História Sisterhood - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Colegial, Irene, Monstros, Orange, Red Velvet, Seuldy, Seul-gi, Seulrene, Sobrenatural, Vampiros, Wendy, Wenrene, Yuri
Visualizações 87
Palavras 3.723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Mistério, Orange, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oeeei pessoas :3
Finalmente cheguei com um dos capítulos mais esperados (ou não sjshsk) de todos.

Leiam com atenção, espero que gostem ❤

Boa leitura.

Capítulo 11 - Pijama's night


Fanfic / Fanfiction Sisterhood - Capítulo 11 - Pijama's night

Eu observava mais um dia se iniciar, enquanto Irene dormia como um anjo.

Na noite anterior, ela havia pegado no sono poucas horas antes do sol nascer, por isso eu não tinha dúvidas de que ela iria acordar tarde.

Por não ter nada para fazer durante o tempo que ela dormia, escrevi uma carta aos meus pais, como forma de contar a eles um resumo de tudo que havia acontecido durante poucas semanas que eu passei naquela escola. Em momentos como este, o meu celular fazia uma grande falta. Eu não fazia a mínima ideia de quanto tempo demoraria para as cartas chegarem em seu destino, mas imaginava que não seria menos que dois dias.

Bem, enviar cartas era a única maneira de manter contato com alguém fora da escola, então não havia outra escolha. Pelo menos, isso seria uma forma de não deixar os meus pais preocupados.


"Oi appa, Oi omma... Aqui é a Seul.

Vocês ainda não me esqueceram né? Espero que não (risos)

Só pra constar, enviar cartas é um único jeito que temos para nos comunicarmos, já que recolheram o meu celular um dia depois que cheguei aqui.

Por falar nisso, essa escola é uma das mais rígidas que eu estudei. A diretora me dá muito medo, mas as outras pessoas daqui (pelo menos, as que eu conheci) são ótimas.

Minha companheira de quarto é incrível, nunca conheci uma garota tão simpática. Também tenho outra amiga, diferentemente da companheira de quarto, ela é bem radical, mas não deixa de ser uma boa companhia.

A comida daqui é horrível, raramente eu acho algo que me agrade.

Já ia esquecer de falar que estou sentindo minhas habilidades evoluíram... Até o momento, já consegui escutar o sangue das pessoas correndo por suas veias, acredita? A não ser da garota radical que comentei anteriormente... Mas isso não me incomoda, apenas deixa minha mente livre de ruídos quando converso a sós com ela.

Então, espero que recebam minha carta.

Ps: Sinto saudades de vocês (e da minha antiga alimentação também, se é que me entendem.)

Atenciosamente, Seul Gi."


— Acho que está boa. — Falei sozinha.

— O que está boa? — Ouvi Irene falar com a voz um tanto falha.

Eu não havia notado, mas Irene havia acabado de acordar. Ainda estava deitada sobre a sua cama e com os olhos inchados, a ponto de ficarem parcialmente fechados.

— Ah, não é nada. — Eu disse, dando um leve sorriso — Apenas uma carta que fiz para os meus pais... Para contar como é a escola.

A mais velha sentou sobre a sua cama, tentando arrumar os seus cabelos com os dedos.

— Também fiz uma para os meus ontem, mas ainda não a enviei. — Disse ela.

— Espero que eles não demorem a receber. — Comentei enquanto encarava a minha carta.

— Você só precisa levar ao correio da escola o mais rápido possível. — Fez uma longa pausa — Aproveite enquanto ainda estamos no final de semana.

— É isso que irei fazer. — Eu disse — A propósito, por que acordou tão cedo?

Irene encarou o relógio de parede do nosso dormitório por alguns segundos antes de responder a minha pergunta, talvez por não acreditar que ainda era tão cedo.

— Eu não sei, apenas acordei e vi que você ainda não havia dormido. — Ela fez uma pausa — Por que demora tanto a dormir?

Eu dei uma risada curta, deixando a carta que havia escrito de lado.

