História Shades of You - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Michael Fassbender
Personagens Michael Fassbender, Personagens Originais
Tags Aaron Taylor- Johnson, Alicia Vikander, Chris Evans, Evan Peters
Exibições 66
Palavras 4.112
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Obrigado pelos comentários e favoritos ♥
A fanfic será atualizada mensalmente.
Aproveitem a leitura!

Capítulo 2 - Café com Chantilly


Fanfic / Fanfiction Shades of You - Capítulo 2 - Café com Chantilly

Clarie

-O projeto funcionará da seguinte forma... – me debrucei sobre a cadeira enquanto ouvia o professor explicar mais um trabalho para apresentarmos.

Era a última aula do dia. Bocejei entediada e acendi o visor do celular. Eram 2:53pm, mais sete minutos até a saída. Olhei para a janela e o céu estava tomado de nuvens cinzentas. O sol não dava as caras ao povo inglês há dias. Por um lado eu curtia o clima londrino, mas às vezes chuva e neve demais me irritavam profundamente.

O prédio onde se concentravam os alunos da área de humanas era do lado norte de Cambridge – o lado sul era para o pessoal de exatas e biológicas. Nossa ala ficava em uma das melhores localizações, modéstia parte. As janelas situavam-se todas viradas para o lado de dentro da faculdade e isso possibilitava a visão do pátio central, de algumas quadras, de parte da piscina e bem ao fundo o nosso teatro. Quando a aula estava entediante demais eu ocupava meu tempo observando a encantadora vista que Cambridge me presenteava todos os dias.

Observei um grupo de alunos com o uniforme de futebol passar por entre os prédios, rindo e sorrindo, talvez comemorando alguma coisa. Um outro grupo encontrava-se sentado em um dos bancos do pátio central. Pessoas aleatórias andando sozinhas com livros apoiados entre os braços, bolsas laterais ou de costas, andando rápidas como se estivessem atrasadas ou com pressa para ir embora. Professores, alunos, coordenadores, funcionários... Cambridge nunca parava. Era fascinante.

O sono estava me matando. Meu organismo precisava de energia ou, melhor dizendo, eu precisava de cafeína. Eu já estava cansada de vir à faculdade todos os dias e não era nem meio do semestre. Acordar cedo, trabalhar e estudar até altas horas da noite estava me assassinando aos poucos. Já estava presa a essa rotina há um pouco mais de dois anos. O pior é que eu sentia que minha folga estava prestes a acabar. Meu chefe me atormentou a semana toda, mas sempre fingia estar ocupada demais para conversar com ele. Mensagens como “Estou no meio de uma apresentação importante”, “Tenho aula até às dez da noite”, “Estou presa na faculdade” inundaram o celular dele na última semana. Eu já estava preparada para o pior caso ele resolvesse desistir de mim.

– É um projeto social importantíssimo – continuou o professor – que deverá ser apresentado daqui um mês, na Semana Cultural de Cambridge. O regulamento para o trabalho está disponível no mural, ao lado do auditório, juntamente com a lista das duplas. Vocês sabem como as coisas funcionam aqui. Não há como ter dúvidas, está tudo esclarecido no regulamento, e aquele que infringir alguma regra terá seu projeto desclassificado. Sejam criativos e originais.

-Não podemos fazer nossas próprias duplas? – murmurou algum aluno parecendo irado com a ideia – Que ridículo, me sinto na quinta série.

-Pessoal, um aviso – o professor se pronunciou mais uma vez – as duplas foram sorteadas pelo computador e o sistema juntou os alunos do curso matutino e noturno, portanto, a sua dupla pode ser alguém de qualquer um desses horários. – o burburinho se espalhou pela sala e logo aquilo que era uma turma quieta, agora parecia um verdadeiro pandemônio – Vocês sabem muito bem que nada é facilitado aqui. Se vocês estão aqui é porque são os melhores! Nós acreditamos na capacidade de vocês. Não me decepcionem!

-Muito motivador Sr. Williams – sussurrei para mim mesma, mas parece que alguém tinha ouvido e começou a rir.

Que ótimo, fazer o projeto com alguém de um horário completamente diferente do seu só serviu para dificultar as coisas. Fiquei ansiosa para descobrir se tive o azar de pegar alguém do período noturno.

O sinal ecoou sobre nossos ouvidos simultaneamente com o ruído das cadeiras sendo arrastadas. Arrumei minha bolsa e esperei o transito de pessoas se acalmar antes de sair da sala.

