História Seus olhos confessam - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Henry Mills, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Morrilla, Romance, Swanqueen
Visualizações 760
Palavras 11.337
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiii meus lindos swens!
Sei que demorei...
Mas olha, estou compensando com um cap gigante, certo??? 😍
Queria agradecer pelos favoritos e comentários, vocês não tem ideia da minha cara de felicidade com eles, pareço criança quando ganha presente! Hahaha ❤

Aviso que esse cap tem uma quantidade considerável de açúcar!! 😘

Boa leitura ♡♡

Capítulo 16 - Desconstruindo certezas


Fanfic / Fanfiction Seus olhos confessam - Capítulo 16 - Desconstruindo certezas

 

A morena acordou com o som do telefone tocando insistentemente ao seu lado, não havia colocado despertador, então quem era o ser que a perturbava tão cedo? Abriu os olhos estranhando o lugar, não demorou mais que um segundo para ela se situar, o cheiro de canela, a decoração leve... Emma. Havia passado a noite ali, dormiu com a loira agarrada a ela e ainda conseguia sentir o calor da pele dela na sua, o cheiro do shampoo, do perfume e da loira estavam no travesseiro, lençol, cobertor e até em Regina. Sorriu, dormiu com ela! Céus! Aah! Uma sensação confortável e agitação cresceram em seu estômago engrandecendo ainda mais aquele sorriso.

 Tinha feito um esforço sobre humano para resistir às provocações de Swan, não que não quisesse se perder naquele corpo fenomenal da loira, pelo contrário, se havia um lugar que queria se perder completamente eram naquelas curvas bem definidas, mas estavam cansadas na noite anterior, tinham se esgotado nas brincadeiras com Henry, e Regina queria fazer certo, não queria que fosse apenas uma foda, não queria que fosse como em seu escritório. Queria que Emma sentisse que estava fazendo diferente da outra vez, se comprometeria na tarefa de fazer com que dessa vez tudo entre elas desse certo, que Emma se sentisse especial, tinha que apagar da face da terra a frase maldita que havia dito: “Não passou de sexo! Uma foda incrível, mas só uma foda”, e se queria isso precisava ir um pouquinho devagar, apesar de não estar se aguentando, queria que fosse um momento especial, que durasse, e isso não aconteceria na noite anterior, não com as duas tão cansadas, e sabia que Emma entendia isso, porque a mesma estava tão cansada que após provocar a morena e se deixar ser apenas abraçada e aninhar-se ao corpo da morena, adormeceu quase que instantaneamente.

Pegou o maldito celular que ainda tocava e atendeu olhando as horas, não era tão cedo assim, aliás, passava das nove. Uou, dormiu tanto assim? Não costumava, geralmente seu corpo despertava cedo, já estava condicionada à isso, mesmo nos fins de semana estava de pé antes das oito da manhã. Talvez o aconchego da cama de Emma, ou o corpo dela, a sensação de calmaria que a loira trazia, ou tudo isso junto tenham feito seu corpo querer ficar mais tempo ali, sem contar que sentia uma disposição para o dia fora do comum... 

- Regina? Está ai, criatura? REGINA?! – o grito de Zelena a fez afastar o aparelho do ouvido e sair de sua pequena avaliação matinal.

- Ai meu ouvido, Zel. – falou colocando o aparelho no outro ouvido e esfregando o que havia sobrevivido àquele grito – Bom dia também, sis! – seu tom saiu como uma leve reclamação.

- Sorry, mas você disse “alô” e de repente um silêncio reinou – falou rápido tentando explicar o grito, mas era desnecessário não é? Se não houvesse um gritinho no meio da ligação não seria aquela ruiva exagerada – Achei que a ligação tivesse caído ou ficado mudo... Espera, O QUE VOCÊ DISSE? – sua voz deu até uma desafinada no final, e Regina sentiu a vibração do ouvido atingir o cérebro, era ótimo acordar e já ter um sangramento nos tímpanos.

- Pelo amor de Deus, Zelena! – bufou – Para de gritar no telefone sua afetada!

- Você me deu bom dia, Regina? Bom dia?! Pelo telefone? De manhã? – a ruiva falava tão rápido que parecia que tudo o que disse eram uma palavra só – Mas ein? O que? Certo... o que você fez com a Regina Mills e quem é você? Um allien? Robô? Se for, está programado errado...

- Até parece que eu nunca te dei um bom dia! – Zelena riu do tom indignado.

- Se bom dia for “O que é que você quer?” – Regina revirou os olhos e Zelena riu ao ouvir a bufada da morena – Se for, então sim, você me dá esse bom dia quase sempre.

- Você tem o dom de me fazer parecer uma megera – outra risada da ruiva – Desembucha logo! O que é que você quer, Zelena? Me acordou! – dessa vez até Regina riu, por incrível que pareça tinha acordado de bom humor. Por Deus, quando foi a última vez que isso aconteceu? Não conseguia nem lembrar.

- Ok. Agora estou com medo desse seu bom humor – escutou a voz da ruiva após pararem as risadas – Posso saber o motivo? – Regina fechou os olhos e suspirou. O cheiro da sua loirinha estava no ar, e o de café recém passado também. A combinação de seus dois cheiros favoritos.

- Não, ruiva descabelada, não pode! – soltou uma risadinha e Zelena reclamou do outro lado algo sobre ela não ser descabelada – Vai dizer o motivo da ligação ou não? Por acaso minha bola de cristal quebrou e ainda não leio mentes...

- Credo, o bom humor até está aí, e, pelo visto, a estupidez de sempre também. – foi vez de Regina rir – Você está em casa? Preciso que vá comigo num lugar... – Regina deixou o corpo cair de volta na cama, se pudesse passar o dia todo ali naquele lugarzinho confortável e cheiroso... Nunca havia sentindo indisposição para sair da cama, mas não era isso, não estava indisposta, só ali que era maravilhoso demais... Entretanto ficaria melhor com um certo corpo forte ao seu lado... – Sis? Depois que eu grito...

- Hum? Onde? – abraçou o travesseiro que a loira usara, cheirinho de Emma. Sorriu.

- Ultrassonografia. Não quero ir sozinha, vamos ver se já conseguimos descobrir o sexo.

-  Robin não vai? – soltou o travesseiro e apoiou o telefone direito enquanto tirava o cobertor de cima de si.

- Não... Digamos que eu queira fazer uma surpresa para ele. – Regina revirou os olhos.

- Você são ridículos, uma melação.

- Aham, falou a pessoa que solta suspiros apaixonados pelos cantos – Regina engasgou e Zel riu – Você vai? Diz que sim! Por favorzinho, sis! Sabe que sua companhia é indispensável nesse momento da minha vida e... – um revirar de olhos da morena seguiu uma bufada.

- Corta o discurso. Eu vou. – Zelena comemorou com um yuup, Regina podia até visualizar os pulinhos que ela deveria estar dando – Só preciso passar na minha casa para trocar de roupa.

- Mas onde é que você está? – Regina falou um “Tchau, sis” mas Zelena continuou disparando – Você dormiu na Emma? Por isso esse bom humor besta! Regina Mills! Você vai me contar direitinho o que... – desligou rindo.

Sim, estava de bom humor! E daí? Não era todo dia que acordava se sentindo tão bem, então aproveitaria.

Desceu da cama sentindo o corpo bem descansado, o que é isso ein? Parecia leve!

 Sorriu a ver sua imagem refletida no espelho que era a porta do closet de Swan, o pijama com short azul e a blusa branca com desenhos quase infantis de ursos, Emma usando isso deve ficar uma graça com aquela beleza angelical que ela tem, mas Regina se achava uma retardada, mesmo assim sorria alegremente, Emma o havia emprestado para que ela pudesse tomar um banho e dormir confortável.

Entrou no banheiro encontrando uma roupa íntima nova sobre sua roupa perfeitamente dobrada na bancada da pia, sorriu outra vez, o cuidado da loira a fazia querer suspirar, mas ela conteve isso e entrou no box para tomar uma ducha relaxante. Após terminar sua higiene matinal e vestir suas próprias roupas, ajeitou o cabelo e calçou os sapatos que encontrou próximos à poltrona do quarto, desceu as escadas sentindo o cheiro de café atiçar seus instintos, como a boa amante do grão que era. Café é como respirar, o dia da morena só começava mesmo após uma boa xícara do líquido, puro e sem açúcar, do jeito que amava.