— Às vezes eu não sinto vontade de dormir, é algo normal pra mim. — Respondi.

Ela não respondeu nada, apenas me encarou por alguns segundos.

— Acho que irei dormir mais um pouco, até mais. — Ela disse, virando-se para outra posição.

— Está bem. — Eu disse, dando de ombros.

Eu não conseguia imaginar Irene fazendo algo ruim ou impuro, ela era tão calma, parecia se dar bem com qualquer pessoa. De qualquer forma, eu a admirava.

Talvez seja por isso que eu nunca havia sentido vontade de sugar o seu sangue.


Bem, quase nunca.



[...]



Já era noite, eu e Irene estávamos indo para o dormitório de Wendy para a "noite do pijama". Eu até que estava animada, nunca havia ido para uma noite do pijama antes, mas sabia que era divertido. Nós duas estávamos levando travesseiros e cobertores, para garantir que ficaríamos bem agasalhadas durante a noite.

— Está animada para a noite do pijama? — Perguntei a Irene, com uma expressão sorridente no meu rosto.

— Pouco... — Ela respondeu, sua voz estava falha e baixa.

Irene parecia estar com uma certa tensão, algo que me preocupava. Admito que senti uma certa culpa por tê-la chamado, tinha certeza de que havia algo não muito confortável entre ela e Wendy. Não hesitei em perguntar a ela o motivo de estar assim.

— Unnie... — Eu a cutuquei enquanto andávamos lentamente pelos corredores, tentando perguntar com calma o motivo para ela estar daquela forma.

— Oi, Seul. — Ela respondeu, encarando o chão.

— Por que você está assim? Não queria vir? — Perguntei normalmente.

Irene parou os seus passos, o que consequentemente fez com que eu também parasse os meus.

— Seul... Você sabe que eu não tenho tanta confiança em Wendy. — Respondeu, ainda encarando o chão.

Eu respirei fundo, não entendo o motivo de tanto mistério para responder uma pergunta tão simples. Tinha dúvida sobre a relação que Irene e Wendy mantiam, sobre o motivo que levou as duas a decidirem que não deveriam mais dividir o dormitório... E quais costumes peculiares Wendy teria, que deixavam Irene aflita.

Simplesmente deixei a vergonha de lado, decidida a perguntar para Irene tudo que havia acontecido.

— Tá bem, agora já chega. — Eu disse, me aproximando um pouco mais de Irene — Você não acha que já está na hora de me dizer o que formou essa barreira entre você e Wendy?

Irene me encarou com uma expressão duvidosa em seu rosto, ao mesmo tempo em que suas bochechas ficaram rosadas.


Teria sido uma máquina ideia?


No momento em que ela decidiu abrir a boca para responder minha pergunta, sua voz parecia ainda mais falha do que antes.

— E-eu... — Ela falou pausadamente — Eu não quero destruir a amizade de vocês...

Eu suspirei, pousando a minha destra sobre o ombro da mais velha, tal ato que a fez me olhar com olhos arregalados.

— Você precisa confiar em mim, Irene. — Falei com firmeza — Saber a verdade não vai fazer eu ficar estranha com Wendy, eu garanto.

O jeito inocente e delicado de Irene não deixava de me atrair a cada segundo, principalmente a preocupação que a mesma tinha comigo. A única coisa que me incomodava era a sua falta de confiança em mim para assuntos mais pessoas, já que a nossa amizade já se tornara íntima há um certo tempo.

Ela respirou fundo, enquanto eu, me sentia pronta para ter minhas dúvidas respondidas.

— Seul, eu não quero que fique com medo como eu fiquei. — Ela respondeu firmemente, de um jeito que eu nunca havia visto ela falar antes — Mas Wendy não é uma pessoa normal, como aparenta ser.

A resposta de Wendy parecia apenas ter me deixado com mais dúvidas ainda.


Como assim, não era uma pessoa normal?


— Ela não é normal? Então o que ela é? — Perguntei, praticamente sentindo as minhas pernas tremerem.


Por alguns milésimos, senti que não era a única "anormal" da escola.


