História Shakyamuni To Kri - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Tags Camusxshaka, Cdz, Romance, Yaoi
Visualizações 17
Palavras 6.823
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


História postada no Nyah Fanfiction a algum tempo ( link nas notas finais.)

Confesso que essa fanfic foi uma pequena loucura de uma noite, da qual eu decidi fazer como presente de aniversário para minha amiga Shakya ♥ Eu nunca me imaginei escrevendo sobre o Shaka, ainda mais em primeira pessoa, mas acontece que conforme fui escrevendo, ouvindo música, a escrita simplesmente foi fluindo! Eu me diverti escrevendo, a escrevi de uma vez, resultando em 13 horas e meia de escrita sem pausa ( das 18h às 7 h do dia seguinte)

Imagem; créditos ao autor (achada no Pinterest, e… não sei ver quem é autor T.T)
Boa leitura meus queridos, espero que gostem ♥

Capítulo 1 - Capítulo único - Buddha loves you too


Fanfic / Fanfiction Shakyamuni To Kri - Capítulo 1 - Capítulo único - Buddha loves you too

“ Maybe I'm crazy

Maybe I'm weak

Maybe I'm blinded by what I see ”

(angel - Theory Of A Deadman )

 

Após ajudar Odin, que pode ver de perto que quando se trata de proteger um bem maior nós, cavaleiros damos nossas vidas sem ao menos hesitarmos.

O Deus supremo nórdico junto de Athena e Poseidon, sim, o Deus dos mares, irônico não? Foram em busca de uma audiência com Zeus — que a muito estava ausente no Olimpo — para negociarem uma forma de nós, cavaleiros de ouro voltarmos à vida, um acordo fora feito, do qual consiste em vivermos como qualquer humano e não informar, nem se aproximar novamente do santuário.

Não que isso fosse preciso, visto que com nossos cosmos superficialmente bloqueados, não conseguiríamos chegar nem sequer perto de lá. Isso graças à barreira que envolve o santuário, impedindo que qualquer pessoa que não tenha o cosmo ativo atravesse. E, caso o mesmo tente, sofrerá com alucinações diversas.

Aliás, permita-me apresentar-me, sou Shaka, ex-cavaleiro de virgem, que atualmente atende também por Sr.Matsuya.

Após voltar a vida, em London, junto com os demais cavaleiros resolvi fazer faculdade de direito, junto com Aiolia, apesar do jeito sem noção, ele era muito bom no ramo. Quando nos formamos, contudo, ele resolveu trabalhar como hostess junto à Milo, numa balada que Kanon e Saga administravam, um lugar barulhento e abafado.

Eu realmente me pergunto o que passa na cabeça das pessoas que frequentam esse tipo de lugar! Das vezes que fui lá, quase todas foram por insistência de Mu, que não gostava de ir sozinho, ao menos não antes de assumir, finalmente, seu relacionamento com Aiolia.

Os dois demoraram quase dois anos para se assumirem — depois que voltamos à vida — quando todos, inclusive os mais distraídos, percebiam os olhares do leonino para Mu, que corava em seguida.

Afrodite e Carlo — Máscara Da Morte, que apenas revelou seu nome após renascer, embora às vezes ainda o chamem pela acunha — eram um caso à parte, todos sabiam da relação de ambos, Carlo saía de madrugada do seu templo antes da guerra santa apenas para ver o pisciano. E todos sabem que acima de comunicar Athena, Afrodite aceitou ser um traidor apenas para ver Máscara Da Morte uma última vez.

Kanon e Saga continuavam solteiros, com seu humor sarrista, que eu particularmente acho insuportável, segundo eles, viviam “ala carpe diem”, apesar de todos sabermos que o significado da palavra não é exatamente esse, não contestamos.

Há também Shura! Que parece estar cada vez mais próximo de Aldebaran. E bom Milo junto dos gêmeos apenas está “curtindo a vida de hostess”, ele diz que o sexo da pessoa não importa desde que ela tenha lábios… vindo dele, não me surpreende essa falta de pudor, apenas espero que não contamine Aiolia.

Assim que Dohko colocou os pés em terra novamente, seu primeiro pedido, vindo do funda da alma, não poderia ser outro senão trazer Shion de volta a vida, o homem quem seu coração pertencia por mais de duzentos anos. Seu pedido foi atendido quando os deuses perceberam o quão puro e inocente era aquele amor, contudo, como o santo de Áries não havia participado diretamente da guerra de Odin — ele apenas vigiara o amado, em alma — sua saúde era frágil, e resolveram viver na calmaria de Rozan. Vindo poucas vezes à London.

Estou me esquecendo de mais alguém? Vejamos… ah, sim! Camus… ele saia com Milo quando ainda éramos cavaleiros, terminaram assim que renascemos. Entretanto algumas vezes eu e Mu o flagrou aos beijos com o ex-santo de escorpião, mas Camus insiste em dizer que apenas às vezes esse tipo de coisa ocorre…

Confesso que, fiquei contente quando soube do término dos dois, que Buddha me perdoe por isso, entretanto, depois de o ver “ficando” como Kanon diz, com o ex daquela forma tão... Entregue, senti uma pontada de incômodo, pontada que me fez, ao longo dos meses, desenvolver uma espécie de raiva pelo grego.

Já sobre Camus, confesso que me afastei um pouco, mas… como poderia ficar perto do homem do qual eu sempre amei? Mesmo quando estive com Mu, numa vã tentativa de esquecer aquele francês, eu sonhava com ele, meu coração se apertava ao vê-lo ser acompanhado por Milo até o décimo primeiro templo. Mu sabia como me sentia, pois sua frustração era parecida com a minha, Aiolia naquela época vivia indo a festas, voltava cheirando a vinho e sempre acompanhado de alguma mulher.

Lado a lado tentávamos diminuir nossa frustração.

