História Shadownie - Capítulo 3


Escrita por: ß

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Mary, Marys, Originais, Personagens Originais, Shadownie, Yuri
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Palavras 1.953
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo III


Sofia Wilkes, em sua verdadeira forma, vagava pelas ruas escuras da cidade, sentindo o ar gélido da noite bater contra seu corpo esguio. Seus grandes olhos brilhavam entre o breu da escuridão e os cabelos mais escuros criavam uma cortina flutuante sobre suas costas. Seus pés não tocavam o chão devido à grande quantidade de escuridão sobre a noite – seria fácil se camuflar caso alguém viesse em sua direção.

Perdida em pensamentos, tentando-a aliviar de tantos problemas cotidianos, fora despertada pelo barulho de saltos altos colidindo com o concreto da calçada. Espantou-se ao ver uma figura ser arrastada a força para um beco escuro. Curiosa do jeito que era, camuflou-se entre a escuridão da rua e aproximou-se do beco, espiando a confusão que ali ocorreria.

Algo se remexeu dentro de si ao reconhecer os cachos tão familiares e bem cuidados de Sarah McKorn. Sofia esgueirou-se pela escuridão, vendo a figura de um homem alto segura-la pelo pulso com força, marcando-a. O homem parecia-lhe sussurrar palavras indecentes no silêncio da noite, e tudo o que a jovem poderia fazer no momento era debater-se para escapar da ameaça que pairava sobre sua pessoa.

Sofia não soube ao certo o que sentira no momento – relacionava a algo como raiva –, e muito menos de onde tirara coragem o suficiente para intervir; ou ela o fazia ou Sarah seria a vítima. Mesclou-se às sombras, juntando-se a elas e deixando que sua imagem desaparecesse por breves minutos; rastejou pelo chão até postar-se entre os dois corpos, impulsionando-se para cima e aparecendo à frente do agressor de sua paixão.

O homem assustou-se ao observar os grandes olhos que o encaravam com frieza, à noite misturando-se ao rosto preto da criatura. Soltou-se da jovem McKorn quando a figura flutuou pelo ar em sua direção. Tropeçou nos próprios pés com o medo da aparição sobrenatural, e disparou pelas ruas com medo. A jovem Shadownie virou-se para encarar Sarah, que igualmente estava surpresa e perturbada com a criatura a sua frente.

Sofia aproximou-se de Sarah, curvando-se no ar para que seus rostos ficassem pertos. McKorn prendeu a respiração por breves segundos.

– Vem comigo – a voz ressoou pela noite como sinos que se pendem à noite. Sarah estranhou o fato de o som ter saído já que a criatura em si parecia não possuir uma boca. A mão escura de Sofia pegou a de Sarah e, junto de si, arrastou-a pelas sombras para longe dali, em uma velocidade moderada para que a humana conseguisse acompanhar.

Correram – em si, Sarah correu enquanto a Shadownie flutuava pelo ar – até a próxima quadra, onde Sofia considerava ser um bom local, e dobraram a um pequeno e curto beco sem saída ao lado de uma confeitaria; ao fundo, localizava-se uma grande parede de tijolos e duas latas de lixo. A jovem Wilkes soltou a mão de Sarah, virando-se para ver a mesma estava bem, mas em vez de conseguir pronunciar algo, a bolsa de couro preto da mesma voou em sua direção, atingindo-a e fazendo com que sua cabeça fosse ao lado com o impacto.

Sofia estava passada com aquilo.

– Saia de perto de mim! – Sarah estava mais do que assustada, e sua bolsa movendo-se na intenção de acertar Sofia comprovava isso. A Shadownie esquivava-se  agora que estava ciente do ataque.

– Por favor, mantenha a calma – pedia com calma para então desviar de mais um ataque. Sofia moveu-se à frente e agarrou os pulsos de Sarah, deixando que seus pés tocassem o chão para que sua verdadeira forma tremulasse e deixa-se que sua imagem humana tomasse lugar. Sarah arregalou os olhos e parou de se debater, encarando os orbes castanhos de Sofia Wilkes. – Meu Deus, Sarah, mantenha a calma!

