História Shelter - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Daryl Dixon, Paul "Jesus" Monroe
Tags Daryl Dixon, Desus, Jeryl, Paul Monroe, Paul Rovia
Exibições 40
Palavras 2.403
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Survival
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Faz uns 84 anos que eu não escrevo nada, muito menos uma fanfic, então peguem leve comigo. Brincadeira, pode dizer o que pensa. Mas eu certamente estou um pouco enferrujada. Espero que gostem. Precisamos de mais fanfics desse ship maravilhoso, então resolvi contribuir.
Um breve recado: Não gosta do ship, não lê. Simples assim.
Obs.: Não teve nenhum tipo de revisão de outra pessoa. Então qualquer erro me falem.

Abraços.

Capítulo 1 - Be here now.


Fanfic / Fanfiction Shelter - Capítulo 1 - Be here now.

Naquele instante era possível respirar novamente. Não aquela respiração aguçada e trêmula que faz o indivíduo perder o foco por um instante, mas o tipo de respiração que elimina todo o peso do interior e traz conforto e calmaria.

Ao menos era o que Paul estava sentindo depois da conclusão a um reinado de terror.

– Você acha que é uma boa ideia voltar para Hilltop essa hora?

Paul observou o dono da pergunta por um instante. Os olhos de Rick estavam fundos e a expressão era ao todo fatigada. Mas a respiração... A respiração parecia bastante com a sua própria.

– Eu tenho que estar lá pela Maggie. Ela vai precisar de toda ajuda que puder conseguir. – o homem respondeu, por fim, voltando-se ao carro em sua frente e colocando uma mochila no banco traseiro.

Rick assentiu convencido de que seria melhor assim.

– Só quero que saiba que sempre haverá um lugar aqui para você.

Paul voltou-se para o homem e sorriu entusiasmado.

– E sou muito grato por isso.

– Eu que sou grato por tudo que você fez.

– Só fiz a minha parte, Rick. Assim como cada um de nós aqui fez.

Rick soltou um longo suspiro, virando o rosto para observar o que tinha sobrado de Alexandria. 

– Eu espero que todos continuem a seguir juntos para o que vem a seguir.

Com o mesmo sorriso no rosto, Paul apoiou sua mão no ombro de Rick, fazendo o mesmo voltar sua atenção a ele.

– Acredito que com você nos guiando podemos fazer qualquer coisa.

– Rick.

Os dois homens viraram-se ao escutar a voz áspera de Daryl. Paul poderia jurar que o arqueiro ficou sem graça por interrompê-los.

– Michonne está procurando por você.

– Certo. – Rick sorriu grato e olhou para Paul, dando duas tapinhas em suas costas. – Boa viagem de volta e mande lembranças à Maggie. Espero vê-la em breve.

Paul assentiu com a cabeça e viu Rick passar por ele e Daryl, misturando-se entre os habitantes de Alexandria que circulavam ali por perto. Jesus então fechou a porta traseira do carro e sentiu Daryl aproximando-se dele.

– Voltando para Hilltop?

Paul sorriu observando o homem à sua frente e subitamente sentiu um incômodo em seu peito. Ele poderia até tentar negar para si mesmo, mas sentiria falta de como os cabelos escuros de Daryl caíam sobre seus olhos... Olhos aqueles que faziam questão de encarar a quem quer que ele esteja conversando.

– Tem lugar de sobra no carro, caso você... Sei lá. – Paul disse, sem pensar.

Daryl balançou a cabeça negativamente, mordendo o lábio inferior na tentativa inútil de prender um sorriso.

– Eu gostaria de ver a Maggie, mas precisam de mim aqui, por enquanto.

– Claro... A Maggie. – Paul disse quase inaudível e sorriu sem graça. Daryl lançou-lhe um olhar que ele não conseguiu identificar. Ótimo. Aquilo poderia significar que ele estava agindo como um idiota na frente do homem.

– Soube que o Rick te ofereceu um lugar aqui.

Paul pensou em falar alguma coisa envolvendo Daryl falando dele com outras pessoas, mas resolveu ficar quieto. Ele já havia feito papel de bobo o suficiente para um dia.

