História Shingeki No Ghoul - Capítulo 36


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan), Tokyo Ghoul
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Beast Titan, Connie Springer, Daz, Dot Pixis, Eld Jinn, Eren Jaeger, Erwin Smith, Gunther Schultz, Hange Zoë, Historia Reiss, Ian Dietrich, Jean Kirschtein, Keith Shadis, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Mike Zacharius, Oluo Bozado, Personagens Originais, Petra Ral, Reiner Braun, Rico Brzenska, Sasha Braus, Ymir
Tags Ackerman, Armin, Asamoah, Attack On Titan, Balas Q, Bikaku, Connie, Emerick, Emerick Asamoah, Eren, Ghoul, Homem Trans, Kagune, Kakugan, Kakuja, Koukaku, Kyojin, Kyokin, Levi, Lgbt, Mikasa, Mikasa Ackerman X Sasha Blouse, Mikasa X Sasha, Quinque, Representatividade, Representatividade Lgbt, Representatividade Negra, Representatividade Trans, Rinkaku, Rivaille, Sasha Braus, Shingeki, Shingeki No Kyojin, Tokyo, Tokyo Ghoul, Trans*, Transgênero, Transmasculino, Transsexual, Ukaku, Yaoi, Yuri
Exibições 18
Palavras 2.500
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Canibalismo, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aviso de conteúdo: não vi nada demais, se virem algo por favor me avisem -qq

Eu tava com o título da DLC de The Last of Us na cabeça ("Left Behind"), aí me inspirei (leia-se copiei desavergonhadamente) o nome :v

Capítulo 36 - Deixados para Trás


"Temos pouco tempo até chegarem", penso.
- Me espere aqui – falo a Lucas, enquanto subo as escadas e começo a organizar minhas coisas. Algumas trocas de roupa, cápsulas de gás do DMT, minha faixa reserva. Não tenho muito, de qualquer forma. Quando estou terminando de jogar tudo dentro da mochila, escuto o ranger de uma porta se abrindo e uma pequena confusão no andar debaixo. Reviro os olhos.
- Lucas, deixe os humanos em paz!
- Eles que começaram! – responde o garoto, à distância.
- EMERICK! – grita Eren, furioso. Rindo secamente, abro a porta desço as escadas. Encontro o meu primo curvado numa estranha posição de ataque, com os dois tentáculos levantados e os olhos à mostra, de um lado da sala de estar. E do outro, o grupo de Levi.
- Que merda você está fazendo aqui, monstro? – pergunta Levi, num tom bastante amigável, como é de costume para ele. Normalmente, teria respondido com um sorriso irônico, mas olhar pra sua cara de nojo me lembra do conflito antes da aparição daquele chimpanzé tamanho jumbo. Me lembra de Erwin, Agatha, Ludwig e Stas. E consequentemente, me lembra que Sun está morto. Então, mantenho a expressão dura de mal humor enquanto mostro a mochila.
- Vim buscar minhas coisas – replico, num tom calmo, enquanto agarro Lucas pelo braço e o faço se levantar – guarda isso. A gente não vai lutar. Não agora.

Automaticamente, Auruo, Eld e Gunther sacam suas espadas e apontam em minha direção.
- Nós passamos as últimas 48 horas combatendo o grupo de titãs mais furioso já visto e não teremos problema algum em acabar com a sua raça, monstro – sibila Auruo, em seu tom arrogante de sempre.
- Ah, é mesmo? – empurro Lucas para trás e revelo minha nova kagune – quem quer morrer primeiro, então?

Eren se coloca entre mim e seus companheiros. Sua expressão de determinação suicida continua lá, como sempre.
- Oh, outro não-humano quer comprar briga – ironizo – mas esse ainda pensa que é humano. Lucas, volte para o carro.
- Porque? – pergunta meu primo.
- Porque vamos falar de putaria e criança da sua idade não pode ouvir – aponto minhas lâminas de meio-kakuja para o pescoço de Eren. Petra surge de trás do rapaz e toca minha kagune cintilante e o sabre levantado de Eren, nos fazendo abaixar as armas.
- O que você vai fazer? – pergunta a garota, calma. "Ao menos existe UM humano não-suicida nessa tropa", penso, ironizando surpresa.
- Infernizar São Petersburgo. – tenho a sensação de que a minha língua está torta, enquanto falo essas palavras.
- Primo, isso não é...
- Cala a boca, Lucas.
- Você não quer lutar conosco? Não vai mais matar Erwin? – continua Petra. Sorrio, recuperando minha ironia habitual.
- Tenho cara de quem estava blefando? Claro que vou. Só que não vou fazer isso agora. Quer dizer, tente ver do meu ponto de vista: de um lado, tenho uma cidade inteira me convidando pra melhor festa do século. Do outro, tenho um milico ignorante com tecnologia de Idade Média à disposição – "mas admito que as DMTs são geniais", completo em pensamento.
- Nesse trabalho, as chances de morrer são...
- Me poupe – interrompo, ferino – nenhum chefe vai para as linhas de frente. Eles sacrificam as vidas de seus subordinados e se mantém vivos através de seu poder e sua covardia. E depois, limpam sua consciência dizendo para si mesmos que sua vida é mais importante.

