História Simplesmente - Capítulo 72


Escrita por: ~

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Categorias Em Família
Tags Clarina, Emfamilia
Exibições 288
Palavras 6.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Woke up by a girl, I don't even know her name

Capítulo 72 - Capítulo 72


Dez minutos depois, Chica voltou e informou a Marina que Clara tinha sido sedada sem problemas.

“Disseram a ela para contar de dez a zero enquanto liberavam o anestésico em sua veia” disse Chica rindo enquanto puxava outra cadeira para se sentar ao lado de Marina “Ela só chegou até nove…”

“Sério?” Marina perguntou divertida “Uau, ela é peso leve” ela comentou rindo.

“Você sabe que não precisava vir com ela hoje” disse Chica sorrindo para a namorada de sua filha “Eu sei como pode ser chato ficar esperando aqui. Não há muito o que fazer.”

“Eu não me importo” Marina respondeu com sinceridade colocando o livro de Clara na mesa de cabeceira “Eu só ia ficar sentada em casa me preocupando de qualquer maneira. Além disso, alguém tem que te fazer companhia né?”

Chica colocou uma mão em Marina e a apertou grata por sua bondade.

“Posso te perguntar uma coisa?” Marina questionou timidamente, sem saber se estava ultrapassando algum limite abrindo este tema específico de conversa.

“É claro. Você pode me perguntar qualquer coisa.”

“Como a Clarinha era quando acordou no início?Quero dizer, quando ela acordou pela primeira vez…”

“Após o acidente?” Chica disse e Marina assentiu “Por que você pergunta?”

“Eu só… ela não se lembra e eu sempre fui curiosa sobre isso. Ela mudou muito no pouco tempo que eu a conheço, mas imagino que ela deve ter mudado ainda mais na época.”

“Você e Vanessa não não falam sobre isso?” Chica perguntou com uma pitada de surpresa em sua voz, imaginando que a melhor amiga de Clara teria sido a fonte de informações de Marina depois de sua filha.

“Vanessa realmente não gosta de falar sobre isso e eu não quero pressioná-la, é muito difícil.”

“Bem, ela não era minha filha, não de imediato. Levou meses antes que comecei a realmente ver alguém que remotamente se parecia com a Clara que eu conhecia e amava.”

“Será que ela se lembrava do que aconteceu com ela?”

“Não durante um tempo. A primeira semana depois que acordou, Clara não fez muita coisa” Chica compartilhou com Marina, um olhar contemplativo em seu rosto “Ela não falou uma única palavra, ela apenas ficava deitada na cama e olhava para o teto. O máximo que ela fazia era mover a cabeça de um lado para o outro e, ocasionalmente, levantava a mão direita sem qualquer finalidade. Era quase como se ela estivesse tentando descobrir o que era.”

“Ela te reconheceu?”

“Não, eu acho que não. Ela olhava para mim e não tinha nada lá, nenhum reconhecimento, nenhuma reação, nada. Eu falava com ela e ela olhava para mim sem entender. Eu não sei onde ela estava, mas não estava aqui. Ela estava em outro lugar.”

Chica parou por um momento para pensar quando ela se sentava ao lado da cama de hospital de Clara por horas, sua filha sendo a única preocupação.

“Foi só dez dias depois que ela acordou pela primeira vez, quando eu estava sentado ao lado da cama como eu normalmente fazia, ela olhou para mim com uma expressão vazia no rosto e finalmente disse algo. Ela disse: ‘Mami?’ Era isso, só uma palavra que eu sentia tanta falta.”

“Eu aposto que você não podia acreditar” Marina comentou sorrindo para a abertura de Chica.

“Eu explodi em lágrimas” Chica lembrou com os olhos úmidos com a lembrança “Fazia muito tempo desde que eu ouvi a voz dela e todos os médicos haviam nos avisado que ela provavelmente nunca seria capaz de se comunicar novamente. Eles nos disseram que ela provavelmente teria um dano cerebral irreversível e que precisaria de cuidados em tempo integral. O palpite mais otimista era que ela estaria confinada a uma cadeira de rodas, incapaz de fazer qualquer coisa por si mesma. Eu me lembro quando me contaram. Pensei que, se isso era o melhor resultado que poderíamos esperar, então eu teria preferido que ela tivesse morrido.”

Chica encontrou os olhos assustados de Marina.

“Eu sei que me faz soar horrível, mas eu não iria querer essa vida para ela. Não seria viver. Minha menina, ela estava tão cheia de energia, dinâmica e vibrante. Eu não acho que poderia ter visto ela reduzida a nada, uma sombra do que era. Eu acho que teria sido pior do que não tê-la aqui, apenas vê-la suportar seu destino em silêncio, nunca sabendo muito bem o que ela estava pensando, mas sempre pensando.”

“Mas você não desistiu dela” Marina observou com compaixão, compreendendo o ponto de vista de Chica.

