História Seus olhos confessam - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Henry Mills, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Morrilla, Romance, Swanqueen
Visualizações 364
Palavras 5.188
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Mais um!!!
Sem demora...

Boa leitura ♡

Capítulo 17 - Sou eu sem você


Fanfic / Fanfiction Seus olhos confessam - Capítulo 17 - Sou eu sem você

O amor. A palavra sem significado próprio, porém a mais significativa das palavras. Desencadeia uma série de sensações, comportamentos, reações fisiológicas como suor, respiração falha, coração acelerado, estomago revirado, e também emoções variadas, raiva, alegria, ciúmes, sorrisos. Os cientistas diriam que não passa de química sendo liberada em nosso cérebro, estímulos nervosos, um fenômeno neurobiológico. Luís de Camões disse “amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente...”. Mas quem... Quem pode realmente dizer o que é amar? Quem pode explicar porque isso acontece? E quando acontece? Há tantos conceitos, tantas teorias sobre esse sentimento, e não é um questionamento novo, pelo contrário, essa é uma das questões que a humanidade tenta responder desde a antiguidade, os gregos definiram em quatro palavras diferentes, cada uma representando um tipo distinto de amor, eram elas: Eros, o amor na forma física, humana, carnal, a verdadeira paixão erótica; Philia, que descreve o amor tenro, generoso, caloroso, o sacrifício pelo outro; Storge, cujo significado é afeto, lealdade, reciprocidade, um amor fraternal; e por ultimo Ágape, é o tipo de amor mais puro, sincero, caridoso e altruísta que existe, um amor pleno, Ágape é o amor incondicional.

Ainda assim, amor continua sendo mistério, um segredo, e é bom que continue sendo assim, não é mesmo? Talvez essa seja a delícia de amar, pois só aqueles que amam é que são capazes de desvendá-lo, e quando isso acontece, quando o amor é revelado aos seus olhos, preferem mantê-lo guardado em segurança no intimo de seus corações.

Emma desistiu de morder o lábio nervosamente e passou a roer a unha enquanto falava ao telefone, estava visivelmente tensa, quem a observasse não imaginaria que do outro lado da linha uma morena ria da inquietação da mulher.

- Vamos, Em! Ela quer conhecer você... E eu gostaria muito disso. – após uma crise de risos a morena finalmente conseguiu dizer.

- Não que eu não queira... Mas eu não saberia como agir! – Emma puxou o dedo da boca encarando o mesmo com uma careta de dor, havia puxado um cantinho da unha com o dente, e, puta merda, aquilo doía! – Ela sempre me pareceu tão reservada, exigente, séria... E se ela não gostar de mim?

A mulher do outro lado da linha explodiu numa nova crise de risos.

- Tem certeza que estamos falando da mesma Zelena? Séria? Reservada? – riu mais um pouco – Definitivamente não deve ser a mesma.

- Não fique rindo, Regina. – Emma resmungou – Quando você marcou esse encontro? – perguntou se ajeitando na cadeira e puxando o jaleco que caía no ombro.

- Esse fim de semana. Mas eu disse que iria falar com você antes de confirmar.

- Além de ela ser sua melhor amiga, é a minha chefe! Estou um pouquinho apreensiva... – ouviu Regina conter um riso. – Mas está certo, eu vou! – a morena vibrou do outro lado numa comemoração.

- Não consigo acreditar que a Zel passa essa imagem para vocês. Não se assemelha em nada com ela. Reservada – soltou a risada – Zelena reservada! – riu mais.

- Digamos que ela impõe respeito aqui... – Emma respirou fundo checando as horas.

- Céus, isso eu queria ver...

- Preciso voltar ao trabalho, minha hora de descanso acabou... – falou tristonha, se pudesse passaria horas falando com a morena, nunca se cansaria daquela voz. 

Ouviu a morena suspirar.

- Eu também, preciso revisar alguns documentos. – nenhuma das duas queria desligar, o coração chegava a ficar apertadinho ao perceber que teriam mesmo que fazer isso. 

- Te vejo antes do fim de semana?

