História Shout At The Devil. - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Exibições 62
Palavras 3.643
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Xeque-mate.


Fanfic / Fanfiction Shout At The Devil. - Capítulo 13 - Xeque-mate.

Eu me sentia fraca, não conseguia dormir. A imagem de Castiel não saia da minha cabeça, meu estômago rodava a noite toda, e Armin dormindo tranquilamente ao meu lado mostrava que apenas eu estava sentindo como se o mundo fosse acabar.

Quem era Aria? Quem era... O Castiel? E por Deus! O que havia me levado até la. Onde estava Rosalya?

Quando dei por mim, já estava em pé no banheiro enquanto tentava não fazer barulho ao chorar. Eu precisava admitir, havia fracassado. Eu não fazia a mínima ideia de onde Rosalya estava, e sabia que Kentin não havia feito nada com Audrey, o pobre rapaz iria apodrecer na cadeia por algo que não cometeu.

As lágrimas insistentes caiam, enquanto eu encarava uma imagem minha no espelho completamente sem esperança.  

Peguei meu celular e desbloqueei rapidamente a tela, me dando o exato horário das 3:12 da madrugada. Eu não queria dormir, e por algum motivo, meu corpo sabia que eu não podia dormir.

Resolvi telefonar para a única pessoa do mundo que sei que me confortaria naquele momento, estava tarde, eu sei, mas Lysandre sempre me disse que eu poderia telefonar a qualquer momento, então, esse é o momento.

Mas a ligação sequer chamou, caindo na caixa postal logo em seguida.

— Merda... — Murmurei confusa, encarando a tela. Procurando o nome de Leigh nos contatos.

Liguei para o irmão mais velho de Lysandre e esperei apenas três toques para que a voz sonolenta atendesse.

— Lynn?...

— Leigh? Olá! — Respondi nervosa. Sabia que era falta de educação ligar aquele horário, mas queria saber de Lysandre.

— Tudo bem? Lysandre está bem? — Ele perguntou parecendo estar mais acordado.

Franzi a testa de maneira confusa enquanto mordia o lábio de forma nervosa. Ele achava que Lysandre estava comigo?

— Ah, Lysandre ainda não voltou?

— Não, desde que foi até ai. Achei que ele estava com você, ele me disse que tentaria te convencer a voltar ou ele mesmo ficaria ai, então, suspeitei...

Respirei pesado no telefone, sentindo minhas pernas bambearem por alguns instantes.

— Eu ligo mais tarde, Leigh, desculpa ter te acordado. — Disse já desligando o celular rapidamente, ouvindo um “Espera, Lynn!” Rápido antes que a ligação se desse por completada oficialmente.

Aquilo não podia estar acontecendo. Eu não posso também ter perdido Lysandre.

Troquei minhas roupas rapidamente, colocando uma calça jeans rasgada, uma bota de cano baixo, e uma jaqueta preta fechada por cima de uma blusa básica branca. Eu não sabia o que iria fazer, não tinha certeza, mas eu iria até a casa de Castiel. Seja o que for que estiver acontecendo, ele ia me falar naquela noite.

Peguei as chaves do carro de Armin silenciosamente para não acordá-lo. Eu o adorava, mas não estava disposta a ir com ele resolver isso. Era um assunto meu. Beijei delicadamente sua bochecha antes de deixar aquele quarto de hotel que eu estava chamando de casa há semanas.

 

[...]

 

 

Eu nunca havia reparado o quanto o caminho para a casa do Castiel era totalmente assustador à noite, o silêncio era quase nulo, a não ser pelo som de algumas corujas que rondavam o local. Por que alguém insistia em viver assim? Por que Castiel era daquela maneira?

Parei o carro bruscamente na frente de sua casa. Batendo a porta forte antes de sair, eu não estava nem ai se o acordaria, aquela era a intenção de qualquer forma, ele precisava me ouvir e eu precisava de respostas. Aquele sentimento era torturador, eu estava completamente perdida psicologicamente falando, meus amigos estavam sei lá onde e eu me sentia incapaz de tudo.  

