História Shadow - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 4
Palavras 1.660
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Uma declaração não planejada.


Estávamos aproveitando o sábado como sempre fazíamos. Assistindo um filme qualquer que o Paulo escolheu. Ele estava muito concentrado no filme, nem conversava.

De fato o filme era bem ágil, daquele tipo com perseguições e tiros para todo o lado. Mas agora estávamos em um momento mais calmo. Os protagonistas conseguiram escapar e estavam escondidos (em um lugar absurdamente lindo para um esconderijo, aliás) e começou o momento romance entre o mocinho e a mocinha. Eu nunca entendi por que filmes como esse que parecem tão violentos, tem pausas para beijo como essa. Quem gosta disso não vai gostar do resto do filme, não é?

-Se continuar com essa careta, a ruga na sua testa vai ser permanente. – Paulo disse já com seu tom de implicância. Em resposta só olhei para ele mostrando a língua. – O que tanto pensa?

-Que beijar deve ser muito bom, porque parece que todo filme tem que ter pausa pra cena do beijo. Mesmo filmes como esse com tiros a cada segundo. Simplesmente não faz sentido. – Ele riu, e voltou a olhar a TV. – Você já fez isso?

-Dar uma cambalhota enquanto atiro em três caras? Não, ainda não tentei. – Disse se referindo a cena no filme.

-É bom?

-Você é muito curioso sabia? – Ele disse sem desviar o olhar do filme. Eu não disse nada só continuei o encarando, esperando a resposta. – Sim, é bom. – Continuei o encarando. Ele suspirou. – Fala, o que exatamente você quer saber?

- Como é?

- Depende... a rigor são apenas duas bocas se encostando, mas o sentimento torna especial. Por isso se faz isso com alguém que se ama.

-Os personagens podem se amar, mas duvido que seja o mesmo com os atores.

-Curioso e chato sabia?

-Quem você beijou?

-Por que mesmo que você quer saber?

Bem nessa hora a campainha tocou. Nos dois olhamos na direção do portão ao mesmo tempo e ficamos dois segundos em silencio.

-Esperando alguém? – Perguntei me virando para olhar Paulo. Ele estava com a perfeita "cara de interrogação".

-Não. – Disse antes que eu sentasse, para que ele pudesse levantar (afinal é claro que eu estava deitado em seu colo). Foi até a porta e a abriu. – Clara?!

Paulo correu em direção ao portão já com a chave na mão. Eu me curvei o máximo que podia para ver, do sofá, o portão pelo vão da porta que Paulo esqueceu aberta. Clara estava parada sozinha, com o carro preto atravessado em frente ao portão. Ela segurava uma sacola, além da bolsa pequena. Falando em pequeno, faltou tecido quando estavam fazendo o vestido dela?

Levantei e fui para trás da porta, entreaberta, tentando ouvir o que eles diziam, mas sem ser visto.

-Oi! Eu... não sabia que você viria. – Paulo estava tão atrapalhado.

-Eu estava entediada e sozinha em casa. Lembrei de você e pensei se não gostaria de companhia para o jantar. Eu trouxe vinho.- Não gostei nem um pouco do tom que ela usou nessa fala, e espera ai, ela trouxe vinho?

Sai de trás da porta, me encostando no batente com os braços cruzados.

-Acontece que ele já tem companhia. – Disse um pouco mais alto que o necessário.

Clara me olhou com surpresa mas que logo virou desdém, enquanto ela me examinava da cabeça aos pés. Paulo se virou na minha direção com olhos ligeiramente arregalados.

-S-Shadow?

-Shadow? Esse não era o nome do seu gato? – Clara perguntou se virando para o meu dono, que pareceu entrar em pânico. Decidi ajuda-lo um pouquinho.

-Sim, e também é o meu apelido, por semelhança óbvia. – Disse me aproximando deles. – Agora se nos dá licença, estávamos assistindo um filme e você está atrapalhando. – Disse abraçando Paulo de lado, pela cintura.

-Shadow! – Ele disse com um misto de susto e repreensão em sua voz, enquanto tentava se desvencilhar do abraço (mas claro que eu não deixei). – Você não pode falar assim com ela!

-Por que? Não fui eu que apareci sem convite ou aviso. – Disse olhando para ele, tentando ignorar completamente a mulher que olhava atentamente cada detalhe da cena. Ele agora me olhava indignado.

-O que diabos deu em você?

-Jura que você não sabe?

Nessa hora Clara pigarreou, apenas para tentar ganhar alguma atenção. Aposto que ela é do tipo que não aguenta não ser o assunto da conversa. Paulo olhou para ela em seguida voltando o olhar para mim.

-Shadow, vai pra dentro. – Disse com seu tom autoritário, ao mesmo tempo que se soltou do meu abraço.

-O que? Tá brincando não é? – Minha vez de ficar indignado. Ele só continuou me encarando sério. – Eu não acredito que você vai fazer isso depois do que fez, ou melhor, deixou de fazer ontem!

Nenhuma resposta, apenas o olhar frio que ele só tinha quando eu passava dos limites. A última vez que o vi assim foi quando era um filhote e derrubei alguns porta-retratos da estante sem querer. Olhei dele para aquela mulher, que agora estava com um sorriso vitorioso e repleto de desdém. Eu estava furioso de novo, desde quando isso ficou tão frequente?