Guardo a kagune. Ela me irritou de verdade, agora. Não sei bem o motivo.
- Como estou com preguiça de limpar minhas botas depois, vou ignorar o ímpeto suicida de vocês e sair daqui sem arrancar seus membros. Considerem-se sortudos.

***

UM ANO E MEIO DEPOIS

***

Dezoito meses. É o tempo que estamos fora das muralhas, isolados da humanidade – ao menos, da parte mais inútil da humanidade, ou seja, os vivos. Ou melhor, estávamos dentro das muralhas, mas na parte dominada pelos titãs, então não é o mesmo que "fora".
- Me pergunto se a gente pode se alimentar da carne dos titãs – comentara, certa vez.
- Não podemos – Ivan respondera quase de imediato – na nossa viagem até aqui, passamos muita fome. Tentamos nos alimentar deles, mas era como comer uma casca fina de carne estufada de ar. Chegamos a devorar um titã de cinco metros inteiro e era como... como nada. Literalmente nada. Dava pra sentir aquela coisa dissolvendo na nossa boca antes mesmo de engolirmos.

Isso foi logo quando deixamos as muralhas. Me passara essa ideia pela cabeça após ver que alguns humanos são capazes de se transformar, e após a aparente transformação de alguns humanos em titãs. Minha preocupação era conseguir alimento para todos, mas conseguimos nos virar.

Foi um ano e meio bastante produtivo. Mesmo que Stas e Ludwig nunca tenham esquecido do que fiz com Agatha, acabaram por ficar no grupo. Todos aprenderam a usar a DMT, um pouco de artes marciais e melhoraram seu desempenho em combate com a kagune. Ludwig demorou quase seis meses para conseguir revelar sua ukaku – sim, ele possui o mesmo tipo de RC que eu e Sun. Esses ghouls chegaram aqui sem ideia alguma de como se defender. Em 18 meses, adquiriram capacidades decentes: e Ludwig e Yakubovich realmente me surpreenderam. Ambos possuem um talento natural para o DMT. Não chegam ao meu nível ou de Mikasa, mas são muito bons e possuem ótimos reflexos.

Meu objetivo foi cumprido. São Petersburgo não deu as caras até hoje e, estando totalmente alheio aos humanos dentro das muralhas, não faço ideia de como anda a situação com o chimpanzé de 20 metros.
- Para onde você vai? – pergunta Ivan. Nesse nosso último dia em grupo, me mantenho isolado. Distante da fogueira grande e chamativa onde os outros se aquecem. Relembro com um sorriso nostálgico todas as vezes que precisamos reabastecer o nosso gás: invadíamos o território humano e fugíamos sem ser detectados. 
- Para onde você vai? – devolvo a pergunta, destacando o “você”.
- Voltar lá pra dentro, eu acho – diz o russo, dando de ombros – não sei. Nossa pequena vila secreta deve estar lá, ainda. Ninguém vai nos incomodar.
- Suas vidas pertencem somente a vocês. Façam bom uso delas – murmuro.
- Você está fazendo um bom uso da sua?
- Estou. Ao menos, o melhor possível.
- E para onde você vai, Emerick? – Ivan soa bastante sério, agora. Nesse ano e meio, meu único contato foram meus sete companheiros ghouls. Reflito que nunca estive tanto tempo cercado por tanto homem cis. Me sinto até meio gay. Esse pensamento me faz rir por dentro.
- Vou pro inferno, que é o meu lugar – replico instintivamente, exteriorizando minha risada. Ivan não parece achar muita graça, no entanto.
- Você vai voltar para São Petersburgo, não é?
- Vou – me lembro imediatamente de Sun. Fecho a cara – é minha definição de "inferno".
- Se quiser, vou contigo – ergo as sobrancelhas, sem deixar de reparar na mudança de atitude do russo. Quando chegou, dizia que nunca voltaria para lá. Reflito que, de alguma forma, devo ter conquistado sua fidelidade.
- Fique aqui. Você não vai querer ficar no fogo cruzado. Além disso... – Lucas é, até hoje, o único a saber do fato de eu ser um meio-kakuja. Eu não pretendo ir até lá e simplesmente transformar aquilo num inferno: pretendo também completar minha transformação.

