História Sightless Hope - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), IKON
Personagens B.I, Bobby, Chanwoo, Donghyuk, J-hope, Jimin, Jin, Jinhwan, Jungkook, Junhoe, Rap Monster, Suga, V, Yunhyeong
Tags Yunchan
Exibições 71
Palavras 3.569
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Annyeong! Como estão, querido(a)s?
Antes de mais nada, sim, esta é a minha primeira fanfic no Social Spirit, porém, já posso me considerar um pouco experiente no mundo das fanfics (tenho uma em andamento no Wattpad, caso desejem saber mais e/ou lê-la, peçam-me nos comentários. O casal da fanfic é Muke Clemmings, da banda 5 Seconds Of Summer).
E sim, esta também é minha fanfic, como posso dizer, de coreanos. Sou kpopper desde 2014/15, porém sempre tive muito medo de não conseguir agradar ao público por acreditar não ter ainda conhecimento suficiente dos fandoms e da cultura oriental para isso, todavia, esta fanfic cuja autora aqui vos fala, foi escrita por uma causa nobre, logo, tive de deixar os arrependimentos de lado para fazer alguém sorrir...
Essa pessoa a quem me refiro se chama Mirela ("Mirela Sheeran, por favor", como ela mesma diria), ou como podem contatá-la por aqui, @ikonmaniac. Mirela, minha irmãzinha linda, que não é de sangue, mas que Deus me permitiu considerar irmã e eu carrego isso como um estandarte, que é motivo dos meus sorrisos mais sinceros e de boa parte da minha vontade de continuar vivendo por mais um dia. Sis, essa fanfic é pra você, do nosso casal danone, Yunchan.
Sei que você já leu esse capítulo mil vezes pois não aguentou esperar até a estréia oficial, mas quero que saibas que não só ela, mas como tudo de bom que sou hábil para fazer, tudo sempre é e sempre será por você, pois tu és meu sol, minha lua, meu anjo e tud que eu poderia querer.

Te amo, sis.

Da sua irmã caçula, Tory Xx.

Capítulo 1 - Ha-na


Fanfic / Fanfiction Sightless Hope - Capítulo 1 - Ha-na

"Se acha que eu não me despedi de você porque não  significa tanto quanto os outros, está enganado. É porque você significa mais".

–Friends .

[xXx]

Yunhyeong ainda dormia quando ouviu batidas em sua porta. Resmungou, mandando quem quer que fosse entrar e tratou de se sentar, passando a mão pelos cabelos desorganizados, devia estar com a maior cara de sono. Ouviu a porta sendo aberta e passos se aproximando da cama, a porção de colchão ao seu lado afundou.

– Bom dia. –  a voz fina de Donghyuk atingiu seus tímpanos.

– Dong?  – uma pergunta retórica? Talvez. Mas da última vez que seu amigo entrara em seu quarto sem se jogar sobre ele ou soltar um "levanta daí, viado!" foi pra avisar que seu cachorro havia morrido.

–Não, o G–Dragon. Claro que sou eu. – Ufa! Aí está o real Donghyuk. Mas apesar do sarcasmo usual, seu tom parecia desanimado hoje, e algo estava muito errado.

– Dong...

– Eu. – proferiu sem emoção.

– Eu te conheço há 6 anos. Acho que sei quando você está me escondendo algo. – segurou firme as mãos do amigo, o impedindo de fugir caso ele quisesse fazê–lo. De fato, ele queria. – E bem, agora eu não tenho mais cachorro para morrer. Fala logo o que está havendo.

Donghyuk ficou em silêncio por alguns instantes. Com um suspiro, tirou uma folha de papel do bolso. Limpou a garganta brevemente e apertou a mão de Yunhyeong.

– Hyung, você precisa ser forte.  – disse, o peso em sua voz era inédito. O peito do mais velho apertou. – Chan me pediu pra ler algo pra você. É uma carta.