Olhei novamente para Paulo antes de sair dali praticamente batendo o pé. Quando entrei fechei a porta mas continuei encostado nela, para ouvir um pouco que seja da conversa.

-Quem era o cara com sotaque estranho? – Clara perguntou. Eu devo ter falado daquele jeito meio miando.

-Só um amigo meu. Está tendo uma reforma no apartamento dele, então ele veio passar uns dias aqui.

-Ah... ele é bem ciumento para um amigo não é? – Não entendi o tom dela, parecia um pouco o Paulo quando estava implicando comigo. Mas era menos amistoso, parecia uma alfinetada.

-Ele... me conhece a muito tempo. – Paulo estava claramente desconfortável.

-Bom, parece que ele não me quer aqui... o que acha de irmos a algum outro lugar?

Aquela voz... eu não precisava nem olhar para saber o quanto ela estava se insinuando para ele agora. Se ela encostar no meu dono...

Esse pensamento me deixou ainda mais irritado, sentia o meu rosto quente. Mas eu não podia fazer absolutamente nada, e definitivamente essa é a parte mais irritante e frustrante. Subi a escada correndo e entrei no quarto batendo a porta atrás de mim. Andava de um lado para o outro do quarto, me torturando com perguntas como “o que ele respondeu?”, “ele não vai sair com ela vai?”, “o que será que ela está fazendo? Se ele voltar com o cheiro dela, eu vou matar alguém”.

A verdade é que eu não podia fazer absolutamente nada. Eu tentei, esperneei, fiz o possível para ela ir embora. Deixei bem claro que Paulo é meu dono, e mesmo assim não adiantou nada. Ele me mandou entrar para conversar a sós com ela, foi quase o mesmo que escolher ela, e ela sabe muito bem disso.

Me joguei na cama tentando abafar os pensamentos com o travesseiro.

~~~.~~~

Não muito tempo depois do meu surto, Paulo abriu a porta do quarto. Se aproximou sentando na beirada da cama sem dizer nada. Nem o olhei.

-Shadow. – Chamou.

-Não se preocupe comigo, pode ficar a vontade com ela lá em baixo. Não vou sair do quarto. Aliás pode sair com ela também, to acostumado a ficar sozinho. – Tive a impressão que ele quase riu com isso.

-Vaidoso, curioso e dramático... uau. – Fez uma pausa, provavelmente esperando alguma reação minha. Que não veio. - Ela já foi embora. Eu disse que estava ocupado e ela foi embora.

-O que? – Disse finalmente o olhando surpreso. – Você mandou ela embora?

-Por que tanta surpresa? – Perguntou. Virei o rosto para não ter que encara-lo.

-Eu sei que você gosta dela... você já deixou isso bem claro. – Disse em um tom ressentido.

-Tanto assim? – Assenti tristonho. Senti a mão de Paulo no meu cabelo, começando um leve carinho. – Entendi. Por isso você fica tão estranho quando ela aparece.

-Por que você mandou ela embora? Você brigou comigo quando eu tentei fazer isso.

-Te repreendi porque você estava sendo mal educado com ela. Sabe, eu simplesmente não queria ter visita hoje. E eu odeio te ver assim.

Espera, então isso quer dizer que ele me escolheu? No fim das contas ele escolheu ficar comigo e mandar ela embora? Me peguei sorrindo com esse pensamento. Virei abraçando Paulo pela cintura, com um pouco mais de força que o necessário. Ele riu e voltou a me fazer carinho.

-Paulo... o que eu sou para você? – Perguntei mesmo que me repetindo.

-É a segunda vez que você me pergunta isso... o que foi Shadow? O que está te preocupando? - Disse parecendo realmente preocupado.

-É que... você disse pra Clara que eu era só um amigo mas... Eu não te vejo assim. Você é meu dono.

-Shadow, agora você é humano. Você não tem dono.

- Não diga isso! – Disse desfazendo o abraço e sentando para poder olhar em seus olhos. Eu estava quase desesperado, o que assustou ele. – Você é meu dono, e isso é muito especial para mim. Você sabe o quanto isso significa? – Não dei tempo para ele responder, só continuei falando rápido e alto. – Você é minha família, e você também é meu melhor amigo. Você é a única pessoa que eu tenho no mundo! Você é meu dono, você me adotou, me escolheu para ser sua família e amigo. Eu não tenho como dizer isso de outro jeito. Você é muito mais do que um amigo para mim, e você é minha família mas eu definitivamente não te vejo como um pai ou um irmão. Você é especial para mim, você é meu dono... Por favor, nunca diga o contrario, nunca. – Na última frase eu senti duas lágrimas teimosas escorrerem pelo rosto. Paulo me olhava ainda mais assustado.

Me abraçou, como nunca tinha feito antes. Nos segurávamos forte, como se um estive com medo que se soltasse o outro desapareceria. Ficamos um bom tempo assim, sem dizer uma palavra, não precisávamos delas. Tudo o que sentíamos era dito naquele abraço.



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