História Simplesmente - Capítulo 71


Escrita por: ~

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Categorias Em Família
Tags Clarina, Emfamilia
Exibições 278
Palavras 6.457
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


You've been scared of love and what it did to you

Capítulo 71 - Capítulo 71


No sábado de manhã, três semanas depois, Marina estava indo com seu carro para a casa de Clara tranquilamente ao longo das ruas suburbanas de Miami no ar quente da primavera. Sua janela estava um pouco aberta, o vento despenteando seu cabelo enquanto ela cantava junto com a música que tocava em seu aparelho de som.

“Esqueça tudo isso

Tire esse peso dos seus ombros

Não percebe que

A parte mais difícil já passou?

Deixe dentro de você

Deixe sua claridade te definir

No final

O que passamos serão apenas lembranças

Nossas vidas são feitas

Desses pequenos momentos

Desses pequenos milagres

Dessas mudanças e voltas do destino

O tempo passa

Mas esses pequenos momentos

Esses pequenos momentos permanecem”

Ela cantava alegremente as letras da música Little Wonders de Rob Thomas, a fazendo sorrir brilhantemente, o significado da canção mais forte agora do que antes.

Lembrou-se de cada palavra sem esforço, sua memória possuindo um talento extraordinário para retê-las, apesar do fato que tinha muitos anos que não ouvia essa música. Marina batia no volante ritmicamente com a música enquanto dirigia e ficou grata que a música tinha começado a tocar na estação de rádio, combinando perfeitamente com seu humor.

“Deixe para lá

Deixe seus problemas ficarem para trás

Deixe brilhar

Até sentir tudo a sua volta

E não me importo

Se é comigo com quem você precisa desabafar

Nós vamos superar tudo

No fim o que realmente importa é o coração

Nossas vidas são feitas

Desses pequenos momentos

Desses pequenos milagres

Dessas mudanças e voltas do destino

O tempo passa,

Mas esses pequenos momentos

Esses pequenos momentos permanecem”

Ela continuou alegremente, seus óculos de sol na ponta do nariz para proteger os olhos, pois o sol estava incrivelmente forte nesse dia.

“Toda a minha aflição

Desaparecerá de algum modo

Mas não posso me esquecer

Como me senti agora…”

Agora, neste exato momento, Marina se sentia feliz. Não havia outra palavra que descrevesse com precisão sua disposição atual. Ela estava feliz, em quase todos os sentidos e em todos os aspectos de sua vida.

Pela primeira vez, Marina estava perfeitamente feliz.

“Quando isso aconteceu?” ela pensou consigo mesma, sorrindo amplamente ao perceber que estava a poucos quarteirões de distância da casa de Clara.

Parecia que foi ontem que a pequena morena literalmente caiu na vida de Marina e dizer que tinha sido um mar de rosas desde então seria extremamente impreciso. Elas sofreram com dificuldades desde o outono passado, a saúde de Clara tanto mentalmente e fisicamente. No entanto, desde que ela e Clara conversaram com Bia e colocaram seu passado problemático para trás, algo tinha mudado. Parecia que finalmente a tempestade tinha começado a acalmar e o mar estava quase sereno.

As últimas semanas tinham sido preenchidas com dias bons para o casal, encontros agradáveis e conversas comuns, nada de grande importância. As noites foram gastas com elas deitadas na cama de Clara, seus braços enrolados em seus corpos enquanto ouviam suas músicas favoritas ou assistiam a filmes que as faziam explodir em risadas incontroláveis.

Marina podia sentir, sem dúvida, essa mudança inesperada que tinha ocorrido, a sutil mudança da maré. Agora, cada dia que passava parecia trazer consigo uma melhor visão do horizonte, o nevoeiro espesso e as ondas agitadas, cada dia mais distantes.

“Um mar calmo nunca fez um marinheiro hábil” pensou Marina, a memória do primeiro encontro com Clara voltando quase que instantaneamente, o tom reflexivo da voz da namorada naquela noite ecoando em seus ouvidos como se estivessem novamente sentadas observando as estrelas.

Marina nunca tinha ouvido essa frase antes de conhecer Clara, mas agora ela ocupava um lugar especial em seu coração ao lado da namorada, as duas coisas eternamente ligadas entre si. Os olhos de Marina caíram reflexivamente para o anel de compromisso que Clara tinha dado a ela, a luz do sol brilhando no objeto de prata enquanto Marina o admirava.

Um mar calmo nunca fez um marinheiro hábil. Marina estava quase certa disso. Ela percebeu ao longo de seu relacionamento com Clara, que a única maneira de aprender e crescer era enfrentar suas dificuldades, seus próprios desafios pessoais com determinação e o mais importante, muito esforço. Diversas vezes é difícil, você tropeçar até o ponto de desistir, até que beira o precipício da derrota, as ondas de desespero aparentemente muito alto para escapar. Haveria dias que você seria um fracasso, onde você iria permitir que a água chegasse e se afogaria nela. A esperança é algo que você não deve deixar passar, mesmo que tudo pareça ruim. A difícil jornada estava praticamente garantido, mas se persistisse, mantivesse sua fé de que o mau tempo iria passar, você iria se aproximar da terra firme novamente, te deixando esperançosa e otimista, te impulsionando com entusiasmo renovado.

