História Shadowplay. - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias 5 Seconds Of Summer
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Luke Hemmings, Michael Clifford
Exibições 292
Palavras 4.394
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, meninas! Tudo bom? shakskajhsakj
Eu sei, eu sei! Demorei, mas cheguei o/
Esse capítulo demorou quase um mês para ficar pronto e eu estou feliz com o resultado dele, pois queria trazer algo duradouro e também, impactante para vocês.
A história esta começando a ganhar uma forma! Yes!!
Espero que gostem.
Boa leitura <3

Leiam ouvindo: Sirens - Pearl Jam.

Capítulo 18 - Into The Woods.


Fanfic / Fanfiction Shadowplay. - Capítulo 18 - Into The Woods.

8:45 AM; PINE HILLS HIGH SCHOOL

– Odeio o baile de inverno – disse Ashton fazendo uma careta engraçada.

– Por que? – perguntei guardando meu caderno no armário e fechando o mesmo logo em seguida – Qual é o problema? 

– Sei lá – confessou e eu sorri fraco – É até que legal, você pode passar a noite com quem quiser e com quantas quiser. Se é que me entende.

– Vocês meninos, são todos nojentos. 

– Esse era o lema do Hemmings antes de você chegar – ele disse e me olhou como se estivesse sorrindo com seus pequenos olhinhos verdes – Você realmente laçou o garoto.

Revirei os olhos. Mesmo que tentássemos esconder nossos encontros, eu e Luke não saíamos da mira dos nossos amigos. A maioria das garotas do grupo de líder de torcidas me olhavam feio, pelo fato de Luke me lançar um olhar pelo corredor. Aquele olhar. Mas nunca fui de me importar o que as pessoas estavam dizendo sobre nós. 

– Cala a boca – disse, um pouco desconfortável.

– Eu só estou brincando, Sam – Ashton disse e sorriu para mim – Ei, você irá nos ver tocar hoje no Bronze?

– Vou. Zoe está louca para ir – eu falei – Acho que Michael realmente laçou ela.

Ashton deu risada ao meu lado. Após passar pelo corredor lotado de alunos bem agasalhados e também por panfletos de anúncio do show dos meninos hoje no Bronze. Eu estava animada para ir. Fazia muito tempo que não voltava naquele lugar. Não desde que me encontrei com Riley para conversar sobre o meu pai, o qual havia me ligado todos os dias já que ainda estava em Sydney. 

Nós tínhamos aula de matemática agora. Ashton era um ano avançado, mas ainda faria fazendo a recuperação até o final deste ano. 
Peguei minha mochila e coloquei em cima da minha mesa, não havia reparado que o livro Os Poemas Completos ainda estava lá. Vi que Ashton olhou de relance para ele e logo voltou seu rosto para frente. Peguei meu material e joguei a mochila no chão. Respirei fundo e nós ficamos em silêncio por um tempo.

Por um súbito momento, peguei minha mochila novamente e tirei de lá o livro. Coloquei o objeto na frente do rosto de Ashton, que olhou para mim assustado. 

– O que tem de tão especial nesse livro? – perguntei.

– O que? – ele perguntou, parecendo confuso.

– Esse livro – o folheei, enquanto tomava cuidado para não cair as anotações e informações que ele continha – Por que todos vêm esse livro como se ele guardasse algo de importante?

– Era de alguém importante para Lucy. Ela vivia falando dele por todos os cantos e sempre levava com ela.

– O que estava fazendo na biblioteca? – perguntei.

– O pai de Lucy doou todos os livros que ela tinha. Uma forma de parecer caridoso.

– E sem coração – eu disse – Quem daria todas as coisas da filha?

Ashton olhou para mim e cerrou os olhos. Ele parecia saber de algo a mais e não queria me contar. Ou talvez, presumisse que eu já sabia do que ele estava falando. Mas eu não sabia. Eu não sabia de nada. 

– Você não terminou de ler esse livro, certo? – ele perguntou.

Neguei com a cabeça.

– Mal cheguei a primeira página. Apenas o folheei. Tenho medo de saber o que ele guarda.

