História She Will Be Free - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Julie e os Fantasmas
Personagens Personagens Originais
Exibições 8
Palavras 4.213
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


É com orgulho que digo: "Postei mais um capítulo!". Bem, espero que gostem e daqui para frente dá para notar que as coisas vão estar fervendo...

Já agradeço desde agora por cada leitor que acompanha a fic e peço para que não se acanhem, deixem um comentário com a opinião de vocês... Não custa nada e isso me deixa muito feliz.
Beijos e boa leitura a todos ;*

Capítulo 17 - Capítulo 17 - Ou aprende com os erros alheios ou com os seus


P.O.V. Daniel:

As três garotas estavam sentadas à mesa, todas de frente para mim e para o mais novo cliente da vez. Para variar, Brenda, a sem papas na língua do grupo estava com seu típico semblante de cinismo. A loirinha mais jovem entre as três, como sempre, parecia estar inerte a tudo e a todos. E para fechar com chave de ouro, Juliana estava como já esperado por mim, com uma feição de infelicidade em seu rosto; E não era para menos.

— Estas são as garotas, Sebastian... Brenda, de vinte e três anos. Juliana, com vinte e dois, e... Thalita, a mais jovem, com somente dezenove. – apresentei-as.

— Bem, está loirinha é jovem demais para mim... – disse o homem. – E entre estas duas morenas de idade tão próxima... Fico com a de cabelos mais longos. – sorriu ao olhar para Juliana, que estava a nossa frente.

— Como preferir... – disse eu ao me colocar de pé. – Venha comigo, vou lhe mostrar tudo o que podemos lhe oferecer... – comentei ao já deixar a cozinha e sendo seguido pelo tal Sebastian, deixando as três garotas sozinhas. Mas eu nada temia... Para onde iriam correr? Para o matagal com mais de um metro e meio de altura?

- Poderia bem me arrumar o melhor quarto, não é mesmo...? Pelo valor que você coloca, deveria ser bem melhor este lugar, Daniel... – dizia o homem atrás de mim, enquanto subíamos as escadas.

- Daniel? – olhei-o por cima dos ombros, repreendendo-o. – Não lhe dei está liberdade. – voltei a centrar a visão para a minha frente. Somente pude ouvi-lo bufar, mas isso não me incomodou. Nós começamos a caminhar pelo corredor de piso feito de cerâmica, eu podia até ver meu reflexo no mesmo. – Este... – abri a porta de um dos últimos quartos. – Este é o melhor, mais amplo e ajeitado.

- É, estou vendo... – dei espaço para que ele entrasse e observasse o cômodo, e foi isto que ele fez. – É um bom lugar, aconchegante, arejado... Limpo. – passou as pontas de seus dedos sobre um dos móveis ali. – Parece realmente ser a melhor coisa daqui, sem levar em conta a tão bela Juliana. – sorriu de maneira indecente e eu sabia exatamente quais eram seus pensamentos, eu também os tenho.

- Pois é, e se acaso já terminou de se passar por Vigilante Sanitário, preciso que desça... As meninas não podem ficar sozinhas por muito tempo, elas não são tão doces e obedientes quanto parece, Sr. Borges. – eu comentei ainda sem me mover, estava parado na batente da porta.

- Quanto havia dito mesmo? Quinhentos dólares à noite? – perguntou-me ainda observando o espaço. Assenti e ele pareceu não gostar do valor por mim imposto. – Como eu disse, não acha que está querendo muito por tão pouco? – acrescentou ao continuar a mexer no quarto. Dessa vez, analisava o cadeado não muito grande que trancava a grande porta de vidro, que dava para a sacada.

- Na verdade não... Há lugares bem piores e desconhecidos que pedem bem mais por bem menos... – o respondi.

- É, mas eu acho que_ - cortei sua fala ao ver que receberia outra critica.

- Eu não faço as regras, apenas sigo ordens, meu caro...

- Certo, mas... Quinhentos dólares desperdiçados em uma mulher? – pareceu espantado com a quantia, novamente. – Pagaria tranquilamente se fossem duas em uma tacada só.

- Aqui só satisfazemos prazeres, não exigências... – cruzei meus braços.

- Hum, vejo que ser simpático com os clientes não é seu forte, correto? – ele manifestou ao passar por mim para deixar o quarto.