Depois de meses navegando em águas turbulentas, Marina e Clara estavam praticamente no final da sua viagem. Elas estavam na reta final e tudo estava finalmente entrando nos eixos. As rajadas ainda eram fortes em torno delas, forte o suficiente para derrubá-las às vezes, mas não o suficiente para afundá-las completamente e as ondas haviam diminuído consideravelmente, embora balançasse seu navio, não eram poderosos o suficiente para derrubá-las.

Marina podia ver a costa no horizonte agora. Ela tem uma melhor visão a cada dia que passava sem dificuldade, com nada além de tranquilidade e ela sabia que quando estivessem em segurança, quando finalmente atracassem o navio no porto e ficasse mais uma vez sobre a terra firme, perceberiam que a viagem incômoda que tiveram não importava, não quando o destino continha tão belas paisagens. Isso não importa porque elas sobreviveram e estariam mais forte, mais resistente. Elas teriam sobrevivido e estavam num lugar com céu claro e nada mais do que uma suave brisa de verão, um lugar onde poderiam aproveitar o brilho dourado do sol como ela estava aproveitando agora, um lugar onde estariam felizes, juntas.

Marina não era ingênua o suficiente para pensar que as nuvens de chuva não molhariam o céu novamente em algum momento, que uma outra tempestade não iria quebrar contra a costa e lavar a areia com a ferocidade da maré. Os últimos nove meses tinha ensinado isso a ela. A felicidade não é um estado permanente assim como as ondas. Haveria dias bons e ruins. O importante era lembrar que não poderiam ficar uma sem a outra. Mas ela tinha aprendido a não se preocupar mais com isso. Ela já não temia outro furacão, outra chuva, outra tempestade. Se ela já tinha sobrevivido a uma tempestade, podia muito bem sobreviver a outra.

“Não, um mar calmo nunca fará um marinheiro hábil” Marina pensou quando chegou em frente a casa de Clara e viu sua namorada sentada no degrau da frente, um livro sempre, em suas mãos “Mas você sabe o que faz? Torna-se uma existência perfeita pra caralho” ela observou sorrindo para si mesma com a visão de encantamento óbvio da namorada na história que lia, seus olhos permanecendo fixos na página sem saber de sua chegada.

Marina desligou o motor e saiu do carro, fechando a porta firmemente, o baque forte o suficiente para despertar a atenção de Clara. Ela olhou para cima e sorriu para a menina de olhos verdes que se aproximava, com a mão direita acenando animadamente em saudação enquanto fechava o livro e se levantava.

“Hey” disse Clara calorosamente, colocando o livro de lado enquanto Marina ia em sua direção, levantando o óculos de sol e o colocando no topo de sua cabeça.

“Oi” Marina disse abraçando Clara e plantando um beijo carinhoso contra os lábios macios da namorada em saudação “O que você está fazendo aqui?”

“Eu estava esperando por você” Clara disse e Marina sorriu soltando a namorada.

“Você estava?” ela perguntou e Clara assentiu com a cabeça antes de pegar o livro.

“Sim, eu não podia esperar para vê-la” ela respondeu timidamente, as bochechas ficando vermelhas “E está um dia tão bonito hoje que pensei em me sentar aqui e esperar você chegar” explicou Clara.

“O que você estava lendo?” Marina questionou interessadamente, seu olhar caindo sobre o livro colocado no degrau da porta da frente de Clara, tentando ler o título.

“Eleanor & Park” Clara respondeu com um sorriso satisfeito.

“Eu acho que não li esse. É bom?”

“Eu comecei tem dez minutos” ela informou dando de ombros “Parece promissor.”

“É sobre o quê?” Marina questionou e Clara se inclinou para recuperar o livro de onde estava, entregando-o para ela examinar.

“É sobre dois adolescentes que se apaixonam” Clara falou enquanto Marina lia o resumo na parte traseira do livro.

“Você sabe que provavelmente ficará de coração partido no final, né?” disse Marina entregando a Clara seu livro “Essas histórias nunca têm um final feliz. Um personagem sempre acaba morrendo ou quebrando o coração do outro personagem.”

“Nem sempre” Clara discordou estudando a capa do livro em suas mãos “Às vezes os autores surpreendem. Além disso, meu coração será corrigido hoje por que está quebrado, então…”

 

Marina afastou uma mecha de cabelo dos olhos de Clara.

“Quer saber? Você ficará quebrada. Você é uma menina desesperadoramente romântica” ela informou gentilmente, seus dedos traçando a cicatriz acima da sobrancelha esquerda de Clara delicadamente “Lembro da confusão que você ficou quando terminou de ler ‘A Culpa é das Estrelas’. Seu coração literalmente quebra em mil pedaços cada vez que você lê um desses livros. Então, me diga quando você estiver perto do fim e eu vou trazer um pouco de sorvete para ajudar a atenuar a dor, ok?”

“Você me trazer sorvete para me ajudar a superar o desgosto de dois personagens fictícios?” perguntou Clara, os olhos cintilando brilhantemente no sol da manhã e enfatizando o seu sorriso.