– Não tenha – Ashton disse e me olhou – Lucy tomou cuidado para guardar neste livro apenas suas melhores memórias.

– Do que está falando? 

– Das memórias de sua morte – Ashton respondeu. No seu rosto não havia algum sinal de expressão.

***

Zoe olhou ao nosso redor e aproximou seu corpo do meu.

– Por que acha que ele agiu tão estranho? – perguntou.

Dei de ombros e peguei uma bandeja para colocar os meus alimentos na hora do intervalo. Enquanto os meninos já estavam sentados na mesa, eu consegui me livrar com uma desculpa esfarrapada para contar para Zoe, minha parceira no crime, o quão estranha havia sido minha conversa com Ashton mais cedo.

– Não sei – respondi – Qual seria a memória boa que Lucy guardaria sobre sua morte? Se é que realmente guardou. Revistei aquele livro inteirinho e não consegui achar nada.

– Você já tentou procurar mais sobre isso na internet? Talvez consiga achar quem é o autor.

– Já. Mas não acho nada. Só mais algumas coleções. 

– Talvez Sabrina, a bibliotecária, possa saber quem é ou ao menos ela irá te dar algumas informações – disse Zoe. 

Balancei a cabeça.

– Não consigo achar que Ashton possa ser o assassino.

– Por que não? – ela perguntou – Sam, todo mundo aqui é culpado por alguma coisa. Até mesmo eu e você. Não sabemos da metade das coisas que Lucy fazia, ou com quem falava.

– Então, precisamos saber, Zoe – eu disse e aumentei o tom da minha voz – Eu preciso saber.

Minha amiga olhou para mim confusa. 

– Por quê? – ela perguntou e eu revirei meus olhos, desviando minha atenção para a fila na cantina – Por que precisa desesperadamente saber sobre o que aconteceu com Lucy, Sam? Parece que você chegou nessa cidade justamente para isso. 

– Não é bem assim. Eu..

Nesse exato momento, o pátio da escola ficou em silêncio. O choro de alguém soou pelo ambiente. Vi Brooke parada olhando para a parede, onde havia várias fotos. Os olhares estavam em suas costas pequenas e miúdas. 

Mais próximo de mim, estava três fotos. Soltei a bandeja e fui até a parede. Zoe me seguiu rapidamente. Eram fotos de mensagens enviadas por Brooke para alguém desconhecido. 

"HAHAHAHA Lucy teve o que mereceu. Aquela vadia não sabia o que estava fazendo", "Acho que fui a única que consegui tirar alguma vantagem com a morte daquela vadia. O namorado dela até que presta para alguma coisa", "Nós realmente vimos quem ganhou! Lucy está morta e o quaterback da escola agora é meu namorado! Winner hahaha".

E por último, havia uma foto de Brooke e Lucy abraçadas. Ambas vestiam o uniforme do time de líderes de torcida. O cabelo loiro, era mais uma semelhança das duas. Pareciam irmãs. Felizes e sem alguma preocupação.

Virei para onde Brooke estava, mas ela já havia saído correndo pelo corredor. 

– Já volto – disse para Zoe, antes de sair correndo. 

O murmurinho no pátio já estava alto. As pessoas estavam comentando, tirando sarro, fazendo piadinhas importunas sobre o que havia acontecido. 

Como alguém poderia ter feito aquilo? E mais.. Como Brooke poderia ter dito todas aquelas coisas sobre Lucy? Toda essa história inspiradora sobre amizade entre elas, todas elas – Megan, Hayley, Brooke e Lucy – era tudo uma farsa. Não existia união ali, existia competição. 

Encontrei Brooke no banheiro feminino, sentada no chão e chorando. Ela estava com algumas fotos que havia removido da parede. Estavam todas rasgadas. Outras estavam coladas no mesmo banheiro. 

– Brooke.. – eu disse e comecei a me aproximar.

– Vai embora – ela gritou comigo – Vai embora daqui!

– Não, eu não vou – eu disse e cruzei os braços – Acho que você precisa de uma amiga agora.

– Amiga? – ela olhou para mim com os olhos vermelhos. Cheios de ira e dor. Deu uma risada sem graça – Você não é minha amiga, Rigby. 

