História She drives herself crazy - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Taeny
Visualizações 123
Palavras 7.886
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa OS foi inspirada na música do 'N Sync, I drive myself crazy. Sim, eu nunca superei o disband dessa boyband maravilhosa, me julguem rs Teve um dedinho de inspiração no filme "Uma mente brilhante" também, dizem que ele é um pouco ilusório e não retrata fielmente os fatos, mas eu adoro esse filme e de ficção para ficção, não dá nada, né non?

Ela começa no futuro e tem um flashback enorme no meio da fic para conhecermos melhor a história delas. Espero que não tenha ficado confuso.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction She drives herself crazy - Capítulo 1 - Capítulo Único

Eu fazia o caminho por aquele corredor extenso e perturbador tão conhecido por mim pela última vez. Cheguei na frente da porta daquele quarto de número 7 me sentindo esfuziante, espero nunca mais ver esse número. Adentrei aquele cômodo branco logo procurando pelo motivo de minha visita e de meu coração batendo descompassado. Taeyeon estava sentada na cama, desenhando em seu bloco de notas. Sua expressão era serena, eu faria qualquer coisa para poder ver aquele semblante calmo em seu rosto pelo resto de nossos dias. Ela notou minha presença, logo me direcionando um sorriso tranquilo. Aquela era a minha Taeyeon.

Aquele seria o último dia de Taeyeon dentro daquele hospital psiquiátrico, ela seria liberada no dia seguinte pela manhã e eu iria passar amanhã apenas para pegá-la e ir no consultório para apanhar seus prontuários e recomendações médicas. Foram seis longos anos de muito sofrimento e agonia, tanto para ela quanto para mim e sua família. Eu ainda tinha pesadelos sobre aqueles tempos obscuros de nossas vidas.

 

Flashback on

"Eu havia conhecido Taeyeon na faculdade, quando ela tinha vinte e cinco e eu vinte e seis anos. Eu cursava medicina, ela arquitetura. Tínhamos amigos em comum e durante uma festa universitária, ficamos amigas. Não demorou muito para que nos apaixonássemos, nos envolvemos amorosamente e eu tinha certeza que ela era a única pra mim, se não fosse com ela, não seria com mais ninguém. Taeyeon me envolveu de um jeito que eu não podia mais seguir minha vida sem ela e eu adorava isso. Ela era uma garota cheia de vida, era apaixonada por paisagismo, ela se especializou nessa parte da arquitetura e simplesmente idolatrava as flores. Ela costumava dizer que o meu cheiro havia feito com que ela se apaixonasse por mim de cara, antes de me conhecer de verdade, porque eu cheirava à gardênias e ela era apaixonada por essa flor. Fomos morar juntas depois de um ano de namoro, nossa varanda era ornamentada com as mais lindas flores de sua própria escolha. Vivemos por quatro anos em perfeita harmonia, Taeyeon fazia eu me sentir feliz todos os dias de nossa convivência naquela casa, as lembranças daquele tempo me traziam uma nostalgia boa, as coisas seriam diferentes daqui pra frente, mas eu me sentia esperançosa."

“As coisas começaram a desandar quando Taeyeon completou vinte e nove anos. Ela começou a ficar estranha. Primeiro, seu apetite sexual diminuiu drasticamente. Aquilo logo me trouxe um sentimento de que ela não me achava mais atraente, isso me atormentou por muito tempo, pois antes nosso sexo era frequente, Taeyeon por muitas vezes se mostrava muito mais faminta do que eu, sempre havia sido assim, eu já havia me acostumado com aquele jeitinho dela e eu adorava aquilo. Mas, do nada, tudo acabou. Depois, eu pude senti-la apática, nada parecido com sua verdadeira personalidade, aquela que havia feito eu me apaixonar por ela. Taeyeon era o tipo de pessoa que vivia saltitante por ai, sabia como aproveitar a vida e sempre me contagiava com seu bom humor. De repente, eu não podia mais ver seus sorrisos direcionados a mim. Naquele momento, passei a desconfiar que tivesse algo errado, mas achei q seria passageiro, então apenas continuei paciente com ela, eu a amava, enfrentaria qualquer coisa por ela. Mas as coisas não eram tão simples quanto pareciam ser.”

“Certo dia, enquanto eu estava andando em uma avenida com Taeyeon, procurando vestidos para irmos no casamento de uma amiga nossa, estávamos prestes a atravessar a rua, quando ela me parou. Pediu desesperadamente que não atravessássemos. Eu me espantei com aquilo, nunca vi Taeyeon agir daquela forma. Ignorei suas súplicas e tentei puxá-la, mas seus apertos em meu pulso não deixaram. Foi aí que ela me disse que algo lhe dizia para que não atravessássemos a rua, que nós morreríamos. Arfei com seu comentário. Eu esperava que ela apenas estivesse tendo um pressentimento ruim e não que algo realmente estivesse dizendo coisas em sua cabeça. Acabou que eu cedi e nós procuramos por vestidos no mesmo quarteirão, delimitando nossas escolhas.”

“Alguns dias se passaram após aquele fatídico acontecimento, mas tentei ignorá-lo na medida do possível, apenas ficando alerta para o comportamento de minha namorada, caso houvesse mais alguma mudança brusca em sua personalidade. Infelizmente, logo tive novas suspeitas desagradáveis.”

“Taeyeon havia chegado perturbada da agência de paisagismo em que trabalhava, dizendo coisas desconexas sobre sua chefe, que ela havia implantado pensamentos negativos sobre ela na mente de seus colegas. A forma como ela dizia isso, de maneira rápida e confusa, havia me assustado. Aquela definitivamente não era Taeyeon. Decidi no dia seguinte, ir conversar com sua mãe. Para minha surpresa, ela também havia percebido que Taeyeon estava estranha, falava de maneira robótica no telefone e muitas vezes dizia coisas que não faziam sentido. Minha mente médica já me dizia o que poderia ser aquilo. Contei tudo o que estava acontecendo entre nós para a senhora Kim e lhe disse quanto às minhas suspeitas. Choramos muito naquele dia. Aquilo não podia estar acontecendo, não com a nossa Taeyeon.”