Chan e Yunhyeong namoravam há 8 meses, um relacionamento quase perfeito visto de fora, mas ambos tinham problemas, mesmo que parecessem lidar bem com eles. Há alguns dias, haviam brigado por conta da aversão de Chan ao temperamento antissocial do namorado. Segundo ele, Yunhyeong não gostava de se divertir, não gostava de seus amigos e nem das festas para quais o mesmo queria levá–lo. "Você está perdendo a sua vida trancado nesse quarto.", Chan dissera, e como um bom esquentadinho, o outro fora curto e grosso respondendo–o: "Vá se foder. Eu sou seu namorado, não sua acompanhante de luxo ou seu trofeuzinho." Mas devido a essa inconsequência, Chan fora embora resmungando e batendo as portas. Todavia, como em todas as brigas anteriores, no momento em que Yunhyeong decidisse que eles haviam feito as pazes, eles haveriam feito as pazes, e pra ele aquela briga não havia passado de criancice.

Só que agora ele não tinha mais tanta certeza daquilo...

– Tá. Vá em frente. Lê aí.

– Hum. Okay.–assentiu Donghyuk, focando olhos no papel. – Caro Yunhyeong, há oito meses atrás, quando começamos a namorar, eu estava encantado. Você era o garoto mais lindo que eu já havia visto na vida, e tudo que eu queria era te fazer feliz. Por um tempo, acredito que você sentiu o mesmo por mim: era recíproco. Mas havia diferenças entre nós, e os relacionamentos humanos são assim, eles se perdem quando um lado da balança pesa mais que o outro. Eu me importava mais do que você e tentava mais do que você, enquanto você apenas desejava que eu fosse o palhaço que te espera. Você tem problemas, eu sei, mas isso não é motivo para se isolar do mundo! Você age como uma vítima, como se o mundo todo estivesse contra você – até mesmo eu e me desculpe, mas eu não sou capaz de amar alguém que nem ao menos ama a si mesmo. A princesa terá que encontrar outro plebeu pra chamar de príncipe. Espero que você seja muito feliz, se é que eu consegui te mostrar como é isso. Com amor, Won Joo Chan.

Os olhos de Yun estavam cheios de lágrimas, mas não eram por Chan. Ele gostava muito de seu namorado, mas nunca chegou a amá–lo realmente. Esperava que isso nascesse com o tempo.  Ao que parecia, nem ele nem Chan teriam tempo o suficiente. Acabara. Sem mais YunChan. Sem mais risadas com programas idiotas ou sexo em lugares inusitados. Sem mais confissões e beijos roubados. Sem mais um "nós".

E o que mais doía era que até quem nunca o amara realmente o amava mais que ele mesmo. E aquilo era desesperador.

Mas ele não choraria. Mesmo que Donghyuk fosse seu melhor amigo, ele não choraria, pois seu orgulho era esse monstro que vivia dentro dele: o protegendo de parecer fraco, mas fazendo as pessoas irem embora.

– Hyung...Você tá bem? – o mais novo perguntou, pousando a mão sobre o ombro do amigo na tentativa de confortá–lo, mas Yunhyeong se manteve indiferente, desviando o olhar para longe do mesmo.

– Acontece. Relacionamentos acabam. É a lei da vida. – disse fingindo uma aceitação que não lhe cabia no momento. Donghyuk assentiu. Conhecia o amigo e sabia que ele não estava bem, mas que preferia lidar com isso sozinho.

– Okay. Se precisar de alguma coisa, me liga... – meio a força, Dong abraçou o amigo, que retribuiu do seu jeito frio, com pose de "está tudo bem". Se retirou logo depois.

E então o garoto desabou. Aos poucos, as lágrimas molharam seu rosto e sua camiseta. Seu corpo tombou sobre a cama novamente. Estava doendo como o inferno. Porque Chan era um filho da puta, mas ele estava certo, Yunhyeong só tinha orgulho, não amor próprio: ele conseguia ser um filho da puta maior que Chan.

Após se recompor e se vestir (agradecendo por seu uniforme ser preto, pois o dia não combinava com cores), desceu as escadas e passou reto pela mãe, deixando no ar um "bom dia" sem ânimo. A mochila jogada sobre os ombros parecia mais pesada hoje, ainda que não fosse nada comparada à sua alma. Tinha a breve sensação de ter se esquecido de algo, mas sua cabeça estava tão cheia que nem em mil anos se lembraria.

