História Sigilo - Capítulo 41


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Gajeel Redfox, Juvia Lockser, Levy McGarden, Lucy Heartfilia, Metallicana, Natsu Dragneel, Rogue Cheney, Ultear Milkovich
Tags Gajeel, Gale, Levy, Magia, Magos, Romance
Exibições 63
Palavras 4.921
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ecchi, Fantasia, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu voltei, voltei para ficar! Haha.
Finalmente livre do tcc, livre das provas e trabalhos e quase graduada! Que venha a colação de grau! uhuu!
Até eu começar outra faculdade... sim, me chamem de louca, mas vou iniciar uma nova graduação, haha.
Mas, o que interessa aqui é a fanfic, certo?
Depois de um bom tempo longe, voltei com o capítulo e ele vai tirar as suas dúvidas sobre uma certa personagem, haha.
Espero que gostem!
Uma boa leitura a todos!

Capítulo 41 - Capítulo 38 - Lucy


Fanfic / Fanfiction Sigilo - Capítulo 41 - Capítulo 38 - Lucy

Sigilo

Capítulo 38

Lucy


 

— Karen? - Natsu exclamou, olhando de modo estupeficado para a moça que mantinha Wendy como refém.

Fitei-lhe, confusa. Percebi pelo modo como a olhava já a conhecia de longa data e ainda podia chutar que existia ou existiu algo entre eles. Karen olhou para o Dragneel com um leve desdém e deu sorriso.

— Quanto tempo, Natsu. Achei que jamais veria seu belo rosto – ela respondeu.

Senti algo mexer comigo profundamente, uma aversão a essa moça que mal conhecida. Como dizia meu antigo tutor, meu santo não gostou do dela. Era ciúmes pelo modo como se cumprimentaram? Talvez. Mas, a faca no pescoço da curandeira mudava o ângulo da situação.

— Nem eu – Natsu retrucou, recuperando a pose e olhando a situação de modo calculista.

Karen então retirou a faca de Wendy e jogou a pequena com força para trás de si.

— Segure-a, Zancrow. Tenho assuntos pessoais a tratar.

— Você sempre fica com a diversão – uma segunda figura surgiu na porta, agora segurando a azulada e tampando sua boca.

Zancrow era exótico. Tinha o cabelo em igual tom ao meu, loiro, porém chegava a sua cintura e era revoltado, espetando para várias direções. Os olhos eram rubros e transmitiam uma leve aura de insanidade. O físico era tão atlético quanto Natsu, Gray e Gajeel, coberto pelo que parecia ser uma túnica oriental, entretanto o mesmo só a vestia pela metade, deixando o braço e dorso direito livres. Em conjunto, vestia calças folgas de cor vermelha e sapatos orientais. Uma vestimenta inusitada dado ao clima que nos encontrávamos.

Gajeel começou a se dirigir em direção a Zancrow quando ficou claro que Karen focaria em Natsu, mas seu movimento logo foi percebido pelo outro, que deu um sorriso macabro. Sua mão esquerda, que tapava a boca de Wendy, começou a ficar escura e soltar uma leve fumaça, logo em seguida Wendy começou a se retorcer em seu agarre.

— Aproximem-se mais um passo e eu vou tostar a boca dessa criança.

Meu estômago revirou quando notei o rosto da pequena começar a ficar vermelho. Gajeel ergueu os braços. Gray, Juvia e eu lhe imitamos. Pelo canto de olho tentei buscar Levy, mas não a encontrava em lugar algum. Estava desistindo de encontrá-la quando notei a barra de sua roupa projetando-se por trás de uma estante. Lembrei-me que ela estava próximo de Wendy quando entramos na biblioteca, ao seu lado havia um baú aberto.

— O bom de tê-lo encontrado é que vou poder acertar nossas contas, querido – Karen comentou, sua voz falsamente melosa, tirando minha atenção de Levy.

Zancrow soltou uma risada.

— Este é o corajoso que lhe largou? Você foi esperto, camarada – Zancrow piscou um olho para Natsu.

Ouviu-se um estalo e então num piscar de olhos a cena alterou-se a nossa frente. Karen havia virado-se com rapidez e com igual velocidade estalou um chicote prateado na bochecha do loiro que mal teve tempo de reagir.