Assim que havia espaço suficiente para caminhar pelos corredores eu corri para o auditório para conferir o mural com o regulamento e a lista das duplas. Aproximei-me do mesmo e rapidamente bati o olho no meu nome.

-Não acredito! – resmunguei baixinho. Farei dupla com Aaron Johnson, um aluno de jornalismo do curso noturno. Excelente, tudo o que eu não queria, aconteceu. Fiquei pensando em como vou contatá-lo, dai lembrei que existe Facebook. Tirei uma foto da lista de regras e da proposta do trabalho e logo sai.

Fora do prédio, o clima estava fresco e ameno, nada para ranger os dentes. Conferi o celular que sentira vibrando instantes antes. Era uma mensagem de uma das meninas. Nada importante. Julie e Melanie estudavam no mesmo período, só Aubrey que era da turma noturna, todas em cursos diferentes. A primeira Arquitetura, a segunda História e a terceira Artes Visuais. Esperei dar um tempinho até decidir que antes de voltar para casa iria passar numa cafeteria que tinha ali perto. Estava com fome e cansada, precisava de um café ou algo do tipo pra acordar.

A ida até o Starbucks foi rápida e silenciosa, uma vez que não encontrei meus fones na bolsa. Sorte a minha que a cafeteria fica bem perto da escola. Lá dentro estava quentinho e com cheirinho de cafeína. Enchi os pulmões com o ar agradável e entrei na fila. Fiquei observando as pessoas e dei de cara com a última pessoa do mundo que imaginava encontrar por lá. Virei o rosto imediatamente e tentei não encarar as mesas do lado direito da loja. Merda.

Não é como se eu tivesse ficado triste ou irritada. No fundo eu estava feliz, mas não queria admitir a mim mesma. Incapaz de me explicar naquele momento, resumiria minha reação em apenas uma palavra: surpresa. Tinha conhecido o cara há alguns dias, mais exatamente na última sexta... Ou seja, já ia fazer uma semana desde a primeira vez que nos encontramos.

Não vou mentir que hora ou outra me lembrava de seus olhos me encarando pesadamente, sua voz firme e rouca, sua postura autoritária e dócil ao mesmo tempo, sua gentileza, sua ousadia e seus comentários sobre mim.

Ele era estranhamente encantador, não podia negar. Mas ele me pareceu aqueles caras para apenas uma noite. Tenho certeza que nem mesmo a mais forte das correntes prenderiam esse homem a uma mesma mulher para mais uma dose de diversão.

É uma pena como homens bonitos são desprezíveis.

Ajeitei o cabelo e a blusa involuntariamente. Arrumei a mochila nas costas e mantive meus olhos atentos a enorme careca que estava bem a minha frente. Uma enorme esfera morena e lisinha. Tão lisa que jurava ter visto o meu reflexo nela. O cara denominado Charles, segundo ele mesmo, pagou seu café, seu muffin, uma saladinha de frutas e um cookie com cartão. Não é atoa que ele revela uma barriguinha nada sarada quando sai da fila.

-Boa tarde, o que vai querer? – perguntou a atendente com um sorriso enorme no rosto.

-Quero um cappuccino de chocolate com muito chantilly, por favor.

-Qual seu nome?

-Clarie – respondi. Paguei e peguei a notinha fiscal.

Ela sorriu enquanto entregava o papelzinho e logo gritou “Próximo”. Sentei em uma mesinha redonda pequena no canto esquerdo da cafeteria, bem longe da surpresa inusitada. Fiquei mexendo no celular para passar o tempo.

O observei através do smartphone. Parecia concentrado no que estava fazendo no notebook. A mão que coçava a barba por fazer foi para o teclado. Ele fitava a tela da máquina e a tela do celular ao mesmo tempo. Ficava exorbitantemente sexy enquanto o fazia. Ele se ergueu quando ouviu seu nome sendo chamado pela atendente sorridente.

-Seu cappuccino Sr. Fassbender. – A atendente entregou a bebida para ele sorrindo, claro. Ela ficou o encarando até ele sentar-se a mesa, parecia hipnotizada. De fato ele era bonito, alguém para ficar observando durante horas tentando memorizar seu rosto tão cheio de particularidades, que juntas o faziam assim: perfeito, com certa agressividade.

