História She's so cold - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Personagens Chefe Hopper, Dustin, Eleven (Onze), Jonathan Byers, Karen Wheeler, Lucas, Mike Wheeler, Nancy Wheeler, Will Byers
Tags Dustin Henderson, Eleven, Lucas Sinclair, Mike Wheeler, Mileven, Stranger Things
Exibições 114
Palavras 3.217
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Fluffy, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Música título do capítulo:
Rolling Stones - Start me up

Boa leitura!

Capítulo 2 - Start me up!


Fanfic / Fanfiction She's so cold - Capítulo 2 - Start me up!

Dustin tinha pego o Monza preto do pai. Fico imaginando como ele convenceu o pai a emprestar o mesmo, porque era um carro muito bom e Dustin, era uma espécie de perigo ambulante. Meus pais jamais me emprestariam o carro, porque diziam que se emprestasse para mim, tinham que emprestar para Nancy e futuramente para Holly. E pra Nancy diziam a mesma coisa. Mas nós sabíamos do que eles estavam falando.

Eu sentia minhas pernas bambas dentro do carro. Me senti tão idiota por isso. O nervosismo vinha em ondas grossas, e eu estava respirando ofegante. A festa da Hayes era no mesmo bairro, eu não tinha muito tempo para recuperar meu estado normal até chegar lá. Porém, Dustin não parava de tagarelar.

-Maninho, vamos ficar longe do olhar da Jennifer...

-Claro, ela vai expulsar a gente se nos ver lá.

-Não, não é pra tanto, ela não é uma gatinha tão má assim – Dustin buzinou para um carro que andava devagar a nossa frente.

-Gatinha? Não é tão má? Estamos falando da mesma Jennifer? – Ironizei.

Dustin riu um pouco e isso me aliviou. Quando percebi, já estávamos no gramado verde e largo que era a casa dos Hayes. Tinham tantos carros espalhados ao longo da rua que parecia mais um festival do que uma festa. Ajeitei meu cabelo no retrovisor e saltamos do carro. Tínhamos estacionado o carro no fim da rua, porque além de não ter vagas por perto, Hayes não teria oportunidade de reconhecê-lo.

-E se a gente bater na porta e a anfitriã vir abrir?

-Não vem – Dustin respondeu convicto – Tem mais de duzentas pessoas aqui. Além disso, ela deve estar ficando com algum dos caras do basquete no quarto dos pais. – Ele tocou a campainha.

Um cara de moletom com capuz abriu a porta. Parecia um pouco bêbado e tinha um cigarro no canto da boca. Atrás dele, tinha tanta gente que me pergunto como couberam naquele espaço.

-Onde está a Jennifer? – Dustin perguntou enquanto entrávamos.

-Tá com o Simons, o do basquete, lá em cima – O cara respondeu, se afastando de nós.

-Eu disse – Dustin fechou a porta atrás de nós e sumiu em meio as pessoas.

Não gosto de beber. Não sei porque as pessoas bebem, eu acho particularmente muito ruim. Mas eu queria me entrosar mais do que qualquer coisa, e acho que é melhor circular sozinho com um copo de cerveja do que com uma cara amarrada.

Era fisicamente impossível andar em meio a toda aquela gente e não encostar em ninguém, mas fui me esgueirando o máximo possível até chegar numa mesa grande que estava no centro da sala. Tinha várias travessas com salgadinhos e copos vermelhos de plástico, todos com cerveja até a borda, quase derramando. Peguei um copo e dei um gole. Gelada. Olhei em volta, e todo mundo parecia estar conversando, ou andando com alguém e eu estava sozinho.

Comecei a pensar qual era o melhor canto de parede para se estar naquela casa, e virei toda a cerveja em uma única vez. Peguei outro copo e saí de perto da mesa.

 

UM SEGUNDO ANTES

Quando me afastei alguns passos da mesa, esbarrei numa garota.

Não qualquer garota, ela era diferente. O ar dela era diferente, o sorriso, os olhos, não sei. Só sei que me senti anestesiado, apesar de ter derrubado toda a minha cerveja nela e ela ter derrubado a dela em mim. Ela me olhou com aqueles olhos grandes e ansiosos e deixou um sorriso escapar. Aquilo meio que me aqueceu apesar de estar molhado. Devolvi o sorriso.

-Me desculpa – Soltamos ao mesmo tempo.

