História She Will be Loved - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Ten
Tags Colegial, Hentai, Nct, Professor Particular, Romance, Ten
Visualizações 80
Palavras 3.634
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente!
Vim postar um dia antes pq tenho certeza que não vai dar tempo de fazer isso amanhã (mesmo que já seja 0h, mas enfim....), então vai hoje mesmo! Espero que gostem do capítulo, e obrigada pelos comentários e favoritos, vocês são aaaaaa maravilhosos <3

Beijos, boa leitura! <3

Capítulo 2 - Segundo.



"This bad taste, these headaches
Wake up on the floor again, oh yeah
My torn dress, these fail tests
Soon they will be erased
All these years on my own
Fight my fight all alone
Till you came, don't you know?
Don't you know?
"

 

Chittaphon era um fofinho, isso ela jamais poderia negar.

Mesmo utilizando um método de ensino espartano — ele passou tantas listas de exercícios que Elena sentia como se os números fossem sair do papel e dançar ao seu redor —, o tailandês era muito paciente, se esforçando para que ela conseguisse fixar as fórmulas e regras, aplicando-as corretamente nas atividades. Seu desempenho em exatas tinha melhorado de forma considerável nos últimos dois meses, sendo possível ver a descrença nos olhos de seu professor de matemática, e a surpresa das meninas sempre que esclarecia alguma dúvida referente à matéria — até mesmo no que dizia respeito à Física e Química, onde também estava sendo ajudada em algumas ocasiões. Ainda não tinha contado para elas sobre Ten, visto que não queria ter esperanças — mesmo que ainda sentisse as bochechas corarem e o coração acelerar quando Tern fazia alguma piadinha sobre os dois.

Porém, Elena mantinha seu senso de realidade: Ten jamais passaria de uma paixão platônica adolescente.

Ele era um universitário, não havia o menor cabimento em ter pensamentos românticos envolvendo ambos. Chittaphon era um homem, cheio de compromissos e tendo contato com pessoas mais velhas e vividas do que ela, não havia nenhuma razão ou chance para os dois. Se era assim, porque continuava se iludindo?

— Elena? O que está fazendo? — ele perguntou, saindo da cozinha.

Ótimo, agora estava a um passo de fazer papel de boba.

Era uma quarta-feira, o que significava que estava na casa de Ten, soterrada por seus livros e cadernos. O tailandês se sentou à mesa, dando alguns goles em uma garrafa d’água, fitando-a com uma sobrancelha erguida. Não era a primeira vez que ela mantinha o olhar fixo no nada, abrindo sorrisinhos misteriosos. O rapaz achava aquele gesto adorável, especialmente quando ela apoiava o rosto em uma das mãos, e suas bochechas coravam. Quando ele lhe questionava, a garota parecia desnorteada, e tentava rapidamente mudar de assunto.

Mas Ten não era desatento.

Tinha uma irmã adolescente, e via a forma como ela encarava o garoto que gostava. Era exatamente o mesmo jeito que Elena o olhava. Ten queria fingir que não tinha percebido as bochechas coradas e os olhos brilhando, mas era impossível. A garota era pequena e adorável, e tinha mania de pôr os cabelos atrás da orelha quando ficava nervosa. Havia também a fala macia, e sua personalidade brilhante, única e até mesmo tenaz, onde ela seguia suas próprias regras, sem dar muita bola às opiniões alheias. Destemida, sempre agia da forma que julgava correta — mesmo que isso contrariasse seu pai em alguns momentos — e por mais que aquele comportamento soasse insolente para alguns, Ten a olhava com admiração.

Não tinha mais como esconder seus sentimentos por ela.

— N-não é nada. — ela gaguejou, soltando uma risadinha. — Ah, terminei a primeira lista que você passou pra mim por e-mail na segunda-feira. — estendeu a folha para ele.