Não nos falamos nem nos vimos desde sexta, até porque me recusei a passar meu número de telefone. É eu sei, admito que foi muita sacanagem da minha parte. O cara foi gentil em me emprestar o casaco e em me levar até em casa... E ainda por cima o sujeito era bonito. Fazia o meu tipo, mas eu não estava a fim de me preocupar em dar atenção a novos amigos. Aubrey, Melanie e Julie já me davam muito trabalho. Além disso, provavelmente voltaria a trabalhar ou seria demitida – e estava quase certa disso graças às mensagens do meu chefe. Também estava me dedicando quase 100% às atividades da faculdade. Ou seja, não era um momento bom para me envolver com ninguém.

Não demorou muito até que um dos funcionários gritou meu nome através do balcão.

Caminhei até ele, peguei meu café e voltei para onde estava. Senti o líquido quente descendo pela garganta. Imediatamente uma sensação confortante tomou conta do meu corpo. Como quando o casaco do Michael me envolveu. Fiquei observando as pessoas do lado de fora através do vidro enquanto me deleitava com o gosto do chocolate e do chantilly juntos.

Senti meu celular vibrando no bolso e isso interrompeu todo aquele momento de filme dramático. Uma linda mensagem do meu chefe DE NOVO:

“Boa tarde Clarie. Gostaria que você comparecesse aqui no escritório na segunda-feira às 10:30 da manhã, já que não me ligou e nem respondeu minhas mensagens. Eu sei que você está na faculdade a essa hora, mas é o único horário disponível na minha agenda. Me desculpe, mas creio que prefere perder um dia de aula do que seu emprego, certo?”

Qualquer hora eu juro que meto a mão na cara desse filho da puta. É verdade que eu não quero perder meu emprego, mas também não posso perder um dia de aula, ainda mais as aulas de segunda que costumam ser as mais importantes. Devolvi o celular para o bolso antes que eu o jogasse contra a parede de vidro.

Fechei os olhos e respirei fundo para me acalmar.

-Está tudo bem? – rapidamente abri os olhos e ele já estava se ajeitando na cadeira vazia à minha frente, colocando a maleta, provavelmente com o computador, apoiada nas costas do assento e seu cappuccino na mesa. Como ele foi tão rápido? – Não está esperando alguém né?

-Oi Michael. – sorri simpática ignorando a segunda pergunta.

-Achei que você fosse sentar-se comigo assim que me viu.

-Não faria isso, parecia ocupado. – Eu não faria isso nem que ele estivesse sozinho segurando uma placa pedindo companhia. Apesar de acha-lo charmoso e bonito, nós éramos muito diferentes um do outro. E eu também não sabia se ele apreciava minha companhia, mas parece que sim, não é mesmo? – Não sabia que frequentava lugares como esse.

-Como cafeterias?

-Lugares populares. – tomei um gole do cappuccino – Você parece preferir bistrôs parisienses que deixariam qualquer um pobre depois de pedir um croissant e um cafezinho.

-Eu tenho uma cara de excêntrico desse nível? – ele riu apontando para o próprio rosto.

-Quase – repliquei sorrindo.

-Eu adoro aqui, passo boas tardes tomando um café e respondendo e-mails. Sou quase um cliente diário do Starbucks. – bebeu seu cappuccino.

-Então presumo que já tenha uma coleção de cartões fidelidade daqui.

-Verdade – bebeu um gole do cappuccino – E ai, você parecia entretida bebendo seu café – movimentou a cabeça indicando o copo em minha mão.

-Cappuccino... E sim, eu estava... Digamos que me acalmando.

-Espero não ter atrapalhado.

-Imagina – respondi enquanto tirava um fio encaracolado do rosto e colocava atrás da orelha. Ele me assistia sorrindo de canto. – Já faz uma semana, não é?

-Longa semana... Quer saber uma coisa? – murmurou com voz rouca.

-O que? – indaguei dando mais um gole no meu cappuccino.

-Não parei de pensar em você desde aquele dia...

Ele tem que parar de falar comigo desse jeito.

-Eu também não. – sussurrei um pouco tímida, um pouco presunçosa.

O tremor do celular no bolso me fez dar um pulo na cadeira. Era uma mensagem da Julie perguntando onde eu estava. Respondi rapidamente que estava voltando para casa sozinha. Era mentira, claro. Estava me divertindo bebendo o melhor cappuccino do mundo com ele.

