História She Will Be Free - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Julie e os Fantasmas
Personagens Personagens Originais
Exibições 39
Palavras 4.469
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Como eu havia avisado no Twitter, Poderia sair capítulo novo ainda esta semana e... Olha ai, saiu!
A música citada é "Kill 'em with kindness" da Selena Gomez.
Enfim, grande beijo e espero que gostem :)

Capítulo 15 - Capítulo 15 - Mate-os com a bondade


P.O.V. Daniel:

Não sinto remorso por ter deixado Nicolas para trás daquela forma no restaurante, mas não tenho culpa se suas ordens e desconfiança para cima de mim são inaceitáveis. Caramba, qual o objetivo para dar-me um revolver sendo que não quer que eu machuque nenhuma das garotas? Ok, está é uma pergunta que ele não vai me responder nem hoje e nem nunca. Mas, em minha opinião, se ele sumisse do mapa e ninguém nunca mais tivesse notícias dele, esta seria a solução para muitos problemas meus e do resto do mundo.

Imagine um mundo sem idiotas, sem os estraga-prazeres, ou até os milionários metidos a besta, os estresses diários, as ordens sem pé nem cabeça, os empecilhos de uma vida tranquila. É, um mundo assim é impossível. Pois na verdade, a paz só é alcançada quando se morre. Porém, independentemente de qualquer coisa, o Nicolas existe para povoar meus pesadelos a todo instante.

Meus devaneios foram encerrados com o som do meu telefone tocando, o mesmo estava em meu bolso, tirei-o e vi que quem chamava era o último ser com quem eu desejava falar: Nicolas. – Pelo visto você não vive sem mim. – disse eu ao atendê-lo.

- Quem não vive é você, esqueceu que seu salário de todos os meses sou eu quem o dou? – falou irritado do outro lado da linha.

- Tem como me ligar e torrar minha paciência outra hora? Estou na rodovia. – falei ao segurar o meu telefone entre o ombro e o meu rosto.

- Mesmo? O sinal do telefone está bom demais para estar dirigindo na rodovia... – comentou. Certo, ele pode até ter descoberto minha mentira, mas eu não cederia, jamais.

- Ache o que quiser. Se eu morrer por estar no telefone dirigindo, minha falta você não vai sentir, mas sentirá da grana que te faço faturar, com certeza. – desliguei sem deixar que ele prosseguisse com o assunto idiota que viria a seguir.

~*~*~

Estacionei a camionete em frente de casa. O clima estava como sempre, bastante ensolarado, mas as nuvens no céu deixavam suspeitas de que choveria na parte da tarde ou noite. Girei a chave na maçaneta e neste simples ato, já pude ouvir algumas vozes conversando; provavelmente vinham da sala. E foi dito e feito. As três garotas, na companhia de Daiene, estavam na sala de estar.

- Shiu, calada! – a loira vestida com roupas de grife disse. – É só um cortezinho, não tem necessidade reclamar tanto. – completou. Apenas tranquei a porta novamente e me aproximei. – Ah você chegou, finalmente. – disse a mesma ao me ver.

- É, cheguei. – guardei as chaves no bolso da calça como de costume. – Como vai indo isso ai? – perguntei ao sentar-me no sofá, ao lado de Juliana, que estava de costas para Daiene e de frente para mim.

- Até que não está tão ruim, vi situações piores... Bem piores. Tipo quando um tio meu foi atropelado e perdeu metade da perna dele e morreu depois de três anos do ocorrido, atropelado de novo. Então... – ela suspirou ao cortar a linha que usava para fazer os pontos. – Ela vai sobreviver, e infelizmente, por muito tempo. – acrescentou por fim.

- Ainda bem, não é. Deus me livre ela viver pouco e, pior ainda, viver neste inferno que é aqui. – Brenda manifestou ao se ajeitar mais no sofá; sua fala foi audível a todos.

- Cale-se, ou a próxima coisa que vou cortar será a sua língua. – Daiene disse grosseira ao se pôr de pé e começar a guardar suas coisas.

