História Sinner - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~Thick

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Castiel
Tags Ariel, Aurora, Castiel
Exibições 157
Palavras 1.145
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


I'm sorry pela demora. Estou feito louca, correndo com o capitulo de DFR e pretendo postá-lo hoje de madrugada ou amanhã. Os lugares que escrevi são fictícios. Anyway, espero que gostem!

Capítulo 3 - Stranger Lovely


Amo correr. Me ajuda a clarear a cabeça e, já que moro num dos bairros mais saudáveis de Massachusetts, sempre sou só mais uma entre as centenas de pessoas que saem para se exercitar. Coloco meus fones de ouvido e fico ouvindo o que o meu pai chama de “aquela música pra dormir” o mais alto que posso. Gosto de músicas que me transmitem paz, e a maioria das canções clássicas me proporcionam isso.

 

Entrei no ritmo com o vento fresco no meu rosto e fui em direção ao Parque de Stars Hill, minha rota de sempre. Quando corro, gosto de bloquear todo o resto, calar o zumbido constante das coisas ao meu redor e sentir só o chão embaixo dos pés e o ar batendo no meu rosto. Gosto de abafar os sons das coisas que eu sei e das que eu queria muito saber. Mas não estava dando muito certo.

 

Houve momentos em minha vida, especialmente no ano em que comecei a entender mais as coisas, que perguntei ao meu pai sobre a minha mãe. Lembro-me dele ter me ignorando — pela primeira vez — durante vários dias e a nossa casa, antes tão alegre, caiu em um luto tão sufocante quanto colocar uma colcha pesada em nossa cabeça e tentar respirar. O peso da tristeza que exalava do meu pai era claustrofóbico, e eu me encontrei sofrendo longe de casa tanto quanto pude.


Quando não estava ocupada com afazeres, pegava minha bicicleta verde e pedalava tão rápido quanto minhas pernas poderiam aguentar, até chegar ao riacho no fundo de Stars Hill, há uns 3km da minha casa. Eu sentava na beira da ponte tão velha com a madeira prateada e os pregos, vermelho-escuros de ferrugem, e deixava o silêncio me fazer companhia. Dias depois ele me explicou que minha mãe foi uma pessoa boa — durante uma grande parte do tempo em que ficaram juntos — mas não fez as escolhas certas na vida. Ela não nos escolheu.

 

Dei a volta no parque e comecei a diminuir o ritmo quando me aproximei de um fluxo mais pesado de pessoas que estavam levando os cães para passear ou brincando com os filhos. Quase perdi o equilíbrio quando um cão labrador se soltou do dono e passou por mim correndo. Levei um tempinho para recuperar o fôlego e me dobrei para colocar as mãos nos joelhos. Como estava parada, o vento atingia sem dó minha pele encharcada de suor, me refrescando um pouco.

 

Diminuí o passo ainda mais e tirei os fones de ouvido quando cheguei perto do riacho. Parei de repente quando senti que estava sendo observada. Sabe quando alguém está olhando para você. Você sente isso. Os cabelos em seu pescoço se levantam, é um sentimento estranho e você não tem certeza que gosta. A pessoa lhe incomoda, mesmo se você não a viu ainda. Ou talvez você sinta a onda de choque de calor em cima começando por sua cabeça e jorrando para baixo de seu corpo para os dedos dos pés. É um sentimento bom, mesmo que você ainda não tenha visto. Senti os cabelos da minha nuca se levantaram, porque sabia quem era. E não gostei disso. Ou dele.


Sentei na beirada da ponte, e então decidi que era hora de virar, para encarar o meu avaliador de frente. Pulei quando o vi e quase cai na água, se não fosse suas mãos em minha cintura para me segurar. Pensei que ele estaria em algum lugar do outro lado da ponte, mas ele estava bem atrás de mim. O calor caiu sobre mim na hora, mas não o bom calor. Estava nervosa, e minha pele queimou com isso. Ele sorriu para mim e retirou as mãos da minha cintura.

 

— O que você está fazendo aqui? — perguntei.

 

— O que as pessoas normalmente fazem em riachos? — ele respondeu.


Sorri e guardei os fones em meu bolso.

 

— Não pensei que eu fosse esbarrar novamente em você. — ele disse. Inclinando a cabeça para o lado sorrindo.

 

Seu cabelo está bagunçado, e seus olhos cor de quartzo cinza brilham de divertimento e mau presságio.


— Cidade pequena.  — dei de ombros. — Vamos nos esbarrar sempre.

 

— Acho que estou começando a gostar daqui. — ele falou, esticando seu corpo para trás, deitando ao meu lado.

 

Endireitando meu corpo, me viro para olhar pra ele.

 

— Você morava onde antes de se mudar pra cá?

 

— Califórnia. — ele respondeu, depois de muitos segundos. — Meu pai se muda muito por causa do trabalho dele.

 

— Deve ser cansativo. — falei, deitando ao seu lado.


— É...

 

Ficamos deitados ali por um tempo, olhos franzidos para o sol  que se despede por entre as árvores, sem dizer nada. Finalmente ele se levanta, estendendo a mão para me puxar de pé. Agarrei a mão dele e levantei. Ele dá uma olhada na água.

 

— Vou me acostumar com isso aqui. — Castiel falou, apontando para a água verde como vidro do mar, pedras vermelho-amarronzadas parecendo velhíssimas, o sol um disco quase apagado ardendo baixo no céu. 

 

— É um lugar muito bonito, não é? Tudo que eu amo está aqui. 

 

Castiel olha para mim por um minuto sem dizer nada. O rosto dele forma uma expressão incompreensível, e eu desejo nunca ter decidido vir até aqui.


— Olha só... Meus pais vão viajar amanhã e passar uma semana fora. Então, resolvi batizar a casa com uma festa. Você vai poder ir?

 

Tornei a olhar para o céu, aquela imensidão azul com uns tons rosados. Nunca tinha sido convidada para uma festa. Quem iria? O pessoal com quem Castiel deve andar na escola? Os caras que viviam na Califórnia, a cidade que ele morava? Ninguém que eu conhecesse. Uma... festa.


— Aurora?


Engoli em seco.


— A que horas?


Ele enfiou a mão no bolso da calça e tirou uma caneta preta. Destampando-o com os dentes, pegou minha mão, seu polegar roçando de leve a pele no interior do pulso. Virou a palma da minha mão, aproximando-a.


— Qual é mesmo a distância entre a sua casa e a igreja?


— Quase dez quilômetros — respondi num fio de voz, sentindo meu rosto queimando de vergonha. 


Ele escreveu um número na palma da minha mão.


— Esse é o seu número? — estou realmente envergonhada.


Ele faz que sim com a cabeça, depois abre um sorriso largo para mim.


— Eu vou te buscar às oito. — ele falou e começou a andar em direção à uma moto.


—  Eu não te disse meu endereço! —  exclamei.


Ele já tinha virado em direção à moto, mas parou bruscamente.


— Eu sei onde você mora, Aurora. Cidade pequena, lembra?


Fiquei ali parada no calor, apertando os olhos para enxergar contra o sol, pensando no que dizer, em como achar uma saída interessante, ou qualquer saída, para não ir nessa festa, enquanto Castiel faz a curva e sai do parque. Explicar para o meu pai sobre a festa não será fácil. Nem hoje. Nem amanhã. Nem nunca, para mim mesma.


Notas Finais




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