– Sim... Porém, não conversamos sobre isso direito. – Paul respondeu, não sabendo o que fazer com as mãos, decidindo-se por enterrá-las nos bolsos de sua calça. – Então por enquanto meu lar ainda é Hilltop.

Os olhares de Daryl eram normalmente enigmáticos e de vez em quando parecia que ele se forçava muito para não deixar transparecer o que ele realmente estava pensando. Entretanto, Paul podia jurar que tudo que aquele homem transmitia naquele momento era desapontamento. Daryl deve ter percebido o olhar confuso de Paul pairando sobre ele, pois virou o rosto e voltou a morder o lábio inferior.

– Nos vemos vê por aí, então – Paul disse depois de alguns segundos sem nenhum dos dois falar nada.

Daryl balançou a cabeça positivamente.

– É... Nos vemos por aí.

Aquelas palavras sendo ditas por Daryl eram como um antídoto para o incômodo que Paul estava sentindo no peito, porque ele voltou a respirar normalmente na hora, como se toda a ansiedade e sensação penosa tivesse sumido novamente.

***

Algumas luzes na frente das casas começavam a acender automaticamente com o fim da tarde e o burburinho dos moradores de Alexandria começava a cessar ao poucos. Daryl inspirou profundamente, observando as cores alaranjadas que se misturavam onde o sol estava há pouco. Já fazia alguns minutos que ele estava encostado no batente da escadaria em frente à sua casa, sem se mover. Aquela era a primeira vez que ele absorvia tudo que havia acontecido na guerra contra Negan e seus Salvadores e em todas as pessoas que eles perderam. Daryl engoliu em seco, tentando afastar todos os pensamentos de perda e culpa que ele começara a sentir. Sua breve conversa com Paul Rovia há algumas horas atrás lhe veio à cabeça. Se ele pudesse definir o relacionamento dos dois em uma palavra seria certamente complicado. Ou até mesmo inexistente. Inexistente pelo simples fato de que desde que os dois se conheceram, eles só tiveram um momento a sós, logo após Paul ajudá-lo a sair do Santuário. Agora aquelas lembranças pareciam um pouco vagas, mas ainda assim a voz tranquilizante e doce de Paul se instalou em sua mente. Suas trocas de palavras eram sempre ligadas a olhares que talvez quisessem dizer mais do que era realmente dito. Mas isso não importava. Talvez fosse a mente de Daryl querendo lhe pregar alguma peça. Paul (ou Jesus, como meio o mundo o chamava), apesar de toda persona de ninja durão, era realmente uma pessoa boa e calorosa. Daryl sabia disso porque por mais que tentasse negar para si mesmo, havia observado o homem durante sua estadia em Hilltop. O jeito como ele apoiava Maggie e tentava tranquilizar todos os moradores, até mesmo quando Gregory -– o ex-líder desprezível – o tentava, realmente fazia Daryl sentir certa admiração. E era só o que aquilo era. Admiração. Não era como se ele pensasse em seu sorriso ou no jeito que Paul colocava a mão no queixo quando estava concentrado em algum problema, ou até mesmo o jeito como ele olhava para Daryl, como se tivesse desvendado todos os mistérios que rolavam em sua cabeça.

– Daryl!

O homem acordou de seus devaneios, levantando a cabeça rapidamente e vendo Tara com as mãos na cintura e uma expressão claramente confusa no rosto.

– Está tudo bem com você? Não me ouviu te chamar?

– O que você quer? – O homem perguntou meio impaciente, e depois se xingou mentalmente por agir como um babaca com alguém que não tinha culpa de nada que se passava por sua cabeça.

– Rick quer todo mundo na capela. Vai rolar algum tipo de reunião. – Tara respondeu, não parecendo ligar sobre a forma como Daryl se dirigiu a ela.  

– Ok. Eu já vou.

Tara assentiu e fez menção de virar-se, mas optou por continuar a encarar o homem.

– Você está bem mesmo, Daryl?

– Ótimo.