— Não exatamente "o que" ela é... São os seus costumes. — Ela disse — Eu acho que Wendy tem algum distúrbio... E querendo ou não, isso me assusta... Ou pelo menos, me assustava, por isso fico com um pé atrás.

— Que tipo de distúrbio? Seja direta. — Eu ficava cada vez mais curiosa,  talvez por Wendy parecer alguém normal, tirando o fato de que eu não conseguia ouvir o seu coração — Você pode me contar.

Em tal momento, qualquer coisa que poderia me preocupar, sumiu da minha mente. Como pensar no que Wendy poderia ser, ou no que ela poderia ter. 

Eu apenas conseguia me preocupar em fazer Irene se sentir confortável perto de Wendy, queria as duas unidas.

— Está bem, está bem. — Irene disse, um tanto nervosa. As batidas do seu coração estavam muito rápidas, o que dificultava, de alguma forma, eu conseguir ouvir com atenção as palavras que sai de sua boca.

Eu nunca havia visto Irene nervosa desta forma, ela parecia ser alguém tão calma... Mas em tal momento, ela parecia não só assustada, como também preocupada.

— Ela não dormia, não comia, não falava coisas com sentido. — Irene falou, olhando para os lados, temendo que alguém estivesse nos ouvindo — Já perdi noites de sono por medo dela, algumas vezes ela se sentava no canto do quarto e começava a falar sozinha. — Ela fez uma pausa, enquanto eu pude ver os seus olhos enchendo de lágrimas.

Naquele momento, eu não sabia mais como confortar Irene.

Duas vozes discutiam em minha mente, uma dizendo "ela é uma vampira, como não pode ver isso?" E outra dizendo "desencana! Ela não pode ser vampira... Vampiros estão extintos. Apenas ajude Irene a não pensar que Wendy seja alguém ruim".

— Ela falava sozinha, Seul... Sussurrava como se algo a perturbasse... — Ela já não conseguia controlar suas lágrimas, que escorriam pelo seu rosto — Eu tinha medo de dormir e não acordar na manhã seguinte.

Deixei minha preocupação com Wendy de lado, passando a me preocupar com Irene. Ela parecia muito assustada, enquanto eu, não sentia que aquilo era um motivo para sentir tanto medo.


É claro que aquela era a minha opinião.


— Acalme-se, Irene. — Eu disse, minha voz permanecia firme.

Levei os meus dedos até a face da mais velha, enxugando as suas lágrimas. Aquele ato fez Irene se acalmar, sua frequência cardíaca e sua respiração já não estavam tão alteradas.

— Estou aqui com você. — Eu a abracei, um abraço confortável... Podendo perceber que Irene havia ficado imóvel — Não sinta medo, tudo bem? Wendy deve ter mudado... E como ela faria algo ruim para alguém tão delicado e inofensivo como você?

Um silêncio tomou conta do ambiente, a alheia se acalmava aos poucos, cedendo lentamente ao meu abraço.

— O-obrigada p-por estar aqui, Seul... — Ela ainda soluçava, mas já não chorava mais — Eu gosto muito de você.


"Eu gosto muito de você."

Aquelas palavras foram suficientes para mexer comigo.

Ninguém (a não ser meus pais) nunca havia dito que gostava de mim. Por um momento em minha vida, eu me sentia especial, não uma aberração.

Aquela simples frase, fez com que eu olhasse Irene com outros olhos, de uma forma positiva.

— Eu também gosto de você. — Eu disse, apertando um pouco mais o abraço.

Assim que nos separamos, Irene me olhava com um sorriso no rosto e as bochechas levemente avermelhadas, eu tinha certeza de que a mesma estava mais calma e segura de se mesma.

— Agora, vamos? — Perguntei, também com um sorriso no rosto — Hoje será divertido, é só lembrar que Wendy é uma boa pessoa.

— Vamos sim. — Ela suspirou, aliviada — Será divertido...