– Considera Lucy como sua amiga? Acho que não..

Ela abriu a boca para me responder, mas não achou palavras. Então, Brooke voltou a esconder seu rosto. Seus cabelos estavam bagunçados. A tinta preta de seu rímel estava por todo o rosto da garota. Brooke estava um caco e continuava bonita. 

Devagar, consegui me aproximar e me sentei ao seu lado. 

– Por que fizeram aquilo comigo, Sam? – ela perguntou – O que eu fiz de tão ruim? Quer dizer, sim eu disse todas aquelas coisas, mas.. O que eu fiz de tão errado para uma pessoa me expor desse jeito.

– Bom, acredito que aquela pessoa também não era muito fã de Lucy.. Ou do grupinho de vocês.

– Hayley também pagou por isso – ela disse e chorou mais ainda – Hayley não merecia nada disso. Eu conhecia seu coração. Ele era puro.

– O seu também é. Olha, independente do que aconteceu agora, seus amigos te conhecem.. Eu te conheço! – disse.

– Para falar a verdade, nem eu me conheço mais – ela confessou e dessa vez, ergueu o rosto para mim. Encostou sua cabeça na parede e relaxou os músculos – Eu perdi tudo o que tinha, Sam. Meus amigos, Luke – ela deu uma risada abafada – Sabe, eu não queria que aquelas palavras afetassem ele. Por algum tempo nós realmente gostamos um do outro..

Balancei a cabeça e escutei tudo calada.

– Me perdi também – Brooke disse por fim – Eu serei a próxima. 

Olhei para ela.

– Do que está falando? – perguntei.

– Serei a próxima – Brooke me olhou. Parecia séria. Soltei uma risada nervosa e tentei me esquivar. Estava começando a ficar apavorada. Brooke pegou uma das minhas mãos e apertou forte. Sua pele era gelada – Eu vou morrer, Sam. 

***

Dessa vez a biblioteca estava silenciosa, o que me dava a vantagem de colocar o pensamento em ordem. Folheando o livro Poemas Completos, pude perceber que na parte de trás onde estavam os papéis em branco, um estava faltando. Quem estaria pegando esses papéis? Considerando que o livro permanecia na minha bolsa, ou no meu armário, havia a possibilidade de um dos meus amigos estarem envolvidos nisso. 

Mas quem seria? A primeira pessoa que me veio na cabeça foi Ashton, e em como ele se sentiu incomodado ao ver o livro. Mas não podia tirar conclusões de imediato. Eu poderia estar deixando faltar alguma coisa. 

– O que está fazendo aqui? – alguém perguntou, me dando um susto. Mesmo sem ver quem é, escondi o livro no meio das minhas apostilas de química, que estavam espalhadas pelo chão da biblioteca. 

Ergui meus olhos e encontrei Luke. Meu coração palpitou. Eu não estava esperando por ele, nem ao menos reconheci sua voz. 

– Te faço a mesma pergunta – eu disse.

Luke deu de ombros e se sentou ao meu lado, sem dizer nada. Pegou o lápis que estava em minha mão e começou a girá-lo. Apoiou um dos braços no joelho e se recostou na prateleira de livros, atrás de nós.

– Na verdade, eu sabia onde te encontrar – ele disse e me olhou. 

Mordi os lábios e ajeitei meu corpo ao lado dele. 

– Está admitindo que queria me ver, Hemmings? 

– Não – ele disse e deu um leve sorrisinho – Estou admitindo que senti sua falta. 

Olhei para ele. Luke Hemmings estava ali. Bem do meu lado. Ele estava vestindo uma calça jeans preta e camiseta da mesma cor. Seu cabelo estava levemente bagunçado, o que o deixava ainda mais lindo. O lápis ainda girava em seus dedos. E ele ainda olhava para mim. 

Aproximei meu corpo um centímetro do seu. Ele observou cada movimento com seus olhos azuis. Dedilhei pelo seu ombro largo e fui até sua nuca, fazendo um carinho ali. Ele pareceu relaxar seus músculos. Virou a cabeça e olhou para mim, com o rosto à poucos centímetros do meu. 

