História She is a nice guy - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Girls' Generation, Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Snsd, Sooyoung, Sunny, Taeny, Taeyeon, Tiffany, Yulsic, Yuri
Visualizações 321
Palavras 13.211
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


E ae galera!!!!!
Eis que venho aqui, feliz horrores só pra postar esse último capítulo! Povo, na boa... ele tá tão grande, que eu parti de novo sá porra. Imagine só a canseira que vocês teriam lendo isso aqui inteiro! Credo! ASUHSAUHASUHSAUHSAUHSA
Se agora tá cheio de coisas escritas, quem dirá se eu mandasse as quase 23 mil palavras num tiro só... contando com as dez mil do capítulo passado, 33 mil palavras, por aí... gente, sou doida mas nem tanto, né! u.u
Quero que a leitura seja confortável pra vocês, tanto quanto é confortável pra mim a escrita. x3
E aliás... vamos rumo ao capítulo que antecede o final, que vou mandar assim que vocês lerem e comentarem esse aqui. Eu bem que já deveria marcar que a fic ta terminada, mas seria trapaça sem mandar a outra metade desse capítulo daqui. -QQ

>>>> VAMOS AO QUE INTERESSA, CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO PASSADO!!!!!

Capítulo 20 - Um sonho... e algumas piranhas gringas.


NO DIA SEGUINTE....

 

 

O ambiente era completamente lindo. Havia o céu azul, cheio de nuvens brancas a pairar logo à cima de sua cabeça, e havia sob seus pés, água cristalina e pura. O lugar era inteiramente assim até se perder a vista no horizonte, e o céu parecia estar no chão, devido ao reflexo dele na água, como um perfeito espelho. Taeyeon se sentia com os pés submersos no céu azul. O vento era calmo, e a luz de um dia lindo a aquecia. Naquele lugar, Taeyeon sentia que nada podia lhe abalar ou alcançar, que seu coração sentia paz e tranquilidade, onde ela podia descansar e se sentir em paz consigo mesma. Taeyeon estava em seu infinito particular, submersa dentro de um sonho bom.

Encheu os pulmões com o ar fresco com cheiro de maré, quando sentia uma brisa mais leve lhe abraçar o corpo, fazendo com que seu vestido branco esvoaçasse brevemente, assim como seus cabelos, agora curtos e negros.

- TaeTae! – A voz tão conhecida ressoava em seus ouvidos de repente, naquele ambiente mágico e único.

Taeyeon, que sentia seu corpo aquecido por uma espécie de aura especial da luz ambiente, se virava perante todo aquele local perfeito, no qual antes, achava que estava sozinha. Então, eis que em sua vista, surge a figura de um rapaz. Um lindo rapaz que ela conhecia perfeitamente bem, e que costumava deixar seu coração completamente disparado. Ele vinha ao longe, com seus cabelos curtinhos esvoaçando junto da brisa, e sua camiseta branca de botões, estava bem abotoada até a altura de seu busto, a calça branca de algodão, dobrada até a altura das canelas, pouco depois dos joelhos, e ele estava descalço. Mas tinha na face um sorriso incrivelmente lindo, o sorriso que costumava abalar toda a estrutura de Taeyeon. O eyesmile mais lindo do mundo.

Perante tal sorriso, era impossível para Taeyeon, não sorrir de volta. E estendera para ele sua mão direita, o chamando para si. Leo, que vinha mais adiante, caminhando na água cristalina que refletia o céu, se aproximava cada vez mais. E quando suas mãos se tocaram, Taeyeon jurou que estava flutuando.

- Leo! – A voz de Tae soou carinhosamente suave, quando ela se aproximara ainda mais de seu amado. Tocou-lhe a face com cuidado, e acariciou a maçã de seu rosto. Leo ainda tinha aquele mesmo sorriso lindo, e seus cabelos estavam tão lindos bagunçados, que Taeyeon mal conseguia tirar os olhos dele.

Mas pouco a pouco a expressão de Leo fora mudando. Seu sorriso lindo fora desvanecendo, e dando espaço a uma face cheia de preocupações, culpa e tristeza. E era claro que Leo queria dizer alguma coisa para ela, mas parecia estar entalado em sua garganta. Taeyeon, como uma amante preocupada, resolveu encorajar seu rapaz a dizer:

- O que há de errado, amor? – Perguntou ela, suavemente e cuidadosamente. Vendo Leo desviar o olhar de seus olhos, parecendo preocupado.

Ela tocou seu queixo, e então fizera com que o jovem a olhasse novamente nos olhos. E percebera que Leo não tinha mais brilho nos olhos. Entretanto, o garoto disse:

- Eu preciso que você saiba de algo importante, TaeTae.

E naquele instante, Taeyeon assentiu levemente, atenta ao que ela precisava ouvir, segundo Leo. Aquilo a instigava, estava a enchendo de dúvidas, mas em seu âmago, ela tinha certeza do que era.

- Feche os olhos. – Ele pediu, carinhoso como sempre.

E Taeyeon fechou os olhos sem hesitar.

- No fundo, eu sempre agi verdadeiramente com você, minha TaeTae... – A voz de Leo ecoou em seus ouvidos, e em seus braços, já não sentia mais o corpo quente e acolhedor dele, como se este houvesse sumido. – Mas eu nunca fui o que você acha que eu sempre fui. Eu não sou o que você acha que eu sou. – A voz continuara, e um tanto quanto assustada, Taeyeon abrira os olhos novamente.

E estava sozinha de novo naquela imensidão solitária de céu e água até se perder à vista. Sentiu os olhos começarem a arder, e a garganta se fechar fortemente, uma vontade de chorar lhe invadira com força. Entretanto, antes que sua primeira lágrima caísse de encontro à água cristalina dali, a mesma voz de antes, a voz de Leo... agora mais natural, mais suave, mais feminina, tornou a falar:

- Mas você não precisa ter medo, se sentir enganada, ou passada para trás. Eu amo você, sempre amei você. Leo e Tiffany são a mesma pessoa, TaeTae. 

Mas agora a voz vinha logo de suas costas, e quando Taeyeon virou-se para olhar quem estava atrás de si, vira uma garota linda. Era Leo, mas ela sabia que não era... usava um vestido branco de algodão igual ao seu, os cabelos estavam lindamente penteados, longos, e havia uma coroa de flores sobre sua cabeça, e pulseiras simples em seus braços. Mas os olhos eram profundos e tão apaixonados, que o coração de Taeyeon disparou. O instinto que tivera, fora de se jogar nos braços daquela jovem e abraçá-la por toda uma eternidade, para que não fosse para longe de novo. E com esses sentimentos sobrepondo o de decepção, Taeyeon tivera certeza que não queria mais que Tiffany se afastasse dele, ou que fosse... para o outro lado do mundo.

- Tae...- A voz suave e carinhosa de Tiffany tomara conta de seus ouvidos como uma bela canção. – Acorda...

E num instante, como que seguindo uma ordem expressa, Taeyeon abriu os olhos. Estava com o rosto molhado, e com uma Jessica preocupada a encarando. Isso já tinha virado quase que rotineiro, desde que voltara para a escola.

- Tava tendo aquele sonho de novo? – Jessica perguntou, curiosa como sempre. Mesmo que já soubesse da resposta.

Taeyeon nem a respondeu, sentou-se na cama e então enxugou o rosto com as mãos. Ela não conseguia entender o motivo de sempre acordar chorando, quando tinha esse tipo de sonho com Leo. As vezes acordava com raiva, outras vezes com remorso... mas seus sonhos sempre eram sobre Leo/Tiffany.

- Eu to cansada desses sonhos chatos. –Taeyeon disse, com a voz arrastada e sonolenta. Mas parecia bem sincera quanto ao que dissera.

Jessica não ficou sequer surpresa. Afinal, ela sabia muito bem como estava a amiga.

- Mas não devemos ignorar os sonhos, unnie. – Seohyun disse, do outro lado do quarto. Ela também estava ali.

- Seo, infelizmente esses, ela tem que ignorar. Assim Tae nunca vai esquecer daquele... ou daquela... crápula! – Jessica afirmou com convicção, e certa raiva na voz. Ela estava furiosa com Leleco... ou Tiffany, que as vezes ela chamava de Jennyfer só porque não fizera questão de gravar o nome da dita cuja.

Taeyeon nada disse, apenas levantou para o seu despertar matutino, pra se arrumar e descer pro prédio de aulas e enfrentar mias um dia. Mais um dia sem Lel... Tiffany, e mais um dia de “encheção de saco”. Porque depois que alguns alunos souberam sobre Leo, a picuinha se espalhou logo pela escola toda, e desde então Taeyeon não tem tido paz. Afinal, todo mundo via o lance que ela tinha com o estrangeiro... e todos os dias Tae se lamentava por ter sido tão estúpida e cega, porque os sinais estavam bem de baixo do nariz dela. Até mesmo o jeito que Leo agia era muito afeminado... até mesmo para um cara gay. Mas agora era tarde de mais pra lamentar ter sido trouxa, era hora de tentar dar a volta por cima e vida que segue. Só que não. Não tinha um corredor que Tae passasse ali, que não a fazia se lembrar daquele rostinho lindo, daquele eyesmile tão encantador. A cada dia que se passava, naquele lugar, era uma tortura enorme pra Taeyeon.

Agora, se vocês pensam que o viadinho tava na mesma, se enganaram! Pois é, Baekhyun estava melhor do quê nunca, afinal, diferente de Taeyeon, ele tivera uma pequena sorte. Quem ele realmente gostava o tempo todo, sempre estivera ao seu lado, inclusive, quando ele passou por essa bad toda do descobrimento da farsa. Isso aí mesmo que vocês estão pensando! Nichkhun se tornou alguém muito importante na vida de Baekhyun nesses últimos meses, mesmo quando ele confessara que sabia desde o começo que Leo era uma garota. Baekhyun ficou muito ofendido com isso, mas acabou perdoando o rapaz, quando ele alegou que só era pra ajuda-la com o plano que ela tinha com o tal do Leo, o Leo verdadeiro, que afinal, ele mesmo não chegara a conhecer. No começo da descoberta toda, Chanyeol ficara desesperado para com Baekhyun, amigo de infância dele... mas Baekhyun se tornara quase inalcançável, então Nichkhun resolveu ajudar, e deu no que deu. Agora Baekhyun estava “encucadamente” encantado com o rapaz quase monocelha, de músculos salientes. Mas Nichkhun sequer percebera isso, porém, foi uma grande confirmação na vida de Baekhyun. Sim, ele de fato era gay.