- Pode apostar que sim, loira. – sorriu com o jeito que foi chamada. Regina sempre fazia tudo ficar bonitinho.

- Tchau, Gina...

 

Do outro lado...

 

- Tchau, Em. 

A morena tirou o celular da orelha e desligou depositando o aparelho sobre a mesa de seu escritório. Um dia longe da loira, sensação de séculos sem vê-la.

Suspirou recostando-se na cadeira confortável e fechando os olhos, deveria ter chamado Emma para almoçar, mas tinha tanto trabalho que nem teve tempo para sair da firma, comeu ali mesmo debruçada sobre a pilha de documentos, contratos e processos. O único descanso que teve desde quando chegou foi parar para conversar com a loira alguns minutos e aproveitar para convidá-la para conhecer Zelena, a ruiva havia sugerido isso no dia anterior, na verdade, intimado a morena para falar com a loira. Zelena estava mais do que ansiosa e animada com tudo aquilo.

Abriu os olhos encarando todas aquelas coisas sobre sua mesa, tomou fôlego e resolveu iniciar novamente seu trabalho.

Antes que pudesse alcançar a pasta que tinha intenção de pegar, ouviu uma espécie de murmúrio do lado de fora, as vozes pareciam alteradas, voltou sua atenção para o que parecia ser uma confusão e foi percebendo as vozes ficando mais altas e próximas.

“Mas que diabos...” pensou antes de levantar em direção à porta “O que virou isso aqui agora? Feira?”

Alcançou a maçaneta e abriu a porta com violência, iria acabar com aquela farra ali, seja lá quem fosse levaria um belo esporro para aprender a ter educação e respeitar o ambiente de trabalho.

- O que vocês pensam que est... – a frase morreu em sua garganta ao ver as pessoas que gritavam. – Zelena?! – falou incrédula.

A ruiva estava completamente transtornada, falava alto e gesticulava, dava para ver o quanto o seu rosto estava vermelho devido à raiva, Robin tentava dizer algo de olhos arregalados, sua expressão de desespero era evidente.

- Eu não quero nunca mais ver essa sua cara cínica! – Zelena gritava com o dedo na cara do homem – Some, Robin! Volta para lá! – do jeito que Zelena estava, Regina via a hora de ela ter um treco – Some daqui!

- Zelena, por favor... Amor, me deixe explicar... – deu um passo na direção da mulher.

- Não toca em mim! Eu estou com nojo de você! Seu desgraçado! – a ruiva gritava sem nem se importar com todas as pessoas que já saíam de suas salas e assistiam a cena.

Regina ainda estava paralisada segurando na maçaneta da porta, parecia que seu cérebro não estava processando tudo aquilo. A ruiva começou a chorar enquanto continuava a xingar o homem e o mandar sumir, ele continuava a insistir. Quando viu as primeiras lágrimas de Zelena foi que o cérebro deu um clique e absorveu a informação.

Cruzou a distância que a separava de onde os dois estavam como um raio, quase derrubou Belle que estava parada segurando um bloco de notas nas mãos tão assustada e surpresa quanto as outras pessoas que assistiam tudo aquilo.

- Zelena – chamou enquanto terminava de se aproximar – Sis, o que é isso? O que aconteceu? – Zelena parou de falar e virou para olhá-la, o rosto estava vermelho e ela não conseguia conter as lágrimas, o coração da morena ficou menor que uma ervilha.

- Regina! – a ruiva falou quase pulando em cima dela, agarrou Regina como se sua vida dependesse daquilo, como se a amiga fosse uma tábua de salvação, apertou tão forte que a morena até sentiu dificuldade para respirar e uma leve dorzinha nas costelas. 

Retribuiu envolvendo-a com os braços e encarou Robin que tinha uma expressão assustada e ao mesmo tempo atormentada.

- Regina, graças a Deus, diga para sua amiga parar de escândalo, está chamando atenção – ele falou olhando em volta. Sim, realmente já havia muita gente presenciando aquilo – Fale para ela me escutar!