Bati na porta da frente com força, mas ninguém abriu. Quando girei a maçaneta, como esperado, estava trancada. Ele não estava em casa, que porra de lugar ele estaria ás três da manhã?!

Andei até a parte de trás da casa, onde dava entrada para a porta dos fundos, fui até uma janela e rezei para que estivesse destrancada.

Bingo!

Subi o pesado objeto de vidro e entrei no local logo em seguida, parecendo uma completa criminosa. Mas pelo menos eu sabia que ninguém iria chamar a polícia, afinal, Castiel morava literalmente no meio do nada! Nem vizinhos ele tinha!

Eu andava pela grande casa perdida, sem saber ao certo o que queria fazer. Subi as escadas correndo e batendo em todas as portas na esperança de Castiel estar por lá. Ele iria me contar tudo que eu queria saber.

Cheguei à última porta do andar de cima, aquela que seria seu quarto, mas estava trancada.

Aquilo parecia até ser uma piada! A não ser pela janela, a casa estava totalmente trancada. Por que fechar a porta do próprio quarto nessas circunstâncias? Não havia ninguém lá dentro que pudesse entrar!

— Bom, agora tem. — Disse para mim mesma enquanto encarava a maçaneta da grande porta na cor vermelho escuro.

Desci as escadas novamente com rapidez, e peguei o primeiro objeto pesado que vi em minha frente. Subindo novamente em seguida e fazendo o que queria fazer há tempos. Quebrar a droga daquela maçaneta.

Eu não estava ligando para a privacidade de ninguém, eu não estava ligando para mais nada.

Entrei no quarto escuro, com a luz vinda somente de uma enorme lareira. A cama gigantesca com cobertores escuros, as paredes em vermelho e preto. Aquilo parecia o esconderijo do Drácula! Era totalmente desconfortável analisar o local, tudo parecia ter saído da ideia média.

Caminhei lentamente enquanto observava tudo aquilo, sentindo arrepios passar por toda a minha espinha. Havia uma estante gigantesca com várias gavetas, e uma estava entre aberta.

Aproximei-me um pouco relutante, começando a me sentir mal por alguns segundos por invadir o quarto de alguém assim, mas ele me devia respostas.

Toquei a gaveta semiaberta e encarei seu fundo, havia...

— Cabelos? — Murmurei quando coloquei minha mão ao fundo, abrindo a quarta gaveta por inteiro.

Eram mechas de cabelos, totalmente separadas com um tipo de fita que continuam nomes. As cores e os tipos de cabelos variavam, de rosa e azul, para castanho e loiro, todos com seus nomes marcados. Nomes femininos.

Comecei a respirar pesado, enquanto lia todos os nomes ali presentes, era tantas mechas que era extremamente fácil aquilo virar uma completa bagunça.

Fechei a gaveta e logo em seguida abri outra qualquer, que me parecia ser a quinta.

Mais e mais cabelos, mais nomes. Que merda era aquela? 

Puxei a primeira gaveta e a fiquei nas pontas do pé para poder ver o que havia dentro, eu não era alta o suficiente, então, em um movimento totalmente impulsivo e com raiva, eu a puxei com força, a fazendo cair no chão e espalhar as varias mechas de cabelo pelo chão.

Agachei-me e comecei a passar a mão pelas mechas enquanto tremia. O que era aquilo? O que estava acontecendo?

Comei a pegar um por um rapidamente enquanto lia os nomes.

Bethany; loira

Alicia; tingidos de azul

Camila; castanhos

Dara; ruiva

Dyana; ruiva

Livia; loira

e... Rosalya; prateado.

Meu estômago se virou completamente e eu não consegui segurar o vômito naquele momento, deixando que todo o líquido amargo escorresse pela minha garganta enquanto eu ainda estava agachada, segurando o cabelo prateado em minhas mãos.