Mas voltando a sofrência da nossa Teião, a pobre “donzelo” sem sua “cavaleira das rosas”. Andava até cabisbaixa, procurando não chamar a atenção por onde passava, mas com a Jung “pavão” do lado era meio difícil. Jessica sempre chamava a atenção pelo simples fato de usar a cada dia, um par de tênis diferente do anterior. Podia tá toda trabalhada nas viadagem de joia, cabelo bem feito, unha bem feita e o óculos led na cara, mas o tênis sempre era diferenciado, e de modelos e marcas diferentes a cada dia da semana. Afinal, ela tinha uma coleção marota e não usá-los ao menos uma vez na vida, ia ser ofensivo de mais pro dinheiro gasto neles. Por tanto, Taeyeon era vista querendo ou não, mesmo que de “segundo plano”.

E era o que se sucedeu naquela manhã.

Quando saíram para o prédio de aulas, o primeiro problema de Taeyeon fora andar pelos corredores do dormitório até a saída, de lá, tinha que enfrentar um pátio aberto e cruzar pela praça do chafariz, até pegar o caminho da direita, em direção os prédios de aula. Foda. Mas fazer o quê?!  E tudo isso com as mexeriqueiras olhando.

Dentre o trio de amigas, Taeyeon era a única calada. Estava entre Jessica e Seohyun, que conversavam sobre algo peculiar de Jessica, como sempre... que pra variar, tagarelava horrores:

- Eu tava pensando aqui, gente, que é o seguinte: a pessoa que tem cem anos, e tá viva ainda, ela tá sem noção num é?! – De repente Jessica começou outro assunto aleatoriamente paralelo. – A pessoa JÁ ERA pra ter MORRIDO, e tá comendo ração de neguinho. Entendeu? – Perguntou de repete, nem esperou resposta das amigas, e simplesmente continuou: – Eu acho que a pessoa tem que ter noção dessas coisas, sabe? Eu tinha uma vó que fumava, comia gordura, fazia de tudo, colesterol altíssimo, glicose altíssima, foi morrer com mais de cem anos... pra que, gente? Tendeu?! A família mesmo já não aguentava mais ela... – Disse abismada, e repetiu com certeza: - A família mesmo já não aguentava mais ela! A gente louco pra ela empacotar, e ela apegada a vida, ficou viva com mais de cem anos. Tá entendendo? Eu acho, gente, que a gente tinha que fazer assim: fazer que nem os índios fazia, a pessoa começou a ficar doente, começou à envelhecer: joga no rio. Que aí joga no rio, resolve! Parar dessa mania “a pessoa ficou doente, leva pro hospital”... pra que, gente? Começou a envelhecer, começou a dar problema, dar 'ziquizira', joga no rio! Cê tá me 'entendeno'? Que aí resolve a vida de todo mundo. Num fica essa coisa de querer ter que ficá.. cuidá de velho, que velho atrapalha, mesmo. Eu acho que velho atrapalha.  

Seohyun já não sabia se ria ou se chorava dessa tese insana de Jessica, que vira e mexe dava uns palpite maluco sobre coisas da vida. O ponto de vista quase cego da Jung arrancara até um sorriso engraçado de Taeyeon, que teve que dizer:

- Você é bem doida, Sooyeon!

- Eu não sou doida não, gente. Eu sempre falo a verdade, ora essa... não tenho culpa se ninguém enxerga a vida pelos meus olhos lindos e maravilhosos! – Se defendeu a Jung, como se fosse a pessoa mais certa do mundo, num jeito engraçado.

- Se tu não fosse minha amiga, eu ligaria pra alguma clínica de doido, e ia pedir pra te internarem. – Seohyun disse numa naturalidade, que soou engraçado aos ouvidos de Taeyeon, que riu alto.

Jessica fez um bico engraçado, e cruzou os braços:

- Grande amiga essa que eu tenho! – Murmurou chateadíssima, mesmo que nem estivesse, e continuou: - Deixa só tu, viu! – Ameaçando Seohyun.

Aquele momento maluco certamente continuaria, mas algo aconteceu para atrapalhá-lo. O trio de amigas fora abordado na metade do caminho por outro trio de amigas, porém, um trio mais “alto”.

- Amor! – Yuri disse toda carinhosa e alegre, assim que se aproximara de Jessica, que até então nem tinha notado ela ali, porque tava sendo atacada pelas falsas suposições de Seohyun.

Jessica voltou a atenção para Yuri na hora, assim que a ouvira. O sorriso sincero e gentil em seus lábios foi natural, tal como os passos na direção da namorada, na qual abraçou com todo o carinho e cuidado do mundo quando se aproximara. E recebera de volta o mesmo cuidado e carinho, seguido de vários beijos pelo seu rosto, incluso alguns beijinhos breves nos lábios, até porque não podiam trocar beijos dentro do colégio... mesmo que o fizessem, longe das vistas dos demais.

- Bom dia, minha balinha de café. – Jessica disse toda carinhosa, tava até usando fofura na voz.

Seohyun e Taeyeon se seguraram pra não rir da amiga. E do outro lado, Yoona e Sooyoung se seguraram pra não rir do apelido trouxa que Jessica tinha posto em Yuri, que mais trouxa ainda, nem reclamava.

- Bom dia, minha explosão de fofura. – Yuri respondeu toda carinhosa também, pra logo em seguida selar os lábios da namorada em vários beijinhos prontamente retribuídos.

Aí as meninas não aguentaram e caíram na risada, atraindo olhares dos figurantes, e olhares do casal vinte.

- Do que as gralhas tão rindo mesmo? – Jessica perguntou de repente, já no seu tom de voz habitual.

As meninas riram mais ainda, e Sooyoung foi a única quem teve “coragem” pra responder:

- No começo do ano tavam se odiando, hoje em dia se atracam uma nos beiço da outra em público, e ficam se chamando de apelidinhos carinhosos bem gays... aí quer o quê?  Nem tem como não rir disso.

- É verdade! – Seohyun concordou, e completou: - É mais icônico que ouvir Sooyonung dizer que vai começar uma dieta só com vegetais.

Yuri ficou pensativa, e intimamente concordou. Jessica estreitou os olhos pra Seohyun, e disse num jeito ameaçador. Ou pelo menos como era pra ser:

- Tô só te marcando, Seo Jo Hyun!

Seohyun riu ainda mais, junto das meninas. Porém, Yuri tivera de cortar sutilmente aquele clima de maluquice matinal, pra dar uma palavrinha breve:

- Ah, meninas! – Disse ela, chamando a atenção para si. – Eu tenho algo importante pra falar pra vocês, mas só agora não vai dar, pelo fato de faltar menos de meia hora pra começar as aulas. Então no final da aula, antes da gente ir pras atividades escolares da parte da tarde, vamos nos reunir na biblioteca, ok?

Claro que Taeyeon, Seohyun e Jessica ficaram um tanto quanto curiosas com aquela convocação repentina. Jessica estreitou os olhos na direção de Yuri, a examinando como se quisesse entrar dentro de sua cabeça, só pra saber o que ela estava tramando. Porque ela tava claramente tramando algo, e era inegável.

- O que é que tu ta tramando dessa vez, nigga? - Taeyeon perguntou o que geral ali queria saber.

- É algo que vai ser legal pra todo mundo, acredite. – Yuri respondeu prontamente, agora exibindo um sorrisinho faceiro nos lábios.

Claro que Jessica ainda continuava a encarar a namorada com os olhos estreitos de desconfiança. Mas não questionou mias nada, porque ela sabia como era a Kwon, e que certamente ela só diria na hora certa.

- Tá bom, mas se for merda, eu vou arrancar a tua cabeça e cozinhar teus miolos ainda dentro dela. – Taeyeon ameaçou sem pudores, o que fez com que Yuri tremesse na base.

Até porque nos últimos meses, se tem algo que Taeyeon vem sendo, é agressiva. Só no mês passado, já tinha ameaçado bem umas onze pessoas, só pelo fato dessas pessoas estarem – na cabeça dela – olhando de mais pra ela.

- Pode pá que é de boa. – Yoona disse por Yuri, com as gírias malucas dela que aprendera com Hyoyeon. As duas tem se falado de mais por redes sociais.

Era até engraçado, ver uma rockeira com gíria de funkeira do BR, que aprendera com uma regueira BR. Sem falar do detalhe da cara de idol de k-drama/k-pop que a rockeira tinha. Uma mistureba do “carai”, como já diria ela própria. E Hyo.

A vida tem dessas.

- Olha, a gente precisa ir. Então lá pro fim da aula a gente se vê de novo, exceto nigga e Jessica dos absurdos aí. – Seohyun disse quase que apressada, pra dar fim naquela conversação toda. Afinal, estavam realmente atrasadas pra aula.

Diferente das garotas, Seo tinha motivos pra assistir as aulas. E não, não tinha nada a ver com ela passar de ano e ser aplicada, mas sim com o fato de que a primeira aula do dia era de música, com o professor que ela tava crushando. Yoona é quem não gostava daquele professor, e não era por causa do crush de Seohyun, era pelo fato do professor estar sempre implicando com ela. Mas como não eram da mesma sala, então tava de boa.

- Então até depois, galera. – Sooyoung se despediu, e partiu em direção à cantina.

Iria matar aula pra comer, claro. Era o único motivo pelo qual Sooyoung matava aula, e a diretora sempre relevava, porque também gostava de comer.

As meninas se despediram logo em seguida, e cada qual fora para seu devido destino.

 

                                                                      * * *

 

De fato, Seo estava certa. Jessica e Yuri se encontraram de novo no intervalo, e foi então que a nigga aproveitou pra dizer seu plano, e como havia o tido.

- Amor, quero te falar uma coisa. – Disse de repente, após uma cessão de beijos e agarrões gratuitos entre elas, numa parte escondida entre os prédios principais.

- Afs, Yuri! Sempre nas melhores partes você para pra falar bobagem! – Jessica reclamou, já fechando a cara. Mas não afastou o corpo do de Yuri, e sequer soltara seu pescoço do abraço.

- Sério. Tem a ver com o lance que quero falar pras meninas no final da aula. – Disse, já tentando se safar de uma possível briga futura.  E conseguiu.

Jessica não disse nada, apenas a encarava com a sobrancelha direita levemente arqueada, como quem diz “conta logo”. E assim Yuri o fez:

- Olha, sem querer ouvi o casal esquisito do colégio conversando e tal, e descobri que Hyoyeon vai pro Brasil nessas férias – Yuri começou, e Jessica tinha a atenção presa nela. – Bem, a namorada nerd dela tá querendo ir junto, porém, ela crê que os pais dela não vão deixar e tal, porque é caro e é longe de mais pra ela ir sozinha, e na certa não confiam na Hyo.