Pode parecer estúpido, mas não quero ter minha imagem com Ivan e os outros arruinada. Ludwig e Stas nunca perdoaram o fato de eu ter assassinado Agatha, mas não é o que me atinge. É algo diferente. Não sei bem como explicar, porque eu também não entendo. Na verdade, sequer me importo em entender.
- “Além disso”...? – Ivan espera minha continuação.
- Vocês vão poder viver em paz, agora. E saberão se defender. Eu vou ir até lá para vingar meu irmão e garantir que eles nunca cheguem até esse lugar.
- Não é você quem odiava os humanos? – provoca Ivan, com uma risada divertida e até mesmo inocente. Nada parecido com a malícia que eu e Sun sempre esbanjamos. Pensar o nome dele é como uma facada no peito.
- Não estou fazendo pelos humanos – retruco – e sim porque esse é o único lugar que já conheci onde ghouls possuem o direito de viver em paz. Eles estão quietos há mais de um ano, não sabemos o que estão planejando, mas eu vou garantir que não vão chegar aqui. De jeito nenhum.
- São Petersburgo é um império. Eles já conquistaram outras cidades humanas – informa Ivan – Toivoa foi a quarta, pelo o que me lembro. Não sei muito a respeito, porque vivi a vida toda isolado numa cela, mas sei que uma das cidades que eles conquistaram só possuía cajados, porretes e arcos para se defender.
- E o que isso tem a ver? São Petersburgo não vai passar de cinzas daqui alguns anos – minha voz sai baixa e feroz – eu matei dois kakujas sozinho. E mais de vinte caçadores, sem sequer um arranhão.
- No seu corpo, pode ser que não... mas e o seu coração? – solto uma risada alta.
- Isso foi muito clichê – provoco – só falta se ajoelhar para mim e me dar uma aliança pra me pedir em casamento, com uma orquestra romântica de fundo. Eu sei que sou lindo e maravilhoso, então não precisa ter vergonha de se apaixonar por mim – a expressão de Ivan muda para... arrependimento? Indiferença? Não sei se é um olhar distante ou triste. Não sou capaz de lê-lo.
- Não diria “maravilhoso”, mas sim, você é ótimo no que faz.
- Eu sou foda.
- Sim, claro. Você é foda.
- Ainda bem que sabe – concluo, com um sorriso malicioso, e me levanto esticando os braços atrás das costas – vá logo curtir sua paz com os outros – “eu vou ter uma longa guerra para enfrentar”, completo em pensamento.

Dizendo isso, me afasto de Ivan, indo na direção oposta do resto do grupo. Nesse momento, estamos acampados nas ruínas de um antigo vilarejo abandonado na invasão de alguns anos atrás, quando a humanidade perdeu a muralha mais exterior. É onde estivemos nos últimos cinco meses. Dormimos nas camas ainda em bom estado no que parece ter sido uma pousada.

É para onde vou. Deixando as risadas e o bom humor dos outros para trás, ignorando sua felicidade tola e passageira, seu alívio e segurança por estarem entre amigos. Sua confiança pela habilidade que agora possuem de se defender. Esses sentimentos não são para mim. Minha felicidade é sinistra e macabra demais. Meu alívio reside no sadismo de ver a dor dos que me fizeram mal. Minha segurança é proporcional ao poder e tamanho da minha kagune e à minha habilidade para usá-la. Minha confiança existe apenas como combustível para sobreviver – o que não passa de um eufemismo estúpido para “matar quem tentar se opor a mim”.