- Dá para me explicar o que foi que aconteceu?! – ela praticamente cuspiu as palavras nele enquanto estreitava os olhos. Ah, mas era culpa desse filho da mãe! Iria partir aquele desgraçado em dois! Estava se controlando para não pegar ele e fazê-lo se arrepender de cada lágrima que Zelena estava derramando.

- Sis, tira ele daqui. Por favor, manda ele sumir daqui! – Zelena falou sem soltá-la, foi mais um sussurro suplicante. 

Regina sentiu um soco no estômago com o tom de voz esmorecido da amiga. Não sabia o que havia acontecido, porém queria pegar Robin e socá-lo por fazer Zelena chorar.

Encarou o homem de um jeito assustador, ele até engoliu em seco. Provavelmente todos os seus pensamentos deveriam ter sido expostos naquele olhar.

- Zelena... – ele tentou falar e dar um passo, mas o simples virar de cabeça da morena o fez congelar no lugar.

- É melhor você desaparecer daqui. Anda, Robin! – falou baixo, medindo o tom de voz – Não sei o que aconteceu, mas ela não quer falar com você agora. Entendeu? – o homem engoliu em seco mais vez e assentiu, deu mais uma olhada em Zelena e virou as costas indo para sua sala, pisando duro e ignorando todos os olhares sobre si. Regina observou as pessoas que assistiam Zelena e ela abraçadas no meio do corredor, estreitou os olhos bufando – E vocês? Não tem trabalho a fazer? Preferem que eu assine as cartas de demissão? – nem foi preciso terminar de falar, cada um tratou de entrar em sua sala ou voltar a fazer o que estava fazendo. – Ei, sis... – suavizou o tom de voz, sentiu Zelena tremer devido ao choro e afagou suas costas – Vamos para a minha sala, está bem? – a ruiva assentiu e demorou mais alguns segundos antes de desfazer o contato.

Regina olhou para ela, os olhos vermelhos, o rosto molhado pelas lágrimas que ainda escorriam, e um olhar dolorido. Fitou os olhos azuis respirando fundo... lembrava-se bem daquela expressão no rosto da amiga, a mesma que tinha visto quando a encontrou chorando no banheiro da faculdade, foi assim que a viu pela primeira vez, e amaldiçoou Robin por isso.

Passou o braço pelos ombros dela e a guiou até sua sala.

- Belle, não quero ser incomodada agora, ok? Pode ser o presidente, não estou disponível, entendeu? – falou após ter colocado Zelena no sofá e voltado até a porta. 

A secretária assentiu em compreensão, Regina voltou para dentro e trancou a porta virando-se para olhar a amiga que estava sentada no sofá e encarava um ponto qualquer na estante. Caminhou até ela sentando-se ao seu lado.

- Ei... – passou a mão por suas costas num afago suave. – Meu anjo...

Zelena iniciou novamente um choro contido e se encolheu no sofá deitando no colo de Regina que passou a mão por seus cabelos. Ver a amiga assim era dilacerador, queria poder arrancar aquilo lá de dentro, e não poder era frustrante, a sensação de impotência ao ver alguém sofrer e não poder fazer nada é desesperadora.

- Ele... Ele... – Zelena tentou falar, entretanto o choro não deixava.

Regina a puxou mais para si e a ruiva se agarrou a suas pernas chorando baixinho.

- Shh... Não precisa dizer nada agora – passou a mão novamente pelos cabelos ruivos tirando-os do meio das lágrimas – Calma... Fica calma, pense na nossa menininha aqui... – acariciou a barriga da amiga.

Zelena soltou um gemido dolorido e soluçou.

Regina sentia uma vontade imensa e levantar e ir até a sala de Robin acertar aquilo. Quem disse que ele podia fazer Zelena sofrer? 

- Eu vim chamá-lo para almoçar, iria contar que é uma menina... – conseguiu iniciar após acalmar mais o choro, Zelena soluçava, se agarrava mais à Regina. – Quando eu entrei na sala dele a secretária e ele estavam... – se sentou subitamente levando as mãos ao rosto – Como eu fui idiota! Que merda! Merda! – alterou o tom de voz – Eu sou uma imbecil! Você estava certa, você está certa! Acreditar nesse negócio de amor é burrice! Só faz sofrer, só nos faz chegar exatamente onde estou agora! Olha que merda, olha que merda virou! – socou o sofá com raiva.