— Banque o engraçado novamente e será sua região baixa que sofrerá.

Um filete de sangue escorria pela bochecha dele, mas o mesmo não demonstrou nenhum sinal de raiva, pelo contrário, havia um olhar contente lhe estampava a face.

— Não está mais aqui quem falou – respondeu.

— Acertar o quê, Karen? Não existe nada a ser acertado. E por favor, não seja estúpida. Mesmo com uma refém ainda estão em menor número – Natsu comentou.

Percebi que ele havia posto suas mãos atrás de si, escondendo-as deles. Conhecendo-o, imaginava que estava conjurando sua Magia para uma luta entre ele e a moça. Karen analisou o rapaz por alguns segundos, meditando sobre o que falara.

— De fato, está correto. Então, vou lhe fazer uma proposta em nome dos velhos tempos de amantes – Karen falou, colocando a mão abaixo do queixo, tentei ignorar o sentido da frase proferida e mantive meu rosto neutro – se você ganhar de mim em uma luta, Zancrow libera a garota.

Natsu abriu a boca para falar, mas o loiro companheiro de Karen expressou-se primeiro, indignado.

— De maneira alguma! Se alguém vai lutar aqui sou eu! - ele esbravejou para a jovem.

Ocupado demais em reclamar sobre ter sido deixado de fora do combate, acabou por liberar a boca de Wendy, segurando-a apenas pelo braço. O olhar que nossa amiga transmitia era de mais pura vingança. Sua boca estava avermelhada pelo fogo negro do Mago e provavelmente seu braço devia doer pelo agarre apertado.

Ventus Detractiones – ela sussurrou, raivosa.

No mesmo instante, várias espirais de vento assolaram o local, jogando o Mago para longe e derrubando Karen ao chão. Após seu ataque cessar, ela passou a mão já iluminada em sua boca, curando-a.

— Obrigada – ela falou, direcionando-se para um Zancrow atordoado.

Sem perder tempo, Juvia envolveu Karen num globo e água e a expulsou da sala num movimento de mãos, levando a luta para fora da pequena biblioteca. Gajeel transformou sua pele em ferro e correu para Zancrow, sendo seguido por Natsu dado a natureza da Magia dele.

— Assim que todos sairmos, bloqueie a entrada com gelo, Gray. Não podemos nos dar o luxo de perder os itens daqui – comandei, olhando para o moreno.

Gray deu um sorriso de quem pensara o mesmo e assentiu, prostrando-se ao lado da porta. Estava dando os passos para fora, pois não ficaria sentada esperando o resultado do combate – podia não ter mais a minha Magia, mas sabia de algumas coisas – quando Levy apareceu perto de mim.

— Acho que isso pode lhe ajudar – ela falou, sorrindo e me alcançando um chicote dourado. Ela sabia do meu amor por esse objeto e o histórico emocional que ele trazia.

— Como? - pedi, atordoada.

Olhei para o item, maravilhada. Era muito parecido com um que minha falecida mãe tivera e me ensinara a manejar. Uma arma que eu seria capaz de lutar com eficiência.

— Não importa agora – ela respondeu, dando-me um empurrão para a porta – vá! Gray e eu cuidaremos que ninguém entre aqui.

Assim, saí correndo. Juvia me seguiu e numa troca de olhares entramos num acordo rápido de parceria. Desenrolando o chicote, posicionei-me ao lado da Maga enquanto Karen desfazia o globo de água com raivosos movimentos de seu chicote.

— Vocês serão minhas oponentes? É bom que saibam se defender.

Dito isso, ela lançou o chicote em direção a Juvia, no entanto eu sabia como a arma se projetaria e poderia calcular onde bateria na Maga e lancei o meu, interceptando o golpe em pleno ar, fazendo com que o chicote voltasse com força em direção a Karen, errando por pouco sua canela.

— Também sei usar um chicote – anunciei, sorrindo.

— Interessante – ela rebateu, já direcionando o item para um novo ataque.

Juvia abaixou-se e se esquivou o novo golpe, suas mãos já abertas para uso de sua Magia. Para lhe dar cobertura entrei em sua frente e mexi meu pulso com facilidade, lançando um ataque, visando as coxas da oponente.

