História Shelter - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias The Walking Dead
Personagens Daryl Dixon, Paul "Jesus" Monroe
Tags Daryl Dixon, Desus, Jeryl, Paul Monroe, Paul Rovia
Exibições 18
Palavras 2.346
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Survival
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Norman Reedus disse uma vez que se o Daryl ficasse com alguém na série, seria uma coisa bem "awkward", porque o Daryl não é do tipo cara romântico. Então foi isso que eu tentei fazer ;)

Capítulo 2 - Let it be me.


Daryl perdera as contas de quanto tempo estava preso naquele lugar. Apesar de ser escoltado para fora daquela pequena e escura cela algumas vezes – contra sua vontade –, e sentir a luz do dia sobre sua pele, parecia que ele estava isolado do mundo há muito tempo.

Houve uma hora em que a dor física já era o menor de seus problemas. Ele sentia sua mente demasiadamente nebulosa, como se não houvesse nenhuma linha entre o tempo e o espaço e ele estivesse somente flutuando sobre o vazio. Seu corpo em contato com o concreto frio ou o odor desagradável não lhe importavam mais. Suas pálpebras inchadas haviam finalmente desistido de lutar, cobrindo qualquer tipo de contato com o mundo exterior.

O Santuário estava assustadoramente quieto. Não havia burburinhos pelos corredores e nem mesmo canções estridentes, como de costume. Por essa razão, Daryl achou que estava delirando quando escutou o que parecia ser algo pesado se chocando contra o chão do lado de fora. Seus olhos abriram rapidamente, tentando tomar consciência da situação, contudo, ele ainda se sentia atordoado.

Ele engoliu em seco quando escutou a maçaneta da porta se movimentar. Em segundos, a luz de fora atingia sua face obrigando-o a piscar repetidas vezes, até que sua visão se acostumasse com a claridade.

– Daryl? – a voz do estranho ecoou meio incerta – Eu não tenho muito tempo para explicar. Você precisa vir comigo agora.

Daryl abriu a boca para responder o estranho, mas nada saía. Ele agora podia escutar uma respiração, quando o homem se aproximou, agachando-se em sua frente.

– Daryl. Você consegue me entender?

A realização nos olhos de Daryl podiam ser vistas há milhas. A touca, a barba, os cabelos longos, os olhos... Só pertenciam a uma única pessoa que ele havia conhecido há um tempo, quando aquele terror que havia consumido sua vida era inexistente.

– O que... O que você está fazendo aqui?

– É realmente uma longa história – o homem respondeu com seu semblante sério – Eu posso te contar tudo se você vier comigo. Por favor.

Daryl ficou em silêncio por alguns segundos, analisando o rosto do homem. Milhares de perguntas estouravam em sua cabeça. O que Paul Rovia fazia ali? Teria acontecido algo com sua família? Negan ou algum outro Salvador certamente apareceria a qualquer momento. Ele poderia estar colocando todos os outros em perigo se tentasse fugir mais uma vez.

– Daryl! Nós precisamos ir agora se quisermos sair vivos.

Acordado de seus devaneios, Daryl fez menção de se levantar, decido a objetar sobre a situação. De repente, sentiu seu corpo sendo sustentado pelos braços de Paul.

– Eu não posso... Eu...

– Vai ficar tudo bem, Daryl. Confia em mim.

E surpreendente ele confiava – como nunca havia confiado antes –, e porventura aquilo tenha sido um estímulo para que ele encontrasse qualquer tipo de força que ainda lhe restava, para proferir sem falhas suas próximas palavras:

– Eu nunca estive tão feliz em ver um rosto conhecido antes.

***

Paul sentia-se péssimo por não estar totalmente focado na conversa com Aaron e Eric, mas em sua defesa era quase impossível concentrar-se em qualquer coisa enquanto Daryl estava sentado ao seu lado na mesa. Quando olhava de relance, percebia que o homem ficava a maior parte do tempo com a cabeça baixa e só dizia algo quando alguém lhe dirigia a palavra especificamente. Seus cabelos escuros caídos sobre os olhos agora estavam úmidos e ele vestia as mesmas roupas escuras de sempre, porém peças diferentes das que ele usara mais cedo. Mais cedo quando ele disse que sentira falta de Paul.

