tentativa de suicídio, o que virá pela frente? – Praticamente gritou – você pensa que eu aguentarei? 

-E o que você tem a ver com isso? Se eu estiver ou não, o problema é meu - Fui grossa e eu tinha certeza que me arrependeria disso mais tarde – você não é obrigado a nada, deixe-me em paz. Já sou bem grandinha para ter alguém de babá!  

Naruto ficou em silêncio e consegui ouvir o seu suspiro. 

-Nada. Você tem razão, apenas... tenha certeza do que está fazendo – ele disse pausadamente, como se escolhesse as palavras que diria. 

-Ótimo. Tenha uma boa noite. 

E desliguei. 

Bem, posso dizer que no segundo seguinte o arrependimento foi enorme. Mas o que estava feito, estava feito. Não poderia mudar isso, então escolhi voltar para a minha autodestruição. 

Tudo estava ocorrendo relativamente bem, até que o telefone começou a tocar de novo, depois de um tempo. 

Recusei-me a levantar do chão frio em que já estava acomodada, afinal, provavelmente dormiria lá mesmo. 

Logo o toque parou e começou novamente, repetindo de maneira irritante esse ciclo, e, admito, se não estivesse com tanto sono, levantaria e jogaria aquele aparelho na parede. 

Falando em sono, esse venceu e levou-me para um mundo totalmente diferente, mas, felizmente, sem Orochimaru. 

Já se passava do meio dia quando acordei.  

Não podia dizer que meu estado era dos melhores, porque, bem, não era. 

Quando levantei do chão e senti a enorme dor nas costas misturada com a tremenda dor de cabeça, decidi que naquele domingo não faria nada que não fosse ficar na cama assistindo televisão. 

Não que eu tivesse outra opção  

E, depois de um longo banho revigorante, foi exatamente o que eu fiz. 

Estava prestes a cair no sono de novo quando o celular começou a tocar e eu, com ódio, o atendi. 

-Alô - falei irritadíssima. 

-Eu estou te ligando desde ontem à noite, o que diabos você estava fazendo? - Pude notar que Naruto estava ainda mais zangado do que eu. 

-Eu estava vivendo – Respondi, seca. 

-Onde raios você se meteu? 

-Caralho, Naruto, deixe-me em paz hoje, está bem? Amanhã é o primeiro dia de aula e eu não estou nenhum pouco pronta para aguentá-los! 

Desliguei a ligação e o telefone depois disso, virando-me de lado e fechando os olhos. 

A única coisa que me veio à mente foi aquele dia, o rosto dos monstros que participaram. 

Não pude conter o nojo que se apossou de mim, trazendo junto consigo um enorme enjôo, que me fez correr até o banheiro para vomitar. 

A quem eu queria enganar? Toda essa história com a vodca não passava de uma maneira de tentar tirar o rosto daqueles seres desprezíveis da memória, mas era completamente impossível. A vítima de um estupro nunca esquece a face de seus estupradores. 

Vomitei por o que parecia horas, quando pensava que o enjôo havia passado ele voltava ainda mais forte.  

Quando estava prestes a levantar do chão e lavar o rosto alguém bateu em minha porta. 

Eu tinha certeza de que era Naruto, e quando abri a porta e vi a expressão zangada em seu rosto, corri em direção ao banheiro, dando continuidade ao ciclo horrível de vômitos novamente. 

Naruto se ajoelhou ao meu lado, tocando meu ombro de forma solidária.  

-Ei, você está bem? – Perguntou e eu quis soca-lo. 

-Eu pareço bem? – Tive uma pausa e respondi, voltando a cara ao vaso sanitário de novo. 

-Isso que dá beber em excesso – Retrucou secamente, segurando meu cabelo com uma mão.  

Isso que dá ser estuprada.  

Tive que me conter para não respondê-lo. 

Soltei uma falsa gargalhada, que aos poucos foi se tornando soluços, à medida que as lágrimas chegavam. 