Frustração que quando fomos ressuscitados passou a morar apenas em mim, que a escondo até agora, assim que Aiolia pediu Mu oficialmente em namoro, este veio falar comigo, confirmar se estava tudo bem. Bom, eu não o amava, então sim, estava, seguimos com nossa amizade. Minha frustração não se chamava “o novo casal dos opostos”.

Até hoje me pergunto se Camus nunca percebeu o modo como o olho, ou que tento não trata-lo com tanta indiferença, afinal, ninguém respeita alguém que dá liberdade para todo mundo, devemos dar essa gentileza para as pessoas que consideramos importantes e merecedoras de ver nossas almas.

Olhava pela janela, circunspecto, quando senti meu celular vibrar no chão. Odeio essas tecnologias todas, mas parece que nesse mundo atual, não conseguimos mais viver sem elas! Tudo depende dessas comunicações superficiais…

— Buongiorno Barbie! Buon compleanno (Feliz aniversário)

— Bom dia Carlo... Hoje é… — levantei e fui até um criado mudo, onde um calendário com imagens de animais diversos jazia, presente de Mu, que quando concluiu o faculdade de veterinária e arranjou um emprego fez questão de distribuir o objeto para todos os ex dourados.

— Sì, dezenove de setembro. Ma como pode, bambino! Esquecer-se do próprio aniversário! Esta meditazione de mais, logo sua alma vai sair voando, aí vai sobrar só a carcassa! — Carlo falava rápido e alto, com de costume. Tive que afastar um pouco o aparelho da orelha, caso contrário ficaria surdo!

— Seria perfeito. — respondi cordialmente, sim, na minha atual situação isso seria uma saída mais do que perfeita… mas… o que estou pensando? Mal fazem quatro anos que voltamos e já estou blasfemando contra minha vida! O que virá depois? Noitadas? Comer carne…

— QUALE ORRORE! (que horror) — O canceriano fez uma pausa, e alguns ruídos foram ouvidos, logo depois um abafado “amore mio” antes que Carlo voltasse a falar — Dite estar perguntando se você pode ajudar na loja hoje?

Acontece que depois que terminei a faculdade e realmente pude atuar na área de advocacia, as noites passaram a ser cada vez mais longas, eu não tinha descanso algum e ao chegar ao escritório, era um local totalmente desagradável, rodeado por mentiras, que pareciam não ter parâmetros. Resolvi não trabalhar com aquilo, entretanto, não me arrependo de ter feito a faculdade, afinal, é sempre bom saber dos meus direitos.

O fato era que por atualmente estar desempregado, ajudo Afrodite na loja de flores pela manhã e tarde, enquanto nas terças e quintas praticava Yoga com Mu, dentro de dois meses começaremos a dar aulas na academia do Aldebaran. Tudo sobre controle.

— Posso, que horas?

Outra pausa.

— Oito horas

           Levei o celular até a altura dos olhos por um instante para checar o horário.

           — São sete e quarenta! Como, exatamente, Afrodite espera que eu esteja lá em menos de quarenta minutos.

           Houve uma curta gargalhada antes da resposta previsível:

           — Buona fortuna! Cavaliere di vergine! — Carlo desligou.

           Respirei fundo, já me dirigindo para a cozinha a passos largos.

           — Aquele… UNF! Acha que por acaso ainda temos a velocidade da luz?

           Pegando alguns ingredientes, os joguei dentro de um bully com água, em seguida os levando para uma das bocas do fogão, não tem jeito, terei que deixar o chai fervendo enquanto tomo uma ducha.

           Saindo do banho, optei por vestir uma blusa de mangas compridas e touca bege, e uma calça felpuda marrom, além dos tênis simples cinzas. Tive que pôr o chai numa garrafa térmica, pois o táxi que pedi antes de entrar no banho já havia chegado. Meu carro, por algum motivo misterioso havia parado de funcionar, precisava chamar Milo para arrumá-lo, ele entendia de carros. Contudo, meu orgulho não me permitia isso.

           Desde que havia revivido, decidi usar algumas vezes roupas normais, apenas para variar, principalmente em dias frios como aquele. Um vestimenta não poderia definir um homem, poderia? Buddha nunca me contestou sobre a minha mudança, ainda vivia uma vida humilde, tentava ajudar ao próximo, manter a pacificidade.

           Eu entrei no táxi em silêncio, até que o motorista perguntasse o destino, eu o entreguei um pedaço de papel com o local, o objeto foi examinado e em seguida devolvido.

           

           Ao chegar à loja, esta já estava aberta, raridade… Normalmente quando o Afrodite me pede para “ajudar” na loja, esta mais para “abra a loja, tenho um compromisso e irei me atrasar”.

           Apesar do rosto sereno, meu coração estava acelerado ao pensar o que aquele cabeça oca estaria aprontando, bom, poderia ser Carlo, indo abrir a loja antes de mim, já que pelo sarcasmo no telefone, ele parecia entender que seria quase impossível que eu chegasse a tempo. Olhei no relógio, sete e cinquenta e oito.

           Por pouco não atrasei… odeio atrasos.

           Adentrei a loja, um passo de cada vez, ao meu ritmo, quando, de súbito senti um peso em meus ombros, por sorte a minha direita havia uma mesa de mogno, onde ficavam as flores prontas nos vasos, que foi onde me apoiei.

           — Grattis på födelsedagen! Buddha Postiço! (Feliz aniversário!) — Franzi as sobrancelhas para a acunha, de uns tempos para cá, com as mudanças que eu escolhi fazer, a fim de me adaptar melhor a esse ‘novo mundo’, Afrodite vinha me chamando por esse nome. Era disso para pior!

O sueco, menor do que eu finalmente soltou meus ombros, dando a volta e parando de frente a mim, enquanto levava as pontas dos dedos entre minhas sobrancelhas, pressionando um pouco.

— Ah! Nana nina inte! Você não pode ficar franzindo assim as sobrancelhas, vai ficar com cara de velho mais cedo!