O tailandês segurou a folha, e perguntou se ela tinha alguma dúvida nos exercícios que fazia agora, recebendo uma resposta negativa. Assentiu, e se pôs a analisar a letra bonita na folha decorada com desenhos de flores azuis, e um sorrisinho ameaçou dominar seu rosto. Analisou as contas, destacando alguns pequenos erros com uma caneta vermelha que ela lhe emprestou — deu um sorrisinho ao notar que esta tinha cheiro de morango —, e se pôs a observá-la resolver as questões. Merda, ele queria beijá-la. Tirou os olhos da jovem, mirando a janela da sala e voltando a dar goles em sua garrafinha como se fosse a coisa mais importante do universo.

Não podia ter aqueles pensamentos, não com Elena.

Ela era quase da mesma idade que sua irmã, e as duas eram amigas, estudantes colegiais cheias de sonhos, e ele tinha medo do que o mundo dos negócios podia fazer a elas. Não queria que elas se tornassem moças de olhos tristes e aceitando coisas que ninguém deveria suportar em troca de uma vida confortável. Mesmo no século XXI, algumas famílias ainda apelavam para casamentos arranjados, e o tailandês achava que aquilo era uma fórmula para o fracasso. Não conseguia conceber essa ideia para sua vida, a da irmã e a de Elena. Só o pensamento lhe deixava enjoado, e ele desejava que a garota em sua frente jamais passasse por isso. Por mais que parecesse idiota ou utópico, queria protegê-la daquele ambiente vil e predatório.

— Ten? Eu não estou conseguindo fazer essa questão de logaritmos. — a voz dela o trouxe para a realidade, fazendo com que ele piscasse atordoado. — Tudo bem? Você parecia estar bem distraído.

— Não se preocupa, eu tô bem. — soltou um risinho envergonhado, se ajeitando ao lado dela. — Me deixa ver a questão.

Ela lhe passou o livro e o caderno, possibilitando que o tailandês apontasse os erros mínimos que ela estava cometendo. Depois de conseguir resolver a questão, ela fez um gesto comemorativo com a mão, sorrindo para Ten com aqueles olhinhos brilhantes e aquelas sardas na bochecha. Por um momento, jurou que seu coração fosse pular pela boca. Quando deu por si, estava de frente pra ela, próximo demais para seu próprio bem. Podia ver as íris âmbar parecendo em chamas, e as bochechas dela estavam extremamente avermelhadas. Ten roçou o nariz ao dela, que suspirou levemente, e então, os lábios foram unidos.

Ele não sabia o quanto tinha esperado por aquilo até sentir a mão dela sua bochecha. 

A boca dela tinha gosto de chiclete de canela — que ela costumava ganhar de Mel depois do horário de lanche —, e Ten sentiu-se como um adolescente de novo, o toque das línguas fazendo com que seus hormônios entrassem em polvorosa. Segurou o rosto dela em suas mãos, a pele macia sob seus dedos. Cessaram o contato, e ele a encarou inseguro, sem saber muito bem como agir, e se assustou ao sentir Elena segurar seu rosto e selar seus lábios rapidamente. Ela tinha um sorrisinho no rosto, e agora Ten que estava com as bochechas vermelhas, bobo demais para dizer algo.

***

Mel lhe encarava com uma sobrancelha arqueada, quase da mesma forma que Tern tinha feito no sábado à noite.

As tão tediosas reuniões de negócios tinham se tornado algo muito interessante aos olhos de Elena. Nem mesmo aquele vestido longo, a trança apertada e os sapatos desconfortáveis tinham estragado seu humor, pois quando Ten lhe puxou para um canto mais afastado do local, tocou sua bochecha e lhe beijou, tudo parecia estar em seu devido lugar: seus lábios unidos, as mãos dele em seu rosto e as mãos dela em sua cintura. Podia sentir a pele quente através da blusa social, e isso a fez pensar nas conversas de Demetria e Meredith, que falavam sobre garotos com uma sabedoria palpável, fazendo Elena corar e evitar o assunto. Ten separou o beijo, mantendo os rostos próximos e lhe beijou a ponta do nariz. Ela não fazia ideia do que os dois tinham, mas gostava dos toques dele, dos beijos e de seus sorrisos. Chittaphon fazia com que ela sentisse aquele aperto gostoso no coração, e um frio na barriga, como se estivesse caindo rápido demais. Ficou a noite inteira com uma expressão boba no rosto, e Tern lhe lançou sorrisinhos cúmplices, lhe cutucando com o cotovelo e perguntando quem era a pessoa que estava deixando-a nas nuvens.