– Sinto muito pelo o que houve com Brooke – eu disse. Pensei que ele ficaria irritado por eu ter trazido o assunto, mas ele apenas fechou os olhos por um segundo e balançou a cabeça – Aquelas palavras foram duras. Você não merecia elas.

– Está tudo bem – ele disse e continuou me olhando – Não me importei com aquilo. 

Seus olhos ainda estavam presos nos meus. Ele já havia parado de girar o lápis. Luke colocou sua mão na minha coxa e a apertou um pouco, transmitindo um pouco de calor para o ambiente a nossa volta.

Era impossível a ideia de que nenhuma das protagonistas da história de Pine Hills High não tenham se apaixonado por um garoto daqueles. Olhando agora para Luke e percebendo toda a beleza que havia nele, não somente a exterior, eu não conseguia imaginar alguém que não se apaixonaria. 

– Acho que qualquer garota seria maluca de fazer aquilo com você. 

– Do que está falando? – perguntou ele, cerrando os olhos para mim.

– Luke, você é o esteriótipo perfeito do cara pelo qual as meninas se apaixonam – eu disse e sorri – Você é o capitão do time, tem olhos azuis, loiro e tem essa marra de garoto malvado que não liga para nada – ele deu risada e o espaço se preencheu com esse som.

Sorri e mordi o meu lábio – É muito fácil se apaixonar por você.

Seus olhos pareciam brilhar um pouco mais do que o normal. Ele puxou as minhas pernas e as colocou em cima das suas. Segurou meu rosto com firmeza, e esbarrou nossos narizes. Luke me deu um selinho e mordeu o meu lábio inferior, antes de me beijar de verdade. Ele cutucou minha barriga, me fazendo cócegas. Nós sorrimos entre o beijo. Eu, por sua brincadeira e ele, por ouvir o som da minha gargalhada sincera.

– Você não é tão diferente – Luke disse por fim. Sorriu e voltou a me beijar.

***

BRONZE; 21:15

– Sam! – Zoe gritou entre a multidão, enquanto acenava de um lado para o outro.

Sorri e fui até minha amiga, esbarrando em algumas pessoas no caminho. O lugar estava lotado, muito mais do que da outra vez. Era bacana ver o público dos meninos crescer de uma forma positiva. Até conseguiria ver os quatro tocando em palcos maiores daqui algum tempo. 

– Oi – eu disse ao chegar no local onde Zoe estava. Era relativamente perto do palco, o que nos favorecia e muito.

– Você demorou – ela disse.

– O trânsito estava caótico na avenida principal, mandei mensagem para você – eu disse – Os meninos já chegaram?

– Sim, eu vim com Michael.

Balancei a cabeça e olhei para ela.

– Vocês dois estão se dando bem desde que Megan saiu da jogada – eu disse e ela revirou os olhos. 

Michael e Megan haviam assumido que tinham terminado uma semana atrás. A discussão foi feia, mas Mike não pareceu ligar, pois ele tinha Zoe e era tudo o que queria. Enquanto Megan pareceu ficar realmente abalada com o que houve. Isso aumentou a onda de boatos de que ela havia tido um caso com o pai de Lucy. Nem mesmo seus amigos conseguem responder o que houve entre os dois. Mas o que é que tenha ocorrido, não deixou Lucy nada feliz.  

– Nós estamos tentando – ela disse, olhando para o seu copo – Não é como se estivéssemos namorando de verdade, sabe? 

– Bom, não demorem muito para perceberem o que querem de verdade – eu disse e ela afirmou com a cabeça – Ei, você viu Brooke por ai?

– Brooke? – ela franziu o cenho e negou com a cabeça – Depois do que houve acho que irá ser difícil de esbarrar com ela, logo aqui. Por quê?

– Nós conversamos no banheiro, sobre o que havia acontecido. Ela me falou uma coisa preocupante, Zoe – eu falei e mordi o lábio – Ela disse que seria a próxima a morrer. 

– O que? – Zoe quase deu um grito apavorante.

– Shhh – fiz para ela – Não conte para ninguém sobre isso. 