“Decidimos levar ela em uma psiquiatra, eu tinha uma colega que havia acabado de terminar sua especialização e eu disse a Taeyeon que eu ia apenas apresentá-la a uma amiga. Como eu ainda fazia faculdade de medicina por ser um curso extenso, ela não estranhou eu ter a levado em uma clínica, ela já frequentou muitas clínicas apenas para me ver em meu período de pausas do estágio que eu fazia, não era um ambiente que ela se sentia assustada, para a nossa sorte. Pedi a minha amiga que agisse de forma normal com ela, como se conversássemos apenas entre amigas. Ela era uma ótima profissional, atendeu meu pedido e conseguiu conduzir uma consulta de forma maravilhosamente bem com Taeyeon, ganhando sua confiança e fazendo ela contar um pouco sobre seus sentimentos. Ao final, pediu para que Taeyeon aguardasse lá fora, pois ela tinha que ter uma conversa particular comigo e com sua mãe. Taeyeon achou estranho, mas não questionou, nos deixando sozinhas com minha amiga. Após eu ouvir ela soltar o ar pesadamente, ela apenas confirmou minhas suspeitas. Nós tínhamos o diagnóstico de seu transtorno. Taeyeon era esquizofrênica.”

“Só a menção daquela palavra me fez chorar desesperadamente nos braços da senhora Kim. Minha amiga me olhava com pesar, aquilo não seria fácil de lidar. Após eu me acalmar, ela me disse os procedimentos já conhecidos por mim, teríamos que iniciar o tratamento imediatamente. Perguntou para a mãe de Taeyeon sobre os fatores de risco, se ela tinha algum parentesco com algum portador da doença, mas a resposta era negativa. Depois de um tempo, me lembrei que o pai de Taeyeon havia engravidado a mãe dela em uma idade avançada, inclusive ele já era falecido de velhice, dando o veredicto das causas do transtorno. Chamamos Taeyeon para que ela conversasse a sós com a minha amiga psiquiatra. Naquela sala de espera, eu decidi qual seria o rumo de minha carreira. Eu me especializaria em psiquiatria, eu faria de tudo para ter minha Taeyeon de volta, eu mesma cuidaria dela.”

“Passamos duas horas naquela sala de espera, a ansiedade tomando conta de mim a cada segundo que passava. Por fim, a porta se abriu, com Taeyeon saindo de cabeça baixa e minha amiga ao seu lado. Ela havia dito que conversou com Taeyeon sobre o transtorno e sobre como o tratamento seguiria daqui pra frente. Ela lhe receitou alguns remédios e recomendou que Taeyeon passasse a se consultar com um psicólogo e começasse a fazer terapia. Tomei nota de tudo, eu resolveria aquilo naquele dia mesmo. Nos despedimos de minha amiga e eu deixei a mãe de Taeyeon em sua casa, passando em uma farmácia para comprar os medicamentos. Eu havia gastado parte de meu salário neles. Daqui pra frente, eu teria que ralar para conseguir uma boa posição em minha profissão e ganhar um salário melhor. Eu faria isso por ela.”

"Chegamos em casa, Taeyeon não havia dito nada desde que saímos da clínica. Por fim, não aguentei seu silêncio e questionei sobre como ela se sentia sobre isso. Ela disse que se sentia triste, mas que entendia. Me pediu para não sair do lado dela. Não aguentei naquele momento, a envolvi em meus braços e encharquei sua camiseta com minhas lágrimas. Eu a salvaria, custe o que custar."

"Os dias foram passando e Taeyeon fazia o  tratamento à risca. Com o tempo, ela não se sentia mais disposta para trabalhar, deixando de fazer o que gostava tanto para se tornar uma Taeyeon desanimada dentro de casa. Ela sempre obedecia e tomava os remédios nas horas certas e fazia o tratamento com profissionais, mas os medicamentos a deixavam cansada demais para fazer qualquer coisa. Me desesperava vê-la assim, aquela seria a minha Taeyeon daqui pra frente? A única coisa que ela ainda se esforçava era em cuidar das flores em nossa varanda, nunca as deixava morrer. Ver sua dedicação com aquelas plantinhas me lembrava a garota por quem eu havia me apaixonado. Era isso que me motivava a seguir em frente, a acreditar em nosso amor."

"Um dia, as coisas se tornaram mais complicadas. Eu cheguei em nossa casa e encontrei tudo revirado, como se tivesse passado um furacão por ali. Me desesperei na hora, teriam revirado nossa casa com Taeyeon lá? Onde ela estava? Depois de olhar por todos os cômodos da casa, encontrei ela em nossa varanda, abraçando os joelhos, enquanto se balançava em movimentos ritmados. Mal sabia eu que aquela imagem me atormentaria por muito tempo. Após várias tentativas de conversar com Taeyeon, ela havia dito que as vozes haviam lhe instigado a fazer aquilo. Respirei fundo e naquele momento decretei que Taeyeon não poderia mais ficar sozinha ali, seria complicado encontrar uma casa virada de cabeça para baixo frequentemente."

"Passei a deixar Taeyeon na casa de sua mãe antes de ir para o estágio. A senhora Kim era aposentada, passava seus dias em sua casa vazia. Contei a ela o que havia acontecido e ela concordou em olhar Taeyeon de bom grado. Era sua filha, afinal e ela a amava. Eu não estava me livrando dela, eu passaria para buscá-la todas as noites e, pelo menos, ela teria uma boa companhia para lhe tirar um pouco de sua mente nebulosa. De início, Taeyeon não aceitou bem aquilo. “Quem cuidaria das plantas?”, ela questionou. Sua preocupação boba me fazia sorrir. Expliquei a ela que ela voltaria no fim da noite e poderia olhá-las, sem falar que passaríamos o fim de semana por lá, não havia problema. Só assim, ela aceitou."

"O nosso mundo desabou alguns dias depois do acordo que eu havia feito com a mãe de Taeyeon. Eu estava em meu estágio quando a senhora Kim me ligou desesperada. Sua voz alarmada do outro lado da linha me deixou alerta imediatamente. Ela dizia que Taeyeon estava tendo um surto. Ela gritava e machucava a si mesma dizendo que algo estava correndo pelo seu corpo. A senhora Kim já havia tentado dar um banho nela, mas nada resolvia e ela estava se machucando de verdade. Disse à senhora Kim que ligaria para a clínica psiquiátrica que Taeyeon fazia o tratamento, que ela se acalmasse e segurasse as pontas até que a ambulância chegasse. Liguei para minha amiga imediatamente, àquela altura meu desespero já havia alertado meus colegas de trabalho, os deixando aflitos ao meu redor. Ela atendeu a ligação e eu lhe expliquei o que estava acontecendo. Ela encaminharia uma ambulância até a casa da mãe de Taeyeon de prontidão. Ela me explicou que Taeyeon seria levada até um hospital psiquiátrico um pouco afastado da clínica, pois atendimentos emergenciais não eram feitos na clínica e me passou o endereço do hospital. Após desligar, liguei para a senhora Kim avisando que a ambulância já estava a caminho. Saí correndo do hospital, avisando meus colegas antes sobre a internação de minha namorada. Seus olhares de pena já me eram costumeiros."