- Está insinuando o que? – a morena de olhos frios também se colocou de pé. – Que vai me machucar também e depois se fazer de santa quando fizer os curativos? – cruzou os braços, indo em direção da loira.

- Agora eu que pergunto... Acha que machuquei Juliana? – a mulher mais velha perguntou.

As duas se encararam. - Não acho. – a garota riu com certo gosto. – Tenho certeza.

Pronto, o silêncio tomou conta do lugar. Thalita e Juliana somente observavam a tudo, não ousavam manifestar ou julgar e logicamente, eu também não poderia fazer isso, sou mais podre que elas juntas.. A morena que estava ao meu lado arrumou a blusa no corpo e se dirigiu à loira mais jovem, sussurrou algo e ambas se retiraram. Mas a tensão ainda permanecia ali.

P.O.V. Thalita:

Juliana e eu subimos as escadas devagar. Eu ainda tentava ligar os pontos de todas as falas de Daiene, para assim entender o que exatamente está havendo neste lugar. A moça ao meu lado estava inerte e tudo que fazia era dar passos curtos em direção do nosso quarto. - O que houve entre vocês? – resolvi perguntar e ela sabia a quem eu me referia, com certeza.

- Entre eu e quem? – questionou ao olhar para mim, passando-se de desentendida. – Do que está falando?

- Daiene, é sobre ela que estou falando, Juh. – respondi. A morena ainda caminhava, mas a segurei pelo braço com delicadeza e assim, parou a minha frente. – Conte para mim o que todos já sabem, menos eu, claro. – completei.

- Naquela noite de sábado, nós brigamos e... E fim. – disse, dando de ombros. – Foi ela quem começou com os insultos, chamando-me de coisas desnecessárias...

- Agressões verbais não causam cortes na pele, só no coração. – cruzei meus braços. – Eu suspeitava que não era verdade esse seu escorregão, mas não quis te pressionar. – soltei-a e cruzei meus braços.

- E foi ótimo isso. – suspirou, encostando-se na parede do corredor. – Você é a única que não me obriga a fazer nada.

- Eu era... – sussurrei. – Por que nunca me conta nada?! – falei um pouco contrariada. Eu realmente estou cansada de ser a última a saber de tudo.

- Thalita, por que tanto quer discutir sobre isso? Já foi, já aconteceu. Esquece. – falou Juliana. – Ela me empurrou contra o espelho e aos cacos, me cortei e fim, estou nessa situação maravilhosa. Feliz? – suspirou com ar chateado, voltando a caminhar em direção ao quarto. – Vem, vamos para cima, não é bom presenciar as briguinhas deles, pode sobrar para a gente depois. – pegou em minha mão.

~*~*~

- Será que aconteceu alguma coisa com ela? Está silencioso demais lá em baixo. – comentei ao abrir a porta do quarto e colocar a cabeça para fora. – Brenda deveria ter dado sinal de vida.

- Acalme-se Thata. Eles não podem fazer nada com ela. – disse a morena deitada de bruços na cama, sua voz sonolenta me fez desanimar e voltar para dentro, sentando-me aos pés da cama no chão. – O carro deles ainda estão lá fora, devem estar discutindo na cozinha ou em outro cômodo, sei lá... – acrescentou.

- Mesmo assim, acho que vou descer. Assim, como quem não quer nada e ver o que tanto ela fez lá em baixo. – levantei-me depressa.

- Você também se apaixonou por Daniel assim, como quem não quer nada e olha no que deu... É uma prostituta agora. – ao ouvir isso, virei-me para ela, a qual estava de costas para porta e para mim. – Só... Tome cuidado, não quero que você tenha mais cicatrizes do que as do coração. – disse ainda por fim com a voz abafada. Senti um leve arrepio, aproximei-me da porta, que estava um pouco encostada e terminei de fecha-la. Era obvio que depois de ouvir isso, mudei de ideia, mas a curiosidade ainda me rondava.

