História Sherlock por Ela - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Sherlock
Tags Aventura, Benedict Cumberbatch, Investigação Policial, Romance, Sherlock Holmes
Exibições 45
Palavras 1.521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 20 - Meus ídolos ainda são os mesmos


Fanfic / Fanfiction Sherlock por Ela - Capítulo 20 - Meus ídolos ainda são os mesmos

   ─ Ele é o autor daquela matéria... – eu disse para mim mesma, depois de engolir seco.

   ─ Matéria?! – Sherlock vociferou enquanto Moriarty cambaleava tentando ficar com o corpo ereto.

   Olhei incrédula para os dois já que, como eu não tinha os detalhes, estava voando um pouco. Mas a hipótese era plausível. Segurei o carrinho com força e puxei-o para o mais longe possível de James. Fiquei preocupada com a possibilidade de haver mais alguém na jogada, à espreita. Mas, depois, Sherlock me diria que O “Professor” não teria culhões para agir com maiores danos em público.

   ─ Suma daqui! – Sherlock Holmes ordenou, impaciente. O doido, já de pé, limpou as roupas batendo as mãos pelo próprio corpo e se foi, ainda sorrindo, sem olhar para trás.

   Ficamos em silêncio. Sherlock olhava em volta, indeciso. Voltou a ter o semblante mais magoado do que furioso, levantou o teto do carrinho e olhou para Annabel por um longo tempo.

   ─ Está tudo bem com vocês? – seu olhar deslizou pelo meu rosto.

   ─ É... – deixei a afirmação no ar – digamos que somos fortes.

   ─ Podemos ir até o apartamento? – ele assumiu a tarefa de empurrar o carrinho. E, ironicamente, mesmo que por poucos metros, éramos uma família andando no parque.

                                                                  ∞∞∞

   ─ Você estava nos observando? – tentei não parecer interessada demais. Chegávamos em casa.

   ─ O que você acha que eu faço nas horas vagas? – ele rebateu, sem qualquer senso de humor. Eu deveria ter imaginado.

   Fiz ele mudar a direção para acessar a rampa na entrada do prédio. Uma súbita sensação de desconforto pairava no ar. Meu coração acelerou.

   Abri a porta e a expressão dele endureceu ainda mais.

   ─ Ela sempre dorme tanto assim?! – a pergunta, atirada ali no meio de nós, na nossa sala, fez com ele suavizasse o semblante de novo – posso pegá-la?

   ─ Sim, é um bebê novinho. E sim, claro.

   Ele se agachou e pegou Annabel com cuidado, cheirando seu pescoço. De repente me senti sobrando na cena. Era como se ele tivesse construído uma barreira contra a minha presença. Minha saudade dele mal conseguia se manifestar.

   ─ Eu posso fazer algumas coisas enquanto você fica com ela? Daqui a uma hora vou ter que alimentá-la.

   ─ Fique à vontade – ele disse, sem me olhar.

   A frieza dele era surreal. Mas estranhamente me acalmava um pouco. Esse é Sherlock Holmes, o verdadeiro, pensei. E não aquele que surgiu por um tempo na minha vida. Tudo sempre volta ao seu estado natural, até mesmo um coração sombrio. Coloquei roupas para lavar, limpei a cozinha e arrumei meu quarto. Abri a gaveta da cômoda e tateei embaixo das roupas, encontrando o jornal com a nossa foto só para conferir o nome do responsável. James Moriarty. Voltei à sala ao primeiro choro do bebê.

   ─ Quem é ele; exatamente? – peguei Anna dos braços do pai.

   ─ Um indivíduo invejoso, eu também não entendo muito quais são os sentimentos que o movem, mas estou levantando tudo sobre ele. Se eu julgar necessário talvez vocês terão que andar escoltadas, nem que seja por um tempo. Ele sempre me infernizou, mas tipo formiga contra elefante – e então ele me relatou alguns episódios – Mas agora? Agora ele passou de todos os limites, só por ousar chegar perto de vocês!

   ─ Podemos processá-lo.

   ─ Pra quê? Um processo lento não vai detê-lo. Ele precisa é de um bom susto. Talvez o de hoje tenha servido. Talvez.

   ─ Mas ele manchou sua imagem! Isso é bem grave – minha voz saiu mais esganiçada do que eu gostaria.

   ─ Eu sei, Claudia – baixou os olhos. Meu nome na boca de Sherlock me distraiu por um segundo – mas acho que o que aconteceu foi essencial.

   ─ Essencial?

   ─ Eu sou o que sou. Você está com a razão, eu entendo. Você não é obrigada a tolerar certas coisas e eu jamais vou poder deixar o terreno firme para você pisar em segurança. É inútil tentar fazer com que você viva de uma forma diferente – ele deu um esboço de sorriso torto. O mesmo que vi nele quando nos conhecemos, quando ele se dava conta de que soava inadequado às vezes – estou saindo da sua vida. Não totalmente, é claro, preciso acompanhar o desenvolvimento de Annabel, pretendo cumprir meu papel. Mas sou o que sou. Não posso ser seu. De mais ninguém, aliás.