- Amor, quem em sã consciência confia em Hyoyeon?! Aquela maconheira é doida. Capaz dela abrir a porta de saída de emergência da aeronave e se jogar lá de cima, achando que é um pelicano. – Jessica disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E era.

- Ah, amor... mas o ponto não é esse. O ponto é que, ouvindo toda a conversa das duas e tal, eu acabei tendo uma ideia brilhante e rápida. Foi meio evasivo, e muito imprudente... nem sei se vai rolar direito, mas é uma ideia até que é válida. – Yuri disse com empolgação, e com uma cara de quem tava aprontando. – Bem, eu acabei raciocinando bem rápido, e como ultimamente Taeyeon tem estado insuportável a ponto de alguém fazer milagre pra ela parar de ser chata, eu me dei ao luxo de cometer esse pequeno milagre. Eu cheguei de repente nas duas lá, e já mandei o papo de que eu podia ajudar elas com isso... e eu disse que estava indo ao Brasil também, junto de Yoona e Sooyoung, e que Sunny poderia ir com a gente e era só ela falar pros pais dela que ia de bonde com as amigas. – Yuri tinha aprendido a gíria recentemente, e achou legal usá-la pela primeira vez.

- De bonde? – Jessica nunca tinha ouvido isso.

- Junto, amor... junto com a gente, com Yoongs, e Sooyoung bucho de poço sem fundo.  

Jessica passou quase meio minuto só encarando a namorada, séria e sem muita expressão. E simplesmente, da maneira mais calma e sutil que tinha, proferiu tais palavras:

- O que diabos você, Yoona e Sooyoung vão fazer no Brasil? – Pausou, e então seu cérebro resolveu sair do delay: - MAS ESPERA SÓ UM POUCO –gritou- COMO ASSIM VOCÊ TÁ QUERENDO LEVAR TAEYEON PRO OUTRO LADO DO MUNDO, JUNTO DE DUAS LOUCAS?!?

- Nossa, cê já pegou o recado antes mesmo deu falar que disse pra Sunny que você e Taeyeon iam conosco! – Yuri soltou essa, achando que Jessica realmente tinha sacado tudo.

E então eis que um apocalipse quase ocorreu. Jessica soltou a namorada, só pra segurá-la pelo pescoço com as duas mãos, esganando mesmo. Yuri logo se debateu rapidamente, mesmo que sua namorada sequer tivesse forças pra matá-la.

- EU SEI QUE FOI LOUCURA, MAS PENSA, AMOR...: PODEMOS AJUDAR A TAE! FORA QUE A TIFFANY TAMBÉM SENTE FALTA DELA, E ELAS PRECISAM CONVERSAR SOBRE ISSO! – Yuri tentava explicar desesperadamente, por sua vida. Mesmo que nem sufocada ela estivesse sendo direito, vale ressaltar.

- NÃO VENHA COM ESSE CAÔ DE QUE A JENNYFER SENTE FALTA DELA NÃO, KWON! PORRA!...- Jessica estava realmente enfurecida, e supostamente muito agressiva. Tava mesmo tentando esganar a namorada, mas não tinha força e nem capacidade pra isso. Pelo menos tava tentando, né...

- Mas amor! Ela sente sim! A Yoongs...

- YOONA PODE MUITO BEM ALTERAR OS FATOS COM MENTIRAS, KWON! TALVEZ ELA NEM FALE COM ESSA DESGRAÇADA, QUE ALIÁS, EU QUERO MATAR! – Jessica esbravejou de novo, morta e ressuscitada de raiva.

Foi então que Yuri tivera uma pequena ideia na qual poderia salvar a sua ideia interior, começou a ser ligeiramente “sacana” e maliciosa. Não sabia nem o efeito futuro que isso causaria, mas foi logo dizendo:

- Então amor! Se vocês duas querem matá-la a todo custo, porque não vão ao vivo atrás dela? – Perguntou como se fosse óbvio, e ficou torcendo pra Jessica topar isso.

E de fato Jessica ficou bastante pensativa, até soltou o pescoço de Yuri. Cruzou os braços, e depois levou o indicador direito até a ponta do queixo, e ficou raciocinando coisas mais improváveis que os planos da Kwon.

- O que me diz? – Yuri perguntou novamente, instigando Jessica a falar alguma coisa.

- Bem... – Começou a Jung, sem encarar Yuri, encarando o nada, ainda bastante pensativa. – Eu acho que se for pra matar, eu até que topo. Porque você não faz ideia do tamanho da raiva que eu to desse... ser, desde que tudo aconteceu. – Confessou de repente, e então olhou para Yuri, que tentava conter um sorrisinho satisfatório.

- Então, minha delícia... é algo realmente promissor. E aposto que a Tae também ta louca pra matar ela. – Yuri tava jogando lenha na fogueira sim, até porque era tudo ou nada.

O fato era que nem Yuri entendia o motivo dela estar querendo tanto ajudar Lelec... oops... Tiffany e Taeyeon. Ela já deveria ter deixado isso de lado há um tempão, mas não, ela ficava matutando ideias malucas, e na primeira chance que teve, já botou todo mundo pra ir ao Brasil, sem nem saber se daria certo, se os pais iriam deixar, se a própria Taeyeon queria. Havia uma gama de coisas nas quais não faziam sentido acontecendo dentro da cabeça da Yuri.

- Tá. É legal e tal, mas... e aí, como é que você vai fazer pra Taeyeon ir junto? – Jessica ponderou que talvez fosse uma ideia legal, mas perguntou logo o que Yuri queria que ela perguntasse.

-É aí que você entra em ação, neném! – Yuri disse, e completou: - Você quem vai falar com a Taeyeon sobre isso, hoje no final da aula. Eu pensei em falar eu mesma, mas eu não tenho tanto tempo de amizade com ela, e até então, ela ainda planeja me matar internamente.

Jessica revirou os olhos ao ouvir Yuri, ela sabia que tinha algo mais que errado nessa conversinha das duas.

- Afs, Yuri! Você é tão cagona, que me trouxe pra cá, me fez te esganar, só pra poder me pedir pra convencer a Taeyeon ir a uma viagem na qual ela sequer faz ideia de que está envolvida... – Murmurou a Jung, fazendo cara de “nojo”... aliás, aperfeiçoando a cara de nojo. Já que era sua cara de quase sempre, mesmo que ela sequer percebesse. Na maioria das vezes.

- Você fica tão linda assim... – Yuri disse toda admirada, sem o intuito de puxar o saco da namorada. Porém... Jessica é Jessica.

- Para de puxar meu saco só pra me convencer ainda mais nessa loucura! – Ralhou a mais baixa, ainda pensativa.

- Mas e aí... decidiu? – Yuri perguntou, toda impaciente.

Afinal, ela sabia que se deixasse a namorada decidir por conta própria em algo, seriam mais de três dias de pensamento profundo sobre. O engraçado, era que pra fazer a treta do pó de mico, Jessica não passou nem mais de dois minutos pensando, pra concluir que faria sem sombras de dúvida. Mas como aquela ideia de viagem não era dela, então ela iria ponderar e ponderar, supor, imaginar mil coisas e situações diferentes, até dar seu veredicto. Porém, Yuri não tinha tanto tempo assim, até porque ao final da aula elas teriam que conversar com as outras garotas. Se tudo desse certo, conversariam com os pais de todo mundo numa reunião só.

- Para de me apressar, amor! – Jessica reclamou, fazendo um bico fofo nos lábios.

- Mas é que isso é pra hoje ainda, Sica! – Yuri reclamou de volta, mas um reclamação cheia de pequenas manhas, bem fofinha. – E o intervalo tá passando já.

Jessica se viu numa situação complicada. Lógico que ela não queria ter que viajar com Sunny, e nem com Yoona, tampouco com Hyoyeon. Mas... em contra partida, ia a namorada, Seohyun e Taeyeon. E Sooyoung, que é gente fina... literalmente. Sacrifícios teriam de ser feitos, tudo em prol da morte de Jennyfer... oops, Tiffany.

- Tá bem, eu topo. Eu vou falar com a Tae hoje, vou tentar convencê-la. – Disse, por fim.

Yuri ficou tão feliz, que se atracou na namorada, e grudou os beiço nos dela num beijo tão estalado quanto o beijo do Pica-Pau no Leôncio. Foi fofo, mas foi engraçado também.

O intervalo demorou mais alguns cinco minutos, e ambas aproveitaram bastante pra namorar. Depois do intervalo, por mais que as aulas fossem importantes, a hipótese de conseguir viajar pro outro lado do mundo era algo que martelava bastante na cabeça das duas. Não só delas, mas de Yoona e Sooyoung também. Yoona sequer sabia se podia ir, e Sooyoung queria ir ao Japão, mas pelo visto iria ao Brasil. Infelizmente no Brasil não tem gachapons, mas tem comida boa, pelo que andou pesquisando.

 

                                                                                 ***

Naquele mesmo dia, após a aula, as meninas se encontraram como o combinado. Só tinham dez minutinhos pra conversarem, devido o tempo de chegada nas aulas complementares e devidos clubes.

Yuri tivera a chance que queria, e então contou para as garotas –Taeyeon e Seohyun – a sua sutil ideia. Seohyun ficou bem surpresa com aquilo, e achou algo meio impossível... as chances de dar certo eram de uma em um milhão. Tipo, era como se ela própria estudasse para trabalhar na NASA, se esforçasse horrores pra ganhar cargos bons por lá, e ir morar por dois anos numa estação espacial em órbita terrestre. Ela poderia tentar? Poderia. Ela passaria por todo o processo? Talvez. Mas tinha certeza que iria morar numa estação espacial após tudo? Não. Então ela ficou com uma cara de “dã, sua doida” a maioria do tempo após ouvir o plano, mas não disse nada.

Agora Taeyeon... ah, a doce e querida Taeyeon. Ficou 'putaça' com a idea, e soltou os cachorros em Yuri. Só não chamou ela de “bonita”. Já foi logo tirando o dela de reta, alegou que não tinha nem dinheiro pra ir pro outro lado do mundo, tampouco vontade. Dizendo ela, o outro lado do mundo estava infectado pela existência de Leo, porque ela se negava a chamar Tiffany de Tiffany. Naquele instante, mediante a reclamação total de Taeyeon, Yuri poderia jurar que perdera as esperanças... mas ela tinha uma carta na manga, e essa carta se chamava Jung Sooyeon. E ao final da pequena reuniãozinha, mesmo com o surto de Taeyeon, ela ainda disse:

- Então, meninas. Daqui a uma semana eu vou procurar geral pra gente se reunir, pra decidir como vamos falar com os nossos pais, e como vamos arrecadar uma graninha show pra podermos fazer tudo acontecer. E levem esse tempo todo para se conformarem, porque agora a Sunny também depende da gente. – Disse numa naturalidade invejável, sem ter vergonha na cara. Yuri estava bastante otimista agora.

