História Six years after - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Drama, Fairy Tail, Nalu, Suspense
Exibições 95
Palavras 3.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Ficção, Luta, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, só pra compensar a demora.

Capítulo 15 - Chapter Fifteen


 

A primeira vez que vi Lucy, ela estava usando óculos escuros num lugar fechado. E, para piorar, era de noite.

Revirei os olhos, achando que aquilo era para chamar atenção. Imaginei que se considerasse uma artista com A maiúsculo. Estávamos num encontro entre os participantes dos dois retiros, o de arte e o de escritores, compartilhando nossos trabalhos. Era a primeira vez que eu ia, mas logo fiquei sabendo que essas reuniões eram semanais. As obras de arte ficavam expostas atrás do celeiro e as cadeiras eram enfileiradas para as leituras.

A mulher de óculos escuros estava sentada na última fila, de braços cruzados, ao lado de um homem de barba e cabelos escuros encaracolados. Perguntei-me se estariam juntos. Leo, o chato que estava escrevendo um poema sob o ponto de vista do cachorro de Hitler, foi o primeiro a ler. E levou muito tempo. Comecei a ficar inquieto. A mulher de óculos escuros continuava imóvel.

Quando não aguentei mais, mesmo que isso fosse grosseiro, escapei para o fundo do celeiro e comecei a olhar as obras expostas. A maioria... bem, vou ser delicado: eu não “entendia”. Havia uma instalação chamada Café da manhã nos Estados Unidos, feita de cereais derramados de caixas sobre uma mesa de cozinha. Só isso. Havia caixas de Cap’n Crunch, Cap’n Crunch com manteiga de amendoim (alguém chegou a murmurar: “Você notou que não tem Cap’n Crunch de frutas? Por quê? O que o artista está querendo dizer com isso?”), Lucky Charms, Cocoa Puffs, Sugar Smacks e até meu antigo favorito, Quisp. Fiquei olhando para os cereais espalhados sobre a mesa. Aquilo não me dizia nada, apesar de fazer meu estômago roncar um pouco.

...

— O que você acha? —  alguém perguntou.

Tive vontade de responder que faltava um pouco de leite. Enquanto caminhava, apenas o trabalho de um artista me fez parar. Detive-me em frente à pintura de um pequeno chalé no alto de um morro. Havia uma luminosidade suave, matinal, batendo de lado – o tom rosado que vem com a primeira luz do dia. Não sei dizer por que, mas aquilo me deixou sem fôlego. Talvez fossem as janelas escuras, como se o chalé já tivesse sido acolhedor um dia, mas estivesse agora abandonado. Não sei. Parei em frente ao quadro, perdido e emocionado. Fui passando devagar de uma pintura à outra. Todas surtiam algum efeito. Algumas me deixavam melancólico. Outras, nostálgico, estranho, arrebatado. Nenhuma me deixou indiferente.

Vou poupá-lo da “grande revelação” de que os quadros eram de Lucy.

Uma mulher sorria da minha reação:

— Gostou deles?

— Muito — falei. — São seus?

 — Meu Deus, não. Sou só a dona da padaria na cidade. Todos me chamam de Cookie — disse ela, estendendo a mão para mim.

Cumprimentei-a.

 — A artista é Lucy Heartphillia. Ela está ali.

Cookie apontou para a mulher de óculos escuros.

 — Ah — comentei.

 — Ah, o quê?

Com aqueles óculos escuros à noite, eu havia imaginado que ela fosse a criadora de Café da manhã nos Estados Unidos. Leo tinha acabado a leitura. O público lhe deu um pequeno aplauso distraído, mas ele, com um lenço fino de seda no pescoço, inclinou-se para a frente em agradecimento, como se tivesse recebido uma ovação estrondosa.

Todos se levantaram rapidamente, menos Lucy. O homem de barba e cabelos encaracolados cochichou algo em seu ouvido, mas ela não se mexeu. Continuou de braços cruzados, parecendo ainda perdida na essência do cachorro de Hitler.

Eu me aproximei dela. Seu olhar parecia me atravessar.

— O chalé do seu quadro. Onde fica?

— Hein? — disse ela, sobressaltada. — Em lugar nenhum. Que quadro?

Franzi a testa.

— Você não é Lucy Heartphillia?