Assim como eu, Karen conhecia a trajetória e conseguiu desviar. Ela estaria bem, se não fosse um detalhe que Layla ensinara-me. Dando um novo jogo de pulso, voltei a mexer o chicote e o lancei para seus pés. Com um passo e movimentos de mão fiz com que ele se enrolasse no pé esquerdo dela, dando um puxão com força, derrubando-a.

Enquanto o objeto voltava para minhas mãos em sua totalidade, senti um leve formigamento nas mãos, como se o item estivesse se ascendendo. Franzindo a sobrancelha e analisei-o, notando uma escrita aparecendo ao longo do cabo.

— Fleuve d’étoiles – sussurrei, passando o dedo indicador por cima da palavra.

Três coisas aconteceram ao mesmo tempo após isso. Karen aproveitou minha distração e direcionou um poderoso golpe em mim, Juvia com sua Magia já concluída ataca a outra com vários dardos de água a atingindo e desviando o chicote de mim, e o item em minha mão ganhou vida, brilhando e aquecendo-se.

Sem entender o que ocorria, deixei-me levar pelo instinto e coloquei minha vontade no chicote e avancei contra Karen com Juvia ao meu lado. A Maga rebelde praticamente dançava com sua arma, tentando acertar a nós duas, já Juvia desviava os golpes e tentava molhar o terreno para desestabilizar a oponente. Quando a mim, lancei a arma e enrolei a enrolei com sucesso no dorso de Karen, puxando-a com um movimento de braço.

— Juvia! - gritei.

Com uma rápida olhada para mim, minha companheira de luta já entendeu o que pretendia fazer e posicionou-se ao meu lado. Quando Karen estava próxima, nós duas erguemos os joelhos e lhe golpeamos no estômago, roubando o ar dela. Ainda envolta pelo meu chicote, lancei-a contra a parede o local em semicírculo.

— Devo admitir que sabem lutar – Karen falou, erguendo-se.

A blusa e capa que usava tinham uma marca escurecida onde o chicote lhe rodeara, um filete de sangue corria por sua face dado a batida contra a parede, mas seu ânimo continuava o mesmo.

— E Juvia gosta de uma oponente forte – a azulada respondeu, sorrindo de leve.

— Sua fama lhe precede, Juvia. Ouvi muito a seu respeito sobre o tempo que permaneceu com Erza. Até que foi derrotada e jogada fora.

Conseguia sentir a raiva subir pelo rosto de Juvia pela frase, como se a outra menosprezasse sua Magia.

— Após sua derrota, Juvia sabe que você também será descartada.

A última palavra fez com que o rosto de Karen se tornasse obscuro.

— Jamais serei descartada novamente – praticamente urrou, vindo em nossa direção.

Mexendo-se numa velocidade inesperada, ela recuperou o controle e nos atacou sem que pudéssemos achar um meio de defesa. Com uma cotovelada, ela lançou Juvia ao chão, esta segurando o queixo dolorido. Quanto a mim foi direcionado seu chicote, a ponta afiada fazendo um rasgo em minha bochecha.

Pela força do golpe, dei alguns passos trôpegos para trás, levemente desestabilizada. Aproveitando-se disso, ela tornou a atacar, dessa vez ferindo-me no dorso e braços. Minha mão ainda estava firme no Fleuve d’étoiles e desejei que naquele momento pudesse invocar Taurus para que ele pudesse afastá-la de mim.

Ao mesmo tempo que tive o pensamento o cabo de meu chicote adquiriu um tom branco e o símbolo da Constellationibus de Taurus apareceu no meio dele. Levantando a mão livre para conter um ataque de Karen, sentindo a ponta rasgar minha pele, joguei meu outro braço para trás e o lancei a frente sem focalizar um alvo.

Senti a ponta do meu bater no chão, provavelmente aos pés de Karen, e logo em seguida um tremor surgiu quase me levando abaixo. Retirando o braço erguido do rosto, vi que o golpe abrira uma pequena cratera no chão, jogando a oponente para trás. Bem ao alcance de Juvia.

Aqua vortex!

Juvia gritou, criando um vórtice em torno de Karen. Vários filamentos de água a atacavam por todos os lados, abrindo vários cortes na mesma. Seguindo uma lógica que não fazia sentindo naquele momento, agarrei a mão de Juvia fazendo-a segurar o cabo da Fleuve d’étoiles também.