Parou na entrada da cozinha admirando a  cena, Henry de joelhos na cadeira próxima ao balcão com os bracinhos apoiados no mesmo, para que pudesse ficar mais alto, Emma de costas com os cabelos presos num coque mexia em algo na bancada próxima à pia e dizia algo que fazia o menino rir. Era mesmo possível acordar e sentir esse clima leve e feliz todos os dias? Isso tirava um peso tão grande, como se o mundo lá fora fosse apenas um detalhe, a vida mesmo era isso aqui, o que precisavam viver ao sair pela porta não importava. Suspirou saindo de seu transe, parecia um alguém curioso espiando a vida de outras pessoas, Emma e Henry em sua bolha particular, no mundo deles e ela ali... A espectadora. Algo dentro dela se apertou, a alegria e contentamento descabido que sentiu ao acordar pareceu diminuir.

- Tia Regina! – a vozinha infantil de Henry a resgatou de algum lugar sombrio que sua mente tentou se enfiar e acionou um sorriso em sua face – Você dormiu aqui? Sério? – ele olhou para Emma com um expressão de “Como assim?”

- Hey, bom dia rapazinho! – a morena falou caminhando até o ele e passou a mão em seus cabelos enquanto a sentava ao seu lado, olhou para Emma, os olhos se atraíram, foi só a loira sorrir que Regina sentiu a sensação do reboliço que seu estômago fazia todas as vezes que via aquele sorriso perfeito – Bom dia, Em.

- Bom dia... – se pudessem passar o dia inteiro olhando dentro dos olhos uma da outra, descobrindo o significado de cada brilho, de cada olhar.

- Mamãe, por que não me disse? Ela dormiu aqui, isso é muito legal! – ele levantou os braços animado, Regina riu e Emma se limitou a encará-lo alegremente pegando o pão com geleia que estava preparando e colocando em sua frente.

- Porque se eu conheço bem meu menininho, você não a deixaria descansar mais. – ele fez uma careta e a loira continuou – Você iria invadir aquele quarto e acordá-la. – Regina riu da cara que o menino fez como se aquilo fosse um absurdo enquanto mordia com vontade seu pão de forma. – Hm... Gina, quer café? Torradas? Outra coisa? – Emma coçou a cabeça indecisa, a morena achou encantador o jeitinho dela.

- Apenas café preto, meu bem – as bochechas de Emma tomaram uma coloração avermelhada ao ouvir “meu bem”, era graciosa a forma como Regina fazia qualquer coisas soar maravilhosa ao passar por aqueles lábios, ao pronunciar com aquela voz rouca e forte. 

A loira tratou de virar de costas com a desculpa de pegar o café para que pudesse disfarçar as bochechas vermelhas, mas Regina já havia notado e achado a coisa mais bela, cada faceta de Swan era mais graciosa que a outra. A loira voltou com uma caneca com café e entregou para a morena, os dedos se tocaram rapidamente, uma sensação aconchegante, quente e gostosa percorreu as duas que não deixaram de trocar um olhar profundo e uma sorriso tímido.

- Você podia tê-lo deixado me acordar – Regina falou assim que a loira sentou a sua frente com uma caneca de leite e uma fatia bolo de cenoura com chocolate, mais chocolate que cenoura de tanta cobertura que tinha ali – Eu podia ter aproveitado mais da manhã com vocês... Você vai comer isso ai?! – perguntou surpresa, a loira assentiu confusa, qual o problema com sua comida? – Saudável – riu enquanto Emma dava de ombros.

- Tem que ver quando ela resolve tomar chocolate quente com canela e marshmallow, junto com waffles de nutella! – Henry falou como se contasse um segredo, Emma riu enfiando um punhado de chocolate na boca, Regina não sabia se ria ou se ficava surpresa com a quantidade de açúcar.

- Emma, você come como uma criança! Nem o Henry é assim... – o menino assentiu mostrando seu pão com geleia e o suco.

- Ah, vão se juntar contra mim, é isso? – os dois riram da cara da loira – Bom saber! – fingiu uma expressão emburrada que fez Regina ter vontade de levantar e esmagá-la num abraço. Céus, como queria poder levantar e ir até ela enchê-la de beijos de bom dia demorados, um abraço apertado, um carinho, qualquer coisa...

Seus olhos se encontraram com os da loira que deu um sorriso tímido, retribuiu. Continuaram ali tomando café, Henry narrava o sonho que tinha tido, algo sobre ele poder respirar embaixo da agua e fazer amizade com os peixes, o menino fazia gestos, contava animado, estava tão empolgado. Seria possível ter momentos como esse todos os dias? Se sentir tão leve assim? Era como se nada mais importasse, apenas estar ali, o que existia da porta para fora apenas existia, não importava, ao menos não como apreciar aqueles segundos ali. Não sabia que uma atividade tão simples quanto tomar café da manhã podia ser tão gratificante.

Ficou ali observando os dois, os olhos de Emma brilhavam orgulhosos enquanto o menino falava, Regina sorria vendo a loira sorrir. Observando os dois sentiu-se como se estivesse olhando de fora, os dois pareciam completos, Emma derramava amor pelos olhos ao admirar seu bebê e rir com ele, o menino estava tão feliz!

Algo dentro dela se apertava cada vez mais. Algum dia teria algo ao menos parecido com isso? Saberia o que era isso? Uma família... Como será ter uma família? Não podia considerar aquela aberração de circo que teve como uma família, toda bagunçada, quebrada, sem fazer as coisas que deveriam ser feitas, desconectada. Família é onde há cuidado, amor, doação mútua, carinho, onde sempre há uma mão te apoiando, não importa o quão difícil seja, mesmo que se pense diferente, família é onde há a compreensão, um abraço, um pegar no pé quando se quer o seu melhor, risadas de tudo e de nada ao mesmo tempo, são pessoas que passam por cima de qualquer coisa para te proteger e compreender, família é um sorriso ou sentar para tomar café, apenas para ter mais um tempinho juntos, família é estar ali segurando sua mão, mesmo quando as coisas não saem como o planejado...

 Henry e Emma são uma família, mas Regina e seus pais nunca foram. Quando sentaram para tomar café juntos? Nunca, ao menos a morena não conseguia se lembrar. Quando conversaram? Quando se aconselharam? Quando pararam para ouvir sobre o dia do outro? Quando, simplesmente, trocaram um palavra afetuosa ou um carinho? Nunca. Nunca houve apoio, nunca houve base. Teve que crescer sozinha, a única coisa que seus pais sabiam fazer era exigir e julgar a filha, mais especificamente sua mãe já que o Sr. Henry nunca falava nada que tirasse a autoridade da mulher. Regina nunca fazia o suficiente, nunca era o suficiente, por mais que se esforçasse para agradá-los, a menina era sempre uma decepção, na visão de Cora. Jamais recebera um olhar como aquele que Emma dirigia ao pequeno Henry.

- Hey... – os dedos da loira fizeram um carinho em sua mão e arrancou a morena de seus pensamentos – Tudo bem? – Regina lançou um sorriso fraco e assentiu, a loira afagou mais uma vez sua mão, só então aqueles olhos verdes pareceram ver que a morena já estava trocada e pronta para ir – Você já tem que ir? – perguntou fazendo uma expressão confusa, o garoto parou o movimento de levar o copo de suco a boca e encarou a morena com uma expressão tristonha.

- Infelizmente – disse inspirando profundamente – Zel me ligou. Precisa de mim. – Emma agora tinha a face transformada numa expressão triste e curiosa.

- Poxa, tia Regina – Henry falou fazendo um biquinho de tristeza, Regina sentiu o peito apertar – Fica! – ele colocou as mãozinhas juntas num gesto de implorar, Regina sorriu bagunçando seus cabelinhos castanhos e revoltos.

- Zel.. Que Ze... Zelena? A diretora? – Emma recolheu a mão encarando Regina de forma curiosa. Na verdade a loira se sentiu levemente incomodada, tanto que até se mexeu na cadeira. Não que fosse ciúme, hm, não era isso, certo?

 Ela apenas não sabia qual era a relação da morena com a ruiva linda e deslumbrante, apenas sabia que eram próximas, muito próximas pelo que tinha notado nas poucas vezes que as viu juntas. Não havia ainda perguntado nada a Regina, na verdade sabia pouca coisa da mulher, apenas o que ela deixava Emma ver... Quando Regina seria mais transparente com ela? 

Pelo jeito com Zelena havia uma relação de confidências, as duas pareciam se conhecer muito bem, Zelena parecia ser bem... Amiga da mulher, conhecê-la como Emma gostaria de conhecer. Quando isso iria acontecer? Emma queria que Regina confiasse, que deixasse a loira entrar, que visse nela um lugar seguro, um lugar para fazer morada. 

Mesmo percebendo que Regina estava mais aberta, que havia descido de seu salto 15 magnifico para mirar seus olhos, que havia o esforço e uma transformação ocorrendo ali, mesmo assim, não deixava a loira conhecer realmente através daquelas barreiras que havia construído, as muralhas de Regina, mesmo mais frágeis, ainda estavam ali... Emma queria que a morena visse a mesma coisa que via, um alguém para amar... “Amar...?” pensou, mas antes que pudesse realmente analisar aquele pensamento a voz de Regina se fez ser ouvida.