- Zelena, não diga isso! Não você.

- Não dizer? – a ruiva a encarou – É a verdade! É só para sofrer! E agora, Regina? – a morena conseguia ver a tristeza pelos olhos azuis, menos mágoa, mais decepção...

- Sis, você é forte, sempre foi. Não diga que amar é burrice, deixe isso para eu falar, não combina com você – a ruiva encarou os olhos castanhos – Não pense assim, não por um idiota desses, um imbecil que não merece nenhuma dessas lágrimas que você está derramando, ele não merece um por cento do que você está sentindo! – Zelena pressionou os lábios e a morena tomou fôlego para continuar – Você não pode pensar assim, não quando é você que tem que por juízo na minha cabeça! – Zelena limpou o rosto enquanto dava um riso fraco as frase da morena – É sério, já imaginou o que seria de mim se não fosse você e sua mania de ver o amor em tudo? De acreditar que ainda havia esperança para mim? Então, por favor, não deixe a Zelena que eu conheço ir por causa de um canalha de calças qualquer!

- Você não existe – seguro a mão da amiga num afago.

- Você me ensinou que há sempre esperança, mesmo que não sejamos merecedores dela. – sorriu sem mostrar os dentes – Minha vez de dizer que não é porque um fez, que todos vão fazer. Então não desacredite do amor, não você. Preciso de você. Eu sei como deve estar a sentindo agora, mas esse imbecil não merece.

Zelena abaixou a cabeça tentando controlar a vontade de chorar, não queria mais. Queria apenas esquecer, queria que aquilo anestesiasse, a sensação de ter sido enganada, feita de idiota era desnorteante. Se surpreendeu ao ver que sofria mais por ter sido iludida do que pelo próprio Robin. Qual o problema com ela? Se surpreendia ao ver que o sentimento da perda não era mais desesperador do que a mentira em que havia sido submetida. Como ele foi capaz? Iam se casar, ter uma filha! Como ele pode? Como alguém consegue fazer isso com a pessoa a quem diz amar? Amar é o cacete! Aquele filho da puta sempre amou mais as próprias calças do que as pessoas ao seu redor! Deveria saber, deveria ter desconfiado... talvez soubesse, mas preferiu se enganar, montar aquilo em sua cabeça! Ele era distante, não fazia o mínimo esforço por aquela relação, por ela! Como não leu nas entrelinhas? Ela sempre ela que o buscava, que insistia, que cuidava! E aquele pedido de casamento?  Qual a finalidade de propor dividir a vida com alguém se pretende estragar tudo na primeira oportunidade?

A ruiva encarou o anel de noivado no dedo com raiva.

- Eu preciso resolver uma coisa – a morena saltou do sofá – Mas não vou te deixar aqui sozinha...

- Sis, vou ficar bem... – a voz da ruiva estava anasalada devido ao choro.

- Nada disso. Acha que vou deixar você e minha sobrinha sozinhas assim? – falou já se encaminhado à  porta, Zelena sorriu devido ao cuidado da morena. Regina abriu a porta colocando a cabeça para fora – Belle, pode vir aqui? 

A moça assentiu e levantou-se entrando na sala, encarou a ruiva que estava sentada sofá olhando para o chão.

- Se incomoda de ficar um pouco com Zelena enquanto resolvo algo? – os olhos da moça se arregalaram rapidamente, e Regina não entendeu o rubor em sua face. – Sim ou não? – falou impaciente.

- Regina, deixa a moça... – Zel finalmente tirou os olhos do chão e encarou as duas mulheres. – Belle, não se incomode... – fitou a moça, não pode deixar de pensar no quão profundos eram aqueles olhos azuis, tentou desviar, com certeza aquele olhar dela era pena.

- Tudo bem. Imagina que eu iria deixar você sozinha... Pode ir, dona Regina – Belle falou tentando não voltar a olhar para a mulher no sofá, o que é que tinha de tão intrigante nela? Estava se sentindo mal por ela, não que estivesse com pena, mas sentia-se consternada. – Eu cuido dela.