- Pois é, mas quem vai transar com o senhor será Juliana, não eu. Se tem alguém que deve ser gentil aqui, é ela. – revirei meus olhos ao puxar a porta e trancá-la, deixando como se ninguém houvesse estado ali. O tal Sebastian seguiu pelo corredor sem se quer olhar para trás para conferir se eu o acompanhava e eu, internamente, até agradecia por isso. Eu estava sem paciência desde que havia me posto de pé. 

~*~*~

- Bem, mesmo que eu ainda não esteja contente com o preço, acredito que não vou desperdiçar a chance de ter uma noite com aquela linda morena. – ele comentou, pela décima vez, antes de entrar em seu carro. - Entro em contato em breve, assim marcamos uma data exata. – foi a única coisa dita antes de acelerar e desaparecer na estrada de terra.

- O que ele tanto estava vendo nos andares de cima? – assustei-me brevemente ao ouvir uma voz atrás de mim. Virei e dei de cara com a loirinha impertinente.

- O que faz aqui, Thalita? – perguntei ao tirar um cigarro de dentre o maço, que estava em meu bolso na calça. – Parece que é surda, não entende que é lá dentro que devem ficar... – acrescentei já levando o tabaco a boca e o acendendo com o isqueiro, do qual eu não abria mão.

Ela cruzou os braços e revirou os olhos; mas só percebi isso após ouvi-la bufar entediada. – Eu sei das regras, não precisa me lembrar delas, Daniel. – disse ela, que começou a me seguir, enquanto eu seguia para dentro de casa novamente. – Mas eu queria muito conversar com você, é sobre um assunto importante.

Eu estava dando as costas a ela o tempo todo, não conseguia ver sua expressão, que eu aposto que era de desespero. E provavelmente ela se calaria se visse como eu estava nem ai para suas palavras. Tanto que, quando ela insistiu para dar-lhe atenção, eu a ignorei por completo ao simplesmente trancar a porta principal e continuei meu trajeto.

- Será que pode parar e me ouvir, Daniel! – ela gritou mais alto dessa vez e ate ousou bater o pé contra o piso de madeira da sala, fazendo com que, contra minha vontade, eu lhe desse atenção. – Que droga, se fosse a Juliana chamando por você, em menos de um minuto já estaria onde ela desejasse. – cruzou seus braços, sem esconder suas feições revoltas.

Suspirei derrotado e soltei a fumaça do cigarro lentamente, para ver se dessa forma eu conseguisse não matá-la perante sua atitude infantil. – Diga loirinha azeda... – ri abafado ao ver como ela se irritou mais. – Qual o problema? – aproximei-me dela e passei um de meus braços envolta de seu pescoço. – Vamos... Conte para o titio... – sorri cínico ao quase colar ela em mim naquele abraço desajeitado.

- Estou falando sério, Daniel! Que coisa, não me leve na brincadeira. – pediu ela ao se desgrudar de mim. – Eu na verdade, queria conversar em outro lugar, um lugar mais privado... Onde não nos ouçam. – olhou para os lados, parecia preocupada ou até mesmo paranoica, mas eu a interpreto como louca.

- Hum... - dei outra tragada no cigarro antes de prosseguir minha fala. – Não está grávida, não é? – questionei-a com minha única preocupação do momento.

- O que? Não, não é isso! – Thalita olhou para mim com um ar confuso. – É algo_ - cortei-a.

- Então seja o que for, isso não é importante para mim... – comuniquei por fim, dando-lhe as costas outra vez e seguindo para as escadas. Ela obviamente ameaçou a voltar a me seguir, mas antes que se movesse muito em minha direção, já lhe avisei: - Pare de me seguir como se fosse minha sombra ou sua linda noite de domingo pode ser um pouco desagradável, Thata... – olhei para ela por cima dos meus ombros e pisquei.

E como desejado, ela me obedeceu; ficou parada no mesmo lugar até que eu não pudesse mais vê-la. Respirei mais aliviado ao ver que estava a sós no corredor que dava para os quartos. Recostei-me na parede e fumei com mais lentidão o cigarro que eu ainda tinha entre os dedos. Porém, fora só o som de meu telefone começar a soar em um dos bolsos de minha calça jeans, que a paz que eu estava incorporando sumiu; assim como a fumaça que eu exalava desaparecia no ambiente, deixando para trás somente o aroma incomodante, mas que eu já havia me acostumado.