-Não, eu não estava prestando atenção nenhuma, eu me perdi da minha prima, eu não conheço muita gente aqui.

-Eu conheço e posso garantir que você não está perdendo nada. – Respondi e ela riu. Ok, agora sou Michael, o cara engraçado.Gostei disso.

-Vamos lá fora pra secar as roupas? – Sugeriu.

-Tudo bem. – Tentei responder com o máximo de naturalidade possível.

Eu não estou indo pra parede, estou indo pra fora com uma garota. Tudo bem que derramei cerveja nela e estamos indo nos secar, mas não me importo.

Ela pegou outros dois copos de cerveja e me ofereceu um. Quase soltei “Não quero cerveja nenhuma, só estava tentando não parecer um idiota deslocado.”, mas o que eu disse foi “Obrigado.”, e então seguimos para fora da casa, e nos sentamos nos degraus na frente da porta. O gramado estava úmido, e apesar da plateia de carros, não havia nenhuma pessoa por ali. O céu não tinha lua, mas estava cheio de estrelas.

Aquela garota era diferente de tudo que eu já vi. Ela tinha um cabelo curto que batia nos ombros nus, cobertos apenas por alças finas de uma blusa vinho. O nariz arrebitado, covinhas, um olhar curioso, um sorriso largo e convidativo. A blusa estava colada no corpo por estar molhada de cerveja. As pernas juntas do corpo, cobertas de jeans detonado, e os braços enlaçando as pernas dobradas, as unhas pintadas de vermelho... Quando ela pôs uma mecha de cabelo para de trás da orelha, eu tive certeza de que ela era uma música do Morrissey que havia fugido do papel.

-Hein? Fala alguma coisa! – Ela me deu um cutucão e quando puxou o braço para si de volta, a alça da blusa tombou pro lado, caindo para longe do ombro. Ela não percebeu.

-Falar do quê? – Perguntei, apreensivo. Tomei um gole da cerveja.

-Você mora aqui há muito tempo?

-Desde que nasci. E você?

-Eu sou nova por aqui... – Ela estava virada pra mim, pro meu lado. Fiquei pensando porque uma garota tão bonita tinha parado pra conversar comigo, e achei engraçado, curioso.

-Você gosta do Morrissey? – Arrisquei com medo de que o assunto entre nós se perdesse.

-Muito. Eu adoro o Morrissey – Ela devolveu com um sorriso.

Tentei a todo custo não olhar pra blusa molhada dela. Não quero ser um idiota tarado. Porque essa garota está conversando comigo? Não vou olhar... Não vou olhar.

-O que você está olhando?

-N-N-Nada... É que a sua blusa está molhada. – Minhas bochechas queimaram, juro que senti elas arderem. Fiquei com vontade de sair correndo e ir pra casa. Minha casa nem é longe... Eu posso dar um salto e fugir...

-A sua também, ué... – Ela riu. Deu um gole descontraído na cerveja e soltou as pernas.

Estava um pouco frio e começou a ventar. Não acredito que essas coisas aconteçam comigo. Ficou um frio desconfortável.  Dei outro gole na cerveja. Percebi que o vento tinha bagunçado os cabelos dela, as mechas curtas pareciam brigar entre si, como a Medusa. Dei uma risadinha devido a esse pensamento idiota, e ela me lançou uma expressão de dúvida.

Dei outro gole na cerveja. Gosto de pensar que estava bebendo coragem. Eu estava me inflando, me tornando pedra. Um tapa não pode ser tão ruim, Dustin toma vários todos os dias. Ri internamente. Os olhos curiosos continuavam a me fitar. Bebi o restante de cerveja que tinha no copo, e o deixei de lado. Minha mão parecia pesar uma tonelada, mas a levei de encontro aos cabelos dela. Os fios macios obedeceram ao meu toque, mesmo se bagunçando um pouco devido a brisa insistente.

Me inclinei devagar e selei meus lábios com os dela. Inicialmente, pensei que minha bochecha fosse arder em brasa por um tapa. Mas ela correspondeu.  Fiquei tão tenso e nervoso, que precisava me segurar em alguma coisa antes que eu me mijasse nas calças. Enlaçei sua cintura com o braço e a puxei para mais perto. E ela veio. Ela simplesmente veio. Acho que me sinto mais seguro agora.

