História She's Got Me Daydreaming - Capítulo 22


Escrita por: ~

Postado
Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Donnie Hendrix, Dra. Delphine Cormier, Paul Dierden, Rachel Duncan
Tags Alison, Cophine, Cosima, Delphine, Donnie, Felix, Orphanblack, Scott, Shay, Shaysima
Visualizações 254
Palavras 5.708
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - Wild Thoughts


POV-Cosima

Fiz merda, eu sei.

Quer dizer, fiz mesmo?

Cara, como reagir à algo tão fodido assim? Negar Paul a chance de se acertar com Delphine? Mandar ele ir pra merda porque ela é minha?

Paul é meu amigo, e eu roubei sua mulher, não pedi licença ou por favor. Talvez se eu tivesse ficado no quarto e esperado por ela, assim, quem sabe, teríamos conversado e juntas tomaríamos uma decisão.

PORRA!

Por que sempre tenho que ser tão impulsiva? Pra onde vou agora? Dá pra voltar?

Não imagino minha vida sem Delphine e tal fato me irrita! Sempre tive tantos planos pra mim: terminar a faculdade, viajar um pouco e depois focar na minha carreira. Mas aí ela apareceu, me deixou zonza, manipulou minhas decisões com seu sorriso, desorganizou minha vida com seus olhos e jeito de ser. Agora, estou aqui, perdidinha, confusa e sem saber como lidar com tanta coisa acontecendo.

Tudo era tão simples antes dela. Simples, porém sem graça ou sentido.

Vou voltar e foda-se o Paul.

Eu ainda estava sentada perto das escadas de incêndio, a qualquer momento Delphine chegará no quarto e notará o quão infantil fui.

Abri a porta lentamente, coloquei minha cabeça pro lado de fora e fiquei em silêncio.

Ela chamava por mim desesperadamente.

Droga!

Senti meu celular vibrar muitas vezes, certeza que era ela quem me ligava desconsoladamente.

É melhor sair daqui, conversaremos quando ela se acalmar.

Corri pelas escadas, entrei no primeiro taxi que vi e, por instinto, cheguei ao loft.

A primeira coisa que vi ao entrar foi a bunda pálida de Felix. Pintar pelado é um de seus estranhos rituais.

“Jesus, Fe!” Exclamei ao fechar a porta.

“Cosima, piranha! O que tá fazendo aqui?” Virou-se em minha direção, e agradeci por ele estar usando um avental.

“Longa história...” Coloquei minhas malas em seu quarto e fechei as cortinas, “Mas resumindo, Hannah contou pro Paul sobre meu rolo com a Delphine, aí ele me pediu para me afastar dela, porque ele quer tentar fazer dar certo uma última vez.” Expliquei rapidamente sem pausas para respirar.

“Uau! E o que você fez?” Me olhava com seus olhos repletos de espanto e aquele sentimento de “fodeu”.

“O que eu fiz?” Limpei minha garganta, “Fugi!”

“Você largou Delphine porque Paul pediu?” Seu tom ridicularizava minha impulsiva decisão.

“Sim.” Respondi embraçada.

“Cosima, você é uma idiota!” Ele era tão sútil, “Paul está ficando maluco, ele não tem o direito de decidir com quem Delphine fica ou não, e você não tem o menor direito de ir embora sem ao menos falar com ela.” Ele tinha razão.

“Eu sei! Mas agora a merda já está feita, preciso ficar aqui pra pensar um pouco. Não sei o que fazer. Na verdade, quero falar com Hannah, quero saber o porquê dela ter sido tão filha da puta assim.” Declarei ao me sentar em sua cama bagunçada.

“Queridinha, ela só fez isso porque ficou com raiva. Ainda não aprendeu que mulheres são vingativas?” A quantidade de sarcasmo era totalmente exagerada.

“Tenho certeza que Delphine virá pra cá, Fe. Tenho que sair daqui antes que ela chegue.” Informei pronta para partir.

“Por que não conversa com ela? Para de complicar as coisas, Cosima.” Racionalizou o óbvio.

“Não dá pra conversar agora. Você não conhece ela? Ela deve estar puta da vida, é melhor esperar um pouco.” Expliquei.

“Tá com medo?” Perguntou com ar de riso.

“Morrendo!” Respondi enquanto meu amigo ria de minha fraqueza.

“Ah! Vai tomar no seu cu, né?” Ajeitou as grossas sobrancelhas, “Olha, também acho melhor vocês conversarem depois, mas quando será esse depois? No avião? Em Toronto?”

“Não sei ainda.” Levei minhas mãos à cabeça e cabelo.

 “Me explica uma coisa...” Aproximou-se vagarosamente, “Você simplesmente foi embora? Não falou nada? Não se explicou?”

“Deixei um bilhete.” Esclareci coberta de vergonha.

“E escreveu o quê? Valeu Delphine, foi daora, mas seu ex ainda te ama?” Felix tinha o dom de gozar do meu sofrer.

“Não, né! Escrevi que nada foi além de um sonho.” Pronto, a temporada de risadas exageradas e debochadas estava aberta.