- Sim. Essa Zelena – Emma ainda conseguiu ver um sorrisinho se formar nos lábios da morena – Ela quer que eu vá com ela num ultrassom. Quer descobrir o sexo do bebê – Emma franziu o cenho, não fazia ideia que Zelena estivesse grávida, na verdade nem sabia se a mulher era casada, sua chefe era muito reservada.

- No domingo?... Espera, Zelena Green está grávida? – Regina riu do tom espantado da loira.

- Uma das vantagens de ser diretora de um hospital é ter médicos à sua disposição, pelo jeito – Emma revirou os olhos, Zelena mandava naquele lugar, até mais que o dono, não que não gostasse da ruiva, pelo contrário, a ruiva se mostrava uma excelente pessoa, pelas poucas vezes que teve o prazer de encontrá-la, mas sabia bem pouco dela, Zelena não era muito de expor-se, e não pode controlar os olhos ao ver Regina falar de uma forma tão... íntima. – Você não viu a barriga? – voltou a si quando a morena perguntou admirada.

- Hm... Digamos que não encontro os diretores todos os dias pelos corredores.

O celular da morena vibrou sobre a bancada e a mesma desviou  os olhos rapidamente, era uma mensagem da própria ruiva maluca, algo sobre a obstetra não ter o dia inteiro disponível e que ela se apressasse.

- Falando nela... – olhou de Emma para Henry. Por que raios seu coração tinha que parecer diminuir de tamanho por conta de uma despedida? Não... Definitivamente não queria sair dali e encarar o mundo real. – É hora de ir. – sorriu tentando disfarçar aquela coisa incômoda que começava a se instalar dentro de si.

- Não vai.. – Henry falou com a voz chorosa enquanto Regina ficava de pé senso acompanhada pela loira. – Fica mais um pouquinho só... – seu tom era manhoso. Alo encontrar os olhinhos tristes, Regina quase podia jurar que uma mão segurava seu estômago e apertava, o ar até encontrou dificuldade para chegar ao pulmão tamanho o aperto no peito.

- Hey, rapazinho, não fique assim – tentou animá-lo, mas queria mesmo era sentar ao seu lado e fazer  mesma carinha tristonha para não ter que sair, estar ali com eles foi como dar um stop em tudo, até tinha se esquecido do mundo lá fora. – Vamos nos ver logo. – trocou um olhar com Emma que sorriu confirmando.

-Vamos acompanhá-la até a porta? – Emma disse pegando o menino no colo e seguindo com Regina até a porta de saída.

A loira abriu a porta dando passagem para a morena passar, ficaram ali durante alguns segundos, os três queriam adiar o máximo aquela despedida, a mesma sensação de não querer voltar à realidade estava presente neles, foi uma quebra na rotina que deveria ser repetida mais vezes, por mais tempo. Emma e Henry sentiam que com Regina ali nada mais precisava ser acrescentado, e agora que ela precisava ir, era como se um pedacinho daquilo que tinham construído em tão pouco tempo, estivesse sendo levado embora, arrancado deles. Para a morena não era diferente, estava quase impossível ir, queria tanto, mas tanto que durasse mais...

Céus, como é possível sentir algo assim?” pensava olhando do menino para a mãe.

Mal sabia ela que a sensação cresceria no decorrer do dia, como se um pedaço dela estivesse faltando, um vazio, sentiria falta deles o dia inteiro.

- Quando vou ver você outra vez, tia Reg... – o menino cortou a frase no meio e virou para a mãe animado, quase que a loira não consegue segurá-lo devido à agitação do mesmo. Henry colocou as mãos uma de cada lado da bochecha de Swan forçando-a a encarar-lhe – Mãe! A tia Regina pode vir para o meu aniversário? – e antes que a loira dissesse qualquer coisa ela virou de uma vez olhando para Regina, os olhinhos brilhantes – Você vem? – Regina riu da animação dele, mas principalmente da cara de desespero de Swan tentando sustentá-lo enquanto ele se agitava.

- Calma, garoto – falou cessando a risada – Desse jeito sua mãe não aguenta, vem aqui – deu os braços e Henry praticamente se jogou, pesadinho ele. Não sabia dizer se a cara de Emma era alívio ou agradecimento. – Claro que venho à sua festa! – Ele se remexeu animado jogando os bracinhos para cima e gritando um “Eeee” enquanto Regina ria junto com a loira. 

- Mas... – os olhinhos do garoto voltaram a se desanimar ao falar – Vai demorar! Mamãe disse que ainda tem 2 semanas, contando nos dedos são 15! – mostrou os dedinhos enquanto contava, frustrando-se ao perceber que só chegava até o dez, bufou enquanto Regina o achava a coisa mais fofa do mundo e se controlava para não beijar aquelas bochechas fofinhas e rosadas. 

Ajudou o garoto colocando mais 5 dedos para que ele pudesse terminar sua conta e abrir um sorriso gigantesco para a mulher.

- Quinze dias demoram mesmo – a morena falou trocando um olhar rápido com a loira que apenas sorria assistindo a interação dos dois – Se você convencer sua mãe a sair para tomar milk shake e comer hambúrgueres, nos vemos antes – o brilho dos olhos do garoto pareceram saltar para fora, ele olhou para a mãe fazendo aquela carinha irresistível, na opinião de Regina, já que, sabe-se lá como, Emma conseguia resistir.

- Mama... – Emma riu, seu filho tinha o dom da chantagem emocional, céus, seria difícil lidar com ele quando fosse adolescente, não sabia quem essa criaturinha tinha puxado.

- Em... – Regina fez a mesma cara de Henry e usou o mesmo tom de voz, aí foi que a loira riu mais.

- Ótimo! Dois chantagistas unidos contra mim! – Regina e Henry fizeram um biquinho, Emma queria apertar o filho e encher Regina Mills de beijos – Olha, desconfio que você já conhecia meu filho e ensinou esse joguinho barato de convencimento a ele, porque vocês fazem igualzinho. – revirou os olhos vendo que os dois continuariam até ela ceder – Ok! Certo! Nem precisava de tanto para eu...

Não teve tempo de terminar Henry projetou seu corpo para frente numa animação descontrolada querendo abraçar a mãe, Regina na tentativa de não deixar o menino cair acabou indo junto, Swan teve que segurá-los, passou o braço pela cintura da morena e com o outro apoiou Henry, este apenas ignorou o sufoco das mulheres e passou um dos braços pelo pescoço da mãe e o outro pelo de Regina puxando-as para uma abraço coletivo e desajeitado, no mínimo desconfortável.

Mas quem disse que ligaram? Apesar da surpresa, as mulheres se deixaram ficar assim durante um tempo, cada uma com seus pensamentos.

 Emma sentindo o cheiro de maçã invadir-lhe, seu coração não cabendo no peito tamanha a alegria por ver o filho e a morena se dando tão bem, não esperava isso tão rápido, teve receio no início de que Regina não se desse bem com o filho, mas tudo correra bem. Agora não sabia definir o que era estar ali no meio daqueles dois, nesse abraço improvisado, só que gostaria que não acabasse. 

Regina sentindo o estômago revirar e o coração bater tão rápido que poderia errar a sequência, pensava em como seria fazer parte daquilo, ter um abraço assim todos os dias, apesar de estarem todos desajeitados e o menino pesando ainda mais em seus braços, era perfeito.

- Obrigado, mãe! – Henry foi o primeiro a falar e se mexer fazendo com que as mulheres despertassem e se afastassem.

As duas com as bochechas coradas devido aos pensamentos, trocaram olhares tímidos corando ainda mais.

- Até logo então, rapazinho. – depositou o garoto no chão passando a mão por seus cabelos. O menino agarrou sua cintura num abraço apertado, Mills sentiu novamente o sangue gelar, ainda não havia se acostumado com aquilo, mas dessa vez relaxou rapidamente e retribuiu o aperto com um sorriso. – E você...

Buscou a imensidão verde, um dia ao lado daquela loira foi o suficiente para acostumar-se mal, não queria, de jeito nenhum, sair dali. Não ouvir aquela voz, não sentir o coração acelerar com a risada, não sentir o cheirinho de canela vindo dela, que suplício... Deus, aquela mulher parecia penetrar cada pedacinho dela, desvendar seus mais profundos mistérios apenas por fitá-la nos olhos! 

Emma Swan lhe ganhava fácil demais.

- Tchau – sorriu timidamente, queria tanto poder beijar-lhe os lábios para despedir-se, sentir o gosto daquela boca, céus, como ia sentir falta dos beijos doces de Emma. Eles eram como trazer-lhe de volta a vida, traziam o fôlego que havia perdido em algum lugar no passado. Tudo o que havia deixado, esquecido, sido roubado de dentro dela, Swan parecia devolver, e aos poucos arrumava tudo dentro dela.