"Dirigi por algumas horas até o hospital, ele realmente ficava afastado de onde morávamos. Eu estava com o coração na mão, minhas lágrimas por vezes atrapalhavam eu dirigir, mas tentei me manter forte para conseguir chegar lá sem causar um acidente. Quando cheguei ao hospital, encontrei a senhora Kim na sala de espera, sua face denunciando todo o desespero que ela havia passado. A abracei forte, seus braços eram o único conforto que eu podia receber naqueles momentos, nós tínhamos a mesma dor."

"Taeyeon ainda estava recebendo o atendimento adequado, esperamos por uma hora naquela sala de espera, até o médico aparecer e explicar que ela já havia sido medicada e que poderíamos vê-la. Quarto número 7. Eu entrei naquele corredor sem a mínima noção de que eu ainda cruzaria ele muitas vezes. Ao chegarmos ao quarto, encontramos Taeyeon completamente amarrada à cama, com seu rostinho todo arranhado e usando uma camisa de força. Eu sabia que aquilo era necessário para que eles pudessem aplicar os medicamentos na veia sem machucá-la, mas a imagem de minha Taeyeon naquela situação era perturbadora. A senhora Kim ao meu lado já chorava de forma desolada. Não consegui deixar de derramar algumas lágrimas. Conseguimos ficar algumas horas por lá, o médico que nos atendia era muito gentil e permitiu que ficássemos um pouco mais além do permitido, mas o tempo passou voando. Conversamos com o doutor e ele disse que seria necessária a permanência dela por lá alguns dias e depois nós poderíamos decidir o que seria feito. O que ele dizia é que nós teríamos que decidir se iriamos internar Taeyeon e fazer seu tratamento por lá, ou se a levaríamos para casa, correndo o risco de mais surtos e mais complicações. Não era uma decisão fácil mas, se possível, pediríamos a opinião de Taeyeon quanto a isso. Acertei as contas na recepção, eles cobravam uma fortuna para interná-la, mas a senhora Kim me ajudaria. Deixei ela em sua casa e fui para a minha me sentindo um caco. Eu questionava o universo o porquê de eu estar passando por aquilo, o porquê de toda a felicidade ter sido arrancada de mim tão de súbito. Respirei fundo. Eu tinha que me apegar ao fato de que Taeyeon estava viva e que se tivéssemos um pouco de sorte e fé na ciência, eu poderia tê-la de volta, mesmo que seja só um pouco."

"No dia seguinte, pedi uma folga no estágio, concedida de boa vontade por meu chefe, ele entendia a situação e seria apenas um dia. Peguei a senhora Kim em sua casa e fomos para o hospital. Taeyeon já estava bem, ela estava acordada quando chegamos, porém ainda estava amarrada a cama. Pedimos a uma das enfermeiras que a desamarrasse e conseguimos dar uma volta com ela pelo hospital. Ela havia gostado do jardim que eles cultivavam no pátio a céu aberto, se sentiu feliz lá. Perguntei a enfermeira que nos acompanhou se Taeyeon poderia ajudar com o jardim. Ela disse que isso não era comum, porém ela poderia auxiliar o jardineiro. Ele era um senhor gentil e, com certeza, aceitaria a ajuda. Fiquei feliz com isso, pelo menos Taeyeon teria uma distração por lá. Ao final do horário das visitas, questionamos Taeyeon sobre suas vontades. Ela não se lembrava direito do episódio do surto, ela dizia que era tudo nebuloso, porém não queria ser um incômodo. Se fosse o melhor, ela faria o tratamento por lá. Eu lhe garanti que isso era temporário, apenas até ela ter uma melhora no quadro. Ela sorriu fracamente. Eu lhe disse que havia decidido me especializar na área para que eu mesma pudesse lhe indicar o tratamento adequado e pudesse cuidar dela melhor. Ela não esboçou reações, porém me abraçou forte. Eu teria minha Taeyeon de volta."

"Infelizmente, Taeyeon passou a ter crises frequentes. Elas vinham uma vez a cada duas semanas e os médicos estavam testando formas diferentes e medicamentos diferentes para avaliar o que seria melhor em seu tratamento. Taeyeon continuou internada por lá. Eu passei a visitá-la todos os dias após o horário de meu estágio e, de vez em quando, eu levava a senhora Kim comigo. Não era saudável a uma senhora de idade passar por aquele tipo de estresse frequentemente, isso fazia mal a sua saúde."

"O tempo passou e eu finalmente iniciei minha pós-graduação. Com minha formação e pós em andamento, eu havia conseguido um emprego fixo em uma clínica psiquiátrica, eu estava ganhando mais e já conseguia pagar o hospital de Taeyeon sozinha. A senhora Kim não recebia muito de sua aposentadoria e ficou muito grata por tudo, não só por eu pagar o hospital sozinha, mas por toda a minha dedicação por sua filha. Eu não estava fazendo nada demais, apenas ajudando a pessoa que eu amava."

"Com o tempo, as crises de Taeyeon foram ficando menos frequentes. O tratamento também estava tendo algum retorno, ela já conseguia se empenhar em algumas atividades, ela até havia feito amizade com o jardineiro do hospital, que eu havia descoberto ser uma ótima companhia para ela. Jin elogiava muito Taeyeon e seu conhecimento sobre as flores. Ele ficou pasmo de saber que Taeyeon era formada e aquela era sua especialidade. Ninguém espera que alguém instruído vá parar em um hospital psiquiátrico, mas transtornos mentais não escolhem grau de formação, classe socioeconômica e nem nada do gênero."