           — Obrigado e agradeço sua preocupação com minha juventude, mais... menos, Dite, menos… — Respondi, dando um passo para trás, eu nunca fui muito fã do Afrodite, mas acontece que por estarmos trabalhando juntos e ele ser meu patrão além de ex irmão de arma, uma certa intimidade se é gerada.

           — Okay… — Ele fez um muxoxo, antes de prosseguir estalando os dedos — Bom, não irei te atazanar hoje por ser seu aniversário! E porque temos muito trabalho! Vamos!

           Quando Afrodite disse que teríamos muito trabalho, ele não estava mentindo! A loja ficou extremamente movimentada, inclusive, não só por cidadãos comuns como muitas empresas funerárias também, comprando lotes completos de flores.

Durante a tarde, quando o movimento se acalmou o ex-santo de peixes sentando-se na banqueta atrás do balcão passou a explicar:

— Setembro é o mês da prevenção ao suicídio, certo?  — Ele esperou eu confirmasse antes de continuar — Pois bem, ironicamente esse é o mês onde mais ocorrem acidentes.O número total, 5,6 por 100 mil habitantes, para ser mais preciso. Soube que estavam fazendo uma comunidade onde jovens depressivos, desiludidos ou que simplesmente sentem vontade arrancar a própria vida, marcam de tira-la exatamente no dia dez de Setembro, que é o dia oficial do Setembro amarelo. Os que não conseguem cometer o ato no dia, por falta de coragem ou por serem pegos em flagrante, normalmente cometem o ato nos dias seguintes. Tendo maior movimento na loja do dia dez ao dia vinte e três, duas semanas, sendo mais exato. Além disso, há também as pessoas que visitam os túmulos dos filhos, conhecidos, parentes que cometeram suicídio na data. É claro que o número de suicídios é bem maior e vem crescendo a cada ano, e isso é algo que a mídia e a política vem tentando esconder cada vez mais, na tentativa de transmitir que tudo está sob controle.

E essa foi uma das poucas vezes da qual me surpreendi com Afrodite, mais especificamente, foi à primeira vez que ele me fez demonstrar surpresa de uma forma facial. O loiro parecia estar sério, não falava com gracinhas ou fazendo trocadilhos. Informação pura.

— Afrodite… Como sabe de tudo isso? — O encarei, um pouco curioso, afinal, mesmo tendo pouco contato com aquele homem, sabia que ele não era ligado à política ou assuntos o fizessem ficar parado por mais de dois minutos.

— Quando Athena e os demais deuses fizeram o acordo para nos trazer de volta à vida, nos foi dado às condições, correto?

— Uhum.

— Acontece que não foram somente os deuses gregos e nórdicos que ajudaram na nossa volta, eles foram os principais, sim, mais~ — Afrodite girou a sobre o estofado e em seguida apontou os indicadores para mim — Buddha também!

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo, e… e eu? Eu não sabia de nada, Afrodite devia estar com água do mar naquela cabeça oca invés de cérebro.

— C.. como? Como eu não fiquei sabendo disso? — Pronunciei em voz baixa, já perdendo a compostura e um dos meus ideais preferidos: não deixar que qualquer veja minha alma. Afrodite ignorou completamente minha cara de taxo e continuou a explicar.

— Nem todos tiveram a chance de se encontrar com ele, antes que a alma retornasse ao corpo físico, Carlo foi uma das pessoas que o viu. E vou lhe dizer, seu Deus é exigente hein? Minha santa viu! Cada um dos deuses, fez sua exigência sobre a nossa volta. Athena pediu que tivéssemos uma vida comum, sem nos ferirmos mais, em troca, tivemos nossos cosmos superficialmente bloqueados. Posseidon pediu que voltássemos com maior idade, dando menos trabalho no encaixo mundano, em troca, prometeu dez anos de paz a Athena. Odin pediu que, caso uma nova guerra surgisse, uma tão devastadora quanto a Guerra Santa, pudéssemos regressar aos nossos postos na linha de combate, isso se encaixa também do porque nossos cosmos foram bloqueados superficialmente… em troca, não podemos regressar ao santuário a menos que sejamos chamados oficialmente, ou com um pedido de um coração puro. Já Buddha… o último Deus a se prontificar, pediu que todos nós tivéssemos uma vida boa, um estudo, emprego, algo fixo, e, em troca… ele pediu algo especial para cada um de nós. Para Carlo, pediu que continuasse cuidando do Yomotsu, apesar de que de modo diferente, agora ele precisa meditar para chegar até lá, auxiliando de longe, seu futuro sucessor, e cuidando do local, das almas.

— Todos… sabiam disso?

— Sim e não, Kanon, por exemplo, não acredita muito nisso. Apesar de a maioria ter visto e ouvido isso da boca de Buddha.

— E, porque me contou só agora? Digo, estamos trabalhando junto já tem uns bons meses, Afrodite, por Buddha!

— Porque ele me pediu para contar hoje, UE! — Respondeu, simplesmente! Como se fosse a pergunta mais óbvia do universo.

— Ele… Buddha?

E mais uma vez, como se fosse a coisa mais idiota se perguntar, Afrodite assentiu com a cabeça com os olhos arregalados e a sobrancelha franzida. Eu precisava de ar, precisava respirar e raciocinar tudo que acabara de ouvir.

Por quê? Por que Buddha? Escondestes isso de mim? Eu que sempre fui leal a ti, que vivi da forma mais humilde possível durante anos, que mesmo tomando os lábios de Mu me mantive casto, a fim de conseguir ter uma conexão maior contigo…

Afrodite parecia já estar esperando por essa reação, pois quando fiz menção de me levantar, este não me impediu apenas me acompanhou com os olhos.

Flanando até ficar diante a porta, minha cabeça latejava, meu peito doía me sentia traído.  No mesmo momento em que pus minhas mãos na maçaneta giratória, a mesma foi girada pelo lado de fora, e, quando a porta fora aberta, o barulho do sino suspenso ecoou pelo recinto.