Meu colega de quarto ficava cada vez mais avermelhado por conta de suas gargalhas maldosas.

Por mim, ele podia engasgar na própria saliva.

“Para, Felix!” Demandei furiosa.

“Miga, não dá! Você é muito dramática! Socorro.” Seus olhos lagrimejavam.

“É sério, para com isso, não tem graça.” Seus soluços eram um lembrete certeiro do quão babaca fui ao abandonar Delphine.

“Tá, Tá! Parei.” Se recompôs por uns minutos, até tentou ficar sério, mas falhou. Logo as risadas recomeçaram mais escandalosas do que antes.

Eu apenas fiquei sentada em sua cama, assistindo seu showzinho lastimável.

“Acabou?” Perguntei irritada.

“Ai, ai! Sim, acabei.” Respondeu enquanto procurava o equilíbrio de sua respiração, “E agora? O que você vai fazer? Vai ficar aqui pra sempre ou vai pro aeroporto mais tarde?”

“Não sei ainda, preciso ficar um tempinho escondida, eu acho. ” Expliquei.

“Como quiser. ” Assumiu o controle novamente e voltou sua atenção à sua pintura em progresso.

Não demorou muito para que meus pensamentos fossem invadidos pelo mais puro medo e aflição.

Algum maníaco arrebentava nossa porta com socos irados.

“Caralho! Só pode ser ela. ” Pulei da cama nervosa.

“Calma! ” Sussurrou, “Fica aí, esconde suas coisas e fecha a cortina. Ela não vai te procurar no meu quarto. ”

“Felix, não conte nada para ela, finja que não sabe onde estou...” Virei-me para cama, “Melhor! Aja como se não soubesse de nada, tá? ”

“Está bom, tá bom! Se esconde logo, se não Delphine vai derrubar a porta. ” Ordenou impaciente.

Senhor, por favor, não deixe Delphine entrar aqui. Sou muito jovem para morrer.

As batidas pararam bruscamente.

“Delphine? O que aconteceu? ” Felix é um péssimo ator, tão forçado.

“Cosima! Onde ela está? ” A luz do dia evidenciava as sombras de minha amada caminhando pelo loft.

NÃO ENTRE AQUI!

Levei minha mão a boca para abafar minha respiração, tipo aqueles filmes de terror quando o assassino entra na casa pra matar todo mundo.

Alegoria exagerada, eu sei. Entretanto, foi assim como me senti.

“Não sei, pensei que estivessem juntas. O que houve, Delphine?” Merda! Ela abriu as cortinas do meu quarto.

“Eu não sei, Felix. Tudo estava bem, sai para comprar café, e no caminho de volta ao hotel, avistei Paul saindo do prédio. Quando cheguei no quarto, as malas de Cosima não estavam mais lá. Ela sumiu! Não atende minhas ligações e não responde minhas mensagens. Estou enlouquecendo!” Me partia o coração ouvir sua voz tão tristonha.

O que estou fazendo?

Chequei meu celular, havia 23 ligações perdidas e pouco mais de 15 mensagens, todas dela.

“Paul sabe sobre vocês? Puta merda!” Caralho, Fe! Não force tanto!

“Não sei, Felix! Isso não me importa, só quero saber onde Cosima foi parar. Nosso voo é em algumas horas, não sei o que fazer!” Pude sentir todo o desconsolo e confusão nos seus soluços consternados.

Desculpe, meu amor.

“Calma, Delphine.” Isso, amigo! Conforte ela, por favor!

“Felix, tenho que saber o que houve. Preciso saber onde ela está.” Estou aqui!

A conversa dos dois não se estendeu por muito tempo. Dra. Cormier partiu em sua busca alucinada por mim.

“Mano do céu! Que merda!” Desabei ao sair daquele ninho cheirando à látex.

“Cos! Ela tá acabada! Não é melhor vocês conversarem logo?” Por mais que eu quisesse resolver tudo imediatamente, não dava pra ser assim, não era tão simples.

“Melhor não! Bom, tô indo pro aeroporto.” Anunciei ao pegar minha bagagem.

“E vai fazer o que lá? Seu voo é só à noite.” Perguntou intrigado.

“Não sei! Vou ficar lá no lounge, tentar chamar Paul pra conversar, falar que não vai rolar fazer as coisas do jeito que ele quer.” Clarifiquei sem muita firmeza.

“Mas você vai pro Canada, então?” Levou as mãos à cintura e deu uma quebrada no quadril.

“Sim! Quer dizer, eu decido depois de beber alguma coisa.” Dei um beijo em suas rosadas bochechas e parti.

Solicitei um Uber até o aeroporto.

Demorei um certo tempo até encontrar o lounge VIP, no caminho, presenciei algumas cenas tocantes. Chegadas alegres e despedidas chorosas.

Avistei uma moça muito bem vestida ao lado de uma porta gigantesca.

“Cosima Niehaus.” Informei meu nome à ela para que assim eu pudesse entrar.

Ela me olhou com desdenho, como se fosse impossível alguém como eu frequentar um lugar como aquele.