***

Os próximos dias haviam sido longos. Havia muito trabalho a ser feito em Alexandria. Apesar das consequências de uma guerra ser evidente, a esperança ainda reinava. Importantes alianças haviam sido formadas, e cabia aos líderes e ao povo de todas as comunidades se juntarem para resolver uma forma de todos se ajudarem.

Duas semanas haviam se passado desde que Paul voltou para Hilltop. Algumas pessoas apareceriam em Alexandria para entregar suprimentos e continuar a honrar o acordo. Ele nunca apareceu.

Na terceira semana, Daryl chegava perto do portão de Alexandria com um cervo que havia caçado em seus ombros e sentiu seu estômago revirar quando viu dois caminhões estacionados na frente. Ele nunca havia visto nenhum daqueles veículos em Hilltop, mas não deixava de esperar que eles fossem de lá. Após adentrar o portão, ajeitando o cervo em suas costas, sentiu algo parecido com decepção quando avistou o rei Ezekiel conversando com Rick.

Na quarta semana, Daryl aceitou o convite para ir até Hilltop com Rosita e Tara. Elas estavam encarregadas em levar um pouco da munição que Eugene produzia até a outra comunidade.

Ao chegarem a Hilltop, foram recebidos por Sasha e Maggie de braços abertos. A barriga de Maggie era evidente através da camiseta que ela usava e isso fez Daryl esboçar um sorriso. Nenhum dia sequer passava sem que ele pensasse em Glenn. Aquele bebê dentro dela, de alguma forma fazia tudo ser mais suportável.

Enquanto Maggie os conduzia até a casa Barrington, Daryl se pegou olhando em direção aos trailers, esperançoso.

– Ele foi para o Kingdom. – Maggie lhe disse, puxando-o docemente pelo braço.

Daryl assentiu com a cabeça, tentando esconder o quanto aquela informação o havia afetado.

                                                                                      ***

Paul bateu a porta do carro e agradeceu Carlos – que estava de vigia naquele horário –, por ter aberto o portão.

– Tudo certo por aqui?

– Na maior paz. – Carlos respondeu, sorrindo. – Veio pra ficar, Jesus?

– Vim trazendo novidades, por enquanto. Você sabe onde está o Rick ou a Michonne?

– Não vou saber te dizer com certeza. A última vez que eu o vi passar por aqui ele estava indo até o Eugene, mas isso foi há algumas horas. Mas tenta na casa deles ou se você avistar a... – Carlos foi cortado por uma voz feminina um pouco afastada deles, chamando Jesus.

– Ah, olha a Olivia, ela com certeza sabe.

Paul agradeceu e se distanciou de Carlos indo em direção à Olivia, que sorria.

– O Rick está te esperando. – A mulher disse, antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

***

Paul caminhava pelo asfalto de Alexandria, agora pouco danificado. Ele parou em frente à casa de Eric e Aaron e ficou observando por alguns segundos antes de decidir entrar pelo lado da casa e ir até à garagem. O portão aberto e as luzes acesas confirmavam que havia alguém lá dentro, então Paul entrou, sem ser anunciado. Para sua surpresa, sua presença não havia sido notada, pois o homem à sua frente estava de costas, mexendo em algum tipo de sucata.

– Ei.

Ele observou quando Daryl hesitou por um instante e então finalmente virou-se lentamente e passou a encará-lo. Paul tentou decifrar algo em seu olhar, o que quer que seja. Nada. Paul pigarreou de repente, se sentindo um pouco nervoso.

– Rick me disse que você estaria aqui.

Daryl soltou o objeto em cima de uma mesa de madeira, pegando um pano para limpas as mãos, sem dizer uma palavra.

– Sentiu minha falta? – Paul perguntou em um tom desafiador, caminhando até ele.

Daryl soltou um ar pelo nariz, com uma expressão no rosto que Paul não conseguia identificar. Era como um sorriso, só que sem humor algum. O homem murmurou alguma coisa e soltou o pano na mesa.

– O que você disse?

– Faz mais de um mês, imbecil. – Daryl repetiu, dessa vez talvez um pouco mais alto do que ele pretendia dizer.