"Eu sempre levava livros para Taeyeon ler e ela gostava de desenhar, esse era um hábito que ela tinha quando era mais jovem e voltou com toda força agora que ela tinha um tempo de qualidade para se dedicar. Ela ficava tímida de me mostrar seus desenhos, mas sempre que eu podia eu a pegava desenhando sorrisos e eye-smiles. Isso me deixava esfuziante. Saber que ela pensava em mim me traziam lágrimas aos olhos, esses momentos faziam todo aquele esforço valer a pena. Sempre que eu e sua mãe a visitávamos, tentávamos enchê-la com todo o bom otimismo que possuíamos, isso a deixava mais tranquila. Percebi que o apoio da família era de importância vital em casos como esse. Isso lhe trazia segurança, fazia com que seu quadro evoluísse. Ela não ficaria sozinha."

"Eu sentia que a minha Taeyeon estava voltando aos poucos. Ela estava cada vez mais falante, sempre que eu a visitava, ela me contava tudo de seu dia e também queria saber sobre o meu. Ela ficava feliz quando eu lhe contava sobre as coisas boas que estavam acontecendo, sobre o meu novo emprego e sobre os meus estudos, eu podia ver seus olhos se iluminarem com isso. Um dia, quando eu estava prestes a ir embora, me levantei de sua cama e Taeyeon segurou minha mão, me impedindo de ir. Ela se levantou e deixou um beijo casto em meus lábios, dizendo que sentia minha falta. Naquele momento, senti as lágrimas caindo por meu rosto, ela estava ali. Era a minha Taeyeon. Ela me abraçou e pediu que eu não chorasse, que tudo ficaria bem. Era ela quem me dizia isso, não era minha mente que me dizia em uma tentativa minha de não entrar em colapso. Eu poderia suportar mais um pouco, um dia eu a teria de volta. Poderia demorar, mas a cada dia que passava, eu ficava mais perto de recuperar minha felicidade."

"Taeyeon passou a me querer mais perto. Sempre que eu chegava em seu quarto, ela me recebia com abraços calorosos e me beijava. Eu me sentia nas nuvens com isso, era como se eu estivesse a redescobrindo e reconquistando seu carinho. É claro que tinham dias que eu ainda a encontrava amarrada em sua cama, mas eles eram raros. Ela sempre voltava para mim e me recebia carinhosamente. Certo dia, eu cheguei em seu quarto e Taeyeon veio correndo me abraçar. Eu havia tido um dia de trabalho estressante, então era revigorante ser recebida assim. Ela passou o tempo inteiro agarrada comigo, ficamos abraçadas na cama sentindo o calor uma da outra durante o horário de visitas inteiro. Ao final, ela me disse algo que abalou os meus sentidos e me deixou arrepiada por dias a fio. Ela disse que, às vezes, sentia vontade de ter sexo comigo. Ela sentia falta de mim e às vezes se pegava pensando em nossos momentos. Isso me encheu de esperanças. Tudo havia começado com sua falta de apetite sexual e agora ela o estava recuperando. Taeyeon, aos poucos, estava voltando ao normal. Prometi a ela que se ela se cuidasse, logo logo voltaríamos juntas para casa e ela teria todo o sexo que quisesse comigo. Poder ver seu rosto corado e um sorriso lindo nele foi o ápice da minha felicidade naqueles anos que haviam se passado. Eram aqueles pequenos momentos de felicidade que faziam os meus dias. Eu passei a valorizar cada gesto, cada palavra, cada momento com Taeyeon. A percepção da magnitude de meu amor por ela fazia eu me sentir realizada, eu havia encontrado a mulher de minha vida e lutaria para tê-la ao meu lado de novo."

"Pouco tempo depois, terminei minha pós-graduação, podendo subir de cargo e atender a pacientes em estados psicológicos mais graves na clínica. Isso fazia com que eu tivesse que trabalhar menos horas e ganhasse mais, além de não ter mais que ir para a faculdade. Eu teria mais tempo com Taeyeon, passando a visitá-la também pelas manhãs, já que os horários de visita aconteciam durante os três períodos do dia. Isso a deixou feliz da vida. Eu passei a acordá-la e levava seu café da manhã em sua cama. Acordá-la com beijinhos de bom dia lhe deixava radiante, isso fazia eu sentir que as coisas estavam se normalizando. Apesar de Taeyeon estar internada, nós conseguíamos estabelecer certas rotinas e levávamos aquilo como algo normal, apesar de não termos sexo, nós agíamos como namoradas e isso me encantava cada vez mais. A cada dia que passava, eu me encontrava cada vez mais apaixonada por ela, se é que isso era possível. Eu a amava mesmo com sua doença, mesmo quando ela tinha crises, eu aprendi a aceitar que, mesmo com o transtorno se manifestando, aquela era ela. Taeyeon tinha uma doença incurável e eu tinha que aceitar isso. Taeyeon também já aceitava melhor a própria doença e isso contribuía para a melhora de seu quadro. Eu não a via mais apática como antes, ela conseguia ler mais livros e até mesmo me questionava se eu estava cuidando das plantinhas da varanda. Eu fui sincera com ela, pois eu não era tão boa assim em cuidar de flores e sem ela eu não sentia vontade de me dedicar tanto assim. Ela brigou comigo, mas disse que recuperaria as flores quando voltasse. O fato dela ter a certeza de que voltaria me deixava feliz. Ela em nenhum momento duvidou de minha promessa, eu a tiraria dali e cuidaria dela, nós teríamos nossa vida de volta."

"Certo dia eu cheguei no hospital pela manhã e encontrei o médico responsável pelo tratamento de Taeyeon conversando com ela. Ela parecia animada. O médico havia pedido para conversar comigo em particular. Ele costumava fazer isso para me dar um retorno sobre o tratamento dela, então não estranhei quando entramos em sua sala. Mas, para minha surpresa, daquela vez foi diferente. Ele havia me reportado que Taeyeon não apresentava sintomas da doença a seis meses. Havia completado seis meses naquele dia, sem surtos, sem alucinações. Na hora, não aguentei a notícia boa e fui abraçar o médico, toda emocionada e já com lágrimas correndo pela minha face. Ele riu e me disse que ela não estava curada, porém se ela continuasse o tratamento firmemente, os sintomas da doença seriam raros de se apresentar e as crises seriam mais raras ainda. Ele disse que aquele era o momento para eu solicitar a alta dela do hospital e reintegrar Taeyeon à sociedade, ela já tinha autonomia o suficiente para seguir o tratamento em casa e voltar a ter sua rotina normal."

"Saí daquele consultório saltitante, indo até a recepção solicitar alta para minha namorada. Ela sairia no dia seguinte e eu nunca me senti tão feliz em toda minha vida."