— Eu? — Ela pareceu confusa com a pergunta. — Sou, por quê?

— O quadro do chalé. Adorei. Ele... Não sei. Me emocionou.

— Chalé? — Ela se empertigou, tirou os óculos escuros e esfregou os olhos. — Ah, sim, certo, o chalé.

Franzi a testa outra vez. Não sei que reação esperava, mas algo um pouco mais expansivo que aquilo. Olhei para ela. Às vezes não sou o cara mais esperto do mundo, mas quando ela tornou a esfregar os olhos, entendi.

— Você estava dormindo! — exclamei.

— O quê? Não.

Mas esfregou os olhos de novo.

—Puta merda! É por isso que estava de óculos escuros. Para que ninguém visse.

—Shh.

— Você estava dormindo o tempo inteiro!

 — Fale baixo.

Finalmente ela levantou a cabeça e olhou para mim. Lembro-me de achar que ela tinha um rosto lindo, suave. Em breve descobriria que Lucy possuía o que chamo de beleza lenta, do tipo que não se nota de primeira. Depois o atinge como um choque, cresce e fica mais bonita cada vez que você olha para ela. É difícil achar que ela seja qualquer coisa menos que estonteante. Sempre que eu a olhava, meu corpo inteiro reagia, como se fosse a primeira vez, ou a melhor de todas.

— Estava tão óbvio assim? — perguntou ela, num sussurro.

— Não. Nem um pouco — respondi. — Achei que você fosse alguma idiota pretensiosa.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Que disfarce poderia ser melhor para se misturar com essas pessoas?

Balancei a cabeça.

 — E eu que achei você um gênio quando vi seus quadros.

— É mesmo? – ela pareceu espantada com meu elogio.

— É.

Lucy pigarreou.

— E agora que viu como posso ser dissimulada?

— Agora acho que você é um gênio diabólico.

Ela gostou.

— Você não pode me culpar. Esse cara, Leo, é como um Lexotan humano. Ele abre a boca e eu pego no sono.

— Meu nome é Natsu Dragneel.

 — Lucy Heartphillia.

— Quer tomar uma xícara de café, Lucy Hearphillia? Parece que está precisando.

Ela hesitou e ficou observando meu rosto com tanta intensidade a ponto de eu achar que tinha começado a ficar vermelho. Lucy prendeu uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha e se levantou. Chegou mais perto de mim e lembro-me de ter pensado que ela era deliciosamente pequena, menor do que eu tinha imaginado quando a vira sentada. Ela ergueu os olhos e aos poucos um sorriso surgiu em seu rosto. Devo dizer que foi um sorriso lindo.

— Claro. Por que não?

A imagem daquele sorriso ficou em minha mente por um segundo antes de se dissolver.

Eu estava com Gray no Bar Biblioteca, que era exatamente isto: uma antiga biblioteca do campus, toda forrada de madeira escura, que fora transformada num estabelecimento retrô-chique que vendia bebidas. Os donos foram inteligentes o bastante para não mudar quase nada na antiga biblioteca. Os livros continuavam nas estantes de carvalho, dispostos em ordem alfabética ou de acordo com seja lá qual fosse o sistema usado na época. O “bar” era o antigo balcão de empréstimos.

As bases para copos eram velhas fichas de aluguel plastificadas; as luzes, abajures verdes de leitura.

As garçonetes usavam o cabelo preso em coques apertados, roupas conservadoras e, claro, óculos com armação de casco de tartaruga. Sim, a fantasia da bibliotecária sexy. De hora em hora, um pedido de silêncio saía dos alto-falantes. A esse sinal, elas tiravam os óculos, soltavam o cabelo e desabotoavam a parte de cima da blusa.

De mau gosto, mas funcionava.

Gray e eu já estávamos ficando de porre. Passei o braço em volta dele e me inclinei para perto.

— Sabe o que devíamos fazer? — perguntei.

Ele fez uma careta.

 — Ficar sóbrios?

 — Ah, essa é boa. Não. Devíamos começar uma competição animada de roleta de camisinha. Errou uma, está eliminado. Estou pensando em 64 equipes. Como nos nossos torneios de basquete.

 — Não estamos no Barsolotti’s, Natsu. Aqui não tem máquina de vender camisinha.