“Passaporte, por favor.” Enquanto procurava meu documento, senti seus olhos perfeitamente maquiados analisando minhas roupas.

“Aqui está!” Entreguei a ela o que havia solicitado.

Durante alguns segundos, a moça digitava algo em seu IPad. Conferiu meu nome na lista da primeira classe, devolveu minhas coisas e sorriu como se não tivesse me julgado tanto instantes antes.

“Valeu, cara.” Provoquei sem classe alguma.

Involuntariamente, minha boca se abriu. Fiquei maravilhada com aquele ambiente. Havia um bar atrás de um enorme balcão. Mesas, cadeiras, poltronas e sofás. Os garçons vestiam trajes quase tão finos quanto os das pessoas ali presentes. Havia muita comida espalhada por todo lugar.

Eu realmente não pertencia naquele mundinho.

Procurei um cantinho no balcão um pouco afastado dos almofadinhas viajantes.

“Uma cerveja, por favor.” Requisitei ao bartender.

Com meu celular em mãos, li todas as mensagens de Delphine. Ela estava desesperada atrás de mim!

Cosima, você é uma otária!

Procurei nos meus contatos o número de Paul. Precisava acabar logo com aquele joguinho psicológico dele. Meus olhos pousaram no nome de Hannah.

Gostaria de saber o porquê ela foi tão baixa assim.

Eu tinha a tarde toda para me resolver com Paul, então decidi, impulsivamente, ligar para minha ex-ficante.

Ela não demorou muito para me atender. Combinamos de nos encontrar aqui no lounge. Sei que tenho o direito de trazer um convidado pra cá, já que meu amigo viajaria conosco, não preciso gastar meu convite com ele.

 Hannah levou pelo menos vinte minutos para chegar, eu estava na quarta Budwiser.

“Cosima?” Aquele cheiro de framboesa não tinha mais o mesmo efeito.

“Hannah!” Puxei a banqueta ao lado para ela sentar.

“Tudo bem?” O cinismo em sua voz era imundo.

“Claro que não!” Tomei um longo gole de cevada, “Você me fodeu!”

“Eu?” Pior do que uma mentira, é uma mentira mal contada.

“Sim, você! Por que contou pro Paul sobre o que tenho com Dra. Cormier?” Questionei metralhando ódio naqueles olhos esverdeados.

“Cosima, e-eu.” Gaguejou por seu embaraço.

“Eu sei que foi você! Ele me disse tudo!” Declarei antes de terminar a bebida.

“Outra, por favor.” Acenei ao bartender, “O que tenho com Dra. Cormier não é da sua conta.”

“Dra. Cormier? Quanta formalidade para se referir à alguém que você fode.” Eu estava começando a pegar nojo daquela ruivinha sensual.

“Não fale o que você não sabe.” A cevada entra, o ódio sai.

“E eu estou mentindo? Você ficou com ela enquanto estava comigo. Aliás, tenho certeza que só transou com ela para conseguir esse estágio.” Meu sangue borbulhou feito água na chaleira.

“Cala a boca!” Gritei exalando fúria, e pude até sentir os almofadinhas me olhando, “Eu a amo! Você não sabe de merda alguma!”

Aqueles olhos cor de lagoa abriram-se espantados.

“Tudo bem aqui, senhoritas?” Um dos garçons veio checar se chamava a polícia ou a ambulância.

“Tudo sim, Roberto.” Retruquei. E nome do cara nem era Roberto.

“Cosima, o que você viu nela?” Questionou, para minha surpresa.

Como assim o que vi nela?

Lindinha, Delphine Cormier é uma obra de arte. Ela é absurdamente linda, tem uma pele lisa, macia e cheia de pintinhas. Ela é dona do sorriso mais encantador desse mundo, aquelas covinhas, os dentes perfeitos. O cabelo dela é a definição da beleza, às vezes lisos, outras ondulados.

Como assim o que vi nela?

“Você é maluca!” Declarei confiante.

“Ela é velha, cheia de si! É arrogante, vaidosa e...”Manifestou repulsa em seu jovem rosto, “Usa aqueles perfumes fortes para amenizar o cheiro dos cigarros franceses que ela fuma.”

Soco seu olho ou seus dentes?

“Definitivamente, você é maluca.” Tomei outro gole demorado.

“Eu tenho muito mais a te oferecer. Nos damos tão bem juntas, nossa idade nunca vai ser um problema, e não sou comprometida.” Acrescentou ao se aproximar e tocar em minhas mãos.

“Hannah!” Como um rato fugindo do gato, me distanciei, “Para com isso!”

“Cosima, você tá tão cega por ela! Não vê que todo esse amor é apenas tesão, um fetiche somente porque ela é mais velha, mais experiente, além de ser sua professora e chefe.” Sua lógica era a mais ilógica deste mundo.

De repente, aquela mulher em minha frente já não era mais bela, chamativa e apaixonante.

“Eu a amo por ser exatamente o que não sou! Ela é alguém fora do ordinário, não é nenhuma dessas coisas que você citou! E além do mais...” Cheguei perto de seu ouvido, “Ela não é comprometida com Paul, e sim comigo!”