Apesar de o escoteiro esperar ansioso por qualquer tipo de afeição vinda de Daryl – por razões que ele ainda vinha descobrindo –, ele tinha de confessar que ficou surpreso ao ouvir o homem proferir aquelas palavras. Seu peito logo se encheu de ternura e ele só conseguiu sorrir, e antes que pudesse falar qualquer coisa que estragasse o momento, ele saiu da garagem, com a certeza de que eles retomariam aquela conversa.

O resto do jantar felizmente ocorreu sem nenhum tipo de constrangimento, apesar de Paul muitas vezes sentir o olhar curioso de Aaron pairando sobre ele e Daryl. O que quer que fosse que aquele homem estivesse pensando, pela alegria de Paul, ele resolveu não indagar.

Daryl e Paul despediram-se do casal uma hora depois, desejando-lhes uma boa noite e então seguiram caminho pelo asfalto de Alexandria.

– Onde você vai ficar? – Daryl perguntou depois de um tempo, com o olhar fixado no chão.

– Há umas cinco casas a frente. Olivia disse que tem uma bela coleção de livros lá. Eu ainda não tive tempo de checar – Paul sorriu, sentindo-se leve. O jantar havia sido muito bom, a noite estava agradável e ele estava em ótima companhia. Não havia motivo para se sentir diferente.

O resto da caminhada foi feita em silêncio e logo eles estavam em frente à casa cinza no final da ruela. Os dois homens se olharam.

– Correndo o risco de passar dos limites... – Paul começou meio hesitante – Você por acaso não gostaria de entrar?

Daryl pareceu surpreso e de repente demonstrava certa agonia diante de Paul.

– Você não precisa aceitar. Eu só queria...

– Tudo bem – Daryl respondeu simplesmente, caminhando em direção aos degraus da entrada da casa. Apesar de ter ficado confuso com tal reação, Paul tentou conter o sorriso enquanto seguia o homem.

No momento em que a porta foi fechada, era somente possível enxergar suas silhuetas no pequeno corredor. Mesmo em meio à penumbra, Daryl andou até a sala e esperou por Paul, enquanto o mesmo tateava a parede a fim de encontrar o interruptor. Logo a sala iluminou-se, e satisfeito, Paul andou até Daryl.

– Eu te ofereceria algo para beber, mas tenho quase certeza de que não tem nada por aqui além de água.

– Não faz mal – Daryl respondeu, olhando em volta.

Paul o observou por alguns segundos, a frase de mais cedo repassando em sua mente como um filme. Teria ele pressionado Daryl a dizer algo contra sua vontade? Não podia ser. Pelo tempo que ele passou observando seus passos, ele tinha quase certeza de que sabia como o homem agia. Daryl não iria se expor por nada. Ele sempre dizia o bastante quando era realmente necessário.

Paul inspirou fundo e soltou o ar na tentativa inútil de fazer aqueles pensamentos irem embora e acabou atraindo a atenção de Daryl. Era evidente seu olhar de preocupação.

– Você está bem?

Paul sorriu, assentindo com a cabeça. Ele então resolveu sentar-se no sofá, mentalmente louvando as almofadas macias que entravam em contato com suas costas.

– Eu me esqueci de te falar uma coisa – Paul começou, fazendo menção para que Daryl sentasse ao seu lado no sofá – Eu vi Carol quando estive no Kingdom. Nós conversamos bastante.

Daryl arqueou uma sobrancelha enquanto se sentava no sofá, esperando que Paul continuasse a falar.

– Ela manda lembranças e diz que sente sua falta. Você pode ir visitá-la novamente. Se quiser, eu te acompanho um dia desses.

Daryl mordeu o lábio inferior e passou a observar a sala, mais uma vez.