Não sei explicar o que estava acontecendo. É estranhamente incrível. Eu estava beijando uma garota, mas tenho que deixar claro que não era uma garota aleatória. Será que meu inconsciente escolheu essa garota para derrubar cerveja? Sei lá, só pra ter um bom motivo de afastá-la de todos aqueles idiotas que estavam lá dentro... Porque eu tenho absoluta certeza de que se pudesse escolher qualquer garota desse lugar, ainda seria ela.

Ela se afastou devagar e me lançou um sorriso. Respirei ofegante, mas tentei fingir que aquilo era comum pra mim. Não sentia meu corpo da cintura pra baixo. Começei a rir de nervoso.

-O que foi? – Ela colocou a mão no meu joelho. Minha perna pegou fogo quase que imediatamente. Respirei fundo.

-N-Nada. – “Respira. Inspira. Respira. Inspira.”

-Qual seu nome? – Ela insistia em conversar comigo. Talvez não conseguisse perceber que eu estava morrendo por dentro.

-M-Mike. – Foi tudo o que consegui dizer.

-Mike... É um nome fofo. Combina com você.

 

“Fofo”

“Combina com você”

Ok, é uma realidade que eu tenho que aceitar. As garotas me acham fofo. Tudo bem me acharem fofo e apertarem minhas bochechas desde que me beijem depois. É, Dustin, você estava errado. Não é tão ruim assim, na verdade, estou pensando em como isso poderia de alguma forma ser ruim.

Ela me beijou. Eu não esperava mesmo que ela me beijasse. Fiquei com medo de morder a língua dela, como a Stephanie fez comigo. Me mantive calmo, vigilante comigo mesmo. “Tenho que ir com calma.”  Minha mão pousou na coxa dela, coberta de jeans. Esperei um tapa. Nada. Tudo bem, posso ficar aqui. Tive medo dela perceber que eu tremia um pouco, principalmente quando ela colocou a mão na minha nuca. Uma mão pequena, meio gelada por segurar um copo cheio de cerveja, alguns minutos atrás.

Um baque. Foi tudo o que ouvi antes de me separar daquele corpo. A porta se abriu, Dustin estava do lado de uma garota magra e alta, de cabelo castanho comprido escorrendo pela blusa. A garota ao meu lado se ergueu, ficou de pé. Vi sua silhueta contornada de luz, a alça da blusa caída, a cintura marcada. Lá dentro tocava Rolling Stones, “Start me Up”, o som abafado me atingiu em cheio:

“Não faça um homem crescido chorar,

Meus olhos dilatam, meus lábios ficam verdes,

Minhas mãos estão suando,

Ela é uma máquina malvada,

Ligue-a”

 

Ela me lançou outro sorriso antes de entrar. Fez um tchau, abrindo e fechando a mão. Se desvincilhou de Dustin e sumiu. O perfume adocicado serpenteava em minhas narinas. Fiquei desnorteado, e me encostei na varanda de madeira construída junto ao degrau.

 

“Você faz um homem crescido chorar,

Você faz um homem crescido chorar...”

 

Parte de mim ainda tentava entender o que tinha acontecido, foi tudo muito rápido. Eu beijei uma garota? Bem, aquela garota? Odeio bancar o idiota, mas era bom demais pra ser verdade. Eu ainda estava em êxtase. Ou podia ter sido um sonho... Olhei para a superfície de madeira atrás de mim, um degrau mais alto, e tinham dois copos vermelhos vazios. Não foi um sonho. Tenho que encontrá-la.

-Aproveitamos bastante, hein, maninho?! – Dustin finalmente se pronunciou. Apontou os dois indicadores pra mim e fez uma dancinha esquisita.

-Sim, definitivamente. – Me levantei, eu ia procurá-la.

-Onde você está indo? – Ele me segurou pelo braço.

-Você me fez perder aquela garota de vista.

-Vamos pra casa, amanhã tem aula.

Quê? Dustin preocupado com escola? Estreitei os olhos. Isso nunca aconteceria nesse mundo verde de Deus. Se alguém perguntasse a Dustin a matéria que estávamos estudando, ele passaria uns bons vinte e cinco minutos pensando e falaria: “Inglês?”.

-O que aconteceu?                                                                                                    

-Eu quebrei um vaso, um vaso grande lá dentro. Se a Jennifer souber, vai mandar arrancar as minhas bolas – Ele falou nervoso, procurando as chaves no bolso.

-Como você fez isso, Dustin? – Perguntei incrédulo.