- Obrigada, Belle. Não demoro.

Falou para as duas e saiu rapidamente. Tinha algo que não podia deixar para depois. Estava tão ansiosa que nem percebeu o estranhamento em que as duas mulheres se encontravam, Belle ainda ficou alguns segundos parada perto da porta sem olhar para Zelena, e essa não sabia o que dizer, apenas não se sentia à vontade. 

- Vou lhe trazer um copo de água. – Belle disse se movendo da paralisia em que se encontrava e atravessando a sala até o frigobar. Pegou uma garrafinha de água, um dos copos sobre a bancada e voltou até a ruiva virando o líquido no copo e lhe estendendo. 

Zelena aceitou sorrindo fraco em agradecimento.

- Não precisa ficar aqui só porque a Regina pediu. Não quero atrapalhar, estou bem... – bebeu um pouco do líquido e mirou Belle por alguns segundos, a morena analisou a expressão da mulher. Bem? Bem definitivamente era a última coisa que deveria estar. Não sabia o porque de toda aquela confusão, se atrevia até a desconfiar, mas o don Juan de quinta não teria coragem não é? Céus, quem teria coragem de fazer alguém como Zelena sofrer? Conhecia pouco a mulher, mas as vezes que a tinha visto, ou falado com ela ao telefone,  aparentou ser um alguém tão maravilhoso, sempre educada, alegre... quantas vezes não riu ao escutar alguma conversa dela com Regina? A mulher era um ser raro! “Mas que merda, Robin, seu idiota!”  pensou sentando ao lado da ruiva que evitava a todo custo uma troca de olhares, parecia envergonha, e, poxa, aquela expressão sofrida não deveria estar ali, um alguém como Zelena não merece chorar, nunca.

“ah, Robin, como eu queria meter sua cabeça na parede!” 

- Quem disse que estou aqui só porque a dona Regina pediu? – Zelena levantou os olhos do anel de noivado, não conseguia acreditar no que tinha acontecido, Talvez ela estivesse sonhando, era um pesadelo! 

Você coloca sua expectativa em alguém, molda sua vida para se adequar a ela, constrói planos, planos que achava que eram compartilhados, entretanto esquece de avaliar se o outro estava em sintonia, se também estava junto com você, esquece de avaliar se era realmente sólido a base que havia feito, se não seria tudo derrubado por alguma tempestade e depois te deixaria apenas com os pedaços e os destroços.

Daí você tem que reconstruir tudo sozinho.

Não conseguiria perdoar. Não aquilo. Não com aquela cena da secretária seminua na mesa enquanto ele... argh. Não era ódio, era mais que isso.

“Acabou, acabou, acabou mesmo, como ele pode?” a ruiva pensava.

- Estou aqui porque quero. Só saio se você disser que não me quer aqui. – Zelena suspirou e encarou novamente os olhos azuis. Definitivamente a última coisa que queria era ficar sozinha.

-Foi um barraco e tanto né? – Belle arregalou ligeiramente os olhos – Anda, pode ser sincera, foi tudo uma grande merda. Até sei o que deve estar pensando de mim, a descontrolada que descobriu que o noivo tinha um caso com a secretária, coitadinha dela. Não fique por pena também. – a ruiva  pressionou os lábios tensa, a última coisa que queria também era pena, ela não precisava da pena dos outros! Iria se refazer, iria superar aquele idiota.

- Eu não tenho pena de você. – Belle falou convicta – Só não gosto de ver você assim.

Zelena a olhou surpresa. Mal se conheciam. Entretanto Belle sempre foi muito gentil, dava para ver o quanto aquela moça era um doce de pessoa, parecia estar sendo muito sincera.

- Isso passa, querida. – deixou os ombros caírem e pensou: “eu espero”

- Se não se importa, quero ficar aqui enquanto ainda não passou. – sorriu gentilmente. 

 

Regina

 

- Mas o que é... – Robin ia falando ao escutar a porta de sua sala abrir violentamente, engoliu  frase ao ver que era a morena quem invadia e caminhava em sua direção com cara de poucos amigos. – Regina... E-eu...