– Por que alguém pensaria uma coisa dessas? – perguntou ela e me olhou – Ela te falou mais alguma coisa?

– Não – eu disse e respirei fundo – Ela pode estar certa, considerando as circunstâncias em que Hayley foi morta. O cenário e situação são perfeitos, Zoe. 

– O que devemos fazer? Esperar que ela seja morta? Acho melhor ligarmos para a polícia..

– E isso vai adiantar? – perguntei confusa – Nós não temos provas. Sem isso é caso perdido. 

Zoe bufou e cruzou os braços. Eu a entendia, também queria desvendar aquele mistério. E era frustrante, pois poderia muito bem ser qualquer um de nós. Eu, Zoe, Luke..

– Vamos esquecer isso por enquanto – disse Zoe – Vamos curtir essa noite e esperar que não aconteça nada. Se Brooke sabe disso, ela deve ter tomado uma medida. 

Balancei a cabeça, concordando. Ela estava certa. Não havia nada o que fazer. 

– Tudo bem – eu disse – Vou procurar Luke. Ele provavelmente deve estar no camarim. 

Zoe sorriu e balançou a cabeça, permaneceu no lugar que estava enquanto eu seguia meu caminho até o camarim da banda. A porta era marrom e havia uma estrela vermelha bem ao alto. Não era tão difícil de achar. Dei três batidas devagar e abri a porta com cuidado, sem permissão. 

Dentro do quarto, encontrei apenas Luke sentado tocando guitarra. Ele ergueu seus olhos para mim e sorriu. Sorri, fechando a porta atrás de mim e me encostando nela. 

– O que faz aqui? O show vai começar em vinte minutos – ele disse – Os caras já estão arrumando tudo no palco.

– Vim desejar um bom show – eu disse e dei de ombros – Acho que vai precisar.

Ele deixou a guitarra de lado e se levantou. Luke estava com a mesma calça preta justa de hoje cedo, uma camiseta branca e uma camisa jeans clara. Seu cabelo estava bagunçado. Ele mordeu o piercing e colocou a mão no bolso. Cada movimento o deixando extremamente sexy. 

– Quer me desejar sorte com essa distância de mim? – Luke deu um sorrisinho malicioso – Não vai rolar, Rigby.

Revirei os olhos e me aproximei dele, caminhando lentamente. Parecia causar mais tortura para ele do que para mim. Parei em sua frente. 

– Da última vez que te vi tocar, você estava bêbado e prometeu tocar uma música para mim – eu disse. 

– Da primeira vez que te vi aqui você estava com um mini vestido que cairia bem em você de novo.

– Você é um idiota, Hemmings – eu disse e cruzei os braços.

– É por isso que a gente combina tanto  – ele piscou para mim e passou suas mãos pela minha cintura, me puxando de encontro ao seu corpo. 

Revirei os olhos e ele deu risada da minha teimosia. Luke distribuiu beijos pelo meu pescoço e mordiscou minha orelha. Tirou uma mão do meu quadril e segurou minha nuca para finalmente me beijar. Coloquei minhas mãos em seu cabelo, o bagunçando mais um pouco. 

Não tivemos tempo suficiente para aproveitar. Quando Luke subiu sua mão para dentro da minha camiseta e ia me empurrando para o sofá, Mike deu algumas batidas na porta e do lado de fora gritou:

– Luke! O show já vai começar. É melhor ir se aprontando e.. – ele fez uma pausa – Oi, Sam!

– Oi, Mike – gritei de volta.

Luke jogou a cabeça para trás, levemente irritado pelo amigo atrapalhar sua brincadeira. 

– Que droga – ele murmurou. 

Dei risada e deixei um beijo em seu pescoço. Senti ele apertar mais minha cintura. Luke trouxe seu rosto á frente do meu, esbarrando nossos narizes. Eu mordi meus lábios sorrindo. 

– Nos vemos depois? – ele perguntou. Eu assenti e encarei seus olhos. Luke me deu um selinho e me soltou. 

Abriu a porta e saiu, me deixando sozinha. Me sentei no sofá e suspirei. Em cima da mesa, havia algumas bebidas. Virei um copo de vodka que Luke não havia terminado. O gosto amargo e gelado do álcool desceu cortante pela minha garganta. 