-Ah, eu estava com uma garota, e... – Continuou falando enquanto andávamos até o fim da rua, em direção ao carro.

-Mas que merda! Que tipo de vaso?

-Sei lá, você acha que eu entendo dessas coisas? – Saltamos pra dentro do carro – Mas era maior que nós dois... Uma coisa azteca, não sei...

-Mas se era maior que nós dois, deve ter feito um barulho infernal – Dustin acelerou, enquanto eu olhava pros degraus da casa de “Jennifer, A chata” – Ninguém viu que foi você?

-Tenho cara de amador? – Ele dirigia nervoso, sem me direcionar o olhar – Tinha um cara muito bêbado do lado. Acharam que foi ele.

-E a garota?

-Ela era burra como uma porta. Estava do meu lado e achou que tivesse sido o bebum. – Finalmente Dustin esboçou um sorriso.

-Você não existe! – Inicialmente ri sozinho, mas logo fui acompanhado por Dustin. Mordi meus lábios por alguns segundos. Eu ainda podia sentir ela por perto. Ainda podia sentir o gosto quase surreal daquela noite.

 

Quando cheguei em casa, corri pro banheiro e tomei um banho gelado. Precisava me livrar daquele cheiro de cerveja ou minha mãe iria perceber e fazer algum tipo de palestra para uma pessoa só, no caso eu, de como o álcool entra na sua vida, e de como beber é um passo paras as drogas, porque segundo ela “Você bebe só um copo de cerveja, e no dia seguinte está caído num banheiro de metrô, morto, com uma seringa cheia de heroína enfiada no braço”.

Enquanto a água caía sobre minha cabeça, recapitulei tudo que havia acontecido naqueles poucos minutos. Era imbecil, mas eu conseguia lembrar de cada detalhe ou ação daquela garota. Eu queria conhecê-la. Eu precisava. Eu queria sair com ela, ou simplesmente conversar, sem estar nervoso demais e falar abobrinhas. Me dei conta de que nem ao menos sabia o nome dela e entrei em desespero.

Saí do chuveiro o mais rápido que pude,  vesti uma calça de moletom e uma camiseta. Sequei os cabelos com uma toalha e fui até ao telefone, com um sanduíche de geleia e pasta de amendoim na mão. Dei uma mordida. Liguei para Dustin.

-Residência dos Hendersons.

-Posso falar com o Dustin? – Perguntei de boca cheia, pensando que se fosse pessoalmente, eu jamais abriria a boca cheia de comida perto da mãe de Dustin, porque provavelmente ela passaria álcool em gel nas mãos, na minha cara, dentro da minha boca e depois com o que sobrasse, ela tentaria a todo custo limpar cada molécula presente entre nós dois.

-Só um minuto – Ela se afastou do bocal do telefone, mas não o suficiente – DUSTINNNN, MIKE ESTÁ NO TELEFONE. DIGA PRA ELE NÃO LIGAR DEPOIS DAS DEZ!

Eram nove horas.

-E aí, cara, algum problema na Wheelerlândia? – Dustin falou ofegante, devia ter descido as escadas correndo.

-Tenho um problema – Informei, dando outra mordida no sanduíche – Aquela garota, mais cedo...

-Aquela que você tava dando uns amassos? – Ele falou tão alto que aposto que todos que estavam presentes na sala ouviram.

-Exatamente – Falei, ainda mastigando – Eu não sei o nome dela.

-Quem te viu e quem te vê, maninho! – Bradou – Antes morreria só de chegar numa garota, e agora pega sem nem saber o nome!

-Não é isso, Dustin! Eu fiquei nervoso e esqueci de perguntar.

-Ah, tá. – Ele pareceu desanimado – E o que você quer?

-Não é meio óbvio? – Me irritei – Eu preciso encontrá-la. Preciso saber o nome dela.

-Pra quê?

-Não sei. Eu quero conhecê-la. Eu gostei dela, Dustin.

-Você nem conhece essa garota. Nem sabe se ela escuta Cindy Lauper ou se ela é alérgica a nozes, vai com calma.

-Ela gosta de Morrissey. – Informei.

-Eu também.

-Eu sei, Dustin! Eu sei! – Deixei o sanduíche de lado – Seguinte, você vai me ajudar ou não?!

-Vou, cara! Mas para de neura! “Eu preciso conhecê-la”! “Eu preciso encontrá-la”! Ela não morreu, você conheceu ela hoje! Isso aqui não é “Ponte para Terabítia”!