“Não, ninguém desistiu. Eu estava numa bagunça completa, pra ser honesta. Eu não sabia o que fazer pra ela. Eu não acho que existia alguma coisa que eu poderia fazer. Eu me sentia tão inútil. Seus terapeutas são a razão dela estar onde está hoje. Eles são a razão pela qual ela conseguiu até agora. Eles nunca desistiram dela, mesmo quando os médicos disseram seu possível futuro, eles continuaram. Sem eles, Clara seria uma pessoa diferente e eu ficaria também. Eles me guiaram através da recuperação de Clara, quase tanto como fizeram ela. Eles me deram finalidade, exercícios para fazer com ela, coisas simples que me fizeram sentir como se estivesse ajudando, mesmo que provavelmente não estava. A primeira vez que seus fisioterapeutas me deixaram assistir a uma sessão foi incrível. Um deles estava sentado atrás dela, o outro na frente em uma cadeira e eles compartilharam um olhar aguçado. A fisioterapeuta atrás Clara sorriu feliz e ela levantou as mãos para me mostrar que Clara estava sentada sozinha.”

Chica passou a mão pelo cabelo, parando momentaneamente.

“Clara só conseguiu ficar alguns minutos antes de começar a cair para trás novamente, mas eu poderia dizer pelo olhar no rosto da fisio que tinha ido bem. Não demorou muito até que ela fosse capaz de sentar-se em uma cadeira de rodas. Um dia, quando ela estava fora da UTI, eu vim para vê-la e a encontrei no meio de uma sessão de tratamento. Ela estava de pé ao lado da cama entre eles. Ela precisava de muita ajuda, mas estava de pé e foi a primeira vez que fui capaz de abraçá-la adequadamente desde o acidente. Eu acho que eles pensaram que eu estava louca” Chica riu lembrando o que aconteceu em seguida “Abracei os dois também, como se fôssemos velhos amigos. Eu não poderia me ajudar. Eu estava tão grata por tudo o que tinham feito pela Clara e por mim. Eles foram a combinação perfeita de assertivo e paciente, empurrando Clara em frente na sua recuperação sem serem agressivos. Eu me lembro o quanto investiram em sua reabilitação. O dinheiro não importa para eles, não é esse motivo. Você podia ver a excitação que mostravam até mesmo com as pequenas coisas Clara fazia. Você deveria ter visto os fonoaudiólogos da Clara quando vieram numa manhã e perguntaram como ela estava, o silêncio normal que geralmente acontecia nessa situação substituído por 'Eu me sinto melhor’.”

“Isso é tão legal” Marina comentou com admiração.

“Realmente maravilhoso por uma mudança dela. Depois disso, foi aos trancos e barrancos. Sua fala melhorava a cada dia e antes que eu percebesse ela era capaz de sair da cama e caminhar até o banheiro com as enfermeiras. Eu me lembro, eu estava sentada em seu quarto com ela um dia, jogando "Quatro em Linha” como seu fisioterapeuta tinha incentivado Clara e ela tentava pegar as peças. Ela ficou frustrada e empurrou o jogo no chão com raiva com a mão direita. Essa foi a primeira vez que ela chorou por causa do que tinha acontecido com ela. Até aquele momento era como se ela não tivesse percebido o que estava acontecendo ou o que tinha passado, mas naquele momento ela percebeu e chorou.“

Chica enxugou os olhos, as lágrimas caindo com a lembrança da angústia da filha.

"Ela perguntou por que isso tinha acontecido com ela. Ela queria saber o que tinha feito de errado, por que o motorista não tinha parado. Foi a primeira vez que ela se referiu ao acidente sem avisar. Ela estava começando a se lembrar das coisas e embora estava me machucando, eu levei isso como um bom sinal porque ela não estava mais a deriva, ela não era indiferente, ela estava respondendo adequadamente a algo horrível que tinha acontecido com ela. Ela tinha sua mente de volta, seus pensamentos, suas emoções. Ela não era apenas uma casca, ela era uma pessoa de novo e eu nunca fui mais grata por qualquer coisa em toda a minha vida.”

“Uma parte de mim queria ter conhecido ela naquela época” confessou Marina “Eu gostaria de poder ver o quão longe ela está chegando desde o primeiro dia, mas eu apenas nunca vai saber da missa a metade. Eu acho ela tão inspiradora. Ela não tem ideia de como incentivadora e incrível sua história é. O quanto a sua jornada motiva e me emociona. Ela é completamente alheia à forma como eu sou admirada por ela.”

Chica estendeu a mão e apertou a mão de Marina com prazer.

“Obrigada” disse Chica, uma lágrima escapando descaradamente com as palavras de Marina “Estou muito grata por tudo que você fez por Clara. Quando ela me contou sobre vocês duas, fiquei surpresa. Eu não tinha certeza se era uma boa ideia, não por causa de ser uma menina, mas porque eu não achava que Clara estava emocionalmente pronta para um relacionamento, muito menos um que seria julgado com mais rigor porque não era considerado igual ou direito aos olhos de algumas pessoas. No entanto, você é realmente uma bênção na vida da minha filha. Você é gentil, atenciosa inteligente, pensativa e o fato de que você apoiou Clara em tudo, bem isso faz de você uma parte da minha família e você vai continuar a ser uma parte dela durante o tempo que minha filha quiser que você seja.”

“Sério?” Marina perguntou e Chica apertou a mão dela em resposta.

“Sim. Eu só quero Clara seja feliz e ela é, apesar de tudo que passou, ela está feliz e muito disso é por causa de você.”

“Ela me faz tão feliz” Marina disse sorrindo timidamente.

“Então, meu conselho é que vocês se agarrem uma na outra por tanto tempo que conseguirem. As pessoas que fazem você feliz de verdade são como joias raras e devem ser valorizadas como tal.”

“Eu sei e eu valorizo cada segundo insignificante que eu tenho com a sua filha.”