— Você.

— Ah! Eai Shaka, como vai? Está trabalhando com o Dido agora?

O homem de 1,85cm de altura apoiou uma das no meu ombro, dando batidinhas, em forma de comprimento, apesar de abalado, não deixaria que esse desaforado me aborrecer ainda mais, num movimento amistoso retirei sua mão do meu ombro e sai, escorando na parede ao lado da porta.

Antes de a dela ser fechada ainda pude ouvir os comprimentos de Afrodite.

— MILUXO~! Há QUANTO TEMPO! No que posso ajudar? Ei ei ei minhas rosas! Não as too…

Não demorou mais do que dez minutos para que resolvesse entrar, vencido pela curiosidade, será que Milo estava comprando flores para reatar com Camus? Bom… eu não duvidaria que fosse.

Para minha infelicidade — ou não — assim que alcançava o meio do salão da floricultura, Milo saía do escritório de Afrodite, não sem antes olhar para trás, na direção do sueco e pronunciar, alheio a minha presença:

— Não perca o horário da entrega Afrodite! É importante! Ou irei dilacerar cada parte do seu corpo com minhas mãos!

Afrodite deu uma risada irônica, e com um olhar blasé brincou:

— Você não tem mais essa habilidade, min kärlek (meu amor).

— Olha… — um sorriso malicioso seguiu-se — Tenho minhas unhas ainda, e garanto que elas fazem um belo estrago.

O menor então encarou o outro com a mesma malícia, sim, ele sabia. Estava prestes a responder algo maldoso, uma voz que ecoou atrás de mim chamou a atenção de todos na sala.

— Io guardaria La lingua se fossi tu! Afrodite é la mia bella rosa, mia.

Carlo andou até o namorado, o abraçando pela lateral enquanto esse dava um sorrisinho doce, e um olhar venenoso.

— Que possessivo, você não era assim Mask~.

— Não mesmo — Milo estalou a língua, concordando com o amigo, era até estranho, Carlo de uns tempos para cá não concordando com as loucuras dos gêmeos, os   ménage à trois haviam diminuído num número quase nulo também.

— Le cose cambiano (as coisas mudam).

— Que pena amigo, bom, nesse caso, tô indo nessa, flw’s. — O grego deu as costas para o casal, acenando ao sair.

Todos no local trocaram olhares, é as coisas pareciam estar mesmo mudando. E por que deuses Camus sairia com um brutamonte transbordando testosterona, com um cérebro que só pensa em flertar e copular.

           — Io trouxe caffè e bolo para vocês! Podem ir comer, io olho a loja.

           — A loka, agora que não tem movimento? esperto você… maladetto.

Carlo fez uma cara de inocência para Afrodite, que arqueou uma das sobrancelhas e bateu o pé algumas vezes antes de se dar por vencido e beijar seu amado. Confesso que foi uma cena muito linda, um amor admirável… apesar de maluco!  

O resto do dia se seguiu mais calmo, apenas algumas mães com os olhos marejados apareciam na loja, Afrodite parecia estar certo sobre os suicídios. Máscara Da Morte passou um bom tempo conosco, a cada mãe que aparecia na loja aos prantos, a cada áurea pesada que passava pela porta, era possível sentir que a aura do ex santo de câncer pesava junto, como que numa sincronia, parecendo entender a dor do próximo.

Mas era somente quando os clientes estavam, pois assim que estes partiam o Carlo sem noção tomava conta novamente, indo cutucar as rosas de Afrodite, que o puxava pelas orelhas, ou apalpar a bunda desse ao passar por ele, cantar em italiano ou, algumas vezes, tentar cutucar o sinal em minha testa.

Essa agitação continuou até dar cinco horas em ponto, quando Carlo ficou sério, se despediu e disse que mais tarde voltaria para buscar o namorado. Lembrei-me novamente do que Afrodite me dissera.

Quando finalmente o relógio marcou sete da noite, juntamos nossas coisas para ir embora.

O sueco fechava o caixa enquanto eu aproveitava para ligar para Mu e dizer que não poderia ir treinar com ele hoje, pois estava de táxi, e London ficava parecendo o Tikusho¹.

A ideia era apenas ligar e informar que não iria, contudo, após muita insistência do meu amigo em me buscar com o carro dele, disse que a todo custo precisava treinar hoje, pois estava em um dia difícil.

O Dite esperou junto comigo do lado de fora, apesar deu saber que ele apenas esperou, pois o namorado ainda não havia chegado me senti de certo modo mais confortável.

Ele ter me contado sobre Buddha... significa que confia em mim? Mas, ele também disse que foi o próprio que pediu para que ele me contasse, porém… como? não deveria ser apenas eu, o escolhido, ser o único a poder contatar contigo meu Deus?

O carro de Carlo chegou primeiro, ele parecia apressado, mal deu tempo do loiro se despedir e ele já estava o puxando para dentro do carro, que grosseiro, sei que eles eram um casal um tanto ativo, visto que Afrodite e o namorado eram igualmente sem pudores, mas podiam ser mais educados! Atitude animalesca…

Mu estava atrasado, e eu com minhas pernas cansadas… olhei para o relógio pela décima vez para calcular o atraso. Vinte minutos!

Um pouco depois de chegar de novo o relógio, totalizando em vinte e cinco minutos de atraso, ele finalmente chegou, entrei no carro e ainda bem que o ar condicionado estava ligado, pois com a malha fina da minha blusa, meu corpo todo estava gelado. Se pegasse algum resfriado não me surpreenderia!

Felizmente não precisei dizer uma só palavra, eu e Mu nos conhecemos há muitos anos, então ele sabia exatamente o que teria que dizer, o que eu queria ouvir, o que ele tinha a obrigação de dizer!