Notei a familiar forma com a qual o corpo de Hannah respondia enlouquecidamente por minha aproximação, então ainda ali ao pé de seu ouvido, sussurrei baixinho...

“Você não é um terço de Delphine Cormier.” E feito um assassino profissional, matei todas suas esperanças.

Afastei-me ligeiramente para assistir sua ruína.

Mulheres realmente são muito vingativas.

Lágrimas indesejadas limpavam gradualmente a vergonha em sua espantada face.

“Um dia você vai arrepender, Cosima.” Hannah se levantou e logo sumiu de minha vista.

Eu não precisava ser tão cruel, mas algo dentro de mim grita alto quando o assunto é Delphine. É algo incontrolavelmente perigoso.

As horas foram passando enquanto as cervejas faziam efeito. Embriagada em meus pensamentos exaustos, sentei em uma poltrona, o que me levou a um sono profundo.

Simplesmente apaguei durante a tarde toda. Um dos garçons, educadamente, me trouxe de volta a realidade.

“Senhorita?” Senti um leve toque em meu ombro.

“Senhorita Niehaus?” Minha boca estava largamente aberta.

“Opa, opa.” Me assustei após o terceiro toque, “Que horas são?” Havia saliva ressecada no canto de meus lábios.

“Fomos informados que seu voo sairá agora.” PUTA MERDA!

“AH! Okay, valeu.” Levantei rapidamente sem me preocupar com minha aparência.

Busquei por meus documentos e celular, Felix, Delphine e Scott haviam ligado inúmeras vezes.

Disquei por meu colega de quarto, quem me atendeu furioso.

“PIRANHA!” Quase estourou meu tímpano direito, “Onde você está?”

“Caralho, Fe! Tô chegando no portão, calma.” Exclamei ao apressar meus passos.

“Você tem noção do quão irresponsável é?” Odeio seus sermões hipócritas.

“Faço de propósito, tá? Acabei de despachar minhas coisas, tô chegando.” Eu já podia ver sua magra estrutura distante.

“Vou matar você!” Desligou a ligação com a sutileza que só ele tinha.

“Tô aqui, lindinho.” Comuniquei ao ser agarrada por seus braços musculosos.

“Delphine tá doida, e Paul está com ela.” Informou ainda me apertando com força.

“Ele está indo também?” Perguntei confusa.

“Sim.” Soltou-me bruscamente, “Agora entra lá, só falta você.”

“Puta merda! Será que devo mesmo ir?” Questionei encarando seus olhos escuros.

“Cosima, chega de ser indecisa. Entra logo, se não te carrego até sua poltrona.” Ameaçou tirando meu passaporte de minhas mãos.

“Tá bom, tá bom.” Uma mulher sorridente olhou para meu documento e depois em minha direção.

“Tudo certo, Senhorita. Boa viagem.” Devolveu meus pertences de maneira apressada.

“Bom, é isso!” Exalei amedrontada.

“Sim! Vou sentir sua falta, piranha” Felix segurou suas lágrimas, mordeu seus grossos lábios e acenou enquanto nossa distância aumentava vagarosamente.

Ao final do corredor, fui recepcionada por uma bela aeromoça que guiou-me até meu assento.

“Sente-se imediatamente, Senhorita.” Requisitou impaciente.

“Hey, Scotty” Meu parceiro olhava pela janela ao seu lado.

“Cosima! Onde estava?” Perguntou surpreso.

“Bebendo no lounge.” Expliquei enquanto apertava meu cinto de segurança.

“Delphine está louca atrás de você.” Informou sem saber os reais motivos do desespero de nossa chefe.

“Tô sabendo.” Sondei os arredores lentamente até reconhecer o cabelo loiro.

Delphine sentava ao lado de seu ex/futuro namorado.

Senti o ciúme subitamente engrossando meu sangue.

Ela não me viu, não me sentiu.

O avião decolou trazendo vários sabores e sensações. O desconhecido era, com certeza, meu favorito. Não saber o que será de mim, não ter a menor ideia do desenrolar de minha trama. Tudo era tão novo, mas ao mesmo tempo incrivelmente familiar.

“Tá ansioso?” Perguntei à Scott, quem não desgrudava seus olhos da tela.

“Pra caramba!” Respondeu ofegante, “E você?”

“Também! Quero ver o laboratório, os apês, tudo!” Declarei momentos antes de perceber o alerta do piloto.

“Nada como uma turbulência para agitar as coisas, hein?” Brinquei destemida.

“Não adianta querer me assustar. Fiz minha pesquisa, as probabilidades de queda são maiores pelo uso do celular do que por turbulência.” Ele parecia tão orgulhoso de si mesmo.

“Parabéns pelo conhecimento inútil.” Congratulei falsamente.

Eu ainda olhava para meu amigo quando senti a drástica aceleração de meu pulso.  

Delphine e toda sua ira me analisavam friamente.

“Dra. Niehaus, precisamos conversar!” Tão discreta que doí.