Eu havia ficado feliz por Irene não estar mais tão aflita, e sim preparada para a noite que passaríamos com Wendy. Aquele momento de nós duas, realmente precisava acontecer.

Àquela altura, as duas vozes já haviam voltado a brigar em minha mente... Mas aquilo eu suportava.

Eu e Irene havíamos voltado o nosso caminho para o dormitório de Wendy, o dormitório com o número "65" estampado na porta.

A mais velha segurou a minha mão, eu tinha certeza de que Irene sentia medo de dormir no mesmo quarto que Wendy, mas a única coisa que eu podia fazer era companhia a ela, para que fosse perdendo esse medo aos poucos.

— Está tudo bem? — Eu perguntei.

— Sim. — Irene respondeu com tranquilidade — Estou bem melhor.

Eu fiz que sim com a cabeça, aproximando a minha destra da porta do dormitório e dando duas batidas na mesma — tais que indicariam que era eu quem estava batendo na porta, como havia combinado com Wendy.

Aguardamos lá fora por alguns segundos, até que Wendy abriu a porta do seu dormitório.

Irene segurou minha mão com mais força assim que viu a face de Wendy. Eu, por outro lado, me senti animada para a noite.

— Vocês chegaram! — Wendy disse com certa animação, abrindo espaço para que pudéssemos entrar — Vão entrando.

Irene deu de ombros, como quem quer insinuar que está tudo bem. Então entramos no dormitório, juntamente com as nossas coisas.

O dormitório de Wendy e Sooyoung era exatamente como o nosso, era difícil notar alguma diferença, que não fosse pelas coisas das duas. Podíamos notar que Wendy havia conseguido vários salgadinhos e doces para comermos durante a noite, tal coisa que não chamava minha atenção como chamaria de qualquer outra adolescente.

— Joy foi para a casa dos pais... — Wendy disse, se aproximando da cama que provavelmente seria da sua companheira de dormitório — Acho que ela não irá se importar.

Logo ela afastou a cama de Joy com facilidade para próximo da sua, de forma que as duas ficassem juntas, lembrando uma cama de casal.

— É... Ótima ideia... — Irene falou de uma forma simpática, tentando socializar com Wendy.

Eu admirei a força de vontade de Irene para tentar se aproximar, de alguma forma, de Wendy, deixando o ambiente mais confortável para as duas.

— Podem ficar a vontade, não sou uma desconhecida. — Wendy falou, dando uma piscadela para nós duas.

Nós fomos até a cama de casal improvisada, enquanto Wendy pegava os petiscos.

— Ya, encontrei isso na lanchonete, acho que você deve gostar. — Wendy falou, entregando para Irene algo que lembrava um hambúrguer.

Pela embalagem transparente que o envolvia, percebi que o hambúrguer havia bastante salada, mas também tinha algo que eu sabia que Irene não comia: carne.

— É o meu favorito! — Disse a mais velha, abrindo um sorriso largo em seu rosto — Como você sabe?

Wendy se sentou perto de mim na cama, jogando os petiscos sobre a mesma.

— Já esqueceu que eu passei um ano dormindo no mesmo quarto que você? — Wendy respondeu.

Irene rasgou a embalagem que envolvia o hambúrguer, dando uma mordida vantajosa no mesmo.

— Você não era vegetariana? — Eu perguntei.

— É carne de soja. — Wendy respondeu pela menor.

Irene se deliciava com o hambúrguer, enquanto eu estava surpresa pelo seu humor ter mudado drasticamente. Era incrível como ela havia esquecido o lado "peculiar" de Wendy tão rápido, parece que minhas palavras haviam ajudado.


Queria esquecer dos problemas assim como Irene esquece dos seus medos.


— Não pense que esqueci de você enquanto escolhia os petiscos. — Disse Wendy, enquanto pegava algo no meio de tantas embalagens de comida industrializada.

Ela me entregou um pacote de Chips, os mesmos que eu havia comido no dia que descobri que comida apimentada saciava a minha fome.


Como ela sabia?