Tirei-o do bolso a contragosto e vi quem perturbava minha santa pessoa; era Daiene. – Ah, vá para a merda, desgraçada... – não pensei sequer uma vez antes de chutar o vaso de plantas que ficava no corredor. Só fiquei mais tranquilo depois de encarar o piso quase branco tornar-se marrom devido à terra espalhada. 

Somente após alguns segundos, vi que eu não estava mais sozinho ali, Juliana estava na batente de uma das portas do corredor; com certeza assustou-se com o som da cerâmica barata quebrando-se. Não manifestei qualquer palavra, apenas joguei em meio à sujeira o cigarro que eu ainda possuía e deixei-a para trás ao entrar em meu quarto, o qual era quase de frente ao dela. Bati a porta sem peso na consciência; antes descontar na porta do que nela. Não é mesmo?

P.O.V. Juliana:

Tudo que eu queria era ficar longe de tudo e todos, por isso, não foi atoa que me tranquei em um dos quartos; o qual nem era o que eu dividia com as garotas. Ocorreu-me de deitar na cama até bem confortável e pensar, ou na verdade, lamentar minha própria vida. Eu sabia que havia feito muitas escolhas erradas, mas eu só tentava compreender porque as fiz; são tão miseráveis e estúpidas...

Porém, antes que eu pudesse continuar com isso em pensamentos torturantes, um barulho de telefone tocando no corredor me chamou a atenção. O som não era tão alto, mas foi o suficiente para me fazer levantar da cama e ir até a porta, sem abri-la. – Ah, vá para a merda, desgraçada... – fora tudo que ouvi com total clareza.

Não me contive e destranquei a porta que me impedia de ver o que se passava do lado de fora do quarto. Se uma coisa eu sabia, era que a voz era de Daniel; e eu realmente estava certa. Ali estava o loiro quase a minha frente. O piso estava coberto de terra do vaso, o qual agora estava no chão. Só pela expressão de raiva do rapaz e pelo seu silêncio, conclui que o reles vaso de plantas não se quebrou sozinho por acidente ou, por uma fatalidade da vida.

Ele por sua vez nada disse e apenas deu as costas para mim apos jogar o cigarro em meio a terra, entrando assim no quarto que sempre usa para passar suas noites aqui; inclusive as nossas noites. Também não ousei comentar nada, era impossível não notar o quanto seus nervos estavam à flor da pele e eu suspeitava quem poderia ser a culpada desse temperamento dele, que mais se parece um furacão.

- Ah droga, Brenda... – resmunguei. Eu havia quase total certeza de que a morena desbocada estava por trás daquilo. Desci as escadas com pressa e na sala somente encontrei Thalita, a qual estava sentada no sofá, emburrada como de costume de uns dias para cá. – Viu a Brenda por ai? – perguntei a ela.

- Não. Por quê? Ela fez algo? O que houve? Que barulho foi_ – cortei a série de questões impostas pela loira.

- Vim atrás de respostas, Thata... Não de perguntas que nem eu sei responder. – falei, direta e poupando a ambas de uma enrolação. Retirei-me da sala e comecei a seguir para a cozinha; a loira me acompanhou.

- Na verdade, eu bem queria conversar com a Brenda ou, até mesmo com você.

- Sobre o que? – perguntei sem olhá-la. – Sou toda ouvidos. – acrescentei, olhando de um lado ao outro.

- Sobre o Daniel... E você. – disse por fim, parecia temer dizer isso e foi somente após ouvir suas palavras, que lhe dei a atenção por completa.

- Daniel e eu? – arqueei uma das minhas sobrancelhas; talvez se eu demonstrasse desentendimento sobre o assunto, ela desistisse. – Como assim? O que ele e eu temos a ver?

- Ah Juh... – ela suspirou, pondo-se de frente a mim agora. – Essa historia de você estar poupando a mim e a Brenda de algo está me fazendo enlouquecer... – disse. Respirei mais aliviada ao ouvir isso, uma simples mentira mesclada a verdade a satisfaria. – E também... Saber o motivo da maquiagem. – completou me olhando sem esboçar emoção, somente um pouco de curiosidade.

Ok, admito que fui posta contra a parede e quando, infelizmente por impulso, tomei-me por feições de surpresa eu não poderia mais negar. Ainda mais no momento em que levei meus dedos até próximo aos meus olhos, eu havia montado minha própria armadilha.