- Eu não concordei,e e não concordo com isso. Então, boa viagem pra vocês. – Taeyeon falou toda grossa, e então saiu dali sem mais nem menos.

As meninas ficaram de cara, e Seohyun já ia tirar o dela de reta também, mas Yuri aproveitou pra falar:

-Seo, eu sei que você nem quer ir. Mas eu tive essa ideia que é pra vê se a Tae fala com a Tiffany, e elas se resolvam de uma vez. Eu sei que os pais da Tae jamais deixariam ela viajar sozinha, e também sei que Tiffany não voltaria para cá de forma alguma, porque Yoongs disse que ela tem passado por problemas chatos no Brasil. – Yuri começou a explicar pra Seohyun, mas não foi só pra ela, foi para as garotas que estavam presente ali. – E bem, nos tornamos amigas por causa de Leo, eu sei que Tiffany errou com tudo, mas ela sempre foi uma boa amiga pra todas nós. E eu acho que Tae só pode conversar com a Tiffany, quando a gente se unir e fizer algo... e não vi até agora, uma oportunidade melhor disso acontecer, do quê através da ida de Hyoyeon pro Brasil, e o querer de Sunny de ir junto. Então a gente ajuda até a Sunny nisso, mesmo que não sejamos amigas dela.

Seohyun passou a entender melhor, e vendo agora do ponto de vista de Yuri, percebera que não era assim tão mal, no final das contas. Mas ainda era uma loucura bem tosca.

- Mas assim, como é que a gente vai ajudar a Taeyeon, se ela não quer ir? – Seo perguntou, toda por fora do “coringa” de Yuri.

- Eu vou falar com ela, Seo. – Jessica respondeu de prontidão, na maior calma do mundo. Afinal, ela sabia que ia ter que enfrentar a fera, e teria que estar cheia de paciência. Que era uma virtude falha em seu ser.

Yuri bateu as mãos rapidamente, e apontou pra Jessica como se ela fosse algo incrível.

- Mozão vai fazer milagre. – Disse a morena, arrancando umas risadas de Yoona, pelo jeito imbecil no qual agira.

- Digo é nada. – Sooyoung murmurou, pra não dizer alguma atrocidade que pairava em sua mente.

Mediante ao fim daquela breve reunião, todas foram para seus devidos clubes e aulas extras. O pátio e todo canto do colégio, exceto a biblioteca, estavam vazios agora. Geralmente de tarde, a Srta.Roz aproveitava pra tirar um ronco –literalmente – e descansar dos afazeres de direção. A velha passava tanto tempo encalacrada dentro daquela sala, que muitos dos alunos achavam que ela e a cadeira na qual ela estava sempre sentada, mantinham uma simbiose tipo a do Eddie Brook, e o simbionte alienígena que transformava ele em Venom.  Assombroso.

Mas... ademais, o dia se passou tranquilamente.

Só na parte da noite que as coisas ficaram um pouco mais complicadas, mas só pra Jessica, que tinha uma das missões tão difíceis quanto ela própria. Mas era questão de honra executa-la. Ela já tava tentando, até porque tinha ido até o quarto de Taeyeon pra isso.

- ... Tae, é sério! Essa viagem pode ser uma oportunidade única! – Disse pela milésima vez naquela noite, fazendo cara de cachorro sem dono e tudo mais.

- Eu já disse que não vou pra lugar nenhum, Sooyeon! – Taeyeon respondeu, seca. E chamou de Sooyeon, ainda por cima!

Mas como Jessica queria vencer essa batalha, como um pescador que entra em treta com sua pesca gigante, ela só deu linha e não deu rage pela forma na qual fora tratada.

- Mas Tae, mulher! Deixa de ódio no coração, ora essa! – Disse Jessica, pensando rápido em alguma coisa que pudesse amolecer o coração de Taeyeon. E simplesmente continuou: - Aquele sonho não pode ser à toa!

Pronto, bastou falar dos sonhos frequentes da danshin, que ela logo mudou a cara de raiva. Taeyeon ficou em silêncio, completamente pensativa, e foi questão de segundos pra ela ficar “distante”. Parecia estar pensando sobre o que Jessica dissera, sobre o sonho que sempre tem, e com a oportunidade que aparentemente lhe surgira. Mas na verdade, Taeyeon só tava pensando no que ia jantar mais logo.

- E aí? – Encorajou Jessica, curiosa. – O que me diz?

- Eu to querendo muito um pedaço da pizza que a Soo provavelmente vai obrigar a tia da cantina a pedir. – Disse Taeyeon, com sinceridade.

E aquilo finalmente fez Jessica dar rage.

- PORRA, CARALHO! PARA DE SER ESCROTA, CACETE! PUTA QUE O PARIU! – Gritou a Jung, erguendo os braços pra cima e os chacoalhando loucamente. – CACETE DE AGÚLHA! A VIADA SONHA TODA NOITE COM A OUTRA VIADA, TEM A PUTA DE UMA OPORTUNIDADE CRIADA POR UMA IMBECIL QUE NEM SABE SE VAI DAR CERTO, E AO INVÉS DE CAIR DENTRO DO ESQUEMA MESMO SEM SABER O RESULTADO FINAL, NÃO... FICA DE CÚ DOCE, PENSANDO NUM JANTAR FULERO, QUE AMANHÃ NÃO VIA SEQUER LEMBRAR DO QUE FOI COMIDO!

Foi o primeiro rage de Jessica tivera com Taeyeon, em todos esses anos nessa indústria vital. E Taeyeon? Tava de olhos arregalados e boquiaberta com aquilo! Jessica ainda respirava ofegante, que nem um assassino que recém acaba de matar uma vítima na porrada.

- Nossa. – Taeyeon murmurou depois de alguns minutinhos, encarando uma Jessica furiosa.

- Vocês... –Jessica disse, entre o fôlego. – Todas vocês! Tem uma sorte desgraçada, porque Deus não me deu forças pra matar uma por uma, viu! PORQUE SENÃO EU MATAVA!

- Nossa, Siquinha.. cê anda tão nervosa. – Taeyeon falou num tom de voz até que carinhoso, mas Jessica não se acalmava.

- VOCÊ VAI NESSA PORRA SIM, KIM TAEYEON! PORQUE SE VOCÊ NÃO FOR, EU VOU ESPARRAR AQUELE TEU SEGREDO ESCROTAMENTE CABELUDO PRA TO-DO MUN-DO!

Jessica esbravejou toda nervosa, apontando no busto de Taeyeon. Tae, coitada... tava em posição de defesa, com os olhos arregalados, sem entender nada a não ser que estava sendo obrigada a ir, senão seria arregaçadamente esparrada pra geral, pela Jung. E ela sabia que Jessica não brincava em serviço.

Jessica, por sua vez, não deixou Taeyeon dizer mais um “a” sequer. Simplesmente a empurrou pelo busto, com o indicador mesmo, e deu as costas pra ela, caminhando pesado pra longe. Tinha decidido por Taeyeon de um jeito, ou de outro.

 

 

                                                                                       *** 

 

 

Os dias se passaram de vagar, tortuosos e muitas vezes, cansativos. Bem, na verdade não houve um dia de descanso na vida de Tiffany Hwang, desde que ela voltara dessa bendita Coréia do Sul.

A real é que aquele plano dela de se esconder não durou tanto tempo assim, porque seu pai descobrira seu paradeiro. E ao contrário do que ela achou que ele faria, o que ela ganhou dele foi um grande e sincero “foda-se”, e junto com esse foda-se, vieram coisas nas quais desde que ela fizera 18 anos, tentava evitar à todo custo: responsabilidades.

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, disse Tio Bem à Peter Park, e “Foda-se! Se vira pra pagar tuas contas e viver, não te quero mais na minha casa”, disse tio... oops, senhor Hwang para Tiffany, que ela também modificou para “Grandes foda-se trazem grandes responsabilidades”, numa frase só.  Ela passou por maus bocados durante vários meses, até conseguir se estabilizar. Também ficou triste por longos dias, agora não mais pelo fato de ter perdido Taeyeon, mas pelo fato de ter perdido um pai, praticamente. Ela não fora a única, Leo também fora claramente deserdado da família Hwang, e não recebe nem ajuda pra sustentar a filha recém nascida. Sim, Tiffany finalmente virara tia... e no final das contas, ela vendo como o irmão tinha trabalho com a criança, percebera que ser tia era uma dádiva divina, e que jamais queria ser mãe! Era um trabalho que ela não desejava nem pro pior inimigo, entretanto, estava adorando ver Leo tomar claramente no cú. E no final das contas, percebeu que ambos – ela e o irmão – haviam se tornado adultos forçadamente pela vida. Claro que Leo perdeu o último ano escolar dele todinho, e todos os direitos de estudante especial que ele tinha através dos jogos, depois dessa tramoia toda que ainda deu o que falar durante dois meses após a descoberta. E de novo Leo repetira de ano, o que não era surpresa nenhuma pra ele, por isso ele tava focando mais em trabalhar num empreguinho meia-boca pra poder sustentar a namorada e a criança. Às vezes era Michele quem socorria o irmão, às escondidas do pai, claro. Se o Hwang soubesse, ele bem seria capaz de deserdar Michele também, por mais que ela nem precisasse mais dessas coisas, uma vez que é casada e mora com o marido, sendo ela a única bem de vida dentre os irmãos.