O caminho até a escola foi como sempre no piloto–automático.Evitou pensar em Chan e agradeceu por não ter que olhar para a cara do infeliz logo de manhã, mesmo que estudassem no mesma colégio. Avoado como sempre, se deixou levar pelo pensamento de que raios ele poderia ter esquecido novamente...Uma péssima idéia. A última coisa que sentiu antes de cair no chão foi um corpo pesado se chocando contra o seu e o barulho de algo, provavelmente livros, caindo no chão ao seu redor.

– Ai.– gemeu, limpando as mãos arranhadas na roupa.

– Mas que merda, hein! Você não olha por anda não? – uma voz desconhecida esbravejou próxima ao seu rosto. Provavelmente o dono dos livros, que agora estava os juntando.

– Na verdade não. – riu e derrepente se tocou: – Era isso. Esqueci a maldita bangala em casa! Hey, cara, me desculpa, sou só um cego sem guia. – riu de sua própria deficiência e o garoto à sua frente empalideceu.

– M–me desculpe, e–eu não sabia. Me desculpa mesmo, eu só... – tentava se desculpar como se fosse o pior dos pecadores.

– Não esquenta, cara. Sou cego, mas fui eu o idiota aqui. Ta tudo bem. – tranquilizou–o.  – Você é novo por aqui, não é?

– S–sim. Prazer, Chanwoo. – estendeu a mão livre de livros, mas logo se praguejou por ser idiota. Yunhyeong riu.

– Por que você ta rindo? perguntou confuso e corado.

– Quando você não vê, acaba desenvolvendo muito mais os outros sentidos. Logo, eu consigo sentir quando me estendem a mão. Ainda mais quando é uma mão trêmula. – explicou o mais velho, estendendo a sua para Chanwoo. –A propósito, sou Yunhyeong.

Chanwoo sorriu. Yunhyeong tinha um problema tão grande e mesmo assim lidava tão bem com isso.

– Se você quiser, eu posso te levar até a sua sala.– ofereceu o mais novo. O outro riu.

– O que? Você acha que vai mesmo achar as salas fácil assim já no primeiro dia? É mais fácil eu te guiar. Vem, qual é o número da sua turma? – perguntou, pegando a mão de Chanwoo e praticamente o arrastando para dentro do prédio.

– É 79.

– Ora, ora...Parece que você vai estudar na mesma turma do cara mais chato da escola: Won Joo Chan. – disse venenosamente Yunhyeong.

– Ah, tudo bem...Aguento ficar sem falar com você até recreio. – disse, dando um tchau breve à Yun e o deixando com um sorriso meio bobo nos lábios.

– É, talvez hoje não seja um dia tão ruim assim. – murmurou para si mesmo e se dirigiu até a sua sala assobiando qualquer música sobre alguém que é o seu tipo.

[xXx]

– Hey... – Donghyuk chamou a atenção do amigo assim que o mesmo entrou na sala. –Esse é mais um daqueles seus sorrisos fingidos ou derrepente você achou uma nota de cem na rua?

– Nope, esse aqui é verdadeiro. – respondeu.

– E posso saber quem o o quê provocou isso? Tu e o Chan fizeram as pazes? – perguntou Donghyuk, se curvando sobre a carteira.

– Nem me fala daquele tosco! Quero é passar longe dele. Meu sorriso foi causado por outra pessoa...Quem diria que um esbarrão poderia ser tão útil, afinal? – riu consigo mesmo, fazendo Donghyuk revirar os olhos.

– Ô, demente, já te falei que aquele poste perto da tua casa não é o Baekhyun, então para de se iludir e...

– O nome dele é Chanwoo.

– Shampoo? Nem bem o seu namoro acabou e você já ta apelando pra esses métodos de forever alone virgem? – falou o loiro, provando porque ser esse adjetivo lhe caía tão bem.

– Não, desgraça! Chan–Woo. O novo coleguinha de classe do Chan. – esclareceu o cego.

– Meu deus, hein. Daqui a pouco você vai estar escrevendo um livro chamado o "Teorema Chan". John Green e suas Katherines que se cuidem.– disse Dong, Yunhyeong revirou os olhos.

– Tomar no cu você não quer, né? Pois deveria...

– Obrigado.

– Denada.