– É... Eu ia gostar disso.  

– Sobre você ver a Carol ou sobre eu te acompanhar?

– Os dois.

– Ótimo – Paul sorriu contente – Eu... – o homem engoliu em seco, meio indeciso sobre suas próximas palavras – Eu não quero ter que ficar longe por tanto tempo novamente. De você, no caso.

Aquilo atraiu o olhar de Daryl instantaneamente. Era uma mistura de surpresa e confusão, fazendo Paul sentir a necessidade de se explicar.

– Eu quero conhecer você, Daryl. Não a fachada ou as poucas coisas que você deixa escapar achando que não tem mais importância. Eu gostaria de descobrir coisas novas. E eu sei que eu ainda tenho que percorrer um longo caminho para ganhar esse tipo de confiança. É por isso que eu quero passar mais tempo com você. Se você deixar.

Daryl continuava encarando o homem. Não havia mais linhas em sua testa e sua expressão era completamente serena, porém Paul não fazia ideia do que se passava em sua cabeça naquele momento.

– Eu... Eu fiquei feliz em saber que você sentiu minha falta. Porque a verdade é que eu também senti a sua. Depois do Santuário, depois de Hilltop e de toda aquela loucura, eu passei a me acostumar com a sua presença – Paul sorriu, sem graça e abaixou a cabeça soltando um longo suspiro – Eu não pretendia te falar nada disso. É que eu não esperava você reagir daquela maneira por eu ter ficado longe por tanto tempo. Eu corro o risco de estar entendendo isso tudo da forma errada. Mas eu importo com você. Então por que eu deveria ter que esconder isso?  

Paul levantou a cabeça, surpreso, quando sentiu a mão de Daryl sobre a sua. Ele não tinha certeza quando o outro homem havia se aproximado, porém nada importava mais. A mão de Daryl era leve e quente sobre a sua, e aquela sensação agradável fazia seu peito queimar. Aquele gesto era prova suficiente de que Paul não havia entendido errado e que os dois possivelmente estariam na mesma página.

– Eu não quero te desapontar – Daryl disse baixo, quase inaudível.

– O que te faz pensar que isso aconteceria?

– Porque eu não faço ideia de como fazer... Isso. – O homem respondeu com a voz oscilante, gesticulando entre os dois com a outra mão.

 Paul assentiu, compreendendo o lado de Daryl.

– Posso? – Ele perguntou depois de alguns segundos, fazendo menção de tocar a mão de Daryl. Quando o homem concordou, ele tomou suas mãos nas dele, fazendo com que os dois ficassem de frente um para o outro no sofá. Sentindo o nervosismo insistente de Daryl, Paul começou a circular seus polegares por suas mãos.

– Daryl, eu posso ser qualquer coisa que você queira que eu seja nesse momento. Se for de um amigo que você precisa agora, é somente isso que eu serei.

– E o que você quer?

– Você sabe o que eu quero – Paul soltou um longo suspiro – Eu só estou tentando deixar as suas necessidades acima das minhas.

– E como ficam as suas necessidades? – Daryl retrucou incrédulo.

– Acredite, eu vou ficar bem. Eu só quero o que for melhor pra você. Não quero apressar as coisas.

Daryl soltou o ar pelo nariz, balançado a cabeça negativamente.   

– Eu não vou quebrar se você fizer isso.

– Eu sei.

– Eu não acho que você saiba – Daryl respondeu, desvencilhando suas mãos das de Paul. O outro homem o olhou um pouco espantado, e antes que a mágoa tomasse conta, Daryl estendeu a mão um pouco trêmula na altura do rosto de Paul, a ponta dos dedos quase tocando sua barba. O homem sorriu, e cobriu sua mão sobre o pulso de Daryl delicadamente, encorajando-o.

Paul teve que lembrar a si mesmo de respirar enquanto observava Daryl passando os dedos sobre sua barba, bochecha, lábios... Se Daryl queria mostrar para ele o quão errado ele estava, Paul já havia entendido o recado.