— R-rosa? — Eu soluçava enquanto chorava, sentia que meu corpo estava deixando os meus comandos e meu coração parecia se despedaçar a cada instante que passava. A dor que eu sentia naquele momento era indescritível, e eu não sabia como agir.

— Rosa... Rosa...

Eu chorava ainda mais, chorava forte, alto, só queria gritar.

— ROSA! — Gritei aos céus ou a qualquer coisa enquanto chorava como uma criança. Os cabelos jogados no chão marcados estavam me fazendo perder o total controle. Guardei a mecha de cabelo da Rosalya dentro do bolso da minha calça e com dificuldade me levantei, andando enquanto chorava e totalmente desequilibrada até a estante. Puxando as gavetas e as jogando com força no chão, fazendo com que todos os cabelos caíssem no chão. Peguei uma que ainda estava cheia e joguei dentro da lareira, bufando de raiva.

Joguei-me novamente no chão, passando a mão rapidamente pelo o que agora era um chão repleto de machas de várias formas diferentes.

Helena; tingidos de rosa.

Marcela; loiros.

Julia; loiros

Audrey; negros.

— Audrey? — Murmurei com a boca trêmula pelo choro, enquanto minhas mãos tremiam da mesma forma. Não podia ser... não podia ser.

— Sim, Audrey.

A voz masculina rouca e com raiva estendeu-se por todo o quarto, colocando um silêncio absurdamente torturador em seguida. Minha respiração ficou ainda mais pesada e eu encarei a minha frente, sem ter coragem para olhar para trás. Eu sabia de quem era aquela voz.

— Nunca te ensinaram que invadir casas era um crime, Lynn? — A voz de Castiel falava com toda a raiva do mundo, fazendo cada pelo do meu corpo se arrepiar de forma nervosa. Eu não fazia ideia do quanto era a aproximação dele sobre mim naquele momento, mas tinha medo de virar meu rosto para checar.

— O que você fez com elas? — Perguntei ainda trêmula e em completo choque, sentada no chão com o cabelo de Audrey em minhas mãos.

— O mesmo que fiz com todas.

A voz dele era doentia, sem um pingo de sentimento sobre aquilo tudo.

Virei meu rosto lentamente para a sua direção, percebendo que ele estava em uma distância considerável de mim, ainda parado na porta, enquanto eu estava no centro do quarto. Mas a sensação de tranquilidade na medida do possível, se foi embora quando o encarei.

Castiel estava completamente sujo de sangue, segurando um facão que escorria sangue pelo carpete e sua mandíbula, completamente travada pelo ódio. Em sua outra mão, um saquinho plástico pequeno guardava uma mecha de cabelo ainda solta, da cor castanha.

Me levantei rapidamente, colocando minha mão sobre a boca enquanto chorava desesperadamente, andando a passos curtos para trás.

— O QUE VOCÊ É? — Gritei. — O QUE VOCÊ FEZ COM A ROSALYA?

Meu som era angustiante, completamente desesperador. A cena era horrível, Castiel não mexeu sequer um músculo enquanto me observava entrar em pânico, sua expressão era totalmente de ódio, e seu rosto sujo de sangue pulava conforme as veias de sua testa pareciam querer explodir.

— O mesmo que devia ter feito com você há tempos. — Ele disse ainda sem nenhuma expressão, enquanto eu não conseguia para de chorar. — Chega de fugir da morte, Lynn. Eu fui tão bondoso com você te deixando respirar desde que chegou aqui, você não aprecia isso?

Pela primeira vez, ele se mexeu, caminhando a passos curtos na minha direção, enquanto eu ainda tentava me esquivar e me afastar dele.

— Você é doente... — Eu disse entre soluços e ele sorriu de canto.

—  Eu devia ter te chamado para jantar um dia depois que matei Lysandre... — Ele se aproximou de mim sorrindo de maneira doentia, deixando a porta livre. Meu corpo parecia não querer continuar em pé depois de ouvir aquilo.