- Cala já essa boca, Robin Locksley! – falou trincando os dentes – O que é que você pensa que está fazendo? Acha que a Zelena é um brinquedinho para você fazer o que bem entender? Jogar com ela?

A morena estava possessa, sua vontade era de grudar no pescoço daquele idiota e esganá-lo por ter feito aquilo.

- Regina, eu... hã – ele estava visivelmente nervoso, conhecia bem Regina para saber o quanto essa mulher pode ser ruim – Ela entrou na hora errada! – uma gargalhada sarcástica vinda da morena invadiu o ambiente.

- Eu não ouvi isso. – negou com a cabeça estreitando os olhos para o homem – Hora errada, crápula? Ela deveria ter avisado para você vestir as calças antes não é? – ela aproximou-se da mesa apoiando as duas mãos na madeira e a inclinando ameaçadoramente na direção do homem – Recolha já as suas coisas e vaze daqui. – seu tom saiu controlado, baixo, perigoso...

- O quê?! – ele falou surpreso.

- Isso o que você ouviu. Está demitido! – a confusão nos olhos dele e o susto fizeram a morena dar um sorrisinho. – Você a pediu em casamento, seu babaca. Mas que merda você tem nessa sua cabeça doentia? – ele bufou.

- Você não pode me demitir por isso, Regina. Está louca? – a morena trincou os dentes e estreitou os olhos para ele – Não venha com sua vingancinha. Eu não tenho medo dessa sua cara, não pode me demitir! Conheço você há bastante tempo, e Zelena desabafou comigo o suficiente para eu saber que você não passa de um gatinho medroso! – ela riu ironicamente.

- Não conte com isso. Você não tem a mínima ideia de quem eu sou... – eles se encaravam como se pudessem matar um ao outro só com o olhar -  Eu não estou te demitindo por vingança, ridículo. Já ouviu falar em assédio? Namoro em ambiente de trabalho? – ele arregalou os olhos e sorriu – Da próxima vez que for exibir isso aí  – indicou para a calça dele – Lembre-se do que  aprendeu na faculdade. Quero você fora daqui! – disse e virou as costas indo em direção à porta.

Parou ao ouvir o homem dizer – Ela me ama, vai me perdoar! Teremos um filho! – Regina sentiu o rosto esquentar, qual era a doença desse cara?

- Lembrou disso agora? – virou subitamente encarando-o – Vocês terão uma filha, era isso que ela veio contar – ele pareceu prender a respiração, olhou desesperado ao passo que ela continuava - Quando você parou para pensar nisso? Que teriam uma filha? A Zelena podia não ver, mas eu nunca gostei de você. Essa sua cara de peixe morto nunca me enganou. Eu conheço bem caras como você!  Nunca gostou dela, se aproximou com alguma intenção, mas qual? – ela estudou o homem com os olhos castanhos inquisidores, desde o primeiro dia havia algo naquele ser que a deixava inquieta, via nos olhos dele um olhar que conhecia bem, ele olhava para Zelena como Daniel a olhava. Tinha certeza que Robin era um problema, mas sempre respeitou as decisões da amiga, apesar de tentar avisar, e ele depois de um tempo parecia estar realmente disposto. – Não ouse se aproximar dela para fazê-la sofrer outra vez! Fique bem longe! 

- Ela vai me perdoar! – Regina teve vontade de soca-lo até ele ficar inconsciente.

- Você se importa com algo além do seu traseiro? – tentou controlar a voz para não sair tão chocada quanto estava com as palavras dele.

- E você? Quando se importou? – ele sorriu, mas pareceu mais uma careta.

- Me recuso a discutir qualquer coisa com você. Não tem capacidade! – cuspiu as palavras, ele riu. – Quero você fora do meu escritório já!

- Isso não vai ficar assim! Eu sei bem mais sobre você do que pensa, Mills – ouviu ele dizer enquanto saía porta a fora rumo ao seu escritório.

Como se uma ameaça ridícula a afetasse. Robin não o faz ideia de com quem estava lidando.

Voltou a passos rápidos e duros até sua sala.