“Bom porque eu sei que ela valoriza o seu tempo com você também.”

“Então, quanto tempo eles disseram que o procedimento levaria?” Marina perguntou olhando para o relógio que estava passando ruidosamente.

“Meia hora dependendo de quantas tentativas levasse para eles regularem os batimentos cardíacos” Chica informou.

“Eles farão isso direito no coração?”

“Sim, só por um segundo. Apenas o suficiente para que redefina a um ritmo normal.”

“Há quanto tempo ela está lá?” perguntou Marina e Chica olhou para o relógio.

“Vinte minutos” ela suspirou.

“Portanto, esperamos que ela vai sair em breve, então” Marina comentou e Chica acenou com a cabeça.

“Esperamos.”

“Você quer algo para beber?” Marina questionou levantando-se da cadeira “Estou indo buscar um refrigerante na máquina.”

“Não, eu estou bem, obrigada” Chica respondeu e Marina sorriu antes de desaparecer no corredor em busca de uma máquina de venda automática.

Eventualmente, ela encontrou uma e parou em frente a ela para colocar o dinheiro e selecionar uma Coca que caiu para na parte inferior ruidosamente. Ela se abaixou para pegá-la e virou-se para voltar ao quarto de Clara, parando quando percebeu uma mulher vestindo uma camisa pólo branca ao lado de um paciente do sexo masculino que estava lutando para caminhar ao longo do corredor.

Marina viu quando eles passaram por ela, levando em conta o grande recuo no lado da cabeça do homem de uma lesão que ele sofreu, um curativo branco o cobrindo. Ela observou as mãos da mulher segurando sua cintura, fornecendo-lhe estabilidade enquanto suas pernas se moviam freneticamente e incontrolavelmente debaixo dele, fazendo-o parecer como se estivesse bêbado.

“Desculpa” a mulher disse notando que Marina os observava “Você se importa de me trazer aquela cadeira?” ela perguntou apontando para uma que estava no lado esquerdo da morena.

“Claro” disse Marina, pegando a cadeira e levando até a mulher que colocou o paciente sentado nela com segurança.

“Obrigada. Isso é o mais distante que nós conseguimos e acho que Bill merece um pouco de descanso antes de começar a fazer o caminho de volta para seu quarto.”

“Sem problema” Marina disse, os olhos de lendo a palavra 'fisioterapeuta’ impressa em azul em sua camisa.

Ela sorriu para os dois calorosamente antes de voltar para o quarto de Clara, o louvor que a fisioterapeuta estava dando ao paciente ainda ecoando nos corredores. Quando ela finalmente voltou, Marina entrou e caminhou de volta para sua cadeira, sentando-se ao lado Chica que tinha pego o livro de novo e agora estava lendo baixinho para si mesma. Marina abriu a lata de refrigerante e tomou um grande gole antes de pegar 'Eleanor & Park’, internamente amaldiçoando sua decisão de começar a lê-lo e fazendo uma nota mental para comprar sua própria cópia, já viciada na história.

As duas ficaram em silêncio lendo por mais 20 minutos até que finalmente Clara foi levada de volta para o quarto em sua cama, uma máscara de oxigênio sobre o rosto e um médico junto.

“Senhora Fernandes?” ele perguntou enquanto o enfermeiro colocava a cama de volta ao seu lugar.

“Sim” disse Chica guardando o livro e ficando de pé.

Ela olhou entre o médico e sua filha, Marina torcendo em seu próprio assento para assistir a troca entre os dois adultos com interesse.

“Tenho o prazer de dizer que tudo correu bem” disse carinhosamente com um sorriso nos lábios “Conseguimos restaurar um ritmo sinusal normal para o coração da sua filha após três tentativas e todos os seus sinais vitais estão bem.”

“Sério?” perguntou Chica lançando um olhar na direção de Clara “Então ela vai ficar bem?”

“Ela deve ficar bem. Eu preciso que ela volte para uma revisão em uma semana, apenas para verificar que não voltou para a fibrilação atrial, mas estou confiante que deve permanecer em ritmo sinusal, sem a necessidade do uso de qualquer medicação” o médico tranquilizou e Marina olhou para sua namorada dormindo, um largo sorriso no rosto com a notícia “Vamos ficar de olho nela por algumas horas aqui e se tudo permanecer como está, ela pode receber alta e ir pra casa.”

Ele parou por um momento dando um passo para mais perto de Chica antes de continuar.

“O peito dela provavelmente ficará dolorido por alguns dias e as pás podem ter irritado sua pele, então eu vou escrever uma receita para alguns analgésicos e um creme dermatológico para ajudar a controlar isso. Ela ficava consciente, mas logo desacordava durante a recuperação de monitoramento então ela pode ficar um pouco grogue enquanto quando a sedação passar, por isso não se preocupe se ficar um pouco confusa ou desorientada. Vai passar logo. Se estiver tudo bem, eu vou precisar de você apenas um minuto para assinar alguns papéis” questionou Chica e ela balançou a cabeça, passível de qualquer coisa que precisava que ela fizesse.

“Claro” Chica disse a ele, virando-se e pairando sobre a cama por um momento antes de plantar um beijo suave na testa de Clara.

“Marina, eu só vou estar fora com o médico por um minuto, mas depois eu preciso chamar o pai da Clara e contar que tudo correu bem. Você vai ficar bem por um minuto?”

