História Simon says - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abigail, Acampamento De Escrita, Assassinato, Dawson, Dickinson, Emdji, Investigação, Katherine, Nicholas, Original, Pawel, Policial, Richard, Simon
Exibições 65
Palavras 1.577
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Novamente postando em cima da hora.

Eu nem sei como consegui terminar o capítulo a tempo. Tive vários contratempos e creio que não irei cumprir os desafios da semana corretamente, então peço desculpas desde já para as mentoras.

Boa leitura.

Capítulo 7 - Seu mestre não fode ninguém


Jim declarou aquele domingo como “o dia mais longo de todos”. Ele havia acordado duas da manhã com um trote feito por Dickinson Moore; trote que não era mais do que um dos desafios propostos pelo jogo de Simon Petersburg, que estava inconsciente na cama do hospital e tinha encontrado um corpo no porão de sua casa. Segundo Abigail Prescott, eles costumavam se reunir por lá porque era o único cômodo à prova de som e que, assim, não incomodariam os vizinhos. O garoto do salto alto, Nicky, deu a entender que Simon Says era uma brincadeira de gosto duvidoso. Não que não fosse uma coisa óbvia depois que viu Petersburg xingar Abigail de “porca imunda”, mas havia algo a mais naquilo tudo e o delegado sabia que todas aquelas interrupções estavam atrasando a sua investigação.

Hopper abriu um dos chicletes baratos que comprou na máquina de doces do hospital e o triturou com os dentes enquanto esperava notícias de Simon. Edward Black parecia aéreo naquele dia. Ele continuava exibindo seus sorrisos habituais, mas Jim tinha a impressão de que algo incomodava o médico.

— Hoje é o sétimo aniversário da morte de Charlie — informou uma voz feminina.

Ele se virou e deu de cara com Isabella, esposa de Edward. Ela trajava um vestido preto chique que batia acima dos joelhos e tinha cheiro de spray de cabelo e hortelã. Jim sempre achou que ela era uma das mulheres mais bonitas da cidade até o filho caçula morrer e Isabella entrar em uma guerra contra o álcool. Edward a trancou em uma clínica durante vários meses e acabou enviando o primogênito, Richard, para morar com a avó até que a mãe melhorasse. Hopper sabia que Richard também estava doente e se sentiu culpado por deixar o garoto mofando na delegacia.

Meio sem jeito, levantou-se do assento apertado e deu um abraço de condolências na mulher.

— Libere o Richard do interrogatório — Isabella sussurrou quando Jim a abraçou.

O delegado recuou alguns passos e a encarou com expressão fechada.

— Por favor — pediu com os olhos pidões. Ela se inclinou e o primeiro botão de seu vestido se soltou, revelando o seu decote. — Por favor.

— Você sabe que isso vai contra a minha política, Isabel. E arrume o seu vestido, por favor. Você é uma mulher casada.

— Não seja assim, Jimmie — ela agora passava as unhas pelo antebraço de Jim. — Nós tivemos tantas noites...

Hopper segurou o braço dela com força e a mulher fez um biquinho infantil antes de sorrir.

— Quem foi que partiu seu coração pra você se tornar tão insensível?

— Eu vou embora, Isabel — disse antes de soltá-la.

— É a única coisa que você sabe fazer, não é? Fugir.

Ele deu um meio sorriso e a encarou novamente.

— Nós dois temos maneiras diferentes de enfrentar as situações difíceis — a mulher fechou a cara com a observação.  — Tenha uma boa vida, Isabella — acrescentou antes de sair do hospital.

 

*

 

Katherine estava debruçada em cima da mesa de um dos policiais quando Paul saiu do banheiro. Os dois conversavam em voz alta e a garota vez ou outra enrolava uma mecha castanha no dedo indicador. Discretamente, o garoto se esgueirou atrás de um vaso de plantas para bisbilhotá-los.

— Você não tá falando sério.

— Mas é verdade! — a menina riu sem graça. — Eu sou a maior fã do gênero terror que você vai conhecer.

— Alguma preferência?

— Eu vou ter que te matar se te contar.

— Acho que o risco vale a pena  — o policial avançou para pegar o queixo de Kate, mas a garota se desvencilhou e deu uma risada.

— Sinto muito, mas eu tenho namorado — comentou.

— Que pena.

— E um amante — acrescentou com malícia.

Paul riu baixinho com a observação de Kit-Kat até o policial empurrar Katherine e prensá-la contra a parede.

— Então pode ter dois.

Ele derrubou o vaso de plantas de um metro e meio no chão e correu de volta para o banheiro quando o policial pegou um revólver de seu coldre e atirou contra os restos da planta por puro instinto. Kate aproveitou a distração para surrupiar a impressão que o fax estava recebendo durante a conversa e dobrou o papel até que ele coubesse dentro de seu sutiã. Depois, pediu desculpas pelo transtorno e caminhou apressada até o banheiro onde viu McNamara se esconder.

Pawel ainda respirava com dificuldades quando a garota fez um “psiu!” para que ele destrancasse a porta.

— Sou eu — sussurrou. — Eu peguei uma pista.