-Alguma coisa importante? – pronunciou-se observando o conteúdo do copo.

-Não, era só minha amiga...

-Se precisar ir embora posso lhe dar uma carona se quiser.

-Quer se livrar de mim Sr. Fassbender? – o questionei sorrindo.

-Essa é a última coisa que quero.

Michael iria dizer alguma coisa quando seu telefone começou a tocar insistentemente.

-Com licença – ele virou o rosto e atendeu – O que houve? Não estou o ouvindo direito... Tudo bem, eu passo ai... Eu mandei um e-mail para ela faz pouco tempo, espere até ela responder a você, creio que não vá demorar muito, ela checa os seus e-mails de cinco em cinco minutos... Ok, tchau. – ele encerrou a ligação e colocou o aparelho no bolso da calça. – Desculpe, eu tenho que resolver umas coisas no escritório. – ele se levantou, pegou sua maleta e virou-se para mim – Quando nos veremos de novo?

-Nos vemos por ai – respondi imparcial.

-O que acha de sair para jantar? Hoje à noite. – podia quase sentir o cheiro da sua ansiedade pela resposta.

-Tenho aula amanhã cedo.

-Vamos, eu sei que você está com vontade sair, relaxar, beber um pouco talvez.

Hesitei um pouco, mas na verdade até que estava um pouco a fim de sair. Eu amo sair para jantar e Michael tinha acabado de me convidar para ir a um. Não seria uma má ideia jantar fora de casa numa noite de quinta feira.

-Tudo bem, me convenceu.

E ainda tive a audácia em dizer que não estava afim de novas amizades e também de me envolver com alguém. Quanta hipocrisia Clarie!

-Passo na sua casa às oito.

Sorri e ele me beijou na bochecha. Foi um beijo demorado demais, eu diria. Ele foi suave e delicado ao segurar meu rosto. Por um breve instante eu tive vontade de sentir seus lábios nos meus...

O que você está pensando querida? Pode parar por ai.

-Nos vemos mais tarde Clarie – ele piscou e saiu da loja em seguida.

Tomei mais um gole do cappuccino que já estava no fim e comecei a rir sozinha imaginando o nosso “encontro” de hoje à noite. Já me fizeram muitos convites para jantar antes, mas nenhum dos meus acompanhantes era como o Michael. Ou eram colegas da faculdade ou amigos dos meus colegas... ou seja, jovens, universitários que me levavam no cinema e depois no McDonald’s. Nada sofisticado, nenhum pouco na verdade, mas modesto e divertido o suficiente para mim.

Eu não sabia o que esperar dele. Ele se vestia e agia como um magnata dos negócios. Tinha a voz firme e, às vezes, soava como um ditador. Era sério, porém gracioso. O vi sorrindo algumas vezes e era contagiante, diferindo completamente a sua postura de capitalista influente. Comecei a pensar no quanto o tinha admirado em tão pouco tempo.

Olhei para o celular e já eram mais de quatro horas. Peguei minhas coisas, sai da cafeteria e corri para a estação de metro.

 

 

-Porque demorou tanto? – indagou Julie assim que entrei em casa. Ela estava deitada no sofá com os pés calçados tocando o estofado – Você disse que estava voltando...

- Tire os pés do meu sofá e, respondendo a sua pergunta, eu parei no Starbucks.

-Porque não avisou a gente, nós íamos com você – disse Melanie sentando-se na poltrona.

-Sei lá... – dei de ombros e ela me encarou – O que foi? – olhei séria para ela.

-Tem alguém envolvido nessa história Clarie? – arqueou as sobrancelhas sorrindo.

-Qual o nome dele? – Julie pegou seu celular na mesinha de centro.

-Porque vocês acham que tem alguém? Eu não posso tomar um café sozinha? – coloquei minha bolsa no chão e empurrei as pernas de Julie do estofado.

-Porque eu acho que ninguém demora uma hora pra pegar um café... e você entrou sorrindo.

Nem tinha reparado nisso. Que merda...

-Isso não significa nada.

Não era como se eu estivesse retraindo o que havia acontecido tanto no dia da festa quanto na cafeteria, mas eu simplesmente não queria contar a elas... Mesmo elas sendo minhas melhores amigas eu não me sentia 100% segura em falar alguma coisa sobre ele, eu só sabia seu nome!