— Shaka, me perdoa? Não foi minha intenção, é que eu estava para sair aí… — Ele corou? Ele corou! Ahh não… não me diga que ele se atrasou porque… — Aí… rolou! — Mu escondeu a cabeça entre as mãos antes de ligar o carro — Não achei que fosse demorar tanto, acho que nos empolgamos um pouquinho…

— Eu não acredito nisso Mu De Jamiel! Agora, agora você tem suas relações assim, entre uma ação e outra?! Esta se tornando o Kanon, o Milo por acaso? Ou… Ou pior! Esta se tornando um desses mundanos, se bem que nada pode ser pior do que o Milo...  — Disse a ultima parte, mas para mim mesmo do que para meu amigo, quando percebi o que havia dito, tratei de corrigir em tom alto e claro, afinal, estava indignado — Só falta me dizer que agora está bebendo também? Que está copulando todos os dias como aqueles adolescentes horrendos mundanos?!

— Sha… você também é um humano…

Parei por um minuto para analisar que sim, apesar de ter uma inteligência muito mais alta do que aqueles macacos irracionais sim, também era humano, pior, um humano que está de carona, e eu estava xingando meu carona…

Mu sempre foi assim, consegue me acalmar a qualquer hora, meu humor já estava se estabilizando naquele silêncio incômodo quando a frase que se seguiu me fez exaltar mais uma vez.

— Quando você fizer a primeira vez, entenderá.

Ah não! ele não estava falando aquilo! minhas bochechas queimaram, meus olhos marejaram, e quando iria desferir uma resposta com todas as minhas forças ele continuou, ignorando totalmente meu estado.

— Chegamos. Mas estou falando sério, e quando acontecer, quero que conte primeiro a mim, combinado? Detalhe por detalhe — Mu disse com a maior naturalidade do mundo, erotizando a última parte antes de sair de supetão!

Isso não vai ficar assim! Desci do carro o mais rápido que pude, tentando alcança lo, pois já estava a certa distância, parecia ter andado rápido?

           — Muu! O que está acontecendo com você? Você, você não era assim, nunca foi… vamos, me diga, foi o Aiolia não foi? O que aquele bastardo fez com você, AH EU VOU MATAR AQUELE LEÃO DO XINGLING!

           Tentava acompanhar Mu, que andava a passos muito rápidos sem dizer nada enquanto eu o questionava alheio de para onde estávamos indo, apenas seguia a grande cabeleira lilás.

           — POR ACASO ESTÁ SURDO? Conhecemos-nos há anos! Sabia que voltarmos para esse mundo mesquinho faria mal a você e a todos! Estão todos se desviando, até Afrodite parece mais são do que você OUVIU? AFRODITE!! DEVE TER ALGO ERRADO. — Assim que ele parou e consegui alcança lo o puxei pelo braço, virando-o para poder encarar aqueles olhos verdes de perto, assim, saberia se estariam mentindo ou não — Mu… Por Buddha, fala comigo, o que, o que ouve? Me conta… Por favor, porque todos escondem a verdade de mim… Eu… Não sou digno de nada?...

           — Sabe o que ouve Shaka de virgem. — Sua voz estava aveludada, e sua mão esquerda havia pousado em meu rosto, o acariciando. — Estava com saudade… De você… — Ele se aproximou mais um pouco, e eu dei um passo para trás, isso era errado!

           No mesmo instante uma porta que eu mal havia notado que existia atrás de Mu fora aberta por este ao mesmo instante que anunciava, agora com um sorriso.

           — TODOS ESTÁVAMOS! SHAKA, FELIZ ANIVERSÁRIO!

           Ainda raciocinando o acontecido, inclinei o corpo para o lado, a fim de espreitar cômodo adentro.

           Nele estavam todos os doze ex cavaleiros de ouro! e todos gritaram em uníssono, cada um em sua língua natal, que apesar de se tornar uma confusão sonora e tanto, confesso que, no meu íntimo, foi uma das cenas mais emocionantes que já vivi.

           Passei a analisar o rosto de cada um ali… o qual foi minha surpresa Dohko e Shion estavam lá! Ainda olhando pelo recinto, sem entrar, um pouco afastado, sentado numa poltrona de veludo vermelha estava ele… Camus!

           Só então que percebi uma coisa… onde estava?

  — Mu?

     — Sim? — O lemuriano respondeu, me empurrando para que entrasse, caso contrário ficaria entalado na entrada mesmo.

           — Onde estamos? Aqui… não é sua casa…

           — Ora ora, essa cabecinha estava fervilhando tanto que não prestou atenção no caminho?

           — O plano funcionou então carneirinho? — Aiolia apareceu abraçando Mu por trás antes de questionar, recebeu como resposta um sorriso sapeca e bochecha coradas.

           — Então vocês… — Não precisei terminar a frase, que de pronto foi entendida por ambos que juntamente disseram não, Mu extremamente envergonhado e Aiolia risonho.

           Após cumprimentar cordialmente cada convidado, exceto Camus, que como passe de mágica havia sumido da poltrona, fiquei um tempo analisando a festa.Depois decidi me aproximar de Afrodite, Mu e Shion.

—Então vocês armaram tudo isso?

— Sabe como é mini Buddha! Apesar do azedume, somos e sempre seremos todos unidos. — Afrodite sorria abraçando timidamente Shion, ambos sempre foram muito próximos, talvez devido a casa de peixes ser a décima segunda.

— Sha… — Mu disse, atraindo a atenção de todos antes de continuar — Me desculpe, nós... sabemos como seu temperamento funciona, então, para que desse certo te trazer até aqui nem que você notasse, tivemos que te por nos limites, assim, se distraíria o suficiente para tudo dar certo.

Ele parecia se sentir culpado… Em outras circunstâncias eu provavelmente lançaria um Tesouro Do Céu em todos, muito de bom grado, contudo, entendia que não havia sido na maldade.

— Tudo bem, Mu. — Forcei um sorriso e toquei seu ombro, Afrodite nessa hora congelou. Shion apenas sorriu para a cena, ele parecia distraído.