Os períodos se passaram e nenhum dos dois tocou novamente no assunto Chan (fosse este o Chan bom ou o Chan ruim). Quando enfim o sinal bateu, Yunhyeong só queria comer alguma coisa.

– Hey, você ainda ta fazendo aquela dieta das barrinhas? – perguntou à Donghyuk, que guardava seu material.

– Aparentemente mãos gordinhas masturbam melhor, então não. – respondeu. – Por que, você ta com fome?

– É, não tomei café da manhã. Geléia me lembra aquele filho da puta. – resmungou o mais velho, lembrando–se do familiar beijo com sabor de morango e Donghyuk riu, assentindo e o puxando para a cantina.

– Por que a risadinha?–perguntou Yun, conhecendo o péssimo hábito do amigo de achar graça em tudo.

– Se geléia te lembra ele, então ele deve ser o cara mais broxa do mundo. – a risada de Donghyuk ecoou mais alta e Yunhyeong não se conteve: iniciou a aplicação de uma sequência de tapas no braço do amigo, que se defendia como podia. Aquele maldito cego tinha uma mira incrível.

– Nossa, você é agressivo assim sempre? – uma terceira voz foi ouvida. Inédita para Donghyuk e agradavelmente familiar para Yunhyeong.

– Chanwoo? – esqueceu de continuar a castigar o amigo e se virou na direção da voz (aliás, ele havia achado aquela voz incrível desde o primeiro segundo em que a ouviu).

– Oh, não, é o...

– Não se atreva a falar G–Dragon! Essa já é minha. – interveio Donghyuk e Chanwoo sorriu.

E você é...?

–Donghyuk. Prazer.– os dois se encararam em avaliação por alguns segundos e assentiram, como se tivessem considerado um ao outro um tipo aceitável.

–Chanwoo.–disse o mais novo, voltando os olhos para Yun. –Hey, baixinho, eu trouxe algo pra você...

–Não me chama de...–Yunhyeong travou no meio da frase ao sentir a mão de Chanwoo na sua. Não podia ser a de Donghyuk pois essa tinha uma maciez que se perderia quando a pele ficasse muito tempo em contato com lubrificantes. Com os dedos, Chanwoo abriu a palma de Yun e o mesmo sentiu um objeto gelado tocar sua palma, ao que o outro então fechou seus dedos entorno do objeto.

–Mas o que é...–os dedos curtinhos do mais baixo tocaram a extensão do corpo desconhecido em suas mãos e logo indentificou: –Uma bengala?

–Pra você não esbarrar mais nas pessoas por aí.–respondeu.

–Como diabos você conseguiu uma destas?– (se) perguntou Yunhyeong, estendendo o apetrecho como fazia costumeiramente.

–Ah, não. Um grande mágico não revela seu truques.–disse Chanwoo, e por um momento, o mais velho se perguntou qual era a sensação de ter aquilo sendo susurrado ao pé do ouvido.

–Obrigado. Mas é uma pena que agora eu não possa mais esbarrar em pessoas legais e misteriosas por aí...–deixou a frase cheia de sentidos nas entrelinhas no ar enquanto se afastava rumo à cantina, deixando pra trás um Donghyuk boquiaberto e um Chanwoo que sorria maliciosamente.

Os dois seguiram rumo à praça de alimentação/refeitório do pátio e encontraram Yunhyeong sentado em um dos cantos comendo um sanduíche, então entraram na fila para comprar qualquer coisa.

– O que você vai comprar?–perguntou o mais novo.

– Sei lá, um pastel e qualquer coisa pra tomar.

– Você gosta de chá gelado? –perguntou, tirando um copo térmico da mochila oferecendo a Donghyuk.

– Gosto sim. Obrigado.

Em um gole rápido, Donghyuk provou a bebida, ou como ele a classificaria depois disso: refresco dos deuses.

– Puta merda! Esse negócio ta muito bom. Onde você comprou isso? – perguntou ainda em transe, havia encontrado a sua nova droga.

– É uma receita minha que eu chamo de "Dragão Chinês". Leva chá de menta, suco de laranja, morangos ralados e um ingrediente especial. – disse Chanwoo observando atentamente as reações de Donghyuk. Acontecia sempre...

– Ingrediente secreto, huh? E qual seria esse...

– Um grande mágico...