– So... Sofia? – Sarah perguntou atordoada, piscando algumas vezes e olhando intensamente para a jovem ruiva. Sofia simplesmente tombou a cabeça de lado e sorriu nervosamente, soltando os pulsos de Sarah e afastando-se da mesma. A jovem McKorn piscava, tentando acreditar no que acabara de ver.

A imagem humana tremulou para dar lugar a imagem da jovem Shadownie, que olhava-a agora em silêncio com seus grandes olhos.

– Surpresa! – Sofia tentou amenizar o ar tenso entre ambas jovens, mas de nada adiantara. Os cabelos ruivos escurecidos voaram com o vento da noite. – Eu suponho que você ainda está surpresa...

– Mas que diabos, Wilkes! – Sarah explodiu, colocando uma das mãos na testa, como se conferisse que não estivesse com febre e tudo não passasse de uma simples alucinação; mas ao dar-se um beliscão, a imagem da criatura ainda postava-se a sua frente – criatura esta que era sua colega de classe. – O que é isso? Um truque de mágica, ou uma brincadeira de mau gosto?

– Por favor, mantenha a calma – a Shadownie falou com o tom de voz calmo, aproximando-se um pouco como se pedisse que a outra fosse sigilosa. – Eu não posso deixar que me vejam desse jeito.

– Porque não? – Sarah ainda queria explicações.

– Porque sou um Shadownie, e Shadownies, pelo o que sei, muitas vezes não são muito bem vistos por vocês, humanos.

A frase deixou a jovem McKorn mais tonta do que antes. Sofia era humana, não era? Até cedo do dia a vira com os cabelos ruivos rebeldes soltos, o casaco vestido apenas de um lado juntamente com a regata branca e os shorts verdes claro. A meia listrada em preto e branco em uma perna e a luva igualmente em uma parte; as botas de cano alto que tanto se a um tênis da cor azul, e os olhos castanhos sempre atentos nas aulas.

Como a imagem exótica daquela humana fora agora alterada para aquele ser de pele clara, com o rosto e o pescoço em preto, braços e pernas decorados com a escuridão, os cabelos ruivos escurecidos com os grandes olhos – como?

– Você é um o que?

Sofia viu-se presa na situação, onde deveria explicar o que era para sua paixão – estava com o coração disparado, mas o medo de que algum Shadownie descobrisse que revelara sua identidade pesava em sua consciência.

– Um Shadownie, Sarah. Você provavelmente nunca ouviu falar de minha raça, pois não há registros nos livros de história nem em sites de respostas – somos uma mera lenda para aqueles que realmente pesquisam a fundo. Você vê – a jovem Wilkes explocava enquanto movia as mãos de uma forma lenta, esperando que sua explicação fizesse sentindo à sua paixão. –, Shadownies foram os primeiros seres a pisarem em solo fértil. Somos feitos à partir da escuridão, e isso é uma grande vantagem para nós, aumenta nosso tempo de vida e algo mais relacionado a nosso DNA.

– Eu não consigo acreditar – Sarah pensou em voz alta. – Quer dizer que agora há semelhantes de você por toda a parte, e eu não sei?

– Quem me dera que fosse assim! Nos primórdios, os Shadownies viram que não conseguiriam interagir com os primeiros humanos, visto que mesmo que ainda estivessem em desenvolvimento, os veriam como inimigos. Quando ocorreu enfim a chance de nos enturmamos, nosso DNA mostrou-se incompatível com o de vocês, e para que a linhagem continuasse, tiveram que ir a meios alternativos – Sofia fez uma breve pausa antes de continuar. – Criou-se uma profecia, que dizia que a primeira criança que nascesse em dia de lua cheia seria um Shadownie.

– E por mera coincidência, você nasceu em um dia de lua cheia – Sarah terminou, agora com os olhos brilhando.

Sofia sentiu-se intimidada com o olhar – o caso de mais cedo do jovem Shadownie, vítima de agressão por um mero desentendimento e superstição, passou-lhe pela cabeça como um aviso. Sarah poderia aparentar estar encantada com a explicação, mas quem lhe garantia seus pensamentos? Poderia muito bem bater-lhe com a bolsa novamente!

– Você... você não acha isso estranho? – a jovem Wilkes perguntou um pouco hesitante.