Paul comprimiu os lábios. Apesar de sentir falta de Daryl, ele não tinha notado que havia passado tanto tempo assim desde a última vez que eles se viram. Afinal, ele não tinha parado por nenhum segundo levando e trazendo recados pelas comunidades.

– Eu sei. Me desculpa. – Paul respondeu sincero. – A Maggie me disse que você foi até Hilltop. Queria ter estado lá.

Daryl continuou calado, porém sem tirar os olhos de Paul.

– Em minha defesa, as ideias para amenizar nossas vidas começaram a fluir. – Paul sorriu entusiasmado, encostando-se a mesa de madeira. – Semana passada mesmo eu e Ezekiel estávamos conversando sobre como podemos deixar o caminho mais seguro para nosso povo viajar de uma comunidade à outra. Agora eu vim repassar as ideias pro Rick e pra Michonne.

– Então você não vai ficar por muito tempo. – Daryl disse antes mesmo de Paul terminar de falar.

– Ainda não. Por quê? Você quer que eu fique? – Paul sorriu caloroso.

Quando não obteve resposta, Paul soltou um longo suspiro e passou a observar a garagem.

– Eu só carrego o apelido de Jesus. Eu não tenho poderes sobrenaturais, do tipo ler mentes ou algo assim.

Daryl esperou um momento antes de dizer qualquer coisa.

– E aonde você quer chegar com isso?

Paul suspirou novamente, dessa vez um pouco impaciente e se virou para Daryl.

– O que eu quero dizer é que você vai ter que realmente me dizer o que você pensa, porque eu não posso adivinhar.

– Não tem nada pra adivinhar.

– Cara, você claramente está chateado comigo ou algo parecido. Eu tentei deixar passar as vezes que você certamente parecia que estava fugindo de mim toda vez que eu tentava conversar com você sobre qualquer coisa.

Paul podia perceber claramente como Daryl tentava fingir que ele não fazia ideia do que o homem à sua frente estava falando, e o jeito como ele não sabia mais o que fazer com as suas mãos, ou com qualquer outra parte do corpo, realmente. Deixar Daryl nervoso era a última coisa que ele queria. Mas não estava sendo fácil.

– Eu só... Sem querer parecer presunçoso, mas antes você me passou uma ideia de que talvez tenha sentido um pouco a minha falta. E se eu estou passando dos limites aqui, você pode me dizer. – Paul deu uma pausa para ver se Daryl teria alguma objeção, e então continuou: – Pelas poucas coisas que você me disse, ou você me quer aqui ou você não vê a hora que eu vá embora. Eu fiquei meio confuso no final.

– Você fala demais. – Daryl disse, simplesmente.

O outro homem sorriu, dando de ombros.

– E então? – Paul pressionou a pergunta.

– Jesus!

Os dois homens se viraram, observando Aaron caminhando até eles sorridente.

– Aaron! – Paul sorriu e os dois se abraçaram rapidamente.

– Que bom te ver por aqui. Eric vai adorar te ver. – Aaron disse animado. Depois observou Paul e Daryl por algum momento e pareceu ter capturado algo no ar. Ele então pigarreou. – Venha jantar conosco essa noite. Quero muito conversar com você. Daryl já está convidado.

– Claro! – Paul concordou, sem tirar o sorriso do rosto.

Aaron pareceu satisfeito com a resposta, então pediu licença rapidamente e saiu da garagem, deixando Paul e Daryl se encarando em silêncio novamente.

– Bom, – Paul começou, quebrando o silêncio – Eu vou me acomodar em uma das casas. Acho que te vejo no jantar então.

Daryl assentiu e voltou a mexer em qualquer coisa sobre a mesa. Paul, sentindo-se derrotado, se virou e caminhou até a saída.

– Paul. – Daryl o chamou no meio do caminho, meio incerto.

Paul parou por alguns segundos e então se virou, aguardando o homem falar.

– Eu senti sua falta.


Notas Finais


Segunda parte em breve. Deixem suas opiniões, por favor. :)


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