E parecia que aquela embalagem de Chips não era a única coisa apimentada ali, havia várias outras embalagens de salgadinhos diferentes com uma pimenta estampada.


Wendy, você é incrível.


—" Esse é o meu favorito!" — Eu disse, imitando a voz de Irene.

As duas deram uma risada, o que consequentemente, me fez também ter vontade de rir.

— Então... — Irene disse — quais são os planos para a "noite do pijama"?

— Poderíamos jogar "verdade ou desafio". — Wendy sugeriu.


Verdade ou desafio?


Eu tinha certeza que já tinha ouvido aquilo antes, mas não fazia a menor ideia de que era o nome de um jogo.

— Verdade ou desafio? Como se joga isso? — Perguntei, ao mesmo tempo em que comia os Chips alimentados.

As duas me olharam com os olhos arregalados, como se eu estivesse falando algo errado.

— Você nunca jogou? — Wendy perguntou — Em que mundo você vive?

Eu dei uma risada para disfarçar a vergonha que eu havia sentido em tal momento.

Por não ter tido amigos na minha antiga escola, tinham emoções que eu não havia experimentado, como jogar jogos que envolvem mais de uma pessoa.

— Tá, vamos ensinar para você. — Disse Irene, já terminado de comer o seu hambúrguer.

— Por exemplo, eu pergunto a você "verdade ou desafio?" — Wendy falou.

— E você tem escolher um dos dois. — Irene completou — Se escolher "verdade", precisa dizer a verdade diante a alguma pergunta... E se escolher "desafio", tem que fazer algo que é mandado.

Havia entendido o jogo, só não havia encontrado nenhuma graça no mesmo.

Só precisava responder a verdade ou realizar um desafio? Tão simples assim.

— Acho que entendi. — Eu disse, dando de ombros.

— Tá, eu começo. — Wendy comentou que iniciaria o jogo, logo me fitando com uma sobrancelha arqueada — Seul, verdade ou desafio?

Eu não sabia qual escolher. "Verdade" parecia o menos insano, então foi a opção mais viável para mim.

— Verdade. — Escolhi.

— É verdade que você é virgem? — Perguntou com simplicidade.

Pude ver Irene arregalar os olhos, como se aquela fosse a pergunta mais inapropriada que a mesma estivesse ouvido. Eu, por outro lado, achei a pergunta um tanto simples.

— É, é verdade. — Respondi, dando uma risada logo em seguida.

Irene e Wendy também deram algumas risadinhas baixas, que se misturaram de tal forma que eu não sabia distingui-las.

— Sua vez, Seul. — Irene falou.

Eu não sabia para qual das duas perguntar, mas como Wendy havia começado, decidi perguntar para Irene.

— Irene. — Fiz uma pausa — Verdade ou desafio?

— Aigoo... Verdade. — Irene cobriu parcialmente o rosto com as mãos.

— Vocês são tão medrosas... Vão escolher verdade até o final do jogo? — Wendy perguntou.

— Só estamos começando. — Eu disse, logo voltando o meu olhar para Irene.

Eu não havia pensado em nenhuma pergunta, aquele parecia ser o desafio mais difícil do jogo.

Não tinha nada sobre Irene que eu não soubesse ou que me deixasse curiosa.


Exceto uma coisa...


— Unnie... É verdade que você já ficou com meninas? — Perguntei — No caso, já beijou? — Fui mais específica.

Irene e eu tínhamos uma distância considerável entre nós, mas mesmo assim, eu pude ouvir o seu coração disparar, não demorando muito para que todo o seu rosto ficasse avermelhado.

Não fazia ideia de que aquela pergunta iria mexer tanto com Irene... Mas seja lá qual for sua resposta, eu não iria julga-la.

Algo dentro de mim queria que Irene confirmasse a minha pergunta, mas não iria me decepcionar se fosse o contrário do que eu queria.


Afinal, isso não mudaria nada.


— S-Seul! — Disse Irene, envergonhada — Você não pode escolher outra pergunta? — Perguntou ao mesmo tempo em que tentava esconder o rosto com as mãos.