Flashback Off

 

Saber que eu não teria mais que vê-la naquele quarto me deu a certeza de que toda aquela luta valeu a pena e encheu meus olhos de lágrimas. Taeyeon me olhou, preocupada, eu havia acabado de falar com o médico e parecia abalada. Ela se levantou da cama, vindo até mim rapidamente.

– Está tudo bem, amor? Aconteceu algo? – Ela pegou minha face, limpando as lágrimas que insistiam em cair. Direcionei meu melhor sorriso à ela, fazendo seu semblante se tornar confuso.

– Está tudo ótimo. Vamos dar uma volta no jardim? – Sugestionei, pegando uma de suas mãos em minha face e a beijando.

– Tudo bem. – Ela de ombros, me puxando para fora do quarto.

No caminho, cumprimentávamos alguns funcionários e enfermeiras que já nos eram conhecidos. Todos eles sorriam largo para Taeyeon, parece que a notícia já havia se espalhado. Eu garanti que ninguém conversasse com ela, eu mesma queria dar a notícia.

– Por que todo mundo está me olhando esquisito hoje? Não é coisa da minha cabeça, é? – Ela me disse, de forma divertida. Ri de seu comentário, dessa vez não era alucinação dela. Chegamos ao jardim, sentando em um dos bancos de madeira. Decidi desviar o assunto por um tempo.

– Como se sente hoje? – Questionei, brincando com uma de suas mãos enquanto deitava minha cabeça em seus ombros.

– Me sinto feliz. Joshua comentou que eu estou há seis meses bem? – Contou-me, de forma animada. Olhei para ela, por cima de seu ombro, deixando um beijo em sua bochecha.

– Sim, ele comentou. Você não sente nada mesmo? – Perguntei, minha curiosidade se manifestando. Não era comum de minha parte questionar sobre sua doença, era um assunto pesado e eu queria me manter otimista ao seu lado, sempre lhe passando sentimentos bons. Eu sempre pedia para seu médico me reportar, eu tinha medo de perguntar a ela e isso a deixar abalada. Taeyeon suspirou.

– Eu não posso dizer que não sinto. – Ela observava as flores a nossa frente, com o semblante sereno. – Mas eu consigo agora discernir o que é falso e o que é realidade, então eu apenas ignoro. – Ela parecia falar sobre as vozes. Isso era algo que me assustava, eu não queria mais que Taeyeon se sentisse perturbada, vê-la daquele jeito me matava por dentro.

– Elas… elas ainda lhe dizem coisas ruins? – Disse, de forma apreensiva. Ela passou a fazer um leve carinho em meus cabelos.

– Nem sempre são coisas tão ruins. Na maioria das vezes, são coisas muito bobas, como para eu não pentear meu cabelo, porque ele cairia. Ou para eu não tomar banho, porque o chuveiro explodiria. – Olhei abismada para Taeyeon, fazendo ela soltar uma risadinha por minha reação.

– Deve ser muito difícil ignorar isso, Taeyeon. Como você consegue? Eu sentiria muito medo. – Fui sincera. Eu não conseguia imaginar como ela havia conseguido lidar com aquilo por todo esse tempo, eu não sei se eu teria estrutura para conseguir me manter sã.

– São anos tentando. – Ela soltou o ar pesadamente, seus afagos em meus cabelos me deixavam sonolenta. – Eu já estou acostumada. Eu sei que se eu ignorar e arriscar, nada de mal irá me acontecer. É um exercício diário, mas a cada vez que eu arrisco desafiar as ordens e nada de mal me acontece, eu tenho a certeza de que estou no caminho certo. Eu fico mais tranquila. – Desabafou. Algo se passou por minha cabeça, uma dúvida que eu nunca havia comentado com ela, mas eu precisava saber, parecia um momento oportuno.

– As vozes… Elas já disseram algo sobre mim? – Indaguei, observando sua reação. Estranhamente, vi um sorriso se formar em seus lábios.

– Já. – Disse, simplesmente. Olhei para ela, boquiaberta, fazendo ela soltar uma gargalhada. Ela estava se divertindo com isso. – Fique tranquila, não é nada ruim. Elas não falam muito de você. No início, elas me pediam para desenhar seus olhos, ou seu sorriso. Eu sabia que era o meu subconsciente com medo de que você fosse embora e eu me esquecesse os seus traços. Mas com o tempo, eu sempre via você me visitar todos os dias, então isso ficou menos frequente. – Ela confessou, olhando-me com a expressão tranquila. Decidi tocar num assunto mais delicado.

– Se elas… lhe pedissem para ficar longe de mim… você…? – Não consegui completar, só a possibilidade de Taeyeon se afastar de mim me deixava aflita. Ela me abraçou de lado, afagando minhas costas suavemente.

– Você é a única certeza em minha vida, Fany. Eu não obedeceria. Algo que me pedisse para ficar longe de um anjo, não poderia ser bom. Eu nem iria pestanejar. – Garantiu-me, seu nariz fungando em meus cabelos.

Me senti tranquila ali, em seus braços. Ficamos abraçadas por um tempo, até alguém se aproximar da gente. Levantei a cabeça e notei Jin, o jardineiro, vindo nos cumprimentar. Nos afastamos um pouco, mas sem cortar o abraço.

– Oh, meninas, está um dia bonito para namorar, não? – Ele nos olhou de forma divertida, fazendo eu me sentir envergonhada com seu comentário e Taeyeon rir.

– Sim Jin, ainda mais quando se tem uma namorada maravilhosa como a minha. – Taeyeon piscou para mim, fazendo-me corar ainda mais e ela sorrir largo.

– Oh, vocês fazem eu me lembrar de meu amor. Que deus a tenha. – O franzino senhor comentou, olhando para o céu. – Mas as flores são meu segundo amor. Vai me ajudar hoje, Taeyeon?

– Vou sim, a Fany daqui a pouco já tem que ir. – Ela me olhou, com um biquinho nos lábios. Deixei um selinho demorado nela.

– Aproveite bem com o senhor Jin, daqui pra frente ele terá que cuidar do serviço sozinho. – Comentei, observando sua reação. Ela me olhou de forma confusa, assim como o jardineiro.

– Mas não é nenhum incômodo ajudá-lo, Fany, eu posso fazer isso. – Ela argumentou, fazendo-me rir de leve com aquilo.

– Você não estará aqui para ajudá-lo, Taeyeon. Até podemos fazer algumas visitas, mas… – Taeyeon me interrompeu, pegando meu rosto com afobação e olhando em meus olhos, de forma abismada.