Tiffany havia vivido como uma nômade pela cidade na qual escolhera morar, e agora havia conseguido morar numa quitinete de um quarto só, numa quadra um tanto quanto perigosa da cidade. Mas pelo menos era confortável o imóvel, e os móveis de segunda mão, que Michele ajudara a comprar, pareciam novos e eram bem conservados. O aluguel não era assim tão caro, não mais, no começo fora difícil pra Fany pagar o aluguel, o condomínio, luz e água... até porque tava trabalhando feito condenada pra isso, num restaurante lá perto. Decidira então que além de trabalhar, iria estudar. Botou isso na cabeça, e começou a estudar pra concursos públicos, até que finalmente passara em um concurso bem requisitado, e então fora chamada porque teve sorte. Agora, que ganhava relativamente bem, estava dando conta de pagar tudo em dia, e até mesmo de comprar novos móveis. Muito embora estivesse guardando dinheiro pra poder viajar para Coreia do Sul de novo. E já era final de ano, ela tinha que fazer isso. Ela tinha que ver Taeyeon novamente, as meninas, ela tinha um pedido de desculpas a fazer, tinha que esclarecer melhor as coisas... e tinha que matar a saudade que ela estava sentindo de sua danshin. O foda era que ela só ficava sabendo de Taeyeon vez e outra, por Yoona. Quando ela fora procurar o facebook da danshin, uns dias depois de ter conseguido internet, no cafofo onde morou quando chegou em BSB de novo, não mais achara o facebook de Taeyeon. Meses depois, soube por Yoona que a baixinha tinha deletado tudo que tinha das redes sociais, e que tinha desaparecido. Tiffany vivera em angústia duplamente, pela vida que estava levando em BSB, e por saber que sua príncipa estava passando por maus bocados por sua culpa. Mas de tempo em tempo, Yoona a mantinha atualizada sobre tudo, e a última notícia que ela recebera da jacaroa, já fazia mais de três meses atrás. Ao que ela soube, Taeyeon havia voltado a frequentar o colégio, mas estava estranhamente mais grosseira, desconfiada e parecia sem coração. Tiffany se culpava todos os dias por ter deixado Taeyeon daquela maneira, logo ela... que era uma garota engraçada, divertida, alegre. Não tinha um minuto na vida de Fany, que ela não pensasse e lembrasse de Taeyeon, as vezes até sonhava com ela, mas seus sonhos tem se tornado cada vez mais escassos, pela falta de descanso e relaxamento de seu corpo moído pela carga horária do trabalho.  Mas estava dando tudo de si pra poder ir à Coreia do Sul novamente, e lá, ficaria na casa dos tios.

Naquela hora do dia, Tiffany estava no escritório onde trabalhava, estava relaxando brevemente entre um documento e outro, que fazia ou lia. Estava no facebook, como sempre, procurando inutilmente pela conta de Tae, que fora desativada há muito tempo, e esperando por notícias de Yoona. Imaginou que por lá, apesar de ser já noite, o pessoal já estivesse entrado de férias... mesmo que ela não achasse que Yoona teria conseguido essa proeza. Às vezes, Tiffany ativava novamente o bate-papo do facebook só como aviso de que estava on, para que Yoona a visse e logo mandasse a mensagem, caso esta estivesse on também, mas naquele momento ela não fizera isso. E mesmo com o bate-papo desativado, uma mensagem subiu no canto de sua tela. Era Yoona.

Mensagem da Yoongs:

Hello, Fany-ah! To aqui de boinha na minha hause, fazendo uma coisa bem maneira que é do teu interesse. Como tu não tá on pra eu poder te deixar com curiosidade, vou mandar logo o recado aqui. Olha, primeiramente, eu espero que você não tenha viagens pra fazer no próximo mês, e nem nos próximos dias, porque a gente tá chegando por aí. É bom avisar logo, porque pegar de surpresa não é nada saudável, e porque Yuri disse que vai muita gente, então você tem que ajudar a gente a achar algum lugar bacana pra ficarmos, porque a Hyo vai ficar em um Estado próximo, e nós continuaremos até BSB. Sei que vai ser uma longa viagem, vamos pegar aviões pra uma caceta, porque Yuri providenciou tudo, e é isso. Mals aí estar detonando as tuas férias, e eu espero que você as tenha, porque a gente vai tomar um pouco do teu tempo... ou não. Sabe como Sooyoung é desbravadora... ah! Jessica tem uma exigência! Ela disse que se tiver alguma loja perto daí que tenha uma tal de havaianas pra vender, ela vai querer que você a leve até lá. Ah! Daqui a dois dias eu volto, e te digo exatamente o dia que vamos sair daqui, pra chegarmos aí. Espero não ter te assustado com essa notícia de última hora. Enfim, até breve, Leleca! Vlw flw.”

Não preciso mencionar que a cada palavra lida, o coração de Tiffany dava uma falhada diferente, né? A pobrezinha até perdera o ar, não sabia como reagir. E finalmente seu coração disparou loucamente, ao ponto de seu corpo estremecer num calafrio inexplicável, e suas pernas ficarem ligeiramente trêmulas. Não, isso não era paixão e nem amor pela mensagem de Yoongs, era puro nervosismo! Seu cérebro agora estava à ponto de ebulição!

JESUS AMADO! ISSO É FAKE? SÓ PODE SER FAKE! MANO... ISSO É HAKER, SÓ PODE! CARAMBA, MEU DEUS... EU TO MESMO LENDO ISSO?”, se perguntava aos gritos, ainda bem que eram em sua própria cabeça. Levou as mãos à boca, e cobriu um grito de agonizante alegria que insistia em sair por sua garganta, e o sorriso idiotamente imbecil lhe veio à face. Aquelas piranhas gringas estavam o tempo todo tramando virem ao seu encontro! Mal podia acreditar naquilo, e se aquela porra toda fosse uma notícia falsa, ela certamente iria embarcar no primeiro voo à Coreia do Sul, pra largar a porrada na cara da rockeira face daquele grupo de piranhas gringas!

Mas o que mais lhe causou euforia quase insuportável, foi a hipótese de Taeyeon vir junto com as meninas. Ah, isso lhe tirara o fôlego novamente... ficou atônita em sua cadeira, parou de trabalhar. Dali pro resto do dia, seu dia de trabalho não fora nada produtivo. Até chegar em casa foi complicado, uma vez que descera duas paradas à frente da sua, e foi andando mesmo até chegar em casa, pensando nessa bendita mensagem, e imaginando inúmeros possíveis reencontros com Taeyeon novamente. Nem sabia se esta vinha mesmo, mas estava pensando no que ia falar pra ela, se ela iria abraçá-la ou reagir bem, e tudo mais.

Em casa, sozinha, se danou a pensar horrores consigo mesma, numa auto-conversa:

Tiffany Hwang! Sua desgraçada sortuda... puta merda! Você não merece nem metade dos esforços dessas garotas, mas ainda sim, elas aparentemente estão vindo te ver. Nossa, sua praga! Vê se dê toda a sua atenção pra cada uma delas, poxa! Não vai ser a escrota que vai fugir... mas espera! Cacete, pelo visto elas vão querer ficar no meu cafofo... ah meu Deus! O que eu faço? Gente, isso aqui é um cubículo! Mal da pra mim... até pra cagar aqui é um sofrimento danado, tem que usar bom ar na porra da casa toda, senão desgraça tudo!

Cara... sinceramente, eu não vou pedir ajuda pra Michele de novo não, coitada. Ela já tem o Leo otário pra ajudar. Eu sei lá... cara, eu não tenho nem como me mudar em pouco tempo! É o jeito, vou “entuchar” todo mundo aqui mesmo, porque ninguém mandou.. virem atrás de uma pobre servidora pública que tá começando a escravidão agora, e jamais terminará, porque com essa porra da previdência agora, fudeu.

Fora Temer.

Enfim... cara, eu preciso dar um jeito ao menos de organizar isso aqui! Pelo menos minha cama é de casal. Vou arrumar uns colchonetes infláveis bons, porque tem uns que puta merda, nem cachorro dorme naquilo. Vou ter que pegar o videogame do Leo emprestado, pra entreter elas um pouco. Vou ter que pegar emprestado o carro da minha irmã, porque com um cafofo desses... pretendo vim pra casa só pra botar a negada pra dormir, e no outro dia... AH, CACETE! TIVE UMA IDEIA BOA PRA CARAMBA! Isso aí Fany-ah, sua ligeira! Vou levar essas piranhas gringas comigo lá pra Caldas Novas! Pelo menos lá a gente fica em chalé, geral curte piscina e o escambau. Ótima ideia! Melhor que ficarem aqui no cafofo o tempo todo, credo... lugar de pobre da porra.

Sim... estávamos de novo dentro  da cabeça da Fany, que não para de pensar um segundo sequer. De repente, até tem umas ideias legais. Tenso mesmo é se a gente fosse entrar na cabeça da Yuri... enfim, vamos voltar ao assunto principal dessa bagaça:

A verdade era que, durante os próximos dias, Tiffany sequer conseguia se concentrar direito. Sua cabeça estava a mil, e a felicidade não cabia em seu peito. Isso porque ela sequer dormira, pensando no assunto. De manhã cedo, tinha até ligado pra Michele, falando que iria receber as amigas corebas em casa e tudo mais, e Michele ficou assustada com aquilo, afinal, nossa querida Leleca vivia num “apertamento”, e era muita piranha pra acolher! Mas como existe louco pra tudo, Michele apenas desejou boa sorte à irmã, e disse que queria conhecer as amigas dela.

Tiffany ficou o tempo todo de olho no facebook, durante as horas de trabalho, mas não houve mensagens de Yoona. Quando chegara em casa, ela também ficou de prontidão no facebook, e nada de Yoona... e quando ela tava quase dormindo, de madrugada e no segundo dia, eis que surge a mensagem da magricela:

A gente sai fora daqui na segunda que vem, viu! Se prepara aí, e prepara o rango, que Sooyoung é fogo! HAHAHAHAHA

Tiffany quase teve um infarto do joelho! Até porque ela bateu o joelho na mesinha onde estava sentada, quando leu a mensagem. Então, aproveitou que Yoona estava online, aparentemente, e perguntou logo: “Taeyeon vem com vocês?”, mas ficou no vácuo. Yoona já tinha se mandado há um tempinho.

E Tiffany mal dormiu. A semana passou se arrastando pra ela. A expectativa era gigantesca.

 

                                                                                ***

 

IN COREBA.........

 

- Acabei de mandar a mensagem pra ela, agora ela vai ficar preparada pra avalanche na casa dela. – Yoona disse ao telefone, porque tinha ligado para Yuri.

Naquela altura do campeonato, todas estavam em suas devidas casas, até porque o ano letivo havia acabado, e não tinha motivo algum para que ficassem no colégio. Nem mesmo Yoona, que ficara de recuperação, passara tanto tempo assim no colégio. Fez a prova, e no dia seguinte já tinha o resultado de suas férias em mãos, e por sorte, havia passado. Só por causa desse esforço, seu pai lhe permitiu a viagem. E também, porque ele conversou com o pai de Yuri, Jessica, Seohyun, Sooyoung... e com o pai de Taeyeon, que ia a contra gosto. Também houve uma palavra do pai de Sunny, e os pais se entenderam nessa pequena “reunião de pais” sobre essa viagem. Desde que Yuri tivera a ideia, meses atrás, todas se mobilizaram para conseguir uma graninha extra. Claro que o que elas conseguiram não foi o bastante, por isso houve a tal da reunião de pais. E essa, meus caros, é a melhor parte de se ter “paitrocínio” nessa vida.