“Dra. Cormier, a Senhora deveria sentar. Não vê o aviso do piloto?” Provoquei com ousadia.

Em poucos segundos, minha amada começou um pequeno caos. Paul e a comissária de bordo insistiram para que ela sentasse, porém, continuou a hesitar até tomar conta de sua cena desnecessária.

Delphine estava completamente fora de si, e a culpa era toda minha.

Sei que temos de conversar, mas não no avião. E não sei ao certo o que fazer em relação à Paul. Ele implorou para ter mais uma chance, como negar algo assim? Mas como aceitar esse tipo coisa?

MERDA, MERDA, MERDA!

Preciso de uma bebida.

Após assustadores minutos de balanço conturbado, pedi duas taças de vinho. Scott me acompanhou, e antes de terminar seu drink, dormiu feito um bebê.

Senti uma enorme vontade de ir ao banheiro, então obedeci minhas necessidades fisiológicas.

Nunca havia viajado de primeira classe, era incrível a distinção do ambiente, das poltronas, dos passageiros e até mesmo do toalete.

Ao finalizar minhas coisinhas, abri a porta despreocupada. Mal eu sabia que seria surpreendida por aquela fúria ambulante.

Delphine usou toda sua força para me lançar à parede, tapou minha boca com uma de suas mãos me fazendo inalar seu arrebatador aroma com aquela agressiva aproximação.

 Seu efeito é feito magia negra.

 “Você vai me ouvir e depois vai explicar o que aconteceu!” Ordenou impaciente, “O que houve? O que Paul te disse?”

Droga! Não posso me render tão facilmente.

Ou posso?

“Delphine! Você é louca!” Gritei para disfarçar minha fraqueza.

“Resposta errada, Dra. Niehaus!” Pressionou ainda mais minha estrutura contra a parede, “O que houve com você? Por que foi embora?”

Não era possível ter uma conversa civilizada dentro de um banheiro tão pequeno.

“Ele apenas abriu meus olhos, Delphine!” Menti.

“Como assim?” Era nítido o desespero em seu timbre alterado.

“Não quero estar com você!” E o Oscar vai para...qualquer outra pessoa.

“Não?” Riu maliciosamente, “Então você não me deseja mais?”

Porra, eu conheço esse tom.

FORÇA, COSIMA!

Seus lábios finos e famintos pousaram em meu delicado pescoço.

“Não almeja meu toque?” A suavidade de suas mãos invadiram meus seios por debaixo de minha blusa.

SANTA MERDA!

Respira, respira.

“Não te excito mais?” Lambeu minha pele exposta à debilitação.

Não quis, mas gemi por seu nome.

“Oi, Cos! Estou aqui.” Tomou o direito de me enlouquecer quando encontrou um caminho estratégico até minha ensopada vagina.

É, agora fodeu.

“Pare de mentir, Cos!” Seus longos dedos dançavam sensualmente com meu clitóris.

É fácil me render a ela. Quase impossível evitar minha queda em seus penhascos. É extremamente simples sucumbir a esse desejo brutalmente fatal. Entretanto, vasculhei em minhas células, qualquer vestígio de meu autocontrole.

 “Chega!” Empurrei seu corpo para longe do meu.

“Pare de ser infantil, Cosima! Volte pra mim!” Seu jeito dominador era um prato cheio de tesão.

“Não, Delphine! Eu não quero.” Deveria ter feito aula de teatro quando pude, pois sou, claramente, uma péssima atriz.

“Eu sei que isso não é verdade.” Apossou-se meu espirito com sua língua sorrateira derretida em um beijo sabor saudade.

Estava tão entregue ao nosso momento que quase não percebi o amargo gosto em sua boca.

“Você bebeu?” Segurei sua alta estrutura em minhas mãos.

“Só um pouquinho!” Sem a menor fração de vergonha, admitiu.

“Um pouquinho, meu cu! Delphine, você não pode beber!” Tive que me afastar para não dar na cara dela.

“E você não pode me abandonar! Além do mais, senti o gosto de cerveja em sua língua!” Mesmo estando errada, Delphine Cormier encontra um jeito de estar certa. Cretina!

“Mas eu não estou grávida.” Chupa!

“Por que foi embora?” Captei a exaustão de sua dúvida.

“AH!” Suspirei tão fadigada quanto minha amada.

Se a verdade fosse dita ali, Cormier perderia a cabeça com Paul e revelaria nosso segredo à Scott.

Mais uma mentira, porém, tem de ser bem contada dessa vez.

“Você me ama! Pare de fingir que não, pois isso é simplesmente patético.” Cada passo que ela tomava em minha direção evidenciava minha impossibilidade de aceitar nosso patético término.

“Eu te amo, Delphine! Caralho, eu te amo pra porra! Mas não quero ficar com você” Confessei algo desonesto em aversão ao único sentimento concreto em todo meu ser.

“Por quê?” Perguntou desoladamente.

Aquele momento era meu. Minhas próximas palavras teriam dois possíveis efeitos, eu apenas precisava me decidir.

Estudei nossa atmosfera com rapidez.