Será que ela se chatearia ao saber que a pessoa era Ten?

Agora, estava na biblioteca, procurando um livro de história para servir como base para seu relatório. Mesmo que a Segunda Guerra Mundial fosse sua parte favorita da matéria de História, ainda existiam partes que ela não se lembrava de cor, e sabia muito bem o que a professora Riley pensava sobre “achismos”. Além disso, outra nota ruim era um luxo que não poderia ter. Deslizava os dedos pelos livros, até um pigarro chamar sua atenção. Mel lhe encarava com uma das sobrancelhas arqueada, o ombro encostado em uma das prateleiras. 

— O que foi? — questionou, tombando a cabeça para o lado em dúvida. — Sabe, você também devia estar procurando um livro base para o seu...

— Eu sei, meu relatório. — assentiu, afastando uma mecha avermelhada para longe de seus olhos. — Mas antes, estou querendo desvendar esse sorrisinho. Faz tempo que não conversamos, e desde que você começou suas aulas particulares, tem estado sorridente pra caramba. E olha que eu achei que você detestasse essas aulas. Todo mundo reparou.

— De início, pareceu ruim mesmo. Mas agora... — deu de ombros, em um gesto conformado — Não é tão ruim quanto parece, acho que meu desempenho tem melhorado.

— Seu humor também. — cantarolou, formando um sorrisinho malicioso, fazendo com que Elena revirasse os olhos. — Nessas horas, você provavelmente estaria muito brava por ter perdido seu fim de semana em uma reunião, vestindo aquelas roupas de princesa moderna. — revirou os olhos, vendo Elena rir. — Nada contra, mas sei que você não gosta muito delas. Mas... Desde que você conheceu a Kulisara... Olha... Você tá, sei lá, namorando ela?

— Não, não estou. — soltou uma risadinha, sacudindo a cabeça. — A Tern é uma boa amiga, e sou grata por ter conhecido ela naquele ambiente, sabe? Não me sinto tão deslocada ou perdida, já que temos coisas em comum.

Nana surgiu de trás de uma prateleira, dando um beijo no rosto de Elena e logo apontou para Mel, dizendo algo como “você me deve um pacote de Fandangos”, e saltitou de volta para a mesa — o que fez as duas garotas rirem involuntariamente. A morena voltou a encarar Mel, pensando em como contar... Bem, sua situação com Ten. Nem sabia como começar, e menos ainda como explicar o que estavam tendo agora. Era isso que Demetria chamava de “ficar”? Em sua concepção de “garota que não mantinha contato romântico com ninguém”, parecia um pouco estranho, mas não podia negar que a sensação de estar com ele era boa. Sacudiu a cabeça, decidindo que o certo era compartilhar a história com sua amiga.

— Mel, — começou incerta — tenho que te contar uma coisa.

***

Girava a lapiseira prateada nos dedos, os olhos relendo aquela questão pela terceira vez, mesmo que não estivesse, de fato, fazendo-o.