– Isso… Isso que você está dizendo… – Sua voz saia trêmula. Jin nos olhava de forma comovida.

– Sim, Tae. Amanhã você terá alta. – Decretei, de forma animada. Ela me abraçou forte, pude sentir suas lágrimas encharcarem minha camiseta e acabei me sentindo emocionada também, lhe retribuindo o abraço e deixando algumas lágrimas caírem.

– Oh! Eu mal posso acreditar que minha menina irá sair daqui! Estou muito feliz por você, Taeyeon! – Jin proferiu, fazendo Taeyeon se desvencilhar de mim e ir abraçar seu amigo jardineiro.

– Obrigada, Jin. Sua amizade pra mim foi muito importante aqui dentro. – Ela dizia com a voz entrecortada, abraçada a ele. Eu não conseguia deixar de sorrir feito boba para aquela cena, eu era muito grata a aquele senhorzinho que fez companhia a minha Taeyeon por muito tempo.

– Não deixe de me visitar, menina. As flores ficam mais bonitas com o seu toque. – Ele disse, se desvencilhando suavemente de minha namorada e observando sua face.

– Pode deixar, Jin. Vamos voltar aqui mais vezes, né Fany? – Ela veio até mim, se sentando em meu colo e me dando um beijo demorado nos lábios.

– Claro, Tae, sempre que você quiser. – Lhe assegurei, deixando um beijo em sua testa. – Agora vá ajudar Jin e se despeça de todos, eu preciso ir trabalhar e amanhã será um dia cheio! – Ela se levantou e me puxou, me abraçando mais uma vez.

– Obrigada Fany. Por tudo. Obrigada por não desistir de mim. – Ela dizia de forma emocionada em meu ombro. Apertei-a em meus braços, sentindo seu calor contra meu corpo.

– Eu te amo demais, Taeyeon. Nunca vou desistir de você. – Declarei, me separando um pouco, deixando um beijo em sua bochecha.

– Eu também te amo muito, Tiffany. Não se esqueça disso. – Sua declaração encheu meus olhos de lágrimas novamente. Era o seu amor que me movia a nunca desistir de tudo. Agora, eu poderia tê-la o quanto quisesse, iríamos ficar juntas novamente. Dessa vez, era definitivo.

 

 

(…)

 

 

Mal consegui dormir a noite, tamanha a minha ansiedade por esse dia. Cheguei no hospital antes mesmo do horário de visitas, encontrando Joshua conversando com a recepcionista. Ele ficou surpreso em me ver ali já.

– Caramba Tiffany, madrugou no hospital, foi? – Ele questionou, de forma divertida.

– Desculpe, eu fiquei muito ansiosa e não consegui ficar enrolando em casa. – A recepcionista deu risada de nossa interação. – Será que podemos ir ajeitando a papelada?

– Claro, venha comigo. – Joshua me levou até seu consultório que ficava perto da entrada do hospital.

Eu mesma cuidaria do caso de Taeyeon daqui pra frente, então eu precisava de todo o seu prontuário ao longo dos anos e todos os relatórios de seu tratamento. Me sentei na poltrona que havia em sua sala e ele foi até um armário que continha vários arquivos de seus pacientes.

– São muitos arquivos, irá demorar um pouco pra eu tirar cópia de todos eles. – Ele disse, retirando uma pasta sanfonada cheia de documentos. De fato, demoraria.

– Tudo bem, vamos tomar um café enquanto isso? Eu pago. – Ofereci a ele, vendo um sorriso simpático se formar em seus lábios.

– Eu não estou em condições de recusar um café. O plantão foi complicado, hoje. – Me levantei e fomos em direção a recepção.

– Min, por gentileza, tire cópia de todos os arquivos dessa pasta. – Ele entregou os arquivos para a recepcionista, que apenas assentiu, enquanto retirava os papéis de lá.

Fomos para a cafeteria em frente ao hospital, logo pedindo dois cappuccinos. Também pedi um brownie para mim, eu adorava aqueles bolinhos. Nos sentamos em uma mesa afastada, o lugar estava vazio por ainda estar cedo.

– Muitos casos complicados na clínica, Tiffany? – Ele questionou após um gole do café fumegante. Terminei de mastigar meu brownie antes de respondê-lo.

– Sempre, Joshua. Agora eu tenho mais um, para completar. – Sorri de forma divertida para ele, fazendo-o rir.

– O caso de Taeyeon é um daqueles que nos dá gosto colocar em nosso currículo. Ela é uma mulher fantástica. – Ele comentou. Eu sentia muito orgulho da minha Taeyeon.

– Todo o mérito é seu, doutor. Você fez um trabalho excelente com ela. Além de sua equipe, é claro. – Decretei, olhando de forma agradecida a ele.

– Eu só segui o protocolo, Tiffany. O seu apoio a ela foi fundamental. Eu a vi fraquejar durante muitas crises, mas sempre que eu mencionava o seu nome, ela conseguia se acalmar. Ela se agarrava em você todas as vezes que sentia que não era forte, isso a fez melhorar. Os remédios e as consultas são um auxílio, apenas. Você é o motivo para Taeyeon querer viver e lutar contra a doença. – Ele confessou, fazendo-me sentir emocionada com sua declaração. Saber que eu era o motivo de Taeyeon querer ficar melhor me enchia com um sentimento bom. – Se todos que estão ali internados tivessem o apoio da família, eu veria aquelas macas se tornarem vazias com o tempo. Me entristece saber que casos de amor como esse são raros.

– Eu também me sinto dessa forma com meus pacientes. A família acaba abandonando por não saber lidar com o enfermo. – Comentei, soltando o ar pesadamente. Ainda bem que Taeyeon tinha a mim e sua mãe para apoiá-la.

– Falando nisso, onde está a senhora Kim? Ela vai vir hoje? – Ele questionou.

– Eu não quis acordá-la tão cedo para vir aqui. Ela já é uma senhora de idade, precisa evitar certas emoções. Mas eu levarei Taeyeon mais tarde para visitá-la. Depois de um bom banho para tirar o cheiro de hospital que se acumulou nela por esses seis anos. – Disse, de forma divertida, vendo Joshua levantar uma sobrancelha e sorrir de forma maliciosa.

– Se é que será só um banho, vocês precisam recuperar o tempo perdido. – Seu comentário me fez corar. Sorri de forma envergonhada para ele.