Agora tinha que cuidar de uma ruiva.

Se surpreendeu ao entrar na sala e ouvir a risada de Zelena, a ruiva estava sentada com as costas encostadas no sofá, o nariz e a boca ainda estavam avermelhadas devido ao choro, a risada saia anasalada, mas pelo menos ria. Olhou para Belle, seja lá o que ela tenha feito para distrair a ruiva, estava agradecida.

- Obrigada, Belle. – falou chamando a atenção das duas. A moça assentiu ficando em pé – Desmarque a reunião com Gold, ok? Vou levar a Zel para a casa e não volto mais hoje. – caminhou até sua mesa olhando os papéis sobre ela, o trabalho podia esperar, a ruiva era a prioridade agora, pegou a bolsa e as chaves do carro.

- Pode deixar. – virou para ruiva - Zel, qualquer coisa conte comigo. Fique bem, certo? – trocaram um olhar e Regina observou aquilo. Desde quando sua secretaria tinha intimidade para usar o “Zel”?

- Muito obrigada, Belle. – Zelena sorriu e elas ainda demoraram mais um pouco se olhando.

A moça saiu do transe indo direto para fora da sala. Regina observou Zelena, estava com uma expressão cabisbaixa e tristonha, mas melhor do que quando saiu e a deixou com Belle.

- O que foi isso? – Zelena olhou confusa para a morena – Esquece, vamos para casa. – Zelena sorriu e assentiu se aproximando e sendo envolvida pelo braço de Regina em seu ombro.

As duas caminharam até o elevador, Zelena ainda acenou para Belle que apenas deu um sorriso sem os dentes na direção delas.

- Sabia que ela é amiga da Emma? A Belle. – a ruiva falou assim que a porta do elevador fechou – Mundo pequeno.

A morena levantou um sobrancelha surpresa. Será que Belle sabia de algo sobre elas? 

 

Emma

 

Finalmente aquela semana infernal tinha chegado ao fim, tinha horas que a loira se arrependia de ter escolhido trabalhar com gente, as vezes as pessoas sabem ser bem desagradáveis. Pacientes que queriam que ela fizesse milagres, que a culpavam por qualquer coisa, que a xingavam... Duas vezes precisou que os seguranças ficassem em sua sala durante o atendimento essa semana. 

O hospital estava um caos de gente nessa sexta, sem falar que precisou ficar enfiada na emergência a manhã inteira porque o bendito médico tinha resolvido faltar sem nem dar explicações! Santa falta de responsabilidade das pessoas, as vezes se impressionava.

E o pior era que tinha passado a semana sem ver Regina, a morena até tentou, mas por algum motivo precisou adiar os encontros, demorava para responder as mensagens, disse que depois explicaria, mas a loira não se conformava. O que teria acontecido para tomar toda a atenção da morena?

Além disso haviam combinado o tal encontro com Zelena, iria finalmente começar a conhecer mais de sua morena, e Regina também adiou. Será que não queria mais levar aquela relação adiante? 

“Céus” pensou levando os dedos às têmporas.

- Dor de cabeça? – Ruby perguntou do outro lado da enfermaria com uma prancheta nas mãos, próxima à uma maca onde uma senhorinha estava deitada.

- Cansaço. – resmungou retirando os dedos e apoiando as mãos sobre o balcão – Não vejo a hora desse maldito dia acabar e eu poder ir para casa. – inspirou ouvindo seu pager apitar – Que inferno! – verificou a mensagem bufando.

- Eita, que mau humor. – a loira revirou os olhos para ela e agitou as mãos num gesto de impaciência – Viu? Assim que sou tratada. – falou para a senhorinha enquanto anotava algo na ficha da mesma, a velhinha riu.

Emma olhou no celular na esperança de Regina dar algum sinal de vida, nada. Suspirou pegando a ficha que Wolf estendia para  ela e colocou junto com as outras na mesa, pegou o monte de folhas e colocou dentro da caixinha.

- É a milésima vez que você olha esse celular e faz a mesma cara. Regina?

Emma assentiu caminhando junto com a morena de mechas longas para a porta.