— Você o matou? — Perguntei quase sem forças. — VOCÊ O MATOU? — Gritei.

— Sim. — Ele respondeu. — E o coração dele fica melhor com pimenta e sal.

No segundo em que ele disse aquilo, eu corri desesperadamente para sair do quarto.  Mas senti o facão que Castiel segurava cortar a lateral da minha barriga.

Gemi de dor, mas não parei, continuei correndo. Olhei para trás rapidamente e vi que ele estava parado enquanto sorria.

— NÃO TEM PRA ONDE IR, QUERIDA. — Ele gritou.

Eu corria rapidamente até a janela onde eu havia entrado, apertando com força o corte na lateral, tentando fazer o sangue parar de escorrer. A dor ainda não havia se manifestado pelo fato de meu corpo estar quente, mas eu sabia que não ia demorar muito para aquilo começar a latejar. Eu precisava agir rápido, precisava sair daquela casa.

A janela estava com marcas de sangue, Castiel havia a trancado. Eu estava perdida.

Corri para a cozinha de forma desesperada, não fazia ideia de onde ele estava, e não sabia para onde correr. Eu estava presa lá dentro.  Abri uma gaveta de forma totalmente desajeitada e peguei duas facas comuns, naquele momento, era melhor que nada.

Me escondi rapidamente ao lado da geladeira, e fiquei encolhida ali enquanto tentava pensar em algo. Eu não tinha tempo, o sangue escorria de mim rapidamente e Castiel com certeza sabia onde eu estava.

Minha cabeça girava devido a todas as emoções que eu sentia naquele momento. Uma mistura de nojo, ódio, frustação, desespero e medo. Muito medo.

Ele havia tirado de mim as duas pessoas mais importantes da minha vida, eu só queria chorar e não me mexer mais e queria deixar que ele me matasse. Mas não podia. Por Rosalya e Lysandre, eu tinha que lutar.

____

 

— Você se chama Lynn, não?

Uma menina se aproximou de mim enquanto eu encarava meu sanduiche de manteiga de amendoim no recreio da escola.

— Sim... — Respondi baixo e ela sorriu. A garota tinha cabelos prateados que batiam em seu ombro e grandes olhos amarelos.

— Meu nome é Rosalya, mas você pode me chamar de Rosa. — Ela disse gentilmente, colocando sua lancheira ao meu lado. — Você é nova aqui, né? Quantos anos você tem?

— Sete. — Respondi fraco.

— Eu também. — Ela sorriu. — Olha, eu trouxe um sanduiche de geleia de amora, e você pelo visto de manteiga de amendoim. — Rosalya disse encarando o sanduiche que eu havia dado apenas uma pequena mordida.

— Você quer misturar? — Perguntei encarando o dela. — Será que vai ficar com um gosto bom?

— Eu espero que sim. — Ela sorriu, pegando seu sanduiche.

____

 

 

Tentei acalmar minha respiração sabendo que ia precisar dela para pensar em um bom plano.

Tirei minha jaqueta e cortei um pedaço grande e lateral com a faca, amarrando com força na minha cintura e dando um forte nó para poder segurar o corte.

Levantei-me em seguida, deixando o que sobrou da jaqueta lá e segurei uma faca nas mãos, colocando a outra na minha cintura, sendo segurada pelo fecho da calça jeans. Não importava o que aquilo custaria para mim, eu não sairia viva de lá de outra forma.

Eu precisava matar aquele psicopata.

 

 

Segurei a faca com força enquanto caminhava lentamente até o centro da sala, observando as escadas. Castiel não estava mais lá em cima.

Engoli em seco, tentando não demonstrar para o meu cérebro que estava com medo. Mas eu estava completamente apavorada.

— Sabia que eu te mataria naquele acampamento, o que você decidiu não ir? — A voz de Castiel apareceu do lado e com tranquilidade, dessa vez ele não segurava um facão, e sim uma adaga limpa.