Só havia um pequeno porém, que fora resolvido pela própria Yuri quando ela estava comprando as passagens. O lance de que Hyoyeon e Sunny ficariam em Minas Gerais, e Tiffany era de BSB. Mas caso não desse certo o lance de ir de avião de Minas até BSB, Hyo disse a elas que ir de ônibus era mais tranquilo e mais barato... mas só se fosse uma segunda opção bem às pressas mesmo. Por sorte não era.

- Acha mesmo que isso vai ser uma boa ideia? – Yoona questionou Yuri sobre isso pela milésima vez no ano, desde que fora designada a viajar sem saber.

- Sinceramente, a gente é um bando de retardada. – Yuri confessou. – Não sabemos porra nenhuma de português, e vamos nos meter logo do outro lado do mundo, no centro de um país gigantesco.

- SE A GENTE FOR SEQUESTRADA E MORRER, QUE NEM AQUELE FILME LÁ, A CULPA VAI SER TODA TUA! – Yoona já gritou no desespero, querendo se trancar pra sempre no armário de casa.

- Para de ser cuzona! – Yuri a repreendeu logo. – A gente só tem que chegar no aeroporto de BSB, e a Fany pega a gente lá. – Explicou, e depois perguntou algo importante: - Aliás, você por um acaso, disse pra ela que ela é quem vai buscar a gente na quarta?

Yoona ficou em silêncio por um breve momento, e ouvira Yuri suspirar do outro lado da linha.

- Então pega esse pc, e avisa pra ela isso. – Recomendou a morena, pacientemente. Ao que parecia.

- Ok, então vou lá. Mas... – De repente, Yoona se lembrou de algo. – E se ela perguntar se a Taeyeon vai? O que eu vou dizer?

- Desconversa, ora essa. – Disse Yuri como se fosse fácil. – Enfim, agora eu vou indo. Até logo.

- Até.

Finalizaram a ligação.

Então Yoona correu pro pc, e mandou a mensagem para Tiffany. E só então vira a pergunta dela, sobre Taeyeon. Sequer respondeu, ignorou geral a pergunta sobre a danshin. Só disse mesmo o que Yuri pediu, e então saiu de novo do facebook que era pra não dar vestígios de sua presença ali. A roqueira odiava ficar dando mole no face, porque sempre vinham umas tias de longe falar com ela, e perguntar como é que tava a família. Ela odiava isso.

 

                                                                              ***

 

No santo dia, dia da viagem, as meninas ficaram de se encontrar no aeroporto da cidade, a primeira a chega foi Sunny, acompanhada de Hyoyeon, que estava com seu pai. Depois de alguns minutos, Yuri chegara, junto de Sooyoung. Yoona veio quinze minutos depois, e nesse meio tempo, Seohyun se encontrou com eles. As últimas a chegarem foi Jessica acompanhada e Taeyeon, só porque Taeyeon ficou enrolando horrores pra sair de casa. Mas quando todo mundo se reuniu, era evidente o nervosismo no rostinho de cada qual ali. Estavam nervosas pelo fato de irem pro outro lado do mundo, sem nem saberem falar o idioma local. Não faziam ideia do que iam enfrentar pela frente, mas estavam sacrificando aquilo em prol de uma amizade que valia a pena. Aliás, duas. Porque Taeyeon havia se tornado importante para Yuri e Yoona. Ok, talvez nem tanto pra Yoona, mas Tiffany era alguém importante pra todas ali. Exceto Sunny, a única pessoa importante pra ela ali era Hyoyeon.

- Nossa, eu não vejo a hora de falar com a Tiffany. Quero perguntar várias coisas pra ela! – Seohyun revelou esse pequeno desejo, enquanto esperavam na sala de embarque.

- Nossa, eu quero tanto arrebentar as fuças daquela bastarda! – Jessica disse logo em seguida, no mesmo tom “sonhador” de Seohyun, mas claro que carregado de ironia.

Yuri arregalou os olhos, Sooyoung riu de boca cheia –porque tava comendo, claro – e Yoona deu uma risada engraçada.

- São tantas emoções pra acontecer lá, que eu vou filmar tudo do início ao fim. – Yoona comentou, ainda entre as risadas bestas.

Taeyeon era a única que não tava interagindo, além do pai da Hyoyeon, que tava um pouco distante das garotas só porque queria paz pra ler um jornal. Sunny e Hyo estavam presas em seu mundinho de namoro, conversando sobre tudo, e Hyo dizia pra Sunny os lugares onde ela supostamente a levaria, no Brasil.

Quando o voo foi anunciado, Jessica “encangou” no braço de Taeyeon, e Seohyun fez o mesmo no outro lado, formando uma espécie de “paredão humano”, só pra anã não mudar de ideia na última hora e sair correndo. As passagens foram caras, e ninguém ali tinha ralado horrores de graça.

Quando embarcaram, finalmente, Taeyeon sentiu um frio na espinha. Não disse nada ainda, mas colocou os fones de ouvido, e se pôs a ouvir suas mais variadas músicas. Acabou pegando no sono, até então, e novamente se viu em seu universo particular... 

Horas mais tarde, Yoona parecia que tava com fogo na bunda, porque não conseguia parar quieta na poltrona. Isso pareceu ter incomodado Yuri, que estava ao seu lado.

- Dá pra parar de se mexer de um lado pro outro, por favor?! – Aquele pedido da morena soou mais como uma ordem, do quê um pedido em si.

- Ah, desculpa... – Yoona murmurou de volta, ainda bastante apreensiva com alguma coisa. – Eu to um pouco encalacrada aqui.

- O que é que tu tem?- Yuri perguntou, um pouco irritadiça.

- Não tá ouvindo nada não?

- Ouvindo o quê, criatura?!

- Isso, ó... – Yoona deu uma pequena pausa, não fez barulho nenhum, e apontou o dedo pro teto da aeronave, olhando pra Yuri com as sobrancelhas erguidas como quem tá com expectativas... e ela tava. Com expectativa que Yuri ouvisse o mesmo que ela.

Yuri olhou bem pra cara de Yoona, e um pequeno silêncio se instalou ali. Nada mais era ouvido no local, senão as turbinas do avião. Yuri fez uma cara de “foda-se” tão clara, que Yoona insistiu antes mesmo que a morena a mandasse ir tomar onde o sol não bate:

- Sério, se concentra! – Pediu, ainda fazendo a mesma pose idiota de antes.

Então Yuri realmente se concentrou, e então ela realmente ouviu um ruído. Era como um murmúrio baixo, sei lá... o que se sabe, é que era um som agonizante e bem baixinho.

- Meu Deus! – Yuri ficou admirada, e então começou a olhar para os lados. Depois se ergueu um pouco pra poder olhar para as poltronas de trás, querendo saber de onde vinha aquele gemido esquisito.

- Eu te disse! –Yoona falou, enquanto também olhava para trás, e para frente, inquieta.

- Mas que coisa estranha, é bem baixinho! – Yuri comentou, tentando falar baixo. – Desde quando tu ouve isso?

- Eu sei!- Concordou a magrela, e então logo respondera a pergunta da amiga: - Já faz uns vinte minutos, desde que Sooyoung foi dormir.

E falar em Sooyoung, esta se encontrava entre as duas acordadas e amedrontadas. Porém, Sooyoung estava dormindo feito uma pedra, e sonhando com comida e mais comida, lógico. O avião poderia entrar em turbulência, que ela não acordaria nem ferrando. Por tanto, não estava se incomodando com o “mexe mexe” intenso que tava rolando em sua fileira, com duas idiotas abismadas com alguns gemidos esquisitos que vinham, provavelmente, do além.

Já nas poltronas que ficavam quase pro final da aeronave, um silêncio pleno prevalecia. Jessica, que tava sentada ao lado da janela, estava nervosa horrores. De onde ela estava, podia ver claramente a parte de trás da asa direita da aeronave, e a turbina também. Mas ela tava nervosa só pelo fato de conseguir ver as nuvens, e saber que estava sobrevoando a vários metros de altura a deixava completamente nervosa. Ela não tava entendendo muito o motivo de ainda estar acordada, até porque ela tinha tomado uns remédios pra dormir. Mas a tensão era tanta, que seus belos olhos não conseguiam se fechar. Olhava pra Seohyun que tava sentada entre ela e Taeyeon, e via Seo dormindo, assim como Taeyeon estava lá na ponta. Pensou em chamar por Yuri, mas a morena estava sentada algumas cadeiras à frente, e provavelmente ela iria chamar atenção de mais se o fizesse.

- Ai meu Deus, que merda... – Murmurou baixinho, já sem saber como lidar com a inquietação. E o medo... mas ela nunca iria admitir que era medo, claro.

Até que resolveu levantar a ir ao banheiro. Completamente natural e plena, ela se levantou, passou por Seo e por Tae, e como se não estivesse sentindo absolutamente nada, caminhou até o banheiro. Quando entrou na minúscula cabine do banheiro e fechou a porta, começou a surtar lá dentro. Só não gritou que não era pra chamar atenção de ninguém, mas passou água na cara mil vezes, orou, rezou e tentou entoar o mantra. Tava apelando pra todos os deuses pra chegar logo, porque ela não ia aguentar mais. Porém... era apenas a primeira hora de voo, no primeiro avião que pegaria. Jessica sofreria bem mais o que ela tava esperando sofrer.

Quando saíra da cabine do banheiro, como se nada tivesse acontecido, tornou a caminhar bem plena até a poltrona de onde estava. Passou por Seo e por Tae tranquilamente, antes de sentar em seu lugar, até olhou para o lado oposto e viu uma criança a encarando. Deu um sorrisinho à contra gosto pra criança, e então se sentou. “Espero que esse mini embuste não invente de abrir o berreiro durante a viagem, senão sou capaz de abrir a porra da porta de emergência e me jogar”, pensou fazendo uma cara de nojo típica, e tratou de fechar a janelinha do avião, enquanto imaginava que não estava dentro de um avião, e que logo iria passar.  Mas é claro que isso se tornava difícil, principalmente quando a aeronave passava por uma região turbulenta.