“É claro. Eu amo como você fica tão investida nas histórias que você lê, Clarinha. É uma das minhas coisas favoritas sobre você. Você é tão apaixonada por literatura” ela disse entrelaçando suas mãos “Eu poderia sentar e assistir você ler por horas. Você é tão compreensiva e sensível, que é como se você entrasse na história. Seu rosto fica submetido a um milhão de diferentes mudanças sutis dependendo do que está acontecendo nas páginas e posso praticamente ver a história se desenrolar através de seus olhos, eles são muito emotivos.”

Marina acariciou o braço de Clara levemente com as pontas dos dedos.

“Então, se você ficar triste porque duas pessoas que se apaixonaram não conseguiram seu final feliz, então eu vou trazer sorvete, ok ? Eu vou trazer sorvete e vou te abraçar até que você não esteja mais triste porque todos os personagens fictícios são vagamente baseados em alguém, todas as histórias têm alguma base na vida e não há nada de errado com o luto pela perda do amor e ser sensível ao sofrimento de outras pessoas.”

Clara exalou lentamente, sua boca curvando-se num sorriso torto com o tom de sinceridade na voz de Marina.

“Você realmente quis dizer isso?” perguntou Clara e Marina assentiu colocando as mãos nas bochechas da namorada.

“Sim, eu quis” ela confirmou beijando Clara suavemente nos lábios, a ponta do seu polegar esquerdo acariciando a bochecha direita amorosamente.

“Estou muito contente que você está me acompanhando ao hospital hoje” Clara disse a Marina, seus olhos encontrando o verde da namorada.

“Você realmente achou que não iria?” Marina questionou rindo levemente e Clara balançou a cabeça.

“Não” ela respondeu e Marina franzia a testa enquanto tentava ler o rosto de Clara, a menina menor parecendo pensativa, os olhos aparentemente olhando através Marina para algo ao longe.

 

“Você está preocupada?” Marina perguntou querendo tranquilizá-la, se necessário.

“Sobre o procedimento?”

“Sim.”

“Não. Não de verdade” Clara disse, um sorriso aparecendo em seus lábios novamente quando a mão de Marina acariciou sua testa, um pouco acima da cicatriz “Meu médico disse que é bem simples. Apenas alguns choques rápidos no coração e pronto, sem dor no peito e palpitações.”

“Parece bom pra mim” Marina comentou alegremente.

“Pra mim também” Clara concordou.

“Então, em quanto tempo precisamos estar no hospital?” perguntou Marina retirando a mão do lado do rosto de Clara quando a namorada se virou para entrar em casa.

“Temos cerca de vinte minutos” respondeu Clara olhando rapidamente para o relógio.

Ela abriu a porta para a namorada e Marina entrou, Clara a seguindo logo depois. Ela colocou o livro que ainda segurava sobre a mesa do corredor.

“Você está com tudo que precisa, pronto?” Marina questionou quando Jasper correu animadamente até ela.

Ela se agachou para acariciá-lo quando Clara respondeu.

“Sim, eu só preciso arrumar algumas coisas para a noite” disse Clara começando a subir as escadas, Marina junto a ela.

“Eu pensei que era um procedimento rápido. Por que precisa levar algumas coisas para a noite? Eu pensei que você não ficaria lá.”

“Eu não vou” reconheceu Clara lançando um rápido olhar para Marina por cima do ombro “Mas eles me disseram para arrumar alguma coisa para o caso e quero estar preparada.”

“Você não precisar ficar. Tudo acontecerá exatamente como previsto e você estará em casa comendo pizza sem nem perceber.”

“Está certa que estarei” afirmou Clara abrindo a porta do quarto “Eu não tenho sido capaz de comer nada desde que fui para a cama na noite passada porque terei uma anestesia geral e estou morrendo de fome” ela reclamou enfatizando a última palavra , sua mão em seu estômago “Eu não acho terei qualquer problema de comer uma, talvez duas pizzas inteiras mais tarde.”

“Bem, quando você chegar em casa você pode ter quantas pizzas quiser, Clarinha” Marina prometeu de sua posição do lado de fora da porta do quarto da namorada.

Ela observou Clara caminhar até a penteadeira e abrir as gavetas em busca de um pijama, pegando um par de shorts de algodão e sua camiseta do Ed Sheeran que ela logo colocou na mochila que estava em sua cama.

Com o canto do olho, Marina percebeu um leve movimento quase imperceptível no corredor à esquerda e ela olhou em sua direção com um sorriso enfeitando seus lábios enquanto seus olhos caíram sobre Lena, que enfiou a cabeça fora da porta de seu quarto curiosamente ao som de suas vozes. A jovem sorriu amplamente quando percebeu Marina parada ali olhando para ela e abriu um pouco mais a porta, a mão acenando para a menina mais velha com entusiasmo.

Marina acenou de volta para a irmã de Clara e Lena a chamou com a mão quase secretamente, um olhar atento que deixou Marina confusa.

“Marina?” Clara perguntou gentilmente, esperando por uma resposta a uma pergunta que Marina, aparentemente, não tinha ouvido.

“Sim, Clarinha” disse Marina virando a cabeça ao som de seu nome, completamente alheia.