- Tchau – Emma aproximou-se, Regina fechou os olhos ao sentir o calor da pele da loira tão próxima à sua. Um beijo de despedida foi depositado rapidamente no cantinho dos lábios da morena pelos lábios avermelhados e quentes da loira. Um beijo gentil, tão doce que fez a morena suspirar, um beijo bem onde surgia um sorriso segundos depois.

Emma Swan lhe roubava fácil demais.

Ao virar para caminhar em direção ao carro teve a sensação de que iria sair correndo tamanha a pressa, precisava se afastar rápido antes que voltasse e não fosse mais a lugar algum. Droga Zelena.

Ligou o carro e a medida que se afastava, via pelo retrovisor Emma e Henry acenando, sorriu. Se quando chegou ali queria sair correndo para longe, agora queria correr rumo à eles. Que loucura, tudo dentro dela estava uma loucura, uma desorganização só. Revirada do avesso, era assim que Regina Mills se encontrava.

Antes de parar o carro em frente à sua casa o celular vibrou, não pode conter uma risada quando leu a mensagem da loira.

“Você não tem cara de que come hambúrguer e milk shake, Regina”

 

Emma

 

“Não como, sou saudável, diferente de você, Swan" 

A loira revirou os olhos ao ler a mensagem, mas sem disfarçar o sorriso que crescia no rosto. Estava sentada no sofá com o celular em mãos enquanto Henry saltava pela sala animado por Regina ir ao seu aniversário, era tão bom ver que o filho se deu bem com a morena, no momento essa era a coisa que mais trazia alívio. Regina conquistou os dois. 

Antes que pudesse responder a mensagem, outra surgiu na tela.

“Entretanto, seu filho merece uma exceção”

“Olha isso! Nem eu ganhei uma exceção ainda...”

Provavelmente estava sorrindo feito uma palhaça para o aparelho, mas fazer o que se Regina lhe arrancava sorrisos de todas as maneiras? 

“Senti uma inveja! Pois bem, miss Swan, lhe concedo. Qual exceção vai querer?”

Emma sentiu as bochechas corarem, não era apenas sorrisos que Regina conseguia causar, deixar a loira sem graça também era de praxe.

“Isso é com você, miss Mills”

Regina respondeu com um emoji pensativo, Emma riu e viu que a morena tinha saído do aplicativo de mensagens, fez o mesmo deixando o celular de lado e mirando o filho que brincava com o presente de Regina.

Henry era uma criança comunicativa, nunca houve dificuldades para ele fazer amizades ou conquistar as pessoas ao redor, sempre disposto a ajudar e animar as pessoas, não gostava de ver ninguém triste, era uma criança com um espírito incrível e belo. Emma teve receio desse encontro do garoto com Regina, não por parte do filho, pois sabia que de alguma forma o garoto estava ansioso em poder conhecer a mulher, mas por parte de Mills, teve tanto medo de ela não se dar bem com seu filho, dela se afastar por conta da criança ou coisas assim, convenhamos, Regina não tinha cara de ser uma fã de crianças. Swan lembrava-se bem da cara de desagrado e espanto que a mulher fez ao descobrir que ela estava indo para casa naquela chuva por causa do filho, porém, graças ao céus, tudo tinha corrido melhor do que imaginou.

Surpresa não era mais uma palavra adequada para descrever como ficou ao ver Regina abrindo espaço para seu filho.

- Ei, garoto – o menino olhou para ela com o canto de olho murmurando um “uhn?” sem parar de controlar o carrinho que contornava a mesa de centro – Que tal um banho para irmos até a casa da vovó?

****

 

Quando a mulher de cabelos curtos abriu a porta um sorriso imenso tomou conta de seu rosto.

- Filha! Henry! – abraçou um e depois outro dando em seguida espaço para que eles entrassem.

- Onde está o papai? – Emma falou olhando ao redor e não encontrando nem sinal do homem, depositou sua bolsa no sofá e virou-se para a mãe que apertava as bochechas de Henry fazendo o menino rir, parando assim que a filha falou para olhá-la com uma expressão jocosa.

- Hm... Oi, mãe, como a senhora está? Eu também senti saudades de você e não só do papai – Emma franziu a face numa careta interrogativa arregalando ligeiramente os olhos – Ao menos finja, Emma.

A loira gargalhou do discurso dramático da mãe, Mary Margaret poderia ganhar facilmente o Oscar de melhor drama mexicano. Emma caminhou até ela agarrando-a num abraço apertado e depositando um beijo estalado na bochecha.

- Eu amo a senhora, sabia? – a mulher corou um pouquinho e sorriu passando a mão pelo cabelo da filha enquanto estudava seu rosto, colocou as mãos uma de cada lado do rosto de Emma e ficou apenas observando a filha. – Mãe... 

- Você cresceu tão rápido! – a mulher apertou suas bochechas forçando Emma a fazer um biquinho – Mas esses olhinhos ainda tem o mesmo brilho de quando os vi abertos pela primeira vez, um bebê pequenino de olhos grandes e verdes! – Emma franziu o cenho, a mãe estava estranha, geralmente ela era carinhosa, mas agora estava bem esquisito. 

A risada de Henry fez Mary soltar a filha para mirá-lo, Emma se virou para o garoto sentado no sofá, já havia até tirado o tênis, ele olhava para as duas enquanto ria.

- A mamãe era um bebê de olhos grandes!!! – falou e começou a rir outra vez caindo para trás no sofá com as mãos na barriga, Mary riu também e a loira revirou os olhos, mas bem que queria rir junto.

- Você era igualzinho a mim, tampinha! – falou rindo do menino que não conseguia parar de gargalhar – Você está rindo mesmo de mim, Henry Nolan Swan?

- Sim! – ele falou diminuindo as risadas – E eu era fofinho! Você disse! – Emma concordou sorrindo e indo sentar ao lado dele o puxando para seu colo e dando um beijo na bochecha, apertando-o. – Tá bem, mãe! – ele protestou tentando afastar, mas só o que conseguiu foi outro beijo, ele revirou os olhos e Mary soltou uma risada com cena. – Vó! – ele falou se conformando em ficar no meio do abraço da mãe – Onde está o Baelfire? – Mary suspirou balançando as mãos.

- Uma só quer saber do pai, o outro do cachorro! Estou mesma de escanteio... – bufou. Henry arregalou os olhos assustado e Emma riu da cara enfadonha que a mãe fez.

- O que te deu hoje, dona Mary? 

Antes que Emma pudesse receber uma resposta um latido invadiu a sala, a bola de pelos branca veio correndo num agitamento louco sendo seguida por David que ria dele, Baelfire não sabia se corria, latia ou pulava tentando subir no sofá. Henry ficou mais animado que o próprio animal e saltou pegando o cachorro, o bichinho pulava nele tentando lamber seu rosto enquanto o garoto ria e procurava desviar das lambidas.

- Oi, filha. – o homem falou aproximando-se e depositando um beijo na testa da filha – Oi, rapaz – bagunçou com a mão o cabelo do garoto que apenas deu um oi e um sorriso rápidos, pois estava mais interessado em levantar e ir atrás do cachorro que havia saltado e saído correndo.

- Vou estender a roupa que deixei na máquina! – Mary disse dura e saiu rapidamente.

Emma estranhou e olhou para o pai que soltava um suspiro tristonho.

- O que deu nela, pai? – indicou a porta que Margaret tinha acabado de cruzar – Vocês brigaram? A mamãe está super esquisita! – o homem cruzou os braços suspirando novamente enquanto sentava na poltrona.

- Não brigamos. – a loira ficou ainda mais confusa, sabia tinha um motivo para a mãe estar daquele jeito, e só podia ser algo com David, pois as únicas coisas que tinham algum poder de afetar a dona Mary Margaret eram as relacionadas à família. Encarou o pai esperando que ele continuasse – Kathryn. A encontramos no mercado ontem a noite, acredita? – olhou para ela abismado – Daí sua mãe ficou desse jeito, sabe como ela é... 

Ah, então estava explicado! Emma suspirou junto com o pai, David mirava algum ponto invisível na parede branca, parecia cansado... Ou desapontado? Um dos dois. Sabia o que deveria estar se passando e o clima que deve ter se instalado, pois lembrava-se bem do nome Kathryn e do rosto da mulher, apesar de na época ter o que... uns 12, 13 anos? Por aí.