Minha seguinte declaração não significou nada. Tanto eu quanto Delphine sabíamos que apenas mentiras sairiam de minha boca. Porém, não adiantava lutar por nós naquele minúsculo ambiente flutuante.

“Porque não quero ser mãe de um filho que não é meu.” Nenhuma silaba, vogal ou consoante foi real. Mesmo assim, o resultado foi assombroso.

Enquanto Dra. Cormier permanecia boquiaberta, parti apressadamente e sentei em minha poltrona. Scott ainda dormia em completa sanidade. Invejei meu amigo, mas me neguei à guerrear uma batalha a cada segundo.

Delphine passou por mim rapidamente e se aconchegou em seu assento.

Pedi outra taça de vinho e aguardei ansiosamente para que o avião pousasse logo. Este, certamente, foi o voo com mais turbulência que já presenciei.

Ao chegarmos em Toronto, fomos recepcionados por dois motoristas do instituto. Scott e eu fomos levados para nossos apartamentos. O dele ficava em frente ao meu.

Já era tarde, porém mesmo cansada, não poupei o restante de minha energia para investigar meu novo lar. Ele é maior do que imaginei, cinco Cosimas poderiam viver tranquilamente aqui.

Há uma espaçosa cozinha americana próxima à uma mesa de vidro cercada por seis cadeiras brancas. A sala de estar contém uma quantidade exagerada de poltronas. E alguns passos ao norte levam ao um ambiente para estudos, com laptop, estante de livros, mesa e cadeira industriais. Há três quartos espalhados pelo apartamento e uma suíte com varanda voltada para o esplêndido Lago Ontario. A decoração de minha nova casa é muito moderna, porém não tem muito a minha cara, entretanto, aos poucos vou moldando o lugar.

As enormes janelas evidenciavam toda a beleza da cidade naquela noite solitária. E durante alguns segundos, imaginei o que Delphine estaria fazendo.

Será que Paul conseguiu o que queria?

Será que eles estão...?

Porra! Chega de pensar merda.

Tudo o que acontecer daqui pra frente será a repercussão de tamanha infantilidade contida em minhas impulsivas decisões.

A única coisa que realmente espero é que Delphine seja feliz, independente das escolhas que fizer. 

Deitada em minha vasta cama cheguei à seguinte conclusão: O que o amor tem de egoísta, ele tem de hipócrita também.

 A manhã mal havia começado quando ouvi a campainha tocar.

Uau! Fazia tempo que não ouvia esse som.

Scott não aguardou pela restauração de meu equilíbrio, e já foi adentrando minha privacidade.

“Cosima, você só acordou agora?” Questionou ansiosamente.

“Cara, eu nem sei que horas são!” Afirmei ajustando meus olhos à claridade.

“Estamos atrasados, o Kevin já está nos esperando.” Informou impaciente.

“Ah! O Kevin já tá aqui?” Perguntei interessada.

“Sim, Cos.” Respondeu.

“Scott, não sei quem é o caralho do Kevin.” Comuniquei em ar de riso.

“Porra! Ele é o motorista da Dyad! Vai se trocar logo.” Esclareceu, “Estou descendo, não demore.”

Desde quando ele é tão mandão assim?

Escovei os dentes enquanto analisava minhas roupas.

O que vestir em meu primeiro dia de trabalho?

Hum...

Optei por um leve vestido azulado e sapatos confortáveis.

Ao lavar meu rosto, ligeiramente fiz minha usual maquiagem, arrumei meus dreads e passei um perfuminho.

O tal do Kevin estava puto por esperar tanto.

“Qual parte do ‘não demora’ você não entendeu?” Scott já estava começando a me irritar.

“Vai se foder pra lá, cara.” Bufei ao me ajustar no banco.

O dia estava claro, belo e morno. Toronto merecia um prémio por ser tão encantadora. As árvores são cheias de vida e cor por aqui. Os pássaros não são tímidos ou desafinados. A brisa é calma e certeira. Me apaixonei pela cidade sem ao menos me esforçar.

Ao chegarmos no instituo, recebemos nossas credencias e partimos ao encontro dos outros cientistas. Fiquei chocada por ser a mais nova entre eles, quer dizer, havia uma estagiária com a mesma idade que eu, mas ainda assim me senti um pouco insegura.     

Dr. Silva, Dr. Nealon e Dra. Coady trabalharam com Delphine durante muitos anos. Eles formavam a equipe escolhida à dedo por Dr. Leekie. Mal contive a excitação ao ouvi-los apresentarem seus currículos impecáveis. A estagiária no meio deles, tinha um nome muitíssimo estranho, Mud. Pelo o que entendi, ela apenas trabalhava como escrivã e secretária. Não auxiliava nos experimentos, porém detalhava cada um deles nos relatórios. Achei seu jeito um tanto quanto gracioso. A moça tinha um sorriso de dentes brancos perfeitos e um astral bem acolhedor. Era altamente previsível que nos daríamos bem, o que também significa que Delphine iria surtar de ciúme desnecessário.

Vamos nessa!