“Você não ouviu o que eu disse?” perguntou Clara sentindo a distração de Marina.

“Ugh, não. Eu sinto muito.”

“Tudo bem” Clara disse genuinamente, uma expressão perplexa cruzando seu próprio rosto com o comportamento de Marina “Eu só queria saber se você acha que preciso levar meu bracelete de alerta médico para o hospital comigo. Quero dizer, eu não posso usar qualquer metal durante o procedimento então eu pensei que seria mais fácil deixá-lo em casa, dessa forma eu não vou perdê-lo. Você e minha mãe estarão lá comigo o tempo todo e eles terão meus registros médicos, é meio inútil tê-lo em mim, não é?”

“Sim, é amor” Marina respondeu olhando para o corredor em direção a Lena que estava a chamando de novo “Você deveria deixar sua pulseira aqui” ela disse voltando sua atenção para Clara mais uma vez “Eles saberão que você é epilética sem ela.”

“Ok, obrigada” disse Clara satisfeita com o apoio da Marina.

Ela retirou a pulseira do seu pulso e a colocou no armário de cabeceira.

“Hey, Clarinha, vou ao banheiro enquanto você termina, tudo bem?” Marina perguntou lançando outro olhar rápido pelo corredor para Lena que estava acenando desesperadamente.

“Claro” disse Clara olhando para Marina por cima do ombro enquanto colocava uma escova de cabelo e seu iPod na mala de mão.

Marina aproveitou para caminhar apressadamente pelo corredor em direção ao quarto de Lena, a menina mais nova abrindo a porta para deixá-la entrar.

Lena fechou a porta rapidamente e correu para Marina.

“Oi” ela cumprimentou ruidosamente, a mão cobrindo a boca rapidamente quando percebeu seu erro.

“Oi, Lena” Marina disse com a voz abafada, entendendo que Lena queria privacidade na conversa “Está tudo bem?” ela perguntou agachando-se na frente da pequena menina.

“Sim, agora que você está aqui.”

“Agora que estou aqui?”

“Aham. Eu pensei que você não viria e eu estava com medo.”

“Por que você estava com medo?” Marina questionou , sentindo uma pontada de tristeza com as palavras de Lena.

“Eu estava com medo porque pensei que talvez você não chegasse a tempo de ir para o hospital com a Clara, mas você tem que ir com ela” explicou rapidamente, todo o ar orrendo de seus pulmões em uma respiração rápida “Você tem que ir do contrário ela vai ficar doente de novo e ela está muito melhor” Lena continuou apressadamente, puxando o braço de Marina suplicante “Ela brinca de perseguir Jasper e eu no jardim o tempo todo. Ela até me gira quando me pega e é muito divertido porque algumas vezes ela não conseguia me segurar corretamente com a mão e eu caía no chão. Isso torna mais emocionante quando isso acontece. Mama se preocupa, mas eu dou tanta risada!”

“Lena” disse Marina colocando a mão no ombro das menina “Clarinha vai ficar bem, ok? Ela não vai ficar doente de novo, eu prometo.”

“Eu sei que ela não vai” Lena respondeu com otimismo e batendo palmas “Não agora que você está indo para o hospital com ela. Você vai ter certeza que ela está bem. Eu sei que você vai. Você só… você tem que se lembrar de segurar a mão dela, ok? Caso contrário, seu poder não vai funcionar. Você tem que segurar a mão dela, por favor?” ela implorou e Marina sorriu quando finalmente compreendeu o que Lena estava falando.

“Oh, você está falando sobre os meus poderes de unicórnio?” ela perguntou e Lena assentiu.

“Você vai protegê-la não é?” a jovem perguntou ansiosamente.

“Claro que vou. Eu sempre vou cuidar dela.”

“Você vai?” Lena pressionou incerta, exigindo mais segurança.

“Sim, Lena. Eu amo muito a sua irmã. Eu sempre vou cuidar dela. Eu nunca deixaria nada machucá-la, ok?”

“Ok.”

“Ok” Marina repetiu e Lena a puxou para a cama, animada.

“Olha o que eu fiz pra ela” Lena instruiu apontando para uma imagem em cima dela edredom.

Marina pegou a folha de papel e sorriu para a imagem cuidadosamente desenhada na página.

“Essa é você?” perguntou Marina colocando a imagem de volta na cama e apontando para uma pequena boneca de vestido rosa.

“Sim, sou eu. E essa” disse apontando para uma figura um pouco mais alta vestindo o que parecia jeans e camisa “Esta é a Clara.”

“Ok” disse Marina fingindo estudar a imagem com cuidado “Então esse deve ser o Jasper” ela observou apontando para uma pequena mancha marrom e branco entre as duas meninas.

“Aham. Nós estamos no parque.”

“Eu posso ver isso” Marina disse, seus olhos admirando o parque infantil que era visível no fundo da imagem.

“É de quando fomos todas ao parque. Esta aqui é você” ela compartilhou, o dedo indicador mostrando uma boneca com longos cabelos escuros.

“Esta sou eu?” Marina perguntou lisonjeada que Lena a incluiu em seu desenho.

“Sim. Dá pra ver que é você porque você está vestindo uma fantasia de unicórnio.”