-Aquilo que você me disse no telefone – Naruto falou, inseguro – tem a ver com o... ocorrido, certo? 

Fiz que sim com a cabeça. Não me surpreendia de vê-lo não conseguir dizer a palavra em si. Era difícil até para mim. 

-Eles... estudam na mesma escola?  

Aquele não era um bom momento para ter essa conversa. E, quando senti que tudo havia se amenizado e levantei, Naruto suspirou, provavelmente entendendo que não teria resposta alguma. 

Estava cada vez mais difícil me fazer de durona com Naruto ali. Eu queria apenas deitar em minha cama e desabar em lágrimas, como era comum nas vésperas de início de aula, mas não queria que o loiro me visse dessa forma. Não queria que ninguém me visse. 

Foi extremamente complicado criar essa imagem de uma mulher forte que eu espero que as pessoas tenham de mim, se eu vacilar por um momento, tudo o que tentei construir em anos estará acabado. 

Espero que Naruto pense isso de mim, também. 

 

Eram oito horas da noite quando o Uzumaki levantou-se de minha cama e disse que iria embora, não antes de exigir que atendesse cada ligação que ele fizesse. Perguntou, ainda, se eu queria uma carona para a escola, mas eu neguei (admito que foi a coisa mais difícil que fiz, porém era necessário). 

E, quando só restou eu naquele minúsculo apartamento, repassei em minha mente tudo o que eu poderia fazer: a) continuar deitada em minha cama quentinha, assistir algo na televisão, e, posteriormente, adormecer com o perigo de ser assombrada por Orochimaru; b) caçar alguma coisa para comer, tomar um banho e pensar sobre todas as coisas erradas que eu estava fazendo me envolvendo com os Uzumaki; e c) voltar ao chão frio da cozinha, pegar uma das garrafas com aquele maldito líquido e enfrentar o que era para ser o pior dia do ano com uma ressaca daquelas. 

Constatei que continuar onde estava era a melhor alternativa e me enrolei no cobertor, voltando minha atenção para a novela que passava na TV. 

Não tardou para que o sono chegasse, trazendo consigo o ser humano mais desprezível de todos. 

-Olá, docinho – A primeira coisa que enxerguei foi o rosto pálido de Orochimaru, com aquele maldito sorriso nos lábios. 

Logo depois, reconheci o lugar em que estava: a mesma masmorra, as mesmas cordas. 

Mas algo diferia essa da última vez, uma pequena mesa toda trabalhada no que parecia ser prata, mas o que me assustou foram os instrumentos que nela estavam: uma pequena faca com o gume vermelho, algo semelhante a um estojo fechado e um chicote de couro marrom. 

O homem à minha frente, ao notar meu rosto de espanto, riu cinicamente. 

-Relaxe, querida. Nada acontecerá nada com você, contanto que me ajude. 

Eu sabia o que ele queria, mas eu não sabia a resposta. Eu realmente não a sabia. 

Se eu soubesse eu lhe responderia tão facilmente?  

Esse questionamento não saía da minha cabeça. 

-Vou perguntar mais uma vez: qual é o verdadeiro sobrenome de Sasuke Uzumaki?! 

Ele repetiu a pergunta depois de esperar por muito tempo a resposta, irritando-se. 

Cerrou os punhos e ergueu o braço lentamente, desferindo um soco no lado direito de meu rosto, depois esquerdo, repetindo o movimento diversas vezes. 

Quando senti uma quentura escorrendo de meu nariz e sobrancelhas, com o gosto do sangue na boca, ele parou e respirou fundo, tentando se acalmar. 

Então pegou o chicote e eu estremeci quando ele o estalou no ar. 

Orochimaru olhou fundo em meus olhos antes de repetir a pergunta, recebendo um silêncio como resposta.  

Ele estalou, sem aviso algum, o chicote em meu corpo e eu gritei de dor. 

A cada nova chicotada era um novo urro que saía de minha garganta, inconscientemente.  

-Espere! – Exclamei e ele parou em meio a um novo ataque. – Eu não sei qual é o sobrenome!  