A jovem McKorn repassou a explicação, analisando a forma de Sofia de acima a baixo. Ainda estava no estado de choque, sua ficha ainda não havia caído, mas ver como aquelas criaturas enturmaram-se em meio a tantas civilizações lhe parecia como um conto de fadas, um mito que se tornava verdade.

– Não vou mentir, Wilkes, isso é muito estranho e eu ainda estou surpresa – respirou fundo antes de prosseguir, medindo suas palavras para que nenhuma confusão se armasse ali. – Mas não posso me esquecer do fato de que você, sendo humana ou não, me ajudou.

A respiração de Sofia travou naquele momento.

– Obrigada Wilkes, estou em dívida com você.

Sofia sentiu sua escuridão remexer-se em seu corpo e as bochechas ampliarem-se enquanto um sorriso um pouco macabro, formado por pequenos detalhes brancos com espaços negros do rosto entre si, apareceu no rosto magro. Sarah afastou-se ao ver aquilo, mas seria mais lógico permanecer ao lado de um ser místico do que correr o perigo de trombar com outro que lhe desejasse o mal.

Percebeu o olhar chocado e logo tratou de desfazer o sorriso, mesmo que ainda sentisse seu coração bater contra seu peito. Olhou brevemente para o céu, vendo que o céu negro inclinava-se para o lado, dando lugar as belas estrelas – não deveria passar das onze da noite.

– Estava indo para casa?

– Ah – Sarah despertou com a pergunta inusitada. – Sim, eu estava voltando da casa da minha avó quando... bem, você estava lá.

Sofia ainda sentia-se inquieta com o ocorrido de mais cedo. Não percebeu quando sua voz ressoou pelo ar silencioso do pequeno beco sem saída.

– Eu te acompanho até em casa.

– Sem necessidades – a jovem McKorn entreviu, rindo suavemente – e aquele se tornou o som mais belo para Sofia. – Não quero lhe tirar do seu caminho para casa.

– Na verdade, eu moro perto daqui.

– Coincidentemente, eu também.

A jovem Wilkes fez questão de continuar com sua forma enquanto acompanhava-a até o local pretendido, mantendo a jovem Sarah atualizada um pouco da história de sua raça. Sarah continuava surpresa, a ficha enfim lhe caíra, mas a história lhe atraia a mais perguntas. Nunca em sua vida pensou que se aproximaria de Sofia, mesmo que percebesse os olhares da mesma que eram lançados para si.

Sofia permitiu-se cuidar até que Sarah entrasse em segurança na grande e vantajosa mansão – e para sua realização, sua paixão morava a apenas quatro quadras de sua casa!

– Oh Deus, preciso contar para o Mr. Brown! – comentou com alegria quando se misturou às sombras e seguia em direção a sua casa.

. . . .

E o arrependimento de ter saído de casa à noite bateu em sua cabeça no dia seguinte. Com olheiras embaixo dos olhos e o rosto amassado de sono em consequência de se virar tanto na cama enquanto memórias da noite lhe visitavam durante o sono. Quando começara a aula de matemática, Sofia cruzou os braços sobre a mesa e deitou a cabeça sobre os mesmos, não demorando muito para adormecer.

Por sua sorte, ocultava-se atrás de um dos estudantes da sala conhecido por sua altura, que em ocasiões tapava a imagem de quem sentava atrás de si – e Sofia nunca vira uma oportunidade tão perfeita quanto o primeiro período e inicio do segundo, quando alguém lhe cutucou no braço e avisar que a professora passava pelas mesas para ver as atividades.

Sarah, entretanto, ficava lançando olhares constantes à Sofia, que agora mais ou menos descansada, iniciava as atividades. A noite fora perturbada para si, com tantas explicações e acontecimentos rolando por seus pensamentos durante um bom tempo.

Lotte, percebendo a mudança repentina da outra, aproximou-se da mesma, jogando charme com a maior inocência.

– Você está distraída hoje, Sarah! – a voz melosa da outra chamou-lhe a atenção. – Aconteceu alguma coisa?

– Não precisa se preocupar comigo – Sarah simplesmente respondeu, olhando discretamente para a ruiva no fundo da sala, que perguntava com entusiasmo à professora para disfarçar que perdera uma boa parte da explicação da matéria.



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