Kathryn Griffith tinha sido o motivo do quase divórcio de seus pais. Loira, olhos azuis, um rosto angelical com traços fortes, Emma tinha a visto uma ou duas vezes no trabalho de seu pai, ela era veterinária assim como ele. Na época não contaram todos os detalhes à Emma, mas ela via a mãe chorar escondida, algumas discussões eram abafadas pela porta do quarto durante à noite e no outro dia os pais estavam distantes, Mary sempre com uma aparência cansada não dirigia o olhar ao marido, David estava sempre irritado e com o semblante pesado como se carregasse algum dor junto com desassossego. Uma vez ela e a mãe encontraram a mulher, Mary quase arrastou Emma pelo braço para se enfiarem na sala de David até ele chegar à clínica, lembrava-se do olhar da mulher... Nunca esqueceria, como se carregasse uma coisa insuportável, misturado com culpa, dor, ela até tentou falar algo, mas o olhar que Mary lançou a fez recuar e dar espaço para a morena sair puxando a filha corredor à fora. Foram dias difíceis, muito difíceis. Depois de um tempo Emma descobriu toda a história da traição.

- E ela falou algo com vocês? – Emma perguntou fazendo o pai fitá-la, aquilo nos olhos dele parecia... Desespero? – Para deixar a mamãe assim... Ela nem está te olhando direito, pai! – o homem deixou os ombros caírem.

- Não... apenas deu um oi. Eu respondi por educação, mas Mary ignorou e saiu arrastando o carrinho, quase a atropelou! – apesar da situação, Emma não pode deixar de conter um riso, a mãe brava com um carrinho de mercado cheio de ira era cômico o demais. – Eu não sei o que fazer, tentei conversar com ela, Emma! Dizer que estava tudo bem, que aquilo era passado, mas a sua mãe é mais cabeça dura que você! – Emma fechou a cara bufando. – Mal consegue me olhar!

- Quer que eu converse com ela? – Emma desfez a careta e suavizou a face, o homem a sua frente parecia não saber o que fazer, de uma coisa ela tinha certeza, ele amava Mary mais do que qualquer outra coisa.

- Por favor, filha. Vê se põe um juízo na cabeça de sua mãe! Para ela entender que nada do que aconteceu importa mais, não tem porque remoer! Não quero que aquela mulher estrague tudo novamente, ela tinha que brotar logo no mercado que estávamos? – disse indignado.

- Pai, está tudo bem... – ela disse tentando tranquilizá-lo – Você sabe como é a mamãe, super sensível, deve ter sido um choque e tanto lembrar daquela época! Acho que ela só está tentando assimilar as coisas! – o homem assentiu cabisbaixo. – Vou lá falar com ela, ok?

 

Regina

 

Mills entrou na ala obstétrica do hospital bufando, só Zelena mesmo para inventar isso num domingo, e logo no domingo que ela está na casa da dona do sorriso mais lindo do mundo! Céus, como foi difícil ter que ir embora, não podia estar tão apegada assim, podia? Por tudo que há de sagrado, aquela coisa crescia dentro dela! Não que fosse ruim, pelo contrário, Swan era a única coisa que tinha certeza que queria na vida, era o lado bom que podia existir dentro de alguém como ela, e até parecia um sonho estar iniciado o “algo” delas, entretanto tinha ainda aquela pontinha de medo, havia desaprendido a lidar com todas aquelas sensações, com esse sentimento. Por culpa de Daniel tinha praguejado e amaldiçoado tal emoção, negado sua existência, fugido e lutado contra qualquer coisa que a levasse de encontro ao sentir, e agora... Bam! Tinha sido nocauteada! Agora tinha que reaprender a amar... 

- Sis! – Zelena acenou de uma das cadeiras, trajava uma calca de tecido branca e uma blusa solta estampada, a barriga chamava um pouco de atenção por baixo do tecido leve, uma trança estava jogada por cima de seu ombro segurando os cabelos ruivos e revoltos. – Está atrasada! – ficou em pé dando um beijo numa das bochechas da morena.

- Como você reclama. Eu disse que iria passar em casa para...

- Conta! – Zelena cortou a morena no meio de sua explicação.

- Contar o que, Zelena, tá doi...

- Emma! Você! O filho dela... Como foi isso? Estou vendo seus olhinhos brilhantes... – Regina sorriu balançando a cabeça negativamente, só Zelena mesmo.

- Não estávamos atrasadas? – Zelena deu de ombros – Vamos fazer isso logo e depois te conto... A médica deve estar aguardando. – a ruiva assentiu e encarou a porta mais próxima levando uma das unhas à boca nervosamente. – Que foi? – Regina a fitou com uma sobrancelha levantada, a ruiva parecia inquieta. Zelena negou com um rápido aceno de cabeça murmurando um “nada” e pôs-se a caminhar em direção à sala de ultrassom com a morena a seguindo.

O lugar estava meio vazio, geralmente os pré-natais, ultrassons e avaliações com as gestantes eram feitas durante a semana, apenas os casos mais importantes eram atendidos no fim de semana, Zelena havia conseguido uma exceção, por influência. A médica era sua amiga, e era quem vinha acompanhando a gestação desde o início,  havia disponibilizado o horário da consulta no domingo, já que durante a semana a ruiva e ela estavam sempre muito ocupadas, e com as agendas apertadíssimas. 

A ruiva bateu à porta e em poucos segundos receberam a autorização para entrar, a médica que estava sentada, sorriu largamente ao vê-las entrando e levantou-se indo até elas, trajava um vestido azul claro solto por baixo do jaleco, Regina analisou a mulher pequena, seu rosto era gordinho e redondo, os cabelos escuros curtos e ondulados acabavam um pouco acima dos ombros, os olhos amendoados e o sorriso eram exageradamente amigáveis, a morena não pode deixar de pensar no quanto a mulher, apesar de sorrir, trazia no semblante ma expressão séria, sem falar que seu jeito delicado e compenetrado de andar e mexer as mãos lembravam bastante as afetações dessas fadas de filmes.

- Zelena! – disse cumprimentando a ruiva com um beijo na bochecha – Que bom vê-la novamente, como vai esse bebezinho aí? – indicou a barriga da ruiva sem tirar o sorriso do rosto.

- Incrivelmente bem, Tracy! – Zelena respondeu retribuindo um sorriso.

Só então os olhos da mulher recaíram sobre Regina, estudou um pouco a morena e trocou um olhar ligeiramente impressionado com Zelena.

- Zelena, essa é a...

- Sim! Regina Mills, eu disse que iria conhecê-la – Regina levantou uma sobrancelha analisando as mulheres sem entender nada.

- Minha nossa! Senhorita Mills, que prazer imenso! Meu marido é advogado, um grande fã de seu trabalho... – falava animada, Regina lançou um olhar reprovador para a ruiva – Quer dizer, nós somos! – a mulher gesticulava enquanto Regina apenas a observava altiva, gostava do reconhecimento por seu trabalho, gostava de ter um nome de impacto no meio jurídico, mas odiava encontros assim, onde as pessoas forçam uma aproximação desnecessária e uma bajulação sem fim.

- Sis, essa é Tracy Ghorm, minha obstetra! – Regina lançou um sorriso forçado para a mulher que ainda olhava para ela admirada.

- Hm. Um prazer, senhora Ghorm – estendeu a mão para a mulher, que aceitou e surpreendeu Regina ao puxa-la para um cumprimento com um beijo no rosto. Argh... contato pessoal assim? Ah, odiava isso. Não deu liberdade, muito menos fazia isso com estranhos, qual o problema das pessoas com o bom e velho aperto de mão firme? 

Iria matar Zelena por isso, podia ter avisado.

Lançou um olhar para a ruiva explicitando todos os seus pensamentos, ela se encolheu e soltou um sorrisinho.

- Bem, Zel,  podemos iniciar? Deite-se na maca e levante a blusa, está bem? – Tracy quebrou o olhar entre as duas.

Zelena caminhou até a maca fazendo o que a médica tinha pedido, Regina ficou um pouco distante observando. A mulher passou um gel sobre a barriga redonda de sua amiga, Zelena sorria olhando da barriga para Regina, que possuía um sorrisinho no canto dos lábios, apesar de Zelena ser uma doida, pirada, completamente fora da casinha, iria ser uma super mãe, só de ver o brilho nos olhos dela conseguia perceber, a ruiva merecia toda essa felicidade, sempre quis ter um filho, estava feliz por ela, muito feliz! 

A médica pegou o aparelho e iniciou o procedimento, uma imagem borrada e desconexa apareceu no monitor, era um monte de nada borrado, uma mancha, Regina se concentrou para tentar identificar alguma coisa, sem sucesso, até que ficou frustrada por não conseguir visualizar nem o que a médica ia falando e indicando, Zelena sorria emocionada para o monitor, sério que ela estava entendendo?

- Está perfeito! Peso, medida.. tudo de acordo com o tempo de gestação. 22 semanas. – Tracy trocou um olhar com Zelena e voltou a se concentrar no monitor com o borrão – Ora, ora... Veja quem está de perninhas abertas! – disse alegre.