Vou confessar que uma parte de mim que ama comer nunca se recusa a um jantar e a outra parte repensou sobre “novos amigos”. Desconsiderando todo o papo esquisito dele aquele dia, que para falar a verdade eu nem me lembro direito sobre o que foi, o Michael era um cara legal. Então porque recusar a amizade dele?

Porque minha Clarie interior às vezes me priva de certas emoções que a mulher adulta que habita em mim gostaria de viver e eu me odiava por isso. Ter duas personalidades diferentes morando em um só corpo não é uma tarefa fácil.

-Quem é? – insistiu Melanie.

-Quem é o que?

-Pare de dar uma de sonsa que a gente sabe que você não é! – sibilou Melanie claramente irritada.

-Ei! – a alertei – Se controle, ok? E vocês não o conhecem... – cedi a dizer.

-Nome, eu quero o nome dele! – disse Julie.

-Michael... Michael Fassbender. – disse direto ao ponto.

Elas se entreolharam pensativas.

-Esse nome não me é estranho. – pronunciou-se Melanie. Julie digitava algo no celular.

-Esse aqui? – disse Julie virando a tela do smartphone para mim. Havia uma foto dele estampando a tela do celular. Confirmei balançando a cabeça positivamente – Ele é um gato.

-Deixe-me ver uma coisa – peguei o celular da mão de Julie e observei a foto novamente. Como sempre estava deslumbrante. O terno, a gravata, o fundo acinzentado, seus olhar penetrante e sério... Tudo isso preenchia os meus olhos. Não sorria e também não demonstrava expressão alguma, estava completamente imparcial. Subi a tela e vi que era uma matéria de um jornal londrino sobre finanças e negócios. “As expectativas para o mercado imobiliário deste ano segundo Michael Fassbender”. Eu quem sou a futura jornalista e nunca vi nada dele em lugar nenhum. Talvez seja a única aparição dele em um jornal, mas era para eu saber disso.

-Além de gato é rico!

-Onde você o conheceu? – perguntou Melanie.

-Na festa de sexta.

-Ele estava lá? Não imagino esse cara numa festa. Ele me dá medo... mas é sexy.

Ele também me dá medo, mas é excitante.

Lembrei-me do convite que ele havia feito na cafeteria. Acendi o visor do celular e vi que já se passava das cinco e eu ainda precisava tomar banho, lavar o cabelo, arranjar uma roupa, me depilar...

-Meu Deus, tô atrasada! – peguei minha mochila no chão e corri para o quarto.

-Pra que? – gritou uma das meninas.

Joguei a mochila na cama e peguei uma toalha no closet.

-Vou sair com o gato rico – disse enquanto caminhava até o banheiro.

Despi-me rapidamente jogando todas as roupas no piso frio do banheiro. Liguei o chuveiro e pus o braço na corrente. Gelada. Esperei uns instantes até a temperatura ficar agradável e me joguei debaixo da água. Lavei meu cabelo, me depilei e usei um delicioso sabonete de pêssego que havia comprado há alguns dias para me lavar. Desliguei o chuveiro. Tirei o excesso de água dos cabelos com as mãos e o torci numa toalha própria, depois me enrolei no roupão e vesti os chinelos.

-Preciso de ajuda – disse enquanto saia do banheiro e ia para o quarto. Melanie imediatamente se levantou e me seguiu.

-Para...? – indagou entrando no quarto.

-Preciso de uma roupa emprestada. – joguei o roupão na cama relevando meu corpo nu para o grande espelho pregado na parede. Peguei uma calcinha e um sutiã qualquer e vesti ao mesmo tempo que me observava no espelho. O corpo esguio com poucas curvas, seios médios e uma bundinha modesta. Não diria que estava satisfeita com meu corpo porque não estava, mas ele já esteve bem pior então, para mim, estava tudo certo.

-Para onde você vai? – Melanie tocava e observava todas as peças penduradas no closet.

-Jantar.

Ela me fitou.

-E você está encanada com uma roupa para ir jantar? Você usa moletom e chinelo quando saímos para comer.

-Mas eu não vou jantar com vocês no Burger King, vou jantar com o cara dos negócios e tenho certeza que ele não vai me levar em um fast-food barato.

Ela apertou os lábios e arqueou as sobrancelhas como alguém faz quando está pensando. Ela virou-se novamente para o closet bagunçado e balançou a cabeça de um lado para o outro.