— Aria é sua cúmplice, não? — O encarei firme, tentando me manter de pé.

— Sim. — Ele respondeu sorrindo. — E pelo visto ela não foi tão convincente assim em sua atuação.

— Ela me disse pra eu levar uma faca, porque havia lobos lá. Agora eu sei de que lobo ela estava falando. — Disse, dando alguns passos curtos para trás.

— Eu nunca me vi como um lobo. — Castiel mordeu os lábios como se estivesse pensando. — Na verdade, eu nunca me vi como nenhum animal.

Com velocidade, Castiel veio rápido na minha direção com a adaga na direção do meu peito. Desviei pela adrenalina, e passei com força a faca que segurava em sua coxa. Correndo novamente para as escadas, eu sabia para onde iria agora.

— Você acha que um corte na perna vai fazer seu jogo mudar? — Castiel subia as escadas lentamente, e mancando, segurando com força o corte em sua coxa. — Isso não é um jogo de xadrez, Lynn. — Ele sorria de forma doentia, enquanto eu tentava desesperadamente puxar a corda em cima do telhado, que me daria acesso em sótão.

Puxei a escada em seguida, colocando o punho da faca na boca e subindo rapidamente em seguida.

— Nem pensar. — Castiel segurou meu pé com força, me impedindo de continuar á subida.

Chutei sua mão enquanto tentava me soltar, então, com o outro pé, chutei com força seu rosto. O fazendo dar um passo para trás e eu conseguir subir finalmente.

— Vamos lá Lynn. — Ele gritou. — Vamos caçar.

Corri pelo sótão escuro e empoeirado, tentando desesperadamente encontrar alguma janela. O som de Castiel subindo as escadas deixava a situação completamente desesperadora.

— Eu sou o caçador, e você a presa. — Ele disse rindo.

Eu continuei em silêncio, percebendo que uma chuva forte havia começado lá fora.

Olhei para a direita e vi o que queria: A janela que daria acesso ao telhado. Precisa ser rápida.

Corri até o fundo do sótão onde ela estava e comecei a quebrar o vidro com o punho da faca, usando toda a força e desespero do meu corpo. Castiel estava com tanto desconforto na coxa quanto eu estava no quadril.

— Podemos contar até 3...

A voz dele ecoou e eu olhei para trás rapidamente ainda quebrando todo o vidro, ele estava se aproximando lentamente enquanto sorria. Ele podia correr e me pegar naquele momento, mas não queria. Ele queria brincar comigo.

— Vai se foder. — Respondi subindo pela janela, sem ter quebrado todo o vidro, e sentindo vários cacos me cortarem de forma torturante enquanto eu subia. A chuva fria e forte acertou meu rosto, fazendo com que todo meu corpo parecesse um copo fino de água fria. Subi por final no telhado e rolei um pouco para o lado deitada, vendo os cortes fundos que os cacos de vidro haviam deixado pelo meu corpo. Puxei um do meu braço rapidamente, vendo o sangue jorrar do corte profundo.

A noite escura, a chuva fria e o desespero que sentia naquele momento,  não me possibilitava ver muita coisa pela janela em cima do telhado, eu só sabia que aquele desgraçado estava lá.

Com dificuldade, me levantei cambaleando. Eu estava tão fraca, havia perdido tanto sangue.

Peguei minha faca e andei sem muita coordenação motora até a janela, mas parei quando Castiel adentrou o telhado rapidamente.

Andei para trás para me afastar, observando o quanto eu ainda tinha para poder andar sem despencar de lá de cima.

— Quem diria que nosso último encontro seria em um telhado. — Castiel gritou. Tentando soar mais alto que a tempestade caindo, o vento estava tão forte que fazia seu próprio barulho.

Ele veio até mim a passos rápidos, e passou a adaga rapidamente pelo meu braço já machucado. Gemi de dor, e ele se afastou sorrindo.

Ele não queria me matar naquele momento, ele queria me ver sofrer.