– Teremos muito tempo para recuperar o tempo perdido. Mas mal vejo a hora de tê-la para mim. – Admiti, corando mais ainda e fazendo Joshua soltar uma gargalhada.

Terminamos o café e voltamos para o hospital, já estava quase na hora de buscá-la. Fomos para sua sala e Joshua mandou uma enfermeira aprontar Taeyeon e trazê-la até o consultório para que ele pudesse se despedir. Eu estava ansiosa por isso e não conseguia deixar de balançar minhas pernas, sentada sobre a poltrona confortável.

– Tique nervoso? Devo lhe fazer um diagnóstico? – Ele observou, de forma divertida. Mostrei a língua a ele.

– Apenas ansiosa para vê-la. – Confessei, aquele momento havia sido muito aguardado por mim durante muitos anos. Parecia tão surreal que finalmente eu teria minha Taeyeon de volta que, só de pensar, eu me sentia aquecida por dentro.

Esperamos por cerca de meia hora por Taeyeon, até que ela cruzou a porta, com uma pequena mala em mãos. Eu havia trazido aquela mala há seis anos atrás carregando algumas roupas para ela. Agora aquela mala e a dona dela finalmente retornariam à casa.

– Tiffany! – Ela soltou a mala no chão e veio me dar um abraço apertado. Seu cheirinho de banho recém-tomado me inebriou por um momento.

– Oh, finalmente minha paciente favorita vai me deixar. Não que eu queira me livrar de você, mas você tem uma vida inteira pela frente agora. – Joshua se pronunciou, fazendo-nos quebrar o abraço e Taeyeon sorrir de forma animada para ele.

– Sentirei sua falta, Josh, mas voltarei aqui para visitá-lo e também ao Jin. – Taeyeon foi até o doutor e lhe deu um abraço caloroso. Sorri para aquela interação.

– Tudo nos conformes, Joshua? – Perguntei a ele, fingindo estar com ciúmes. Ele gargalhou, me olhando divertidamente.

– Certo, eu já enjoei da sua cara, Taeyeon, agora volte para sua Fany-ah. – Ele se desvencilhou dela, fazendo-a corar de leve com seu comentário. – Irei acompanhá-las até a saída. – Peguei a pequena mala de Taeyeon e uma de suas mãos.

– Está pronta, Tae? – Questionei-a, vendo um sorriso sereno se formar em sua face.

– Prontíssima, amor. – Ela beijou minha mão, antes de me puxar para fora do consultório.

Joshua nos acompanhou até a recepção, onde eu retirei as cópias dos prontuários de Taeyeon. A recepcionista havia colocado em uma nova pasta.

– Nos despedimos aqui, Taeyeon. Juízo e obedeça a Tiffany. Não quero ver você novamente pelos motivos errados. – Joshua disse, dando outro abraço em Taeyeon.

– Obrigada por tudo, Joshua. Sempre irei lhe dever uma por cuidar tão bem da minha Taeyeon. – Abracei-o também, novamente sendo envolvida pela emoção.

– Me agradeça cuidando bem dela. – Ele disse, antes de me soltar.

– Agradeço por toda a sua paciência, Josh. Nos vemos algum dia. – Nós acenamos para ele e a recepcionista, antes de sairmos do hospital e irmos em direção ao meu carro.

– Wow, eu não lembro desse carro. – Taeyeon expressou, admirando o meu não tão novo bebê.

– Comprei ele há alguns anos em troca do velho. Acho que comentei com você. – Falei, observando meu Range Rover prata.

– Verdade. Eu não me lembrava disso. Será que um dia eu vou poder voltar a dirigir? – Ela questionou, antes de entrarmos no carro.

– Tecnicamente não. Mas peritos dificilmente perceberiam alguma coisa em você, talvez seja possível. – Comentei, antes de partir com o carro.

– Não seria muito honesto. Você pode ser minha motorista particular. – Ela me direcionou um sorriso inocente. Lhe retribuí o sorriso.

– Irei cobrar em beijos. – Pisquei para ela, pegando uma de suas mãos livres enquanto segurava o volante com a outra.

– Será que eu posso pagar adiantado? – Ela aproximou-se, deixando um beijo em minha bochecha. Suspirei.

– Tae, eu senti sua falta. – Eu desabafei, parando em um semáforo e pegando seu rosto em minhas mãos, trocando um beijo quente com ela.

Ela retribuiu-me rapidamente, entrelaçando sua língua a minha. O contato foi encerrado de súbito, pois o sinal abriu, me deixando frustrada por ainda termos mais de uma hora de viagem. Eu queria parar o carro no acostamento e fazer amor com ela ali agora mesmo, mas seria mais confortável esperarmos mais um pouco e fazermos isso na nossa casa.

– É só eu, ou esse carro está muito quente? – Ela comentou, tirando o casaco leve que vestia. Mal sabia ela que isso me deixava mais tensa ainda.

– Vai ficar mais quente se você ficar se despindo assim, Taeyeon. – Exclamei, vendo ela olhar-me surpresa por um momento, mas logo observei um sorriso malicioso se formar em seus lábios.

– Fany, ainda está longe? Sinto que não posso esperar para tê-la. – Ouvi-la dizer isso me acendeu de uma forma que eu quase parei o carro no acostamento. Quase.

– Vamos tentar não falar disso, Tae, eu estou dirigindo e estou ficando excitada. É melhor fazermos isso na nossa casa, ok? – Me expressei, vendo ela suspirar e se mexer de forma incômoda no banco. Eu estava feliz por causar aquela reação nela.

– Então me distraia. O que eu perdi nesse meio tempo? – Eram tantas coisas pra contar. Mas, ao mesmo tempo, sem ela era como se minha vida tivesse parado no tempo. Eu só podia continuá-la de forma satisfatória com ela fora daquele hospital e de volta à nossa casa, só assim eu poderia ser feliz de verdade.

Durante o caminho, conversamos sobre algumas trivialidades e eu observava Taeyeon olhando a paisagem pela janela de forma contemplativa, um sorriso pequeno em seus lábios demonstrava o quanto ela se sentia realizada de finalmente voltar para casa.

Chegamos em casa em tempo recorde, a estrada estava calma por ser de manhã e já ter passado do horário de pico. Estacionei o carro na garagem de porta automática, vendo Taeyeon sair afobada de dentro dele e abrir minha porta, me puxando com urgência pra fora do carro. Ela me prensou contra ele, me puxando para um beijo necessitado. Não consegui deixar de rir durante nosso beijo, fazendo ela se afastar alguns centímetros e me olhar de forma frustrada.