Num todo, a viagem foi bem tranquila pra Taeyeon, Sooyoung e Seohyun. Apesar de estar querendo morrer a cada momento mias próximo das terras de Tiffany, Taeyeon tava tentando aproveitar o fato de que estava viajando pra lugares desconhecidos que ela conheceria, porque ia tentar aproveitar essa parte, e não a parte de rever Leleco. Ela ainda tinha rancor no coração. Sooyoung comeu e dormiu a viagem quase toda, fez amizade com as comissárias de bordo, e pediu até pra visitar a cabine do piloto e copiloto, com quem também fizera amizade. Nos dois aviões que pegaram foi essa mesma cantiga, e Sooyoung sempre saia colega do pessoal... porém, a única coisa que permanecia, as únicas, aliás, eram o medo de Jessica e o ruído estranhamente sinistro. Haiviam horas que o ruído parava, mas depois, quando todo mundo estava a descansar, ele voltava e deixava Yoona e Yuri encalacradas.

Já estavam indo rumo ao Brasil, pois haviam tido escala nos EUA, e já tava todo mundo dormindo porque iria demorar mais algumas horinhas e tal, quando os ruídos começaram. Yuri e Yoona estavam feito zumbi, porque elas procuravam horrores a fonte desse barulho irritante, e não encontravam de forma alguma! O barulho ate começou a se juntar com uma espécie de rangido horrível...

- Porra, assim eu vou chegar na terra da Leleca só o pó, mano! – Yuri reclamou, enquanto tentava manter a calma. Tava prestes a gritar ali dentro e acordar todo mundo, pra dizer que tem algum barulho estranho tirando seu sono.

- Nem me fale! – Yoona concordou, e então continuou: - Lá em Los Angeles a Seo disse que eu to parecendo uma desnutrida a ponto de morte! Disse que o fato de eu ser magra, e as olheiras estarem horríveis, implica a essa impressão. Mano... eu só não como mais que a Soo, mas porra, desnutrida a ponto de morte é foda.

Yuri segurou uma risadinha sacana ao ouvir a reclamação da amiga, mas se recompôs logo, porque ouvira de novo o tal do rangido. Chega dava gastura, aquela bem intensa, de arrepiar até os pelo do cú, e fazer nossas pálpebras se contraírem.

- Puta que pariu! – Yoona reclamou foi logo. – Assim não dá não, mano!

Yuri ficou 'putaça', então se levantou da poltrona. Ia gritar pra acordar geral, mas acabou parando quando viu que todo mundo tava realmente dormindo, inclusive Jessica! E como ela bem havia lembrado da conversa que tivera com a namorada quando tiveram de fazer escala em Los Angeles, preferiu não acordar ninguém. Afinal, Jessica tinha contado pra ela que não tava conseguindo dormir, e Yuri tinha perguntado se era por causa dos barulhos e a namorada negou, disse que onde tava, só ouvia mesmo as turbinas. Desde então, o ocorrido acabou tomando de conta da cabeça da nigga... “Bem, se Sica não ouve essa porra, e aparentemente mais ninguém ouve, quer dizer então que isso só tá acontecendo nas nossas poltronas”, pensava toda hora. Foi então que ela olhou pra Yoona, toda encalacrada procurando o barulho, e teve uma ideia.

- Yoongs, tive uma ideia! – Disse rapidamente, enquanto voltava a se sentar. – Olha, Sica me disse que não ouve nada lá da poltrona dela, e aparentemente ninguém mais tá ouvindo isso senão a gente, até porque se tivessem, teriam reclamado com as aeromoças já.

- De fato... – Concordou a jacaroa, com a especulação da amiga.

- Então... se não sou eu, e não é você. – Se entreolharam atentas, e pareceram ter o mesmo raciocínio, pois disseram em uníssono: - É Sooyoung!  

E mais que rápido, as duas se aproximaram de Sooyoung, e eis que ela apenas ressonava ao seu sono tranquilo. Ficaram meio minuto pertinho dela, esperando algum daqueles barulhos estranhos, e nada aconteceu.

- Acho que não, hein... – Yoona disse baixinho, sussurrando.

Quando foram se levantar, eis que a desgraça do rangido soou da própria magrela, arrancando arrepios agonizantes de YoonYul.

- DROGA! – Yuri acabou gritando, mesmo sem querer.

Isso acordou Sooyoung, que tomou um susto da pega ao ver as duas idiotas quase que em cima de si.

- QUE DIABÉ ISSO? – Gritou a magrelona recém acordada, afastando as duas doidas de cima de si.

- A gente é quem pergunta! – Yoona disse, alarmada. – Tu faz um barulho muito escroto quando tá dormindo, porra! Desde o começo da viagem eu não consigo nem pregar os olhos por tua culpa!

 Nesse momento, metade do avião tava acordado já, por causa do bafafá naquela fileira. Não demorou muito uma aeromoça se aproximou do trio, e pediu educadamente para que se acalmassem, e não fizesse mais barulho para não atrapalhar os demais. Se desculparam com a aeromoça, e com o pessoal. Mas entre si, começaram a cochichar “raivosamente”:

- De primeiro tava gemendo feito um fantasma com dor de barriga! – Yuri brigou, continuando a discussão ali.

- É! E depois começou a fazer um rangido horrível! – Yoona disse, botando lenha na fogueira.

 Sooyoung, que até então tava bem revoltada por ter sido acordada, e por ter pago micão por causa das lindezas, acabou relaxando os ombros suavemente, e sentiu-se culpada. Então disse:

- Desculpa, galera... eu as vezes fico gemendo igual fantasma enquanto durmo mesmo, isso quando não fico rangendo os dentes. Eu tenho bruxismo, e sou um pouquinho sonâmbula. – Confessou se sentindo culpadamente mal por isso.

As meninas se entreolharam e então disseram um “ahhh”, e ficaram um tanto quanto pensativas, até Yuri dizer:

- Porque não disse pra gente que tinha isso aí?

- Ah, nunca achei necessário. – Confessou, e depois deu de ombros levemente. – Só a Taeyeon sabe disso, porque a gente dividia quarto lá na escola.

- Não sei como teus dentes não quebram nessa rangedeira doida...! – Yuri disse, completamente admirada.

Sooyoung até diria a ela que usa uns negócio pra evitar, e que faz o tratamento de boinha, mas eis que o piloto começou a dar o aviso de que estavam chegando em terras BRs. Nesse momento, até mesmo Taeyeon, que dormia horrores desde que assentou a busanfa na poltrona do primeiro voo, acordou um tanto quanto alarmada. Claro, tinha se esquecido do pequeno detalhe que ainda não era em Brasília que iriam pousar, até porque elas iriam tomar outro avião para ir a Brasília.

A partir daquele momento, Taeyeon começou a se sentir muito inquieta. Foi então que sua ficha caiu completamente! Ela estava no Brasil. Ela estava nas terras de Leleco. Ela estava indo pra Brasília, onde Leleco reside, só pra encontrar com ele. Ela ficou tão nervosa, que fez  a linha Sunny... começou a passar mal horrores, ao ponto de abaixar a cabeça entre as pernas, e levantar os braços pra cima, fechando e abrindo as mãos pra vê se a circulação melhorava. Aquilo sim foi uma cena completamente cômica, que até mesmo Jessica, que tava toda coisada de medo, acabou por rir horrores da amiga. Seohyun olhou normalmente, e tão normalmente como olhou, ignorou... em sua cabeça se passava a seguinte frase: “Nada de mais, é só a Tae sendo a Tae”.

Taeyeon passou mal horrores até o avião pousar, e finalmente, quando desembarcaram, ela pode parar de passar mal. Mas ainda assim, tava bastante pálida. E diferente de Taeyeon, que estava deveras preocupada e pálida, as outras meninas estavam completamente inertes ao novo “universo” na qual se encontravam. Muitas pessoas, o cheiro era completamente diferente, muito perfume no ar, pessoas falando português de um lado pro outro, movimentação intensa... o clima do aeroporto era completamente diferente dos demais.

- É só eu, ou vocês também tão sentindo que essa viagem vai ser louca? – Sooyoung perguntou, enquanto olhava tudo ao redor. Não entendia porra nenhuma do que tava escrito em algumas coisas, senão alguns logos de algumas lojas que já conheciam.

- Eu to achando que vai ser também. – Yoona respondeu, do mesmo jeito.

- E agora, o que a gente faz? – Yuri perguntou mais pra si mesma, do quê pras demais.

- Eu achei que você sabia o que estava fazendo, Kwon! – Jessica ralhou, saído de seu estado inerte pra algo preocupantemente nervoso.

A sorte é que com elas, se encontrava uma regueira.

- Aê galera! – Hyo disse, ao se aproximar do grupinho das piranhas gringas.- É hora de nos separarmos nessa jornada. Mas! – Pausou, e então olhou para todas só pra continuar. – Vocês vão ter que ligar pra Leleca e avisar que já estão em SP, e que daqui a umas duas a três horas vão chegar em BSB, e diga pra ela ir buscar vocês. Até porque, eu vou pra BH com papai e minha namorada.

- Achei que você ia com a gente até lá... – Seohyun disse brevemente. Até porque ela realmente achava isso, ela e Jessica. Yuri tinha dito a elas que Hyoyeon as acompanharia.

- Nada, eu só venho até qui com vocês, e no dia da volta, a gente se encontra aqui de novo. – Avisou a regueira normalmente, com a calma que Jah lhe deu.

Jessica e Seohyun se entreolharam, e depois ambas olharam para Yuri com ódio. Yuri coitada, se encolheu de leve... sabia que ia tomar uns puxões de orelha.

- E pra onde a gente vai agora, Hyo? – Perguntou Sooyoung, que diferente de Jessica e Seohyun, sabia sobre o fato de que Hyo ia pra outro canto do Brasil.

- Agora vocês esperam anunciar o voo de vocês até BSB. Se lembrem, a pronúncia que vocês vão ouvir é “BÊ ESSI BÊ”! Fiquem atentas. – Disse, e depois raciocinou de leve. – AH! Eu vou estar aqui com vocês ainda, mas torçam pro voo de vocês ser chamado antes do meu, porque aí num vou poder dizer exatamente pra vocês onde é a sala de embarque. Apesar de ter as paradas em inglês, acho que vocês não se ligariam.

- Oxe, minha filha! Eu sou fluente em inglês! – Jessica protestou, já tirando o dela de reta desse “vocês” citado por Hyo.

- Não sei não, Jung. Somos da mesma classe, e você é uma das alunas que tira nota baixa nessa matéria . – Sunny comentou como quem não queria nada, porque não fazia sentido em sua cabeça.

- CALADA! –Jessica ralhou, já ficando nervosa por ter sido contrariada. – Eu já morei nos EUA, eu sou de lá! Só tirava nota baixa mesmo porque eu não era obrigada a responder aquelas bobagens que o professor chamava de matéria.

- Aham, sei... – Sunny murmurou, rolando os olhos.