Marina não tinha notado esse pequeno detalhe antes e ela se viu sorrindo amplamente quando seus olhos pousaram sobre a imagem.

“O que são esses corações?” perguntou Marina apontando para os pequenos pontos vermelhos espalhados pela página.

“Eles são as nossas memórias de batimentos cardíacos” Lena disse a ela como se fosse óbvio “A imagem é uma memória de batimentos cardíacos também. Por isso desenhei. É um dos meus favoritos.”

“É?” Marina perguntou sentindo um pouco sufocada pelo sentimento da jovem.

“Sim. Foi divertido e eu gostei de passar um tempo com você e Clara. Além disso, nenhum dos meus amigos conhecem um unicórnio de verdade.”

Marina riu para si mesma e colocou a mão em cima da cabeça de Lena “Eu gostei de passar um tempo com você também.”

“Você acha que ela vai gostar?”

“Eu acho que ela vai adorar.”

“Você vai vir comigo para dar a ela?”

“Claro” respondeu Marina e Lena pegou a mão de Marina e a levou para a porta guiando a menina pelo corredor até o quarto de Clara.

“Oi, Lena” Clara cumprimentou a jovem carinhosamente quando ela a notou em pé na porta timidamente.

Ela terminou de fechar sua mochila e a jogou no chão enquanto Marina entrava.

“Marina…” acrescentou franzindo a testa percebendo a mão da namorada entrelaçada com sua irmã , “O que está acontecendo?”

“Eu fiz uma coisa” disse Lena dando um grande passo em direção a Clara, a mão segurando o desenho entre elas.

“O que é isso? É a gente?”

“Sim” respondeu Lena mordendo o lábio inferior da mesma forma adorável que Clara sempre fazia quando não estava segura de si mesma “É quando todos nós fomos ao parque juntas…”

“É lindo” elogiou Clara abaixando-se na frente da irmã e a puxando para um abraço caloroso.

Marina soltou a mão de Lena para que ela pudesse retribuir o gesto e Clara beijou o lado do rosto de Lena agradecida.

“Vou levá-lo comigo para o hospital” ela disse colocando uma mão em cima da cabeça de Lena e acariciando seus cabelos “Dessa forma, eu vou estar sorrindo o tempo que estiver lá.”

“Você vai?”

“Sim” respondeu Clara entusiasmo lançando um rápido olhar para Marina que estava assistindo a troca com um sorriso no rosto “É tão bonito. Ele deve estar numa galeria de arte com todos os outros grandes artistas, mas eu sou egoísta” ela disse, sua voz baixando para um sussurro “Eu quero mantê-lo pra mim. Tudo bem?”

Lena acenou com a cabeça em êxtase com o elogio.

“Quando eu chegar em casa mais tarde, eu vou colocá-lo na minha parede” Clara compartilhou olhando ao redor de seu quarto para achar um espaço grande o suficiente para a imagem e lutando para encontrar um.

Quando Marina conheceu Clara, suas paredes do quarto não tinham nada. Não havia fotos, cartazes e fotografias. Não havia nada decorando. Agora, porém, o oposto acontecia e era quase impossível encontrar uma única área de parede exposta, lembranças firmemente fixas em todo o quarto.

“Onde você pensa que devemos colocá-lo?” Clara perguntou a sua irmã, um olhar de concentração em seu rosto enquanto ela tentava encontrar um local adequado.

“Você devia colocá-lo lá” disse Lena apontando para o teto acima da cama de Clara.

Clara olhou para Marina que usava uma expressão correspondente a sua: um sorriso divertido e brilhante.

“É o local perfeito. Dessa forma eu posso olhar para ele todas as noites antes de dormir.”

“Filha!” Chica chamou do andar debaixo interrompendo a conversa “É hora de ir. Você está pronta?”

“Sim. Já estou descendo.”

Ela voltou sua atenção para a irmã e a abraçou de novo, beijando-a primeiro no rosto e depois na testa.

“Eu te vejo mais tarde” disse Clara inclinando-se para olhar Lena novamente.

“Ok” disse Lena lançando um olhar rápido e significativo para Marina.

“Tente se divertir no zoológico com Papi, certo? Então, quando você chegar em casa mais tarde, comeremos pizza e veremos filmes.”

“Você promete?” perguntou Lena.

“Eu prometo” disse Clara com confiança e abraçando Lena novamente “Obrigada pelo desenho. Eu realmente amei.”

“Você não vai ficar doente de novo?” Lena sondou nervosamente.

“Não” respondeu Clara indo até a cama e pegando seu unicórnio de pelúcia que Lena tinha dado a ela no Natal “Estou levando Ifos, ela vai cuidar de mim e ter certeza que eu melhore muito rapidamente.”

“A Marina também” Lena adicionou e Clara olhou para sua namorada.

“Sim, Marina vai também. Mami também. Elas não deixarão nada de ruim acontecer, tudo bem?”

Lena olhou entre Marina e Clara indecisa, ainda evidentemente preocupada com a perspectiva de Clara ir embora de novo. Marina percebendo o quão difícil devia ser para Lena entender, considerando suas experiências anteriores de internações hospitalares da irmã, se agachou ao lado Clara pegando a mão da namorada e a levando aos lábios. Ela beijou as costas dela suavemente, seus olhos nunca deixando o rosto de Lena.

