História Shadow - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 9
Palavras 1.768
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Chegamos ao penúltimo capítulo! Espero que gostem. (E espero que alguém leia no fim das contas)
Beijos!

Capítulo 8 - Balanço


Passamos mais um tempo no quarto, ambos tentando absorver toda aquela declaração. Eu definitivamente precisava me acalmar. Estava tão abalado que acabei falando demais, porém tudo que disse é verdade. Paulo é meu dono, e isso é realmente muito importante para mim. De certa forma isso é tudo que eu tenho. Se Paulo não fosse meu dono eu não moraria aqui, não teria nada da vida que eu conheço, e eu definitivamente não seria humano agora. Me transformei por ele, deixei de ser um gato (absurdamente lindo se me permite dizer) para poder falar com ele, e agora falei até demais. Porém eu precisava dizer o quando ele é importante para mim. Ele precisava saber.

Demorou um pouco, mas o clima pareceu voltar ao normal. Permitindo que seguíssemos a rotina novamente. Mesmo assim, Paulo não estava sorrindo tanto como o de costume. Ele estava pensativo, pensativo demais.

Estávamos jantando em silêncio, os únicos sons eram os talheres batendo no prato. Isso estava me deixando louco.

-Paulo? – Chamei hesitante. Ele me olhou como se tivesse acabado de acordar. – Está tudo bem?

-Sim, claro. Por quê?

-Porque eu nunca te vi tão quieto...

-Ah! Só estava pensando, foi mal. – Respondeu sorrindo, já era um grande avanço.

Bastou isso para que voltássemos a conversar como o de costume, e isso foi realmente muito estranho. Porém se não voltasse a acontecer, por mim tudo bem. Depois do jantar fomos lavar a louça como sempre. Eu finalmente tinha aprendido onde guardar o que na cozinha.

-Ei, ontem você disse que queria um balanço não é? – Perguntou, do simples nada.

-Sim... Por que? – Perguntei, estranhando ele ter puxado esse assunto. Afinal ele não pareceu dar muita atenção quando eu disse isso ontem.

-O que acha de irmos comprar um amanhã? – Perguntou sorrido para mim.

-Sério?

-Sim, se você quiser.

-Aceito! – Respondi já empolgado com a ideia, afinal, era algo novo.

~~~.~~~

Assim que terminamos de almoçar no domingo, fomos comprar o balanço. Eu estava feliz por sair de casa, já que isso era bem raro.

Passamos em várias lojas antes de finalmente encontra uma que vendesse balanço, já que Paulo não tinha ideia de que tipo de loja venderia um balanço. Mas acabamos encontrando uma loja pequena de brinquedos simples, a maioria feito de madeira. Perguntamos para uma senhora, já de cabelos brancos e muito simpática que cuidava do caixa, se eles vendiam balanços. Por sorte eles tinham dois de madeira e corda, um vermelho e o outro amarelo. Escolhemos o vermelho.

A senhora foi buscar uma escada para pegar o balaço, já que ele ficava em um prateleira um pouco alta. Porém Paulo vez questão de subir no lugar dela, afinal e se ela caísse? Nisso conversamos um pouco com a senhora, e descobrimos que na verdade ela e o marido eram os donos da loja. Ele que fazia a maioria dos brinquedos e ela pintava para que fossem para a loja. Ela ficou contando sobre a loja, os brinquedos, e também sobre ela e o marido enquanto ia até o caixa, sem a menor pressa. Foi até um pouco engraçado.

-É para o seu filho? – Perguntou sorridente, fazendo uma pausa nas historia, enquanto Paulo pagava o balanço.

-Ah, não... na verdade é para ele. – Paulo respondeu, apontando para mim.

-Ah! Entendi. Desculpe é que nossos clientes normalmente são pais procurando um presente da infância deles para os filhos. – Ela disse sorrindo e contando o troco, com toda a calma do mundo. – Vocês moram juntos?

-Sim. – Respondi simples.

-Entendo... vocês ficam bem juntos, combinam.

Na mesma hora que Paulo dizia um “o que?” assustado eu respondia um “obrigado” sorrindo. A senhora pareceu nem ouvir a resposta de Paulo, continuou contando historias. Que dessa vez eram sobre o filho dela, que nunca tinha encontrado um namorado com quem desse certo. Para a sorte de Paulo, que parecia não estar com vontade de ouvir mais historias, a senhora logo pegou o troco e entregou o balanço para que pudéssemos ir.