E foi nesse momento que notamos que um “eu nunca” — Shion me informou o nome do jogo — estava ocorrendo em um dos cantos da sala, não sei como não notamos antes, o barulho que aqueles homens faziam chegava a ser incômodo.

           Aproveitei que Mu também se distraiu com a roda dos exs irmãos de armas para questionar Afrodite.

           — Então… sobre Buddha e os outros deuses?...

           — A loka! Se mentisse sobre isso aposto que minha beldade não poderia estar presente! Teria cubinhos de mim espalhado por todo Meikai! E isso seria um desperdício, diga-se de passagem — Ótimo! eu esperava mesmo ter uma resposta séria dele? Afinal, Afrodite estava intelecto demais no começo do dia para ser verdade.

           Aproveitando-se da proximidade, o sueco me puxou pela mão para que assistisse ao jogo dos rapazes, já emendando uma explicação sobre o que se tratava.

           — Todos sentam em uma roda — Disse, obviamente — E começam as perguntas, tá vendo, cada um está com um copo? Normalmente a bebida é a mesma para todos,mas os gostos de cada um aqui são distintos. Parece que eles não estão seguindo a ordem de anti-horário ou horário, e sim o aleatório… Bom, enfim, você faz uma pergunta, por exemplo, “Eu nunca olhei para a bunda de nenhum cavaleiro presente” Quem já olhou, bebe.

           — E onde está seu copo, Afrodite? — Shion brincou já que nos aproximamos dele e do ariano menor enquanto a explicação me era dada, com um sorriso sapeca nunca visto antes.

           Que brincadeira de mais baixo escalão… Olhei em volta, procurando Camus mais uma vez, após checar que ele não se encontrava, não havia muito o que poderia fazer, então apenas me restou assistir ao jogo junto dos três.

           A brincadeira seguiu calma, até que, uns vinte minutos após, provavelmente pelo efeito do álcool Milo levantou o tom de voz:

— EU NUNCA quis pegar a Saori! — Milo exclamava com o peito estufado.

           — Cadê o Seiya?! Ele teria que virar a jarra INTEIRA! — Aldebaran, gargalhava alto enquanto Shura fazia um sinal de desaprovamento com a cabeça, tomando mais um gole de seu licor de cereja, ele não estava jogando, um pouco afastado, o capricorniano escorava a parede.

           — PODE BEBER MILO! — Saga, já um pouco bêbado se levantava, com um sorriso maldoso no rosto.

           — SEM CHANCE! se tem alguém aqui que tem que beber esse alguém é VOCÊ afinal você estava como mestre do santuário passava maior parte do tempo com ela!

           Os olhos de Shion pareciam sair faíscas, ansioso apenas a espreita de quem beberia.

           — IRMÃO??!!! EU VI EU VIII!!!

           — AIOLOS!? — Saga exclamou.

           — CAZZO! IO NON CREIO! bem que você sempre ficava pertinho dela, seu LILOCON!!!

           Shion arregalou os olhos, já Kanon e Aldebaran gargalhavam compulsivamente repetindo as palavras “Lolicon” diversas vezes. Foi então que com uma seriedade de dar calafrio a todos presentes que Dohko levantou a mão e disse:

           — Eu nunca… cometi incesto.

           — MA AI TU ME FODE, ZTRONSO!  — Foi vez de Carlo arregalou os olhos, encarando Afrodite que sorria despreocupado, não queria ficar bêbado, visto que teria que cuidar do namorado, mas não podia negar que todas as vezes que se deitara ele, Carlo e Shura, foi por pedido dele.Contudo, o pisciano não achava que primos irem para cama era lá um grande incesto.

           — TÁ NO INFERNO ABRAÇA O CAPETA! — Kanon, aparentando certo orgulho virou seu copo de absinto, enquanto Saga revirou os olhos também tomando o seu,estava bêbado mas não tanto, ainda, para entrar nos jogos do irmão.

           Milo encarou Aiolia e em seguida Aiolos.

           — Ma ta de brincadeira que vocês nunca deram uns beijunhos… —  Mdm parecia chocado.Recebeu um negativo repetitivo de ambos.

           — Nem UNA fodinha ? — Shura pareceu curioso. Mais negativas, dessa vez rápidas, bruscas.

           — MAIS ENTÃO COM QUEM FOI QUE TU APRENDEU ? — Afrodite agora se inclinava sob a mesa, sendo rapidamente puxado por Carlo, para que se sentasse em seu colo.

           Um tanto quanto desconcertado, Aiolia olhou para Milo, enquanto Aiolos encarou Shura com um “é sério isso?”.

           Vendo que o amigo estava extremamente sem graça, Milo resolveu puxar novamente a brincadeira.

           — EU NUNCA TREPEI COM O AFRODITE !!!

           Afrodite riu da tentativa de intimidamento, quando Carlo apertou ainda mais o namorado no seu colo, possessivo, e este pode sentir a ereção que se formava debaixo de si. Logo depois, o italiano esticou o pescoço para ver quem beberia, tarefa que não era muito difícil, afinal, Afrodite era um dos mais ex santos mais baixos.

           Milo foi o primeiro a beber, virando seu copo de Jack Daniels.

           Saga e Kanon trocaram olhares antes de virar a dose de Absinto de uma só vez.

           Shura, se aproximou roubando o copo de Dohko, pois sabia que este não havia feita nada com o pisciano, virando o copo de Eisenbahn, pois seu licor havia acabado.

           Foi a vez de Aiolia beber, apenas bebeu um gole de seu vinho. Todos olharam para ele, que coçou a cabeça. Nesta hora Camus apareceu, enxugando os cabelo numa toalha negra, quando passou mim.

           — Banho?

           — Ui, nada mais natural do que se banhar em casa, non?

           Casa? Ok, mais uma informação, estava na casa dele. O francês seguiu até aonde o jogo ocorria.

           — Qual foram as últimas perguntas?