“Eu prometo” disse Marina notando o sorriso da menina menor enquanto seus olhos estavam fixos em suas mãos entrelaçadas “Eu vou protegê-la.”

“Ok” disse Lena enquanto abraçava Clara firmemente em seus bracinhos.

Ela permaneceu lá por alguns minutos, relutante em deixá-la ir, antes de finalmente se afastar.

“Eu te amo” disse Lena antes de jogar rapidamente os braços ao redor Marina em agradecimento, a menina mais velha surpresa com o gesto inesperado.

“Eu também te amo, Lena” Clara disse assistindo a troca de pé, Ifos em uma mão e Marina segurando a outra também ficando de pé “Certifique-se de dizer olá para os pandas e os macacos por mim” ela pediu e Lena acenou afirmativamente quando Ramiro apareceu na porta.

“Filha” disse se dirigindo a Clara “Você precisa ir ou então se atrasará. Sua mãe está esperando por você lá embaixo.”

“Eu já vou” ela informou se virando para pegar suas coisas, mas vendo que Marina segurava tudo em sua mão livre.

“Tente se comportar” Ramiro disse para sua filha brincando quando se aproximou e a abraçou, Marina soltando sua mão novamente para deixá-la a participar do abraço “Eu não quero surpresas. Se você não estiver aqui de noite, eu vou te pegar, ok? Sem dormir fora esta noite. Esta família já teve o suficiente de hospital para uma vida inteira.”

“Vejo você no jantar” Clara prometeu e Ramiro a beijou no lado da cabeça.

“Te amo” disse a estudando por um momento.

“Te amo, papi” declarou e ele deu um tapinha em seu ombro a encorajando a sair.

Ele colocou as mãos nos ombros de Lena e viu quando Marina e Clara saíram do quarto, sua filha piscando um último sorriso torto quando passou. Juntas, desceram e encontraram Chica esperando por elas pacientemente ao lado da porta , o livro de Clara em sua mão.

“Eu pensei que você gostaria de levar isso.”

“Obrigada” disse Clara pegando 'Eleanor & Park’ e colocando o livro debaixo do braço.

“Marina, você tem certeza que não se importa em dirigir?” Chica perguntou e Marina sacudiu a cabeça.

“Não, nem um pouco” Marina respondeu acenando com a mão com indiferença “Está tudo bem, honestamente.”

“Bem, obrigada. Eu realmente agradeço” ela terminou abrindo a porta da frente para as duas meninas.

Elas foram para o carro de Marina, Clara na frente com sua namorada e Chica no banco de trás atrás de sua filha, elas foram para o hospital onde Clara foi rapidamente admitida e levada para uma sala privada para aguardar o procedimento. Pediram que Chica preenchesse alguns papéis em nome de Clara e ela foi até o posto de enfermagem enquanto Clara colocava o vestido do hospital.

Dez minutos depois, Marina assistia tolerante a enfermeira colocar uma pulseira de identificação no pulso da namorada. Clara estava sentada na cama, a cabeça baixa enquanto estudava o que a enfermeira estava fazendo, seus longos cachos escuros de cabelo ao redor do rosto obscurecendo a vista de Marina.

“Prontinho” disse a enfermeira gentilmente “Você está pronta.”

“Ótimo” disse Clara movendo o cabelo para trás de seus olhos com a mão enquanto encarava a enfermeira.

“Eu só preciso verificar mais algumas coisas, tudo bem?” ela perguntou.

“Claro” respondeu Clara estendendo seu braço reflexivamente para que a enfermeira terminasse os procedimentos.

Marina examinou a cena de onde estava, seus olhos encontrando os de Clara enquanto a enfermeira completava seu trabalho.

“Bem, tudo parece bom” informou a enfermeira a Clara depois de ter escrito sua pressão arterial, temperatura, frequência cardíaca e saturação de oxigênio em uma pasta que ela agora tinha na mão “Vou levar isso para o médico verificar e volto um pouco mais tarde para colocar em uma cânula para a anestesia, ok?”

“Ok” Clara reconheceu e a enfermeira sorriu gentilmente antes sair do quarto.

Marina afastou-se da parede e caminhou na direção da cama empoleirando no colchão ao lado de Clara e pegando a mão da namorada.

“Roupa maneira” Marina disse maliciosamente, brincando com os dedos de Clara por força do hábito, os olhos fixos em suas mãos que descansavam em seu colo, com um sorriso no rosto.

“Cale a boca” protestou Clara divertida, cutucando o ombro de Marina.

“Está brincando? Tá bonita…”

“Você só está com ciúmes porque eu pareço melhor com ela do que você” Clara respondeu e Marina riu.

“Merda, eu tinha esquecido que você tinha me visto em um” Marina observou e Clara levantou uma sobrancelha.

“Eu acho que nós realmente vimos o interior deste lugar um pouco demais este ano” comentou Clara e Marina passou o braço em torno do ombro da namorada.

“Sim, mas eu tenho um bom pressentimento sobre hoje, Clarinha” disse beijando o lado da cabeça de Clara confortavelmente “Eu acho que não vamos precisar voltar pra cá por um bom tempo.”