~~~.~~~

Logo que chegamos em casa já fomos montar o balanço. Ele conferiu o melhor galho da árvore para colocar o balanço, enquanto eu passava a corda pelos buracos na madeira.

-Ok, acho que esse aqui vai servir. – Disse apontando um galho bem grosso. – Acabou ai?

-Sim, tudo certo. – Respondi mostrando o balanço para ele.

-Tudo bem. Então agora é só eu lembrar onde guardei a escada. – Disse já olhando pelo jardim.

-Pra que escada?

-Para pendurar o balanço ué. O galho não é tão alto assim, mas nenhum de nos vai alcançar para dar os nós daqui. – Eu só pude rir dessa.

-Paulo, eu passo cinco dias por semana em cima dessa árvore. Você realmente acha que precisamos de escada? – Ele abriu a boca para protestar, mas eu não dei a chance ainda. – Basta você segurar ele na altura certa. Eu subo com a corda, ajusto até ela ficar esticada e dou os nós.

-Você vai se segurar na árvore sem usar as mãos? Nem pensar! Você não vai se machucar só para colocar um balanço.

-Paulo eu já até cochilei em cima dessa árvore antes. E nunca cai dela. – Disse já quase rindo de novo.

-Você dormiu ali em cima?!

-E não aconteceu nada. Confie em mim, eu era um gato. – Respondi, admito, me achando um pouquinho, mas com razão. E ainda pisquei para ele no final.

-Gatos são conhecidos por ficar presos em árvores...

-Então pelo menos eu não vou cair, não é? – Disse provocando. – Anda, vem logo me ajudar.

Acabamos fazendo do meu jeito. Enquanto estava lá em cima, a preocupação de Paulo era do mesmo tamanho que a minha calma. Em pouco tempo acabamos, sem nenhum imprevisto.

-Eu não disse? Você precisa confiar mais em mim. – Eu disse ainda na árvore, deitado no galho usando as mãos apenas como travesseiro e sorrindo para Paulo.

-Eu confio em você. Mas também me preocupo com você, não quero se ver machucado. – Ele respondeu ainda parecendo nervoso com a situação. – Agora, por favor, desce dai. Você está parecendo aquele gato de “Alice no país das maravilhas”.

-Isso foi um elogio? – Disse rindo, antes de me pendurar de ponta cabeça, me segurando apenas com as pernas no galho.

-Shadow! Para com isso, desce dai. – Paulo disse agora quase em pânico.

-Ok, calma. – Não esperava preocupa-lo tanto.

Voltei para o galho, e comecei a descer da árvore. Paulo estava seguindo meus movimentos, ficando sempre perto, como se esperasse que eu caísse a qualquer minuto. Isso me deu uma ideia.

Quando já estava quase no chão, simplesmente abri os braços e me inclinei para trás, caindo de olhos fechados. Porém como o esperado, não cheguei a cair no chão, Paulo me segurou. Abri os olhos vendo os dele bem de perto, ele me abraçava pelas costas, e estava agora ajoelhado na grama.

-Você está bem? – Perguntou assustado.

-Sim, está tudo bem. – Sorri. – É por isso que não tenho medo de cair. Sei que você está aqui para me segurar.

Por um segundo vi um brilho diferente no olhar dele. A preocupação até pareceu sumir por enquanto, e ele sorriu.

-Você não precisava cair para comprovar a teoria. – Paulo respondeu, com um leve tom de repreensão na voz, mas ainda sorrindo.