— Não?

— Não.

 — Que pena.

— É – concordou Gray. Depois cochichou: — Tem uma dupla de gostosas ali, a 180 graus.

Eu estava prestes a me virar para a esquerda, depois para a direita. De repente, 180 graus não fazia o menor sentido para mim.

 — Espere aí. Onde é 90 graus mesmo?

 — Bem em frente.

 — Então 180 graus é...

— Vire para a direita, Natsu!

Você já deve ter notado que sou fraco para bebida. Isso surpreende as pessoas. Quando veem alguém do meu tamanho, todos acham que bebo litros de álcool sem ficar bêbado. Não é verdade. Minha resistência é a mesma de uma caloura na primeira festa da faculdade.

— E?

Já sabia qual era o tipo antes de meus olhos pousarem nelas. Duas louras que pareciam de boas a ótimas à luz mortiça do bar, e de normais a pavorosas sob o sol da manhã. Gray se esgueirou até elas e começou a cantá-las. Ele conseguia levar até um poste no papo. As duas olharam para trás, na minha direção. Gray fez sinal para que eu me aproximasse.

Por que não?

Você fez uma promessa.

E fiz mesmo. Obrigado pelo lembrete. Posso muito bem mantê-la e tentar sair com outra mulher, certo? Ziguezagueei na direção deles.

 — Senhoritas, conheçam o lendário professor Natsu Dragneel.

— Uau — falou uma delas. — Ele é grande!

Como Gray não conseguia evitar ser óbvio, piscou e disse:

— Você não faz ideia, meu bem.

Contive um suspiro, cumprimentei-as e me sentei. Gray dava em cima delas com frases escolhidas a dedo, especificamente apropriadas para aquele bar.

As louras estavam adorando. Tentei colaborar, mas nunca fui bom em jogar conversa fora. O rosto de Lucy não parava de me vir à mente. Eu tentava afastá-lo. Pedimos mais bebidas. E mais.

Depois de um tempo, todos cambaleamos até os sofás da antiga seção infantil. Minha cabeça tombou para trás e posso ter cochilado um pouco. Quando acordei, uma das louras começou a conversar comigo.

 — Meu nome é Windy — disse ela.

— Wendy?

— Não, Windy. Com i. — Ela falou aquilo com um ar de quem já tinha repetido a explicação um milhão de vezes, o que devia ser verdade.

— Como a música do The Association? — perguntei.

 Ela pareceu surpresa.

— Você conhece essa música? Não parece velho o suficiente.

— Everyone knows it’s Windy — cantarolei. — Meu pai adorava essa banda.

— Uau! O meu também. Foi por isso que me deu esse nome.

Comecei uma conversa de verdade – o que era surpreendente. Windy tinha 31 anos e trabalhava como caixa de banco, mas estava se formando em enfermagem pediátrica, que era o seu sonho, na faculdade comunitária, que ficava naquela mesma rua. Ela cuidava do irmão deficiente.

— Max tem paralisia cerebral — contou-me Windy, mostrando uma foto dele na cadeira de rodas. O rosto do garoto era radiante. Fiquei olhando como se aquela bondade pudesse sair da fotografia e se tornar parte de mim. Ela percebeu, balançou a cabeça e disse numa voz muito suave:

— Ele é a luz da minha vida.

Uma hora se passou. Talvez duas. Windy e eu conversávamos. Em noites assim, sempre chega um momento em que sabemos se vamos “fechar negócio” (ou, para manter a metáfora da biblioteca, se nosso cartão será carimbado). O momento havia chegado e estava claro que a resposta seria sim. As moças saíram para retocar a maquiagem. Eu estava entorpecido pela bebida. Uma parte de mim perguntava se eu conseguiria ir até o fim com Windy. Mas outra parte não estava nem aí.

— Essas aí já foram arquivadas — declarou Gray. — Entendeu? Biblioteca, livros, arquivar?

Queixei-me em voz alta da brincadeira:

— Acho que vou vomitar.

 — Que divertido — comentou ele. — Por falar nisso, onde você estava na noite passada?

 — Não lhe contei?

— Não.

 — Fui a Vermont — falei. — Ao antigo retiro de Lucy.

Ele se virou para mim.

 — Para quê?