— Juntas – sussurrei-lhe.

Não sei se Juvia entendeu-me, mas parecia que estava focando sua Magia para o chicote, enquanto eu pensava com força no nome de uma Constellationibus raivosa que conhecia. Aquarius. O símbolo do cabo transformou-se para o de Aquarius, fazendo com que um rio de força esmagadora saísse do cabo, direcionado a Karen.

A água arrastou com violência a oponente, jogando-a para o outro lado do local, derrubando também o seu comparsa, Zancrow, que também apresentava sinais de derrota por meio de Natsu e Gajeel. Apertando a mão de Juvia e com um brado dela, investimos no ataque.

Quando não conseguia mais segurar Fleuve d’étoiles de tão quente que estava, soltei Juvia e acabei deixando o objeto cair no chão. Ajoelhando-me, cansada e ferida, observei Juvia evaporar a água que inundara a antessala, mostrando uma Karen e um Zancrow caídos e parcialmente desacordados.


 

(…)


 

Usando a antessala como prisão temporária, amarramos os dois com cordas que trouxemos em nossas montarias e estávamos pensando num modo mais eficaz de contê-los, pois Zancrow tinha Magia Elementar de Fogo e poderia facilmente queimar as cordas.

— Esse local é um tesouro – Gray comentou, saindo da pequena biblioteca com algumas algemas em mãos.

— Isso é o que estou pensando? - Gajeel respondendo, erguendo uma sobrancelha.

— Exato. São algemas de contenção de Magia. Iguais as do calabouço de Crocus.

— Existe uma seção lá dentro com vários itens que podem ser utilizados por Magos, incluindo as algemas – Levy explicou, aproximando-se.

Após prendê-los com elas, teríamos que esperar os dois recuperarem a consciência para termos uma conversa. Afinal, pelo pouco que Karen falara ela estava trabalhando para Erza. Será que ela descobrira nosso plano? Ou fora apenas um golpe de sorte deles?

— Vocês atacaram com força, pelos Deuses! Eles não parecem que vão acordar tão cedo – Natsu comentou, quebrando o silêncio.

— Lucy não tinha perdido a Magia dela? - Wendy questionou, olhando de mim para o chicote, agora preso em minha cintura.

Levy colocou as mãos na cintura, pensativa.

— Não sabemos muita coisa sobre como a cura funciona, exceto que é possível o Mago perder sua Magia e habilidades.

Aquela altura da situação, meus segredos foram quebrados entre o grupo. Afinal, Juvia sabia que eu era Maga pelo tempo na prisão. Restavam apenas Gray e Wendy sem o conhecimento, coisa que alterei quando lhes contei. Não fazia sentido em esconder deles, sem contar que precisávamos confiar um nos outros durante a guerra para que erros não acontecessem.

— Tentei invocar os Constellationibus várias vezes desde o casamento e não obtive sucesso – concordei com a fala de Levy.

— Levy disse que pode perder a habilidade. Seria isso? - Gray entrou no assunto.

Minha amiga deu um sorriso.

— É nisso que estou me apoiando. Acredito que Lucy perdeu apenas a habilidade de invocar as Constellationibus e não sua Magia. Assim, o chicote, que por sinal foi feito para Magos Celestiais, reconheceu sua Magia e pôde ser utilizado.

Meu coração se aqueceu com a notícia. Eu não havia perdido o contato completo com eles, minhas queridas Estrelas ainda estavam me ajudando.

— Como sabe que foi feito para Magos Celestiais? - Natsu pediu, franzindo o cenho.

— Quem quer que fosse o dono desse local gostava de catalogar os itens. Foi assim que percebi o chicote e depois Gray notou as algemas.

Nunca quis tanto abraçar um desconhecido como queria no momento.

— É melhor não se afastar desse chicote, garota – Gajeel comentou, indicando a arma presa com o queixo, sorrindo.

— Pode deixar – respondi, pousando a mão nele.

Karen soltou um gemido, porém não acordou. Isso fez com que eu me lembrasse da curta conversa que ela e Natsu tiveram. Amantes, pensei, com uma sensação curiosa se apoderando de mim.