~*~*~

- Éramos uma família bem tradicional, tanto que minha mãe me fazia todos os domingos estar na igreja. Nunca achei ruim isso, na verdade... A fé é o que vem me dando forças ultimamente. – dizia a morena de olhos mel ao meu lado na cama. – Minha mãe sempre dizia que eu seria alguém importante na vida, dizia que eu tinha um brilho especial... – sorriu ao recordar da lembrança, que imagino ser ótima. – Mas pelo visto, o destino preparou algo diferente do planejado. Algo bem diferente, mesmo.

- Estudava Veterinária, não? – perguntei e ela assentiu. – Eu sempre quis fazer Publicidade, como meu tio Antônio, ele é dono daquela famosa empresa em Los Angeles, Filmes e Imagem.

- Filmes e Imagem? Espera... – sua testa franziu, ela parecia estar encaixando peças como em um quebra-cabeça. Estávamos de frente uma para a outra, deitadas a espera de Brenda; o que já faz mais de quinze minutos. – Seu tio é Antônio Castellamare? – assenti como resposta. – Sério? Pois meu_ - nossa conversa fora interrompida ao ouvirmos a porta se abrir.

- Entre logo e esqueça sua janta. Já que reclama tanto da comida, não vai sentir falta dela por esta noite. – Daniel dizia ao, literalmente, jogar Brenda para dentro do quarto. – Se tem uma pessoa nessa casa que traz problemas é você! Crie juízo e modos ou, as suas punições vão ser mais duras do que lavar os banheiros... – falou em tom forte. A garota parecia nem um pouco assustada, olhava para ele com sangue nos olhos.

- Por que não vai dar asa para aquela cobra e me deixa em paz? – respondeu a morena. Juliana e eu somente observávamos, agora sentadas na cama de casal.

- Estou de olho em você, é melhor se cuidar mais... Brendinha. – ele a provocou.

 - Foda-se... – sorriu cínica ao mostrar seu dedo do meio ao loiro. O mesmo nada disse e fechou a porta, deixando-nos sozinhas e trancadas.

- O que você fez para ele estar assim? Insultou mais a Daiene? – perguntou a jovem ao meu lado.

- Pior na verdade, eu ati nela. – respondeu, indo em direção da janela. – Dei um tapa na cara daquela branquela. Daniel não gostou, ai ele me repreendeu e aquela idiota me deu o troco ao puxar meu cabelo. – explicou ainda encarando o vido sujo. – Vagabunda! – ela gritou, passando as mãos em seus cabelos, seu rosto vermelho parecia ser a prova mais fiel de que estava tomada pela ira. – Por causa disso, vou ter que limpar os banheiros, trabalhar por mais dias na semana e atender os seus clientes, Juliana. – respirou fundo. – Isso enquanto você não estiver perfeita para voltar. Então, assim, eu te imploro... Fica bem logo, ok. – pediu, ou melhor, implorou ao se virar para nós.

Levantei-me da cama e Juliana também. Aproximamos de Brenda e demos um abraço coletivo; todas nós precisávamos de algo para nos confortar. Viver sobre aquelas ameaças diárias e ordens estupidas, misturadas a aquele lugar nem sujo e nem limpo, estava nos fazendo morrer lentamente e isso é depravante. Obvio que as lágrimas da morena sobrecarregada não foram seguradas por muito tempo, mas naquele instante queríamos desabafar e aproveitar os segundos em que não estávamos sendo consideradas objetos de alguém. O apoio afetivo entre nós era o suficiente; o que me admira, pois no mundo fora daqui um abraço é apenas um abraço. Entretanto, aqui, este é o ato mais puro de carinho de alguém. Só aquele que não tem uma pedra de gelo no lugar do coração pode demonstrar isso: O fato de ser humano.

P.O.V. Daniel:

- Você deveria vir, só para eu te ver... Querendo ou não, sou sua mãe e sinto sua falta, Daniel. - minha mãe, digo, Lucy dizia ao telefone comigo.

- E por que tanto quer isso? Quer seu pagamento? Mais dinheiro além do que já lhe dou? - respondi-a, entrando em meu quarto, após tomar um banho rápido.