“Sim, eu vou ficar bem” respondeu Marina e Chica sabendo da veracidade das palavras, seguiu o médico para fora da sala tendo o seu telefone com ela.

Marina, agora sozinha com sua namorada, arrastou a cadeira para mais perto da cama e pegou a mão esquerda de Clara levando aos lábios e beijando as costas dela com ternura, seus dedos movendo-se para baixo depois de um momento para encontrar a cicatriz familiar no antebraço de Clara, a traçando suavemente.

Ela viu Clara mexer ligeiramente ao seu toque e levou uma mão suavemente à testa da namorada.

“Hey amor” Marina disse quando os olhos de Clara se abriram, seu tom de voz suave e reconfortante.

“Marina?” Clara questionou com a voz rouca e letárgica, fechando os olhos novamente enquanto virava a cabeça no travesseiro na direção da namorada.

“Sim, Clarinha” respondeu Marina, sua mão acariciando a testa de Clara.

Clara engoliu em seco e exalou pesadamente, sua língua se movendo para umedecer os lábios enquanto seus olhos permaneciam fechados.

“Estou morta?” ela perguntou lentamente e Marina sorriu com a pergunta.

“Temo que não” respondeu, seus dedos traçando a cicatriz de Clara

“Tem certeza?” Clara respirou, suas pálpebras piscando por um momento antes de abrir parcialmente e olhar para Marina “Eu acho que morri.”

“Você não morreu. O médico disse que tudo correu bem, amor.”

Clara se esforçou para abrir os olhos novamente, mas olhou para Marina com olhos turvos, piscando um sorriso tonto em sua direção.

“É mesmo?” ela questionou e Marina assentiu apertando o antebraço esquerdo de Clara.

“Sim. Você vai ficar bem.”

“Então eu não estou morta?” perguntou Clara novamente, as pálpebras caindo e cobrindo os olhos, sonolenta.

“Não.”

“Então por que estou olhando para um anjo?” perguntou Clara sonolenta e o sorriso de Marina tornou-se tão grande que ela achou que suas bochechas iam estourar.

“Não faça isso” Marina repreendeu Clara de brincadeira “Não seja adorável. Você sabe que é a minha fraqueza…”

“Oh, ok” Clara concordou facilmente, fechando os olhos de novo “Você sabe” ela começou poucos segundos depois, sua voz relaxada e tranquila “Eu tive um sonho muito estranho…” Clara continuou, com a voz sumindo com a fadiga.

“Você teve?”

“Sim” Clara exalou, as pálpebras levantando apenas um pouco “Eu sonhei que eu era um dragão.”

“Um dragão, é? Que tipo de dragão?”

“Um grande” Clara respondeu com os olhos fechados novamente.

“Clarinha?” Marina pressionou quando sua namorada não continuou com a sua história.

“Sim” disse Clara levantando as pálpebras lentamente.

“Esse foi todo o seu sonho?” Marina questionou e Clara sorriu.

“Não” disse Clara, o coração de Marina vibrando loucamente em seu peito ao ver a expressão da namorada “Você estava nele também…”

“Eu era um dragão também?” Marina perguntou rindo suavemente.

“Não, não um dragão… você era… outra coisa… como um pégasus…”

“Um pégasus? Você quer dizer um cavalo voador…”

“Aham” Clara gemeu vagamente.

“Então o que aconteceu neste sonho?” perguntou Marina e Clara tentou rolar para o lado dela, mas não conseguiu .

Ela estendeu uma mão desajeitada até a máscara de oxigênio sobre o rosto e a puxou para baixo, forçando os olhos abertos para que ela pudesse olhar Marina.

“Eu estava ferida… e… presa… numa montanha na caverna… eu estava… sozinha no escuro…” ela disse, os olhos derivantes enquanto falava.

Marina acariciou a bochecha de Clara com as costas de seus dedos levemente e suas pálpebras tremiam por um momento antes de abrir novamente.

“Eu não podia voar… não havia… oxigênio suficiente para cuspir fogo… eu não era um dragão…”

“Então o que você era” perguntou Marina apreciando a história de Clara.

“Eu era…” Clara começou fracamente.

“Você era o quê, amor?” Marina sondou, Clara tinha começado a cochilar novamente.

“Um lagarto… só um lagarto… não um dragão mágico como eu costumava ser…”

Marina franziu a testa um pouco com as palavras de Clara, sua mão esfregando seu braço suavemente.

“Você me encontrou…você veio e você… você me salvou. Você me curou… porque… você era mágica também. Você me mostrou o caminho para fora da caverna… de volta…” disse cochilando novamente.

“Voltar para onde?” Marina perguntou, sua mão agora brincando com o cabelo de Clara, sua voz quase num sussurro.

“Voltar para a luz… você… me ajudou a tornar-se um dragão… outra vez…” ela suspirou languidamente.

Marina permaneceu em silêncio à espera de Clara continuar, para terminar de contar a ela sobre seu sonho, mas não ela o fez.

“Você voou novamente, Clarinha?” perguntou Marina vendo paralelos no sonho de Clara com seu relacionamento e se perguntando se sua namorada realmente tinha sonhado ou se era apenas sua maneira de expressar como se sentia.

Clara olhou para Marina e sorriu olhos turvos.