P.O.V. Beatriz:

Depois que eu e Martin visitamos desde o Observatório do Griffith Park, um lugar lindo em que eu desde criança amava ver a cidade de Los Angeles e o letreiro mais famoso do mundo: Hollywood; e após passamos brevemente pelo Teatro Grego, decidimos deixar para trás aquele pedacinho do céu.

O rapaz de cabelos tão lisos quanto os meus estava calado já há um bom tempo e isso me preocupava. Será que nosso papo de horas antes havia lhe feito viajar em meio as lembranças, assim como eu faço todas as noites depois de me deitar na cama?

- Martin. – o chamei doce, mas mesmo sendo de maneira delicada, ele pareceu se assustar. – Está tudo bem? Está calado... – comentei, mesmo me esforçando para não ter feito isso.

- Ah perdão, estava somente pensando nas coisas que devo fazer amanhã, desculpe querida... – respondeu-me, beijando o topo de minha cabeça ao me abraçar pela lateral do meu corpo. Suas palavras não me reconfortaram, eu ainda me sentia culpada.

- Tudo bem, vamos embora... – falei quase com a voz sumindo. Martin assentiu sem contrariar.    

Andávamos lentamente pelo portal do parque, que como sempre estava movimentado. Já passavam das seis da tarde e o sou de outono ainda brilhava. Ousei ficar admirando as pessoas ao meu redor como se elas fossem meus conhecidos e até sorri fraco para uma garotinha que tomava sorvete sentada em um dos bancos ali por perto; era uma casquinha de duas bolas, limão com abacaxi e eu reconhecia de longe por este ser o sabor predileto de Juliana. Porém, as lembranças que vieram a minha cabeça não foram uma das melhores.

Desviei o olhar, dando atenção somente ao percurso que eu e Martin fazíamos, nada mais. Mas mesmo assim a vida não colaborava comigo, foi eu bater os olhos em duas garotinhas, de no máximo nove anos, que eu me lembrei de quando ainda tinha aquela idade. Junto delas havia um garoto de doze e os três estavam correndo ao redor do poste de luz, como se aquilo fosse um parque de diversões.

Hey meninos... – ouvi alguém chamar, chamar pela atenção deles na verdade. – Pose para a foto, crianças! – uma mulher afirmou.

Mamãe, não somos crianças... – o garoto reclamou, mas mesmo assim não se afastou das meninas para poder tirar a fotografia.

A mulher riu depois de guardar a maquina fotográfica. – Venham, vamos embora... – disse ela.

Ah não, mamãe... – uma das garotas choramingou. – Queremos brincar... E daqui a pouco a mãe da Giulia vem buscar ela... – cruzou seus braços, estava brava.

- Mas precisamos ir, meu anjo... Precisamos conversar... – completou a mulher. Não pude ver mais o que acontecera dali para frente, Martin me puxava para a saída do parque; mas ter me afastado deles não me impediu que eu visse meu passado em pensamentos.

Flashback On:

~*~*~ Quatorze anos atrás ~*~*~

Juliana e eu corríamos ao redor de sua casa, dávamos a volta por todo o jardim e passávamos por de trás da casa, depois apenas parávamos exaustas. Olhávamos uma para outra, sorriamos como se disséssemos: “Pronta para mais umas cinco voltas?” e assim como havíamos feito dez vezes só naquela manhã, saímos em disparada pelo quintal.

- Hey! Cuidado comigo. – alertou Ricardo, ele vinha em nosso encontro com seu notebook nas mãos. Eu e a irmã dele somente rimos de seu nervosinho. Tínhamos somente oito anos de pura alegria e ele onze anos de o mais denso estresse pré-adolescente.

Após darmos varias voltas gritando como se um monstro nos perseguia, eu e ela paramos, deitamos na grama de barriga para cima, dessa forma tentávamos regular a respiração, enquanto observávamos as nuvens.

- Olha, aquela parece com um sorvete... – comentou Juliana apontando com o dedo a pequena “bolota de algodão” no céu.

- Não aponte com o dedo assim, Juh... Minha mãe disse que é muito, muito, muito feito apontar com o dedo para as coisas. – repreendi-a.

- Não Bia, acho que não pode apontar com o dedo só para as estrelas. – ela comentou em resposta.

Eu iria protestar, como sempre, mas a mãe de minha amiga me impediu disso. – Venham lanchar, meninas... – ela nos chamou. Aquilo era música para nossos ouvidos e não foi por menos que saímos correndo em direção da casa.