- Não diga besteiras. Quero apenas falar com você, saber o motivo pelo qual anda tão isolado. - fez uma pausa. - Escuta, meu filho_ - cortei sua fala.

- Não me chame dessa forma, sou muitas coisas para a senhora, menos filho. Poupe-me desse seu teatro. - limpei a garganta e ainda falando com ela, busquei nas gavetas do armário uma roupa limpa.

- Daniel! Respeite-me. - ela me repreendeu. - Mas faça como preferir, fiz minha parte e, vou repetir pela décima vez... Venha no fim de semana almoçar conosco, isso não vai matar você.

- Não mata a mim, mas isso não quer dizer que eu não queira matá-los... - falei por fim.

- Eles são seus parentes, seu pai acabou de falecer e você vai ignorá-los assim? Você sempre foi frio, mas ultimamente, você se parece como pedra, Daniel.

- E dai? – revirei meus olhos e acho que ela também fez isso no outro lado da linha. – É como dizem: Damos o que recebemos. – completei.

- Desisto, você é pior do que mula empacada. - murmurou. - Durma com mais mulheres, seu humor está péssimo. - desligou e agradeço por isso.

Joguei o telefone na cama, vesti-me e fui até o espelho. Encarei meu reflexo com cautela e era notável que eu precisava urgentemente acabar com as bebidas e o cigarro. Porém, não é tão simples assim. É como tentar fazer um chocólatra deixar de gostar de chocolate ou fazer alguém sedentário praticar qualquer atividade. Mas eu não sou chocólatra e nem sedentário. Mas eu realmente não me importo com a possível morte antes da hora, pois não penso sequer um minuto antes de abrir a porta do meu armário e tirar de lá mais um maço de cigarros.

Quase que no mesmo segundo, ouço algumas batidinhas tímidas na porta, a qual estava somente encostada. – Daniel, você está muito ocupado? – disse alguma das garotas, mas não consegui diferenciar se era Juliana ou Thalita. Fui até a maçaneta e abri a mesma, fazendo a morena parada a minha frente dar um leve pulo devido ao susto. – Será que seria incomodo se_ - cortei-a de imediato.

- Seja breve. – pedi ao guardar os cigarros de minha mão no bolso da bermuda.

- As meninas e eu estamos com fome... – cruzou seus braços a frente do seu corpo. – Já não está na hora de dar a nossa maravilhosa janta? – perguntou. Olhei para ela seriamente, isso a deixou hesitada, parecia refletir se fora uma boa ideia ter vindo perturbar-me e concordo com ela; não foi uma das melhores atitudes dela.

- Daiene está de saída lá em baixo, corra e veja se ela consegue fazer algo... – respondi já encostando a porta.

Juliana colocou a mão para impedir que eu a fechasse. – Ela já foi embora. – avisou. – E, bem, eu mesma posso fazer. – disse. Suspirei ao vê-la com seu olhar de suplica para mim.

- Tudo bem, vá em frente... – dei de ombros ao deparar-me com um leve sorriso em seu rosto. Ela deu as costas para mim, saindo correndo pelos corredores. Eu a vi correr para a cozinha, então apenas balancei a cabeça negativamente, pois impedi-la seria inútil.

~*~*~

Olhei no relógio da sala, ainda eram quase nove e quinze da noite em plena segunda-feira. Clientes hoje elas não teriam e isso era animador, já que eu não precisaria fazer nada nesta noite. Eu atravessei a sala devagar sentindo cada segundo mais aquela fumaça do meu cigarro tomar conta do cômodo. Era possível ouvir as garotas conversarem na cozinha, mas o assunto eu não faço a menor ideia. Somente fui até lá e parei na porta para observá-las; não nego que a vista era agradável.

A loira, a mais jovem das três, estava encarregada de picar alguns dentes de alho na pia. Enquanto as outras duas morenas arrumavam as outras coisas. Talvez eu devesse deixá-las mais livres aqui dentro, dar a elas a oportunidade de respirarem e ficarem menos afogadas naquele quarto pequeno que dividiam. Mas estas ideias ficam somente na minha mente e provavelmente Daiene não concordaria com isso de maneira alguma. Mas o fato mais importante era: Quem mandava nesse lugar? Exatamente, eu mesmo.