           Nas duas primeiras, Camus pareceu circunspecto, contudo, na terceira pareceu hesitar, olhando ao redor, passou a mão no primeiro copo que viu, virando o conteúdo. Caipirinha. O copo era de Aldebaran.

           Todos pararam por um momento, antes de Carlo pegar seu MEGA copo de Nocino e beber todo o conteúdo a grandes goles, antes de abraçar Afrodite e anunciar:

— MIO!

Afrodite gargalhava agora, explicando aos que não sabiam da ‘grande mudança’ do companheiro, não sabia o motivo, mais que de uns meses para cá o namorado estava desse jeito, parecendo um gatinho manhoso.

Passado a vaia de “wooonnttt” que se seguiu para o casal, o sueco bateu três palmas, indicando que queria entrar no jogo.

Serviu para si uma dose de licor de anis, antes de despejar com um olhar cúmplice para Shaka:

— EU NUNCA senti vontade de pegar o Shaka DE JEITO. — E bebeu.

— MALADETTO!! — Carlo exclamou, mas logo em seguida abaixou a cabeça, bebendo.

Eu não podia acreditar! Provavelmente estava vermelho, ah, se eu pudesse arrancaria os sentidos de Afrodite agora mesmo!

— Quem nunca? — Kanon bebeu.

O.K. até agora apenas os maus elementos beberam… já esperava por isso, afinal, se ninguém bebesse, ficaria um clima chato.

Dohko bebeu. Recebendo em seguida um arquear de sobrancelhas de Shion.

Quando iam seguir para a próxima pergunta, Camus fez um sinal, desta vez furtando o enorme copo de Carlo, virando de uma vez só.

Era, era só o que me faltava! Uma piada de mau gosto dessas! Além de mentirem, usando esta pergunta infame para se embebedarem as minhas custas, a minha imagem, ainda fazem uma piada sem graça como essa!

           Eu queria saber quem fora o engraçadinho que armara aquilo, e que pior, havia feito Camus concordar com aquilo! Foi Milo! Certeza que foi aquele escorpião venenoso. Olhei em direção a mesa, ainda desacreditado, o jogo havia voltado ao ritmo normal após alguns assobios.

           A próxima pergunta fora tão baixa quanto a última que parei de prestar atenção em quem beberia, Shion se aproximou do amado, percebendo que este estava começando a elevar o tom de voz.

           Levantei meus olhos da mesa de mogno redonda e meus olhos se encontraram com os escarlates do ex santo de aquário. Um pouco constrangido, e sem saber que reação ter.

           — Com licença… acho que preciso tomar um ar…

           — Ui, d'accord, ali há uma varanda, pode ir lá se preferir. — Com os olhos ele indicou um uma porta lateral, um pouco atrás de mim, eu assenti antes de ir até o local indicado.

           Abrindo a porta, e encostando a mesma assim que sai, a primeira coisa a ser sentida foi a brisa que fez com que meus cabelos dançassem. Um pouco menos frio do que no início do dia, essa noite poderia ser considerada… refrescante…

           Olhei para cima, apesar da poluição, London possui belas constelações… Me aproximei um pouco mais da borda, constando que estava no segundo andar, estranho, não lembro de que subido escadas ou algo do gênero. É, Mu sem sombra de dúvidas conseguira me distrair muito bem.

           Normalmente apenas analisar por algum tempo os astros, fechar meus olhos, isso, já me acalmava, mas por algum motivo meu coração não estava se aquietando com estes gestos. Realmente… uma brincadeira de extremo mal gosto, por acaso quer que eu me ajoelhe perante você Camus? para que entenda de uma vez…

           Agora que até mesmo Buddha resolvera me trair, não me resta muita coisa.

           Não, se acalme Shaka, Shaka de Virgem! Comecei então a respirar e inspirar lentamente, a fim de acalmar meu coração. Alguns minutos passaram-se quando eu finalmente me julguei pronto para entrar.

           Meus dedos tocaram o puxador lateral quando eu ouvi a voz de Milo, um pouco abafada por conta da madeira, mais extremamente entendível.

           — POXA RUIVO! AGORA QUE TAVA FICANDO DIVERTIDO, VOLTA AQUI QUE EU SEI QUE VOCÊ GOSTA!

           Meu coração falhou, e meu braço pendeu para o lado, a porta a minha frente fora aberta, e Camus agora me encarava com os olhos arregalados.

           Foi só então que eu percebi, eu estava chorando. As lágrimas quentes rolavam pelo meu rosto, ele fechou a porta atrás de si e antes que pudesse me virar para esconder aquela lástima, Camus me puxou para os seus braços, me apertando.

           — Por quê?... Por que…. ele Camy? — Não conseguia mais controlar o que saia de meus lábios, as palavras simplesmente vazavam, enquanto eu deixava que meu corpo fosse pressionado contra o dele, sentindo o seu cheiro de colônia misturado com vinho, seus cabelos cor de fogo roçando em minha face.

           — P...Pardon? ele quem?

           Me afastei um pouco, apenas para encarar seus olhos um momento e em seguida enterrar meu rosto mais ainda em seu peito.

           — MILO! Por que.. Porque ele ?

           Camus parecia extremamente surpreso com o contestamento, ao meu ver, ele parecia estar se fazendo de desentendido, então continuei.

           — Você continua saindo com ele mesmo depois de terminar! POR QUÊ? Mesmo depois de tudo que eu…

           — Que eu? … — Ele incentivou. Nesse momento eu me afastei, dando as costas a ele e andando até a beira da sacada juntando toda a minha coragem.

           — DEPOIS DE TUDO QUE EU FIZ! Não percebe? Eu… Eu fiquei com Mu porque não conseguia parar de te desejar CAMUS! Em minhas orações rezava por sua alma após sua morte. Eu lhe tirei a visão na batalha contra Hades apenas para que não me visse te ferindo! Não me visse DERRAMANDO LÁGRIMAS! Mas… Você usou seu cosmo para se conectar com os sentidos dos outros e mesmo assim… Mesmo assim você viu, e foi quando eu perdi meu chão Camus. Foi quando entreguei minha vida, por não ter forças para arrancar a sua.