A única coisa que vi em seus olhos foi ira quando ele voltou com a sequência de golpes. 

O homem só parou para guardar o chicote e repetir a pergunta. 

-Eu não sei! – Gritei -Eu juro que não sei! 

Orochimaru parou em frente à mesa e parecia pensar se pegaria a faca ou o estojo. 

Quando escolheu a adaga, caminhou lentamente até mim, dizendo com irritação na voz: 

-É bom você procurar saber a resposta – Ele já estava terrivelmente perto – ou o que virá à seguir será bem pior. 

Ele apunhalou a faca em minha barriga lentamente, e eu gritei de dor, apertando a corda que prendia meus pulsos com força. 

-Nos vemos amanhã.  

-  

Acordei bruscamente, sentindo todo o meu corpo protestar com o movimento.  

Levantei da cama com dificuldade, ainda processando tudo o que havia acontecido, e quando parei em frente ao espelho do banheiro me surpreendi. 

Parte do meu rosto estava marcada por linhas vermelhas e outra parte estava roxa e inchada. Cortes acima da minha sobrancelha e em meu lábio inferior apontavam ter sido abertos há pouco tempo.  

Então cometi o erro de tirar a camiseta. 

Encarei totalmente perplexa, aquilo estava em carne viva. 

Tudo aquilo havia sido causado por Orochimaru? Como algo que acontece em sonhos pode ser refletido na vida real? 

Minha cabeça girava com tudo isso e eu tentava não pirar com a dor que tudo aquilo causava. 

Céus, como estava doendo. Todo o meu corpo latejava. 

Só lembrei-me que teria aula naquele dia quando meu celular tocou e a voz animada de Naruto encheu meus ouvidos. 

-Ei! Está acordada?  

-Estou – Minha voz soou mais rouca do que deveria. 

-Passamos aí em vinte minutos, esteja pronta.  

Antes que eu pudesse dizer que havia negado a carona, ele desligou e eu suspirei. Como diabos eu explicaria o estado lamentável que meu rosto se encontrava? 

Tive que respirar fundo diversas vezes para tomar coragem de entrar no chuveiro. E, bem, quando entrei, tive que me esforçar muito para sair. 

Então, quando saí do banho e parei em frente ao guarda-roupas, peguei uma calça qualquer e um moletom largo.  

Meu corpo estava terrivelmente marcado, mas não tinha como eu dizer que não iria para a aula. Afinal, Naruto já estava à caminho. 

Passei os próximos segundos inventando alguma história em minha cabeça. Era lógico que eles exigiriam uma resposta, e eu nunca diria a verdade. 

Confesso que quando ouvi as batidas na porta, me desesperei.  

Respirei fundo diversas vezes, procurando me acalmar, e, antes de abrir a porta, peguei a minha mochila no chão e a joguei por cima dos ombros, sentindo instantaneamente meus músculos protestarem. 

Abri a porta e o sorriso que se encontrava no rosto do rapaz à minha frente foi murchando à medida que ele analisava meu rosto. 

Não consegui sustentar seu olhar por muito tempo, e, quando estava prestes a explodir de vergonha, passei por ele em direção ao elevador. 

Encontramo-nos de novo dentro daquele minúsculo quadrilátero, e a pergunta que eu já esperava foi feita. 

-Céus, Sakura. Você está bem? O que aconteceu? - Eu não tinha coragem para olhá-lo nos olhos, então menti fitando o chão. 

-Uns garotos me acharam e fizeram isso. Não foi nada, está tudo bem. 

Ouvi o barulho de seu punho acertando a parede metálica com agressividade e me encolhi instintivamente. 

O resto do caminho foi em silêncio, mas eu quase conseguia escutar o sangue do rapaz ao meu lado ferver. 

Bem, foi em silêncio até chegarmos ao carro, onde fui bombardeada por novas perguntas vindas de Kushina e recebi um olhar de espanto mal disfarçado de Sasuke. 

Apenas esperava que aquele dia acabasse logo.



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