– Seria demais eu pedir pra você tomar um banho antes e tirar esse cheiro de hospital? – Eu disse, com a respiração entrecortada e a olhando de forma divertida. Ela retribuiu o olhar.

– Só se você tomar comigo. – Ela sugeriu, com um sorriso lascivo nos lábios.

Deixei um selinho em sua boca e a arrastei para dentro de casa, com ela comentando o tempo todo sobre cada nova adição de objetos naquela casa. Fico feliz por ela reparando nas coisas. Entramos em nosso quarto e ela foi direto até a varanda, para olhar as plantinhas. Ela me olhou com os olhos semicerrados e eu apenas abaixei a cabeça, envergonhada.

– Você assassinou elas, Tiffany. – Exclamou Taeyeon, em um tom falsamente ofendido. Lhe direcionei um sorriso culpado.

– Me desculpe, amor. – Me aproximei dela, enchendo seu rosto de beijinhos. Por fim, ela acabou rindo. – Agora que você está aqui, tudo voltará ao normal.

– Tem razão. Me desculpe ficar fora tanto tempo. – Seu olhar intenso transmitia que ela realmente sentia por ter se ausentado todos esses anos. Mas que culpa ela tinha, afinal?

– Você vai ter que me recompensar esse tempo perdido. – Deixei o clima mais leve, deixando um beijo na ponta de seu nariz. Ela sorriu, me puxando de vez para o nosso banheiro.

Fizemos amor ali até nos esgotarmos e lavarmos nossas almas por completo, nossos corpos completamente sensíveis pelos toques uma da outra. Eu não podia contabilizar quantas vezes eu havia dito que a amava ali dentro, eu sentia que não seria capaz de demonstrar todo meu amor com palavras, ou gestos. Só o tempo iria fazer o meu coração sossegar e se sentir seguro novamente, para que voltássemos a nossa rotina tranquila antes de todas aquelas coisas acontecerem.

 

Com o tempo, Taeyeon conseguiu se acostumar a viver em sociedade novamente, passamos a sair para passear o tempo todo e ela sempre ia visitar a mãe enquanto eu trabalhava. Ela começou a planejar abrir uma floricultura com a senhora Kim e eu prontamente a apoiei, investindo o que seria necessário para a abertura do negócio. Ela se divertia planejando tudo e por fim, conseguiu achar um bom local no centro para alocar a loja. Sempre que ela se sentia pressionada, eu a repreendia a ir com mais calma, que fizesse tudo tranquilamente para não desencadear uma nova crise. A senhora Kim também a ajudava a manter a cabeça no lugar e não se estressar com nada. Aquilo era perfeito para ela, a rotina dentro de uma floricultura seria calma e ela não iria se sobrecarregar com nada. Se passasse a ser muito para ela, contrataríamos funcionários para ajudá-la no trabalho. Ela até comprou uma bicicleta para ir e voltar à floricultura todos os dias. Isso seria ótimo para sua saúde, tanto física quanto mental.

Um dia, eu cheguei cansada do trabalho, estranhando o silêncio em nossa casa. Normalmente Taeyeon chegava antes de mim e eu sempre encontrava o som ligado. Mas dessa vez fui recebida apenas com o eco de meus passos. Me desesperei na hora, será que algo havia acontecido? A casa parecia estar em ordem. Subi para o nosso quarto rapidamente, adentrando-o de forma apressada. Empaquei quando cheguei ao pé da cama, sentindo meu coração bater descompassadamente e meus olhos se encherem de lágrimas devido a emoção. Nossa cama estava repleta de gardênias brancas, aquele perfume me inebriando por um momento. Ao centro da cama, havia uma caixinha vermelha aberta, com dois anéis solitários dentro dela. Procurei-a com o olhar e a vi saindo da varanda, com um sorriso delicado nos lábios e seu rosto levemente corado. Esperei que ela viesse até mim, já sentindo as lágrimas descendo pelo meu rosto. Ela pegou minhas mãos, antes de se pronunciar.

– Tiffany. – Ela respirou fundo, antes de continuar. – Eu tenho certeza que foi Deus quem enviou um anjo em minha vida, para me ajudar a lidar com tudo o que eu enfrentaria nessa vida. Eu me apeguei a você a todo o momento em que eu senti que não conseguiria sobreviver, em todos os momentos em que eu pensei em me matar. Saber que eu tinha alguém a quem voltar e a imagem do seu sorriso me faziam querer continuar lutando. – Sua voz saia trêmula, eu já chorava de soluçar ao ouvir sua declaração singela. – Eu sinto que eu não posso respirar sem você ao meu lado, eu preciso de muito mais de você. Quero poder chamá-la de minha esposa um dia. Mas, por enquanto, me contento em lhe chamar de noiva. Se você aceitar, claro. – Ela soltou uma risada nervosa, antes de pegar os anéis na cama. Ela se ajoelhou, me fazendo arfar diante daquela imagem. – Stephanie Young Hwang, Tiffany, minha Fany, você aceita se casar comigo?

Me agachei, ficando à altura dela, deixando um beijo casto em seus lábios.

– Eu aceito. – Disse, simplesmente, fungando de leve, fazendo ela rir de forma aliviada. Nos levantamos juntas e colocamos os anéis nos dedos uma da outra.

– Eu achei que como somos duas noivas, nós duas deveríamos usar um solitário. – Ela comentou, observando o anel em meus dedos.

– Eles não estão solitários então. – Soltei, fazendo ela revirar os olhos com minha piada boba e deixar um beijo em minha bochecha.

– Assim como nós duas. Temos uma à outra. – Taeyeon me puxou para a cama, fazendo-nos cair em meio às flores. – Você ainda tem o mesmo cheirinho de gardênias. Sempre será minha flor favorita.

 

Eu sabia que ainda enfrentaria muita coisa para ficar ao lado de Taeyeon, mas ela fazia tudo valer a pena. Nosso amor valia a pena. Taeyeon estava ali e as gardênias eram testemunhas de nosso amor forte e inabalável. Minha Taeyeon estava de volta.

 

 

 

 


Notas Finais


Peço perdão se eu suavizei um pouco a doença, mas eu não queria deixar a história tão pesada. Eu sou o tipo de pessoa que adora ficar pesquisando todo tipo de doença, bem hipocondríacazinha do amor


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