– Nunca revela seus truques. – completou o loiro revirando os olhos.

Esperaram um a um os clientes se esgotarem, porém quando chegou na sua vez, Donghyuk já havia bebido quase todo o chá e sentia que precisava urgentemente de um banheiro. Largou uma nota de dez com o mais novo e pediu que ele pegasse um pastel para si. Chanwoo assentiu e fez seus pedidos. Enquanto a moça da cantina aprontava seus lanches, o garoto passou a observar Yunhyeong de longe. Ele era pequeno demais para a dor que possivelmente havia dentro dele. Aquilo era belo e triste ao mesmo tempo. De repente, depois de pagar pelos pastéis e já estar se dirigindo a Yun, Jung viu uma figura truculenta cruzar seu olhar e pousar justamente ao lado do cego. Ele já havia avistado aquele belo exemplar de bullier perturbando na sala mais cedo, mas não parecera ser um incômodo tão grande desde que não tocasse nele. Nesse caso, nele ou em Yunhyeong.

Ficou observando por mais alguns instantes, não queria atrapalhar caso fossem amigos – Chanwoo duvidava muito que aquele fosse o tipo de amigo que o cego costumava ter, mas não era ninguém pra constestar as amizades dos outros, então apenas permaneceu em guarda, acompanhando o desenrolar da situação.

Yunhyeong Pov's

Eu estava quieto no meu canto, engolindo a última mordida de meu sanduíche, quando ouvi passos pesados se aproximando, seguidos de um "oi, princesa" dito por uma voz grave e infortuniamente cohecida.

– Olá, Dulkin. – respondi sem humor. Dulkin costumava ser o melhor amigo de Chan até alguns meses atrás, mas eles acabaram brigando por qualquer coisa e desfizeram a amizade. Não imaginava um motivo bom o suficiente para ele vir falar comigo.

– Ouvi dizer que você está solteiro. É verdade? – disse e eu nem mesmo notei sua aproximação repentina.

– Procede. Mas o que você tem a ver com isso? – sibilei rispidamente, tentando deixar claro que não estava à fim de conversa.

– Tem à ver que eu estou na fila faz oito meses só esperando você largar aquele mané que não sabe dividir com os parceiros. – engoli em seco. Como assim? O que ele queria dizer com "estou na fila faz oito meses"?

– Não, você só pode estar brincando. Dulkin, olha, se o problema era eu o tempo todo e agora que você e o Chan fizeram as pazes ele te mandou vir aqui me encher a paciência, pode ir se mandando. – disse irritado, hoje tiraram o dia para me obrigar a usar minhas altas habilidades de auto–controle.

– Que isso, docinho. Para de ser tão difícil. – falou e eu senti claramente a sensação de estar sendo encurralado.

– Cara, ta bom, eu já entendi, você não quer que sejamos bons amigos, né? Tudo bem, só me diz por quê eu. Eu nem sou bonito nem nada. Tem meninos bem melhores por aí. – tentava ganhar tempo enquanto minha mão discava o número de Donghyuk pelo programa especial do meu telefone.

– Ah, qual é. O Chan rejeitou as meninas mais lindas da escola só pra ficar com você. Claramente você tem algo de especial. E quando digo que sei muito bem que essa sua boquinha deve fazer milagres não estou me referindo à beijos... – disse se aproximando mais, pude ouvir o som nojento que ele fez ao lamber os lábios.

– Isso porque ele é viado! VI–A–DO! Ele não gosta de garotas. E eu não sou a porra de uma máquina de boquetes, agora sai daqui, seu – minha fala foi interrompida pelos seus lábios sendo colados aos meus repentinamente e suas mãos me prensando contra a parede. Naquele momento eu senti tanto nojo que nem ao menos fui capaz de me mover.

Por um instante, achei que aquilo iria durar para sempre, eu não tinha força suficiente para empurrá–lo, mas para a minha surpresa, durou bem menos do que eu esperava. Senti seu corpo ser arrancado de cima de mim com brutalidade seguido de um barulho molhado. E um grito de "Ai, meus olhos!".