“Você acha?” Clara perguntou torcendo o rosto para o lado a fim de olhar para Marina.

“Sim, amor. Acho que será a última vez que estamos aqui durante um bom tempo.”

Marina observou Clara por um momento, a namorada com o olhar perdido em todo o quarto.

“Você está bem?” Marina perguntou apertando a mão de Clara.

“Sim” respondeu Clara deixando cair o olhar para suas mãos antes de encarar Marina “Eu só estou pensando.”

“Em quê?” Marina questionou e Clara mudou de posição na cama virando de frente para Marina.

“As coisas parecem diferentes agora?” Clara perguntou sem rodeios e à primeira Marina não tinha certeza do que ela queria dizer.

“Diferentes?”

“Sim, diferente. Melhor.”

“Sim, Clarinha. As coisas parecem melhores agora. Por quê?”

“Bem, porque acho que as coisas parecem muito melhores. Quero dizer, as coisas estão melhores. Estou melhor…”

“Sim” Marina disse ansiosa para ouvir os pensamentos de Clara “Você está, meu amor. Então, o que está incomodando você sobre isso?”

“Eu simplesmente não posso deixar de sentir que algo não está certo. As últimas três semanas foram perfeitas, quase perfeitas demais. Foi surreal…”

“Surreal como um sonho?” perguntou Marina e Clara balançou a cabeça sentindo-se insegura sobre continua a ter os mesmos medos de sempre.

“Sim” ela disse em voz baixa.

“Clarinha, você não está sonhando” disse Marina beijando-a nos lábios rapidamente “Você está acordada, prometo. Isso não é tudo da sua cabeça.”

“Parece que às vezes é e eu não posso ajudar a sensação incômoda na parte de trás da minha cabeça que a razão de tudo ter sido tão incrível ultimamente é porque estou me recuperando e vou acordar logo. Parece que estou me dando esse tempo, essa felicidade porque quando finalmente abrir os olhos, vou estar de volta para o início novamente, na dor e lutando…”

“Isso não vai acontecer” Marina tranquilizou apertando seu domínio sobre o corpo pequeno de Clara.

“Sim, eu sei, mas pense nisso Marina, seria o cenário perfeito não é? Eu indo fazer o procedimento hoje e quando acordar, eu ainda estou no hospital, só que… você não está comigo porque não nos conhecíamos naquela época.”

“Você está realmente preocupada com isso?” Marina questionou e Clara balançou a cabeça.

“Não, não preocupada. Eu só estava pensando sobre isso.”

“Você sabe, nós nos encontramos antes do acidente. Você simplesmente não se lembra, só isso. Eu porém me lembro. Não imediatamente quando nos tornamos amigos, mas surgiu um dia na minha cabeça e eu me pergunto como pude esquecer.”

“O quê? Quando?”

“No final do segundo ano, na biblioteca. Foi durante o período de almoço. Você estava ajudando Gisele com alguns de seus trabalhos de Matemática Avançada e eu fui encontrar com ela.”

A testa de Clara franziu enquanto tentava recordar a memória.

“Eu não me lembro disso.”

“Vocês estavam terminando e eu me sentei na cadeira em frente a vocês e suspirei porque eu estava deprimida. Você não olhou pra mim, você realmente é bastante tímida quando não conhece alguém” observou calorosamente, seu polegar traçando pequenos círculos na parte de trás da mão de Clara “Você estava ocupada arrumando suas coisas e Gisele me perguntou o que tinha acontecido então eu comecei a dizer a ela sobre Bia. Nós estávamos namorando e tínhamos ido ao cinema na noite anterior quando ela viu um grupo de amigas. Ela agiu como se não houvesse nada entre nós e eu estava ferida porque eu realmente gostava dela naquele momento. Eu pensei que ela gostava de mim também e talvez gostasse, mas ela não estava aberta sobre sua sexualidade na época, ela ainda estava se escondendo e isso me fez sentir como se ela tivesse vergonha de estar comigo.”

Marina encontrou os olhos atentos de Clara e continuou.

“Gisele me disse que eu deveria terminar com ela imediatamente, que eu merecia alguém que estava disposto a reconhecer a nossa relação em público e que não devia me contentar em namorar em segredo. Você não disse nada, porém. Você acabou de fechar sua bolsa, tranquila e despretensiosa como sempre.”

“Então o que aconteceu?”

“Eu perguntei a você. Perguntei o que pensava e você finalmente levantou os olhos para olhar para mim e você disse que concordava com Gisele, que o amor não é quieto e reservado, é corajoso e ousado. Você disse que o amor deve te deixar sem medo e que se você estava apaixonado por alguém, que não tivesse medo de mostrá-lo. Você disse que gostaria que todos pudessem ver.”

“Então o que aconteceu?” Clara perguntou quando Marina não continuou.

“Então você se levantou, despediu-se de Gisele e me disse que esperava que tudo desse certo. Então você saiu.”

Marina acariciou a cicatriz acima da sobrancelha esquerda de Clara e suspirou satisfeita.

“Tudo deu certo eventualmente” disse com um pequeno sorriso em seus lábios “Funcionou melhor do que eu jamais poderia ter imaginado, Clarinha.”