-Verdade, mas assim fica mais divertido. – Disse, sorrindo travesso.

Ele riu, e levou uma mão ao meu cabelo, começando um carinho. Fiz questão de manter nossos olhos conectados. Nos raramente ficávamos tão próximos, e eu realmente gostava disso. Mas infelizmente Paulo parecia não gostar tanto quanto eu.

-E então, vai experimentar o balanço? –Perguntou acabando com o meu momento.

-Claro! – Respondi animado, apesar de preferir continuar ali naquele carinho. Me levantei, indo até o balanço. Assim que sentei, tive uma nova ideia. – Me empurra?

-Sério? – Assenti. Ele suspirou e se aproximou. – Eu devia te mimar menos, você já está até parecendo criança.

-Então não empurra. – Disse fazendo biquinho. Ele riu, e veio para trás de mim.

-Preparado?

-Sim!

-Certeza?

-Sim.

-Mesmo?

-Vai logo. – Disse frustrado, o fazendo rir novamente antes de dar o primeiro empurrão.

E não é que aquilo era divertido mesmo? Bem mais legal do que eu imaginava. Sentir o vento no meu rosto durante a subida era incrível. Eu fechava os olhos para aproveitar a sensação, mas ao mesmo tempo era tão engraçado ver as coisas “correndo” quando eu passava.

-Então, aprovado o balanço? – Perguntou logo antes de me empurrar de volta.

-Com louvor. – Respondi quando cheguei novamente nele, inclinando a cabeça para trás para olha-lo. Ambos rimos

Paulo, aos poucos foi aumentando a velocidade, conforme percebia que eu estava gostando. Não tenho ideia de quanto tempo ficamos nisso.

-Shadow, estou ficando cansado. Vamos parar um pouco, ok? – Avisou logo antes de me empurrar.

-Já? – Perguntei no caminho.

-Ei, eu que estou fazendo a parte difícil. Mas se você quiser pode continuar sozinho.

-Tudo bem. - Disse quando cheguei nele, novamente jogando mim cabeça para trás, o olhando.

Ele me empurrou uma última vez e se afastou, aproveitei o embalo.

-Vou pegar alguma coisa para beber, quer algo?

-Aceito.

-O que?

-O mesmo que você. – Respondi e logo ele entrou.

Quando ele voltou eu parei o balanço, mas continuei sentado nele. Paulo me entregou o copo e se sentou do meu lado, na grama. O céu estava alaranjado, o sol já devia estar se pondo.

-Caramba, passamos praticamente a tarde toda aqui. – Constatei em voz alta, depois bebendo um gole do meu suco.

-Verdade. Pelo menos a parte da tarde que não estávamos descobrindo a historia da família daquela doce velhinha. – Ambos rimos.

Ficamos apenas sentados ali, tomando suco e olhando o céu. Eu balançava de forma quase imperceptível. Gostava das cores no céu, e era a primeira vez que via esse espetáculo com Paulo ao meu lado. Quando ele estava em casa ficávamos o tempo todo lá dentro afinal.

Olhei para Paulo, e me surpreendi ao ver que ele me olhava. Ele estava pensativo, mas logo que nossos olhos se encontraram ele sorriu, assim como eu.

-No que está pensando? – Perguntei curioso.

-Nada, só que eu devia estar com uma câmera agora. – Ele respondeu aumentando o sorriso. Eu não entendi direito o que ele quis dizer. – Aliás, ainda não temos nenhuma foto sua como humano, não é?

-Verdade.

-Vou pegar a câmera. Não se mexa! – Disse já correndo para dentro.

Logo ele voltou animado. Se ajoelhou perto de onde estava antes, e me deu instruções para a pose. Eu obedecia, mas aquilo estava me dando vontade de rir.

Depois da seção de fotos nos entramos. Paulo já começou a escolher de qual dos porta-retratos ele trocaria a foto, para uma das novas.



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