— ME MATA. — Gritei. — ME MATA AGORA!

As palavras saiam repletas de raiva e com força do meu peito, eu havia apenas uma chance, e era totalmente arriscado. Mas eu não podia fazer mais nada. O telhado estava escorregadio demais pela chuva. Uma luta ali mataria a nós dois facilmente.

— Tão fácil assim? — Ele perguntou me rodando, me encarando sem ao menos piscas, como um caçador.

Me aproximei dele com a faca em minhas mãos, o fazendo dar alguns passos para trás, ele ainda sorria de maneira doentia.

— Estou curioso para saber o que você vai tentar fazer. — Ele levantou os olhos cinzas, que a noite deixava ainda mais sem vida. Seus cabelos totalmente molhados moldavam seu rosto.

Parei de caminhar, e soltei a faca que segurava.

— Eu não vou fazer nada. — Respondi firme, sentindo o meu dentro de mim querer me sufocar. — Você vai fazer.

— Mas eu não gosto de fazer assim, eu gosto de sentir medo, Lynn, gosto de te ver desesperada como estava antes. — Ele respondeu parecendo intrigando. — Assim não tem a menor graça, e estou a tanto tempo esperando por esse momento. Não vai ser mal educada e fazê-lo ser chato para mim, não?

Aproximei-me dele sorrateiramente, ficando próxima o suficiente para que apenas um palmo de mão nos separasse.

Aquilo poderia custar a minha vida, um movimento em falso e Castiel poderia me apunhalar naquele momento. Mas ele parecia intrigado demais com as minhas falas.

— Você tirou tudo de mim, acha que eu ainda quero continuar vivendo?

A chuva que caia sobre nós era pesada, a noite estava assustadora e os olhos de Castiel me fitavam com um vidro passando pelo meu peito.

— Vai ser fácil assim? — Ele murmurou me encarando, parecendo irritado. — VAI SER ASSIM? — Gritou completamente fora de si.

Respirei fundo e o encarei.

— Vai. — Disse por final.

Castiel não hesitou um segundo, levantou seu braço com a adaga prestes a me apunhalar, mas em um movimento mais rápido ainda, eu tirei a faca que tinha guardado comigo de da parte superior da minha calça e a enfiei com força no estômago daquele desgraçado, fazendo com que toda a sua base entrasse dentro dele.

Os olhos mortos de Castiel se arregalaram, enquanto ele parecia ter congelado. Sua mão soltou a adaga enquanto seus lábios tremiam.

Minha respiração era quase inexistente, girei a faca dentro de seu estômago, o fazendo gemer pela dor, e senti seu corpo quente e pesado cair sobre mim.

— É xadrez sim, Castiel. —Murmurei em seu ouvido enquanto ele ainda estava com os olhos arregalados, mas sem forças para continuar em pé sem que eu o segurasse. — Xeque-Mate.

Sem pensar duas vezes, tirei a faca de uma vez de dentro de seu estômago e a levei até o seu pescoço, cortando por final a veia superior, o fazendo perder qualquer sinal de vida.

Estávamos na beirada do telhado, a chuva forte nos limpava de qualquer sangue. Então, com toda a força que havia me restado, eu o empurrei. Assistindo seu corpo sem vida, e seus olhos arregalados caírem com força no chão depois de uma queda alta.

Me deitei com muita dor, chorando desesperadamente e respirando com dificuldade, olhando para o céu negro e sem estrelas nenhuma.  Sentia que Rosalya estava me observando, que Lysandre estava. Minha cabeça girando com tanta dor e a lateral da minha barriga com um corte totalmente fundo.

Quando senti meu celular vibrar no bolso da minha calça. Sem olhar o visor, eu atendi trêmula.

— Lynn? Onde você está? — A voz de Armin soava preocupada.

— Casa do Castiel. — Respondi em um sussurro. — Chame a policia.

Foi o que eu disse antes de apagar.


Notas Finais


Obrigada por tudo :)


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