— Estou curiosa – comecei, meu tom de voz leve – como conhece essa rebelde, Natsu? - questionei, notando acenos em igual curiosidade por parte de todos.

Apenas Gajeel parecia compreender algo, mesmo que fosse pouco. Natsu olhou para mim por um tempo, e então tomou uma profunda respiração.

— Antes de voltar para Crocus, permaneci um bom tempo nas terras do sul, auxiliando Igneel com as plantações. Em meio a isso acabei conhecendo uma moça por quem futuramente me interessei e até pensei em casar – ele narrava de modo quase desinteressado, mas conhecendo-o, sabia que estava conectado emocionalmente com o relato – e quando tinha decidido pedi-la em casamento, descobri que ela tinha relações com Igneel. Os flagrei no quarto dele. É isso.

Depois de contar, ele olhou para cima, fugindo dos olhares de pena atirados pela maioria. Ele não queria que tivessem dó dele, percebia isso. Assim, guardei minhas observações e fiquei quieta.

— Você acredita muito facilmente no que vê, Natsu. Mesmo conhecendo seu pai, acreditou nele – Karen falou, assustando a todos por ter acordado nem que notássemos.

O Dragneel olhou com curiosidade para Karen.

— A cena que vi não precisava de mais explicações – retrucou.

Ela soltou um riso amargo.

— Eu, nua na cama de seu pai. Admito que é algo chocante – ela balançou a cabeça, seus olhos desafiadores – mas, acreditaria se eu lhe dissesse que era armação de Igneel? Abriria seu coração e mente se lhe contasse que fui drogada por um servo dele e então posta naquele lugar sem meu consentimento? Aceitaria se falasse que jamais fui tocada por ele e que depois daquele espetáculo fui despachada para morrer numa vila longe dos meus pais? Seu pai destruiu minha vida e você nem se deu o trabalho em me escutar – seus olhos estavam marejados, mas seu orgulho não deixava as lágrimas se derramarem – Bem que fui avisada a não se envolver com nobres, eles não pensam em nada além do próprio umbigo!

Natsu estava perturbado com a resposta dada pela outra, dava para notar o quão confuso estava. Sua mente deveria rodar entre acreditar no que viu ou aceitar a versão dita por Karen. Admito que o que ela contou era bem plausível dado a minha impressão de Igneel, mas Natsu era seu filho, como ele teria coragem de fazer algo do tipo?

— Igneel não é uma pessoa dada a moral nesses últimos anos. Disso consigo concordar. Porém, te drogar? E armar tudo isso? De que adiantaria? - ele falou após minutos em silêncio.

— Eu era apenas a filha de uns vassalos dele. Não traria riquezas nem avanços políticos para ele caso nos casássemos. Seria mais vantajoso para ele se seu herdeiro se comprometesse a outra herdeira de terras – Karen tinha um certo orgulho quando falava de seus pais, e um desprezo ao falar de nobres.

Dava-me agonia ver Natsu atormentado. Não sabia a quanto tempo, mas julgava que era um período longo o suficiente para fazê-lo remoer a história. Devia existir um meio de retirarmos a verdade dela. Foi então que uma luz se iluminou em minha mente. Com passos calmos, aproximei-me de Levy e a puxei com leveza para longe do grupo.

— Como se sente? - pedi.

Levy olhou-me confusa com a pergunta.

— Melhor do que quando saí de Crocus. Por qual motivo me questiona?

Sentia o olhar de Gajeel em nós, mas decidi ignorá-lo.

— Sua Magia pode fazer com que sua escrita se reverta em realidade, certo? - continuei com as perguntas.

— Em teoria sim. Além daquele episódio onde escrevi em você, só utilizei-a em itens inanimados – respondeu, ainda sem entender onde queria chegar.

— Você só consegue escrever uma palavra por vez – falei, vendo-a concordar com a cabeça a minha afirmação – assim, se expressar na palavra seu desejo ela cumpre com seu objetivo atrelado ao significado da escrita?

A compreensão chegou em Levy, iluminando-a. Adorava como a minha amiga entendia onde gostaríamos de chegar através de mensagens ocultas, coisa que poucos conseguiam. Um lento sorriso lhe tomou a face.