Era estranho, mas depois de beber muito, Gray falava com um leve sotaque britânico. Devia ser consequência dos seus dias de escola preparatória. Quanto mais bebia, mais acentuado ficava o sotaque.

— Para encontrar respostas — retruquei.

— E conseguiu alguma coisa?

— Sim.

 — Então me conte.

— Um — segurei um dedo —, ninguém sabe quem é Lucy. Dois — outro dedo —, ninguém sabe quem sou eu. Três — você já entendeu o negócio dos dedos —, não existe nenhum registro de seu matrimônio na capela onde ela se casou. Quatro, o pastor que oficiou a cerimônia jura que ela nunca aconteceu. Cinco, a mulher que é dona do café aonde costumávamos ir e que me apresentou a Lucy não fazia ideia de quem eu era nem se lembrava dela ou de mim.

Baixei a mão.

— Ah, e o retiro artístico de Lucy? — continuei. — A Colônia de Renovação Criativa. Não está mais lá, todos juram que nunca existiu e que sempre foi uma fazenda familiar. Em suma, acho que estou ficando louco.

Gray se virou e deu um gole em sua cerveja.

— O quê? — falei.

 — Nada.

Eu o empurrei de leve.

— Ora, vamos. O que foi?

Gray mantinha a cabeça baixa.

— Seis anos atrás, quando foi para aquele retiro, você estava muito mal.

— Um pouco. E daí?

 — Seu pai tinha morrido. Você estava se sentindo sozinho. A dissertação não ia bem. Estava chateado e nervoso. Revoltado porque Yajima escapara sem punição alguma.

 — Aonde você quer chegar?

 — Não, nada. Esqueça.

— Não me venha com essa. O que foi?

 Minha cabeça estava realmente girando agora. Eu deveria ter parado alguns copos antes. Lembrei-me de uma vez em que tinha bebido demais, no meu primeiro ano de faculdade, e voltei caminhando para o meu dormitório. Não cheguei ao destino. Quando acordei, estava deitado sobre uma moita. Lembro-me de olhar para as estrelas no céu e de me perguntar por que o chão parecia tão cheio de espinhos. Agora eu me sentia oscilar, como se estivesse num barco em mar revolto.

— Lucy — disse Gray.

— O que tem ela?

Ele virou os olhos ampliados pelas lentes dos óculos na minha direção.

— Por que eu não a conheci?

Minha vista estava ficando um pouco embaçada.

 — O quê?

— Por que não conheci Lucy?

— Porque passamos o tempo todo em Vermont.

 — Você não veio ao campus nem uma vez?

— Uma só. Fomos ao Judie’s.

 — Por que não a levou para eu conhecê-la?

Dei de ombros com um prazer um pouco excessivo.

— Não sei. Talvez você não estivesse aqui.

— Fiquei aqui aquele verão todo.

Silêncio. Puxei pela memória. Eu teria tentado apresentá-la a Gray?

— Sou seu melhor amigo, certo?

— Certo.

— Se você casasse com ela, eu seria o padrinho.

— Você sabe que sim.

 — Não acha estranho que eu não a tenha conhecido? — perguntou ele.

— Falando assim... — franzi a testa — Espere aí, o que você está querendo dizer?

 — Nada — respondeu ele, tranquilo. — Só acho estranho.

— Estranho como?

Ele não respondeu.

 — Estranho no sentido de que eu a inventei? É isso que você está insinuando?

 — Não. Só estou comentando.

— Comentando o quê?

— Aquele verão. Você precisava se agarrar a alguma coisa.

— E encontrei. E depois perdi.

 — Ok, chega.

Mas não, não era assim. Não naquele momento. Com a raiva e a bebida falando por mim.

— A propósito — recomecei —, por que eu não conheci o amor da sua vida?

 — Do que você está falando?

Cara, eu estava mesmo bêbado.

— Da foto na sua carteira. Por que nunca a conheci?

Foi como se eu tivesse lhe dado um tapa na cara.

— Esqueça isso, Natsu.

— Só estou comentando.

— Esqueça. Isso.

Abri a boca e depois a fechei. As garotas voltaram. Gray balançou a cabeça e de repente seu sorriso apareceu outra vez.

 — Qual você quer? — perguntou. Encarei-o.

— Sério? — Sim.