“Sim. Eu voei novamente. Eu subi tão… alto… eu podia ver o mundo inteiro aos meus pés de novo… e… foi lindo… eu era feliz… eu era eu novamente…”

“O que aconteceu comigo neste sonho?” perguntou Marina inclinando-se sobre o lado da cama, fechando a distância entre elas.

“Você?” Clara questionou e Marina assentiu, sem consciência de que sua namorada não podia ver o gesto, os olhos fechados, mais uma vez.

“Sim” Marina vocalizou quando percebeu seu erro.

“Bem… você veio comigo…” disse com a mão direita levantando desajeitadamente em busca de Marina.

Marina pegou a mão de Clara e sua namorada a puxou em sua direção para que descansasse contra seu peito.

“Nós fomos e vimos o mundo juntas.”

“Um dragão e um pégasus…” Marina riu suavemente “Um emparelhamento estranho.”

Ela parou por um momento para considerar a crença de Lena que ela era um unicórnio e sorriu, querendo compartilhar a teoria com sua namorada.

“Você tem certeza que eu não era um unicórnio, Clarinha? Lena pensa que eu sou.”

“Um unicórnio?” disse Clara considerando a sugestão, mas não consciente das palavras de Marina, muito lenta para realmente compreendê-las “Eu acho que… sim, eu acho que você poderia ter sido…”

“Isso soa como se fosse um bom sonho, Clarinha” Marina comentou quando a respiração de Clara tornou-se mais rasa com o cansaço.

“Sim… por mais estranho que…”

Marina inclinou-se e fechou a distância restante entre as duas, pressionando os lábios contra Clara de leve, o desejo de beijar sua namorada sendo difícil de suportar.

“Um beijo para minha princesa adormecida” disse Marina recostando-se novamente e pegando a máscara de oxigênio de Clara a colocando de volta na boca da namorada.

“Eu estou acordada” disse Clara e Marina moveu um fio de cabelo da namorada com as pontas dos dedos.

“Mal” replicou Marina e Clara fez um esforço para abrir os olhos totalmente, mas acabou desistindo.

Marina acariciou a testa de Clara ternamente novamente e beijou-a de leve.

“Volte a dormir” ela instruiu, mas Clara já estava dormindo profundamente novamente.

Marina continuou sentada na cama de Clara e observou em silêncio enquanto sua namorada dormia. Uma mão descansava no antebraço esquerdo de Clara, as pontas dos dedos traçando a cicatriz grossa enquanto a outra acariciava testa descontraidamente. Dez minutos depois, Marina viu Clara mexer novamente, suas pálpebras oscilando por alguns segundos antes de abrir. O chocolate escuro de Clara se reuniu com o verde de Marina e ela sorriu de novo parecendo grogue.

“Oi” disse Clara e Marina se inclinou para a frente, seus cotovelos descansando na cama ao lado do corpo da namorada.

“Oi” Marina disse quando Clara levou a mão ao peito e fez uma cara como se estivesse em desconforto “Como você está se sentindo?”

“Meu peito dói” respondeu Clara fechando os olhos novamente “Tem alguém… tem alguém… sentado sobre ela?” ela perguntou preguiçosamente “Parece que… alguma… sentado sobre ela… é Vanessa?”

“Ninguém está sentado em você. É apenas ferida onde seu coração levou um choque, amor. Provavelmente vai doer por um tempo, mas o médico disse que vão te dar algo para ajudar com isso.”

“Você tem certeza que não é Vanessa?” Clara questionou e Marina sorriu “Quem quer que seja… ele… ele é realmente pesado.”

“Vanessa não está aqui, Clarinha. Ela vem te ver mais tarde.”

“Ela está… bem?”

“Vanessa?” perguntou Marina e Clara assentiu “Sim, ela está bem, amor. Ela estava apenas ocupada esta manhã. Ela estava cuidando de seus irmãos e irmãs se lembra?”

“Ela é… boa com crianças” observou Clara letargicamente e Marina levantou a mão esquerda de sua namorada até descansar contra o lado de seu rosto “Ela será… uma ótima mãe.”

“Sim, ela vai” Marina concordou porque tinha visto Vanessa interagir com Lena e seus irmãos e sabia que Clara estava certa.

“Eu vou… ser madrinha… você sabe” disse Clara abrindo os olhos carregados de sono e olhando para Marina.

“Eu não duvido” Marina reconheceu.

“Ela me disse…” Clara continuou e Marina franziu as sobrancelhas.

“Você fala sobre coisas desse tipo com Vanessa?” Marina perguntou surpresa e Clara assentiu.

“Ela disse… ela quer que eu seja…” Clara compartilhou, a mão livre esfregando os olhos, mas desistindo e a colocando no travesseiro ao lado do rosto.

“Clarinha do que você está falando?” Marina questionou confusa.

“Vanessa…” Clara respondeu sonolenta.

“Você está fazendo parecer que ela está grávida agora” Marina riu acariciando a testa de Clara com as pontas dos dedos levemente.

“Ela está” Clara respondeu automaticamente, suspirando ruidosamente.

“Não, Vanessa não está grávida, amor”, Marina disse rindo por um momento pelo o erro de Clara.

“Sim, ela está… ela… me disse…” Clara murmurou.

“Clarinha, eu não acho que ela está” Marina começou a protestar, mas a namorada voltou a dormir, seus roncos suaves audíveis em toda a sala.

Marina considerou as palavras de Clara e balançou a cabeça de um lado para o outro, não convencida.