O rapaz destrancou a porta e Katherine se jogou em seus braços e começou a soluçar.

— Shhhh. Tá tudo bem — ele a envolveu em um abraço depois de trancá-los no cubículo apertado e aguardou pacientemente enquanto a menina chorava. — Você é muito forte, sabia?

Kit-Kat se afastou e deu um sorriso sem dentes. Paul sempre a confortava em momentos como aquele e ela era extremamente grata por ele parecer estar sempre disposto a ouvi-la e a ajudá-la.

— Eu consegui uma pista — tornou a repetir. — Feche os olhos que eu guardei no meu sutiã.

— Mas eu já vi o que você guarda no seu sutiã.

A garota deu um soco no ombro dele.

— Idiota.

Relutante, Paul fechou os olhos e tornou a abri-los quando ouviu o barulho de papel sendo desamassado. Ele leu por cima do ombro o conteúdo do papel.

 

 

 

Análise de campo

 

Impressões digitais e DNA da vítima confirmados

Vítima: Sarah Dawson Moore

Lesões na parte superior esquerda da cabeça e pescoço quebrado por queda

Causa da morte: Ferimento na artéria braquial

Arma do crime: não localizada

Impressões digitais na área do crime condizem com os suspeitos

Impressões digitais mais frequentes no ambiente: Paul McNamara

 

 

— Pobre Dawson — disse Katherine antes de começar a soluçar e a chorar compulsivamente.

Paul se sentou na tampa da privada e puxou Kit-Kat para o seu colo. Ele limpou as poucas lágrimas que se permitiu derramar enquanto os dois ficaram ouvindo o choro ininterrupto da menina. Era inacreditável que a pessoa mais forte do grupo estivesse morta.

Ele se lembrava de quando se mudou para Rock Springs a pedido da avó de Simon. A velha sabia que o garoto tinha grande afeição pelo melhor amigo mesmo que a sua mãe trabalhasse feito condenada em um dos vários shoppings que a velha Petersburg administrava. E soube também que a mãe finalmente ia receber um descanso e eles teriam seus custos bancados pela mulher se ele continuasse sendo amigo do loiro.

Da primeira vez em que se viram, Simon e ele tinham seis anos e a mãe dele, Mary, ainda estava viva. Era uma mulher com olhos azuis e longos cabelos loiros. O próprio Simon ainda tinha madeixas loiras, embora o sol fraco de Wisconsin tivesse escurecido o seu cabelo. A mulher nunca o tratou diferente por ele ser negro que nem a maioria das pessoas. Paul tinha a impressão de que a mulher o tratava até melhor que os outros filhos de funcionários.

— Você é o meu favorito, então merece mais uma rodada de biscoitos — ela costumava brincar.

Mary dizia o tempo todo que admirava a mãe de Paul, Lauren, e que a mulher era o espírito da força de vontade. Eram apenas os dois desde que o pai fora preso por porte de drogas. Paul costumava se sentir bem até Simon dizer uma coisa ruim no dia do enterro de sua mãe.

— Se seu pai fosse branco, ele não estaria preso — eles tinham quase nove anos agora e Mary estava deitada no caixão com os cabelos em tufos e as pálpebras extremamente fechadas.

Simon era uma pessoa com um círculo social muito fechado, mas Paul nunca imaginou que aquele menino de nariz arrebitado e pose esnobe fosse tão filho da puta tendo uma mãe tão bondosa. Ele tentou ignorar os péssimos modos de Simon porque era o velório de Mary, mas o garoto tornou a investir.

— Eu aposto que você vai acabar preso algum dia também.

— Que mentira — disse o rapazinho de cabelo crespo.

— Minha mãe me ensinou a não mentir. Eu só falo a verdade até que eu esteja em apuros. Aí eu direi que foi você que fez a coisa errada e a polícia vai culpá-lo porque é negro. Do jeito que eles fazem nos filmes.

Foi a primeira vez que Paul deu um soco em Simon e mandou o garoto ser menos burro. Simon limpou o sangue que escorria do nariz com a manga do terno chique que usava e sorriu.

— Ninguém nunca disse que eu era burro.

— Deveriam dizer. Vai acabar se ferrando algum dia porque é branco, rico e burro.

Simon contou a Paul no dia que o garoto se mudou para Rock Springs sobre o “incidente de Halloween”. Contou sobre o garoto que se vestia de garota e que parecia muito com a sua mãe. Ele tinha a impressão de que era a única pessoa em quem o garoto confiava e se sentiu extremamente culpado por trair a sua confiança ficando com Katherine.

— Eu gosto dela — disse para Simon certo dia quando viajaram novamente para Los Angeles. Eles passaram a tarde no shopping da avó de Simon comendo e bebendo por conta da casa — A gente já ficou algumas vezes.

Ele pensou que o amigo iria batê-lo por isso, mas se impressionou quando o garoto soltou uma risadinha e tornou a beber sua vitamina.

— Não liga pra isso. Eu sou branco, rico e burro. 

Agora, olhando novamente para a análise das impressões digitais, ele se questionou se Simon realmente era tão burro quanto ele pensava.


Notas Finais


Até semana que vem! <3


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