 — Windy — falei.

— Qual das duas é a Windy?

— Sério?

 — Não sou bom com nomes — disse Gray.

— Windy é aquela com quem conversei a noite toda.

 — Em outras palavras, você quer a mais gostosa. Tudo bem.

Windy me levou para a casa dela. Fomos devagar até começarmos a ir rápido. Não foi nenhuma maravilha, mas foi bom o bastante. Eram umas três da manhã quando ela me levou até a porta. Sem saber o que dizer, soltei um estúpido:

— Hum... obrigado.

— Hum... de nada?

Nós nos beijamos de leve na boca. Não era nada que fosse durar, sabíamos disso, mas foi um pequeno e breve prazer, e às vezes não há nada de errado nisso.

 Arrastei-me pelo campus. Ainda havia estudantes do lado de fora. Tentei permanecer na sombra, mas Jellal, o aluno que vai à minha sala todas as semanas, me viu e gritou:

 — Enfiou o pé na jaca, professor?

Pego no flagra. Dei-lhe um aceno simpático e continuei andando torto até meu humilde alojamento.

Tive uma vertigem súbita ao entrar. Fiquei imóvel, esperando que minhas pernas se firmassem. Quando a tontura passou, fui até a cozinha e tomei um copo de água gelada. Bebi em goles grandes e me servi de outro. Acordaria de ressaca no dia seguinte, não havia dúvida.

Eu estava exausto. Entrei no quarto e acendi a luz. Ali, sentado na beirada da cama, vi o cara com o boné de beisebol marrom. Dei um salto para trás, assustado.

Ele me deu um aceno amigável.

— Ei, Natsu. O que é isso? Olhe para você. Caiu na gandaia?

Durante um segundo, não mais do que isso, fiquei imóvel. O cara sorria para mim como se aquele fosse o encontro mais natural do mundo. Chegou a tocar a aba do boné, como um jogador cumprimentando a torcida.

 — Porra, quem é você? — perguntei.

— Isso não é importante, Natsu.

— Não é importante o cacete! Quem é você?

O cara suspirou, abatido diante da minha insistência aparentemente irracional em saber sua identidade.

 — Digamos que sou um amigo.

— Você estava no café em Vermont.

— Confesso.

 — E me seguiu até aqui naquela van.

 — Confesso outra vez. Cara, você está cheirando a bebida barata e sexo mais barato ainda. Não que haja algo errado nisso.

Eu tentava ficar de pé.

— O que você quer?

— Dar um passeio com você.

— Para onde?

— Para onde? — ele arqueou a sobrancelha. — Vamos parar de joguinhos, Natsu. Você sabe para onde.

— Não tenho a menor ideia do que você está falando. Aliás, como entrou aqui?

Diante dessa pergunta, ele revirou os olhos.

 — Ah, ok, Natsu, vamos perder nosso tempo discutindo isto: como consegui passar por aquela porcaria de tranca na sua porta dos fundos. Seria melhor se você a lacrasse com fita adesiva.

Abri a boca, tornei a fechá-la e tentei outra vez.

— Quem é você?

— Bob. Ok? Já que você não consegue superar isso, meu nome é Bob. O seu é Natsu. Podemos ir agora, por favor?

O homem ficou de pé. Preparei-me, ficando pronto para reviver meus dias de segurança de bar. Não havia a menor chance de eu deixar aquele cara sair dali sem uma explicação. Se ele ficou intimidado, conseguiu disfarçar muito bem.

 — Estamos prontos para ir agora ou você quer perder mais tempo? — perguntou ele.

— Ir aonde?

Bob franziu a testa como se eu o estivesse provocando.

— Ora, Natsu. Aonde mais poderia ser? — Ele fez um gesto em direção à porta atrás de mim. — Ver Lucy claro. É melhor nos apressarmos.

 

 


Notas Finais


Um capítulo bem grande né? 3k kjskjs <333333
Espero muito que vocês tenham gostado, SE PREPAREM QUE O PRÓXIMO É TRETA.
Comentem por favooooor kjsdkasdkja
E MEU DEUS, PAI AMADO, OBRIGADA MESMO PELOS FAVORITOOOOOOOOSSS SOCORROOOOOOOOOO EU TO MORRENDO A AAAAAAA A A AA


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