Não havia nenhuma maneira que Vanessa estivesse grávida. Ela não podia estar. Elas saberiam se ela estivesse. Ela estaria mostrando…

“Puta merda” Marina murmurou imaginando o rosto mais gordo de Vanessa e percebendo que ela estava usando um monte de roupa mais solta na escola recentemente “Puta merda…” disse novamente, lembrando o dia Clara tinha corrido para encontrar a sua melhor amiga porque ela estava chateada.

Ela se lembrou de como Rodrigo e Vanessa tinha atingido uma fase difícil, que estavam discutindo muito e Vanessa tinha pensado que poderiam terminar. Marina voltou a pensar na história de Lena sobre desejo estranho de Vanessa de milho doce e sorvete, como ela sentiu-se mal depois de comer no Jimmy e tinha corrido para o banheiro.

“De jeito nenhum” disse Marina olhando para sua namorada dormindo, desesperada para acordá-la corretamente novamente, um milhão de diferentes questões atravessando a sua cabeça.

Ela inclinou-se sobre a cama, tentado a acordá-la, mas logo sentou em sua cadeira quando ouviu a voz de Chica por trás dela, a mãe de Clara retornando.

“Como ela está?” perguntou Chica parando junto à cama de Clara e correndo os dedos pelo cabelo da filha.

“Ela está bem” Marina respondeu quando Chica desceu para a cadeira ao lado dela se aproximando mais da cama.

“Ela já acordou?” perguntou Chica e Marina assentiu.

“Ela está derivando um pouco. Ela não parece muito confusa. Ela está apenas com sono.”

“Bem, isso é algo, pelo menos” Chica respondeu usando seus dedos para acariciar suavemente o rosto de Clara “Não me leve a mal, ela é extremamente bonita quando está confusa, mas é cansativo ter que repetir tudo para ela um monte de vezes.”

Marina sorriu com o comentário de Chica lembrando todas as vezes que Clara havia recuperado a consciência após uma convulsão, completamente desorientada e incapaz de manter até mesmo o mais simples pedaço de informação.

“É definitivamente cansativo” Marina concordou rindo levemente para si mesma, a mão direita brincando sem pensar com os dedos da Clara enquanto falava.

“Ela está sentindo dor?” Chica questionou preocupada.

“Ela disse que seu peito dói. Ela achou que alguém estava sentado sobre ela.”

“O médico disse que provavelmente vai durar alguns dias, no mínimo. Ele disse que ela provavelmente estará bastante cansada também. Eu não ficaria surpresa se ela passasse os próximos dias na cama se recuperando.”

Marina e Chica permaneceram com Clara por mais 45 minutos continuando a falar de coisas triviais até que com o canto de seu olho, ela a notou despertando mais uma vez. Os olhos de Clara abriram facilmente neste momento e ela estendeu a mão direita para puxar a máscara de oxigênio sobre o rosto dela a colocando em seu pescoço enquanto virava a cabeça para olhar para seus visitantes.

“Estou com tanta fome” disse séria, com a voz rouca e áspera.

“Você está sempre com fome” Chica riu quando Clara tentou sentar na cama sem sucesso, sua mão indo até seu peito enquanto ela fazia uma careta de dor.

“Ugh, Clarinha…” Marina disse segurando o controle da cama em sua mão e apertando o botão que deixava a mesma numa posição mais confortável para a namorada.

“Oh , obrigada” disse Clara sorrindo com vista.

“Como você está se sentindo?” Chica perguntou a sua filha e Clara esfregou o centro do peito com os nós dos dedos com firmeza.

“Eu me sinto como se alguém tivesse passado com um carro por cima do meu peito” Clara respondeu e Chica fez uma cara de impressionada com a escolha de comparação “O quê? Você perguntou. É assim que parece.”

Clara deu um tapinha no peito suavemente com a palma da sua mão.

“Na verdade, eu sinto como se tivesse um lutador de 200 quilos sentado sobre ele… Deus… me lembre por que diabos eu concordei em ir adiante com isso de novo?”

“Você concordou porque sabia que era a coisa certa a fazer” Chica lembrou e Clara gemeu alto, deixando cair a cabeça para trás contra o travesseiro e fechando os olhos.

“Ugh, quando eu me tornei tão razoável?” ela perguntou erguendo a cabeça novamente e Marina sorriu divertida.

“Vou ver se a enfermeira pode te dar algo para a dor” disse Chica levantando-se e beijando Clara na testa carinhosamente.

“Você pode ver se eles podem me dar algo para o meu estômago também?” perguntou Clara e Chica sorriu amplamente, beliscando uma das bochechas da filha.

“Você quer que eu pegue algumas batatas fritas no refeitório?” perguntou Chica e o rosto de Clara se iluminou com a oferta “Devo tomar isso como um 'sim’?”

“Sim, por favor” respondeu Clara balançando a cabeça “Não se esqueça do…”

“Ketchup” Chica terminou por ela “Eu sei, filha. Marina, você quer alguma coisa?” a mulher mais velha perguntou, mas Marina sacudiu a cabeça.

“Não, obrigada.”

“O , eu não vou demorar.”

“Eu te amo” disse Clara e Chica olhou por cima do ombro para a filha antes de sair do quarto em busca de um pouco de comida.

“Você está alegre” Marina observou quando estavam sozinhas novamente.

“Comparado com o quê?” Clara questionou pegando a mão de Marina e colocando em seu colo.