- Bem que poderíamos ligar alguma música, é deprimente esse silencio todo... – comentou Brenda, que ainda estava de costas para mim, assim como as outras. Porém, assim que se virou, levou um breve sustou ao pegar-me as observando.

- Vai em frente. Pode ligar. – falei a resposta da pergunta que talvez estivesse em sua mente. – Eu não me importo, com o tanto que isso não vire um bordel... – pisquei e sorri cínico ao levar o cigarro outra vez a boca.

A moça pareceu não gostar da piada, mas também não me contrariou. Ligou o aparelho e deixou que tocasse algo aleatório. Voltou para próximo das outras duas garotas, as quais me olhavam caladas. Depois, se entreolharam quando viram que eu me sentava em uma das cadeiras ali por perto.

- Fiquem tranquilas. Não vou esfaqueá-las por trás, se é o que estão pensando. – comentei. – Sabe, não costumo pregar a favor da violência contra vocês mulheres.

- É mesmo? Pois pelo que me parece, você não viu maldade alguma em nós trazer para este inferno. – disse Brenda olhando-me por de cima de seus ombros. – Queria que estivesse em nosso lugar...

Dei a última tragada no cigarro antes de apagá-lo. – Com certeza eu não reclamaria tanto quanto você reclama... – soltei, mas isso fez o rosto da morena ficar vermelho.

- É por isso que tenho vontade de te matar, Daniel. – ela esbravejou ao cortar com bastante força um simples pedaço de cebola. – Também não prego a maldita violência, mas... – veio para próximo de mim com a faca em punho. – Eu apoio a justiça com as próprias mãos. – coloquei-me de pé, mas não precisei dizer nada para impedir qualquer atitude da mesma, Juliana fez isso por mim.

- Brenda... Aqui na cozinha só se corta legumes, ok. – tomou com delicadeza a faca das mãos da morena. A jovem mas velha dentre elas deixou o cômodo. Não me manifestei mais a partir dali, algo me impedia de abrir a boca diante daquilo. Talvez porque tenha sido eu que a provoquei ou simplesmente, porque sei que não adianta retrucar. Brenda é como areia-movediça, vai se afundando em si mesma aos poucos.

P.O.V. Juliana:

Tomei com delicadeza a faca das suas mãos, não queria que algo acontecesse ali diante dos olhos de Thalita e dos meus; algo que a própria garota depois se arrependesse de ter feito. Ela simplesmente deixou o cômodo. Não abri mais minha boca a partir dali.

“The world can be a nasty place
(O mundo pode ser um lugar desagradável)
You know it, I know it, yeah
(Você sabe disso, eu sei disso, yeah)
We don’t have to fall from Grace
(Nós não temos que cair da graça)
Put down the weapons you fight with
(Abaixe as armas com as quais você luta)”.

A música tocava em som não muito alto no rádio, mas era o suficiente para fazê-la entrar em minha mente e por ali se instalar. A voz da cantora era familiar, mas isto não era o que me fazia prender minha atenção nela e sim, sua letra.

“We’re running out of time
(Nós estamos correndo contra o tempo)
Chasing our lies
(Perseguindo nossas mentiras)
Everyday a small piece of you dies
(Todos os dias um pequeno pedaço de você morre)
Always somebody
(Sempre alguém)

You’re willing to fight, to be right
(Na qual você está disposto a lutar, para estar certo”.

De alguma forma aquilo se encaixava com meus sentimentos e dilemas que eu vivia ultimamente. Sim, para mim o mundo parecia um lugar terrível e sem sombra de duvida, tudo parecia se restringir a lutas que eu perco facilmente. Talvez pela falta de fé em mim mesma ou até de “armas”.