- Ela praticamente desapareceu essa semana – passaram pela porta deixando ela se fechar sozinha.

- Sendo ela mesma? – Ruby cutucou e recebeu um olhar fuzilador.

- Não começa. – Emma suspirou – Quando você vai parar de implicar? – Ruby deu de ombros.

- Desculpa. Só fico preocupada... Você está aí toda irritada por causa dela.

- Não é só por ela. Essa semana também não ajudou! – Ruby concordou enfiando as mãos no jaleco.

Viraram no corredor onde se localizavam suas salas e Emma estranhou um garoto parado em frente à sua sala, segurando um buquê de rosas brancas, trocou um olhar com Ruby e seguiram até ele.

- Ei, está perdido? – o rapaz olhou para as duas, vestia um uniforme com o nome de uma floricultura.

- Conhecem Emma Swan? – perguntou olhando de uma para a outra. Emma franziu o cenho e levantou uma sobrancelha, flores para ela? Tá aí uma novidade, nunca havia recebido, pelo menos não que se lembrasse.

- Sou eu. – falou vendo o garoto parecer aliviado.

- São para você. De Regina Mills. – ele sorriu estendendo o buquê para ela.

Encarou as rosas com os olhos arregalados. Não conseguiu esconder o sorriso de orelha a orelha que surgiu em seu rosto, o coração acelerou e derreteu ao pegar as flores das mãos do rapaz.

- Obrigada. – agradeceu e ele assentiu deixando-as – Olhou para Ruby que também parecia surpresa, mas com uma expressão divertida nos olhos.

- Parece que morena gostosa se redimiu. Com louvor! – riu recebendo uma careta de Emma.

- Pare de chamá-la assim! Ainda tenho meu estetoscópio para enfiar na sua garganta! -  tentou manter o tom de voz de repreensão, mas estava tão encantada com o gesto de Regina que não funcionou. 

Ruby riu da cara de boba que Swan fazia.

- Eu vou te deixar curtir suas flores. Uma de nós tem que trabalhar – falou divertida fazendo Emma revirar os olhos e assentir.

A morena se afastou e Emma se enfiou dentro de sua sala sorrindo para as rosas. Ah, que aquela mulher era surpreendente! Ela aqui achando que Regina nem estava lembrando de sua existência!

Quando ia pegar o celular para enviar uma mensagem à morena notou o pequeno cartão no meio das flores. Depositou-as em cima da mesa e puxou o envelope sentando-se na cadeira enquanto o abria ansiosa.

A caligrafia milimetricamente desenhada de Regina saltou diante de seus olhos. Céus, tinha algo que essa mulher não fizesse perfeitamente bem?

“Para não dizer que não lhe concedo exceções, miss Swan.

Nunca, em toda a minha vida, enviei flores à alguém, e jamais pretendi. Mas para você abro a exceção destas, e de muitas outras que receberá.

Desculpa por estar meio ausente essa semana, sinto a falta que me faz consumir-me a cada segundo do dia. Jantar na minha casa amanhã? 

Regina Mills”

O coração iria sair pela boca. Essa mulher ainda iria lhe causar um infarto. Não conseguia nem sequer parar de sorrir. Toda a irritação, o cansaço ou qualquer outra coisa que estava sentindo desapareceu e se transformou numa sensação de euforia e bem estar.

Pegou o celular digitando uma mensagem para a morena

“Recebi as flores, nem consigo dizer o quanto me deixou feliz! Obrigada! ♡♡♡

E é claro que aceito jantar com você! Estou morrendo de saudade!”

A resposta não demorou mais do que alguns segundos, parecia que Regina estava esperando, pois assim que a mensagem de Emma entregou, apareceu a confirmação de leitura.

“Rosas brancas me lembram você.

Essas flores possuem vários significados, e cada um deles mais belo que o outro.

Representam sentimentos puros.  Representam o início e a simplicidade do amor. Expressam um recomeço, e com você eu recomeço Swan, todos os dias eu me perco e me encontro em você.”


Notas Finais


Postei e saí correndo!
Não me matem, ok?

Beijoooooooo ♡♡


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