“Comparado com o anterior” Marina voltou.

“No início?”

“Você não se lembra do que falamos?” Marina consultou e Clara pareceu pensativa por um momento.

“Você quer dizer quando pensei que tudo isso era um sonho?” ela perguntou e Marina suspirou quando Clara continuou “Eu acho que você estava certa. Realmente não é.”

Marina considerou dizer a Clara que ela acidentalmente deixou escapar o segredo de Vanessa em seu estado nebuloso, mas decidiu que não faria percebendo que ela não se lembrava da conversa e consciente de que sua namorada se sentiria horrível por trair a confiança de sua melhor amiga. Vanessa teria que dizer eventualmente, mas até então, parecia que ela ia ter que morder a língua e sofrer com suas perguntas não formuladas em silêncio.

“Sim” respondeu Marina olhando para suas mãos entrelaçadas e brincando com os dedos de Clara.

“Você está morrendo de vontade de dizer 'eu te disse isso’, não é?” perguntou Clara e Marina sorriu levantando os olhos para encontrar os de chocolate da namorada.

“Não” Marina respondeu com sinceridade “Eu só estou aliviada que estava certa. Caso contrário, quem sabe onde eu estaria agora.”

“Provavelmente desmaiada sobre Camila no acampamento” brincou Clara e Marina revirou os olhos incapaz de impedir que seu sorriso ficasse maior.

“Você acabou de dizer 'desmaiada’?” ela perguntou e Clara acenou com a cabeça.

“Essa é uma palavra”, ela informou em tom desafiador.

“Eu sei. Eu nunca pensei que eu iria ouvir você dizer isso.”

Clara baixou o olhar para os lábios de Marina, a menina de olhos verdes inclinando a cabeça para o lado notando o olhar dela.

“Você está bem?” ela perguntou e Clara mordeu o lábio inferior.

“Eu estava me perguntando quando ganho meu beijo” ela respondeu e Marina se levantou inclinando-se sobre a cama e dando um beijo delicado contra os lábios de Clara.

“Feliz?” ela perguntou e Clara deu de ombros.

“Eu acho” disse fazendo com que Marina sacudisse a cabeça e a beijou novamente, desta vez mais profundamente até que ela sentiu sua namorada sorrir contra ela.

“Melhor?” Marina questionou sentando-se na cadeira.

“Muito” Clara confirmou e Marina sentou na cadeira e pegou sua bolsa recuperando o presente que tinha guardado e oferecendo a namorada.

“Agora que nós sabemos que você não está sonhando” disse Marina quando Clara pegou o presente “Você pode abrir.”

“Você sabe que não tem que me dar nada” disse repetindo o seu sentimento de antes.

“Não é nada demais, só um símbolo na verdade.”

Clara olhou para o presente em seu colo e começou a desembrulhá-lo, seus dedos da mão esquerda lutando contra o papel.

“Você pode rasgá-lo” Marina disse e Clara sorriu antes de retirar o papel com a mão direita, a esquerda firmando-o no colo.

“O que é isso?” perguntou Clara e Marina levantou-se para se sentar na cama ao lado da namorada.

“Você tem que abrir a caixa” Marina disse ajudando Clara a levantar a tampa.

“É uma flor” disse Clara levantando a rosa da caixa “É de verdade?” ela perguntou com a mão esquerda manipulando as pétalas, mas incapaz de determinar definitivamente o que era por causa da sensação prejudicada em sua mão.

“Não, é de seda. Dessa forma, você pode mantê-la com o resto das coisas que você coletou do nosso tempo juntas.”

“Para me lembrar do hospital?” Clara questionou intrigada.

“O quê?” Marina perguntou divertida “Não, amor… para lembrá-la do baile.”

“Baile?” disse Clara olhando para os olhos de esmeralda de Marina.

“Sim” disse Marina segurando o olhar da namorada.

Ela pegou o buquê da mão de Clara e o colocou em seu pequeno pulso na frente de sua identidade de paciente.

“Clara” disse usando o nome completo da namorada pela primeira vez em um longo tempo “Por favor, você vai ao baile comigo?”

Clara de vigas brilhantemente com a pergunta e ela balançou a cabeça alegremente.

“Sim” disse admirando a flor em seu pulso antes de beijar Marina profundamente, a mão no pescoço da morena.

“Ok, bom” Marina disse quando Clara abandonou seus lábios “Porque eu já comprei os ingressos.”

Clara colocou uma mão no lado do pescoço de Marina e baixou o olhar para a caixa novamente notando um pedaço de papel dobrado. Retirou e deu a Marina um olhar indagador.

“Você não é a única nesta relação que pode escrever palavras sinceras e honestas num diário e… e… declarações bonitas de amor” disse Marina em resposta à sua pergunta silenciosa.

“Você me escreveu uma lista uma vez. Lembra?”

“Não, você escreveu” ela respondeu balançando a cabeça e referindo-se à lista de razões que ela gostava sua paixão que Clara tinha escrito para ela.

“Posso ler?” perguntou Clara hesitante e Marina sacudiu a cabeça entretida com a pergunta.

“Não” ela brincou “Estou apenas usando como decoração da caixa. Claro que você pode lê-lo.”

Clara desdobrou a página em suas mãos e afundou na cama enquanto Marina se arrastava para mais perto para ler por cima do ombro da namorada.