“Your lies are bullets
(Suas mentiras são balas)
Your mouth's a gun
(Sua boca é uma arma)
And no war in anger
(E nenhuma guerra sobre a raiva)
Was ever won
(Já foi ganha um dia)
Put out the fire before igniting
(Apague o fogo antes de inflamar)
Next time you’re fighting
(Na próxima vez que você estiver lutando)
Kill 'em with kindness (...)
(Mate-os com bondade)”.

O mundo parecia estar em um silencio total e as únicas coisas que pareciam haver neste cômodo eram: O radio e minhas batalhas internas. Eu podia sentir no fundo de mim algo diferente, aquelas palavras não estavam sendo ouvidas por mim em vão ou colocadas propositalmente para dar rima a melodia. Seria mesmo melhor eu me calar e guardar para mim mesma as minhas armas? Deixar as coisas rolarem, mostrando a Daniel e a Daiene que, mesmo os meus sentimentos estando destruídos, meu caráter ainda estava de pé? Sinceramente, está não é a melhor saída, é a única coisa que posso tentar por agora.

- Hey Juliana! – ouvi alguém me chamar, era o loiro de cachos, reconheci sua voz de imediato. – Para de sonhar ai, faça algo ou a sua janta vai queimar. – ele estalou os dedos em frente aos meus olhos, fazendo-me despertar.

Logo, eu me mexi e fui para o fogão. Thalita não estava por ali e muito menos Brenda, estávamos somente ele e eu na cozinha; fato que me deixava desconfortável. Mas eu o ignorei e continuei a fazer a simples macarronada que havia começado.

- Qual é a da Brenda? Anda havendo algo que eu não sei? – Daniel perguntou ao encostar-se na pia, próximo a mim.

- Não... Está tudo normal, estamos trabalhando como... – pausei. Eu iria mesmo retrucá-lo? Onde foi parar meu acordo de ser boazinha e matá-lo aos poucos com a bondade? – Quer dizer, estamos aqui trabalhando sempre, não temos tempo para criarmos problemas do além, o problema já é a nossa vida. – decidi encerar por ali a minha fala.

- Certo e, nesse emprego de vocês, acontece tantas coisas assim? Não vão me dizer que_ - interrompi-o.

- Fazemos o que você sempre pede: Obedecemos aos clientes. – olhei brevemente para ele, o qual não parecia desviar a atenção. – Tem que dançar conforme a música, certo Daniel?

- Você ainda não me respondeu, Juliana. – ele cruzou os braços e aproximou-se mais de mim. – Sinto que o problema é entre vocês mesmas. Ou é apenas impressão? – questionou.

- Nossa amizade é o melhor daqui, é a única coisa que temos a certeza de que não é falso. – afastei-me dele aos poucos, não queria deixar nítido o fato de que a sua presença próxima a mim, incomodava-me.

- Ok e, então você confiaria em um estranho, mas não em mim? – perguntou. Tive que olhar para ele e rir. – O que eu disse de tão engraçado?

- Não, esquece. Apenas entenda que aqui Daniel, é como uma festa... – o loiro pareceu determinado a entender o meu raciocínio. – E nós somos os copos descartáveis que todos podem pegar para passar a festa usando, que daqui alguns minutos você vai jogá-lo fora ou na pior das hipóteses, perdê-lo. – respondi, enquanto terminava de fazer o molho, o qual parecia apetitoso.

Ele respirou profundamente e ficou alguns minutos calado, parecia bem pensativo. – Eu sou quem os perde. – falou.

- O que? – questionei sem entender.

- Os copos... Eu sou quem os perde ou sei lá, que os entrega as pessoas erradas, talvez. Não é?

- Mas eu só_ - ele me cortou ao se aproximar de mim novamente.

- Acha que nunca gostei de vocês? – franzi minha testa com sua pergunta. – Admito que nenhuma declaração de amor era real, mas quando você me perguntava se estava bonita, eu não mentia. – completou e eu não fazia a menor ideia de onde ele queria chegar. – Até hoje ainda sou pego despreparado por você, Spinelli... – disse ao passar seus braços em minha cintura.