Três meses tinham se passado desde que Elena e Ten tinham se beijado, e muitas mudanças tinham acontecido: Suas notas tinham aumentado, Tern descobriu sobre os dois, e Mel lhe aconselhou mais do que já fazia, uma vez que ambas passavam por situações semelhantes. A garota de fios avermelhados lhe segredou que namorava um jovem universitário chamado Hyunwoo, sendo visível o quão apaixonada estava, pois seus olhos brilhavam ao falar dele. Não o conhecia pessoalmente, tendo visto o rapaz em uma foto que Mel lhe mostrou, onde estavam abraçados com uma bela vista de fundo — pelo jeito, partilhavam o mesmo gosto pela natureza. Ela tinha dúvidas sobre sua relação com Ten — mesmo que não fosse um namoro propriamente dito —, mas se deu conta de que a diferença de idade não era um empecilho tão pavoroso e imoral. Ambos tinham plena noção do que faziam, e apreciavam a companhia um do outro.

Recentemente, outra questão assombrava sua mente.

 Já tinha encarado o garoto em sua frente mais vezes do que poderia contar, tentando imaginar o que se passava na cabeça dele. Ten era considerado um prodígio, menino de ouro com um futuro brilhante. Parecia certo do que queria, enquanto Elena se questionava a cada cinco minutos. Achava injusto pedirem para pessoas tão jovens decidirem suas vidas quando nem mesmo uma escolha de sabor de sorvete ou gosto musical era constante. Tinha mudado de ideia mais vezes do que podia contar, e sempre que achava finalmente ter se decidido, a voz de seu pai surgia em sua mente como uma assombração, lhe censurando e julgando.

— Ten? — chamou incerta, mordendo o lábio inferior.

O tailandês levantou a cabeça, desgrudando os olhos da folha de papel em suas mãos e tirando os óculos de armação fina — que o deixavam ainda mais bonito. Tinha percebido que Elena estava inquieta, mas não queria forçá-la a falar algo. A fitou atentamente, tocando a mão dela em um gesto carinhoso.

— Você... — ela começou​, sentindo-se um pouco boba diante daquele questionamento. — É... Ah, deixa pra lá.

— Lena. — ele chamou sua atenção, ainda tocando sua mão. — Vem cá, me diz o que tá te preocupando.

Passou os dedos nos fios escuros em um gesto frustrado. Não devia ter tentado verbalizar aquele pensamento quando nem mesmo sabia como o faria. Quer dizer, essas dúvidas eram pessoais demais, não era qualquer pessoa que mostrava suas fraquezas e inseguranças. Encarou o garoto que continuava acariciando sua mão, e logo, ele se levantou e estendeu a mão para ela. Parecendo confusa, segurou a mão que lhe era estendida, e o tailandês fez com que ficasse de pé, puxando-a até o sofá, onde a aconchegou em seus braços, afagando calmamente os fios escuros e beijando a testa dela.

— Conversa comigo. Sabe que pode me perguntar qualquer coisa.

— Você... Hã... Já sentiu medo? — perguntou incerta, soltando um longo suspiro e encarando-o profundamente. — Sei lá, medo de estar fazendo tudo errado, e só perceber em cima da hora, ou medo de ficar perdido, sem saber quem você é ou o que realmente quer. Parece bobo, mas é que eu não consigo evitar, sabe? — mordeu o lábio inferior, desviando o olhar. — Já mudei de ideia tantas vezes, fiquei perdida, e ainda fico pensando no que devo ou não fazer. Eu tô ficando louca?

— Não, você não está. — ele respondeu serenamente, afastando uma mecha de cabelo que cismava em cair sobre os olhos dela e tocou a bochecha dela serenamente. — Eu sei como se sente. Meu pai me põe em um pedestal que eu não me encaixo, e não sei como dizer pra ele que não sou aquilo. Amo meu curso, amo o que eu faço, mas tenho medo de que meus esforços sejam em vão, e que eu nunca consiga me sentir realizado. Acho que, no fundo, nunca vamos deixar de sentir medo. E é normal, porque não sabemos quais vão ser as consequências do nosso próximo passo. Mas, — ele a encarou intensamente, de forma que ela sentiu as bochechas avermelharem — quando temos alguém ao nosso lado, que nos apoie, nos ame e nos incentive, acho que tudo é possível.