— Podemos testar essa teoria agora mesmo. Esse tipo de processo não deve me tomar muita Magia – comentou, voltando para o grupo.

Segui Levy e fiquei ao lado de Gajeel. Natsu e Karen ainda se encaravam furiosamente, cada qual defendendo sua teoria sobre o acontecido. Amarrado contra as costas da rebelde, Zancrow dava sinais de que acordaria em breve, sendo vigiado por Gray e Juvia.

— Estou sentindo que vão aprontar – Gajeel comentou em voz baixa a mim, seus olhos grudados na McGarden.

— Não diria aprontar e sim reverter esse impasse que ocorre – retruquei em igual tom.

— Ela vai usá-la, certo?

Sabia ao que ele se referia. A Magia de Levy.

— Vai – falei.

Gajeel deu um suspiro e pousou sua palma em minhas costas, entre os ombros.

— Ela lhe ama e faria qualquer coisa que pedisse. Tenha em mente isso, Lucy.

Senti um leve aperto no peito com sua censura cordial. Ele preocupava-se com a saúde da amada e ficava aflito em vê-la manejar a Magia, quando sabia dos riscos que ela corria ao usar demais. O problema era que Levy não media suas atitudes quando seu objetivo era o bem do próximo, ela jogava-se ao extremo sem pensar duas vezes e isso tendia a refletir gravemente em seu corpo.

— Eu sei, Gajeel. Também a amo e por isso jamais lhe pedirei algo que a prejudique. E se for para o bem dela, farei qualquer coisa ao meu alcance, mesmo que a deixe brava comigo.

O significado de minha fala fez com que seus olhos ficassem ainda mais rubros. Não havia dúvidas que ele também faria qualquer coisa por ela, entendendo e me apoiando no que disse.

— Pode segurar o rosto dela por gentileza, Natsu?

Ouvimos Levy falar, aproximando-se de Karen com uma pena e um tinteiro, itens que carregava sempre consigo agora.

— Claro – ele concordou, fazendo o pedido sem questionar, segurando a outra pelas bochechas e maxilar.

Karen olhava com um pouco de raiva enquanto Levy mergulhava a cena na tinta e analisava o rosto da rebelde.

— A testa deve ser efetiva – Levy comentou, olhando brincalhona em minha direção, fazendo-me erguer uma sobrancelha dado seu humor fora de hora.

Ela então pousou a pena na pele da esverdeada e com rápidos movimentos de mão, escreveu numa delicada caligrafia a palavra Verdade na testa dela, finalizando com um símbolo. Após isso, agachou-se para ficar no mesmo nível de rosto da outra.

— Natsu, pergunte algo que vocês dois saibam – ela instruiu.

Agora fora Natsu quem ergueu uma sobrancelha, mas com uma olhada na palavra escrita pareceu entender.

— Onde nos conhecemos? - ele pediu.

Apesar de Natsu claramente estar incomodado em tocá-la, vê-lo tão perto de Karen e sabendo seu passado com a moça, deixava-me nervosa. Admito a mim mesma que não gostava dessa aproximação, e nem da pergunta feita. Oras, não existia outra questão?

— No pomar de seu castelo – Karen retrucou, parecendo ser contra sua vontade dado a careta que fizera.

— Outra questão – Levy praticamente comandou.

Com um suspiro, Natsu voltou a se concentrar.

— Qual o nome de minha ama que ajudou a cuidar de mim desde pequeno?

— Catrina – Karen falou.

Natsu riu, deixando nós confusos com a reação. Levy olhou para ele esperando uma explicação.

— Ela fala a verdade. Karen nunca decorou o nome da ama. O nome dela é Catarina.

Satisfeita com o teste feito, minha amiga olhou para Karen com a feição concentrada.

— O que contou a Natsu sobre aquele infeliz episódio é verdade? - ela pediu.

Com o rosto irritado, Karen olhou para Levy.

— Sim – sua voz foi clara e sem margens para desconfiança.

O Dragneel fechou os olhos e reprimiu suas atitudes, provavelmente deixando para pensar quando estivesse a sós.

— Como nos acharam? - Levy pediu, mudando o tópico da conversa.

Karen parecia não querer responder a questão, mordendo os lábios com força, chegando a sangrar um pouco.