– Eu ainda não faço ideia de como fazer isso – Daryl murmurou depois de um tempo, retirando sua mão do rosto de Paul.

– Você estava indo muito bem para um iniciante – O homem brincou fazendo Daryl revirar os olhos, porém entregando-se a um sorriso. – Não existe manual pra esse tipo de coisa. Muito menos com a nossa situação atual. Você acha que eu também sei como relacionamentos funcionam? Eu estou na mesma que você, acredite.

– Você fala demais.

– É... Eu venho esperando você fazer algo sobre isso – Paul respondeu sério e depois começou a rir – Desculpa, essa foi péssima.

Daryl concordou, rindo junto. Quando os dois se acalmaram, o silêncio se instalou por um instante, até Daryl quebrá-lo.

– Mais cedo... Você disse que eu vou ter que te dizer o que eu penso realmente–

– Eu não quis te pressionar, eu só estava–

– Calma, me deixa terminar – Paul assentiu, se desculpando – Você disse que eu teria que dizer o que eu estou pensando... Então... Quando eu falei que você fala demais, o que eu realmente estava pensando era quando você ia... Uh...

– Quando eu ia...? – Paul o olhou confuso, tentando procurar no rosto de Daryl qualquer coisa que indicasse o que ele estava querendo dizer. O homem a sua frente agora evitava olhá-lo nos olhos e suas bochechas pareciam levemente coradas. Foi quando ele entendeu. – Oh.

– Acho que essa foi a coisa mais idiota que eu já falei – Daryl disse, tentando esconder seu embaraço – Esquece.

– Não! Não foi idiota. – Paul disse rapidamente, tentando confortá-lo – Eu devia ter percebido antes.

Os dois ficaram em silêncio novamente, olhando para qualquer lugar sem que fosse um ao outro. Daryl pigarreou, levantando-se do sofá, murmurando um “te vejo amanhã” e caminhando até o pequeno corredor que levava até a porta.

– Daryl, espera! – Paul levantou-se em um pulo, indo atrás do homem e colocando-se a sua frente, impossibilitando a passagem do mesmo. Daryl o olhou meio surpreso e Paul inspirou fundo, aproximando-se mais dele. Sua mão foi até seus cabelos escuros, removendo-os de sua visão com delicadeza. Paul sorriu por finalmente ver os olhos de Daryl sem que nada os cobrisse. Eles transpareciam muitas coisas ao mesmo tempo: cansaço, medo, desejo, mas principalmente força. Naquele momento, ambas as respirações tornaram-se irregulares, enquanto Paul tomava o rosto de Daryl com as duas mãos, como se fosse a coisa mais preciosa que ele já havia tocando, e então aproximando-o do seu. Apesar de seu coração palpitar, ele não sentia ansiedade alguma. Com seus olhares fixos e suas respirações se chocando, nada parecia tão certo quanto aquilo. Paul tentou passar toda a segurança que pôde, antes de encostar seus lábios aos de Daryl. Com os olhos fechados, ele sentiu os braços do outro homem envolvendo-o pela cintura, pressionando-se contra ele com urgência. As mãos de Paul desceram até os ombros de Daryl, apertando-os levemente e ele sorriu entre o breve beijo, encostando suas testas. Daryl resmungou brevemente pela ausência dos lábios de Paul, fazendo o homem rir. Os dois ficaram um momento em absoluto silêncio e tudo que se podia escutar eram suas respirações. Paul então encaixou seu rosto no pescoço de Daryl, absorvendo sua essência.

 – Fica. Por favor.


Notas Finais


Galera, é isso. Não sei se vai ter continuação depois. A minha ideia inicial sempre foi chegar até esse ponto, onde o Daryl se abriria pra esse tipo de coisa. O resto seria somente ele se redescobrindo com Jesus. Eu espero que vocês gostem e desculpa qualquer erro. O medo é grande de ficar bem OOC. Mas o que se pode fazer?

Deixem suas opiniões e muito obrigada pelos comentários! Beijos.


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