— Droga Ten, — ela começou em um falso tom pesaroso, um meio sorriso logo nascendo em seus lábios, enquanto tocava o rosto do garoto com a ponta dos dedos — você sempre sabe o que dizer, não é?

Em um primeiro momento, ele pareceu confuso, mas seus lábios logo se esticaram em um sorriso relaxado. Estreitou os braços ao redor dela, desejando que naquele gesto, todas as aflições dela fossem dissipadas. Elena levantou o rosto, encarando-o com um pequeno sorriso, e selou os lábios dele rapidamente, sussurrando um agradecimento — e foi agraciada por um sorriso e um beijo na testa. E até que desse a hora de ir embora, foi abraçada por Ten, que lhe dedicou afagos em seus cabelos e beijos que faziam seu coração flutuar. Estar com ele era tão bom, se despedir era uma tortura.

Quando se deitou para dormir naquela noite, fechou os olhos e se deixou ser transportada de volta para aquele sofá, onde era abraçada pelo tailandês e sentia como se todo e qualquer problema fosse mínimo. E no apartamento, Ten olhava o espaço vazio em sua cama, desejando que Elena estivesse adormecida ali, perto o suficiente para que ele pudesse tocar seus cabelos e vê-la dormir, longe de inseguranças e pressões sociais.

***

O único som ouvido na sala era o dos carros na rua, e o da lapiseira dela contra o caderno. E ele simplesmente não fazia a menor ideia do que dizer para reverter a situação.

Os dois estavam bem há algumas semanas atrás, mas seu pai tinha que abrir a boca e causar uma desgraça iminente sem nem perceber isso.

A reunião estava indo bem, e Ten mantinha seus sorrisinhos secretos na direção de Elena — que parecia encantadora no longo vestido. A ansiedade lhe deixou inquieto, e ele contava os minutos para estar com ela, onde poderiam demonstrar seus sentimentos longe de toda e qualquer hipocrisia. Mas a noite só estava começando. Seu pai engatou uma longa conversa com William — que tinha ido dar uma volta pelos jardins com Tern —, e quando a pauta de “futuro” veio à tona, pôde ver Elena se aproximar, rindo junto com Tern. E antes que ele pudesse prever, a frase se desprendeu dos lábios de seu pai e pousou como uma bomba em seu relacionamento.

Eu acho que Ten deveria se casar logo, está na idade. Estava pensando na herdeira dos Son, a YeongMi. Parece uma ótima pretendente, disparou com um sorrisinho presunçoso, bebericando um copo de uísque.

E a expressão de Elena se estilhaçou.

Foi uma mudança mínima, mas não passou despercebida diante de seus olhos. Seu pai continuava falando, mas o tailandês não conseguia ouvir mais uma mísera palavra. Seu pai cismava que tal ato era esplêndido, mas Ten repudiava a ideia e era apoiado por sua mãe. E agora que estava com Elena, a ideia soava ainda pior. Pareceu uma eternidade até que finalmente pudesse ficar a sós com a jovem, vendo-a desviar o olhar e lançar meio sorrisos — visivelmente magoada e envergonhada com toda aquela situação. Ali, se deu conta que a diferença de idade era um empecilho cruel sim, ainda pior quando somado à hipocrisia alheia.

A garota chorou naquela noite.

No fundo, sabia que jamais seria considerada uma pretendente para Ten. Mesmo que a diferença de idade fosse pequena — quatro anos —, o fato de ser uma colegial e ele um universitário formava um abismo entre eles. Sua parte racional teimava em dizer que o relacionamento dos dois tinha tudo para dar errado, mas seu coração despedaçava com a ideia de vê-lo com outra pessoa. Ele daria os mesmos beijos? Também a abraçaria e conversaria sobre seus medos e inseguranças? Não tinha dúvidas que o tailandês seria um marido incrível. Mas queria que ele estivesse ao seu lado, e não com outra pessoa. Sua visão embaçou, e ela detestou ser tão sentimental, se perguntando em que momento tinha se apegado tanto à Ten.