- Ai meu Zeus do Olimpo! – a ruiva soltou feliz tampando os olhos com as mãos – O que é?

A médica riu da reação da mulher e voltou sua  atenção para Regina.

- Senhorita Mills, aproxime-se! – Regina trocou o peso das pernas inquieta. Tinha um serzinho vivo, VIVO, na barriga da amiga e ele estava aparecendo naquela tela! Aproximou-se da amiga que tirou as mãos dos olhos e trocou um olhar com ela sorrindo, puxou a mão de Regina apertando, a morena notou o quanto a mão de Zelena estava suada e gelada devido à ansiedade. – Certo, vamos ver... – as três olharam para o monitor enquanto a imagem se movimentava, a médica riu e olhou de uma para a outra animada – É uma menininha! Parabéns, Zelena!

O sorriso que tomou o rosto da ruiva era imenso, seus olhos se encheram de lágrimas e uma até escorregou pelo canto, ela encarou o monitor por alguns segundos pensativa, depois voltou seus olhos azuis para Regina que até tentou, mas não conseguiu conter o sorriso.

- Você tem uma sobrinha, sis! – Regina apenas sorriu mais e assentiu dando um aperto na mão da amiga.

- Querem ouvir o coração dela? – a voz da médica chamou a atenção das duas que trocavam o olhar carinhoso.

A ruiva assentiu e Regina segurou a respiração, iriam ouvir os batimentos daquele pequeno coraçãozinho. Um silêncio total atingiu a sala enquanto a médica posicionava o aparelho e ligava o volume, não demorou muito para um som preencher o local, batimentos! Batidas fortes, ritmadas e rápidas, muito rápidas, Regina ouviu e no início ficou surpresa com a velocidade, força e persistência daquele som.

Soltou o ar prestando atenção, não conseguiu conter a emoção que tomou seu corpo e foi expressada num marejar de olhos, como é possível? Uma vida! O som de um coração puro, um coração forte, um coração que nem sabe ainda, mas tem força o suficiente para aguentar o mundo, carregar emoções! A morena estava extasiada, era uma vida!

Há alguns minutos atrás achava impossível se emocionar ou se apegar em demasia àquele bebê, não que não quisesse, mas julgava que não tinha o suficiente dentro de si para aquilo, além de ser um alguém que nem conhecia ainda, que estava na barriga de sua amiga, como gostar de alguém que ainda nem veio ao mundo? estava feliz pela ruiva, agradecida por Zelena ter aquela oportunidade, e tinha um carinho pelo bebê, mas achava impossível se apegar... assim como achou impossível aquela aproximação com Henry. Entretanto, mais uma vez a vida fazia questão de pegar todas as suas “certezas” e jogar no chão, pisar em cima e esfregar na cara dela o engano. Naquele momento sentia seu coração acelerar tanto quanto o do bebê, não tinha nem palavras para descrever a emoção que lhe atingia... sua sobrinha!

Só tinha certeza de uma coisa, era possível amar aquele serzinho mesmo estando na barriga, era possível imaginar uma menininha correndo para todos os lados feliz, iria protege-la sem medir esforços!

 

Emma

 

Swan entrou na lavanderia da casa dos pais encontrando sua mãe jogando as roupas dentro da máquina de lavar com uma certa violência, ficou alguns segundos observando a cena e finalmente tomou coragem enchendo os pulmões de ar enquanto aproximava-se.

- Quer ajuda? – Mary assustou-se levemente com a voz da filha tão próxima, não esperava por isso. Levantou a cabeça e mirou a loira apoiada no batente da porta a olhando com curiosidade.

- Não, filha. Estou bem aqui, tudo sob controle – mal fechou a boca e uma das roupas enganchou em algo no fundo do cesto fazendo com que as outras que Mary segurava caíssem no chão. – Mas que inferno! – bufou irritada abaixando para catar as peças.

Emma levantou a sobrancelha surpresa, sua mãe não era de xingar, por mais que a situação fosse absurdamente irritante, Mary evitava os xingamentos, inclusive costumava brigar com Emma e David quando os ouvia soltar algum palavrão.

Caminhou até a mãe a ajudando a colocar o resto das coisas na máquina, após jogarem tudo Emma fechou a tampa e Mary puxou a gaveta do aparelho para colocar o sabão, programou e ligou a máquina que iniciou a lavagem.

- Obrigada. – agradeceu à filha com um sorriso fraco encostando-se na parede e suspirando cansada.

- Mãe... – Emma chamou tocando seu ombro num carinho leve – Quer conversar? Sei que tem algo te incomodando – a mulher levantou os olhos encarando a filha com uma certa apreensão – O papai está preocupado com você, e ele me contou sobre o encontro de ontem... Você está bem? – Mary abaixou novamente a cabeça passando as mãos no rosto, após um longo suspiro voltou a olhar para a filha.

- Sei que estou estranha, Emma... Eu não queria me sentir assim, não queria que seu pai ficasse preocupado com isso... – disse num tom meio aflito – Eu só... só não esperava! – Emma estreitou os olhos estudando a mãe, o olhar da morena de cabelos curtos estava tão aflito quanto sua voz, ela pressionava os lábios tensa, e não conseguia sustentar o olhar por muito tempo no seu.

- O que está acontecendo, mãe? – Emma cruzou os braços afastando-se um pouco da mãe para conseguir olhá-la direito. Sentia que a mais velha estava incomodada, Mary podia ser forte e centrada, mas quando algo realmente abalava sua paz de espírito ela ficava assim, sem saber o que fazer, lutando contra o que sentia, desesperada para achar uma solução, e quando não conseguia começava a agir estranho, como estava fazendo agora. – Não me diga que você ainda... – Mary arregalou ligeiramente os olhos e agitou as mãos numa negativa junto com a cabeça.

- Emma! Filha, não, meu Deus, claro que não... 

- Então diga o que é, Mary Margaret... Eu sei que tem a ver com Kathryn – Mary inquietou-se trocando a posição em que estava apoiada na parede – Mãe, eu não tenho mais 13 anos, você pode conversar e desabafar comigo. O que acontece? Saiba que o pai não sabe o que fazer, você está estranha com ele, e ele até parece estar com medo da situação, não sabe o que esperar!

- Não tem nada a ver com aquela mulher, Emma! Ela não me afeta em nada! – o tom de Mary saiu irritado – Tem a ver com seu pai e eu! – a loira arregalou os olhos sentindo o coração acelerar, como assim sua mãe e seu pai? – E-eu... – ouviu a voz de Mary Margaret falhar, a morena abaixou a cabeça deixando os ombros caírem – Não consigo agir normalmente com seu pai porque fico me lembrando do que aconteceu! – enfiou o rosto novamente entre as mãos, Emma levou sua mão outra vez ao ombro da mulher num carinho.

- Ei... O papai disse que você deixasse o passado lá onde é o lugar dele. Não deixe que essas lembranças dominem você, mamãe... – Mary levantou a cabeça e mirou os olhos da filha, Emma a puxou para um abraço, a mãe se agarrou nela, como se estivesse salvando sua vida.

- Não consigo evitar de sentir a culpa. De me odiar pelo que eu fiz! – sua voz saiu abafada devido à loira ser mais alta e ela ficar enfiada no meio daquele abraço. – Eu trai o seu pai, Emma. Não sei como ele me perdoou, como ele pode dizer que aquilo ficou no passado, jamais me perdoarei por tê-lo traído. – a loira se afastou da mãe, mas sem desfazer o abraço, apenas para encarar-lhe a face.

Um sorrisinho travesso brotou no canto de seus lábios antes de falar.

- Esqueça isso, Mary Margaret! A não ser que ainda sinta algo pela... Ai, mãe! Poxa! – o tapa forte que recebeu no braço a fez soltar a mulher e esfregar o local com uma careta de desagrado – Doeu! – reclamou fazendo uma expressão emburrada.

- Muito bem feito! Estamos num assunto sério e você vem com essas gracinhas! Com esses comentários esdrúxulos! Puxou a seu pai... – Mary falou séria – Nunca mais diga uma asneira dessas, eu me arrependo até hoje, Emma Swan! E outra... Eu não sou lésbica! – sua palavras saíram duras.

A loira engoliu em seco, de repente algo revirou e fechou seu estômago, sentiu uma leve pontada na cabeça e só então algumas fichas caíram para ela. Céus, ela e Regina! Como ia contar isso à mãe? Minha nossa senhora dos enrustidos! Como iria falar? A cara que sua mãe lhe mirava dava até medo, a mulher estava com a expressão fechada, só porque insinuou... Ai! Pelo amor do que há de mais sagrado, a mãe não iria aceitar aquilo, iria odiá-la, deixá-la, nunca mais olhar na sua cara, não iria aguentar o desprezo da mãe. 