Porém, parei no mesmo instante que ouvi uma voz bem familiar gritar do portão. – Vamos Beatriz, temos que ir para casa... – era minha mãe. Ela usava seu típico avental de flores; talvez estivesse fazendo biscoitos ou simplesmente lavando a louça que sempre ficava entulhada na pia.

- Não quero ir agora, tia Helena preparou um lanche para a gente. – cruzei meus braços como se eu realmente fosse irredutível.

- Infelizmente, nós temos que ir... – disse ela, entrando rapidamente no quintal e, por mais que eu não tivesse mais idade disso, ela me pegou no colo e me levou para casa.

Eu apenas fiquei calada o resto do dia e até recusei jantar a macarronada que eu tanto adorava. Mas isso não foi por eu ter sido tirada a força da casa de minha melhor amiga, mas sim porque foi neste dia que papai decidiu nos deixar.

Flashback Off.

Eu nem havia notado que já estávamos no carro para podermos assim ir embora. Ainda não havíamos manifestado nenhuma palavra e tanto ele como eu, estávamos aparentemente com a mente repleta de pensamentos decepcionantes.

- Quer comer alguma coisa na ida para casa? – ele perguntou ao colocar a chave na ignição do veiculo.

- Ah Martin... – eu colocava o cinto. – Eu acho que podíamos só... – pausei minha própria fala ao virar meu rosto na direção da calçada e ver que um homem descolava alguns cartazes do muro e do poste perto da entrada do parque. – Mas o que...? – murmurei.

- Está tudo bem, Beatriz? – o loiro questionou, tocando de leve em meu ombro.

- Está sim, espere só um instante. – falei ao sair do carro e ir em passos rápidos até o homem que fazia aquela barbárie. Ele puxava os papéis que eu e o Seu Raul havíamos pregado a respeito do desaparecimento de Juliana. – O senhor não tem direito de fazer isso! – disse firme ao me colocar atrás do homem, o qual era um tanto familiar.

- Mesmo? E quem é a senhorita para dizer-me isso? – ele me questionou ao virar-se de frente para mim.

- Sr. Albuquerque? – perguntei, como se eu realmente não o houvesse reconhecido. – O que está fazendo? – ainda insisti.

- Ah... Eu...? Bem, estava apenas, hã... Dando uma olhada nestes cartazes aqui. – defendeu-se da forma mais falsa que eu já vi.

Cruzei meus braços e suspirei. – Mesmo? Pois não foi isso que eu vi...

- Não, imagina... – ele limpou a garganta, jogou no chão os papéis que estavam em suas mãos e começou a percorrer o caminho que eu havia feito até ele e, claro, fazia-me acompanhá-lo. – Eu sinto muito por Juliana ainda não ter voltado, mas acontece que Los Angeles é uma cidade muito populosa, uma hora ou outra, as pessoas rasgariam aqueles cartazes e_ - eu o cortei.

- Onde quer chegar? – parei de caminhar propositalmente, aquele não era o mesmo homem que eu havia encontrado no elevador no trabalho de Raul; parecia ser o moreno com os seus mesmos olhos azuis vibrantes, porém era mais frio.

- Eu não quero chegar a lugar algum, garota. – respondeu seco. – E seja lá o que eu estava fazendo aqui, não é do seu interesse. – acrescentou. Viu, está mais gélido do que iceberg. – Tome. – entregou—me uma nota de cem dólares, que havia pego de sua carteira.

- Para que eu iria querer seu dinheiro? – questionei, sabia que ele estava me subornando, mas eu queria ver até onde sua paciência comigo iria.

- É nosso segredinho... Sabe, eu não conto de você e nem você de mim. – disse ainda me oferecendo a grana.

Segredinho? Eu não tenho nada a esconder... – falei firme.

- Mesmo? Pois eu imagino que não é todo mundo que quer ter como companhia o irmão de uma prostituta... – comentou por fim, colocando a nota nas minhas mãos e me dando as costas.

- Hey, espere! – gritei por ele, mas foi em vão, a multidão o engoliu. Suspirei derrotada e voltei para o carro.

- O que foi fazer? – o rapaz perguntou ao me ver voltar para meu lugar ao seu lado.

- Nada, pensei ter visto uma colega, mas me enganei... – comentei, tentando deixar minha respiração o mais calma possível.