Ouvi gritos e palmas do lado de fora. Resolvi então, que seria hora de ver o show. Me levantei e no minuto em que abri a porta, dei de cara com Brooke. Ela tinha os olhos vermelhos e estava usando uma echarpe. Seu cabelo estava bagunçado. Algo me dizia que ela estava bêbada. 

– Brooke? – perguntei – O que está fazendo aqui?

– Onde está Luke? – ela perguntou, me ignorando. 

– Ele acabou de sair, o show deles começou – olhei para ela – Está tudo bem?

– Sim, Rigby – ela disse e deu um passo à minha frente – Por que você se importa, afinal? 

Brooke empurrou meus ombros, o que me fez cambalear para trás, batendo minhas costas na porta. Ela saiu correndo, não tive tempo de intervir. Senti meu sangue ferver. Não sabia se era pelo álcool ou pela raiva, mas minha cabeça começou a girar. Respirei fundo enquanto o som de guitarra e voz de Luke preenchia o espaço. 

***

– Por que demorou tanto? – Zoe gritou para que eu pudesse escutá-la.

– Encontrei Brooke no caminho de volta – eu disse – Ela não parecia muito bem. 

– Disse para onde ia?

– Não – eu respondi – Estou começando a ficar preocupada. 

Zoe mordeu os lábios e me olhou, seus olhos mostravam preocupação. Provavelmente os meus também. Isso estava começando a ficar muito estranho. Por que Brooke estava atrás de Luke, afinal? Eu sabia que eles tinham coisas a resolver, mas com tudo o que estava acontecendo em Pine Hills High, pensei que os dois tinham deixado essas coisas de lado. 

– Fique aqui – disse Zoe – Tentarei procurá-la. Não saia daqui até eu voltar, ok?

Eu assenti, confirmando. Observei minha amiga se afastando de mim. Se perdendo entre a multidão de pessoas animadas, cantando junto com os meninos. Voltei meu olhar para o palco, onde Luke havia terminado uma música. Logo iria começar outra. Seus olhos encontraram os meus. Ele respirou fundo e sorriu. Pegou o microfone em mãos e aproximou aos lábios.

– Essa música é para alguém especial – ele disse, olhando diretamente para mim. Meu coração começou a acelerar. Eu sabia para quem aquela música pertencia. Para mim. Sorri – Chama-se Sirens.

A voz de Luke soava doce e terna. Eu conhecia aquela melodia do Pearl Jam. Poderia até ser uma coincidência e eu não iria ligar, mas aquela música era uma das minhas preferidas. Me lembrava muito da minha casa de volta em Londres. E agora aqui, pousada nos olhos dele, eu estava me sentindo em casa. 

De repente, um som rompeu no ar. O ambiente ficou escuro, e tudo parou. A música e instrumentos não tocavam mais. Aparentemente a energia havia acabado. As pessoas começaram a vaiar. Mas em um rápido momento uma luz veio do lado de fora, projetando um vídeo. O corpo de Luke estava virado observando o vídeo. 

"Para", soou uma voz feminina. Logo, apareceu um sorriso cobrindo a tela inteira da câmera. "Eu juro por Deus, Luke, estou tentando estudar". A imagem reduziu e o rosto sardento e branco de Lucy McAllister apareceu. Ela soltou uma gargalhada e cobriu os olhos, com vergonha. "Tenho uma música nova para você", a voz de Luke se fez presente atrás da câmera. "Ah, é?", Lucy perguntou. A câmera chacoalhou em um sentindo positivo. Lucy deu risada. Ela pegou a câmera das mãos de Luke e o filmou com um violão na mão. 

O quarto, onde eles estavam parecia bem clareado com a luz do sol, deixando o cabelo de Luke ainda mais loiro e seus olhos, ainda mais profundos e azuis. "Hear the sirens, hear the circus so profound..", a melodia continuava. "Just to know we're safe, I am a grateful man..", Luke olhou para a câmera, ou melhor, para Lucy, sua risada sincera soou ao fundo. "Have to take your hand, and feel your breath, for fear this someday will be over..", engoli em seco. Esses eram os mesmos versos que ele estava dedicando para mim, pouco tempo atrás.