O fato da mãe ter se envolvido com uma mulher deveria diminuir seu receio, certo? Errado. Estava mais do que nervosa com aquilo, como que ela iria contar? Não tinha pensado nisso ainda, estava tão envolvida por Regina, com tudo que aconteceu que acabou se esquecendo das consequências! Ela não queria nem imaginar como Mary reagiria, a cara dela apenas com uma insinuação já havia mostrado muita coisa que Emma não queria ver.

- Eu ter feito aquilo foi... absurdo. Emma, eu estava num período delicado do casamento, eu e o seu pai estávamos brigando sempre, nos afastando por besteiras! Eu estava frágil – Mary falou arrancando Emma de sua divagações, mas fazendo a loira sentir o estômago revirar a cada palavra. Pânico, era isso que Emma sentia. – Kathryn apareceu, foi minha amiga, estava sempre ali me ajudado, meio que deu um nó na minha cabeça, eu confundi muitas coisas e fiz algo por impulso! Mas não sou gay, estou certa disso, tanto que quando estive com ela eu... não foi agradável. – Mary fez uma careta relembrando alguma cena que pelo visto não lhe era nada aprazível.

- Mãe... A se-senhora.. er... – Emma gaguejou sentindo um desconforto enorme no estômago e na cabeça – Você.. t-tem.. digo... não.. hm... se-sente pre...

- Preconceito, Emma? – a mulher falou impaciente com a gagueira da filha e revirou os olhos – Mas é claro que não, não me ofenda! – bufou, a loira arregalou os olhos e quase caiu para trás, mas ein? É o que? – Não há do que ter preconceito! Eu iria contra os meus princípios se dissesse que repudio o amor! Que pergunta mais sem cabimento! – se Emma arregalasse os olhos mais um pouco eles sairiam para fora, e, caramba, quando tinha parado de respirar? Precisava de ar! Puxou o fôlego com dificuldade – Emma Swan, eu tenho preconceito é de quem não ama, de quem não consegue sentir nada pelo próximo, que não tem empatia e não sabe se pôr no lugar dos outros! Desses que apontam dedos, riem e humilham pessoas simplesmente para se sentirem superiores, como se tivessem a necessidade de provar para si mesmo e o mundo que são melhores, quando na verdade são uma escória! É disso que tenho horror! – a loira sentiu os olhos marejados, sua mãe era mesmo real? Queria abraçar Mary e dizer que tinha orgulho, dizer que estava surpresa, mas antes que pudesse fazer uma daquelas coisas a mulher continuou – Filha, ninguém está abaixo de ninguém por amar, entendeu? Nem deve se sentir menor, ou diferente, ter medo, vergonha ou se martirizar por amar alguém do mesmo sexo, ou de outra cor! O amor, Emma, não tem cheiro, não tem cor, não tem gênero, não tem raça, muito menos sexo, o amor é puro, singelo, é inexplicável e intraduzível! Não escolhemos quem vamos amar, simplesmente se ama! E isso é lindo. Amar é uma das mais belas coisas que o ser humano pode fazer. Ser capaz de amar é uma dádiva, filha. Amor é amor. Apenas isso. – falou olhando para os olhos marejados da filha. Emma olhava para ela com uma expressão que Mary não era capaz de traduzir, entretanto os olhos da filha, o jeito dela... tinha reparado numa diferença assim que a viu entrar – Mas por que a pergunta, filha? – estreitou os olhos analisando melhor as reações de Emma – Você... Emma! O que é que você está me escondendo?

A loira engasgou e errou a respiração, precisou de alguns segundos e uns tapinhas nas costas para conseguir normalizar. Quando mirou o rosto da mãe percebeu o brilho inquisidor sobre si e gelou... Ok, mesmo estando quase pulando de tanta alegria com as palavras da mãe,  mesmo Mary tento sido tão surpreendente, não seria fácil contar, e não podia contar assim, aqui, agora, precisava pensar um pouco antes, além do mais ainda tinha seu pai... Evitava até imaginar como seria.

- Nada, mãe! – Emma agitou as mãos caminhando em direção à porta – Eu ein, de onde tirou isso? – tentou falar sem aparentar o nervosismo crescente.

- Emma, eu te conheço há 30 anos! Sei quando está me escondendo alguma coisa... -  seguiu Emma parando a sua frente, evitando que a loira pudesse seguir seu caminho. Estreitou os olhos e olhou bem no fundo das iria verdes da loira, suavizou a expressão com um sorriso carinhoso – Certo, vou esperar você está preparada para me contar! – sorriu mais, Emma sentiu as bochechas corarem, a mãe parecia ler sua alma.

- Unf... – bufou – Você está tentando desconversar? O assunto aqui era você e o papai! – Mary revirou os olhos e virou saindo da lavanderia na frente de Swan – Mãe, vai conversar com ele! Diga o que me falou, não adianta ficar se culpando e ficar estranha! Isso é pior, tenho certeza que o papai vai saber o que falar e compreender. – a mais velha parou no meio da cozinha e encarou a filha.

- Você quem está desconversando! Eu vejo nos seus olhos, até o brilho está mais verde! – Emma se encolheu, queria tirar o peso das costas, muito, mas não se sentia preparada o suficiente, não estava pronta para encarar os pais “naquela” conversa. 

As palavras da mãe há alguns segundo haviam sido encorajadoras, porém nunca se sabe qual será realmente a reação quando aquilo lhe atinge pessoalmente. Quando a coisa é com você, o buraco é sempre mais embaixo, não é mesmo?

- Você vai falar com o pai ou não? – Mary viu os olhos da filha aflitos, buscando uma escapatória. 

Sentia que Emma estava diferente, era um jeito de olhar diferente, jeito de agir, de falar, o brilho no olhar e alguns suspiros seguidos de um sorriso quando se perdia nos pensamentos. Já havia notado, porém hoje chegava à certeza. Esperaria o tempo da filha para lhe contar, mas uma mãe sempre sabe, certo?

- Você está certa. Vou desabafar com ele, acho que a minha reação deve tê-lo deixado desesperado – suspirou – Vou resolver as coisas... E Emma – a loira tirou os olhos do chão e fitou a mulher – Eu amo você.

A loira sorriu assentindo, amava aquela mulher! 

Mary olhou-a com carinho e saiu da cozinha, deixado a loira a sós com sua divagações. O celular de Emma vibrou no bolso e ao desbloquear a tela para ver a mensagem o coração veio parar na boca e um sorriso bobo fez morada em seus lábios quando leu o nome de Regina no remetente, clicou sobre a notificação ansiosa para que abrisse logo.

“Saudade é o preço que se paga por viver momentos inesquecíveis.

Li isso em algum lugar certa vez, e agora só consigo pensar que se encaixa no que sinto nesse exato momento.

Eu gostaria de agradecer pela tarde e a manhã incríveis que tive”

 

Regina 

 

- Obrigada! – a ruiva disse ao garçom após ela e Regina fazerem os pedidos.

Estavam num restaurante agradável e bem decorado que ficava na rua da casa da ruiva, tinham parado lá para almoçar após saírem do hospital. Zelena não parava de sorrir, estava radiante por ter conseguido finalmente ver o sexo do filho, não parava de falar sobre nomes, sobre agora poder comprar roupas menos neutras, poderia comprar vestidos, sapatinhos de menina, luvinhas rosas, presilhas para o cabelinho. Nem se aguentava de tanta excitação e ansiedade.

- Gostou do resultado? – Regina perguntou quando a ruiva parou de falar um pouco sobre a decoração do quarto de menina.

- Muito! – disse sorridente – Não que eu tivesse predileção por menino ou menina, só é bom já saber, poder imaginar o rostinho, o jeitinho dela... – sorriu e isso refletiu no rosto da morena.

- Só espero que ela não puxe a você, imagina que criança maluquinha? – Zelena revirou os olhos – Mas bem que iria ser lindo uma menininha de cabelos ruivos assanhados, toda descabelada, correndo para lá e para cá,  ela vai te deixar doida! – a ruiva perdeu-se em pensamentos por alguns segundos imaginando a filha, e depois se deu conta do cutucão implícito na frase da amiga.

- Ei! Eu não sou descabelada, Regina! – Mills soltou uma risada da cara de indignação.

- Você que pensa – um olhar azul e fuzilador a fez segurar um outra risada – Ok. Ok... E o Robin? Qual será a reação dele? – perguntou apoiando os braços na mesa enquanto a ruiva pensava na resposta.

- Ah, ele vai amar! Tínhamos o mesmo pensamento sabe, nenhuma preferência quanto a isso. – a morena assentiu enquanto a ruiva continuava – Ele tem cara de que vai ser um daqueles pais ciumentos... – fez uma careta ao passo que Regina ria e concordava com a cabeça.