— Estávamos em uma varredura local para que os demais pudessem prosseguir com a viagem – falou, sua voz dolorida por ter contado algo que não queria.

— Com quem estão viajando? - Levy tornou a pedir, interessada pela resposta.

Em verdade, todos nós estávamos atentos ao que conversavam, ou melhor, o que era extraído da moça, pois a presença dos dois nos surpreendeu por completo. Natsu que já havia soltado Karen, estava aproximando-se de Zancrow que acordara a pouco em caso do outro tentar algo mesmo algemado.

— Quem? - A Script exigiu.

Karen mordeu os lábios com mais força e balançou a cabeça, choramingando. Dava para notar a Magia forçando-lhe a responder, mas a vontade e garra da moça era grande, conseguindo resistir por enquanto ao comando posto em sua pele. Percebi que Levy mudaria a questão quando fomos surpreendidos com Karen jogando-se no chão e batendo com a cabeça nas pedras que pavimentavam a antessala, desmaiando devido ao impacto.

— Karen é fiel a Erza – Zancrow comentou, um pouco grogue, olhando desafiadoramente para Juvia.

Gray moveu-se rapidamente e prendeu a cabeça de Zancrow nas mãos. De onde estava, consegui ver uma leve sopro frio subir das mãos do moreno, deixando-me perceber que ele estava punindo o Mago sem que ninguém percebesse pelo comentário ácido.

— Temos uma segunda opção – ele comentou, olhando para Levy.

Impedido de falar pelo modo que Gray o segurava, Zancrow tentava gemer indignado contra as mãos frias do outro. A pele da face que estava em contato com as mãos do Mago começaram a ficar vermelhas devido ao frio ali emanado.

Repetindo o processo que fizera em Karen, Levy marcou Zancrow com sua Magia. Ao contrário de antes, Gajeel agachou-se ao lado dela e começou o interrogatório. As primeiras perguntas foram respondidas mais facilmente, do tipo, como era a Magia dele, a quem ele apoiava, qual seu objetivo e assim por diante. Quando começaram as perguntas sobre o motivo de estarem aqui, o rebelde foi tornando-se mais arisco.

Gray ainda segurava-o para que não usasse da estratégia da companheira e se desacordasse. Pelo modo como o Líder dos Revolucionários o impedia, demonstrava que estava enraivecido com o outro, as mãos ainda emanando seu poder frio para a pele de Zancrow. Mais um pouco e o loiro teria marcas de queimadura nas bochechas.

— Vamos mudar a tática – Gajeel anunciou, seu rosto tornando-se mais escuro – Levy, Wendy, Juvia e Lucy, podem levar Karen para dentro da biblioteca e aguardarem por lá?

Juvia aproximou-se da moça caída e a levantou sem muito esforço, dado que Wendy invocara um pouco de sua Magia para fazer a outra flutuar de leve. Levy soltou um suspiro e foi para o lado delas. Gajeel olhou-me, erguendo uma sobrancelha escura em pergunta muda do por quê eu ainda estava ali ao seu lado.

— O dever da monarquia também se estende aos momentos não prazerosos – respondi, mostrando que precisava ficar ao lado deles, mesmo que minha vontade fosse não presenciar a cena de tortura.

Levy sabia que não adiantaria argumentar comigo e esfregou sua palma em meu ombro, logo em seguida indo para dentro da sala. Somente após a porta ser fechada, Gray e Natsu levantaram o Mago inimigo. Com alguns sussurros, Gray materializou uma corrente de gelo que conectava-se das algemas ao teto, deixando Zancrow de pé sem que eles precisassem o segurar.

— Para onde iam? - Gajeel questionou, a voz grave.

Zancrow ergueu a vista e franziu o cenho, esforçando-se para não falar.

— Voltávamos de Vila Cael para Crocus – a resposta escapou por seus lábios.

— Quem são seus companheiros de viagem?

Novamente o rapaz tentou resistir, chegando a morder violentamente os lábios. Pequenas gotas de suor apareceram em sua testa, criando um alarme em minha mente. Rapidamente foquei no desenho e notei que o símbolo aplicado por Levy ia se apagando, a tinta escorrendo por suas têmporas.

— Não sei.