Eu conhecia a música de cor, meus lábios cantaram junto com os deles, "I pull you close, so much to lose, knowing that nothing lasts forever..". Mais uma voz se juntou, a de Lucy, "I didn't care, before you were here, I danced in laughter with the everafter.."

Fechei meus olhos. Já conseguia sentir o nó em minha garganta. Não queria mais ver aquelas imagens. Não queria mais essa humilhação. Minha cabeça estava girando, pensei que iria vomitar. Abri espaço pela multidão e sai correndo daquele lugar. 

O ar fresco e congelante do lado de fora me manteria viva. Meus olhos começaram a arder e logo, eu estava chorando. Era difícil manter uma postura diante de tudo isso. Quem quer que tenha feito isso estava querendo me atacar. E eu estava cansada de ser perseguida por um psicopata desde que cheguei nessa cidade. Eu precisaria tomar uma decisão, nem que isso custasse o sangue de um estranho em minhas mãos. 

Ouvi o barulho de latas caindo, mas não liguei pensei ser um gato. Mas não ouvi nenhum grunhido. O barulho pareceu se aproximar, agora com botas rangendo no chão. Quando olhei para trás, pude ver por entre as árvores um vulto preta. Adentrei a mata do outro lado da estrada.

Eu comecei a correr para todos os lados da floresta que colocava truques na minha mente ao se expandir para várias direções. Um passo errado e eu podia perder tudo até agora.

Minha respiração estava acelerada, assim como meu coração. Olhei para trás por um segundo, mas ainda conseguia enxergar a silhueta preta contra as luzes neons da placa do Bronze. 

Minha cabeça estava um turbilhão de acontecimentos recentes, e meu corpo estava um turbilhão de sentimentos. Bons e ruins. Não havia tempo para chorar. 

Por um segundo eu não me lembrei do que estava fazendo ali naquela floresta. Só me lembro de que comecei a correr e a correr. Os galhos pontudos e grossos das árvores velhas arranhavam meu braço. O vento gelado atingia o meu rosto e corujas soavam na escuridão, aumentando o meu medo. 

Algo se prendeu em meu pé e meu corpo foi com tudo para frente. Senti uma pancada forte na minha bochecha. Demorei um tempo para conseguir voltar a consciência de que havia caído. Passei a mão pelo rosto e senti algo quente em meus dedos. Meu sangue. Flexionei o maxilar e me apoiei em meus cotovelos para ver no que havia tropeçado. 

Minha visão estava turva e minha cabeça girava um pouco. Talvez fosse pelo meu corpo trêmulo e meu coração acelerado, mas não consegui encontrar a silhueta escura que estava me perseguindo. Talvez ela tenha se misturado com a noite. 

Vi a pedra que havia entrado no meu caminho e me fizera cair. Eu ainda permanecia deitada, apoiada pelos cotovelos. Fiz um esforço e consegui levantar, com uma dor enorme em meu corpo. Tentei tranquilizar minha respiração. Não tinha porque sentir mais medo. Quem quer que fosse aquela pessoa, com certeza seria o assassino de Hayley e o qual estava me mandando bilhetes. 

Olhei ao meu redor, mas não consegui ver absolutamente nada. Senti algo pingar em meu rosto e pensei que iria começar a chover novamente. Mas nós estávamos no inverno, o período de chuva havia acabado por pelo o menos duas semanas, era o que dizia os noticiários. Achei estranho quando a segunda gota caiu. Passei a mão novamente por meu rosto, enquanto caía a terceira gota. Olhei para as minhas mãos e prendi a respiração quando as vi com pequenas gotas de sangue, que iam se espalhando pela palma de minha mão. 

Dessa vez, olhei para cima e vi o corpo de alguém pendurado em uma árvore. Eu reconhecia aquela echarpe verde. Era a mesma que Brooke estava usando. 

O corpo na árvore era de Brooke. 

E então, eu comecei a gritar.


Notas Finais


Um super beijo e até o próximo episódio! <3


ps: irei responder todos os comentários assim que puder!


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