Martin apenas deu os ombros e acelerou o Mustang. Depois de ouvir aquelas palavras daquele homem, não consegui encarar o loiro ao meu lado com os mesmo olhos. Não, eu não estava desconfiada dele ou nem nada do tipo, mas achei meio estranho o comentário feito pelo chefe do pai de minha amiga. Com certeza, ele ou eu deveria estar enlouquecendo.

(A partir daqui, recomendo ouvir a música: Clocks, do Coldplay. Coloque para repetir se for preciso, ouça até o final do capítulo). 

P.O.V. Juliana:

Deveriam ser mais de dez da noite com certeza, o silêncio era quase absoluto, a não ser por alguns momentos eu conseguir ouvir a voz de Brenda de fundo; parecia estar discutindo, discutindo com Thalita, por minha culpa.

Eu me recusava sair de dentro daquele banheiro, a não ser que elas se calassem e eu pudesse me deitar em paz, sem ter hora para me levantar, quem sabe nunca mais acordar. E ao me encarar no espelho, eu via o quão péssima o correr do tempo vinha me deixando. Meus cabelos não estavam mais tão macios como eram, minha pele estava mais pálida do que o de costume, as olheiras enormes entregavam o fato de eu não conseguir pregar meus olhos durante a noite.

Talvez eu devesse me acostumar com isso, aceitar que eu jamais sairia daquele inferno que eu deveria aprender a, de uma vez por todas, chamar de lar. Estava passando da hora de colocar em minha cabeça que a situação não poderia ter melhoras, só poderia piorar. Eu não veria mais meus pais e provavelmente, papai passaria o resto da vida a trabalhar com Nicolas; disso não posso reclamar, ele ganha um bom salário. Mas acredito que ele não vai convencer minha mãe a despencar o emprego como cabeleireira no salão de sua colega, Fátima; mamãe tem gênio doce, porém forte.

Nesse momento, Bia pode estar bem, se divertindo, estudado ou até um pouco mal, isso se a nossa amizade de anos significar o mesmo para ela como significa para mim. Ouso dizer que sinto falta até de Ricardo, irmão de Bia, ele sem sombra de duvida tem um cantinho especial no meu coração, mesmo eu não o amando como ele dizia me amar.

Devo esquecer de vez meus estágios como veterinária e aceitar que o único tipo de medica que eu poderia ser aqui nesse lugar, é aquela medica que se importa com todos os seus pacientes (com as meninas no caso) e que se esquece de si mesma.

Não é atoa que meu coração dói ao relembrar que, por minhas próprias escolhas, há pessoas sofrendo fora daqui e eu mesma estou sofrendo. As lágrimas que escorriam dos meus olhos entregavam-me estes triste fato, não tive opção, a não ser retirar com a água corrente, um pouco da base e do pó que eu havia usado hoje pela manhã. Por que eu escondia as conseqüências das minhas atitudes? Ah claro, um fracassado não quer recordar seu fracasso a cada dez minutos. E era exatamente assim que eu me sentia: uma PERDEDORA; com P maiúsculo.

A pequena banheira, um pouco suja, que tinha no banheiro estava quase cheia e depois de tirar minhas roupas, se é que um simples vestido surrado pode ser chamado de roupa, desliguei a torneira que enchia a mesma. Olhei por meros segundos no espelho a minha aparência e aquela... Não parecia ser eu. Tanto que não suportei olhar para aquilo por muito tempo, enrolei meu corpo na toalha e me sentei na beirada da banheira.

Eu estava tentando deixar a mente vazia e só comecei a me sentir mais leve quando senti a água morna tocar meu corpo, mesmo estando envolta pela toalha de algodão bem fina. Quanto mais eu escorregava meu corpo para dentro da banheira, mas segura eu me sentia. Segurei firme ao tecido quando meus aranhões e alguns cortes causados pelo evento dentro do banheiro começaram a arder. Eu poderia suportar tudo, qualquer tapa ou insulto, mas eu não aguentava mais segurar a dor emocional que eu possuía dentro de mim por amar aquele cretino.

Talvez ele, Brenda e Thalita tenham ouvido meu grito de puro extravaso. E realmente torço para que Daniel tenha o ouvido, pois assim, quem sabe minha voz de lamentação ecoe em sua mente na próxima vez que tocar seus lábios nos meus; e isso serve como lição para mim também. Afinal, quando não se aprende com os erros alheios, aprende-se com os seus.


Notas Finais


E então? tenso, não é? Senti a dor da Juliana, rsrs... E você o que está achando?? Comente ai e faça dessa escritora, uma escritora mais feliz :)


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