-Eu não vou encontrar nada interessante nesse seu armário esquisito – ela pegou uma blusa de manga curta preta estampada com a frase “Não me dê amor, me dê um livro” – Como quer arranjar namorado usando roupas assim?

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela pegou outra peça.

-“Escrito e dirigido por Quentin Tarantino”. Sério Clarie? Quando comprou isso? Quer dizer, quem deixou você comprar isso?

-Pare de ficar bagunçando as minhas roupas, estão organizadas por cor! E pare de julgá-las também, eu sei que você morre de vontade de ter um guarda-roupa criativo como o meu.

-Ah claro... – murmurou irônica – Vou dar uma olhada no que eu tenho.

-Preciso de uma roupa comportada, bonita e confortável... Nada de mini vestidos e sainhas rodadas, eu quero...

-Serve esse? – Melanie tinha trago um vestido preto de manga comprida que ia até a altura do joelho. Não havia decote na frente, mas em compensação atrás havia uma enorme abertura que ia até o cóccix. Parecia extremamente apertado, mas pelo menos o tamanho era agradável, não corria o risco de abaixar e alguém ver minha calcinha nada sexy de flores amarelas.

-Isso cabe em mim? Parece tão justo.

-Pelo amor de Deus né Clarie, é claro que cabe. Experimenta.

Parecia apertado, mas entrou como uma pluma. Olhei-me no espelho e, de repente, me vi incrível naquele pretinho básico. O vestido não pedia necessariamente o uso do sutiã, então dispensei o mesmo jogando-o na cama.

-Uau! – disse Julie entrando no quarto.

-Adorei, ficou lindo em você. – pronunciou Melanie.

-Obrigado meninas... Agora eu preciso de um sapato.

-Te empresto meu Louboutin, mas você tem que me prometer que vai cuidar bem dele.

-Louboutin? Aquele seu salto gigante de um metro?

-Não exagera! E sim, é o salto gigante.

-Não acho que seja uma boa ideia.

-Você não vai usar sapatilhas ou tênis com um tubinho maravilhoso igual a esse – falou Melanie.

-Arrisca ou não o Louboutin? – indagou Julie recostada no batente da porta.

-Arrisco – espero não me arrepender disso.

Bom, era de se esperar que o sapato fosse me incomodar. Era alto demais. Não o tirei, iria arriscar mesmo sabendo que poderia levar um tombo a qualquer momento. Odeio saltos com toda a minha força.

Sequei meu cabelo com o secador e penteei os fios ondulados. Pensei em fazer algum penteado para dar uma variada no visual sempre solto. Pedi a Julie que fizesse uma trança embutida, já que a mesma sempre o fazia em seus cabelos ruivos. Combinava muito bem com ela e pareceu combinar comigo também. Ela fez questão de bagunçar um pouco a parte da frente para que parecesse natural. Achei que fosse ficar um desastre, mas ficou ótimo.

Sapato no pé, vestido no corpo, uma clutch para combinar com o conjunto e maquiagem leve para disfarçar a rosácea. Estava pronta para jantar com um influente na área dos negócios imobiliários de Londres.

Jamais pensava que poderia evoluir de universitários para homens de alto cargo como o Michael. Era um progresso e tanto. E que veio de repente depois de uma simples conversa perto de uma fonte.

-O seu primeiro encontro – disse Julie com voz manhosa batendo palma. Senti certo tom de provocação em sua voz.

-Não é meu primeiro encontro – retruquei.

Não era nem o segundo, nem o terceiro, nem o quarto... Na verdade eu já tinha perdido a conta de quantos encontros eu já tinha ido na minha vida. Encontros eu posso dizer que já tinha ido a vários. Só que encontros não são nada de mais. Você passeia com um cara no parque e já pode chamar isso de encontro. E na maioria das vezes tinha sido isso mesmo. Um passeio, um sorvete ou um cachorro-quente e fim. Às vezes, nem um beijinho se quer rolava.

Mas algo me dizia que com o Michael seria um pouco diferente. A começar pelo fato de que não seria um passeio no parque ou no shopping e não iríamos comer cachorro quente. Não estava esperando algo grandioso porque desde pequena aprendi que essa é a pior forma de ilusão. Mas assim que descobri com o que o Michael se envolvia sabia que ele não me levaria a qualquer lugar de Londres que tinha o que comer.

Estava curiosa em saber para onde ele iria me levar.


Notas Finais


Vejo vocês nos comentários, beijos doces ♥


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