Acendo as lamparinas do meu quarto. Só meu. Com uma cama só minha, e pertences apenas meus. Um luxo que nunca tive: fosse dividindo apenas com Sun, fosse com o resto da família ou os vários recrutas do 104º esquadrão, a experiência de possuir algo exclusivo foi algo novo com que tive que me acostumar nesses últimos meses. E não importava com quantas pessoas eu dividisse o quarto, ou com quem, havia uma figura que sempre estava lá. Um rosto negro, esguio, de cabeça raspada. Acendo a lamparina, como sempre esperando ver um beliche com Sun na parte de cima, pronto para me cumprimentar e soltar algumas besteiras por aquela boca enorme que ele costumava ter. E assim como nas trocentas vezes anteriores, me decepciono.

Foco, Emerick. Foco.

O quarto estava bem conservado, mas totalmente sujo e empoeirado quando cheguei. Talvez tenha sido a influência de Levi, mas não relaxei enquanto não lavei os lençóis e tirei todo o pó da cômoda, criado-mudo, chão, estantes e armário. Havia alguns livros e trocas de roupa abandonadas, por lá. Encontrei também um revólver com algumas munições molhadas e inutilizáveis, uma caixa de ferramentas, um cofre com um pouco de dinheiro e uma boneca de pano.

Entre os livros, havia encontrado um diário e uma caneta quase cheia. Apenas as duas primeiras páginas continham escritos, numa letra tão garranchosa que era quase impossível ler. As arranquei sem dar a menor atenção ao que o antigo dono da caderneta havia escrito. E agora, ela será bem útil. Acendo uma vela na lamparina tremulante e a coloco sobre a escrivaninha, ao lado do bloco já aberto. Me sento na cadeira dura de espaldar reto e me ponho a escrever.

Lucas,

Estou partindo agora. Não sei se voltaremos a nos ver algum dia, e foi por isso que eu te trouxe para cá. Minha ideia sempre foi a mesma: te tornar o novo guardião da família. Eu fiz o melhor que pude para te indicar o caminho, mas preciso que você continue sozinho agora. Sempre treinando e melhorando. Esteja sempre alerta, e nunca confie em ninguém de fora da nossa família. Nem humano, nem ghoul; nem mesmo os seus outros companheiros daqui. Não venha atrás de mim. As coisas vão ficar feias, do meu lado. É possível que vocês consigam viver em paz para o resto da vida, mas nunca confie cegamente nessa hipótese, nem se cinquenta anos se passarem sem nada acontecer. Lembre-se que os humanos são uma raça podre e não merecem nem um pingo de confiança, mas não se esqueça de que, sem a carne deles, nós não vivemos. Portanto, caso você veja a possibilidade dos humanos daqui serem extintos, lute com toda a sua ferocidade para mantê-los vivos. Eles são o seu rebanho. Mas tome cuidado para não revelar sua identidade sem necessidade. Mantenha-se em segredo, e se for preciso matar um, dois, cinco, dez ou cinquenta humanos para mantê-lo, você deve fazer isso sem hesitar. Eles podem não possuir quinques ou o conhecimento de como nos matar, mas esteja sempre preparado para tudo. (PS: separe esse bilhete dos dois abaixo. Não os deixe ler o que escrevi para você).

Tio Hermann, eu nunca havia te dito antes, mas Agatha está morta. Eu vi seu corpo em São Petersburgo. Não se preocupe, acredito que ela não sofreu. Havia apenas um ferimento pequeno e profundo na lateral da cabeça. Deve ter sido pega por um tiro de bala Q. Provavelmente, sofreu morte imediata.

Vó Mary, eu realmente espero que você possa viver em paz, nesses seus últimos anos. Você sabe que eu detesto falar sobre como me sinto, mas sempre odiei ter que te assistir enterrando seus próprios filhos e netos, de novo e de novo, sem nenhuma razão aparente. Aqui, eles não irão nos caçar. Vocês estão em segurança, mas eu tenho contas para acertar. Desculpe por isso. Prometo que estarei em segurança e sobreviverei. Farei o possível para voltar antes de você morrer, e se não conseguir, irei visitar seu túmulo. Juro pelo meu nome que nada de ruim vai acontecer comigo. Estarei sempre pensando em vocês e mandando boas energias. 

Emerick.


Notas Finais


Então, Emerick voltará para São Petersburgo e Lucas não o acompanhará.
Como ficará a família de Emerick, sem ele???
E os outros ghouls de dentro das muralhas???
Qual será o destino de Riquinho na Russolândia????
E o destino da própria Russolândia?????
Acontecer-se-á algo ao nosso delíc.... quer dizer, heroi, em seu caminho para São Petersburgo?????
Não percam, no próximo episódio :v


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...