— Foi você quem pediu – Natsu comentou, posicionando-se a frente dele.

Com uma rápida balançada de braço, Natsu golpeou o estômago do Mago, retirando-lhe o ar.

— Quem? - Gajeel voltou a pedir.

Zancrow continuou mordendo os lábios.

Outro soco, dessa vez no rosto. Ouvi um som de algo quebrando, provavelmente o nariz.

— Colabore, ou vai ficar pior. Quem?

Percebia-se que força de vontade do Mago era grande. Dava-me uma sensação ruim no estômago vê-lo daquela maneira, trazendo-me uma lembrança de quando minha mãe era viva.


 

“— Mesmo que te doa ou lhe dê desconforto, não desvie os olhos. Aquele que foge da realidade não está preparado para suas batalhas.”


 

Gray com um rosto inexpressivo foi para o lado do rebelde e sussurrou algo. De suas mãos surgiu um chicote de gelo, mas não era igual ao que estava preso a minha cintura, o dele tinha a ponta repartida em três partes serrilhadas e bem afiadas. Ele fez questão de mostrar a Zancrow o item conjurado, fazendo o outro arregalar de leve os olhos, enquanto Natsu com uma cara não muito feliz queimava parte da roupa dele, deixando o dorso do loiro exposto.

Encolhi-me de leve ao estalo da arma nas costas nuas do rapaz. Natsu e Gajeel faziam as perguntas e a cada negação do rapaz Gray o golpeava. Era admirável a força de vontade do Mago, mesmo sendo chicoteado por Gray, socado por Natsu e Gajeel – já que provou-se que o fogo era ineficaz contra o outro – ele mantinha-se calado.

Quanto a mim, cravei minhas unhas na palma da mão. Tentando ignorar os sons abafados de dor do loiro. Os quatro permaneceram nisso por um bom tempo, até que as pernas de Zancrow cederam, deixando-o pendurado pela corrente de gelo. De rosto machucado, nariz e corpo sangrando, ele desistiu. Vi no rosto dos rapazes que não estavam totalmente contentes com o ocorrido.

— Novamente vou lhe pedir. Quem são seus companheiros de viagem? - Gajeel perguntou.

Esforçando-se para olhar o Príncipe, Zancrow ergueu o rosto.

— Não conheço todos – sua voz era pesada, levemente arrastada – apenas os selecionados para escolta – ele pausou para respirar pela boca antes de continuar – somos em seis. Karen, José Porla, Ultear, as duas garotas que vieram de Bosco, e eu.

Gajeel e eu trocamos um olhar significativo. Logo que saímos em viagem Levy teve uma visão onde Erza mencionava que suas garotas estavam voltando ao lar, e que precisava de uma escolta. Parece que esse grupo havia pegado um caminho parecido com o nosso.

— Qual a missão de vocês? - pedi, tomando a frente do interrogatório.

— Levar essas garotas até a Majestade em segurança.

Guardei meu comentário ácido sobre Erza se intitular como Majestade e prestei atenção nos detalhes.

— Quando vocês foram vistoriar as redondezas e se depararam com nossos cavalos e com a cabana, mandaram algum sinal ou mensagem para avisar os demais?

Gray deu um pequeno aceno de aprovação com o questionamento.

— Não – ele respondeu.

— O quão perto eles estão? - Natsu questionou.

— Duas horas caminhando em direção ao leste.

A feição de Natsu ficou pensativa. Ele estava criando algum plano.

— Natsu? - Gajeel chamou-lhe, notando a mesma coisa que eu.

Com uma troca rápida de olhar com Gray, quem aparentemente tinha tido a mesma ideia, Natsu nos respondeu o que pensavam.

— Vamos fazer alguns reféns.


Notas Finais


E então, o que acharam?
Confesso que a cena da tortura me deu um pouco de trabalho, pois não sou acostumada a descrever cenas assim, e estava com um pouco de dúvida se inseria esse tipo de coisa na fanfic. Espero que tenha dado certo, mas se alguém tiver alguma dica para dar, estou a disposição.
Sobre a Lucy: amei escrever a cena de luta, haha.
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo!
Estou louca para ler seus reviews!
Obrigada por todo o carinho que vocês tem me dado.
Um grande beijo e até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...