Bufei.

-Tudo bem, eu entendo. Uma garota te beijou por livre e espontânea vontade e ela nem tinha herpes bucal... Estranho mesmo. Deixa comigo, vou perguntar ao Troy, ele sempre sabe de tudo. Como era a roupa dela?

-Calça jeans. Blusa vermelha.

-Vermelha? Só isso? Não tem mais detalhes?

-Era um vermelho meio vinho, e tinha alças finas. Ela também tem o cabelo curto, um pouco maior que o meu.

-Ah, lembrei! – Dustin soltou uma risada - Se você colocasse uma das roupas da Nancy, e saísse com essa garota, iam ser o casal de lésbicas mais gostosas que eu já vi.

-Vai se foder! – Bati o telefone na cara de Dustin.

 

Demorei pra pegar no sono, naquela noite. Fiquei um tempão olhando pras irregularidades do teto, olhando pras paredes, pra porta. Hawkins é uma cidade tão pequena, que me pergunto como não havia visto aquela garota antes. Em Hawkins você conhecia todo mundo, inclusive as pessoas que você fazia questão de não conhecer. Qualquer coisa que você fizesse, a cidade inteira sabia, sendo boa ou ruim, pequena ou uma catástrofe.

Uma vez, quando eu e Dustin tínhamos onze anos, colocamos na  cabeça que poderíamos construir um foguete. Só que Dustin nunca esteve em perfeitas condições mentais e eu acredito que eu também não, porque mesmo vendo as ideias doentias do meu amigo, ainda embarcava nas furadas. Pensamos que um foguete de papelão nunca iria ser resistente o suficiente para ir até a lua sem bater em cometas, asteróides e todas as outras pedras incendiárias e coloridas que pulavam de lá pra cá em meio a via láctea.

O que nós fizemos? Nós tentamos fazer do carro do meu pai um foguete. Eu sei que é idiota, mas o que me conforta é lembrar que tínhamos onze anos. Percebemos que os foguetes tem uma cauda que é uma chama, como fogo, pelo menos nos desenhos. Dustin acelerou o carro e eu coloquei fogo na traseira. O resto, eu não vou contar porque não precisa. Três meses de castigo para os dois. E sem mesada.

O fato é que todo mundo sabia. A cidade inteira. Crianças e adultos riam de nós por essa ideia brilhantemente idiota. Nos chamavam de astronautas até dois verões atrás, quando a piada ficou velha e chata. Parece que todo mundo esqueceu, o que é uma sorte e tanto, já que a Sra Sanders, bibliotecária, foi abandonada no altar quando eu nem era nascido, nos anos sessenta ou algo assim, e minha mãe e todas as suas amigas a chamam até hoje de “A encalhada” pelas costas.

 

Tive um sonho. No sonho, aquela garota de ontem a noite, aparecia no meu quarto e nós nos beijávamos na minha cama, até minha boca ficar dormente. Depois ela dizia, que não existia e depois dizia que na verdade, ela era o Dustin. Acordei apavorado, as cinco da manhã e bebi dois copos de água seguidos, afim de recuperar minha sanidade mental.

Me arrumei o mais rápido que pude, e peguei minha bicicleta. Fomos caminhando lado a lado, mãos e guidão, até a entrada da minha casa, onde eu esperava Dustin. Max não estava no gramado naquela manhã.

-E AÍ, MANINHO?! – Dustin apareceu no começo da rua, pedalava rápido como se o mundo fosse acabar. Achei que ele demoraria mais a vir, estávamos adiantados vinte minutos, sem ter combinado nada.

-O que houve? – Perguntei.

-Tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim, qual você quer ouvir primeiro? – Ele respirava com dificuldade. A testa molhada de suor, as bochechas coradas.

-Você nunca percebeu que eu odeio esse tipo de pergunta? – Respondi ansioso – Diz logo.

-Bem, o nome da sua princesa perdida – Ouvi sarcasmo em sua voz – É Eleanor. Eleanor Ives.

-Eleanor...– Balbuciei.

-A boa notícia, é que ela mora bem perto de você – Ele hesitou por um momento – A má notícia... É que ela é prima da Max.


Notas Finais


O próximo capítulo sai em breve, aguardem e me perdoem pelo Dustin <3
Twitter: @FinnSkada
Instagram: @FinnLoboduro

Até breve!


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