- Não me chame assim, odeio quando me trata como uma qualquer. – empurrei-o de leve. – E por que está dizendo isso? Bebeu, é? – cruzei meus braços, voltando para perto do fogão e o mais longe dele; cada centímetro distante era melhor.

- Na verdade não. – desistiu da aproximação e foi até o armário, assim, logo pegou uma garrafa de vinho. – Ainda não... – acrescentou ao colocar um pouco da bebida em um copo. – Aceita? – ofereceu-me.

P.O.V. Raul:

- Ele me contou tudo, disse abertamente sobre a mamãe comigo. Achei que fosse bom lhe contar, fiquei abalado ao descobrir isso, mas acho que você deve saber, Raul. – comentou Félix, nós dois estávamos no bar peto de casa, como de costume. – O Dr. Tavares me disse que_ - o interrompi, não suportaria ouvir outra vez essa maldita notícia.

- Eu sei já, a nossa mãe pode não viver nem por mais dois meses, não é? – apoiei meus cotovelos na mesa. – Ele me contou. Achei que era um sonho aquilo, que eu iria acordar e ela estaria aqui ao nosso lado. – bebi um gole da cerveja outra vez.

Meu irmão respirou profundamente. – Sabe qual o seu erro, Raul? – olhou-me fixamente antes de prosseguir. – Você é um idiota. Tem um chefe mais idiota ainda e para completar, faz seu irmão aqui de idiota. – apontou para si mesmo. – Qual a próxima coisa que vai me contar que eu não sei? Que a Juliana só está escondida por ai, perdida e com fome? - balançou a cabeça negativamente e bebeu mais da sua cerveja. – Caramba, quando penso que você cresceu, você regredi, cara.

- Acha que é fácil saber disso? Acha que gosto de relembrar como aquele médico foi direto comigo ao contar isso? – defendi-me, em vão obviamente.

- Esquece isso. Agora, eu sei que minha mãe vai parar de baixo da terra e não temos o que mais se fazer... – disse sem parar de beber. – Ah, e aquela manchete do jornal? Teve de pagar quanto para publicarem aquilo? – perguntou.

Suspire. – Nada, eu só levei a foto daquele vagabundo que Beatriz me entregou para a polícia. Eles disseram que vão dar uma nova chance a investigação.

- Acha mesmo que algo será feito? – Félix gargalhou. – Esquece, meu irmão. Sejamos realistas: Sua filha não vai voltar mais.

- Mas é claro que vai! – bati o punho contra a mesa. – Vai e será em breve! – reforcei e ele riu mais. – Escreve o que estou te falando, vou encontrar a minha filha, nem que seja a última coisa que eu faça pela minha mãe. E busco aquele desgraçado que fez isso em qualquer lugar, nem que seja no inferno. – calei-me ao ver que muitos olhavam para mim. Chamar a atenção não era objetivo, mas reencontrar minha filha sim era.

P.O.V. Daniel:

Era engraçado como o efeito da garrafa de vinho que Juliana e eu dividimos não fez quase efeito algum. Estávamos mais que sóbrios e tínhamos plena consciência do que estávamos fazendo, ou pelo menos eu tinha. Sentada em cima do balcão da cozinha, comigo entre suas pernas e preso em seus braços, ela me beijava sem muita timidez. - Essa é pior coisa que eu poderia fazer... – pude ouvi-la comentar entre o beijo.

- Ninguém toma iniciativa em algo que odeia, Juliana. – respondi no mesmo tom que ela, quase sussurrando. 

- Você não entende... – empurrou-me um pouco, mas eu ainda podia sentir sua respiração descompassada, este era o sinal de que ela estava extasiada como eu. – Eu te detesto, Daniel. – olhou-me profundamente.

- Mas eu não. – disse por fim, trazendo-a de novo para a minha boca. Talvez se ela falasse menos e me beijasse mais, eu poderia até dizer que a amava, mas isso seria doloroso demais a ela. Diferente de mim, ela tinha um coração que pulsava amor.


Notas Finais


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