           Ele sorriu, a minha frente, SORRIU! diante de tudo que eu estava falando ele simplesmente sorriu. Seria debochado. Tinha certeza disso.

           — Você… está achando graça?... Eu estive alheio a tudo, apenas observando quando voltamos, seu término com Milo, mas, você continuou a sair com ele! Por quê?

Um silêncio se seguiu, até que Camus caminhasse até meu lado, respirando fundo.

— Sabe por que eu e Milo terminamos?  — Silêncio — Na luta contra Hades, quando resolvemos voltar e assumir o posto de traidores, Milo… ele non hesitou em nenhum momento antes de me atacar, eu vi ódio em seus olhos, vi rancor, vi sangue… mas non vi uma gota de hesitação, misericórdia. Enquanto nos seus olhos… nos seus Shaka.

Camus se virou para mim, levando sua mão até meu rosto e virando-o para que o encarasse, seus olhos tinham um aspecto marejado, como os meus. Ele continuou:

— Em seus olhos, eu vi amor, comprometimento, hesitação… Vi sentimento, nesse momento, soube que havia escolhido a pessoa errada para amar, mesmo na luta contra Odin, quando Milo tentou conversar comigo e me explicar que estava apenas defendendo Athena… Eu non conseguia mais amar aquele homem. Entretanto… — Camus abaixou os olhos, parecia estar com... vergonha?  — Eu também possuo minhas vontades físicas, e eu non iria me deitar com qualquer pessoa. Do mesmo modo que você, eu buscava acalmar minhas frustrações com Milo…

— Porque não me disse isso antes? …

— Você precisa entender, tive vergonha Shaka, por vezes… por vezes você me viu junto de Milo, você me viu num momento de carência no MetGold! Naquele dia, na balada do Kanon pouco depois de termos voltado, quando soube que você estava saindo com Mu, senti que nunca poderia te ter, e me entreguei a pura luxúria pela primeira vez…Enquanto você mantinha uma vida casta,me senti indigno!

— Então? você sempre me quis? Esse tempo todo.

— Ui! Je t'aime… Mas... você, poderia me amar ainda? Amar a um homem que durante anos viveu apenas movido a luxúria...Que não teve coragem de lhe dizer ‘te amo’ durante quatro anos?

Sem mais conseguir esconder o desejo que camuflava há anos, puxei Camus delicadamente pelo pescoço, roçando nossos lábios, o francês encostou a ponta da língua na minha pele, pedindo passagem, e eu concedi, agora ele explorava cada canto desta, ditando o ritmo até que eu também tivesse a ousadia de lhe explorar.

Suas mãos pousaram na minha cintura, enquanto as minhas se enroscavam em seu cabelo. Paramos quando nos faltou ar, e eu o abracei aspirando por mais uma vez aquele cheiro maravilhoso.

— Que pergunta Camus… eu já o amo há tanto tempo… — Disse no impulso.

— Pode repetir isso?

— Err… repetir o que?

Camus riu contra meu pescoço, antes de distribuir beijos por este.

Cerrei os olhos ao sentir uma leve mordida, que devido ao arrepio me fez levantar a cabeça. Meus olhos se fixaram em um terceiro homem que estava na sacada… quem poderia ser ele? Quando havia chegado? Trajava um manto budista, pele negra e longas madeixas brancas, em sua testa havia um Bindi dourado.

O tempo parecia ter congelado. O homem sorriu para mim, me reverenciando antes de dizer diretamente em minha mente:

 

“Eu nunca o trairia Shaka. Muitas vezes, o orgulho de um homem pode torná-lo o mais dos ignorantes, espero que tenha entendido isso meu filho. Agora sim, posso lhe dar sua missão desta vida…”

 

Finalle?...


Notas Finais


hostess = Recepcionistas, normalmente ficam nas portas das baladas checando documentos, ou dentro da mesma tirando dúvidas e afins.

carpe diem = Significado semelhante a Viva La Vita, porém ‘viva o dia’

ménage à trois = Relacionamento sexual que envolve um casal mais uma amante, um homem e duas mulheres, contudo, achei mais “ bonitinho ” Por assim dizer, usar essa palavra ao invés de suruba.

Tikusho¹ = Mundo das bestas da habilidade especial de Shaka “ciclo das cinco existências” que é um resumo da crença real dos budistas, que separam as categorias de existências em 10 estados, sendo o Tikusho o terceiro estágio no budismo e o segundo no anime.

Lolicon = Pessoa mais velha que ‘curte’ menores de idade… pedofilia por assim dizer.

Nocino = É uma tradicional bebida alcoólica italiana. Produzido a partir das nozes.

Bindi ou Tilaks = É o pontinho vermelhorosado que Shaka possui entre as sobrancelhas.

Eai galera, oque acharam? Todos possuem uma visão “ruim” do Shaka, de um homem orgulhoso, fechado, bom, eu também, mas escrevendo em primeira pessoa creio que nosso virginiano seria como qualquer outra pessoa, que apenas tenta ser circunspecta e um tanto quanto orgulhoso.

Foram dois dias cheios, um e meio escrevendo e outro editando por conta, mas super valeu a pena, me surpreendi por ter conseguido escrever tão rápido e deixar um pouquinho de cada casal ♥ xD

Tentei passar uma imagem ‘diferente’ de um Buddha (Como aquela histórinha, e se DeusJesus fosse negro?) mais ou menos isso…Finalle?

hm... estão afim de uma continuação? contando sobre os outros casais? Comenta ai ♥ xD ♥ Booom / por enquanto é isso amores e amoras ♥ nos vemos nas outras fic :3 beijinhus ♥

Link do meu perfil do Nyah = https://fanfiction.com.br/u/423726/


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