Alguns minutos passaram-se vagarosamente. Nos encontramos com os Doutores Leekie e Cormier, eles nos apresentaram o novo laboratório. Scott e eu ficamos maravilhados com aquele enorme pedaço de paraíso tecnológico. O pessoal da Brown ficaria se mordendo de inveja se pudesse ter a mínima noção do quão incrível esse lab é. Aliás, todo instituto é fantástico, como se tivesse sido feito para levar qualquer cientista à loucura.

Após sermos levados por Mud em um tour muitíssimo interessante, nos encontramos, novamente, com a equipe em uma sala extremamente elegante. Dr. Leekie apresentou seus planos, agenda, e os perfis das cobaias humanas. Instantaneamente, lembrei das piadas de Donnie a respeito dos experimentos ilegais que a Dyad supostamente fazia.

Céus, mal cheguei ao Canadá e já estou nostálgica assim? 

Fomos dispensados na parte da tarde para que pudéssemos nos preparar para o coquetel de boas-vindas à noite.

“Precisa de companhia?” Mud perguntou quando chegamos ao estacionamento.

“Ah! Seria legal.” Seria mesmo, Cosima? Pensa na dor de cabeça que isso traria.

“Beleza!” Seu sotaque era similar ao meu, mesmo com as pequenas variações na pronuncia.

“Cadê o Kevin?” Scott realmente gostava desse cara.

“Tá apaixonado, migo?” Provoquei em meu melhor tom de deboche.

“Cala boca, eu só preciso ir ao banheiro.” Retrucou irritadinho.

“Olá de novo, pessoal.” Gracie, a assistente de Aldous, apareceu do nada, “Vocês terão seus próprios carros. Fizemos a transcrição de suas cartas de motorista, está tudo validado para irem e virem quando quiserem.” Nos entregou os documentos junto com as chaves.

Dois Buick Lacrosse modelo 2017. Um na cor preta, e o outro verde escuro.

“Caralho.” Foi umas das únicas vezes que ouvi Scott falando palavrão.

“O preto é meu!” Informei ao entrar naquele elegante veículo.

“Tanto faz.” Meu amigo confessou honestamente.

“Dr. Smith, siga-nos, eu sei o caminho até o prédio de vocês.” A estagiária informou ao firmar-se como minha copilota.

“Você não mora no mesmo prédio?” Questionei tentando manter meus olhos na pista.

“Não!” Riu inocentemente, “Os apartamentos são apenas para os cientistas. Você tem que ver o edifício dos outros doutores, é de tirar o folego.”

“Como assim?” Indaguei curiosa.

“O resto da equipe mora mais perto do instituto, os apartamentos são gigantescos.” Acrescentou com uma dose de fascinação.

“Entendi.” Declarei antes de voltar minha total atenção à rua, não queria causar nenhum acidente de trânsito no meu primeiro dia aqui.

Estacionamos o carro, subimos no elevador, e nos separamos de Scott.

“Caramba, seu apê é irado!” Afirmou analisando o ambiente.

“Pois é!” Sorri em resposta.

“De verdade, é iradasso.” Seu vocabulário é realmente parecido com o meu.

“Valeu.” Agradeci enquanto manuseava o alto-falante próximo à televisão.

“Sinta-se em casa, pode pegar o que quiser beber.” Comuniquei amigavelmente.

“Pode deixar.” Diminuiu a distância entre nós, “Posso escolher a música?”

“Claro.” Entreguei meu IPod a ela.

Mud não demorou muito para decidir o som que suavizaria o embaraço de nossa atmosfera.

“Eu amo essa aqui.” Pousou o aparelho sobre a mesa e começou a cantar em sincronia com Robyn em “Call Your Girlfriend”.

Mensagem subliminar ou paranoia minha?

Enfim...

Tomei uma rápida ducha, e com a ajuda de minha mais nossa amiga, escolhi o traje da noite. Ela também começou a se preparar para o evento. Banhou-se e pegou emprestado um de meus vestidos.

Enquanto a música tocava alto, beliscamos diversas comidas na geladeira, bebemos refresco de vinho sabor cereja e fizemos a maquiagem uma da outra.

“Você manda muito bem no delineador, Cosima.” Declarou olhando para o espelho.

“Anos de prática.” Sorri despreocupada, “Pode me chamar de Cos. É menos formal.”

“Você é quase minha chefe, mas eu gosto de Cos.” Informou após terminar sua bebida.

“Real, sou quase sua chefe.” Gargalhei em evidencia àquele fato despercebido por mim.

Mud procurou por batom em sua bolsa, acidentalmente deixando cair seu papel de fumo.

“Merda!” Bufou apavorada, “Não conta pra ninguém.” Implorou ao recolher seu pertence do chão.

“Você fuma?” Perguntei surpresa.

Não manifestou uma só palavra, apenas acenou a cabeça.

“Daora, eu também curto.” Confessei sorrindo.

“Sério?” Seu tom soou aliviado e alegre na mesma medida.

“Porra, claro que sim. Não reparou nisso?” Segurei uma parte de meus dreads para confirmar o estereotipo.