Ela parou por um momento e afastou uma mecha de cabelo dos olhos de Clara, sua mão na base do pescoço de Clara.

“Quando você acorda mais tarde eu vou estar aqui. Eu prometo. Eu sou seu príncipe lembra? O príncipe sempre acorda a princesa adormecida com um beijo, sempre.”

“Eu podia te ouvir falar durante horas” disse Clara impensadamente e Marina sorriu.

“Isso é engraçado porque eu sinto o mesmo por você.”

Clara inclinou-se e beijou Marina, suas bocas se moldando perfeitamente como se fossem duas peças adjacentes de um quebra-cabeça. Marina sentiu a língua de Clara traçar o lábio inferior e ela abriu a boca permitindo o acesso, aprofundando o beijo.

Os dedos de Marina estavam no cabelo da parte de trás do pescoço de Clara e mão desocupada da namorada foi para o lado do rosto de Marina, seus dedos acariciando a pele levemente.

“Eu tenho algo para você” Marina disse quando se separaram e ela inclinou-se para recuperar a bolsa do chão.

“O que?” Clara perguntou enquanto a garota pegava sua bolsa.

“É um presente” disse puxando um pequeno embrulho, uma fita cor de rosa e um arco enfeitando o embrulho.

“Pelo quê?” perguntou Clara descansando a cabeça no ombro de Marina.

“Só porque eu queria te dar alguma coisa” Marina respondeu deslizando o pacote para o colo de Clara.

“Marina você já me deu ingressos para ver Demi. Você não precisa me dar nada mais.”

“Na verdade, aqueles eram da senhorita Muller, não meus. Eu só os entreguei a você.”

“Posso abrir agora?” perguntou Clara, seus dedos traçando o papel com delicadeza.

“Ainda não. Você tem que esperar até mais tarde quando estiver acordada de novo. Então você poderá abrir, tudo bem?”

“Ok” respondeu Clara quando sua mãe voltou para o quarto seguida pela enfermeira que estava segurando uma bandeja com as coisas necessárias para configurar uma cânula na parte de trás da mão de Clara.

Marina pegou o presente do colo de Clara e o colocou de volta em sua bolsa antes de se levantar da cama.

A enfermeira colocou a cânula habilmente nas costas da mão direita de Clara dizendo a jovem que os enfermeiros a buscariam em cerca de vinte minutos para levá-la para a sala de procedimento.

“Alguma pergunta?” a enfermeira perguntou e Clara balançou a cabeça.

“Ah, não espere. Quanto tempo depois eu posso comer?” ela perguntou a enfermeira e sorriu para ela, evidentemente divertida.

“Quando você quiser” respondeu antes de sair do quarto novamente com a bandeja usada.

“Incrível” comentou Clara balançando as pernas em cima da cama, Marina vagando para se espremer ao seu lado.

“Você quer que eu pegue alguma coisa para quando você sair?” perguntou Chica puxando uma cadeira e sentando-se ao lado de ambas.

“Não” disse Clara descansando a cabeça no ombro de Marina de novo, a menina de olhos verdes brincando com seus dedos enquanto pegava o livro de mesa de cabeceira com a outra mão “Eu vou ver como me sinto. Eu posso ficar um pouco enjoada da anestesia.”

“Ok” disse Chica retirando seu próprio livro da bolsa para ler.

Juntas elas se sentaram e esperaram, Marina feliz assistindo Clara enquanto lia, admirando as pequenas nuances do rosto da namorada que mudavam em vários momentos ao longo dos minutos que passaram. Quando o enfermeiro finalmente chegou para levar Clara, vinte minutos mais tarde, ela desceu da cama a beijando suavemente nos lábios.

“Vejo você em breve” ela disse e Clara levou a mão ao rosto de Marina.

“Me deseja sorte” ela pediu sorrindo brilhantemente.

“Você não precisa de sorte. Você é muito possivelmente uma das pessoas mais sortudas que já conheci.”

“Me deseja sorte de qualquer maneira” disse Clara e Marina riu.

“Boa sorte” ela concordou complacente beijando Clara novamente.

“Eu estarei de volta em um minuto” disse Chica para Marina quando a enfermeira começou a mover a cama para a porta.

Ela ia acompanhar Clara até a sala de procedimento e esperar até que estivesse sedada.

“Vejo você do outro lado” disse Clara acenando para Marina quando sua cama desapareceu pela porta e a menina mais alta a viu desaparecer pelo corredor.

“Sempre” disse Marina para o quarto agora vazio quando se sentou na cadeira desocupada de Chica e pegou o livro de Clara da mesa de cabeceira.

Ela o abriu, seus olhos caindo para uma página aleatória e tropeçando numa parte sublinhada no livro de Clara por uma caneta preta grossa.

“Nada antes de você conta. E eu não consigo nem imaginar um depois.”

“Basicamente” Marina murmurou para si mesma sorrindo enquanto abria o livro na primeira página e começava a ler, seu corpo deslizando na cadeira para se sentir confortável “Basicamente isso.”


Notas Finais


Preparem os lenços para o capitulo seguinte!!
Beijos ate os comentarios!
Erross...


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