Jessica até pularia em seu pescoço, e no pescoço da negada que tava segurando o riso ao ver a cena, porém, o voo das piranhas gringas finalmente foi anunciado. Yuri e Yoona sentiram uma paz tão grande no coração quanto a isso, porque assim poderiam ter a ajuda de Hyoyeon pra chegarem ate a sala de embarque correta. E foi o que aconteceu. Hyo as guiou até lá, acompanhada de Sunny, e depois despediram-se e se separaram.

Dessa vez, as meninas ficaram próximas uma das outras. Na terceira fileira, do lado direito, ficaram Jessica, Seohyun e Yuri; na do lado esquerdo, Yuri, Yoona e Taeyeon. Tae até praguejaria horrores por isso, mas estava nervosa de mais pra praguejar ou reclamar. E Yuri notou isso.

- Tae, você tá legal? – Perguntou a morena, mesmo sabendo que tomaria um possível fora.

- Ahhm... – Taeyeon murmurou, e achou que naquele momento, não era hora de ser grosseira com a garota. – Pra ser sincera, eu to começando a ficar nervosa de mais. – Confessou. – Daqui a algumas horas eu vou estar cara a cara com ele... oops, ela... de novo.

Yuri sorriu num jeito tão tranquilo e engraçado, que talvez isso tenha aquecido levemente o coração aflito e congelado de Taeyeon.

- Ah, Taeyeon... para com isso, vai. – Falou numa tranquilidade de dar inveja. – Pelo menos vocês vão poder conversar direitinho tudo o que não puderam, e você vai poder saber dos motivos dela, e ela também irá te ouvir, o que quer que for que cê vá falar pra ela.

Taeyeon ficou um pouco pensativa com as palavras da Kwon, de certa forma faziam sentido. Mas falar é fácil, difícil mesmo é lidar com a situação na hora que a coisa ficar realmente complicada. Aliás, difícil mesmo era lidar com a situação toda agora, se vendo do outro lado do mundo, junto de amigas retardadas, e indo de encontro a uma pessoa na qual não queria mais nem ver... embora sonhasse com ela o tempo todo.

- É mesmo, anã. Fica sussa que tudo vai ficar de boas entre vocês, quando se resolverem e você falar pra ela qual é a tua praia ou não. – Yoona se enfiou na conversa de repente, já mandando a real.

Que Taeyeon não entendeu muito, afinal.

- Ahm? Como assim a minha “praia”? – Perguntou a danshin, toda confusa. Inicialmente iria brigar com a magrela por tê-la chamado de anã, mas o comentário dela lhe chamara mais a atenção.

- Ué?! Se você curte xereca ou piupiu, mana. – Yoona disse como se não fosse nada de mais.

Taeyeon ficou tão abismada com a simplicidade que Yoona tivera de falar aquelas coisas em público, que sentira as próprias bochechas pegando fogo pouco a pouco. Então ela se apressou em dar um sutil cascudo na cabeça da garota, parecia até o tio do Jackie Chan a repreende-lo no desenho animado.

- YAH! NÃO FALA UMA COISA DESSAS E PÚBLICO, SUA LOUCA! – Protestou a danshin, toda horrorizada, e envergonhada.

Yoona só deu de ombros, enquanto esfregava a cabeça, onde tinha tomado o cascudo.

- Ah, isso aqui tá cheio de brasileiros! Ninguém vai entender o que eu falei, relaxa!

Yuri, que até então tava rindo baixinho da cena, concordou com a amiga:

- Exato, Tae... relaxa. Você não pode acalmar seu coração acertando porrada na Yoongs.

Taeyeon não se pronunciou sobre se desculpar, mas relaxou os ombros e se ajeitou na poltrona. Pras duas manés, isso significou um “tudo bem, me desculpe”, que logo fora aceito.

Depois disso, um silêncio crucial reinou ali. O avião estava se aproximando cada vez mias da capital, e Taeyeon tentava dormir. Em vão, porque ela não conseguia mais se segurar de... ansiedade. Sim. Ela estava cheia de ansiedade, como quando alguém namora uma pessoa querida à distância, e finalmente pode ter a oportunidade de vê-la pela primeira vez, de abraçá-la, sentir o calor, o cheiro, e o abraço daquela pessoa, realmente. Essa ansiedade estava a lhe matar por dentro, primeiramente porque ela não queria sentir aquilo. Ela queria sentir mesmo era ódio no coração, raiva, remorso, ou qualquer tipo de sentimento negativo que pudesse fazê-la dar na cara de Lele... Tiffany até a própria pedir penico, ela queria fazer Tiffany sofrer ao menos metade do que ela sofreu, queria que ela chorasse muito. Nem que pra isso desse um chutão firmado no meio da canela esquerda dela. Mas... a realidade era outra, e de repente, além de ansiedade a anã já tava cheia de expectativas.

Ah meu Deus! Droga... eu queria mesmo era ter que matar aquela infeliz por ter me feito de otária por tanto tempo, mas eu não consigo! Por que diabos eu não consigo? Por que eu não to conseguindo querer a morte dela? Eu saí de casa com ódio no coração, doida pra dar um tiro na testa daquela vagabunda, e agora eu to doida pra ver aquela vagabunda, cheirar aquele pescoço branquinho e macio, abraçar aquele corpo quente, sentir aquela boca gostosa...AHHHHH! PARA, KIM TAEYEON! VOCÊ NÃO CHUPA CHARQUE!!!! Ou.... será que chupo? Caralho, tanto tempo se passou depois de tudo, e JUSTO AGORA, poucas horas antes de eu rever aquela traste, é que essa desgraça de dúvida me brota na cabeça. Mano, eu sou retardada! Eu vou hiperventilar aqui! ISSO É CULPA DE YOONA! Essa jacaroa não deveria ter ficado quietinha? Maldita pergunta... maldita ansiedade, maldita expectativa de realmente vê-la como ela é. Aliás, como será que ela está? Será se cresceu o cabelo? Será se... vai estar usando roupas femininas? Aliás... como será que ela fica maquiada? Porque sem maquiagem ela é linda de mais... droga, se controla, Taeyeon!”. Sim... Taeyeon estava pensando, completamente desesperada com tudo. Agora a sua sexualidade viera à tona. Ela queria muito falar com Jessica e Seohyun, mas não tinha como. E pelo visto nem ia poder, afinal, quando chegasse em BSB, a negada ia ficar mais preocupada era em encontrar Tiffany.

Tae ficou tão inquieta, que acabou cutucando Yuri bem discretamente. Esta, logo lhe dera atenção.

- Diga, Tae... – Yuri a incentivou a falar.

- Ér... tipo assim, como foi que você descobriu que curte chupar charque? – Perguntou assim mesmo, na lata. Embora estivesse tímida.

Yuri deu uma risada gostosa ao ouvir a pergunta da outra. Afinal, não era todo dia que se podia ver Kim Taeyeon completamente confusa, perdida e falando gírias que só Yoona e Hyoyeon diriam.

- Eu não sei. – Disse sincera, e então viu a menor franzir o cenho num ato meio desesperado. Então Yuri voltou a falar: - Eu só tinha uma única certeza quando eu descobri que “chupo charque” – Fizera aspas com as mãos, e depois continuou - Eu achava as meninas uma graça, eu sempre me pegava admirando o corpo delas, e quando eu era mais nova era o jeito, e sem nem saber o que diabos era “crush”, eu tinha crush na Jessica. Ela foi minha primeira, e única crush suprema desde a época em que viramos coleguinhas, mas eu não sabia lidar. E depois que a gente brigou e ela se afastou de mim, eu acabei olhando para as outras. E por mais que eu quisesse ver os caras com os mesmos olhos, eu não conseguia! As meninas sempre eram mais interessantes pra mim, pelo simples fato das curvas do corpo feminino me proporcionar mais admiração. Afinal, uma mulher linda não é apenas uma mulher linda aos meus olhos, é uma obra prima divina, que dá vontade de tocar, de cuidar, de encher de amor e carinho... da vontade de suprir desejos profundos com ela e os dela, e você sabe do que eu to falando. Não é só “uau, que gostosa”, ou “uau, queria foder loucamente”, não. Até porque, pelo menos comigo, um beijo sempre bastou pra encher essa minha “necessidade” por tal ser.

Yuri explicava com certa “paixão”, e Taeyeon prestava atenção em tudo. Yuri estava certa em tudo, e Tae percebera que havia grande semelhança com tudo o que Yuri falava, com exatamente tudo que ela sentia por Tiffany. Mas era apenas por Tiffany, e não por outra garota. Muito embora já tenha se pegado olhando para o corpo de outras garotas, mas nunca achou que fosse por esse tipo de admiração. Achava que era mais por certa inveja, ou pra ficar falando depois com as amigas. E pensando bem... será se Jessica olhava para as outras garotas de modo crítico, ou era de modo admirado? Eis uma pequena dúvida. Aliás, Jessica era uma amiga que costumava, ainda assim, ser uma caixinha de surpresa. Depois perguntaria isso a ela, porém, por agora, estava focada em sua dúvida pessoal.

- Isso parece loucura, mas o que você me disse... eu acho que sinto. – Taeyeon falou, um pouco receosa e baixinho. Ela estava confessando algo pessoal para a garota que, por tanto tempo odiou. – Mas eu acho que sinto apenas com Tiffany.

Yuri a olhou confusa, e arqueou a sobrancelha direita.

- Hum... isso é um pouco confuso. Mas eu tive uma pequena ideia de resolução desse problema teu. – Disse, como se fosse especialista. – Sabe, quando a gente chegar, e você sentir pelo menos metade disso do que eu disse para com Tiffany, então você chupa charque. Agora se você não sentir nada disso, ou apenas o mínimo, então você é hétero e chupa salsicha.

Por algum motivo, o lance de ser hétero e “chupar salsicha”, deixou Tae toda arrepiada. Mas de gastura e horror. Foi inevitável a careta de nojo vinda dela, e Yuri de cara já percebera tudo, mas resolveu não falar nada que era pra deixar a própria Tae se descobrir. Afinal, depois de um namoro demorado com Baekhyun, qualquer garota viraria “chupa-charque”, como já diria Hyo e Yoongs.

............................... CONTINUA .......................................


Notas Finais


GALERA, AVISANDO LOGO QUE O PRÓXIMO CAPITULO SAI "HOJE" A NOITE MESMO, ou de madrugada. É O FIM DESSA PORRA TODA. -q
Finalmente, e infelizmente... -q
Espero que tenham curtido, hein! E dessa vez volto loguinho meeexmo. o/
Até breve, pessoal... x3

Eu iria falar mais coisas com vocês, mas to com um sono danado. Então vou indo nessa, e a gente se fala pelos comentários, se pá. -q
Vlw flw. <3


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