Rimos por alguns minutos até a tentadora vontade nos invadir. Bolei um baseado com confiança, e junto à minha “funcionária”, fui até a varanda para queima-lo. Tragamos e conversamos por um certo tempo, e não demorou muito para entrarmos na vibe. Entretanto, já estava tarde, não podíamos nos atrasar para o coquetel. Então, mesmo chapadas, nos encontramos com Scott no estacionamento e partimos para o instituto.

Havia muitos rostos desconhecidos bebendo e comendo com vontade. A música estava muito boa para ser ignorada e não queríamos que os outros cientistas reparassem em nossa criminosa atmosfera.

“Vocês não vão cumprimentar o pessoal?” Meu ansioso amigo perguntou.

“Nem.” Retrucamos em sintonia.

“Vocês estão chapadas?” Questionou levemente raivoso.

“Não!” Rimos exageradamente denunciando nossa incrível condição.

“Vocês são malucas.” Scott fez questão de se distanciar de nós para evitar confusão com nossos superiores.

Covarde!

Não notei o tempo passando enquanto dançávamos sem moderação, bebendo champanhe para auxiliar nossos rebolados criativos.

Feito tesoura afiada em papel frágil, minha brisa foi cortada por Delphine e seu ciúme.

“Dra. Niehaus, posso falar com você um instante?” Perguntou em tom de ordem.

“Dra. Cormier, é algo relacionado ao trabalho?” Eu sabia exatamente o que ela queria.

“Sim, porém é algo confidencial.” Analisou minhas curvas sem a menos discrição, “Venha!”

Não sou louca de desobedece-la em dado contexto.

Paramos em frente ao banheiro. Foi tipo Déjà Vu. Nosso histórico em toaletes parece até fetiche.

Dominadora do jeito que só ela consegue ser, ordenou para que eu entrasse. Mesmo hesitando um pouco, no fundo, tudo o que eu queria era obedecer cada uma de suas ordens.

Ao adentrarmos o local, fui consumida por pensamentos selvagens.

 Delphine trancou a porta rapidamente e veio em minha direção com as mesmas perguntas de antes. Evitei responde-las, porém não fui capaz de resistir ao seu desesperado sentimento de posse. Debochei de seu ciúme causando um misto de sensações entre nós. Ela, estrategicamente, me acurralou entre a parede e a pia, pousou uma mão em minha cintura e a outra me cercou sedentamente.

“Fale, Cosima. O que te fez ir embora?” Caprichou na pressão explosiva entre nossos corpos.

“Paul vai te pedir em casamento.” Revelar tal fato tirou, o que pareceu ser, toneladas de meus ombros fatigados pelo arrependimento.

Delphine não aparentou surpresa ou interessada no pedido.

“E o que te leva a pensar que aceitarei?” Lambeu minha pele com propriedade.

“Ele me pediu para dar uma chance à vocês dois.” Cerrei os olhos para aproveitar cada sensação proporcionada pelo calor de sua língua.

“Não faça mais isso!” Chupou minha carne, “Entendeu?” Não contive um só gemido.

Dra. Cormier me fez pedir desculpas pelas mentiras que contei, e até mesmo por me aproximar de Mud, como se ela significasse qualquer tipo de perigo. A real é que minha mulher não bate bem da cabeça, mas eu a amo mesmo assim.

Conforme nos beijávamos, nossos dedos e mãos brincavam em nossos corpos feito amigos de infância. Estávamos completamente submersas àquela gravidade primitiva e totalmente querida por nós. Eu a tocava com tanta saudade e ela uivava em nostalgia.

Delphine entregou sua alma à mim e me permitiu fazer o mesmo com ela. Eu a penetrava faminta e ela imitava cada movimento meu. A lubrificação de nossas vaginas ficava cada vez mais ensopadas. E o mais breve pensamento era assustadoramente bestial.

“Preciso te devorar.” Confessou ofegante.

“Então vem!” Levantou minha estrutura até a pia, puxou a barra de meu vestido e abocanhou minha sensível carne.

Levei minhas mãos ao alto e tentei não gemer tão ferozmente.

Enquanto sugava cada gota minha, aterrissou sua brincalhona mão em meu seio.

Repleta de artimanhas fatais, Dra. Cormier não poupou esforços para me fazer perder o controle. Me lambia, me chupava o íntimo, e penetrava meu interior de maneira prazerosa, bruta e delicada, leve e pesada, suja e pura. Entretanto, não era vulgar a forma com a qual me tocava, pra ser sincera, era linda e preciosa, digna de ser rebobinada igual clássicos cinematográficos.

Mordendo meus lábios para liberar todo meu conteúdo em sua silvestre boca, tive um último pensamento. Este não era apenas selvagem, ele era, também, totalmente descomplicado: Delphine Cormier é minha mulher, e não há nada e ninguém que possa nos destruir, que seja capaz de descodificar cada fração de desejo, fragmentar uma só vontade ardente, apagar até a menor das deliciosas lembranças dos indomesticáveis momentos vividos por nós.

 Sou dela da cabeça aos pés, e ela é minha de corpo e alma. 



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