Chanwoo Pov's

Conforme me aproximava de Yunhyeong, observei aquela cena repugnante passar em câmera lenta. O vi tentar se defender daquele começo de estupro inutilmente enquanto um brutamontes o forçava a beijá–lo. E também vi minha sanidade e temperança irem para o espaço quando eu finalmente consegui reagir. Enxerguei Donghyuk aparecer ao meu lado e lhe entreguei os lanches em minhas mãos, deixando nelas apenas o copo com chá. Era burrice confrontar um cara dez vezes mais forte do que eu? Talvez. Mas mais burrice seria acreditar que a força física batia a inteligência. Em um impulso, puxei desgraçado pela camisa, quase não conseguindo devido ao seu peso, mas antes que ele pudesse reagir ou ao menos ver quem eu era, joguei o resto do conteúdo do copo contra seus olhos. Ele gritou de dor. Eu sorri.

– Mas que merda você fez? – Donghyuk perguntou, estava claramente perplexo.

– Joguei meu chá na cara dele. – respondi.

– Mas ele ta gritando de dor! Desde quando um simples chá faz isso?

– Lembra que eu disse que havia um ingrediente secreto? Grandes mágicos não revelam seus truques, mas acho que dessa vez posso relevar: o ingrediente secreto é pimenta malagueta. – respondi ao loiro rindo, e o outro estava pasmo com minha esperteza.

– Você é um gênio, cara! Só me lembre de nunca te chamar de bicha ardilosa.

– De nada.

De repente, ambos percebemos que Yunhyeong não estava mais ali e a coordenadora havia chegado para esclarecer a história.

– Eu fico aqui e você vai falar com ele. – sugeri, mas Donghyuk negou com a cabeça.

– Não, eu aposto que ele quer te agradecer agora. Ele é orgulhoso, mas sabe ser grato. Agora vai lá. – disse e eu assenti.

Corri por alguns corredores até chegar em uma espécie de jardim com bancos. Lá no fundo, avistei o garoto com a bengala.

Em silêncio, sentei–me ao seu lado. Sabia que ele tinha ciência da minha presença, mas dei–lhe tempo. Ele suspirou e da forma mais sutil, deixou que nossos dedos se esbarrassem sobre a superfície do banco.

– Obrigado. – assim como Donghyuk havia mencionado, ele me agradeceu. Eu não havia reparado ainda como sua voz era linda.

– Não há de que. – respondi. – Ele te machucou?

Fisicamente? Não. Mas se você quiser pode ignorar o dano mental. Ninguém liga para agressões além dos hematomas visíveis mesmo. –disse e eu senti como se um punhal fosse cravado em meu peito. De súbito, envolvi seu antebraço com meus dedos, como se ele fosse fugir ou algo assim. Eu não compreendia.

– Não fale isso! Eu ligo. Eu me importo. Eu estava lá pra me importar. – apertei sua carne sob o tecido um pouco mais forte.

– É. –  seus dedos cobriram os meus, ainda presos ao seu braço. – Só que você não estava lá antes. Antes de tudo acontecer. Não estava lá pra saber que essa não foi a primeira nem a última vez que a minha alma foi violentada. Essa não foi a pior das vezes. Eu sei como funciona, você me dirá que vai me proteger, mas no final, vai acabar desistindo de mim e do meu pessimismo crônico. É melhor nem tentar– amigo. – disse seco, afastando minha mão de si. – Me desculpa, você não pode me proteger de mim mesmo.

Yunhyeong Pov's

Peguei minha bengala e me levantei, disposto a sair dali, mas fui segurado pelo braço. Bem típico, Chan fizera igualzinho.

– O que você quer? É agora que vai me beijar? – disse em um riso melancólico.

– Não. Eu respeito pedidos de afastamento. Só queria te devolver as suas chaves.Você perdeu quando caiu. – entregou–me o molho em mãos. De repente, tudo ficou quieto. Eu pude sentir Chanwoo bem próximo de mim, acreditei que ele ia me abraçar ou algo assim, mas como tivesse desistido, não o fez. Ouvi seus passos se afastando conforme seu cheiro se tornava mais fraco no ar.

E então, por motivos que eu demoraria para compreender, uma lágrima solitária rolou pelo meu rosto.

 


Notas Finais


Era isso então...Espero que tenham gostado, danonildos!
Annyeong e até o próximo capítulo!

Tory Xx.


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