— Lena? — ele lhe chamou, lançando um olhar preocupado. Ela lhe ignorou, e ele insistiu, tocando a mão dela. — Amor, olha pra mim.

Levantou a cabeça, e uma lágrima escorreu por sua bochecha. Sentia-se boba por chorar, mas merda, aqueles sentimentos lhe atingiam como uma bola de demolição. Não se impressionava com o fato de alguns jovens não conseguirem conciliar a vida acadêmica com a vida pessoal: Sentimentos eram traiçoeiros, e podiam fazer estragos inimagináveis.

— Não amor, não chora. — a voz dele era suave e aconchegante, e ela constatou que já não conseguia ficar sem ele. — Vem cá, conversa comigo.

Elena negou com a cabeça, e Ten sentiu seu coração apertar ao vê-la tão fragilizada. Por baixo da tenacidade e garra que ela sempre demonstrava, existia uma menina que ele queria proteger, conhecer, amar e entender. Levantou da cadeira, se aproximando dela e lhe puxando pela mão. Pôde ver que houve certa resistência, mas segurou o rosto pequeno com as mãos, beijando-lhe as bochechas repetidamente e a envolveu em seus braços, apertando o corpo pequeno, as lágrimas molhando sua blusa.

— Não quero ficar sem você. — murmurou contra os cabelos dela. — Merda, eu devia querer o melhor pra você, mas eu sou egoísta. Eu mando qualquer regra pro inferno se isso significa que a gente vai ficar junto.

Ela riu baixinho, se afastando minimamente, o suficiente para poder encará-lo. O rosto estava cheio de lágrimas, e Ten tocou uma de suas bochechas, secando-as. Beijos foram depositados em seu rosto, e seus lábios se uniram em um ósculo feroz. As línguas se tocaram, e ela ofegou, seu corpo amolecendo nos braços dele. Elena o amava, mas entre aquele sentimento, havia os pais e tantas outras coisas que era difícil não se sentir sem ar.

— Ten, espera. — murmurou, desgrudando os lábios dos dele, mesmo que o impulso de voltar a beijá-lo fosse difícil de controlar. — Mas teu pai, ele disse do casamento... Disse que você ia se casar com...

— Amor, me ouve.— ele a interrompeu, tocando suas bochechas e encostando a testa na dela. — Eu e meu pai temos ideias diferentes. A única pessoa que eu vou me casar é contigo.

— Porra Ten, você não pode me dizer essas coisas. — murmurou, sacudindo a cabeça.

Ele abriu um daqueles sorrisinhos, e devorou os lábios dela em mais um beijo. Elena tocou o pescoço dele, as unhas curtas arranhando a pele pálida. Ten arfou contra sua boca, as mãos tocando a cintura da garota com maior intensidade, e ele tentava controlar o rumo de seus pensamentos. Aquele contato estava lhe deixando louco, e logo, a prensava contra uma das paredes da cozinha, os dedos maltratando a pele dela. Só se deu conta que talvez estivessem indo longe demais quando Elena soltou um gemido contra sua boca.

Era hora de parar. 

Separaram os lábios, e ele pediu desculpas, a respiração entrecortada. As bochechas dela estavam coradas, e ela mordeu os lábios, soltando um risinho nervoso. Por hora, o assunto “casamento” tinha sido encerrado, mas ele sabia que voltariam a discutí-lo — e ele lhe faria entender que tal coisa só entraria em questão caso Elena fosse a noiva.  Despediu-se dela, antes a beijando, os dois trocando risinhos cúmplices e olhares apaixonados.

Quando a porta foi aberta, os dois voltaram a ser apenas duas pessoas comuns, sem nenhum envolvimento. Ela era uma colegial que precisava de ajuda, e ele, um garoto disposto à fazê-lo. Qualquer um que olhasse não desconfiaria que ambos se amavam. 



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