“Ok, então… eu vou admitir que isso é mais difícil do que pensei que seria, mas por favor, seja paciente porque eu quero te dizer uma coisa e eu realmente nunca fiz esse tipo de coisa antes.

É você que tem um talento quando se trata disso, Clarinha. Você é a única que é boa com as palavras, não eu. Você é a única que é capaz de compartilhar tão livremente todos os seus pensamentos e sentimentos íntimos comigo. Eu nunca fui assim, não realmente. Não da mesma forma que você.

Eu sei que eu não tenho sido sempre muito próxima com você antes, que fui relutante em me abrir para você porque eu não acho que você poderia lidar com os meus próprios pensamentos e os seus… seus pensamentos sempre me pareceram incomodá-la tanto. Lembro de pensar que você era provavelmente a pessoa mais reflexiva que já conheci e me fez pensar como sua cabeça não explodia com todos aqueles pensamentos voando, mas então eu percebi, eles nunca realmente ficavam lá muito tempo, não é? Você sempre ia tirá-los de alguma forma… com sua voz ou escrita, mensagem gravada ou uma canção apropriadamente escolhida. Você sempre compartilhava comigo e agora é a minha vez de fazer isso.

Você me fez uma promessa uma vez, que estaria aqui, que estaria presente e que não iria desistir. Você manteve sua palavra para mim. Você guardou tua palavra.

Eu lembro que fiz uma promessa a você também. Eu prometi que seria mais honesta com você, que estaria mais aberto sobre como estou me sentindo e eu estava até certo ponto, mas nunca tanto quanto eu poderia ter sido. Eu poderia ter sido infinitamente mais exposta, mais vulnerável, mais sincera e ainda teria pouco em comparação com o quanto você é comigo.

Então, aqui vai.

Eu te amo.

Você sabe, não é? Eu realmente não preciso dizer isso.

Eu te amo, Clarinha e é tão difícil colocar em palavras exatamente por que isso acontece e o que isso significa, porque não há realmente qualquer razão ou explicação que encontro para defini-lo.

Há um milhão de razões pouco diferentes e ainda não há absolutamente nenhuma razão. Nenhuma.

Na minha cabeça, tudo parece fazer sentido, mas quando se trata de escrevê-la, não.

É um paradoxo que não consigo entender e talvez eu nunca irei. Talvez essa é a beleza da coisa, talvez você realmente não precise saber por que ou como isso aconteceu… só que aconteceu. Talvez seja o suficiente saber que este sentimento existe. Talvez ele não deva ser questionado. Talvez você deva apenas ser grata por isso e estimá-lo durante o tempo que você quiser.

Tudo o que sei é que algo mudou em mim no dia em que nos conhecemos e não há como voltar agora, porque eu não me importo por que isso aconteceu mais, só que aconteceu.

Você inspira algo em mim, Clara. Não, você me inspira.

Eu te respeito tanto que é irreal.

Você já passou por tanta coisa e ainda assim você está aqui…

Eu realmente não sei o que dizer, há tanta coisa que eu quero te dizer, que gostaria de poder, mas eu não estou eloquente como você. Eu não posso traduzir meus pensamentos no papel com a facilidade que você parece ser capaz de fazer…

Esta carta parece desajeitada em comparação com tudo o que você já deu para mim, então me perdoe. Eu prometo que vou continuar tentando e talvez com o tempo eu vou ficar melhor… mais uma vez, talvez eu não vou, mas eu vou continuar tentando de qualquer maneira.

De qualquer forma, obrigada Clarinha… obrigada por tudo que você trouxe para a minha vida, sua risada, seu sorriso, sua beleza. Obrigada por me inspirar, por me dar alguém para admirar, por me fazer acreditar em destino, milagres, contos de fadas e finais felizes.

Obrigada por seu amor.

Obrigada por compartilhar isso comigo, por permitir a alegria que vem com tê-la em minha vida.

Isso é, de longe, o melhor presente que você já me deu (e você me deu um monte).

Estou tão orgulhosa de você e eu te amo.

Eu sempre vou te amar.

Sempre.”

Clara baixou a carta quando terminou de ler e olhou para Marina que estava olhando para ela com expectativa, uma expressão ansiosa no rosto.

“O que você achou?” Marina perguntou se sentindo insegura.

“O que eu achei?” Clara questionou e Marina assentiu quase imperceptivelmente, sentindo-se mais vulnerável do que nunca “Eu acho que eu te amo” Clara sorriu e Marina deixou a respiração que estava segurando fugir de seus pulmões em uma rápida explosão, uma risada feliz escapando de seus lábios.

“Você não tem que dizer isso, sabia?” disse Marina de brincadeira, animada com as palavras de Clara.

“Só… cala a boca” Clara instruiu e Marina fez, ela parou de falar em parte porque Clara tinha dito, mas principalmente porque a menina menor tinha os lábios de Marina, não castamente não delicadamente, mas com força e determinação.

Clara tinha apreendido a boca de Marina com a dela, a menina de olhos verdes tinha se rendido quase que instantaneamente. Ela cedeu e ela iria continuar a fazer. Sempre.


Notas Finais


Esse capitulo foi muito especial para mim porque eu conheco bem a parte que a Chica viveu por isso eu espero que vcs tenham sentido algo e que valorizem sempre quem esta perto porque nos nao sabemos de nada!!
Vejo vcs nos comentarios
Erros...!


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