Wendy deu uma longa gargalhada ao ouvir as palavras da mais velha.

— Fala sério! Você não quer responder uma pergunta tão simples assim? — Disse ela, enquanto tentava conter o riso.

Por um segundo me senti culpada por fazer tal pergunta, pensando em muda-la... Entretanto, minha curiosidade falava mais alto.

Logo Irene também gargalhou, como se tivesse levado na esportiva. Isso me aliviou, pois deixava claro que ela estava segura de sua resposta.

— É verdade sim. — Ela disse, ficando mais vermelha ainda.

Wendy não conseguia conter a sua risada. Eu não fazia ideia de ela já sabia da resposta de Irene ou não, mas tinha certeza que aquele jogo era muito divertido.

No momento, eu abri um sorriso largo no rosto, o que me fazia ter certeza de que eu havia ficado satisfeita com a resposta de Irene.


Seul, não crie expectativas. Por favor.


Nós jogamos várias rodadas de verdade ou desafio. A essa altura, nada muito polêmico havia acontecido, apenas confissões simples.

Depois de nos divertirmos tanto, ficamos apenas conversando sobre a escola, os clubes que logo seriam divulgados e sobre como era a nossa vida fora daquela escola.

Eu não tive muito a falar, já que fora da escola eu não tinha uma vida muito interessante, nem mesmo muitos amigos.

De qualquer forma, aquela noite foi divertida, e eu fiquei feliz por Irene conseguir se divertir também.

Não demorou muito para que Irene sentisse sono, então todas nós decidimos ir dormir.


Bem, exceto Wendy.


Por incrível que pareça, naquela noite eu havia conseguido dormir. Eu me sentia segura com elas duas ali... Aquilo me passava uma sensação de conforto.


E foi assim que eu apaguei.



[...]



Algumas horas mais tarde, eu acordei, não conseguindo mais dormir.

Por estar muito escuro, eu não conseguia enxergar nitidamente os números presentes no relógio de parede do dormitório em que estava, mas tinha certeza que era de madrugada.

Assim que notei que não iria conseguir dormir novamente, eu me sentei sobre a cama, logo me distraído por sentir um cheiro um tanto familiar.

Aquele cheiro familiar perturbava o meu olfato de tal forma que nada mais parecia importar, apenas a minha vontade de lembrar de onde ele surgira.

Eu levantei da cama de casal que Wendy havia improvisado, tentando saber de onde estava vindo aquele cheiro tão gostoso.

No instante em que pus meus pés no chão, dei alguns passos em direção ao banheiro, que foi o momento no qual eu consegui saber o que era aquele cheiro que estava tomando conta do dormitório.


Sangue.


Não era sangue qualquer, era sangue humano fresco. Aquilo fez os meus pelos se arrepiarem e minhas presas se alongarem, despertando uma vontade tão grande de beber sangue até não aguentar mais.

Era como uma criança ao sentir o cheiro de sua comida favorita.

Eu não pude me conter, percebi que aquele cheiro estava vindo do banheiro, mas sumia aos poucos, como se o sangue estivesse sendo drenado.

"Preciso beber uma gota desse sangue antes que ele suma." Pensei, indo em direção ao banheiro, de onde vinha o cheiro.

Fazia tanto tempo que eu não provava do sangue humano, seria um sonho realizado se eu pudesse sentir aquele gosto novamente.

Eu abri a porta do banheiro rapidamente, almejando por beber daquele líquido fresco.

Assim que abri a porta, vi uma cena que fez com que eu ficasse paralisada.

Sim, aquele cheiro era realmente sangue de humano... Dentro de uma bolsa de sangue, provavelmente vindo de doações.

Mas a visão da bolsa de sangue não foi o que chamou minha atenção, mas sim a pessoa que estava segurando aquela bolsa de sangue, que se assustou ao me ver e parou imediatamente o que estava fazendo.

Pra ser mais exata, parou de sugar o sangue daquela bolsa como se fosse um suco de caixinha.

— Wendy?!




Continua...



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