- Não tenho dúvidas! Vai contar a ele hoje? – Zel negou com um aceno de cabeça.

- Como eu disse, quero contar de um jeito especial, vou chamá-lo para almoçar comigo amanhã.

- Ai, vocês dois... Você quem sempre busca as coisas românticas na relação, não é, sis? – a ruiva pareceu refletir sobre a frase.

- Não é bem assim... Ele só é um pouco mais tímido para essas coisas – Regina revirou os olhos.

Antes que conseguisse responder os pedidos chegaram e foram servidas, Regina com seu prato verde e sem graça, na opinião da ruiva, cheio de folhas, verduras e um filé de frango grelhado, enquanto Zelena tinha um belo pedaço de mignon mal passado ao molho funghi, acompanhado de fritas e arroz à grega. Regina não pode deixar de lembrar de Emma ao ver o prato da amiga e fazer uma careta de reprovação ao tanto de gordura tinha ali, essas mulheres não sabiam se alimentar, céus!

- Pode ir tirando esse olhar de censura da minha comida! Eu estou grávida, tenho desejos! Pior é você que come pasto!

Regina riu enfiando um punhado de salada na boca e encarando a ruiva com uma expressão divertida.

- Você me chamou de vaca ou foi impressão minha?

- Não exatamente, mas bem que define você  – deu de ombros.

A morena levantou um sobrancelha na sua direção.

- Injúria! – Zelena riu pegando algumas batatas – Pior que eu nem falei nada sobre essa quantidade de carboidrato...

- Ah, sis! Poupe-me do seu discurso de miss nutricionista da América! Eu vou comer sim, e não há carboidrato, gordura, o caralho a quatro que me impeça, eu tô com fome. Dá licença.

- Cruzes, Zelena. Esfomeada! – a ruiva riu enfiando as batatas com deleite na boca – Que engasgue! – falou levando um pouco da comida em direção à boca e parando no percurso para repensar a frase – Não, não engasgue não. Mas só por causa da nossa bebezinha ai! – concluiu e levou novamente a comida até a boca.

Zelena arregalou os olhos e encarou Regina com espanto. Não estava acreditando no que tinha acabado de ouvir, por incrível que pareça sua filha até se agitou dentro dela. Seus olhos encheram de lágrimas ao ouvir “nossa bebezinha”, estava emotiva demais! 

Mas quando na vida esperou ouvir uma frase dessas da boca da amiga? Logo Regina que fazia de tudo para não demonstrar, para parecer mais fria que pedra de gelo!

- Santa Emma Swan, estou me convertendo agora! Essa mulher faz milagres mesmo! Santa Salvadora! – Regina franziu o cenho sem entender.

- Hã? O que?

- Você nem percebe, não é? – Regina coçou a cabeça pensativa, do que é que essa ruiva maluca estava falando agora? – Regina, essa mulher te refaz e você nem se dá conta! Me lembre de agradecê-la. Já vi você sorrir hoje umas 550 vezes, antes uma vez ao dia era muito! Regina 2.0 mesmo! – riu animada batendo palmas enquanto Regina apenas maneava a cabeça negativamente. – Anda! Desembucha... Como foi ontem? Pelo jeito a criança não te matou, nem você teve uma alergia ao contato, aquele seu medo era sem fundamento! – riu recebendo um olhar reprovador.

- Você é uma chata, Zelena. – fez uma expressão seria enquanto bebia um gole do suco de maçã, entretanto não podia negar que a ruiva estava certa, tinha sido tudo tão perfeito!

Até batia aquele incomodozinho no peito, aquela dorzinha insistente e a falta de algo. Tinha sido apenas um dia, mas sentia uma saudade tremenda dos dois, de como se sentiu quando estava com eles, dos momentos daquela tarde. Sentia uma saudade sem igual daquela loira, queria tanto vê-la, o sorriso dela, sentir o perfume dela, o calor, de sentir aquela aceleração tão conhecida de seu coração quando a via, da sensação que a loira transmitia, aquela sensação de tudo ser possível, de poder fazer tudo, mas de nada importar, a única coisa que queria fazer era estar com ela, apreciando cada segundo e cada detalhezinho. Desviou alguns segundos de sua atenção para enviar uma mensagem à Emma.

- Você se apaixonou mesmo. – a voz de Zelena chegou nos ouvidos da morena e a fizeram encarar a ruiva – Você tem que ver a sua cara! Isso é paixão! – Regina sorriu. 

Podia até tentar negar, mas era verdade.

Emma estava ali dentro dela a todo momento. A loira era o seu pensamento mais constante, era a dona de seu encantamento, estava completamente perdida por ela. Apenas estava e queria estar apaixonada, não queria conter, fazia tanto tempo que não sentia algo bom,  que não sentia vontade do mundo, apenas existia dia após dia, agora queria viver! 

A loira nem imagina o tamanho da luz que era em seu mundo.

- Zel, é tudo tão esquisito – disse suspirando e trocando um olhar com a ruiva – Eu achei que nunca mais iria me sentir assim sabe, viva, sem aquele peso... É tão maravilhoso! – Zelena sorriu – Eu estou bem, nunca achei que iria dizer isso verdadeiramente. Estou realmente bem! Chega a ser assustador sabe...

- Regina, você tem que ver seus olhos enquanto fala... – Zelena sorriu alcançando a mão da amiga por cima da mesa num carinho. 

- Eu não quero conter, quero deixar isso vir! Quero sentir isso! – retribuiu o aperto na mão – Ontem foi tão... tão... – suspirou profundamente – Não há palavras! Emma e o filho delas são tão maravilhosos juntos, aquele garoto é apaixonante! Nem acredito que estou falando isso... Ele me chama de tia Regina, acredita? – Zelena riu junto com a morena.

- Quem diria que você iria aceitar uma criança tão fácil! Acho que era mais medo do que aversão por elas...

- Disso não sei, mas Henry é... – pensou numa palavra – Diferente. – sorriu. – Eles são tão perfeitinhos juntos sabe, aquele tipo que você nota o quanto se amam apenas pelos gestos – suspirou perdendo o olhar por alguns segundos – Apesar de tudo o que me aconteceu, eu gostaria de ter algo como o que eles tem um dia... Uma família, sabe. – deixou os ombros caírem.

Zelena sentiu o coração diminuir de tamanho até quase sumir. Regina Mills demonstrando fragilidade! Isso não era de partir o coração, era de faze-lo virar pó! Céus, essa mulher, com aquela expressão, tão frágil, exposta, dá vontade abraçar tão forte, proteger, dizer infinitas vezes que iria ficar tudo bem e só soltar quando tudo tivesse passado. Zelena não sabia lidar com isso, queria arrancar todas aquelas coisas ruins de dentro da amiga, todas aquelas lembranças e momentos ruins de seu passado. Regina não merecia nada daquilo, fizeram ela sofrer, fizeram ela ficar daquele jeito, essa mulher é incrível, e a quebraram sem dó!

- Ei... Mas você já tem! – Regina levantou os olhos das mãos das duas parar encarar a amiga que carregava um sorriso singelo no rosto – Eu, a bebê... Somos sua família! Ou acha que famílias são só os laços de sangue? – levantou uma sobrancelha ruiva fazendo o olhar que estava triste brilhar alegre. - Às vezes, sis, laços de sangue não dizem nada. – Regina pensou em seus pais, o quanto a única coisa que realmente os ligavam era só o sangue, mas nem por isso eram “família” – Muitas vezes nossa família são aquelas pessoas que encontramos pelo caminho, que não tem nosso dna, mas têm algo bem mais importante conectando. Amor, Regina. É isso que liga e forma verdadeiras famílias! Amor! E isso temos de sobra... – olhou nos olhos da amiga que pareciam marejados, a pontinha do nariz de Regina estava vermelha, então não era só a ruiva que estava emotiva – Regina, eu estou aqui. Somos família. Você é minha irmã, e pode acreditar que essa criança aqui – indicou a barriga – Te ama também, por que ela está super agitada enquanto eu falo. – a morena sorriu emocionada – Ei, sis, você nunca esteve sozinha. Eu te amo, tá?

A morena olhava encantada para a ruiva. 

O que tinha feito de tão bom para merecer um anjo da guarda daqueles em sua vida? Se não fosse Zelena, provavelmente estaria perdida por ai, sozinha e ainda mais rancorosa. Se não fosse pela mesa entre elas, agarraria Zelena num abraço, essa ruiva ainda iria lhe matar do coração com palavras bonitas.

- Obrigada! – apertou a mão da amiga sobre a mesa, os olhos de Zelena também estavam cheios de lágrimas – Eu te amo, sis!


Notas Finais


♡♡♡
Aguardo ansiosa vocês!!

Beijos de luz 😍😘


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