   As palavras pesaram no ar já carregado. Embora eu soubesse, ouvir, de forma tão explícita, doeu. Annabel grunhiu fininho, e o barulho dela me emocionou de repente. Olhei para Sherlock e sua expressão continuava dura. Ele havia decidido.

                                                                       ∞∞∞

   Dos meses seguintes tenho lembranças meio atrapalhadas. Eu dormia bastante, precisava muito da ajuda de Lucy para fazer minimamente meu trabalho, comia pouco, e continuei usando o anel que ele havia me dado. Ouvia falar dele vez ou outra e uma vez por semana Amanda aparecia, com um semblante triste, mas sempre sereno, e não me fazia perguntas. Eu saía de casa deixando meu bebê com ela. Sabia que, nesses momentos, Sherlock aparecia por lá. Sentia seu cheiro quando voltava.

   “Foi um erro. Não é o meu negócio, eu sempre soube”, foram mais ou menos essas as palavrinhas comuns proferidas naquele dia, e embora eu soubesse que simplificar tudo a esse ponto era psicologicamente proposital, ainda assim eu me ofendia. Mas não deixou de ser importante quando juntei as peças que se encaixavam, sobre Moriarty, aliviando minha culpa.

   Passei a ter mais cuidado nas ruas, de qualquer maneira.

   Sherlock Holmes perdeu o primeiro sorriso da filha.

   Seis meses inteiros passaram...

                                                                      ∞∞∞

   ─ Não sei... não sei mesmo – respondi para John, por telefone, quando ele me ligou dizendo que tinha dois tickets para ver The Rolling Stones na Arena O2, lugares próximos ao palco,  dali a uma semana – no meio de semana, né, complicado.

   ─ Não é bem no meio da semana, vai, é numa quinta-feira, e você é fã, ou não é mais?!

   ─ É claro que sou. – soei tão sem empolgação que fiquei com pena de John. ─ Então vamos, sim – tentei parecer um pouco mais animada – Vou ter que conseguir uma babá para Anna, mas acho que não será difícil.

 

                                                                       ∞∞∞

   John e eu não nos víamos desde aquela noite do incidente com Sherlock e a loira no jantar beneficente. Mas não deixamos de trocar algumas mensagens, de vez em quando. Fiz de tudo, o que pude, para manter a amizade. Pelo jeito tinha dado certo. Ele sabia da minha história com Sherlock Holmes e provavelmente alguém tinha contado a ele o final infeliz também. Mas eu duvidava que ele fosse tentar alguma coisa comigo de novo. John era suficientemente inteligente para não dar essa bola fora, e eu sentia sua mão estendida como a mão de um amigo. Aliás, mulher, para ter amigo homem, às vezes precisa insistir na amizade, investir em separar as coisas, mas acaba dando certo, se as tensões fossem superadas.

   O lugar era bom mesmo. Ele admitiu que tinha comprado as entradas pensando em outra pessoa, com quem as coisas também não tinham dado certo. Pobre John. Mas cabe a cada um, e só, sempre, essa luta louca para encontrar um par. Torci para que ele tivesse sucesso em breve. E mais sucesso do que eu.

   Mick Jagger entrou no seu melhor estilo rebolativo sem ginga, com seu shape invejável, seguido pelo sorriso simpático de Keith Richards. Só na terceira música passei a acreditar que eu realmente estava ali naquele lugar privilegiado, esquecendo de tudo. Parecia que, ali, nenhuma dor poderia entrar. Ao meu lado direito, John vibrava e parecia estar tão relaxado quanto eu.

   A primeira metade do show ainda não tinha passado quando as luzes iluminaram a plateia e eu vi, com minha visão periférica, a silhueta familiar. A cabeça redonda parecia a mesma, porém com um pouco mais de gordura acumulada na face. A calvície nas têmporas certamente era mais extensa, mas ainda havia cabelos, brancos. Dr. Professor Lawrence Vittao, o melhor advogado criminalista de Londres, e que havia sido meu professor. Ele estava curtindo. Se não fosse seu rosto notável, jamais o reconheceria.

   Vê-lo ao som dos Stones me fez viajar no tempo, para épocas mais tranquilas e com bem menos coisas em jogo e preocupações do que agora. Meus pensamentos saudosistas foram interrompidos por um ruído forte que vinha de trás do palco e que eu poderia jurar que era alguma coisa metálica pesada caindo ao chão. Uma arma com um silenciador acoplado rolou pelo palco até bater na borda anterior deste, felizmente sem disparar. A maioria das pessoas não viu a arma, ou se viu não identificou o objeto. As luzes se apagaram completamente e senti um medo real, não desses medos corriqueiros, nem só o medo de ter medo. Fiquei apavorada.

   Dobrei levemente o tronco sobre os joelhos e a iluminação completa tomou conta do lugar. Sherlock Holmes pulou do palco, correu até nós, e com cada uma das mãos puxou a mim e ao Dr. Lawrence para o chão.

   ─ Deite-se também! – ele sussurrou na direção de John.

   Não entendi nada, mas ouvi mais três estampidos de balas mandadas sobre as cabeças da plateia.

  

  

       

 

 

  



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